A Paixão Segundo G.H.

A Paixão Segundo G.H. Clarice Lispector




Resenhas - A Paixão Segundo G.H.


145 encontrados | exibindo 31 a 46
3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |


Shay 16/02/2017

Intenso
Pra mim ler clarice é sempre CAÓTICO e especial. A paixão segundo gh foi mais que um livro... foi uma experiência!
comentários(0)comente



Lima Neto 29/01/2017

livro enigmático
de todos os livros que já li ao longo de minha vida, "A paixão segundo G.H." é, sem dúvida, o mais enigmático e posso dizer que "aquele que menos entendi".
o livro é uma grande metáfora, uma obra que precisa ser lida com muita paciência, palavra a palavra, pois quebra todos os padrões da "literatura convencional", o que faz com que muitos leitores (eu inclusive) não o entenda bulhufas numa primeira leitura, mesmo por que exige de nós certo desprendimento, certa compreensão e uma dose extra de paciência até conseguir se acostumar com a forma e entrar na história.
o roteiro e o andamento narrativo são dispersos, sendo a obra um verdadeiro monólogo, um grande fluxo de consciência em que o narrador expõe seus pensamentos e a si mesmo, o que torna a leitura extremamente rica e reflexiva.
comentários(0)comente



Franklin 22/01/2017

O equivalente literário de uma autópsia em corpo vivo. Lispector não brinca quando sugere que o livro seja lido “apenas por pessoas de alma já formada”.

É difícil de descrever em palavras o que esse livro causa sem cair no erro de repetir o que ele trespassa. É um malabarismo existencial de linguagem e de consciência que exige total atenção de quem se propõe a destrincha-lo (e de quem se permite ver-se refletido nas palavras). A Paixão Segundo G.H. é um prato cheio para amantes de qualquer tipo de arte.

site: franklinteixeira.com.br
comentários(0)comente



Queila 14/10/2016

CLARICE, TU É DOIDA MULHER?
Vou te falar, iniciei a leitura sem muita pretenção, mas esperando mesmo que a leitura fosse complicada, porque Clarice - pra mim - sempre foi complicada, aquele papo de que a "A hora da Estrela" era um clássico, leitura obrigatória, nunca foi muito sério pra mim porque não tive aquele Crush que todo mundo que leu teve (desculpa galera), tentei "Perto do coração selvagem" uma vez, e digamos que não rolou, abandonei sem entender nada do que estava lendo (Pode me chamar de burra), daí fomos para "Laços de Família" que se me lembro bem, era um livro de contos e que vejam só... não entendi nada de novo, e deixei lá abandonado pela metade (Metas em aberto para voltar com fé e ler novamente).
Mas esse aí "Paixão segundo G.H" comprei porque a edição era TOP, as frases de capa me chamaram a atenção, e porque desde a adolescência Clarice Lispector era a mulher que eu menos entendi na vida, então era questão de honra!
Iniciei leitura, e não se surpreenda por eu não ter passado da página 100 - SIM, de novo Clarice me venceu... abandonei o livro, talvez por falta de paciência de entender a escrita "falada", desconexa e poética da fofa! Mas coloquei lá na meta de leitura do Skoob de 2016, e voltei do início pro G.H que como a Tati Feltrin, eu também achava que era um personagem masculino - erroneamente.
Depois de finalmente vencer Clarice, e ler e achar que eu entendi o que "Paixão segundo G.H" é, ainda estou pensando se a conclusão que tirei, é a conclusão que é. Por que "a coisa" que é esse livro, não tem nome e definição, não é o amor neutro que ela tentou me explicar, não sei, fiquei confusa. (Esse não é um trecho do livro, mas poderia ser, por que é nesse nível aí!)

Logo na introdução, a Clarice tão meiga e excêntrica já deixa um aviso de que só "Pessoas formadas" deveria ler esse livro aí.
Ok - descobri que ainda não sou uma pessoa formada, porque fiquei/ainda estou digerindo o livro, e o conceito e o objetivo dele existir, fiquei com a sensação de que ela falou - falou, e não saí com nada do que me foi dito, tipo Error 404 do windows, em que não consigo nenhuma conexão com o servidor. HAHAHA

Foi como assistir Matrix pela 30ª vez, e não entender nada novamente, mesmo entendendo o conceito e não aceitando muito bem.
Mas acho que ideia é essa mesmo, fazer você pensar e querer entender a humanização, o objetivo de existimos, ela defende toda uma ideia "religiosa" do deus e seu objetivo de criação, que eu particularmente não concordo porque vai contra o que acredito e tenho por fé, e Deus e amor divino. Mas o discurso dela sobre a existência humana - e posso estar falando uma grande besteira aqui - me lembra um pouco do existencialismo de Sartre, quando ela defende que sua existência não tem um propósito divino, e que ela existe pra encontrar dentro de sí mesmo o propósito. (Bem esquisito!)
O google me disse que a religião da Clarice era Judaica, e sim, nesse livro era usa muito como referência personagens e trechos da bíblia, mas... ela meio que questiona muito, sobre o contexto, e algumas doutrinas. As vezes até ironiza.
Mas ok, segue a vida Clarice, continue buscando seu interior assim mesmo. Neste assunto sim, eu sou uma pessoa formada. (ao meu ver)

No fim de todo esse discurso, eu recomendo o livro. Por que preciso de mais alguém pra discutir sobre ele comigo... por que é tão intenso, e tão reflexivo que preciso discutir sobre ele!!

