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Resenhas - Fumaças Bailarinas no Salão da Liberdade


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Nikki 28/06/2020

O livro que me trouxe de volta a sede de arte
Espetacularmente impressionante é o elogio sincero mais próximo diante a falta de palavras que tenho ao livro. Desde a escolha da técnica literária, cujas palavras expressam essa envolvência entre o conteúdo e a mente do autor, como a ordem das narrativas dos personagens da trama, que tem suas identidades expressas em cada capítulo. Preciso dizer que, apesar do texto relativamente polêmico, é muito fácil se identificar com algum deles (ou todos!). Sobre a história, Anderson consegue misturar a crítica à realidade da juventude com acidez na medida certa, tornando uma leitura que é ora densa, em algo divertido e gostoso. Enfim, estou completamente apaixonada pelo livro, que me despertou uma sede enorme de ler novamente alguns clássicos e ir atrás dos contemporâneos como ele. Espero muito que continue escrevendo muitos mais romances para continuar deliciando ávidos leitores do Brasil e mundo afora, porque o Fumaças precisa ser traduzido para mais uns 20 idiomas.

site: https://www.amazon.com.br/gp/product/B07JGDHBNM?pf_rd_r=SKE3W988X5S6JWQCX6AD&pf_rd_p=034d6159-4114-47a0-84d2-64347c8648d5
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Andréa Bistafa 20/08/2020

Não é apenas um livro de título poético e uma capa bonita!
FUMAÇAS BAILARINAS NO SALÃO DA LIBERDADE, não é apenas um livro de título poético e uma capa muito bonita, é uma viagem para a literatura beatnik em contexto contemporâneo, com um pezinho no realismo fantástico, ainda que esse possa ter um ponto oposto. Eu explico.
Primeiro vou resumir - muito - o que é beatnik: um movimento de contracultura dentro da filosofia hippie (mas que se diferenciava pela agitação que ocasionalmente gerava confusões e conflitos, oposto ao “paz e amor”) surge basicamente opondo-se à condição de consumo, de acúmulo de bens, da ideia de família tradicional e do conservadorismo no final da década de 50 e início da década de 60. Em certo momento até pode se unir a filosofia “sexo, drogas & Rock ‘n’roll”. Uma literatura, por tanto, próxima da realidade jovem e inconformista da época; uma poesia mais urbana.
Já o realismo fantástico tem intenção de dar ligação interna ao fantástico e ao irreal, diferenciando-se assim da atitude niilista (que está presente na geração beat) assumida originalmente pelas vanguardas do início do século XX. Nessa obra existe uma de suas características (entre outras talvez), que são os elementos mágicos ou fantásticos percebidos como parte da "normalidade" pelos personagens. E vale ressaltar que essa escola literária surgiu também como forma de reação contra os regimes ditatoriais do período.
Dito tudo isso, a parte sobrenatural da trama então fica a critério do leitor encara-la assim, ou simplesmente decorrência alucinógena gerada pelo uso de entorpecentes!
Vamos falar sobre a trama.
Acho legal contar a você leitor, que a sociedade distópica da trama – não datada – passa por um processo de transição, onde um governo que não só liberou o uso de drogas, como também incentiva o consumo exagerado, e até mesmo reverte as nossas atuais leis em outras - tão bizarras quanto digamos - beira um golpe para o retorno do conservadorismo, e tudo isso é “apenas” o plano de fundo para um grupo de amigos que se envolverem em um crime. Em busca de ajudar uns aos outros (ou talvez somente a si), é que se desenrolam os capítulos narrados por seus vários personagens de forma intercalada. A trama vai e vem e é necessário prestar atenção para tentar solucionar antecipadamente o caso, entre outros muito bizarros que Jônatas - nosso jornalista em decadência - cobre. Tudo está interligado e achei incrível que, por mais estranhos e irreais que fossem, todos são amarrados no final.
Esses personagens estão aqui para criar uma incomoda percepção de valores, indagações, conceitos, pensamentos sobre direitos iguais exclusivos e coletivos restritos. A escrita é direta, a linguagem é crua e nua, característica do estilo a que se propõe, explorando assim tabus sociais e sociopolíticos. Uma imersão no eu interior, inspiração criativa no cerne da existência humana, utilizando de extremos com drogas, álcool e sexo.
O autor joga com o que é liberdade quando o fato da descriminalização das drogas e a troca de valores não torna o Estado menos opressor ou preocupado com o bem estar do seu povo, só inverte a moeda. Outro ponto que me chamou a atenção foi o fato do personagem comunista, que se preocupa tanto em não pagar as passagens de ônibus para negar o capitalismo usa roupas de marcas que se aproveitavam para lucrar muito estampando suas camisetas com a foto de Che Guevara. Esse é o palco das ironias, frase muito usada pelo autor.
“Nós somos os verdadeiros atores, não esses que pisam na madeira com força ou lutam contra o calor dos pedestais de luz num set de gravação. Nós é que somos os verdadeiros atores. Este é o nosso palco da sobrevivência” – o palco da formalidade, o palco do bom senso, em quantos palcos nós atuamos todos os dias?
FUMAÇAS BAILARINAS NO SALÃO DA LIBERDADE ficou recentemente entre os ebooks mais vendidos da Amazon na categoria humor ácido.
Nessa última semana a editora anunciou que a obra será adaptada para longa-metragem pela diretora e roteirista Cassiana Umetsu.


site: http://www.fundofalso.com/2020/08/resenha-fumacas-bailarinas-no-salao-da.html#more
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