A Moradora de Wildfell Hall

A Moradora de Wildfell Hall Anne Brontë




Resenhas - A moradora de Wildfell Hall


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Nay Moura 01/08/2017

[RESENHA]: A Senhora de Wildfell Hall, Anne Brontë
Se me pedissem para resumir esse livro em uma frase, seria: O Relato de um Relacionamento Abusivo na era Vitoriana. Embora na época que foi escrito o conceito não fosse conhecido dessa forma.

Anne Brontë desafia as convenções sociais do século XIX, com uma protagonista que toma decisões e trilha caminhos que quebram paradigmas de seu tempo. E apesar de ter princípios religiosos muito severos, a personalidade dela se mostra um pouco a parte do ideal da mulher da Era Vitoriana.

Há uma visível crítica da autora sobre essa diferença entre os gêneros, levantando a discussão de como as mulheres eram tratadas, em especial quando inserida no contexto doméstico. Não existia divórcio e quem ousasse abandonar o marido era rechaçada pela sociedade, ainda que sofresse maus tratos e vivendo em total infelicidade. (O verbo no passado pode facilmente ser trocado pelo do presente, pois essas questões ainda são bem atuais, infelizmente). Mas preciso dizer que, pra mim, todos os personagens são odiosos. Da Sra. Granham ao mesmo tempo que senti empatia pelo abuso que sofria, ela me fez revirar os olhos com toda essa religiosidade exagerada e isso me distanciou dela. O sr. Gilbert, algumas é até cativante mas parece uma criança mimada sempre que contrariado, e o Sr. Huntingdon é um escroque. O único que salvo é Sr.Lawrence, por se mostrar o mais sensato, mas também não morri de amores.

Porém, como a própria Anne disse: "Meu propósito ao escrever as páginas seguintes não foi para divertir o leitor; tampouco satisfazer meu próprio gosto ou ganhar as boas graças da imprensa ou do público: meu desejo era relatar a verdade, pois a verdade  sempre comunica sua própria moral para quem é capaz de absorvê-la". Ou seja, o que ela pretende é expor a essência dos seus personagens e as consequências das atitudes e julgamentos. Aconteceu o mesmo quando li Madame Bovary, por exemplo, odiei todos os personagens, mas amei e respeito tudo que a obra aborda.

Indico para os amantes de Literatura Inglesa, e pra quem quer ler algo atemporal e refletir sobre os mais diversos assuntos ligados a condição feminina, essa é uma boa opção.
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Lê Golz 26/07/2017

Angustiante e lindo ao mesmo tempo!
Não é de hoje que amo os livros das irmãs Brontë (Charlotte e Emily), e das três só me faltava ler algo da Anne. Até que li essa edição integral de A senhora de Windfell Hall, publicada recentemente pela Editora Record. A obra é considerada o primeiro romance feminista e conta a história de Helen, uma suposta viúva que vai morar na mansão quase abandonada de Windfell Hall com seu filho pequeno. Sua chegada e seu comportamento arredio, bem como suas opiniões são logo questionadas e caluniadas pela vizinhança. Mas sua personalidade logo chama atenção de Gilbert, um fazendeiro da região, que faz amizade com a nova inquilina e seu filho Arthur. Ele acaba se apaixonando, mesmo sem saber do verdadeiro passado de Helen e apesar de tantas acusações contra sua conduta. Até que Helen resolve provar os motivos que a levaram a Windfell Hall e entrega seu diário para Gilbert, onde ele enfim descobrirá os segredos de seu passado.

" - Então deve pensar que ambos os sexos são igualmente fracos, e que o menor erro, a menor sombra de poluição, arruinará uma mulher, enquanto o caráter de um homem apenas será fortalecido e embelezado por ela, e sua educação ficará mais completa com uma certa familiaridade com o proibido." (p. 41)

Primeiramente tenho que dizer que amei o prefácio da tradutora. Adoro começar um romance histórico, escrito por uma autora que viveu naquela época, e que conta com um prefácio que revela a trajetória da obra e parte da vida da escritora. Me sinto preparada para, enfim, começar minha leitura.

A narrativa é feita em primeira pessoa e alternada entre dois personagens, Gilbert e Helen. A escrita da Anne é rica em detalhes e sentimentos e, confesso, possui uma fluidez maior do que eu imaginava. A autora mantém um certo suspense sobre as razões da protagonista Helen até determinado ponto do livro, até os seus segredos serem minuciosamente contados - apesar de já ter sido revelado ao leitor na sinopse.

O passado de Helen é descrito na maior parte do livro, e esses trechos são os mais dolorosos durante a leitura. Anne foi bem ousada na época, tanto que sua história foi considerada exagerada, recebendo críticas pela forma que os personagens masculinos foram trabalhados em sua obra. Ora, nós sabemos hoje como era a vida em sociedade para uma mulher do século XIX. E a autora, narrando um casamento infeliz da protagonista, os excessos de seu marido, a maneira com que ela era tratada e submetida a uma vida em função de seu cônjuge, só poderia ter recebido inúmeras críticas em uma sociedade extremamente machista em que vivia. E é por isso, que para nós, leitores de hoje, a narrativa de Helen é angustiante e seu sofrimento quase palpável. E para os editores daquela época, era inconcebível uma protagonista querer sua independência e confrontar o vício do marido. Porém, apesar da força da protagonista, também nos é revelado seu lado mais sensível, quando muitas vezes ela ilude-se com a conduta do marido, e tem seus pensamentos mais românticos e sonhadores como todas as mulheres.

