O Continente Vol. 2

O Continente Vol. 2 Erico Verissimo




Resenhas - O Tempo e o Vento: O Continente - Vol. 2


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Anienne 05/09/2019

O Continente 2
Primeira parte da saga O tempo e o Vento consiste nos dois livros: O Continente 1 e 2.

A escrita de Érico Veríssimo é singular, poética e, extremamente, elegante.

Confesso que resisti para escrever uma resenha sobre esses livros, pois para mim se tornou muito difícil, já que esses ocuparam a posição dos meus livros da vida.

Olhem que já lí muito, muito, muito, muito... Leio desde os cinco anos de idade e nunca gostei tanto de um livro, como gostei desses.

É a saga de uma família, com várias gerações que se intercala com a história real do Rio Grande do Sul, do Brasil, trazendo questões sociais importantes, como o racismo e o machismo, questões entranhadas, fortemente, no povo brasileiro.

Qualquer coisa que eu escreva será insuficiente para traduzir o que senti com essa leitura. História de vida real, com partes chocantes, que nos deixam, literalmente, destruídas(os).

Para completar, essa leitura foi feita de forma conjunta, com um grupo liderado pela Nina que criou o Projeto Mindlin. O que era bom, tornou-se ainda melhor, com os vários pontos de vista que se intercalavam tornando a leitura mais rica e proveitosa.

Melhor personagem: Ana Terra! Que mulher!!!!!
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Carlos Nunes 29/07/2019

O CONTINENTE II
O TEMPO E O VENTO é normalmente confundido com a primeira parte de O CONTINENTE, normalmente tido como uma narrativa mais atraente, mais aventureira. Mas essa segunda parte não deixa absolutamente nada a desejar, em comparação com a primeira. Continuamos acompanhando as primeiras gerações da família Terra Cambará, com a história se intercalando com o cerco ao sobrado da família. Acompanhamos a trajetória do Bolívar Cambará e seu casamento desastroso com a estranha Luzia, as desventuras de Florêncio Terra, a mão de ferro de Bibiana controlando tudo, o crescimento e desenvolvimento de Licurgo, seu neto, até se tornar senhor do casarão e chefe da família. Paralelamente a tudo isso, o crescimento de Santa Fé até se tornar cidade, as batalhas e guerras pelas quais passou a população do Sul e fatos importantes da nossa História, como a Guerra do Paraguai, a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República. E, coroando tudo, um final sensacional e belíssimo para essa primeira parte da saga.

site: https://youtu.be/6uk2Phf4WI4
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Craotchky 21/06/2019

Bastidores: essencialmente Erico por ele mesmo
"Minha saga do Rio Grande devia abranger duzentos anos, de 1745 a 1945. A princípio imaginei que poderia comprimir toda a história duma cidade e duma família num único volume de cerca de 800 páginas, que me ocuparia uns três anos de trabalho. Mal sabia eu que a obra acabaria por transformar-se numa trilogia num total de mais de 2 200 páginas e que eu levaria mais de quinze anos para terminá-la."

Pega teu chimarrão e te aprochega, vivente!, que hoje tenho esta baita resenha tri massa pra ti!, bem capaz que você vai querer perder. Bah, e pior que deu trabalho, tchê!, mas espero que lhe caiam os butiá do bolso que aí já fico faceiro! Que barbaridade!

Deixando de lado o dialeto gaúcho, minha resenha consistirá sobretudo de trechos do próprio Erico falando um pouco sobre O Continente. Meu objetivo é trazer os"bastidores" da obra. Os trechos do próprio Erico além de estarem entre aspas também aparecem em itálico para aqueles que estiverem lendo pelo site e na página de resenhas. Eis, pois 👇🏽:

BASTIDORES
Em seu livro de memórias, intitulado Solo de Clarineta (1973), Erico revela bastidores acerca do processo de criação de muitos de seus livros e personagens, inclusive de O tempo e o Vento. Erico, por exemplo, sobre O Continente, admite que não tinha apreço pela vida do campo: "Apesar de ser descendente de campeiros, sempre detestei a vida rural, nunca passei mais de cinco dias numa estância, não sabia e não sei ainda andar a cavalo, desconhecia e ainda desconheço o jargão gauchesco."

Erico escreve também sobre como alguns conhecidos e parentes mais gaudérios abriram seus olhos para as riquezas da cultura e hábitos tradicionais do estado: "Durante os três anos em que vivi na casa de meu avô materno, observando-o no ato de viver, de ser, mal sabia eu que estava fazendo com ele meu 'aprendizado gaúcho'[...] Assim o velho Aníbal [avô materno] foi, sem querer nem saber, uma espécie de intérprete, de ponte entre este seu neto citadino e a terra e gente do Rio Grande."
"Idiota! Como era que eu não tinha visto antes toda essa riqueza?[...]Era o meu povo. Era meu sangue. Eram minhas vivências, diretas ou indiretas, que por tanto tempo eu renegara."

