Norte e Sul

Norte e Sul Elizabeth Gaskell




Resenhas - Norte e Sul


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Fernanda.Granzotto 19/08/2019

Levei muito tempo para ler, mas terminei este livro e adorei !!!!!!
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Marli.Ramires 30/06/2019

Para se começar a ler Elizabeth Gaskel
Um livro de época, com romance, luta de classes e reflexão sobre a vida.
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Thai Zavadzki (@meowbooksblog) 09/04/2019

Maravilhoso!
Quando comecei esse livro estava super ansiosa, primeiramente porque assisti a série e adorei. A capa também é linda, comprei a versão de capa dura e esse livro é a coisa mais linda! A Martin Claret está de parabéns, olha… Estava tudo perfeito: diagramação, espaçamento, revisão… Tenho poucos livros dessa editora, mas já percebo que é de um trabalho louvável e caprichoso. Mesmo que seja mais caro, vale a pena comprar.

Começando a falar da história agora, preciso admitir que o início é realmente maçante, pois são expostas algumas situações que não têm muita relevância pro enredo em si, entendem? É mostrada nossa protagonista, Margaret Hale e um pouco de sua situação antes da mudança fatídica.

Digamos que as 100 primeiras páginas são um tanto quanto desnecessárias, mas depois que ela e sua família se estabelecem em Milton e a história começa a verdadeiramente ocorrer, fica incrível. Não temos apenas um romance aqui. Há toda uma crítica social muito consistente. Elizabeth Gaskell se propôs a trabalhar com os efeitos da Revolução Industrial e foi um trabalho extremamente bem feito. Ficou excelentemente retratado, eu me senti naquela época, como se estivesse vendo aquelas pessoas sofrendo, morrendo por causa de uma cidade altamente industrial que prejudicava a saúde delas por causa das fábricas.

Toda a questão da greve também merece ser ressaltada. Ouvimos muito do lado dos burgueses e pouco do proletariado na escola, é legal ver o sindicato e o desenvolvimento da greve. Como eu disse, ler esse livro é como realmente viver naquela época, isto se você se deixar envolver completamente. [...]

CONTINUA NO LINK.

site: https://meowbookblog.wordpress.com/2019/04/05/resenha-norte-e-sul-de-elizabeth-gaskell/
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Izabel 16/01/2019

Um verdadeiro romance de época
Um dos melhores livros no estilo romance propriamente dito, que já. Muitos certamente desprezarão por se tratar de um romance de época, uma pena.
A história se passa no período de efervescência da revolução industrial, mudanças do campo para as cidades, greves, novas preocupações sociais; esse quase enredo secundário (que bem pode ser o enredo principal) enriquece muitíssimo os amantes de história, como eu.
Sou protestante, e uma pequena mas significativa parte do enredo conta as angustias de alguém que não se alinhava mais com a teologia e práticas da igreja da Inglaterra. Um primor.
É um romance escrito “naquela” época, portanto, não espere suspiros, beijos apaixonados, nada, um simples toque de ponta de dedos já era o suficiente para causar desmaios, rs, tanto é, que é preciso ter isto em mente para compreender o porque a atitude nobre mas intempestiva da “mocinha” num dado momento, faz com a julguem e ela se culpe, atitude digna de pouco alarde hoje em dia. Tudo isto a meu ver, torna tudo ainda mais significativo, pois você se torna espectador de um verdadeiro romance a moda da época.
Mas aponto o que não é um defeito, apenas uma característica dos romances deste período. O enredo “se arrasta” numa constante de acontecimentos que distanciam cada vez mais o casal; isso se explica, pois neste período o amor só seria amor se vencesse todos os obstáculos e intrigas; os sacrifícios e final redenção eram parte do fascínio pelo amor romântico.
E claro, como os casamentos da vida real da época, tinham quase nenhum glamour ou história por trás, dado que eram práticos e quase sempre arranjados, com algumas exceções, os autores precisavam ser bastante criativos para ter um romance que preenchesse mais que dez páginas rs.
Então é totalmente compreensível, mas pode enfadar ou atormentar alguns leitores, ou deixá-los tão ansiosos que abandonarão a leitura, mas peço, leia até o final, valerá a pena.
Certamente lerei novamente, tamanho apreço que tenho por ele.
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THAIS 25/12/2018

