A Paixão Segundo G.H.

A Paixão Segundo G.H. Clarice Lispector




Resenhas - A Paixão Segundo G.H.


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Nem Tudo é Ficção 13/03/2018

Somos todos G.H.
Se eu te perguntar qual é a sua maior qualidade, o que você responderia? Agora, por qual motivo você acha que é isso se nem o oposto você tentou ser? Eu sei… é porque o oposto é bruto, não aceitável, feio. Assim, somos condicionados a viver da melhor versão para os outros, e como estrangeiros para si.

E ler Clarice Lispector é uma experiência de alma; um transplante de vida, e não uma leitura apenas porque o que ela escreve ultrapassa o significado das palavras. Ela te relembra que a nossa essência é sempre duvidosa e sempre questionável. Sem dúvida, o que eu mais amo na Clarice é essa coragem que ela tem para confrontar lugares que, normalmente, não costumamos visitar, o nosso “desconhecido” ser. Sendo assim, ela quebra o que já rotulamos como verdade e o que iremos padronizar como fundamental em nosso caráter para o resto das nossas vidas.

E digo isso, pois eu acho muito improvável você sair do mesmo jeito que entrou depois de ler A Paixão Segundo G.H., por exemplo. G.H é uma mulher da burguesia, artista e mora numa grande casa no Rio de Janeiro. E eis que um dia, a sua empregada pede demissão e G.H fica sozinha naquela casa. E pensamento vai, pensamento vem, ela lembra que adora organizar coisas. Então, ela decide começar a faxina pelo quarto da ex- empregada. E é naquele lugar, onde tudo é diferente do que ela pensava que G.H encontra uma barata que mudará a sua percepção sobre a sua própria vida. É algo tão simples, mas por que achamos que somente as coisas extraordinárias mudam a nossa vida? E o que é vida?

Enfim, tem que ter fôlego, coragem e se entregar ao fluxo de consciência da G.H. Confesso que não será uma leitura fácil, mas será uma experiência libertadora para sua mente e alma.

“Já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas” – Lispector, Clarice.

site: https://nemtudoeficcao.com.br/2017/11/24/somos-todos-g-h/
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Vinícius 22/02/2018

Superestimado
Em "A paixão segundo G.H" temos Clarice Lispector em sua essência, filosofando, divagando e nos levando a refletir. Entretanto, não é uma grande história; há quem diga que nem possa se chamar de romance. Seja o que for, prefiro a narrativa de "A Hora da Estrela" (esse sim o melhor livro da autora na minha opinião), "A Maçã no Escuro" ou o excelente livro de contos "Laços de Família".
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Marly Cruz 02/02/2018

A paixão segundo G.H.
Ela come uma barata viva.
Pri 12/06/2019minha estante
Cadê alerta de spoiler?




Marta 24/01/2018

sobre perder o medo do feio
G. H. inventa. G.H. inventa uma terceira perna, inventa uma mão pra segurar assim como nós também inventamos as nossa ilusões cotidianas pra nos amparar nesse mundo.
G.H. se acovarda e se encoraja no seu processo. Se perde e se encontra.
G.H. perde. Perde o medo do feio. Perde a necessidade de beleza. A necessidade de acréscimos.
G.H. encontra. Encontra o desconhecido. O velho e o novo. Um novo eu, que não é feio e nem bonito, apenas presença. Neutra presença do que sempre foi e do que sempre esteve ali, mas não era visto porque era neutro, mas não era visto porque não precisava ser visto, não precisava ser visto porque simplesmente já é. Estar sendo. Presença.
Desde que G.H. perdeu o medo do feio eu me pergunto se eu também teria essa coragem, se eu também poderia abrir mão da beleza. Eu poderia? Eu seria capaz? Eu seria desse tamanho?
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Rafaela 24/01/2018

Frases que me marcaram
"A verdade não faz sentido, a grandeza do mundo me encolhe."
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Ruanne 30/12/2017

