O Mapa do Tempo

O Mapa do Tempo Félix J. Palma




Resenhas - O Mapa do Tempo


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Cláudia 13/02/2012

Esse livro foi uma surpresa para mim, primeiro por que nunca tinha ouvido falar nele até saber que seria lançado aqui e segundo por que a leitura não foi nada do que imaginei depois de ler a sinopse e o trecho cedido pela editora (valeu Intrínseca ;)) - então acho que o autor é genial. A narração toda gira em torno da ideia de viajar no tempo, a história é dividida em 3 partes.

Na 1ª parte conhecemos a história do jovem casal Andrew e Marie que se passa em 1800 e pouco em Londres, ele é rico e ela uma prostituta, ate aí tudo mal devido a época e como as coisas sempre podem piorar ela acaba sendo uma das vítimas do serial killer Jack O Estripador... isso não é spoiler desde o início acompanhamos a tristeza de Andrew, que vê uma luz no fim do túnel quando seu primo Charles lhe ao idealizador da agência Viagens Temporais Murray, sim como você pode imaginar essa agência vende viagens no tempo, o que é bem conveniente para Andrew. Além desse núcleo, também começa a ser apresentada a história de Murray (dono da agência) e de como ele entrou nesse ramo.

A 2ª parte conta a história de Claire, que não aceita ter como único caminho na vida o casamento, tudo de sua época a deixa muito aborrecida. Lucy - sua amiga conformada que se diverte em qualquer lugar, consegue vagas para as 2 no passeio inaugural da Viagens Temporais Murray ao ano 2000, lá os passageiros terão a chance de assistir a batalha dos humanos contra os autômatos. Até estava tudo tranquilo. as coisas começam a complicar quando Claire conhece Derek Shackleton - o líder dos humanos na guerra do ano 2000.

A 3ª a principio é sobre o Inspetor Colin Garrett que quando encontra um corpo perfurado de uma maneira que até então parecia humanamente impossível, decide viajar novamente ao ano 2000 pois apenas uma arma do futuro pode ter cometido o crime.

Bom espero ter deixado mais ou menos claro como é a história, se não deixei ... bem eu não queria estragar a leitura de ninguém contando demais, mas é assim mesmo as partes são apresentadas por pontos de vista diferentes. Posso dizer que é um dos melhores do ano, uma aventura fantástica que conta com a participação "em carne e osso" de personagens importantes da história, como o próprio H. G. Wells (autor de A Maquina do Tempo), Henry James, Bram Stoker ... além do Jack o Estripador e o Homem Elefante - e tudo foi super bem construído e desenvolvido - tem romance, história e mistério. O texto flui bem e o defini como poético e bem humorado, o narrador que tudo vê mas nem tudo nos conta é excelente, assim como o personagem Charlie (primo do Andrew), ele é a alma da festa, gostaria de ler um livro só sobre ele. Portanto se o leitor procura um livro que pode ser sério e engraçado, rômantico e cético, verdadeiro e mentiroso ... aí esta ele, afinal como o George Constanza (personagem do Seinfeld) diz:

- Não é mentira, se você acreditar.

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http://www.concentrofoba.com.br
Desativado por enquanto 10/07/2015minha estante
É... mas tem um detalhe.. ou nem tão detalhe assim, que me senti tão... Poh, decepcionante!!




Adriano 26/02/2011

Perfeito!
Um livro que tem romance, aventura, suspense, ficção ciêntifica e uma narrativa bem humorada e excelente. Um grande livro, pra figurar na lista dos favoritos de qualquer um.
Se você gosta de qualquer dos gêneros acima, pode ir sem medo. A história é tão boa, que não se pode falar nada dela, pra não quebrar qualquer surpresa. Só digo uma coisa: enquanto estiver lendo, deixe sua imaginação viajar pois este é um dos livros mais criativos dos últimos tempos!
Desativado por enquanto 10/07/2015minha estante
Depois do q o autor fez... eu não sei como dão 5 estrelas pra essa história. Quase procurei o cara na internet pra pedir satisfação pelo tempo perdido!!