Tradicional romance de época.
Norte e Sul traz uma das mais belas histórias de amor que já tive o prazer de ler. Sua narrativa, a meu ver, muito se assemelha os romances de Jane Austen; como um enredo tradicional voltado para a vida de famílias aristocráticas de classe média, mas que também apresenta algumas pinceladas da vida da classe trabalhadora que estava começando a se condolidar das cidades industriais da Inglaterra da Primera Revolução Industrial.
Isso mostra a abrangência do romance e justifica em parte a sua extensão (quase 800 páginas). Assim, tal obra traz grande riquesa de descrições e detalhes, que poderian ser cansativos se a autora não tivesse sabido dosar usando-se de uma linguagem fluida e leve.
Também gostaria de resaltar que para os que assistiram a série baseada na obra, que recebe o mesmo título, perceberão grande diferença entre ambas.
Enfim, recomendo a obra para os que se deliciam com bons romances de época.
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spoiler visualizar
Carol 26/12/2018minha estante
Recomendo a serie da bbc


GIZALYANNE 26/12/2018minha estante
Tem disponível no YouTube? Legendado?


Carol 26/12/2018minha estante
Acho que sim




Ana Paula 22/08/2018

Não tão bom como falaram
Vi diversas resenhas positivas a respeito do livro, mas não achei tudo o que falaram. Por diversas vezes me lembrou " E o vento levou" mas não tão genial. A Narrativa as vezes é lenta, e quando acontece algo, achei que as reações dos personagens são descritas de forma exageradamente dramática.
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Vivi 13/08/2018

Uma obra-prima
O livro narra a história de Margaret Hale, que se muda com seus pais da cidade de Helstone, no sul da Inglaterra, para Milton, no norte. Assim, Margaret passa a viver em uma cidade para a qual não gostaria de ter ido e fica constantemente a comparando com sua cidade anterior. Para ela, o bucólico sul era onde viviam as melhores pessoas e onde as paisagens de natureza sempre bela contrastavam com o cinzento e enfumaçado norte de pessoas rudes e apressadas.

Todavia, aos poucos vai conhecendo melhor a cidade e apreciando a força e a coragem indomável para a luta de seus habitantes. A amizade com Nicholas Higgins e sua filha Bessy mostram a Margaret uma realidade social que não conhecia. Em paralelo, a aproximação com o industrial John Thornton vai mudando suas concepções, ela vai amadurecendo e deixando o preconceito de lado. Ela sofre bastante em Milton, mas não desanima. Margaret é uma mulher forte e o suporte emocional da família, em muitos momentos se porta com mais força e serenidade que os próprios pais.

Amei o modo como os personagens foram construídos, não há superficialidade. A história toda é muito bem escrita. O crescimento da Margaret e o modo como foi amadurecendo, enfrentando as adversidades é notável.

Eu também mudo sempre, agora é isto, depois é aquilo, agora desapontada e irritada porque tudo não está exatamente como eu idealizava, e de repente descubro que a realidade é muito mais bonita do que eu imaginava (pág.685).

Como o enredo se passa na época da Revolução Industrial, o livro é uma aula de história. Aprendi muito sobre como era viver na época. Porém mais do que isso, a autora levanta debates e críticas sociais importantes sobre as condições de vida dos mais pobres, sobre greve e lutas sindicais, religião, o pensamento da sociedade industrial, aristocrática e operária dentre outras questões. Cada linha é um convite à reflexão. Isso sem falar de uma das mais lindas histórias de amor que tive o prazer de ler. Sr. Thornton arranca suspiros ao longo de todo o livro.

Há à minha volta muitas pessoas mais instruídas do que eu. Gente que teve tempo para pensar sobre essas coisas, ao passo que o meu tempo foi dedicado a ganhar o pão de cada dia. Bem, conheço essas pessoas. Sua vida está bem clara para mim. São pessoas reais. Não acreditam no que diz a Bíblia...Não eles. Podem dizer até que acreditam, só por dizer, mas, Meu Pai, o senhor acha que a primeira coisa que pensam quando acordam é O que devo fazer para ter a vida eterna? ou é O que devo fazer para encher minha bolsa neste dia abençoado? (pág. 396)

Assim, peguei o livro e mergulhei nele. Mas, Deus me abençoe, foi um vai-lá-vem-cá tal de capital e trabalho, de trabalho e capital, que acabei por adormecer. Nunca consegui guardar na mente o que era o que, embora o livro falasse dessas duas coisas como virtudes ou vícios. O que eu queria saber era quais eram os direitos dos homens, fossem eles ricos ou pobres...Desde que fossem apenas homens (pág. 402).