Ao mesmo tempo, Erico percebe que, até então, suas obras pouco tinham abordado a essência gaúcha: "Procurando analisar com imparcialidade os meus romances anteriores, eu percebia o quão pouco, na sua essência e na sua existência, eles tinham a ver com o RIo Grande do Sul."

Erico, neste livro de memórias, indica também sua insatisfação com a maneira pela qual os livros didáticos apresentavam a história de seu (e meu) estado: "Nossos livros escolares - feios, mal impressos em papel amarelado e áspero - nunca nos fizeram amar ou admirar o Rio Grande e sua gente. Redigidos em estilo pobre e incolor de relatório municipal, eles nos apresentavam a História do nosso Estado como uma sucessão aborrecível de nomes de heróis e batalhas entre tropas brasileiras e castelhanas."

Tudo leva a crer que isso fez nascer em Erico o desejo de contar a história de seu estado e povo de uma forma mais palatável: "E quanto mais examinava a nossa História, mais convencido ficava da necessidade de desmistificá-la"

Seguiram-se então as observações necessárias ao romancista: "Cabia, pois, ao romancista descobrir como eram 'por dentro' os homens da campanha do Rio Grande. Era com aquela humanidade batida pela intempérie, suada, sofrida, embarrada, terra-a-terra, que eu tinha de lidar quando escrevesse o romance do antigo Continente."

CURIOSIDADES
Sobre o sobrenome Cambará: "O sobrenome Cambará foi escolhido conscientemente: além de ser sonoro, designa uma árvore de duro lenho. Se bem me lembro, uma das estâncias perdidas de meu avô paterno chamava-se Cambará."

Sobre o Sobrado: "Outra personagem importante de O tempo e o Vento é o Sobrado, que sinto como um ser vivo, pensante. É, evidentemente, um símbolo uterino, materno, abrigo, fortaleza, aconchego, tradição [...]"

Sobre as mulheres do livro: "[...] declaro em voz alta que tenho um fraco pelas mulheres de O tempo e o Vento, como Ana Terra, Bibiana e Maria Valéria."

📌 Obs: todas as citações foram extraídas do livro Solo de clarineta I, capítulo V, seções 21, 22, 24, 25.

(Adendo: Após vencer certa relutância resolvi assistir ao filme de 2013, impulsionado por saber que parte dele foi gravado aqui, na minha cidade, aproximadamente 6,5km da minha casa. Devo admitir que fiquei encantado, sobretudo pelas muitíssimas passagens em que os(as) personagens reproduzem as falas tais como escritas no livro. Arrepiei-me em vários destes momentos. Muito bem gravado, fotografia excelente, boas atuações de forma geral e magnífica atuação daquela que considero a melhor atriz brasileira: Fernanda Montenegro. O filme vale muito a pena.)


Thiago Barbosa Santos 20/02/2019

Tomo 2
O segundo volume de O Continente nos mostra como a família Terra Cambará se tornou uma das mais poderosas de Santa Fé. Após a morte do capitão Rodrigo, a família de Bibiana passou por grandes dificuldades financeiras. Na vila, que tempos depois se tornou uma cidade, apareceu um pernambucano chamado Aguinaldo Silva. Ardiloso nos negócios, em pouco tempo fez riqueza naquele lugar, acumulou terras, inclusive, tomando posse das propriedades do Sr. Pedro Terra, que tomou empréstimo do "forasteiros" e deu como garantia tudo o que tinha. Sem conseguir pagar, perdeu tudo. Morreu tempos depois de desgosto.

Aguinaldo Silva foi traído pela mulher e a matou. Foi para Santa Fé, enriqueceu e construiu um casarão nas terras onde viviam os Terras. A residência era tão portentosa quanto a dos Amarais. O pernambucano vivia uma vida solitária, até que adotou uma menina e a tratava como neta. Luzia tinha personalidade forte, hábitos excêntricos. Acabou se relacionando com Bolívar, filho de Bibiana. A velha detestava a garota e Aguinaldo Silva, mas viu, de forma prática, no matrimônio, um jeito de ir morar no casarão. Afinal, se Bolívar é marido de Luzia, tem direitos sobre a propriedade e os bens, que um dia foram do seu avô. Ela retomaria o que era de direito da família.