A última leitura do ano foi uma revelação
?Eu estava agora tão maior que já não me via mais. Tão grande como uma paisagem ao longe. Eu era ao longe. Mas perceptível nas minhas mais últimas montanhas e nos meus mais remotos rios: a atualidade simultânea não me assustava mais, e na mais última extremidade de mim eu podia enfim sorrir sem nem ao menos sorrir. Enfim eu me estendia para além de minha sensibilidade.?
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Ane Vasconcel 14/11/2017

Lispector é sem palavras
Um mergulho reflexivo cheio de metáforas e muitas endagações, da fonte de uma compreensão íntima e própria da dimensão de um poder de ver e analisar o próprio interior, Clarice nos expõe situações muito similares do nosso existir e do espelho que reflete o outro. "E então vai acontecer - numa rocha nua e seca do deserto da Líbia - vai acontecer o amor de duas baratas. Eu agora sei como é. Uma barata esperta. Vejo o seu silêncio de coisa parda. E agora - agora estou vendo outra barata avançando lentamente e com dificuldade pelas areias em direção à rocha. Sobre a rocha, cujo dilúvio há milênios já secou, duas baratas secas. Uma é o silêncio da outra."
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Deni San 10/11/2017

GH e Janair
Particularmente não me encanto com os textos de Clarice. Para o meu gosto falta rebeldia. A mesma falta de rebeldia que me faz bocejar diante dos livros de Jane Austen, o que, de maneira nenhuma, depõe contra sua qualidade literária. Contudo, o tom de conformismo e adaptação de seus personagens (Jane) e a tentativa de entender-se com a intenção de adaptar-se (Clarice) me causam profunda irritação.
Decidi ler A Paixão Segundo GH por obrigação literária, eu não poderia deixar de ler um clássico por pura preguiça ou preconceito, seria imperdoável.
Começo o livro com uma GH entediada. Ela não tem conflitos, sua vida é tranquila. Ela tem amigos, não lhe falta dinheiro para seus pequenos prazeres. Mas falta algo, alguma coisa que mexa com a sua vida, o que ela vai chamar nesse momento de sua tragédia.
GH começa a pensar sobre si e em sua vida. Essa análise, a meu ver, vai somente até onde o olho vê. Ela não sabe dizer claramente o que a incomoda, muito menos o que lhe falta. Então, num arroubo de ousadia, ela comete o ato transgressor de jogar um cigarro aceso na área dos fundos de seu prédio. Confesso que por duas vezes abandonei o livro nessa parte. É absurdo o átimo de segundo que nos separa de uma grande descoberta. Determinada, dessa vez avancei e descobri o quarto.
GH que considera seu apartamento um reflexo, ou melhor, uma extensão de si, depara-se com um intruso, a presença de Janair. O choque diante do inesperado, a raiva diante do atrevimento daquela mulher são magistralmente descritos por Clarice. Janair não só ousou mudar o que foi destinado a ela, mas também deixou sua marca. Ela, que não passava de uma empregada doméstica, um ser invisível aos olhos da patroa distraída, assume agora ares de rainha africana. GH a odiava.
GH jamais fora questionada além de seu círculo de relacionamentos, não havia confronto em sua vida, até Janair. A raiva e o desconforto deixam as portas abertas para a chegada da barata. Neste momento uma profusão de questionamentos filosóficos e espirituais a arrebatam para uma viagem do EU. Uma viagem intensa com questionamentos profundos e verdadeiros.