- Oh! – disse o Sr. Hale com um suspiro. – O seu sindicato por si só seria uma coisa bela e gloriosa, seria a própria cristandade, se a sua finalidade visasse ao bem de todos, em vez de simplesmente afetar uma classe em oposição à outra (pág.407).

Estava louco de paixão por ela, e mesmo com seus defeitos achava que ela era a mais encantadora e primorosa de todas as mulheres (...) Como teria colocado sua vida aos pés dela para desfrutar tais olhares ternos , tal prisão amorosa (pág. 536).




Charlene 13/08/2018minha estante
Coitadinho do Mr. Thornton, nem teve chance, só apaixonou no primeiro momento que viu a Margaret! Muito amor por esse casal!


Vivi 13/08/2018minha estante
Sim. Casal mais lindo!!!
Os dois são puro amor...


Bárbara 13/08/2018minha estante
Uau!!Deu mais vontade de ler...


Vivi 13/08/2018minha estante
É uma história de amor muito linda Bárbara. Esse casal é muito fofo e o Sr. Thornton a encarnação do ideal de homem kkkkk
Fora todo o aspecto político e social trabalhado pela autora. É um livro único.


Charlene 13/08/2018minha estante
Toda vez que penso no Mr. Thornton me lembro da palavra íntegra, acho que ele é o personagem literário mais íntegro de todos S2


Charlene 13/08/2018minha estante
Vivi já lesse Pássaros Feridos? Sei que a Bárbara já tem o livro e pretende ler, olha digo que é uma afronta viver e nem ler esse livro!


Dani 15/08/2018minha estante
Excelente Resenha,Vivi!
O livro é realmente uma obra prima!


Vivi 15/08/2018minha estante
Obrigada Dani :)


Vivi 15/08/2018minha estante
Charlene, agora que vi suas outras mensagens aí rs
Não li pássaros feridos, mas procurei aqui e vi que já está na minha lista dos que quero ler rsrs


Charlene 15/08/2018minha estante
Que legal amiga, é daquelas história que a gente não esquece! Tem série também rs




Dani | @aliteratar 14/06/2018

Ótimo!
? Após o pai de Margareth Hale exonerar-se do cargo de ministro religioso em um pequeno vilarejo rural ao sul da Inglaterra, a família Hale é destinada a grande e cinzentada cidade de Milton ? um polo industrial da época. A contra-gosto a decisão de Mr. Hale, Margareth é obrigada a viver em um local totalmente diferente do seu habitual conforto.
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?Acreditando que o sul do país encontrava-se as melhores pessoas, decoro e vida, Margareth é conduzia a uma realidade rude, violenta e agitada em Milton e seu preconceito aos assalariados e comerciantes, a introduz ao mundo ignorante e isolado. Contudo, após descobrir que por trás de toda poluição, indiferença e tristeza, Milton possuía pessoas amáveis e fiéis.
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?O livro é um romance social sobre o século XIX e suas diferenças entre as classes sociais da Inglaterra industrializada. Aos poucos, Mr. Hale consegue formar conhecimentos agradáveis e honrosos, tornando-se amigo do seu melhor aluno, Mr. Thornton ? um dos maiores fabricantes da cidade. Embora Mr. Thornton seja de uma classe elevada com condições financeiras respeitáveis, Margareth apenas consegue o ver como um mero comerciante local e por trás de toda tragetória de vida de Mr. Thornton, há uma lição de vida e luta. Ela consegue simpartizar-se e inicia amizades verdadeiras com algumas famílias de Milton, porém quando uma greve estoura, grevistas param a cidade exigindo melhorias trabalhistas. Quando Mr. Thornton é alvo de um atentado, Margareth sem pensar duas vezes o protege dos manifestantes e a partir disso, ambos se apaixonam, mas vários problemas e desentedimentos entre eles adiam a conciliação desejada.
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?O livro é bem descritivo e intenressante, nos mostrando como a sociedade se portava na época e seus conceitos sobre as castas. A escrita da Gaskell é bem direta e fluída, dando-nos a oportunidade de compreender os sentimentos e atitudes dos personagens. Gostei imenso da leitura e quero ler suas outroas obras pubilicadas.
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Viviane Carrijo 20/05/2018