Marcia 28/10/2012

Uma viagem literária...
Difícil falar desse livro porque não se deve passar muito além do que está sinopse para não estragar as surpresas dessa viagem. Em uma narrativa bem humorada e interessante, o escritor conversa com o leitor, faz confidências e considerações a respeito dos personagens que te dá a sensação de fazer parte da história e estar ali do lado dele e se entretêm tanto com o enredo que é pego de surpresa no final, ou quase.O livro é composto por três partes e a cada começo um folhetim.
Andrew um rapaz rico, não trabalha e vive uma vida boêmia, tem como melhor amigo Charles que também é seu primo e companheiro de noitadas. Certo dia enquanto espera o primo Andrew se depara com um quadro, uma pintura de uma bela mulher que o deixa encantando, curioso e por que não? Apaixonado.
Charles explica que para fazer uma brincadeira com o pai esnobe , lhe dá de presente aquele quadro, que na verdade é de uma prostituta que vive no bairro mais pobre de Londres.
Obcecado por aquele rosto , parte a procura dela e acabam se tornando amantes e Andrew de tão apaixonado resolve enfrentar o pai, porém Jack "o estripador" acaba com seu sonho de construir uma vida ao lado de Mary Kelly a quinta vítima de Jack e uma das mais famosas por causa da carnificina, eu deixo os detalhes para vocês, quando lerem.
Foram oito anos de completo desalento e Andrews não aguenta mais e resolve se matar. Charles mesmo com a vida acertada, casado e homem de negócios, nunca deixou de vigiar o primo e para impedi-lo de tal loucura lhe fala de uma viagem no tempo, alguém depois de ter lido o livro de H.G.Wells conseguira criar uma máquina que levava até o ano de 2000 , ora mas o que Andrews queria era voltar ao passado e impedir a morte da amada, porém Charles o convence de que talvez se aquele empresário conseguiu viajar para o futuro poderia viajar ao passado. Charles havia feito essa viagem com sua esposa semanas antes, e relata como ficará a cidade de Londres depois da guerra entre autômatos e humanos, Andrews não estava muito interessado, porém era um fator a ser considerado,desiste por enquanto do suicídio e em seguida partem rumo a empresa Viagens Temporais Murray.
Agora começa a nossa viagem. Porém deixemos Andrews, seu primo e Wells em sua viagem ao passado e conheçamos Claire.
Claire sempre achou que vivia no século errado, ela queria ser independente, não sonhava casar ter filhos, enfim tudo que se esperava de uma mulher na época e quando comprou sua passagem para o futuro estava decidida ficar por lá, quase conseguira. Mas nessa viagem ela conheceu o Capitão Shakleton , o bravo soldado que destruíra os autômatos no futuro e esse encontro nos levará a Wells novamente.
Agora Wells tenta ajudar esse suposto viajante do tempo a não ser morto e com isso criam uma história para iludir a pobre Claire e com isso Wells que nunca viajara no tempo pela empresa Murray ( ele sabia da verdade ) e agora sim se vê em apuros com um viajante do tempo que quer matá-lo.
Nessa viagem com o Wells você leitor estará na mesma sala com três grandes escritores: Bran Stocker, Henry james e o próprio Wells, eles correm perigo, um viajante do tempo pretende matá-los e assim assinar suas obras como de autoria dele, Drácula, A Outra Volta do Parafuso e O Homem Invisível, porém Wells recebe uma carta dele mesmo em algum lugar do futuro e o previne ...
Bem Pessoal não dá para contar mais sem cometer spoillers. Vale a pena ler, o livro é envolvente e surpreendente, faz sonhar e com um toque de humor irônico e inteligente o autor realmente nos leva a uma extraordinária viagem. E nos faz filosofar e especular sobra o tão comentado universos paralelos.
http://mundoliterando.blogspot.com.br/
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Cibele 17/05/2011

Embora o livro seja divido em três partes distintas, a história não se torna cansativa. Sempre nos deparamos com personagens interessantíssimos e por vezes até com algumas celebridades como H.G. Wells e o homem elefante. Os dilemas dos personagens são facilmente compreendidos pelo leitor que poderia se identificar com seus conflitos. Todo o fator de viagens no tempo traz à tona questões como destino e a possibilidade de se mudar o passado e quem sabe até o futuro.