O que mais gostei no livro foi confrontar com essa realidade da época, e pensar quantos casamentos infelizes existiram, em especial, claro, para as mulheres. Apesar do sexo feminino ser o mais submetido às convenções, gostei da autora ter acrescentado a isso, o caráter questionável também de algumas mulheres, que também eram infiéis a seus maridos amorosos. Dessa forma, ela mostra que ambos os sexos são merecedores de fidelidade e respeito, bem como receber a mesma educação. Além disso, nos mostra também, através da criação de personagens secundárias, que as próprias mulheres tinham sua dose de machismo, quando julgavam o comportamento arredio de outras. Polêmico, sem dúvida, para um romance de 1848!

A senhora de Wildfell Hall é um romance histórico com uma protagonista que representa milhares de mulheres subjugadas pelos homens e às severas convenções de uma época. Trata do alcoolismo em sua realidade cruel, e ainda nos deleita com um amor verdadeiro, que torcemos para que tenha um final feliz. Tudo em uma escrita envolvente, rica em detalhes e sentimentos. Uma obra riquíssima e que precisa estar na estante dos amantes de romances históricos feministas e, para nós, apreciadores das obras das irmãs Brontë. Simplesmente amei!

site: https://livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br/2017/07/resenha-senhora-de-wildfell-hall.html
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Chris Oliveira 20/07/2017

Uma viagem no tempo.
A senhora de Wildfell Hall é um romance epistolar escrito por Anne Brontë sob o pseudônimo de Acton Bell, publicado em 1848. O romance recebeu duras críticas por conta da descrição de suas personagens femininas, sempre mulheres com opiniões fortes e atitudes muito progressistas para a época. É considerado o primeiro romance feminista.

“Meu propósito ao escrever as páginas seguintes não foi apenas divertir o leitor; tampouco satisfazer meu próprio gosto ou ganhar as boas graças da imprensa ou do público: meu desejo era relatar a verdade, pois a verdade sempre comunica sua própria moral para quem é capaz de absorvê-la. Mas, como esse tesouro precioso com frequência se esconde no fundo de um poço, é preciso coragem para mergulhar em busca dele, principalmente porque é provável que quem o fizer vá despertar mais desdém e desaprovação pela lama e água onde ousou se misturar do que gratidão pela joia que obteve; pe possível comparar isso com a situação de uma mulher que se prontifica a limpar os aposentos de um homem solteiro e descuidado, ouvindo mais reclamações pela poeira que levantou do que elogios pela limpeza que fez.”.
Houve bastante especulação, na época, sobre a autoria do romance, ao que respondeu Anne:

“Irei interpretar essa dedução como um elogio à boa delineação de meus personagens femininos; e, embora não possa deixar de atribuir boa parte da severidade de meus censores a essa suspeita, não farei esforços para refutá-la, pois, para mim, se o livro é bom, o sexo de seu autor não é significativo.”
Mas vamos à história.

Gilbert Markham é um jovem apaixonado que escreve cartas ao amigo Halford, contando a história de Helen Graham, uma mulher misteriosa que se muda para a mansão abandonada Wildfell Hall com seu filho Arthur e sua criada Rachel, vivendo reclusa e despertando curiosidade na vizinhança por conta de suas fortes opiniões e todo mistério que a cerca. Todos acreditam que Helen é uma viúva solitária, mas sua forte amizade com Lawrence causa um falatório na comunidade, que a julga vulgar para os padrões da época. Gilbert insiste em cortejar a jovem, que se esquiva de suas intenções e resolve lhe contar sua história, entregando-lhe seu diário que contém relatos sobre o relacionamento abusivo que sofreu por seu marido, o odiável Arthur Huntingdon .

Desta forma, temos duas vozes no romance: a de Gilbert, que escreve cartas a Halford confessando seus sentimentos e contando a história de Helen sob seu ponto de vista, e a voz de Helen por meio de seu diário que começou a ser escrito cinco anos antes.

Gostei muito da forma como as personagens femininas são retratadas, mas confesso que não consegui sentir empatia por Helen. Não estou dizendo que ela mereceu os abusos que sofreu, longe disto, mas a personagem é irritantemente enfadonha, uma fanática religiosa rabugenta que não causa grande empatia no leitor. Gilbert, por sua vez, é inocente e muito bondoso, mas seu orgulho e covardia chegam a irritar. Contudo, são dois personagens perfeitamente verossímeis, e aí está a perspicácia da autora, em trazer um retrato tão fiel da sociedade da época que se comunica facilmente com nossos dias atuais.

O que mais mexeu comigo, sem dúvida, foi o relato minucioso sobre a personalidade de Arthur Huntingdon, um narcisista perverso que, após conquistar o coração de Helen e levá-la ao altar, passa a maltratá-la, desprezá-la e torturá-la com seus vícios e sua crueldade, levando-a à depressão e ao desespero, ao ponto de fugir com seu filho para protegê-lo dos abusos do pai. É, sem dúvida, uma figura detestável que merecia um destino muito pior ao que Anne lhe deu.