Darei mais uma chance para que Clarice me explique um dia, talvez quando eu enfim achar que realmente sou uma "Pessoa formada" no sentido de entender o outro e as questões do outro, eu releia, por enquanto, fico aqui achando que a Clarice perdeu alguns miolos nessa busca.
Ayla Cedraz 28/11/2016minha estante
Queila, adorei o jeito que você falou. Tenho uma história com os livros de Clarice, e agora estou em A Paixão Segundo G.H. Quando terminar, acho que voltarei aqui para discuti-lo!


Queila 29/11/2016minha estante
:) Por favor Ayla, volte, ainda não consegui engolir essa história, ela ainda está aqui na minha mente, batendo e batendo. Não tenho com quem dividir minhas inúmeras interrogações. hahaha Boa leitura!


Ayla Cedraz 02/12/2016minha estante
Acho que a dificuldade em ler Clarice está no fato de que ela não escreve, ou pouco o faz, descrevendo fatos; ela descreve sentimentos. E soa estranho. Por isso mesmo, tudo me leva a crer que, quanto mais eu envelhecer, melhor me verei em seus livros. Já me vejo em breves passagens. E fico emocionada. Há pouco tempo li a biografia de Clarice, e te recomendo; talvez depois dessa leitura, você se sinta mais íntima dos livros dela. Verá também que o objetivo de Clarice era justamente esse, onde travamos: atravessar a linguagem. Acho que estamos muito apegados aos significados comuns das palavras e, em seus livros, Clarice dá novos significados às coisas que, penso e espero, só vivendo para se dar conta. Dos livros dela que li, foi em A Paixão Segundo G.H. que mais vi menção a Deus. Talvez descobrir o significado que ela dá a "Deus" seja a chave para chegar perto desse livro... Outra coisa que faço, em livros densos como os dela: sublinho as passagens que mais sinto o toque, e vez ou outra escrevo um pensamento do lado. Ajuda. Na aproximação. É comum mesmo ler uma página e pensar: "oi?" rs. Mas é legal voltar uns anos depois. É uma outra página. É uma outra pessoa.


Queila 06/12/2016minha estante
"É comum mesmo ler uma página e pensar: "oi?" rs. Mas é legal voltar uns anos depois. É uma outra página. É uma outra pessoa." É realmente isto, talvez um dia eu volte e entenda perfeitamente tudo o que G.H realmente quis dizer. Caberia uma nova leitura, mas não sei se agora é o momento, talvez ainda não tenha vivido o necessário pra entender todos os infinitos significados que este livro carrega consigo e que eu compreendi se quer 5%. Anotei a recomendação, e apesar de já ter pego a biografia dela varias vezes na livraria, e largado lá só pela impressão que A Paixão segundo G.H me deixou. Depois da sua opinião, que muito me fez ver alguns pontos que deixei de lado na minha resenha, vou encarar a biografia, e mais tarde A hora da Estrela novamente, e vamos convivendo com essa literatura que me dá essa missão de atravessar a linguagem. Obrigada Ayla! Estou me sentindo mais leve hahaha


Fernanda.Melo 27/01/2018minha estante
undefined


Gabriell 13/02/2019minha estante
Mulheres, me digam que releram esse livro e entenderam. Pq eu tô mega perdido. Tive um senhor bug depois dá página 100.




Angel 09/10/2016

heidegger curtiu isso.

levei um tiro aqui dentro de casa. rasgante. necessaríssimo.
comentários(0)comente



Alexandre 09/10/2016

Sensações - A Paixão Segundo GH
Acabei esta leitura. Este é um livro para ser sentido, não apenas lido. Um livro para ser recitado para si mesmo, sem pressa, sem alarde de espécie alguma. Quanto menor a vaidade presunçosa, quanto menor a ostentação intelectual, maiores os benefícios que se pode extrair dele.