Um romance da era vitoriana com toques de aventura e ficção, mas apesar disso não poderia ser mais real. A forma como cada história se resolveu (principalmente a de Andrew) não poderia ter me agradado mais. Um romance que com certeza eu não vou me esquecer por muito, muito tempo.

Leia mais em: http://www.euleioeuconto.com/2010/11/o-mapa-do-tempo.html
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Camila 17/11/2010

O Mapa do Tempo
O livro nos traz três histórias emocionantes de pessoas que desejam viajar no tempo e que nos mostra quais as consequencias dessas viagens. Como personagem que interliga essas histórias temos H.G.Wells, famoso autor do livro A Máquina do Tempo.

www.leitoracompulsiva.com.br
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Letí­cia 01/03/2015

Quando a capa te engana
Apesar de não haver informações na edição brasileira, esse livro faz parte de uma série chama Trilogia Victoriana, sendo este o primeiro volume. Os outros dois livros não possuem tradução para o português, mas podem ser lidos em espanhol. Os títulos estão descritos em "Outras obras", aqui embaixo.

Mas falando sobre o livro, bem, fiquei um pouco chateada, pois escolhi esse livro pensando em encontrar algo meio Júlio Verne e suas invenções, toda aquela confusão sobre ficção científica, porém, encontrei um livro com uma narrativa lenta, pois o autor é extremamente descritivo.

Todos as pessoas que conviveram comigo esse mês, observaram a minha dificuldade para ler toda a história e muitas vezes sentiram minha frustração com as páginas lidas. Infelizmente, esse é um livro que li, porém, não indico.

A não ser que você goste de cenas de esquartejamento sendo narradas em destalhes, e ver uma parte história sendo narrada várias vezes em diferentes visões.

O livro possuí um narrador onipotente e dono de todo o conhecimento, isso, presunçoso e que "joga isso na cara" do leitor sempre que pode... digamos que seja um narrador inconveniente.

A narrativa gira em torno de duas histórias, na verdade três, mas que só percebemos quando terminamos de ler a primeira parte. Isso mesmo, caro colega, o livro possuí três partes, onde as duas primeiras, praticamente não possuem ligação a não ser por acontecimentos da época e a interferência do autor H. G. Wells, que é personagem link das outras duas narrativas.

Não vou negar que existem boas "reviravoltas na história", mas é um artificio que já fiquei esperando na segunda e terceira parte do livro e que realmente aconteceram, deixando de ser "uma reviravolta".

Bem, mais que isso não posso falar, porque apesar de não ter sido a melhor leitura da vida, como diria Tatiana Feltrin, não quero estragar as surpresas para ninguém.


site: http://li-e-indico.blogspot.com.br/2015/02/o-mapa-do-tempo-de-felix-j-palma.html
Jack Sabino 11/04/2017minha estante
Comecei a ler agora e já estou tendo a mesma percepção que você. Só consegui chegar na página 34 e com muito custo e falta de vontade de continuar. Já tinha começado o livro e parei na página 15. Essa é a segunda e última chance....


Julia 12/08/2018minha estante
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Dave 26/04/2013

Surpresas
Esse livro me surpreendeu de diversas maneiras, primeiro porque ele apenas me custou R$10,00 na livraria e havia só achado a sinopse engraçadinha e não esperava muito dele.

Minha segunda surpresa: toda a metalinguagem utilizada pelo autor, carregada de ironia, que também é levada aos personagens com atitudes e desfechos mirabolantes. Gosto de classificá-los como cretinos, não no sentido ruim da palavra.