A história é muito interessante sob o ponto de vista dos relatos sobre a vida cotidiana, das relações íntimas e familiares, o que nos prende facilmente, mas aconselho a não ler com pressa porque é riquíssima em detalhes e merece um verdadeiro mergulho e toda a atenção do leitor.

Pegue um chá, sente-se confortavelmente e aprecia a vista. Boa viagem!

site: www.letrasextraordinarias.com.br
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Maria - Blog Pétalas de Liberdade 13/07/2017

Resenha para o blog Pétalas de Liberdade
Publicado pela primeira vez em 1848, sob o pseudônimo masculino de Acton Bell, a obra chegou a ter partes cortadas em edições posteriores por mostrar as diferenças de poder entre homens e mulheres na sociedade da época. Em 2017 a Editora Record publicou a edição integral, sem cortes, que eu venho resenhar para vocês.

Sobre a história: Gilbert Markham é o narrador. Ele era um rapaz de vinte e poucos anos, que cuidava da fazenda deixada pelo pai. Morava com a mãe e dois irmãos pouco mais novos: Rose e Fergus. Perto de sua fazenda, havia um antigo casarão que pertencia ao Sr. Lawrence (um rapaz mais ou menos da idade de Gilbert): Wildfell Hall. Quando esse casarão recebeu novos moradores, só se falava nisso no povoado onde Gilbert morava, ainda mais pelo fato de a casa ter sido alugada pela jovem viúva Helen Graham, que foi morar lá apenas com seu filho de cinco anos de idade (Arthur) e uma criada.

Entre um passeio no campo, um bate-papo sobre um livro, brincadeiras com o pequeno Arthur, Gilbert acabou se aproximando da Senhora Graham. Na verdade, ele estava encantado por ela, apaixonado. Mas por qual motivo Helen negava-se a aceitá-lo como um possível pretendente se todos os indícios apontavam que o interesse era recíproco? Em meio a isso, rumores sobre a origem da Sra. Graham começaram a ser espalhados no povoado. Seriam verdadeiros esses boatos e Gilbert teria se enganado completamente sobre a mulher por quem havia se apaixonado?

Para tentar elucidar essas questões, Helen permitiu que Gilbert lesse o seu diário, para que pudesse entender como, até anos antes, ela era uma jovem alegre e cheia de vida, e o que tinha acontecido para que ela precisasse ir morar numa casa isolada e em más condições, tornando-se tão séria e reclusa. Parte das descobertas de Gilbert eu vou compartilhar com vocês, o restante vocês precisaram ler para compreender quais segredos Helen guardava.

Relação com os dias atuais: Mesmo tendo sido escrito no século dezenove, "A Senhora de Wildfell Hall" ainda apresenta aspectos que podem ser vistos nos dias atuais. Ainda há garotas de dezoito anos que, como Helen, acreditam que podem mudar um homem, que o amor que sentem e a sua força de vontade bastará para transformá-lo e afastá-lo dos vícios. E, infelizmente, ainda há homens como o pai de Arthur, que se recusam a crescer, a assumir as responsabilidades que tem com a família, ainda mais com a sociedade aplaudindo seus atos, dizendo que "homem é assim mesmo", que "homem pode". Isso gera relacionamentos abusivos.

"- Por-que, minha querida, a beleza é uma qualidade que, assim como o dinheiro, em geral atrai o pior tipo de homem; e, portanto, é provável que traga problemas para quem a possui. (...)
- Bem, eu não serei descuidada nem fraca.
- Lembre-se de Pedro, Hele! Não se vanglorie e fique aleta. (...) Se se casar com o homem mais bonito, mais talentoso e mais superficialmente agradável do mundo, mal sabe a desgraça que vai se abater sobre você se, no fim das contas, descobrir que ele é um depravado indigno, ou mesmo um tolo inútil.
- Mas o que farão os pobres, tolos e depravados, tia? Se todos seguissem seu conselho, o mundo logo acabaria.
- Não tema, minha querida! Os tolos e os depravados sempre encontrarão parceiras enquanto tiverem tantos equivalentes no sexo feminino. Que você siga o meu conselho. E isso não é assunto para brincadeiras, Helen. Lamento que esteja tratando dele de forma leviana. Acredite, o matrimônio é algo muito sério." (página 140)

Nos dias de hoje, se uma mulher é agredida pelo seu companheiro, ela tem leis que a protegem e pode trabalhar para cuidar dos filhos que tiver. Mas era diferente na época de Helen, fazendo com que as mulheres tivessem que continuar num casamento onde sofriam violência física e psicologica, e ver seus filhos sendo deseducados pelos pais sem ter poder para intervir. Há cenas de agressão no livro: um homem nobre agredindo sua esposa e ninguém podia fazer nada, ela só podia rezar e torcer para que ele um dia melhorasse. Um tipo de comportamento comum na sociedade da época, mas que os editores que censuraram trechos da obra (em sua maioria, homens), não gostariam que fosse mostrado por "denegrir os homens em geral".

