Uma Criatura Dócil

Uma Criatura Dócil Fiódor Dostoiévski




Resenhas - Uma Criatura Dócil


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Kleysonks 14/06/2020

Tenebrosa Rotina
"Pois é, por enquanto ela está aqui, ainda está tudo bem: venho olhá-la a cada instante; mas amanhã será levada, e como é que irei me arranjar sozinho?"
Um agiota de 41 anos, por suas próprias palavras egoísta, desagradável, que além do mal não faz nada, num casamento com uma menina de 16 anos, pobre e uma criatura dócil, também nas palavras dele. Ele está narrando esta história a partir de seus pensamentos enquanto ela está morta encima da mesa após cometer suicídio.
Recomendo demais a leitura, é tratado muito acerca de desigualdades, do silêncio no sofrimento, na indiferença, diferença e no amor. Incrível como Fiódor apresenta a dualidade do ser humano, meu pensamento foi sendo confrontado e mudado em todo o decorrer do livro, a obra tem muitos conflitos a apresentar. É uma novela que pode ser lida facilmente numa sentada, em poucas horas, sendo ainda uma ótima iniciação para quem quer ler Dostoiévski!
"A rotina! Oh, a natureza! Os homens estão sozinhos na terra, essa é a desgraça! "Há alguma alma viva sobre a terra?", grita o bogatir russo. Eu, que não sou bogatir, grito o mesmo, e ninguém dá sinal de vida. Dizem que o Sol dá vida ao universo. O Sol está nascendo, olhem para ele, por acaso não é um cadáver? Tudo está morto, e há cadáveres por toda parte. Os homens estão sozinhos, rodeados pelo silêncio - isso é a terra! "Homens, amai-vos uns aos outros" -
quem disse isso? De quem é esse mandamento?"
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Ana Emilia 09/05/2012

Um monólogo verborrágico genial!

Dostoiévski nos presenteia com um livro simples e inteligente. Conta a história de um penhorista que reflete sobre as causas que levaram sua jovem esposa a se matar. O personagem mergulha em si e na sua angústia, no seu egoísmo e na sua presunção. Ora assumindo a culpa, ora livrando-se dela.

Apesar da edição que consta aqui no Skoob ter 96 páginas, o livro é uma novela curta. A edição que li tinha 28 páginas. Li em duas manhãs.
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Gigio 16/03/2020

Nem tão dócil.
O livro traz um monólogo de um infeliz penhorista, narrando os fatos que levaram sua esposa a tirar a própria vida. Se desnuda e nos apresenta exaamente como se vê: suas reservas, seu egoísmo, sua presunsão e sua infelicidade. Ambos os personagens são muito ricos. O texto é excelente,
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Paula Kerouac 24/05/2020

Leitura rápida.
O livro pode ser lido em uma tarde, como foi meu caso. Recomendo como obra de introdução ao Dostoiévski para aqueles que tem certo receio do Autor...
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Francisco.Assis 26/04/2020

Um personagem egocêntrico
Toda a perspectiva narrativa é de um personagem egocêntrico, covarde e levemente sádico. Ainda não tinha lido nada assim.
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Vanessa 28/09/2014

Fragmentos
Os homens estão sozinhos na terra, essa é a desgraça! (...) Dizem que o sol dá vida ao universo. O Sol esta nascendo, olhem para ele, por acaso não é um cadáver? Tudo esta morto, e há cadáveres por toda a parte. Os homens estão sozinhos, rodeados pelo silêncio isso é a terra! - Fiódor Dostoiévski (Uma Criatura Dócil)

Você não sabe com que paraíso eu a teria cercado. O paraíso estava em minha alma, eu o teria plantado em seu redor. - Fiódor Dostoiévski (Uma Criatura Dócil)

Sou mestre na arte de falar em silêncio, passei minha vida toda conversando em silêncio e em silêncio acabei vivendo tragédias inteiras comigo mesmo. - Fiódor Dostoiévski (Uma Criatura Dócil)
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Caroline 18/01/2016

Um penhorista chato, uma narrativa excelente
Uma criatura dócil foi mais um daqueles livros que comprei no escuro, sem ler sinopse, confiando apenas no autor e na seleção da editora, e não me arrependi.