Minha terceira surpresa, veio com a utilização de personagens reais em meio a uma ficção (ou não-fantasia fantasiada de fantasia), com Wells, Jack, o Estripador, a próprias Marie Kelly (vítima de Jack e paixão de Andrew). Realmente não sei onde vai o alcance da existência desses personagens, quem existiu de verdade ou quem é mera invenção de Palma, cheguei a procurar, mas não achei nada de concreto.

E claro, não posso deixar de lado, todos os twists ao decorrer do livro, com a brincadeira do é viajante, não é; é máquina do tempo, não é.

Apesar de um pouco enfadonho nas partes em que narra as trajetórias de Murray e Wells logo no começo, o que quase me fez largar, já que no começo o que sustenta a história é o suicida Andrew, pois as surpresas começam a aparecer no meio. O livro consegue conquistar por personagens interessantes, uma narração cheia de reviravoltas, recorrendo sempre "ao olho que tudo vê".

"Podia ser um romance que narrasse a criação da empresa Viagens Temporais Murray, para a qual ele infelizmente tinha contribuído, e que surpreendesse os leitores na metade, quando descobrissem que o ano 2000 não passava de um cenário construído no presente com entulhos de demolição, mas isto só seria uma surpresa para os leitores de sua época, obviamente. Se o romance sobrevivesse à passagem do tempo e fosse lido por leitores de uma época posterior ao ano 2000, não haveria nenhum segredo a revelar, pois a própria realidade teria desmentido o futuro exposto na história"

Mais enaganado Wells não poderia estar. Muitas surpresas envolvem essa história.
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Geanne 05/11/2012

O Mapa do Tempo
Conversando com leitor. É assim que Félix J. Palma conduz essa bela e surpreendente história.
Confesso que já faz algum tempo que uma trama consegue me deixar sem fôlego, em suspense, sem saber o que irá acontecer a seguir. Os personagens fictícios e as figuras históricas tem suas vidas entrelaçadas de tal forma que em certos momentos torna-se difícil distinguir quem é o personagem e quem é a figura histórica, onde começa a ficção e onde termina a verdade.
Um texto bem elaborado, mas nada cansativo, divertido até, que não apenas entretém como também nos leva a várias considerações, junto com H.G.Wells, com os personagens, o autor...
Adorei a leitura e recomendo a todos que gosta de um bom enredo que misture história, ficção científica, aventura e tanto de ação e romance.
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Voador 02/02/2015

Crítica desconstrutiva
Tá. Eu li o livro. E antes de ler o livro fui às resenhas e lá estavam as opiniões entusiásticas: Escritor genial. Adorei. Uma reflexão sobre...uma provocante história...uma fina alegoria. Certo. Então fica assim: não gostei do livro. É enfadonho, repleto de personagens planas. Certo. O autor tenta criar uma narrativa com um sabor vitoriano, cheia de descrições prolixas, monólogos interiores chatíssimos e diálogos pouco naturais. Alguns dirão que foi intencional, eu só achei aborrecido. Supondo que a intenção do autor tenha sido a de criar um romance que aparentasse ser um romance de ficção científica, mas sem ficção científica, eu diria então que ele conseguiu. Embora eu me pergunte para que e por que. É um livro que leitor atento lê e começa a sentir-se incomodado com as pequeninas deficiências, a começar pelos nomes das personagens que dão a impressão de não pertencerem a seu meio e época. Um casal de irmãs de alta sociedade com um sobrenome alemão, uma biblioteca de família londrina de classe alta com obras de Emilio Salgari, autor relativamente pouco conhecido em países de língua inglesa. Claro, havia imigrantes alemães na Inglaterra vitoriana, mas dificilmente misturados à xenófoba burguesia de classe alta. Isto dá um tom levemente dessosado à trama. Claro, em minha opinião. A opinião de quem ficou decepcionado.
Jack Sabino 19/05/2017minha estante
Sua resenha define exatamente minha sensação com o livro...!