Se é Norte e Sul é Norte e Sul
Nem nas minhas melhores aulas de história tive um panorama tão detalhado da revolução industrial na Inglaterra quanto ao ler Gaskell! Fui lê-la em busca de um romance, puramente, romântico a la Jane Austen e fui surpreendida com forte contexto sócio-histórico que - atrevo-me a dizer, pois não sou britânica - foi bem retratado pelos cenários e storyline de cada personagem! Personagens que transpiravam ao lugar! Gaskell fez mais que Austen em seus romances, mais do que mostrar uma protagonista jovem e forte, em evolução, mais do que mostrar o puro romance, Gaskell imprimiu à obra fator político, social e de denúncia das mazelas em transição econômica do país. Amei... só não amei um pouco mais porque esperava, ao menos, um final a la Jane Eyre... um final que nos mostrasse mais da possível vida conjugal do casal tão almejado, uma vez que não temos como almejar a "Norte e Sul 2". UMA CONTINUAÇÃO É O QUE PRECISO!!!!!
Izabel 16/01/2019minha estante
Fico grata por ler esta resenha, vejo pessoas falando do romance em si, mas meu Deus, uma das coisas mais fantásticas deste livro é sem dúvida o quanto ele mostra o que foi a revolução industrial na vida das pessoas. Os costumes sendo mudados e consequente choque para os envolvidos. Os problemas sociais, a sociedade ainda perdida sem saber quem mediaria as demandas trabalhistas, as mazelas sociais, fantástico.
E sim, o romance é do tipo que que quando você termina, acha que arrancaram a ultima página, pois fica com um anceio por saber um pouquinho mais, o famoso cadê o final de fato??? uma 10 linhas a mais já seriam suficientes kkk




Ziza 07/02/2018

Mui agradável
Alguns pontos:
Não conhecia Gaskell e gostei dela;
Achei a protagonista bem "fresca" no começo mas depois as coisas foram melhorando;
Tem como não amar o Mr. Thornton desde o início? O que notei é que apesar do personagem ser muito apaixonado pela mocinha, ele não ficou atrás dela como um "cachorrinho". Gosto de gente assim: que saiba se valorizar acima do que o outro possa pensar a respeito.
Meus personagens favoritos foram o Higgins e o Mr. Bell por ambos expressarem suas opiniões com bastante sinceridade e segundo suas experiências de vida;
Os pais da Margareth ficaram devendo. Só serviram mesmo pra... ah, vocês sabem!
A série da BBC é magnífica e recomendo fortemente! (tem no youtube)

Enfim... Não é Bronte e nem Austen, porém Gaskell soube me cativar! Lerei suas próximas obras.
Jordan 07/02/2018minha estante
Achei muito bacana o processo de amadurecimento de Margaret na obra. Porém, o que mais chamou minha atenção foi o panorama sociopolítico da obra: o funcionamento dos sindicatos, a exploração do operariado pelas indústrias, o bico de sinuca em que ficavam os patrões em serem obrigados a obedecer o sistema; tudo isso sem maniqueísmo: operários bonzinhos e patrões malvados, a receita de bolo abusativa dos romances com visão de lutas de classe. Gaskell foge disso e explora as divergências de classes sociais sem cair no panfletário.


Ziza 08/02/2018minha estante
Verdade, Jordan. Ela colocou as coisas de modo que os leitores pudessem ter noção do que acontecia nas fábricas e sindicatos sem extrapolar nas partes envolvidas. Confesso que quando li o livro, deixei esse panorama meio de lado pois fico realmente "ligada" no romance dos protagonistas.


Leandro Moura 01/03/2018minha estante
Concordo com o Jordan. Realmente é fascinante ver como a autora consegue fazer um panorama o mais honesto e verdadeiro possível, sem cair no estereótipo em momento algum. Eu realmente aprecio mto livros com essas "camadas".

Agora em relação ao romance, eu fiquei agoniado com a Margaret por páginas e páginas a fio. Pra falar sem spoilers, ela tinha até um motivo justo, mas precisava ter ficado nesse lenga-lenga???? Quase chamei ela de burra, pq ela poderia ter resolvido a situação desde o começo, mas ela preferiu ficar em silêncio o livro inteiro. Deu vontade de entrar no livro e dar uma sacudida nelaz pq não é possível! Acorda, mulher!


Ziza 03/03/2018minha estante
HAHAHAHAHAHA... verdade, Leandro!


