Lia

Lia Caetano W. Galindo




Resenhas - Lia


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Milena.Berbel 24/03/2024

"O que é que isso tem a ver com as coisas que a gente aprende depois de velha? [...] Que no fundo qualquer cena de qualquer filme em qualquer segundo, congelada, examinada, é linda e cheia de significado...Qualquer momento. Qualquer coisa. É só prestar atenção, né? É só dar pause. " [pág 176]

Este livro é incrível e diferente de tudo o que eu já li até então.

Ele me tocou de um jeito forte e especial, como se ao ler sobre Lia, eu estivesse lendo sobre mim mesma.

Mas não por algum tipo de identificação com a história particular dela, que afinal, não é contada como uma história "organizada e com sentido", com personagens definidos, roteiro certo, clímax, desfecho, mas sim pela percepção de que a vida, a minha, a tua, a de Lia, é essa coleção de momentos, de instantâneos que vão se acumulando no correr do tempo, construindo a nossa existência, e que vão ou não ficando gravados na nossa memória ou na memória de quem esteve conosco, que vão ter maior ou menor importância pra cada um, que vão nos marcar de alguma maneira, por mais simples, corriqueiros, quase insignificantes que possam parecer.
Pela compreensão da efemeridade da vida, que se realiza em completude em cada instante que se esvai.

E a beleza deste livro está justamente nisso, em conseguir captar cada capítulo, cada instante, cada fragmento da vida de Lia, como a cena de um filme, pausada em um segundo qualquer: linda e cheia de significado.

Desde que se preste atenção ?
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Luciana 24/04/2024

Lia não é um livro com narrativa linear, temos fragmentos de diversos momentos da vida da personagem, e podemos ir montando o quebra cabeça, ainda assim teremos muitos espaços não preenchidos e isso é obviamente intencional. A melhor maneira é aceitar que cada capítulo é completo e se basta.
Meu conselho para quem vai ler é que não busque respostas, tenha a mente aberta para uma experiência diferente e poética. Aceitando que lembranças de uma vida é isso, fragmentos do que você lembra e do que os outros lembram de você, a leitura será única.
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Carla Verçoza 18/07/2024

Achei esse livro de uma beleza imensa. Vamos conhecendo sobre Lia, como quem vai ouvindo por aí. A história não segue um rumo certo, às vezes não se sabe quem narra e nem sobre quem ou o que. E é assim mesmo. Assim como a vida vai acontecendo.
Livro bem diferente, gostei demais.

"A pele de Lia se partiu, se rachou, gretou-se, cortou- se em ocasiões sem conta. E se refez. Com cicatrizes, claro, bem frequentes, mas sempre se recompôs e continuou contendo uma Lia inteira. Mais do que isso, a pele de Lia se reconcebeu continuamente durante a sua vida toda. Um filme acelerado em que essas perdas microscópicas se fizessem visíveis mostraria um corpo vivo que se move entre corpos vivos e inanimados, deixando atrás de si, à sua volta, um rastro permanente de morte. Poeira de pele desfeita. Células soltas. Raspas de Lia."
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Helder 29/05/2024

Faltaram peças para o meu quebra cabeças
Terminei Lia e mais uma vez foi uma leitura que eu queria ter gostado muito mais.
É estranho e abusado este livro ser vendido como um romance, mas ele surgiu de uma ideia bem interessante. Um dia, Caetano Galindo foi convidado por seu irmão a colaborar com textos para um jornal que este havia criado, e assim Galindo imaginou uma personagem chamada Lia. Por um momento ele até pensou em criar um documento guia para ele com dados “biográficos” desta personagem, mas logo ele percebeu que não era isso o que ele queria. Sua intenção era mostrar uma personagem a partir da visão dos outros, sendo assim, a minha Lia com certeza é diferente da dele e também será diferente da sua.
Porém para mim esta ideia não funcionou, pois para mim na verdade o livro foi uma coleção de diversos textos bonitos, mas não consegui fazer uma imagem de Lia, como foi a proposta do autor.
Eu não consegui criar ninguém na minha cabeça, e isso me deixou triste. Mas como queria chegar até o fim, segui lendo o livro, mas numa leitura mais burocrática, como se fossem micro contos que se referem muitas vezes a situações do feminino, mas nada aprofundado.
Eu sei que Lia se interessou por um menino no primário, chegou a ter uma filha e a morar num belo apartamento no 15º andar. Seu pai se orgulhou muito dela, no fim teve Alzheimer, mas teve pouca participação na vida dela, e eu não sei porque. Sua mãe, muito carinhosa sofreu um acidente no banheiro e talvez tenha tido sequelas, mas eu também não tenho certeza. Portanto, para mim estes “conhecimentos” foram pouco para montar um quebra cabeça com todas as suas peças. Não tenho certeza nem de ter encontrado todas as peças com um lado reto para fechar pelo menos a moldura do quadro de Lia.
E você, já leu este livro? Curtiu a proposta? Conseguiu criar uma Lia em sua cabeça? Montou todo o seu quebra-cabeças?
Conta aqui para mim como foi sua experiência.
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Dilso 11/03/2024

Pinturas...
Já o conhecia como tradutor, mas agora, lendo-o como escritor de literatura, fiquei ainda mais fascinado com sua capacidade de criar, com seu estilo singular, com seu exercício 'feliz' de "pintar" pequenos cenários, capítulo a capítulo, como um exímio "desenha-dor"... Livro maravilhoso e que nos sonha dentro de nossas próprias molduras ? janelas cheias de vontade de sair para dentro de si mesmas (pleonasmo? Não) e virarem mundos.
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