A Paixão segundo GH é uma obra maravilhosa que, felizmente, meu preconceito não roubou de mim.
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Adriano 28/10/2017

Fala demais por não ter nada a dizer
Uma narrativa sem narração, é disso que se trata este livro. Quase nada acontece, o livro inteiro é uma sequência de impressões sobre a vida, o que torna a leitura extremamente exaustiva. Talvez, se eu estivesse passando por uma crise existencial ou algum tipo de depressão, absorveria melhor a leitura. As ideias se repentem e vão se repetindo até o final, num verdadeiro teste de paciência.
Voltando ao tempo, quando eu ainda ouvia as falas do Leandro Karnal (o que já não acontece, ainda bem), vi que ele considerava esse livro um dos mais importantes de sua vida. Eu acredito, pois ao que parece, é uma vida de impressões, não de ações.
Aos que forem ler: tenham muita paciência e saibam que nada acontece. Fica o desafio.
Nanso 19/03/2018minha estante
Porra Adriano, claramente se não entendeu nada


Ricardo 02/06/2018minha estante
Resenha corajosa, parabéns.


Marina 08/06/2018minha estante
nada acontece?????
caramba como assim? você tem certeza que leu o livro?

TUDO ACONTECE!!!


Pri 12/06/2019minha estante
Totalmente de acordo.




Lari 11/10/2017

A maior crise existencial que você respeita.
Em alguns momentos simplesmente desisti de tentar entender. A G.H. viaja muito nas ideias, e algumas reflexões me atingiram, outras não. Talvez boa parte das pessoas ache muito parado, descritivo, confuso - e eu achei isso também -, mas para mim foi interessante, valeu a experiência.
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Sarah 11/07/2017

É difícil perder-se
"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo". (p.10)

Esse trecho aparece em uma das primeiras páginas do livro. De maneira um tanto quanto intensa G.H. começa a nos contar que está perdida e meio confusa sobre quem ela é, sobre o que já não faz sentido, se é que algum dia fez. Ela simplesmente vai soltando muitos pensamentos sobre a experiência recente que teve. Nós, leitores, ainda não sabemos qual é essa experiência, então o início da leitura é bastante confuso para nós também. É como se estivéssemos dentro da cabeça de G.H., em meio a todos aqueles pensamentos, sem saber do que se trata. Até que, de repente, ela se volta para nós e diz: “me dá sua mão, vou te contar tudo”. G.H. diz que precisa imaginar que está segurando a mão de alguém, para seguir em frente e entender o que aconteceu, para talvez se encontrar. Num primeiro momento, essa mão que ela segura é a mão do leitor, mas ao longo do livro isso muda, fica meio indefinido, na verdade. Às vezes parece que ela está segurando a mão de um (ex) companheiro e até mesmo de sua mãe e logo volta a ser a mão do leitor. É um pouco confuso, mas imagine que você está dentro da mente de G.H. e ela está falando, na verdade, consigo mesma. Você fala sozinho? Quando falamos sozinhos, direcionamos nosso discurso a um monte de gente e a ninguém, ao mesmo tempo. Essa é G.H segurando essas mãos invisíveis.

Mas quem é G.H.? A história se passa dentro de um quarto e o que conhecemos de G.H é o que ela nos conta dessa experiência nesse cômodo da casa. Mas algumas informações oferecidas no livro podem nos dar uma ideia do perfil dessa personagem. Ela mora em um apartamento de cobertura, isso já é um sinal de que é uma mulher rica. Ela nos diz que é escultora, não uma grande artista, talvez uma “meia boca”, mas aparentemente é reconhecida. Ela tem maletas com suas iniciais gravadas, G.H,, o que é mais um indício da sua boa situação financeira. Provavelmente viaja bastante e quem tem maletas com iniciais gravadas? Não chegamos a conhecer seu nome. Talvez porque ele não fosse realmente importante, não importa tanto a pessoa em si, mas sim todo esse processo, descrito pela narradora.