"- (...) sua tarefa é ser feliz, e a dela é fazê-lo feliz." (página 65, um dos absurdos que a mãe do Gilbert dizia para o filho a respeito dos casamentos na época, onde a esposa deveria viver em função do marido)

Outro ponto bem visível é como as mulheres eram tratadas como seres sem opinião, com pretendentes insistentes que não desistiam mesmo quando a moça dizia com todas as letras que não queria se casar com ele, mas ele continuava insistindo e dizendo que esse casamento seria o melhor para ela, e nos dias de hoje ainda é possível presenciar casos onde a opinião da mulher é ignorada, como se ela não fosse capaz de saber o que é melhor para si.

Clássico e romance de época: "A Senhora de Wildfell Hall" pode ser classificado como um clássico, pela época em que foi escrito, e também como um romance de época. Eu recomendo bastante ele para os fãs de romances de época, já ressaltando que, por ele ter sido em um outro século, não são descritos em detalhes as partes mais íntimas de um relacionamento, mas é muito bom para quem gosta de ver como eram os costumes da época, as reuniões, as conversas. A tradução foi bem feita, preservando o estilo de escrita da época mas sem colocar termos difíceis ou em desuso, podem ler sem medo!

Narração: Gilbert começa a narrar como se estivesse escrevendo uma carta para um amigo, contando-lhe finalmente sobre seu passado, com a narração alternando depois para os trechos do diário de Helen e voltando novamente para Gilbert. Num primeiro momento, eu estava gostando mais da narração feita por Gilbert, mas depois, quando me aprofundei nos relatos de Helen, me vi tão envolvida quanto nos outros trechos. É visível a diferença entre as pessoas com quem Gilbert convivia, numa vida bem mais simples, onde todos se conheciam e conversavam, se chamando pelo primeiro nome, e as pessoas com quem Helen convivia, muito mais presas às convenções sociais, o que acrescenta um outro empecilho ao relacionamento dois dois: a diferença de classes sociais.

A edição da Record traz uma capa discreta mas bonita, boa revisão, páginas amareladas, diagramação simples com letras, margens e espaçamento de bom tamanho.

"- (...) Sim; me causou um dano que nem você, nem ninguém jamais poderá reparar: destruiu o frescor e a esperança de minha juventude e transformou minha vida num deserto! Mesmo que eu viva cem anos, jamais irei me recuperar dos efeitos desse golpe terrível, nem jamais o esquecerei! Daqui em diante... está sorrindo, Sra. Graham! - disse, parando de falar abruptamente, com minha declaração furiosa interrompida por sentimentos inexprimíveis ao ver que ela sorria diante da descrição da ruína que causara.
- Estava? - perguntou ela, erguendo o rosto com uma expressão séria. - Não me dei conta. Se estava sorrindo, não foi de prazer ao pensar no mal que lhe causei. Deus sabe que a mera possibilidade de isso acontecer me atormentava. Foi de alegria por ver que você tem sentimentos e alma, e graças à esperança de não ter me enganado por completo em relação aos seus méritos. Mas os sorrisos e as lágrimas são muito parecidos para mim: eles não se limitam a um sentimento em particular. Muitas vezes, choro quando estou feliz e sorrio quando estou triste." (página 135, Gilbert, em seu momento dramático e sensível)

Anne Brontë me fez odiar com todas as forças o pai do Arthur (que chegava ao ponto de definir seu filho, um bebê, como alguém de "completa inutilidade" e "imperturbável estupidez") e seus amigos, me encantou com as peculiaridades dos personagens que moravam no povoado de Gilbert, me fez gostar dele, com seu jeito inocente, o que é muito importante num romance, e me fez admirar a determinação de Helen, uma verdadeira heroína, pois eu não teria aguentado algumas provações que ela suportou. A maioria dos 53 capítulos são curtos, visto que seriam as cartas escritas por Gilbert, o que nos ajuda a querer ler "só mais um capítulo" para descobrir o que acontecerá em seguida. Enfim, eu gostei muito de "A Senhora de Wildfell Hall" e recomendo a leitura.

site: https://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/2017/07/resenha-livro-senhora-de-wildfell-hall.html
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Luciane 11/07/2017

Romances britânicos sempre tiveram um lugar especial em minha estante. Apesar de bastante dramáticos, os ingleses sabem contar uma boa história de amor. Por isso, estava muito ansiosa pela leitura de A Senhora De Wildfell Hall, de Anne Brontë, a caçula das irmãs literárias - juntamente com Charlotte e Emily.

É importante lembrar que, assim como suas irmãs, Anne viveu pouco. Enquanto Charlotte conseguiu gozar de quase quatro décadas, Anne e Emily mal alcançaram os 30 anos. Isso nos faz refletir sobre a importância das três irmãs na literatura britânica, pois, mesmo com poucas obras no repertório, cada uma conseguiu desenvolver sua magnum opus, deixando um legado de boas referências para qualquer leitor.

A Senhora De Wildfell Hall é o segundo romance de Anne, publicado na metade do século XIX. Na época, o romance foi considerado ousado, já que os homens foram retratados da forma mais real possível, mostrando suas fraquezas e idiotices perante uma sociedade que engrandecia o homem e subestimava a mulher (não muito diferente dos dias atuais).

Entre os personagens principais, temos Helen Graham, Arthur Hutingdon e Gilbert Markham. Antes que você imagine que isso se trata de um triângulo amoroso, eu precisarei acabar com seus pensamentos. Aqui, temos uma narrativa em forma de cartas e/ou sempre em primeira pessoa, mostrando o ponto de vista de cada um.