Dostoiévski narra a história de um penhorista, um homem egoísta, machista e irritante, que tenta entender a morte de sua esposa. Diante de seu corpo morto, ele, o narrador sem nome, nos conta como conheceu sua esposa, as circunstâncias do casamento e um pouco do cotidiano, refazendo sua trajetória a fim de descobrir as causas daquela morte.

A história em si não me agradou, mas a escrita é tão incrível que fica difícil achar algo ruim. A angústia daquele homem que não quer se culpar é sentida nas palavras e suas repetições. O conflito enorme que se passa em sua cabeça é exposto com maestria e é impossível não sentir um pouco de piedade, mesmo diante de um chato egocêntrico.

Pelos olhos do narrador, Dostoievski nos traz dois personagens cheios de camadas, complexos e muito bem apresentados, e critica aquele tipo de casamento, a impotência da esposa e a infelicidade de ambos.

O que dizer da última linha do texto? Será? É, talvez seja quase sempre assim, só percebemos quando não mais temos.

3.5/5

ig: @historiasdepapel_

site: www.historiasdepapel.com.br
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Aguinaldo 08/02/2011

uma criatura dócil
Estive na Bienal do livro de São Paulo e, claro, fui ao estande da Cosac & Naify. Don Renato Cohen sempre me pede para esperar a queima de livros da Cosac que acontece em novembro dentro do campus da USP, mas eu sou um incorrigível gastador. Namorei uns tantos, mas acabei comprando apenas dois, um romance curto de Samuel Beckett e este "Uma criatura dócil", romance igualmente curto de Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski. Já faz tempo que ando pensando nos russos e estou devendo o início desta travessia literária, mas contorno a montanha e não me atrevo a enfrentá-la. Sou o fiel depositário de três tijolos de don Renato: Os demônios, Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazov, ainda vou cumprir a promessa e lê-los na seqüência. Para afiar os dedos peguei "uma criatura dócil", romance que o autor chamou de "narrativa fantástica". A edição é muito bonita, claro, com ilustrações de Lasar Segall e dois ensaios que contextualizam o texto e as ilustrações. A história é simples, um sujeito ganha a vida em uma casa de penhores, explorando clientes e desesperos. Uma moçinha penhora um ícone da Virgem e para resgatá-la (pois trata-se do único objeto importante para ela) acaba por se casar com o vil proprietário da casa de penhores. Mais que um casamento o que se pactua é um sistema de humilhações cotidianas e degradações morais, pois há mais assimetrias entre eles que um afeto pode mitigar: assimetrias de classe, de idade, de poder (e claro, sexo.) O narrador é o agiota, transtornado, louco. Retrospectivamente ele tenta explicar como seguiu (por vezes acredita ter sido quase a contragosto) a espiral de assédio moral que obrigou sua mulher a buscar desesperadamente saídas radicais. Dostoiévski nos ensina como a opressão funciona mesmo nas relações mais cotidianas e como é difícil para um tirano e sua vítima escaparem da sina que os une. Belo livrinho.
"Uma criatura dócil", Fiódor Dostoiévski, tradução de Fátima bianchi, editora Cosac & Naify, 1a. edição (2003) brochura 13.5x20cm, 96 págs., ISBN: 978-85-7503-197-X
pc 21/11/2015minha estante
Caro Aguinaldo,
Li também "a dócil", ed.34, e notei que "São Bernardo" de Graciliano Ramos é praticamente a mesma estória, adaptada a personagens e ambientações diferentes. Pesquisei na internet e não encontrei nada sobre isso. Você já leu "São Bernardo"? o que acha?

Concordo contigo sobre a opressão, a tirania cotidiana, porém tenho minhas dúvidas de que o opressor ( que também foi um oprimido, um humilhado), tinha consciência da opressão que perpetuava. Parece que por ter sofrido, e por reconhecer em sua esposa as marcas da opressão, gostaria de ser visto como seu salvador, ficou frustrado por isso não ocorrer. Se regenera ao longo da narrativa, mas não a tempo de salvar sua esposa que entra em colapso com a mudança repentina da situação. É um tanto complexa esta relação vítima-opressor, pois a estória teria tudo para um desfecho feliz, mas a "vítima" parece ter dificuldade também em conviver fora de uma realidade de opressão.