Angélica 19/03/2012

O Mapa do Tempo
A possibilidade de viajar no tempo é um tema que, desde o seu surgimento, encantou a humanidade. Afinal, quem não gostaria de ter a chance de corrigir os erros do passador, ou de viajar ao futuro para descobrir o que afinal nos espera? Mas apesar de ser um tema ainda muito sonhado e discutido, o auge da popularidade das viagens temporais foi certamente o século XIX. Com a ciência gerando novas descobertas a cada dia, o homem passou a sonhar cada vez mais longe, até que os romances de ficção científica o levaram a imaginar o que estaria esperando pela humanidade no futuro distante. Um dos principais estopins para esta discussão foi o livro “A Máquina do Tempo”, do escritor inglês H.G. Wells.
“O Mapa do Tempo”, romance que agora irei comentar, é, além de um ótimo livro de ficção histórica e científica, uma brilhante e original homenagem aos sonhos que a viagem temporal suscitou na mente dos homens e mulheres do século XIX, e também ao homem responsável pela obra que desencadeou este “sonho coletivo” (e que, aqui, passa de figura histórica a personagem).
Infelizmente, não poderei comentar muito sobre o conteúdo da história, nada que vá além do que a sinopse oficial já revela. O motivo é simples: este é um romance criado para surpreender o leitor. E, pode ter certeza, ele cumpre esta função tão bem quanto nenhum outro. O autor nos engana várias vezes ao longo do livro, e de maneira tão engenhosa que é praticamente impossível desconfiar quando estamos caindo em uma de suas armadilhas.
O romance é dividido em três partes. Cada parte é como se fosse uma história isolada, ligada às outras duas somente pelo universo comum que as cerca e por algumas personagens recorrentes. O cenário é a Londres de 1896. Nesta época o culto à ciência atingia seu auge, e tudo parecia possível. Assim, não era de se estranhar que, depois do furor causado pelo livro “A Máquina do Tempo”, surgisse em Londres a empresa “Viagens Temporais Murray”, que oferecia nada mais nada menos do que excursões através do tempo – no momento em que se passa a trama, a empresa estava oferecendo viagens ao pós-apocalíptico ano 2000. Todas as tramas estão ligadas à empresa de uma maneira ou de outra: Na primeira conhecemos Andrew Harrington, rapaz infeliz que desiste do suicídio ao descobrir a possibilidade de regressar ao passado, e assim evitar a morte de sua amada nas mãos de Jack, o estripador. Na segunda parte somos apresentados à Claire Haggerty, uma jovem audaciosa e com uma mente a frente de seu tempo, que após uma excursão ao ano 2000 acaba se apaixonando pelo capitão Derek Shackeleton, o salvador da humanidade naquele futuro devastado. Quanto à terceira história... Bem, essa eu deixo para que vocês mesmos descubram, já que falar muito sobre ela pode roubar parte de seu encanto.
A ambientação das histórias é muito bem feita. Os cenários, os hábitos e costumes das personagens são detalhadamente descritos, de modo que se torna uma tarefa simples para o leitor mergulhar na Londres vitoriana. A ambientação, porém, não se limita apenas à história do livro: em um divertido exercício de estilo, o autor aproveita o tema de sua história para empregar, ele também, vocabulário e estilo narrativo típicos dos romances do século XIX, sem deixar, no entanto, de mesclar a este “pseudo-estilo” o seu modo de escrita pessoal. Suas divertidas ironias, a maneira como nos conta os hábitos e pensamentos mais ocultos e embaraçosos de seus personagens, além do hábito de dirigir-se várias vez durante o livro diretamente ao leitor, me fez lembrar os momentos mais brilhantes de Machado de Assis. Mas não se preocupem, aqueles que não simpatizam com o escritor brasileiro não tem nada a temer: apesar de toda sua criatividade, a narrativa de Félix J. Palma é de fácil compreensão, e tem uma notável capacidade de envolver o leitor.
Outro traço narrativo que não deve ser esquecido é o humor, muito presente no romance. Ao invés de tentar criar cenas originalmente feitas para fazer rir, o autor optou por outro caminho: expor os pensamentos de seus personagens, mesmo nas situações mais constrangedoras e/ou embaraçosas. Isto, somado aos comentários irônicos do próprio autor em relação às várias situações da trama, cria um humor leve e eficiente, que em nenhum momento parece forçado.
Os personagens também são um ponto de destaque. Ricos ou pobres, virtuosos ou malandros, todos são descritos de maneira tão original que fica difícil não simpatizar com eles. H.G. Wells, que aqui aparece como personagem, é provavelmente um dos mais simpáticos de todo o romance: de início, ele surge na história através de breves aparições, mas sua importância vai crescendo à medida que a trama avança.
Comecei a ler este livro imaginando que encontraria um típico romance steampunk, mas “O Mapa do Tempo” vai muito além disso. Com um estilo original e uma trama que é, ao mesmo tempo, envolvente e surpreendente, este livro é uma ótima leitura não apenas para os fãs de viagens temporais, mas para todos aqueles que gostam de sonhar.
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Ana 05/04/2012