Helen é uma mulher que, assim como muitas, ainda acredita em príncipes encantados. Ao se casar com Arthur, descobre que o marido não é nada daquilo que imaginava. Após sofrer uma traição, se vê obrigada a fugir com o filho e viver escondida de tudo e todos, mostrando que o fato de ser uma mulher casada não a impedia de lutar pelos seus direitos e de correr atrás da felicidade.

No caminho, conhece Gilbert e finalmente descobre o que é o amor. O que eles não sabiam é que teriam que enfrentar uma sociedade opressora e preconceituosa. Por muitas vezes, cheguei a me colocar no lugar de Helen e, mesmo achando algumas atitudes infantis, percebo que a personagem ainda é um símbolo da mulher do século XXI, que se vê obrigada a perdoar, chorar escondido, negar afeto e muitas outras coisas que nos fazem, diariamente, desistir do amor.

Mesmo sem nenhuma inspiração para opinar de forma inteligente sobre a obra, devo confessar que A Senhora de Wildfell Hall é um romance de tirar o fôlego. E se você espera um final feliz para a história de Helen Graham, vai ter que pagar para ver. Garanto que vai valer a pena! ;)
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Gaby 30/06/2017

O retrato de um relacionamento abusivo no séc. 19 com uma heroína que desafia os paradigmas de seu tempo
Anne é a mais nova das irmãs Brontë, uma tríade de grandes escritoras que causaram grande rebuliço em sua época, no século 19, tendo que escrever sob pseudônimos masculinos para conseguir publicar suas obras. Charlotte, a irmã mais velha, é autora do romance Jane Eyre e Emily, irmã do meio, é autora do livro O Morro dos Ventos Uivantes. Essas duas obras são das mais aclamadas da literatura inglesa e as autoras figuram na lista de favoritos de milhares de leitores ao redor do mundo. Seu primeiro romance publicado foi Agnes Grey, um livro baseado em em suas experiências como governanta, sua profissão de 1839 a 1845. O livro não fez nenhum sucesso e vendeu pouquíssimas cópias.

Seu segundo e último romance, A Senhora de Wildfell Hall, foi também publicado sob o pseudônimo de Acton Bell, e provocou duras críticas ao conteúdo ali presente, principalmente pelas posições dos personagens masculinos e suas ações e pelas atitudes e ideias da protagonista, uma mulher forte e independente que foge de um casamento abusivo. Esse é considerado um dos primeiros romances feministas, publicado em 1848.

Anne morreu aos 29 anos vítima de uma tuberculose, apenas um ano depois que sua obra de maior repercussão foi publicada. Ela ainda escreveu um prefácio à segunda edição, texto que está presente na edição aqui resenhada. No prefácio, Anne escreveu o seguinte:

"Meu propósito ao escrever as páginas seguintes não foi apenas divertir o leitor; tampouco satisfazer meu próprio gosto ou ganhar as boas graças da imprensa ou do público: meu desejo era relatar a verdade, pois a verdade sempre comunica sua própria moral para quem é capaz de absorvê-la. Mas, como esse tesouro precioso com frequência se esconde no fundo de um poço, é preciso coragem para mergulhar em busca dele, principalmente porque é provável que quem o fizer vá despertar mais desdém e desaprovação pela lama e água onde ousou se misturar do que gratidão pela joia que obteve; pe possível comparar isso com a situação de uma mulher que se prontifica a limpar os aposentos de um homem solteiro e descuidado, ouvindo mais reclamações pela poeira que levantou do que elogios pela limpeza que fez.".

E logo depois comenta sobre a dedução que alguns críticos fizeram sobre Acton Bell ser na verdade uma mulher:

"Irei interpretar essa dedução como um elogio à boa delineação de meus personagens femininos; e, embora não possa deixar de atribuir boa parte da severidade de meus censores a essa suspeita, não farei esforços para refutá-la, pois, para mim, se o livro é bom, o sexo de seu autor não é significativo."

No livro conhecemos então Helen Graham, que chega na propriedade de Wildfell Hall com seu filho, o pequeno Arthur, em vestes de luto, o que dá a entender que se trata de uma jovem viúva buscando novos ares para sua pequena família. Mas sua personalidade reclusa e a forma como educa o filho causa um burburinho entre seus poucos vizinhos, que logo começam a julgar o comportamento de Helen e questionar sua presença naquele lugar.

Resenha completa no blog:

site: http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/2017/06/a-senhora-de-wildfell-hall-de-anne.html
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Luiza 29/06/2017

A Senhora de Wildfell Hall
As icônicas irmãs Brontë (Charlotte, Anne e Emily) foram escritoras do século XVIII que desafiaram convenções e entraram para a história da literatura inglesa ao entregar ao mundo histórias como O Morro dos Ventos Uivantes (Emily), Jane Ayre (Charlotte) e Agnes Grey (Anne).

A mais nova das Brontë, Anne, também escreveu The Tenant of Wildfell Hall, em 1848, que a Editora Record traduziu como A Senhora de Wildfell Hall nessa linda edição de texto integral lançada em maio.