Sol Belchior 18/09/2011

Fantastic!!!
Uma obra de se devorar, se angustiar, se questionar e se desesperar...
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Leonardo 04/07/2011

Dostoiévski e seus devaneios fantásticos
Disponível em: http://catalisecritica.wordpress.com

Estava na Livraria Cultura, no Shopping Iguatemi, em Brasília, procurando um livro para meu irmão, Reinaldo, que aniversariava justamente naquele dia. Já havia comprado outro livro de presente, mas queria comprar outro. E queria Dostoievski. Ele queria “Os Possessos”, mas este está fora de catálogo, segundo me informou o vendedor.

Vi alguns livros mais conhecidos e acabei deparando-me com este “Uma Criatura Dócil”. Comprei-o por um motivo, eu confesso: é da Cosac Naify.

O fato de eu ter comprado Os Miseráveis, de Victor Hugo e três livros de Faulkner (O Som e a Fúria, para Reinaldo, presente meu e de Eduardo, Luz em Agosto e A Árvore dos Desejos) me deram a conhecer a excelência da qualidade dessa editora. “Reinaldo merece um Cosac Naify”, pensei, o que não deixa de ser uma metonímia que insulta bastante Dostoievski.

Eu nunca havia ouvido falar dessa novela do russo, e como estava com bastante tempo, li ali mesmo, antes de comprar. Já falei algumas vezes que, para mim, a literatura definitiva está toda contida em O Sonho de um Homem Ridículo, de Dostoievski. É um conto perfeito, que resume tudo que eu espero das letras. Enquanto lia Uma Criatura Dócil, uma luzinha acendeu na minha mente, especialmente quando li o seguinte:

“Sou mestre na arte de falar em silêncio, passei minha vida toda conversando em silêncio e em silêncio acabei vivendo tragédias inteiras comigo mesmo.”

O livro fala muito sobre mim, sobre como eu sou naturalmente: amigo do silêncio, sem que isso signifique necessariamente uma coisa boa. Lembro que no começo do meu casamento, quando brigava com a minha esposa, eu simplesmente ficava calado, parecendo o protagonista da história, esperando que ela compreendesse tudo por ela mesma. Como eu ficava calado, eu nunca falava o que não devia, mas também não falava o que devia. E isso era uma crueldade com a minha esposa, essa sim, falante, que esperava por minhas respostas. Com o tempo, fui amadurecendo – é natural do cristão querer ser melhor, superar seus defeitos – e hoje já não pareço tanto assim com o narrador da novela.

Mas como fala forte em mim aquela citação!
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Blog Aquela Epifania 24/04/2020

Descomplicando Dostoiésvski
Dostoiévski é conhecido por escrever histórias densas e este livro traz um bom exemplo dessa característica.
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Um homem, sem nome, está diante de sua jovem esposa morta após cometer suicídio. Ele passa, então, a discorrer sobre a vida conjugal dos dois. Indo e vindo em suas memórias, desde o dia em que a conheceu.

Através da mente desse homem, vamos conhecer cada nuance desse matrimônio. Cada dor, conflito, sentimentos aflorados e confusos... Tudo!

E, por mais que em um primeiro momento soe absurdo que um homem resolva escrever em um momento tão delicado como esse, seus devaneios vão ficando cada vez mais realistas.

Temos aqui a desconstrução da bondade humana, realizada de maneira envolvente. No entanto, não devemos esquecer que trata-se de uma narrativa toda realizada através do ponto de vista do narrador, ou seja, do marido.

Um livro bem gostoso e rápido de ler. Prazeroso, reflexivo e baseado em uma história real!

Recomendo muito! Principalmente para quem ainda tem "medo" de ler um Dostô.
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site: @aquelaepifania
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JOY 01/06/2020

"Os homens estão sozinhos, rodeados pelo silêncio - isso é a terra!"

O livro aborda relações baseadas no silêncio. Não há comunicação, não há troca, só resta o silêncio.

De modo geral, o livro é um belo retrato da "tristeza não falada": os equívocos gerados pela interpretação do silêncio das pessoas.
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Julia 17/03/2020

Minha primeira experiência com audiobook
Foi ótimo escutar essa história, pois o narrador dava a ênfase necessária em algumas parte e conseguia passar a gravidade necessária com a voz. Recomendo.
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Micael 13/07/2020

Vale a pena
Bem leve, rápido e fácil de ler.
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