Izabel 16/01/2019minha estante
Ela parece fresca, porque ela de fato é fresca kk, mas creio que foi intencional. A autora por certo quis mostrar a mudança de vida de uma moça que vivia no campo cercada de pessoas simpáticas, e tendo certa liberdade (geográfica, do tipo andar por aí), para uma moça que se depara com a cidade, a pobreza estrema, privações em casa, as pessoas nada simpáticas andando apressadas pelas ruas, enfim.




Eduarda 02/01/2018

Hail Margaret Hale
Na pacata cidade de Helstone, na Inglaterra rural do século XIX, vive Margaret Hale. A jovem de 19 anos, após morar por alguns anos na capital, vive no campo uma vida tranquila e feliz com os pais.
Certo dia, porém, seu pai - que é pastor - mergulha em delicadas questões de consciência que fazem com ele decida deixar seu posto na igreja. Os Hale são, então, obrigados a se mudar, e Margaret enfrentará grandes dificuldades na tentativa de se adaptar à fumacenta e deprimente cidade industrial de Milton.

Ainda absorta em sua recusa ao pedido de casamento de Henry Lennox, o cunhado de sua prima Edith, Margaret recebe a notícia de que terá de deixar seu tão amado sul.
Apesar de muito jovem, a moça tem personalidade decidida e opiniões fortes. Por conta disso, de cara desenvolve uma animosidade com o rico industrial John Thornton, um dos pupilos de seu pai (que, com problemas financeiros, agora dá aulas) que é dono de um próspero moinho de algodão.
Margaret acha John duro, frio e tão insensível quanto a cidade à qual pertence. Ela não compreende a desumanidade com que os industriais tratam seus empregados e chega a confrontá-lo em diversos momentos.

" - O senhor não sabe nada do sul. Se há menos aventura e menos progresso suponho que não devo dizer menos excitação provocados pelo espírito de jogatina do comércio, que parece forçar a criação dessas maravilhosas invenções, também há menos sofrimento. Vejo homens aqui, andando de um lado para outro nas ruas, que parecem derrotados por alguma perturbadora tristeza ou preocupação, e que não são apenas sofredores, mas inimigos. Lá no sul temos lá os nossos pobres, mas não há nos seus rostos essa terrível expressão de doloroso senso de injustiça que eu vejo aqui."

Em meio à poluição de Milton, à desentendimentos e aos primeiros movimentos grevistas que marcaram a revolução industrial, Margaret precisará habituar-se à visão da desunião, da pobreza e da fome, e a lidar com os sentimentos de um homem a quem despreza mais do que ninguém.

Não tem como começar 2018 melhor.
Norte e Sul (também já lançado como Margaret Hale, o nome com o qual seria lançado a princípio) é maravilhoso e um dos meus livros favoritos da vida! Ele merecia mesmo o nome de sua protagonista, que e é extremamente inspiradora e sofre muito durante a história.
Quem já ouviu falar desse livro provavelmente conhece às comparações com Orgulho e Preconceito (a Gaskell realmente bebeu dessa fonte) acompanhado do do termo "consciência social" ou ainda "se Jane Austen e Karl Marx tivessem escrito um livro..."
Norte e Sul é uma pedida, eu diria até fundamental, para quem quer conhecer o contexto da revolução industrial e as condições de trabalho em meados do século XIX. Gaskell nos apresenta de forma magnífica os primeiros movimentos sindicalistas e a luta entre a classe burguesa e a classe trabalhadora.
John Thornton é o típico patrão burguês. Após a morte do pai, assumiu a responsabilidade da casa e ergue do nada sua fábrica têxtil. Assim sendo, a prosperidade de seus negócios é o mais importante para ele. E Margaret o enxerga como alguém que passa por cima de tudo e de todos para crescer.
Sendo o mocinho, o Sr. Thornton não pode ser de fato um diabo, e de todos os industriais retratados, temos consciência de que ele é o mais humano (ainda que Margaret não o saiba).

" [...] Será que fora feito todo o possível para minorar os sofrimentos daqueles poucos? Ou, no triunfo da multidão, seriam os fracos pisoteados , ao invés de serem gentilmente afastados do caminho do vencedor, a quem não tinham condições de acompanhar na sua marcha?"