A estrutura do texto chama atenção: iniciada como uma carta sem data do narrador para seu amigo Halford, ele se predispõem a contar uma história "detalhada e interessante dos acontecimentos mais impressionados de sua juventude". Na carta, o narrador comenta que, na época em que o amigo lhe contara sua história, ele ficara magoado por ele não tinha nada para lhe contar em retribuição. Mas que agora, era, segundo ele, o momento propício para relembrar o passado.

E assim retornamos ao outono de 1827: Gilbert Markan é um fazendeiro de um condado não especificado que se manteve no ofício do pai a seu pedido, não desejado nada para o filho além da segurança que a propriedade da família pudesse lhe proporcionar. A cidade é pequena (ao ponto que somente três ou quatro famílias merecem algum destaque), todos se conhecem a anos e a fofoca corre solta (como em toda cidade de interior da época imagino).

As velhas fofocas recorrentes são esquecidas quando uma estranha chega à cidade e ocupa Wildfell Hall, a antiga casa do maior proprietários de terra da vizinhança, abandonada a mais de quinze anos, quando seu atual dono mudou-se para uma residencia mais moderna e mais próxima da cadela local.

A nova moradora, uma jovem viúva de 20 ou 25 anos, mudou-se com o filho de cinco anos e parecia mais que determinada em manter-se o mais socialmente afastada que fosse possível (o que era bem pouco para seu gosto graças às vizinhas que usavam de qualquer artifício para aproximar-se dela e lhe arrancar informações sobre seu passado).

De maneira suave, e sem qualquer segunda ou terceira intenção, Gilbert e Sra. Graham, mais tarde, Helen, passam a dividir uma amizade tenra, mas que ela, ao perceber que ele alimentava sentimentos além da amizade, advertiu-o que nada além de amizade poderia acontecer entre eles.

Depois de alguns capítulos dolorosos, o segredo de Helen nos é revelado, por meio de seu diário pessoal, que ela entrega a Gilbert para que ele pudesse entender seus motivos. Achei incrível como ela conseguiu mudar os narradores sem mudar a estrutura da narração e nem o tom da fala. tanto um quanto o outro, expuseram seus sentimentos e segredos no papel de forma tão similar que não me admirou ter nascido um sentimento mais forte que a amizade.

A leitura não é do tipo que se pode fazer apressadamente (aliás, se não me falha a memória, poucos entre os escritos no século XVII possuem essa característica), Anne te convida a uma leitura calma e reflexiva dos personagens e da sociedade que os cerca. Aliás, A Senhora de Wildfell Hall, assim como o livro anterior da autora, Agnes Grey, se mostrou ser uma crítica escancarada aos costumes da época, em especial à condição da mulher.

site: http://www.oslivrosdebela.com/2017/06/a-senhora-de-wildfell-hall-anne-bronte.html
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Jossi 07/02/2015

Grande e bonito...
Adoro Emily Brontë e o Morro dos Ventos Uivantes é um dos maiores e melhores romances que li, em toda minha vida. E não foram poucos os romances que li! Fica à frente até de ícones da literatura romântica, como 'O Doutor Jivago' (Boris Pasternak) e 'Orgulho e Preconceito', de Jane Austen. Mas estou começando agora com "A moradora de Wildfell Hall" e acho um pouco exagerado quando dizem, na introdução, que é "o primeiro romance feminista" da literatura inglesa... Primeiro, porque a palavra 'feminismo' como é entendida hoje, passa muitíssimo longe das reivindicações femininas da época. Segundo, porque o intento de Anne, ao escrever seu romance, foi o desejo legítimo e correto de afirmar a posição da mulher, não como as 'militantes feministas' de hoje, apenas como mulher, como ser humano. E no fundo desse cenário de intrigas, afetos e desafetos, o livro é mais do que tudo, um belíssimo romance de época. Um retrato fiel de uma sociedade que, boa ou má, ainda hoje nos surpreende e encanta. Assim como havia preconceito e descaso, também havia amor, paixões intensas e um exacerbado desejo de ser feliz e ser aceito, tanto por homens, quanto por mulheres.
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Emanuelle Najjar 01/12/2012

Uma resposta?
Ler algo escrito por Anne Brontë é algo que eu queria há muito tempo. Ainda preciso ler "A Preceptora", mas quis as entidades editoriais que eu começasse por seu último livro, editado e publicado no ano de sua morte, visto que "A preceptora" só é encontrado em sebos atualmente. Mas, apesar de eu querer muito, ler esse livro foi uma missão impossível.

Eu li o livro, mas sofri com a tradução que me obrigava a voltar passagens inteiras para entender do que se tratava. Sofri com a diagramação do livro, com letras miúdas e pouco espaçamento que certamente devem me obrigar a usar óculos mais cedo. Continuei porque era Anne Brontë e uma história que eu queria mesmo ler.

O primeiro livro feminista vitoriano e um livro que é tido como a resposta para sua irmã Emily caso seus protagonistas de "O morro dos ventos uivantes" tivessem se casado. Bom, eu não consegui interpretar o livro dessa forma de resposta ao livro da irmã. Não consegui enxergar Heatcliff em Arthur. Desse modo preferi me concentrar nos demais itens fundamentais: personagens e suas narrativas, no formato de cartas e de diário. E devo dizer que gostei bastante do que li.