É uma narrativa um pouco diferente, e isso toma tempo até que o leitor se acostume. Mas quando isso acontece... É incrível.

Vários núcleos temáticos foram se anovelando e criando uma atmosfera muito instigante, cheia de ficção e romance. Percebi-me surpresa em alguns momentos, e o final, então... Sem comentários. Adorei e recomendo.

E aqui vai uma indicação: pra quem quer um filme com abordagem focada em Jack, o Estripador, aconselho que assista "Do Inferno" (com o lindo Johnny Depp). Não que seja muito parecido com a trama desse livro, mas mostra um lado que ele não mostrou.
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Marlete 26/05/2013

Várias estórias e histórias que se entrelaçam e se distanciam, fascinante !
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Gabii 27/07/2014

Livro publicado em 2010 pela Intrínseca, O Mapa do Tempo, conta pelo menos 3 estórias que acontecem mais ou menos simultaneamente – exceto a ultima que ocorre depois das duas primeiras.
Andrew Harrington é um jovem rico e infeliz, que procura o suicídio após o trágico esquartejamento de sua amada pelo lendário Jack o Estripador, mas que se envolve em uma louca estória com viagens temporais para tentar salvá-la antes que tudo ocorresse. Já Claire Haaggerty é uma abastada mocinha que não vê graça na época em que foi fadada a viver, e vê na empresa Viagens Temporais Murray a oportunidade de viver no longínquo ano de 2000 – o romance se passa praticamente todo em 1896 – ela só não imaginava que, de cara, ia viver um romance com o famoso e corajoso capitão Derek Shackleton. Por trás dessas duas estórias o nosso amado H.G. Wells, claro, o nosso herói com aspecto de passarinho, que esta presente em todas as 3 estória, inclusive, na terceira e ultima, ele é o “protagonista”. E como um escritor pode ser o herói da estória? Quando Wells se vê envolvido em um grande estratagema temporal para roubar sua obra – mais especificamente o livro, O Homem Invisível – e a de seus colegas de profissão, Bram Stoker e Henry James –o Drácula e o A Outra Volta do Parafuso – ele vai ter que mostrar seu lado mais racional e inteligente, para concertar todos os desvios temporais, e também – por que não? – seu lado mais humano, não só na ultima estória, como nas outras duas.
Não posso falar que foi uma leitura rápida e fluida, eu começava a ler, parava, e não sentia aquela necessidade de saber o fim da estória, foi uma leitura mais lenta, apesar disso, não consegui identificar o porquê, o estilo de escrita não me desagradou, a estória não é desagradável, só não foi tão boa quanto eu esperava, a experiência como um todo.

site: http://embuscadelivrosperdidos.blogspot.com/2014/07/o-mapa-do-tempo-felix-j-palma.html
Adriana 23/02/2015minha estante
Quando li sua resenha fiquei imaginando o porque vc ficou na duvida....mas depois que li, senti a mesma coisa e também escolhi dar 03 estrelas, pois o final ficou sei lá ...esquisito....fora do tom!!!.
Sua resenha foi muita precisa. Valeu.