Os dois protagonistas são a personificação de tudo o que representam o norte e o sul naquele contexto. Essa oposição leva ambos à várias discussões durante a leitura, sobretudo a respeito dessas duas regiões, instigadas pelo preconceito que carregam.
O preconceito é um tema muito retratado no romance, através de Margaret principalmente, que tinha, por exemplo, uma visão da classe operária antes de se mudar para o norte, e de repente se vê no meio de uma luta de classes, da qual acaba tomando parte ao fazer amizade com Nicholas Higgins e sua filha Bessy - esta acometida de uma doença incurável nos pulmões por conta dos anos passados em fábricas.

“...– Mas por que fazem greve? – perguntou Margaret. – Entrar em greve é deixar o trabalho até que consigam os salários que desejam, não é? Não se espante com a minha ignorância, lá onde eu vivia nunca se ouviu falar de uma greve.
– Quem dera eu vivesse lá – disse Bessy, com a voz cansada. – Mas não suporto mais ficar doente e cansada com essas greves. Esta é a última que vou ver. Antes que termine, já estarei na Grande Cidade, a Sagrada Jerusalém."

Nicholas é um dos líderes do movimento grevista e Margaret fica no fogo cruzado ao manter relações estreitas tanto com operários quanto com um patrão (ainda que com esse o laço não seja exatamente de amizade).
Essa posição da Margaret é interessantíssima para o leitor, que pode vivenciar intimamente o que acontece nos dois lados da história. Mas que fique claro que não é uma questão de torcer para um desses lados. Se torcemos pra alguma coisa, é para que o Sr. Thornton e a Srta. Hale sejam ambos menos cabeças-dura e se entreguem afinal aos seus sentimentos. Sentimentos esses que Margaret reluta bastante em assumir.
E não sei se minha resenha deixou transparecer mas, sim, dá pra suspirar bastante!

Já faz um tempinho que li esse livro e posso dizer que não tinha como eu estar mais "imersa" no contexto, já que lá estava eu sentada na escadaria da prefeitura de Campinas (da qual sou funcionária) em meio à greve dos servidores lendo justamente Norte e Sul.
É claro que me senti ainda mais fortalecida e inspirada, não só pelo contexto, mas principalmente por estar em companhia de uma mocinha tão independente e corajosa como Margaret Hale.

site: http://www.cafeidilico.com/2018/01/norte-e-sul-elizabeth-gaskell.html
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sandra 27/02/2017

Esperava mais da leitura que que teve um final esperado porém de forma abrupta. Achei Margareth as vezes muito chata em sua arogancia e o Sr. Thorton decido nos negócios porém na vida pessoal muito inseguro.
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ELB 31/01/2017

Every Little Book
*Resenha com imagens no blog

Se Jane Austen e Karl Marx tivessem decidido escrever um livro juntos, eles teriam escrito Norte e Sol. Escrito em 1854, no auge da Revolução Industrial na Inglaterra, Norte e Sul reflete todos os impactos sociais causados pela indústria. Gosto de pensar nele como um Orgulho e Preconceito com consciência social. Pois além de romance nesse livro encontramos também um retrato muito acurado da vida dos operários ingleses e de como a Revolução Industrial mudou a vida das pessoas, trazendo novos costumes.
Margaret Hale foi criada no sul, e com uma visão muito tradicionalista acredita ser superior as pessoas da cidade industrial de Milton, isso fica claro na maneira que ela trata John Thornton, um dos alunos de seu pai, que é um industrial muito poderoso na cidade. Margaret não entende o capitalismo, portanto não entende a sociedade de Milton.
Ao longo do livro ela se relaciona com operários, por meio de sua amizade com Nicholas Higgins e suas filhas. Higgins trabalha nas fábricas e é um dos principais líderes do sindicato, inclusive é um dos organizadores da greve que ocorre durante o livro, e é por meio dele que Margaret conhece a realidade dos trabalhadores e suas dificuldades. E isso deixa sua relação com Thornton ainda mais difícil, já que ser o dono de uma fábrica o faz ser culpado das dificuldades enfrentadas pelos operários aos olhos dela.
O livro é sobre transformações, as quais acontecem com todos os personagens. Margaret percebe o quanto idealizou o sul e foi injusta com o Sr. Thornton. Já Higgins e Thornton percebem que não são inimigos, Higgins percebe que o dono da fábrica não é um tirano que se aproveita dos operários e que trabalha quase tão duro quanto eles para manter a fábrica funcionando, enquanto Thornton começa a perceber as dificuldades enfrentadas por seus funcionários e faz seu melhor para alivia-las.
O romance entre Margaret e John surge em meio a essas mudanças, ele surge quando os dois deixam para trás seus preconceitos e suas ideias pré-concebidas.
Ele chegou para mais perto dela. Ajoelhou-se ao seu lado para ficar com o rosto na mesma altura que o ouvido dela, e sussurrou ofegante:
- Tenha cuidado... Se você não me falar nada eu irei considerar de um modo estranho e presunçoso que você me pertence. Se quiser que eu parta, mande-me embora imediadamente, Margaret!
Norte e Sul se tornou um dos meus livros favoritos de todos os tempos. E a edição de 2015 da Martin Claret é uma obra de arte, com capa dura e lindas ilustrações nas contra capas ilustrando os dois cenários do título. Esse livro é uma das jóias da minha estante.