É o tipo de livro que solicita do leitor que preste atenção nas engrenagens sem tentar decifrar o funcionamento do motor, sem tentar buscar na leitura, de início, algum sentido. Mais ou menos como enveredar-se por uma trilha sinuosa e densa, retratada na arte de um artista ilustre, muito famoso, deixando-se perder na paisagem dramática sem prestar atenção nos riscos que esboçam a pintura. Olhar a sua arte comovido pela sua beleza paisagística composta por uma porção de vultos, de tendências, de sentimentos, de descobertas rabiscadas e polidas. Mas polidas sem pretensão de fechamento.

Esta leitura provocou em mim uma espécie de combustão abafada. Uma agonia íntima a qual eu fui obrigado a me submeter em razão da vontade de concluir, de compreender, de sentir a totalidade da vasta e devastadora armação criada por Clarice através do GH e das sua experiências.

Se o leitor for daqueles que, como eu, não se importa de se defrontar com as próprias fragilidades, não se amargura nesse contato mais íntimo consigo mesmo, com a própria natureza e a suas dualidades, e mais ainda, se o leitor não se importar de chegar ao final hesitando por não ter compreendido tudo, esta poderá ser uma das melhores obras da vida de quem se anestesia absorvido pela leitura.

Recomendo para os corajosos, ou melhor, para os audaciosos humildes.

Luz e Paz.

(Alexandre Guimaraes Reis)

site: http://www.facebook.com/alexgreis
comentários(0)comente



Maria.Auxiliadora.Durán 24/09/2016

A paixão segundo G.H.
Como falar deste livro? Que dificuldade imensa é (tentar) defini-lo!
.
Tentei ler Clarice ainda na escola, 8a série, salvo engano. Claro que deu errado e detestei! Duas décadas depois, retomo Lispector.
.
Que loucura!!!! Parece que essa mulher abriu a caixa de pandora da alma humana! E começou a verbalizar os sentimentos e pensamentos mais profundos e, aparentemente, desconexos que temos, mas que, ao fim, nos identifica e configura.
.
Só lendo para entender! Não é uma leitura fácil, não pelo português, mas porque há frases prenhes de significado. É preciso digeri-las, para compreender o texto.
.
O enredo, em si, parece bobo: uma mulher, de boa posição social e uma vida no padrão, vai ao quarto de empregada e prende uma barata na porta. Come o inseto e, ao longo de todo o processo, transforma-se e enxerga-se profundamente.
.
Dificílimo escrever sobre este livro. Só experimentando, para tirar suas próprias conclusões! Vale a pena, prometo!
comentários(0)comente



Mayda Ribeiro 26/08/2016

A Paixão Segundo G.H.
Bom.
comentários(0)comente



Everton.Carvalho 19/08/2016

"Esse livro me atravessa"
"-Escuta. Eu estava habituada somente a transcender. Esperança para mim era adiamento. Eu nunca havia deixado minha alma livre, e me havia organizado depressa em pessoa porque é arriscado demais perder-se a forma. Mas vejo agora o que na verdade me acontecia: eu tinha tão pouca fé que havia inventado apenas o futuro, eu acreditava tão pouco no que existe que adiava a atualidade para uma promessa e para um futuro."

Até o momento da leitura de mais ou menos a centésima página de "A paixão segundo G.H", eu acreditava que o mais metafisico que Clarice poderia ter chegado havia sido em Água viva, que, para mim, é o mais próximo do incomunicável de dentro de suas obras - que até agora lí e foram - , pois trata justamente da transfiguração das palavras; e tão universais são os sentimentos que obtemos destas palavras, que temos a impressão de estar meditando e não lendo um livro. Contudo, quando procuramos um meio para expressar "o neutro", somos impedidos pelo incomunicável.
No entanto, fui surpreendido com a história de G.H, e, juro, sinto-me tão limitado a escrever sobre essa experiência, e acredito que até mesmo Clarice, como ser humano, limita-se a essa transcendência toda que suas obras trazem a seus leitores, pois a palavra é a limitação e, ao mesmo tempo, é a libertação e a transcendência. O desconhecido nos intriga, mas o desconhecido com nuances familiares nos desfibra. Há algo descomunal na forma em que Clarice narra suas histórias de poucos fatos: elas percorrem nossa existência, e nos arranca a humanidade. Nos arranca o que é essencial: o neutro. Mas, se formos capazes, conseguimos tirar das epifanias o que Clarice própria pode não ter tirado: o neutro, mesmo sendo a autora, o que muitos achariam bizarro, mas acontece, pois a obra sempre transgride o autor. Palavras dependem de contextos para funcionarem em suas mais magistrais semânticas. É a subjetividade a dona da verdade.
Esse neutro que procuramos é Deus, é a ilusão, é a beatitude, é a razão para darmos nossos passos. Queremos um miolo para nossa existência, queremos um pretexto para não estarmos presentes. O livro trata disso: viver sem estar presente. Perdemo-nos de nós mesmos e distanciamo-nos daquilo que deveria ser o tempo de nossas vidas: o agora, o já. É também sobre o velho clichê de que a vida encontra-se nos detalhes. O luxo é uma redundância e perder se também e caminho
Cada pessoa tira para si uma coisa diferente deste livro, porém em alguns momentos, alguma coisa foi tirada de mim pelo livro. No final, no entanto, algo foi me acrescentado. O livro nos da uma nova visão, no meu caso positiva, pois sinto que algo levou-me a relaxar para não perder o melhor da vida, um ensinamento de não criar expectativas e não cobrar nada dela. Talvez estar assistindo Six Feet Under sincronicamente com o livro, deu uma certa modelada na obra de Clarice, pois afinal, a morte também é o principal personagem em sua literatura. "A paixão segundo G.H" é ainda mais metafisica que "Água Viva"
Estou tão contaminado por Clarice Lispector que não consegui escrever esta minha anotação sobre o livro de uma forma objetiva e clara, mas acho que seria até impossível fazê-lo quando tratamos de uma autora tão singular e dona de uma obra tão íntima de meus pensamentos e de todos os que dedicam um tempo da vida para se descobrir lendo o que escreveu essa insubstituível escritora.
comentários(0)comente