O velho morreu, o casal ficou vivendo no casarão com Bibiana. O casamento era bem turbulento, e a velha tinha uma relação tempestuosa com a nora, que era meio maluca. Eles tiveram um filho, Licúrgo Cambará. Em constante conflito com os Amarais, assim como foi com o pai dele, Bolívar acabou sendo assassinado. Ficaram Bibiana, Luzia e Licúrgo vivendo juntos, até que uma doença grave levou a neta de Aguinaldo Silva. Pronto, estava concretizado o plano de Bibiana, o casarão era só dela e do neto.

Lucúrgo se casou com a própria prima, Alice, filha de Florêncio. Assim como no volume 1, o livro intercala os capítulos entre a história corrente e os capítulos do Sobrado, em que já vemos Licúrgo um homem feito com a família, cercado em casa durante a Revolução Federalista. Ele resiste bravamente e não sai de casa, enquanto praticamente a cidade inteira já havia se entregado. Mas os inimigos acabam deixando Santa Fé e a família Terra-Cambará, enfim, pode sair e casa e se ver livre daquele opressão. Muita gente morreu nesse conflito.
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Felipe.Leonin 05/03/2018

Genial
Ele consegue criar personagens incríveis em um livro com doses de fatos históricos e culturais sobre o Brasil,regado à mais bela filosofia. Uma obra genial, gostei ainda mais da segunda parte do que da primeira.
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Tereza 27/09/2017

O Tempo e o Vento
Uma história bem contada que nos apaixona a cada página.
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Fábio Valeta 04/07/2017

Segunda parte da “trilogia em sete livros” que conta a História do Rio Grande do Sul, finalizando a primeira parte da trilogia, “O Continente”.

Esse segundo livro consegue ser superior ao primeiro, que já era excelente. Se o primeiro volume se passava em um longe período de tempo, começando nas missões jesuítas e terminando na Revolução Farroupilha, agora nós temos um período mais delimitado de “apenas” 40 anos. Mas essa mudança já apresenta diferenças significativas. No volume 01, cada grupo de personagens no geral é mostrado em apenas um capítulo, enquanto o volume 02, tem a presença de personagens como Bibiana e o Dr. Winters durante toda a obra.

É o grande diferencial entre os dois volumes. Se no primeiro, personagens como Ana Terra e Rodrigo Cambará aparecem apenas em momentos específicos, a figura da matriarca da família Terra Cambará e do médico alemão são constantes, o que ocasiona em um mais elaborado desenvolvimento dos personagens. A própria Bibiana, que no primeiro volume tinha uma personalidade apagada, nesse aparece como uma mulher madura e prática, enquanto o podemos ver o “abrasileiramento” do médico alemão, cada vez mais certo de que jamais deixará aquela terra.
Uma história e personagens tão cheio de nuances e muito bem trabalhado. E no final do volume, assim como ocorreu no primeiro, uma linha do tempo com a história do Rio Grande do Sul, outra com os eventos mostrados nos dois volumes e uma terceira sobre os antepassados do autor.

Os volumes que compõem “O Retrato”, segunda parte da trilogia, serão lidos em breve.
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Cinthya 25/05/2017

A história do RS e do Brasil continua sendo contada de uma maneira bem envolvente e chegou ao fim a história dos capítulos de O Sobrado, o cerco finalmente acabou.

Alguns personagens se destacaram neste livro como a Bibiana, Luzia, Licurgo, Carl Winter, mas o melhor personagem foi o Fandango pelo seu jeito alegre, engraçado e por ser um grande contador de histórias.

Outra parte que merece destaque foi a Cavalhada. O modo como Erico Veríssimo narrou este evento foi maravilhoso. Deu para imaginar perfeitamente aquela cena e sentir a tensão aumentando entre o Licurgo e Alvarino a cada momento daquela encenação.

O final foi muito bom, mas achei a segunda parte um pouquinho inferior que a primeira por conta dos personagens não serem tão marcantes assim.
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Diego 07/03/2017

Desculpem-me o desabafo rs
Bom, vamos lá.

Gostei do livro, e estou curtindo a série, mas resolvi escrever aqui sobre o que não gostei e o que me incomodou um pouco.

Apesar de ter várias passagens interessantes, tem, no mínimo, uma estrela a menos do que o volume 1, que é muito bom, com histórias mais marcantes e personagens mais "fáceis" de se visualizar e compreender.
Esse volume 2 me parece que alguns personagens mudam um pouco até de personalidade com o passar dos anos sem um motivo "crível". Meio que foi assim e pronto. Tive dificuldade de compreender a motivação de comportamento para alguns deles (ao contrário do volume 1, em que as coisas acontecem de forma mais verossímil).