E como eu conheci o livro através da minissérie que assisti a alguns anos, achei que nada mais justo do resenhar a série também. Pois na minha cabeça o livro e a série andam juntos, e me derretem da mesma forma.

Sim, é assim que me sinto quando vejo a série ou leio o livro!

A série baseada nesse livro foi feita em 2004 pela BBC, a emissora de televisão britânica é mestre em fazer adaptações perfeitas de clássicos, e devo dizer que com Norte e Sul não foi diferente. A adaptação conta com Daniela Denby-Ashe no papel de Margaret Hale e Richard Armitage (suspiros) como John Thornton. Ela conta com quatro episódios dirigidos por Brian Percival (sim, o mesmo de Downton Abbey

site: http://www.everylittlebook.com.br/2016/05/resenha-e-adaptacao-norte-e-sul-de.html
Izabel 16/01/2019minha estante
Huahua eu ri das linhas iniciais da resenha.
Uma das melhores resenhas até agora, este livro também é minha preciosidade.




aleitora 28/11/2016

Norte e Sul
li Norte e Sul da Elizabeth Gaskell nessa edição especial da editora martimartin Claret e fiquei apaixonada pelos detalhes e pela qualidade.

De início somos apresentados a parte sul e aristocrática da Inglaterra através da família Hale, que vive na tranquila cidade de Helstone. O sr. Hale é o pároco da pequena cidade apesar das queixas de sua esposa que deseja viver em um lugar maior enquanto que a filha adora o lugar.

Por isso Margareth é surpreendida quando o pai avisa que está abandonando a igreja para dar aulas em Milton Norte dentro de poucos dias.

Já em Milton a família precisa se adaptar a uma vida completamente diferente da que estava acostumada e aos transtornos de se viver em uma cidade industrial cheia de fumaça, suja e com residentes de ?pouca educação?. Ali Margareth se apega a família Higgins que pertence a classe operária enquanto que faz forte oposição a tudo que pensa e diz um aluno de seu pai, o sr. Thornton que é um rico industrial e por isso os dois vivem discutindo.

Em Milton, o sentimento de insatisfação cresce entre os operários o que aquece os ânimos entre eles e os industriais, e aqui começamos a compreender melhor as necessidades e dificuldades de cada um. Margareth se vê no meio dessa confusão e em um ato de loucura ela protege o sr. Thornton sem perceber que esse sentimento de proteção pode ter nascido de algo mais profundo. Enquanto que John, que já vinha sentindo algo por ela, encontra nesse ato o incentivo para dizer que a ama e acaba desprezado mas mesmo assim não deixa de ama-la, até que um mal-entendido promete afasta-los de vez. Infortúnios e tragédias acontecem e somente aí nós caminhamos para o grande final do qual não posso falar mais nada sem dar spoiler.

Norte e Sul é um livro extenso e profundamente detalhado. Em nenhum momento se torna cansativo, muito pelo contrário, acho que a Elizabeth Gaskell tinha um dom para prender o leitor as suas páginas. Esse livro é tão perfeito que se tornou o primeiro clássico a entrar para a minha lista de favoritos. Gostaria que todos o lessem para terem ao menos uma noção de quão bom ele é.

Leiam, está mais do que recomendado.
WilsonSacramento 29/11/2016minha estante
Ótima resenha!


aleitora 29/11/2016minha estante
Obrigada Wilson ?


GIZALYANNE 17/11/2018minha estante
Poderia me dizer quando começa a empolgar? por que até agora estou achando um tédio




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