Resumidamente, o que acontece é: G.H demite a empregada que trabalhava em sua casa. Ao fazer isso, resolve que vai organizar o quarto onde esse empregada vivia, um quartinho nos fundos do apartamento. G.H. imagina que irá encontrar o quarto bastante bagunçado, cheio de poeira e com objetos inúteis acumulados. Ela nos diz que gosta de organizar coisas e que é muito boa nessa tarefa, então vai ao cômodo com a intenção de colocar em prática uma de suas melhores habilidades. Mas, para sua surpresa, ao entrar ali encontra um lugar completamente limpo, sem bagunça nenhuma, um lugar arejado, que com a luz do sol entrando pela janela ficava insuportavelmente claro. Não era nada daquilo que G.H. esperava e isso a deixa bastante desconcertada. Além disso, em uma das paredes do quarto ela encontra um desenho feito com carvão, que acredita ter sido feito pela empregada. O desenho era um contorno de um homem, uma mulher e um cachorro. Encontrar esse mural também a deixou incomodada, entendeu aquele desenho como um julgamento da empregada, de quem ela não conseguia sequer lembrar o rosto. Enfim, G.H. se perdeu em todo esse contexto. Encontrar o quarto completamente diferente do que ela esperava foi uma quebra na normalidade da sua casa, da sua rotina, da sua mente. Ela estava chocada, não sabia o que fazer. Para piorar, quando abre a porta do guarda-roupa se depara com uma barata.

Acredito que não seja agradável para ninguém se deparar com uma barata, mas G.H. deixa muito claro o quanto ela odeia esse pequeno animal. Então esse encontro causa nela um terror e um nojo gigantesco. Encontrar a barata aumentou aquele sentimento de confusão que ela teve ao entrar no quarto. Ela começa a pensar naquele animal e o descreve com detalhes (é uma passagem meio tensa do livro, se você também odeia baratas). Nesse momento G.H. começa a se identificar um pouco com a barata. Vendo outras interperetações do livro após minha leitura, encontrei alguns comentários que diziam que o encontro de G.H. com esse animal representava o encontro com o Outro, o encontro com o diferente, com quem ela teria que lidar. Mas quando li esse livro pensei muito mais em um encontro consigo mesma, um encontro com um lado seu totalmente detestável, asquereso, primitivo. Em diversos momentos, G.H. se compara com a barata, não se distanciando, mas se aproximando, encontrando coisas em comum, por mais que essas características não fossem desejáveis. É justamente isso que aumenta o seu nojo, seu terror, sua confusão mental. Imagine que essa mulher rica, bem sucedida, com mania de organização, de repente, se veja em uma barata. É chocante.

Nesse ponto eu me lembrei um pouquinho do livro A Metamorfose, do Kafka. Embora sejam livros bem diferentes e apesar de que não sabemos em qual inseto asqueroso se transforma o personagem de Kafka (não fica claro que é uma barata), a identificação com um animal repugnante me parece aproximar um pouco essas duas histórias. Mas enquanto Gregor Samsa se transforma de fato nesse animal, G.H. observa a barata de fora, tentando sem sucesso um afastamento dela. Bem, chega um momento em que nossa personagem mata a barata, ou pelo menos ela acredita que mata. Com a porta do guarda-roupa ela esmaga o animal, que fica com o corpo partido no meio, soltando uma massa branca de dentro de si. A barata ainda mexe as antenas e as patas, mostrando para G.H. que sair dessa situação não vai ser tão simples quanto parece.

"E na minha grande dilatação, eu estava no deserto. Como te explicar? eu estava no deserto como nunca estive. Era um deserto que me chamava como um cântico monótono e remoto chama. Eu estava sendo seduzida. E ia para essa loucura promissora. Mas meu medo não era o de quem estivesse indo para a loucura, e sim para uma verdade – meu medo era o de ter uma verdade que eu viesse a não querer, uma verdade infamante que me fizesse rastejar e ser do nível da barata. Meus primeiros contatos com as verdades sempre me difamaram." (p.59)

A analogia com o deserto é aprofundada por G.H. e a sensação causada é de estarmos cada vez mais perdidos junto com a persongem. Muitos comentários que encontrei após minha leitura diziam que esse, como a maioria dos escritos de Clarice Lispector, não era um livro racional, para entender, e sim para sentir. E é verdade. Se você tenta achar alguma lógica enquanto lê esse livro talvez realmente dificulte a experiência de leitura, mas se você se entrega aos sentimentos compartilhados pela personagem, então você realmente percebe sobre o que é o livro. Você passa a se identificar, afinal de contas, quem de nós nunca se sentiu perdido?