O volume 2 também acontece de forma mais lenta, às vezes com uns diálogos demorados. Penso que Veríssimo trabalhou demais esse romance mais como um livro de história do que como um drama histórico, com o desenvolvimento dos personagens, do espaço e etc. ficando em segundo plano.
Sim, estou ciente de que um dos objetivos do autor, como ele mesmo escreveu no final do livro, era tentar romancear a história do RS e passar isso de forma mais lúdica, ao contrário da sequidão dos registros municipais. Por vezes tive vontade de "pular" páginas quando começava o lenga lenga da contextualização didática da guerra, e ir para o desenrolar da história com os personagens.

Um terceiro ponto que me incomodou também é a "repetição" de personagens e seu pouco desenvolvimento. Por exemplo, particularmente não vejo muita diferença entre Florêncio Terra, o pai Juvenal Terra e o avô Pedro Terra. Me parece que são os mesmos personagens, tímidos, secos, caseiros, passivos e vítimas de negócios comerciais mal sucedidos (já o filho de Florêncio, o outro Juvenal, é diferente, sendo mais alegre). Da mesma forma, suas esposas (Ondina, Marusca e Arminda, respectivamente), não lhes parecem que são a mesma pessoa, com a mesma função social na obra inteira? Conseguem ver alguma diferença entre Ricardo Amaral Neto, o filho Bento Amaral e o neto Alvino Amaral? São praticamente o mesmo personagem durante a obra inteira. Até entendo o autor tentar dizer que "filho de peixe, peixinho é", mas em outras obras, mesmo que o filho assum o fardo de seus antepassados, consigo ver pequenas diferenças de personalidade pelo menos. Já aqui n'O Continente não, são a mesma pessoa com o mesmo peso de influência e característica de comportamento a obra inteira.

E quando veio o capítulo da Ismália Caré, lá se vai eu todo empolgado achando que ia ler uma história do naipe do capítulo de Ana Terra quando, advinhem só, mal se fala da própria Ismália Caré, deixando o capítulo mais como uma aula sobre a repercussão da república no município de Santa Fé do que propriamente de seu romance com Licurgo.

No geral, penso em continuar a ler a saga em outro momento, mas meio receoso que um colega aqui (como bem comentei em sua postagem) esteja certo ao dizer que o ponto alto da saga é o volume 1 d'O Continente, pois esse sim é instigante e te deixa querendo mais. E eu quero mais dele nos outros livros.


Natalie 24/04/2016

A dicotomia monarquia-república é o centro do enredo neste segundo volume. Enquanto Licurgo Cambará é um abolicionista e progressista, a família Amaral continua a apoiar a Monarquia mesmo depois de proclamada a república, o que gerou um cerco no Sobrado - residência da família Terra Cambará, e é justamente nesse cenário que se desenvolve praticamente toda a história.

Como de costume, Veríssimo faz digressões na trama e utiliza para isso o Dr. Carl Winter, o qual faz tantas boas observações que não pude deixar de tomar nota de várias delas, por que ultrapassam os limites da ficção e assumem contornos universais.

Engraçado e ao mesmo tempo trágico também se faz o fato de acompanharmos o envelhecimento e morte das personagens que aprendemos a admirar, pois o autor pinta as suas criações com uma tinta tão real que até parece que em qualquer esquina vamos nos deparar com algum componente do livro.

Diferente do primeiro livro da saga, este não teve o término com a conclusão de todos os eventos. O autor aguçou a expectativa do leitor para nos levar aO Retrato. E é exatamente por esse caminho que irei trilhar agora, aguardando o desfecho preparado pelo querido Érico.


Milena 25/01/2016

Muito amor por essa série e por esses personagens! Livro incrível, mas meu coração ainda bate mais pelo primeiro.
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Valério 29/12/2015

O desenrolar
No segundo volume (do total de sete) da saga "O tempo e o vento", que discorre sobre 150 anos de história do Rio Grande do Sul, acompanhando várias gerações da família Terra Cambará, temos a natural evolução dos eventos inciados no primeiro volume.
Como aqui já estamos habituados (e até apegados) aos personagens, me envolvi bem mais nesse segundo volume. No primeiro ficou a estranha sensação de algo por acontecer. E aqui, temos várias conclusões. Chega-se ao epicentro da trama em relação aos primeiros Terra Cambará. A sobrado cercado, por onde toda a história se inicia no volume 1, tem o seu desenrolar no final desse segundo volume.
Aqui, temos mais emoção, mais ação, mais empolgação. Aqui, é selado o casamento da história com o leitor.
Considero este livro o ponto alto de "O tempo e o vento". Se porventura achar demais ler os 7 volumes, bastará ler apenas o primeiro e este e já terá visto o que de melhor há na saga.


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