Por vezes a Hellen me irritou com tanta obstinação, mas isso era superado rapidamente a medida que seus motivos vinham a tona. Da mesma forma sua narrativa (embora muito atrapalhada pela tradução) foi levando sua história de uma forma muito interessante e até leve. Gostei bastante do livro. Uma pena que ela não tenha tido o mesmo reconhecimento de suas irmãs, mas talvez ainda esteja em tempo para lhe fazer jus.
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Sandra de Oliveira 20/04/2012

Anne Brontë tem uma escrita bastante diferenciada de suas duas irmãs. Enquanto Emily é sombria e obscura, Charlotte mais romântica e passional, Anne nos mostra através de sua Helen, uma mulher submissa, recatada ao extremo, religiosa, mas que, no momento em que viu sua vida esvair num casamento de ilusões e máscaras, decidiu mudar os rumos de sua história.

Tudo isso é perfeitamente normal nos dias de hoje, e não constituiria em surpresa, não fosse o fato de estarmos situados nos anos 1820, que exigiam da mulher silêncio, recato, compostura, submissão em prol da chamada felicidade através de casamentos arranjados, que visavam antes de mais nada situação financeira em detrimento do amor.

É certo que Helen confrontou essa regra e casou-se com Arthur Huntingdon por amar um personagem, e não o homem que ele realmente era.

O romance tem uma estrutura muito interessante, da qual gostei muito, ao dividir-se em três partes: a primeira narrando a história através de cartas; a segunda através do diário de Helen; e por fim, a terceira retorna às cartas.

Isso deixou a leitura mais ágil, o que foi um presente, pois a narrativa transcorre de forma bem lenta se compararmos à outros livros, portanto essa divisão trouxe um pouco mais de dinamismo ao livro.

Após ter lidos romances das três irmãs Brontë, ainda prefiro Charlotte e Emily, mas sem desmerecer de forma alguma o talento de Anne para confrontar as dúvidas, temores e a realidade de submissão das mulheres numa sociedade machista e moralista, que prega virtudes e as defende, muitas vezes sem praticá-las. Uma ótima leitura a ser apreciada, especialmente aos fãs dos romances de época.
Cris Flessak 23/04/2012minha estante
Oi amiga! Concordo com cada palavra que tu mencionaste na tua resenha e tive exatamente a mesma impressão do livro!

A obra é realmente um clássico vitoriano, que nos transpõe a um período completamente diferente de tudo que hoje em dia vivenciamos.

Uma época que como tu mencionou, retrata a completa submissão e aceitação por parte da mulher; um casamento ruim significava praticamente uma sentença de prisão, pois a mera menção de divórcio representava a desgraça completa.

Quanto a narrativa, também concordo que ela foi bem dividida entre cartas e diário, mas achei algumas partes um pouco cansativa - dava muitas voltas no mesmo assunto.

Apesar de minha preferência ter permanecido por Charlotte e seu maravilhoso "Jane Eyre" (insuperável!) a obra prima de Anne Brontë merece muitos elogios e talvez tenha uma profundidade maior que a das irmãs, pois retrata pura e simplesmente a realidade da época, sem mascará-la com romantismo.

E claro, foi um prazer compartilharmos a leitura novamente! :)




Li 25/09/2011

Não gostei!
Bom,tive interesse em ler este livro por ser de uma das irmãs Brönte, mas achei que não faz muito jus ao talento das outras...

A história nem é ruim, apesar de ser fraquinha, mas o livro é mal escrito (ou mal traduzido e adaptado, infelizmente meu inglês não é bom o suficiente para ler direito e tirar a prova) e os personagens são chatíssimos!
O clima sombrio, tão característico das obras das Brönte, é perceptível, mas não tem um enredo que prenda...
Dos três livros que li das irmãs Brönte "O Morro dos Ventos Uivantes" é realmente o melhor!

Só recomendo mesmo a quem tem curiosidade em conhecer obras de todas as Brönte...
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Carla Valle 25/03/2010

Tal como sua irmã Emily, Anne Brontë tem personagens masculinos com capacidade de revirar o estômago, Arthur Hunthingdon e tão perverso quanto Heathcliff. Gostei do livro, passa uma mensagem interessante, o final é meio chatinho, explicadinho... mas gostei.
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Raquel Lima 15/03/2010

Um ensaio feminista do início do Séc. XIX
O que me foi contado é que este livro é uma resposta, ou sua versão, do livro O Morro dos Ventos Uivantes, escrito por sua irmã. Mas confesso não concordo com ela. Não acredito que o amor de Heaticliff ( é assim que escreve ? )seria como o amor de Artur. Apesar de achar que ele também teria um amor egoista, de veneração, sem respeito ao outro, somente querendo-a como um instrumento de sua satisfação...não sei se ele seria capaz de trai-la. Acredito que seu amor seria único, se a fizesse sofrer, seria por não deixa-la nem um minuto, a sufocaria.