Enfim, chega o ápice da história. Em meio a tudo isso, G.H. começa a se dar conta que para sair dessa confusão ela precisa comer a barata. Sim, isso mesmo que vocês leram. Não, isso não é um spoiler, qualquer resumo que você encontre do livro por aí vai te contar que, de fato, G.H. come essa barata morta por ela, com toda sua massa branca nojenta. Mais uma passagem tensa do livro, se você odeia baratas. Para que comer a barata? Acredito que esse momento é como uma libertação para G.H. Ela incorpora – literalmente – esse seu lado primitivo e asqueroso. Finalmente ela se encontra, ou pelo menos consegue sair desse estado de confusão. Lembram da frase no início desse texto, sobre ela se achar, “mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo”? Não consigo identificar se no final G.H. realmente se encontra com seu lado primitivo, dessa neutralidade viva, como ela diz, e se transforma, ou se ela simplesmente vira a página, ou seja, consegue sair daquela confusão e não quer voltar a pensar nisso. Você que já leu o livro, o que acha? Eu acho que fico com a primeira opção.

Nas minhas pesquisas posteriores, encontrei um vídeo muito interessante sobre esse livro, que você pode assistir aqui. Nesse vídeo, a Carmem fala algo interessante sobre o nome do livro, que eu não havia parado para pensar. Ela chama a atenção para a referência bíblica que existe no título “A paixão segundo G.H.”. “A paixão de Cristo”, “o evangelho segundo…”. Se pensarmos por esse lado, a paixão que seria a trajetória de dor e humilhação, a morte e a ressureição é vivida por G.H. naquele momento do quarto, em sua perda e encontro de si. Na ressurreição ela retorna como ela mesma, mas, ao mesmo tempo, diferente, renovada. Essa ideia só confirma meu achismo de que comer a barata foi o momento em que ela, finalmente, se encontrou.

No início do livro Clarice Lispector diz que gostaria que A paixão segundo G.H. fosse lido apenas por “pessoas de alma já formada”, “aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente – atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar”. Fiquei pensando o que a autora quis dizer com “pessoa de alma já formada”. Será que ela espera que essa pessoa se dê conta de que, na verdade, nunca está completamente formada? Que sempre pode perder-se e encontrar-se e nesse processo conhecer a si mesma? É difícil saber, mas eu gosto de pensar que seja isso.

site: https://sarices.wordpress.com/


Michelle.Fernandes 07/04/2017

A todas as mulheres, eu dedico este livro.
Leitura básica na vida de qualquer mulher, falava sobre amor, paixão, insuficiência, se cobrar demais, neutralidade, autossuficiência.
Um verdadeiro ensinamento.
Leitura densa e que marquei como inteiramente essências mais de 30 páginas.
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Ana Paula 05/04/2017

A Paixão segundo GH teve sua primeira ediçãol ancada em 1964 pela Editora do Autor de propriedade de Fernando Sabino e Rubem Braga. Trata-se de um romance escrito em primeira pessoa onde Clarice narra a história de GH, uma mulher de boas condições financeiras que, ao fucar sem empregada doméstica, vai até o quarto onde esta dormia para fazer uma limpeza e se depara com uma barata. Desse encontro, uma série de reflexões surgem dá personagem. Marcado pela literatura intimista, o romance retrata a busca dá protagonista por seu próprio eu, sua própria essência. A limpeza que ela deseja fazer no quarto simboliza o desejo de arrumar-se internamente nessa busca de sentido em seu ser interior. Não recomendo aos que ainda não leram nenhuma obra dá autora começarem por este livro. Melhor seria começar pelos contos, mais especificamente pelo livro Felicidade Clandestina. Com esse primeiro contato com os contos e já um pouco familiarizado com o estilo de Clarice, a experiência de ler A Paixão segundo GH será mais "aceitável". No entanto, recomenda-se também que o leitor leia sem padrões pré-estabelecidos, pois trata-se de uma obra diferente de qualquer coisa que alguém já tenha lido, não devendo se criar expectativas de entendê-li, mas apenas de senti-lo.
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Castelo 13/03/2017