Coruja 19/06/2012

Estava com grandes expectativas para esse livro desde que vi a notícia de sua publicação. Além dos inúmeros elogios e críticas mais que positivas, O Mapa do Tempo fazia bem o meu gênero: História alternativa, com uma boa pitada de mistério e outro tanto de ficção científica. Quando me deparei com ele na Bienal do Rio ano passado – e por menos de vinte dinheiros também... – fui meio que à loucura: coloquei-o sem piscar na cesta (a essa altura só os braços não eram o suficiente) e quando saiu a lista do DL 2012, ele foi o primeiro título a entrar na lista. E agora, cá estamos nós.

Serei sincera e direi que no começo, senti-me um pouco decepcionada. Eu tinha expectativas absurdas para ele e estava quase quicando pelas paredes para encontrar H. G. Wells e não para lidar com um maníaco suicida apaixonado por uma das prostitutas mortas por Jack, o estripador.

Nada de particular contra Andrew, mas eu não estava interessada no choramingar do rapaz, especialmente quando percebi que ele sempre chegaria tarde demais para fazer alguma diferença na linha do tempo original.

A coisa começou a mudar de figura quando Wells fez afinal sua aparição.

O livro é dividido em três partes, cada um com um foco: temos primeiro Andrew tentando voltar ao passado para mudar o destino da amada, temos depois a jovem Claire, que anseia por um futuro em que há algo mais para as mulheres além de bordar, cantar e ser uma esposa exemplar e temos os misteriosos crimes que só podem ter sido cometidos por alguém que veio de uma outra época.

Nessas três partes, Wells é mais ou menos a ponte, o fio condutor pela qual passa toda a história e é o único também que parece ter plena consciência do paradoxo das viagens no tempo, das conseqüências que elas podem ter na criação de novas dimensões a partir da alteração de determinados pontos da linha temporal.

A forma como Palma escolheu narrar a história – uma terceira pessoa onisciente que interpela de forma direta o leitor em muitos momentos – foi muito acertada. Ele te dá um vislumbre dos pensamentos e intenções dos personagens que, por vezes, nem os próprios personagens têm consciência, e te convida a se envolver na história como quem partilha um segredo.

Uma vez que o livro te conquista, que a história verdadeiramente engrena, é difícil largá-lo. Palma parece estar o tempo todo jogando com suas expectativas e subvertendo-as a cada novo capítulo. Você começa imaginando uma coisa, depois essa coisa é desmentida, daí a pouco tudo se inverte de novo e sua percepção da realidade vai para o brejo envolto em tantas reviravoltas.

São tantas idas e vindas, subidas e descidas quanto uma montanha-russa. O Mapa do Tempo te deixa quase que constantemente tentando adivinhar o que acontecerá a seguir... e falhando miseravelmente porque as coisas nunca são o que você espera ser. Ele é surpreendente de uma forma quase reflexiva – por vezes você tem a impressão que o autor filosofa em voz alta e te convida junto a esse exercício. Uma aventura, uma descoberta, uma surpresa – tudo isso é O Mapa do Tempo e ainda um pouco mais.

(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
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Ana Ruppenthal 09/07/2016