A sua versão com a Helen, é surpreendente, quando vemos sua não aceitação da vida e do amor que ele a impôe. Sua fuga, sua vontade de viver uma outra vida, ganhando seu próprio sustento é com certeza uma visão feminista e independente para a época. No entanto, o seu retorno ao lar, para cuidar do marido moribundo, perdoando ou enfrentando seu "designo" de cuidar dele até a morte, como uma missão divina demonstra o quanto suas atitudes a confrontavam com a vida que era "natural" para as mulheres, é um retorno para um padrão cultural que ela não consegue fugir sempre. Mas ela se dar o Amor de Gilbert! Como se após o pecado, existisse, enfim, uma salvação. Fica um pouco cansativo em algumas partes...mas em momento nenhum conseguimos deixar de querer ver o final da história e sempre na torcida pela Helen e Gilbert, esperando que o final não seja trágico como o outro livro.
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Daniela Tiemi 01/04/2009

Um caminho sem volta
Anne Brontë (1820 - 1849), a caçula da família, escreveu "A moradora de Wildfell Hall" pouco antes de sua morte por tuberculose em 1848 (também o ano de sua publicação), sobre o pseudônimo de Acton Bell. Em uma época que escrever era inopropriado para uma mulher, Anne e suas irmãs escreveram verdadeiros clássicos da literatura inglesa.
Após recusar alguns pretendes, Helen - uma mulher de grande senso moral e religioso - decide se casar com aquele que se sua tia, por quem foi criada, se opõe. Depois de casada com Arthur Huntingdon, aos poucos Helen enxerga o erro cometido por sua cega paixão. Arthur é um egoísta pois só visa o próprio prazer e o prazer momentâneo sem se preocupar com as consequências de seus atos. Uma pessoa que não possui o mínimo de empatia para com os outros, sejam eles familiares ou "amigos". Nunca assume seus erros, ao contrário, culpa sua esposa por toda sua bebedeira e infidelidade.
Helen entra em desespero ao ver o marido ensinar ao filho toda essa sua má conduta e resolve fugir.
Este livro foi considerado um dos primeiros exemplares feminista. Realmente uma mulher naquela época não podia errar na hora de escolher o marido, pois só havia duas alternativas, fugir e ser assim difamada pela sociedade da época, ou esperar pela morte do marido para reconstruir sua vida. Era um caminho sem volta.
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Claire Scorzi 03/02/2009

Resposta a O Morro dos Ventos Uivantes?
Dizem que esse romance é uma resposta de Anne ao livro de sua irmã Emily, O Morro dos Ventos Uivantes. Ou "o que teria acontecido a Cathy se ela se casasse com Heathcliff". Se assim é, trata-se de uma predição assustadora.
O romance é tão gótico quanto os de suas irmãs (Charlotte com "Jane Eyre"), feito de atmosfera e uma capacidade espantosa de segurar o leitor à página em se tratando de um livro antigo. Intenso, sombrio, de um feminismo prático porém não ostensivo, servindo ainda como um protesto às leis inglesas de sua época (começo do século XIX).
Goldenlion85 18/12/2009minha estante
Então vou le-lo gostei de O Morro dos Ventos Uivantes, mas vou seguir sua dicas,

e está na minha lista vou le-los.


Ricardo Rocha 25/02/2015minha estante
até onde eu li - "Há momentos quando, com uma pontada momentânea ? um rompante de intenso terror, eu me pergunto, ?Helen, o que você fez?? Mas repreendo o ìntimo inquisidor e repilo os intrometidos pensamentos que se acumulam sobre mim; pois, fosse ele dez vezes mais sensual e impenetrável aos bons e altivos pensamentos, eu bem sei que não teria motivos para reclamar. E não reclamo, não reclamarei. Eu o amo e ainda o amarei; e não me arrependo, nem me arrependerei, de ter juntado meu destino ao dele." se vivesse essa menina escreveria um blog rebelde - mas nem tanto... (talvez pelos empecilhos da época)


Apolo 03/03/2015minha estante
Acabei de adquirir esse livro, com Jane Eyre e O Morro dos Ventos Uivantes, pretendo lê-los no mês das mulheres (março)
A moradora de Wildfell Hall será o ultimo, qual você recomenda primeiro das irmãs Bronte? Jane Eyre ou O Morro... da Emily? Quase comprei Villete da Charlotte, mas estava caro pra caramba...
já estou prolixo, pararei por aqui kkkk :D


Tíci David 04/04/2015minha estante
Muito interessante essa visão de "resposta" ao Morro dos Ventos Uivantes


camila 11/04/2015minha estante
Acabei de ler mas nao foi preciso chegar até o final pra discordar; nao acho que a descricao do Senhor Huntington seja semelhante a de Heathcliff nem por um momento, na verdade ele foi inspirado do no irmao da Anne, Branwell que inspirou a Emily para fazer o Hindley, que eu acho mais verssimil a comparacao.


Nany 07/08/2017minha estante
Claire, eu já acho que, se fosse responder a algum livro, seria aos da Jane Austen, não enxergo Cathy tão inocente e apaixonada quanto Helen foi, Cathy é perniciosa como Heathcliff. Eu vejo que a vida de Fanny Price com o Henry Crawford seria dessa maneira, até mesmo ares Jane Fairfax com Frank Churchill e porque não dizer a propria Marianne Dashwood com o John Willoughby. Não consigo encontrar as palavras, mas ambos se enquadram no perfil do Sr. Huntington.
Cathy e Heathcliff, ambos se provocam e são conscientes de tudo. Não me parece que ela seria levada "ao erro" tão facilmente.
O romance em si, de todos que li até o momento, é mais rebelde e sensato, porem ainda com seu lado delicado e esperançoso. Recomendo muito!!!




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