#DesafioLivrosBr: A Paixão Segundo G.H, Clarice Lispector e um breve esboço sobre o Feminismo em sua obra.
Encontro duas formas de escrever sobre A Paixão Segundo G.H (Rocco, 2009. 180 páginas), o livro que escolhi para o mês de março do #DesafioLivrosBR.

A primeira é descrevendo o plano de fundo dentro da qual o fluxo de consciência se encaminha, destacando alguns elementos chave que aparecem até a ação final. Seria assim: G.H é uma mulher da alta classe brasileira (sua nacionalidade está explícita no texto), moradora de uma cobertura. É uma manhã e a empregada da casa foi embora. G.H, então, decide ir até o quarto da empregada, onde esperava encontrá-lo bagunçado, surpreendendo-se depois com a organização que ele apresenta, deixada pela empregada. É dentro do quarto que acontecem os mais intensos conflitos expressos através da narradora.

A segunda, e esta é um desafio, é uma tentativa de ensaiar sobre alguns elementos que fazem de A Paixão Segundo G.H a novela que é. G.H, segundo aponta Boris Fausto, em História Concisa da Literatura Brasileira, significa Gênero Humano. Muito não se sabe da narradora a não ser os aspectos explorados por ela, que são de cunho existenciais e que por isso causam no leitor o estranhamento e a identificação. Não é sem surpresa ou sem o acompanhar de um outro suspiro que passamos pela experiência da leitura da novela. A Paixão Segundo G.H é sobretudo um livro que nos proporciona uma experiência literária intensa. Na ordem da narrativa apresentada no livro, todos os aspectos das coisas ficam suspensos a um nível existencial, fenomenológico, do qual G.H vai adentrando, explorando, investigando. O que ela intenciona é seguir propriamente uma busca dentro deste nível existencial, onde a subjetividade parece entrar em crise e todas as coisas se enchem de inúmeros significados para a experiência da narradora. Esta busca não tem um caminho único, e segui-la pressupõe o seu contrário, uma perda:

"É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo. Até agora achar-me era já ter uma ideia de pessoa e nela me engastar: nessa pessoa organizada eu me encarnava, e nem mesmo sentia o grande esforço de construção que era viver." (pág. 10)

Dentro desta busca ao nível existencial das coisas a subjetividade, intrínseca à identidade, também entra em crise. E a partir daí G.H busca constantemente negar e afirmar a própria identidade, desde os momentos que se compara à empregada, a si mesma e até ao leitor:
"Minha pergunta, se havia, não era: 'que sou', mas 'entre quais sou'". (pág. 27)
"O que queria essa mulher que sou? o que acontecia a um G.H. no couro da valise? Nada, nada, só que meus nervos estavam agora acordados - meus nervos que haviam sido tranquilos ou apenas arrumados? meu silêncio fora silêncio ou uma voz alta que é muda?" (pág. 43)

É ao decidir entrar no quarto da empregada que G.H então identifica, dentro daquela sua casa, um espaço tão a parte de todos os outros os quais ela se apropria enquanto habitante de sua cobertura: o quarto da empregada, que servia antes de depósito de objetos velhos é sua contraposição, tanto social quanto existencial, e é lá dentro também que a narradora encontra, saindo da porta do guarda-roupas, uma barata. Está na barata o seu maior conflito.