Incrível
Eu tinha uma convicção, agora não mais tão segura, de que os autores modernos não são lá os melhores. Nos clássicos nós encontramos enredos coerentes, personagens bem construídos, clímax, alegorias, vocabulários ricos e estilos literários dos mais diversos, enquanto que os autores modernos tendem a escrever qualquer bobagem para vender para leitores com pouco senso crítico - o que torna mais difícil encontrar bons livros. Mas a obra que é objeto desta resenha é uma das raras exceções - acho que uma das três dentre, sei lá, uns duzentos.O Mapa do Tempo foi um desses livros que eu, como muita gente, comprei em alguma promoção ou feira literária junto com uns outros dez e deixei ali na minha estante, esquecido por anos, até que, aproximando-se o ilustre ano de 2016, eu me propus como meta ler preferencialmente os meus próprios livros em vez de pegar emprestados de amigos e bibliotecas ou em domínio público - e sim, tenho cumprido muito bem essa missão. Até que eu, realmente descrente da vida e da literatura, depois de terminar um livro péssimo e decepcionante, peguei aleatoriamente um livro na minha estante. E creiam-me, pessoas, que na minha vida os melhores livros são aqueles que nós pegamos aleatoriamente. Com O Mapa do Tempo, foi emoção da primeira página até a última. Me fez voltar à adolescência, quando eu virava as madrugadas lendo - coisa que hoje não posso fazer por não dispor de tanto tempo assim. É uma trama que captura você, que te hipnotiza e seduz. Teve momentos que eu quis gritar, que meu coração ficava disparado como se eu estivesse vendo pessoalmente as tramas que se passavam no livro. O autor faz milhares de reviravoltas, oscila de um cenário para outro e com muita maestria, engana o leitor, ludibria a gente com cenários que outrora pareciam verídicos como também chega a um ponto em que você simplesmente não pode acreditar que algo vai acontecer - e por fim acontece. Feito o meu apaixonado testemunho, vamos à trama (sem spoilers):

O livro é dividido em duas partes: a primeira, que gira em torno da vida de Andrew Harrington, um jovem rico e de boa família, e sua amada, Marie Kelly, uma prostituta do subúrbio; e a segunda, que se passa em torno da vida de Claire Haggerty, uma jovem muito a frente do seu tempo que também vive uma história de amor, mas narrar essa história, ainda que superficialmente, seria dar um spoiler maldoso. Ambos vivem na cidade de Londres, no ano de 1888; as tramas não se comunicam diretamente entre si, mas o autor, com uma hábil alfaiataria literária, costura ambas as tramas indiretamente com a presença do escritor H. G. Wells - que, ora é personagem secundário, ora é personagem principal; ora só está ali para dar uma ajudinha, ora se compromete por inteiro.

No quesito qualidade literária, acho que o único ponto fraco foi o começo, bem nas primeiras páginas, ser de uma escrita tão comum que dificilmente iria prender um leitor mais crítico que não estivesse bem determinado (como não era o meu caso). Fora isso, me parece que tem um enredo excelente, ainda que muito pitoresco e incomum (no sentido de fantasioso e até mesmo fantástico), tem excelente construção dos personagens e é bem fiel ao cenário londrino do final do século XVIII, mesmo com um toque de ficção à la "steampunk". A criatividade do autor suplanta um 90% de todos os outros autores que eu já tenha lido, mesmo aqueles que eu considere os melhores.

Outro aspecto que me cativou foi que o autor se preocupou em humanizar os personagens, não se adstringindo a um odiável moralismo vazio - falha essa que muitos, mas muitos autores e gente que se diz entender de literatura comete. As personagens, das principais até as figurantes, tem evidenciado os seus aspectos bons ou ruins, e todo o sofrimento e trajeto de vida que fizeram-nas se tornar o que são, aceitos ou rejeitados pela sociedade.

Mas como nem tudo que é bom dura para sempre, o livro tem apenas 470 páginas e eu cheguei à última, feliz porque o livro não apenas supriu mas foi além dos meus anseios, como também deprimida, porque acabou. Dada a alta qualidade literária, eu estou muito propensa a buscar outros livros do autor, ou até mesmo reler esse mesmo livro, coisa que eu nunca fiz. É um livro que eu recomendo para absolutamente todas as pessoas que vierem me pedir sugestão de livros, alertando, contudo, que tem cenas um tanto quanto fortes. Sem dúvida, um dos melhores que eu já li em toda a minha vida.
Agenor.Junior 04/06/2019minha estante
Uma das melhores resenhas que já li no skoob.




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