Durante toda a leitura não nos é distraída a consciência alterada das coisas, a subjetividade em crise, e assim como os móveis, a empregada, também a barata se mostra como o conflito que desperta em G.H seu maior desafio durante a narrativa: ela identifica na barata a existência de um ser muito mais anterior do que o próprio gênero humano, ou seja, anterior a ela mesma. Em certa altura, por nojo, numa tentativa de matar a barata, G.H fecha a porta do guarda roupa, que esmaga o inseto, deixando-o partido ao meio, porém sem matá-lo. E a partir daqui a crise existencial se intensifica. Todas as sensações experimentadas pela narradora são passadas pela prova exaustiva de investigação de seus motivos. O nojo, as lembranças, a insistência em manter-se no quarto e continuar a vivenciar aquela experiência. A barata é também um ser vivo, e a massa branca de seu ventre é seu material vivo como em nós o sangue é nosso material de vida. Embora em formas diferentes, são, G.H e a barata, seres vivos.

"- Segura a minha mão, porque sinto que estou indo. Estou de novo indo para a mais primária vida divina, estou indo para o inferno da vida crua. Não me deixes ver porque estou perto de ver o núcleo da vida - e, através da barata que mesmo agora revejo, através dessa amostra de calmo horror vivo, tenho medo de que nesse núcleo eu não saiba mais o que é esperança" (pág. 59)

O último clímax enfim é chegado no momento em que, por uma ousadia de experimentar o Isto da vida, G.H decide comer parte da massa branca da barata. É este o mais expressivo ato, desde sua decisão de levantar da mesa para ir ao quarto da empregada e desde permanecer no quarto e enfrentar seu nojo. Não há uma conclusão final, é o que finalmente se conclui. Mas o fluxo e refluxo constante da experiência de estar vivo é que alarga a vida sensível, e que existe independente de nossa existência individual. O auge da subjetividade em crise é a negação da compreensão, mesmo que a ela se abram todas as possibilidades de entendê-la, numa luta constante entre sentir e compreender. A Paixão Segundo G.H não é um livro que se desdobra poupando-se até o fim, mas um livro que desde o início já se entrega num clímax que permanece até o último parágrafo, que propositalmente não é encerrado com um ponto final.




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Breve consideração sobre o feminismo em Clarice Lispector:

Esta parte não se restringe apenas a A Paixão Segundo G.H, mas a toda a obra de Clarice. Um equívoco é comum ao se falar em feminismo em sua obra, quando seus contos e novelas são constituído sobretudo por mulheres donas de casa, cozinheiras e mães resignadas em suas ações: não é considerado o que, contextualizando sua época, faz de Clarice uma mulher escritora que alarga os significados de ser mulher. Foi ela uma das primeiras escritoras brasileiras a explorar o que seria a "essência feminina" e que aparece em vários de seus contos de diversas formas. Foi ela que, mesmo escrevendo sobre donas de casa, cozinheiras e mãe resignadas em suas ações, não tinham nada de resignadas em suas subjetividades. São através dos escritos de Clarice que é dada voz à subjetividade de, antes de tudo, uma escritora brasileira, e depois a personagens femininas que falam por toda uma essência humana, participando e a constituindo profundamente, quebrando assim barreiras essenciais que até então eram dominadas apenas por homens tanto na ficção quanto na realidade.

Podemos, em especial, identificar esses aspectos citados em Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres, onde temos Lori, a protagonista que não cabe apenas em seus afazeres domésticos, e emerge de dentro de si mesma num urro potente e rico, que faz o livro ter toda a sua riqueza. A ironia despretensiosa se dá quando homens ou mulheres ao lerem Clarice, se identificam com suas personagens, por seus anseios tão humanos, tão reais e antes de tudo tão ricos.

Portanto não é à toa que a Clarice Mito mais uma vez aí se justifique diante de tantas mulheres que a admiram, usando-a, como tantas outras mulheres, para afirmar suas convicções feministas.


site: https://apalavradoslivros.blogspot.com.br/
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SILVIA 12/03/2017

Fiquei um pouco decepcionada
Meus comentários estão no site.

site: http://reflexoesdesilviasouza.com/livro-a-paixao-segundo-g-h-de-clarice-lispector/
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