Karoline 05/08/2016

Comentário
Um bom libro para quem está em desconstrução...
comentários(0)comente



Luisa. 04/08/2016

www.velhocriticismo.com
Aparentemente, GH é uma mulher comum. Bem de vida, mora em uma cobertura, aprecia as artes. A conhecemos em uma manhã carioca, pacata e quente. A empregada acabara de sair do emprego e GH resolve limpar o quarto onde ela ficava. A partir daí, GH tem uma experiência reveladora. Vamos com ela.

No início do livro, encontramos a personagem já alterada e transformada pela experiência. GH se deu conta de algo antes despercebido (quase inconscientemente evitado) e precisa relatar sua vivência. “Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ser o que eu nunca tive: apenas as duas pernas.”

Só depois do entendimento de que GH passou por uma revelação, logo nas primeiras páginas, a personagem vai relatar detalhadamente o ocorrido. A autora já avisa de cara: trata-se de um livro para pessoas de alma bem formada. A narração é intensa e visceral, caminha lenta e dolorosamente. Não é necessário entender tudo o que é dito por GH, mas antes sentir, deixar suas palavras penetrarem em nossa mente. “O mundo independia de mim – esta era a confiança a que eu tinha chegado: o mundo independia de mim, e não estou entendendo o que eu estou dizendo, nunca! nunca mais compreenderei o que eu disser.”

Pois bem. Como foi dito, GH queria fazer uma faxina em seu apartamento e começar pelo quarto da empregada. Mas, então, a surpresa: o quarto está limpo, impecável. Calor, paredes brancas, o sol entrando e desnudando o armário de portas empenadas, as brancas paredes caiadas e um rude desenho a carvão dos contornos de um casal e um cachorro. GH já está reflexiva, pensativa.

E, a seguir, a barata dentro do armário e o novo espanto. Assustada com a visão do inseto, GH o esmada entre as portas. Um líquido brando sai de dentro da barata. Depois, a reflexão.

Mas, afinal, o que é a barata? Qual a razão do nojo da barata? Por que a primeira reação é matar a barata? Não seria o asco da barata mais uma das tantas imposições sociais, regras sociais que nos impedem de chegar no núcleo, a ver a barata como ser em si? Até que ponto tais imposições impedem que nos conheçamos, que cheguemos ao nosso cerne e ao entendimento de nossa própria vida? Guimarães já avisava: viver é perigoso. Clarice acrescenta: “Viver não é coragem, saber que se vive é a coragem.”

Olhar a barata com outros olhos, como ser, é repensar a imposição acerca da barata e também de si mesmo. Combater o paradigma é ir de encontro à essência humana, é perder a terceira perna que dá sustentação à máscara de todos os dias. GH entendeu isso. Daí o ato de provar o branco, o ser da barata. Provar da barata seria se tornar o todo, já que a barata é o outro, o estranho, o desprezado. “Para construir uma alma possível – uma alma cuja cabeça não devore a própria cauda – a lei manda que só se fique com o que é disfarçadamente vivo e a lei manda que, quem comer do imundo, que o coma sem saber. Pois quem comer do imundo – também saberá que o imundo não é imundo. É isso?”

É preciso, assim, buscar a neutralidade da vida, vida em estado puro, um todo do qual os seres vivos participam igualitariamente, mesmo sob a forma de uma barata. Mas chegar ao neutro da vida exige coragem, desorganização e reconstrução, exige mais do que isso, exige um assassinato contra si mesmo, já que é necessário matar-se a si próprio para se chegar à reconstrução. Num primeiro momento, é necessário comer a matéria branca da barata agonizante, num supremo ato de integração, pois a eliminação do nojo é o ato final da plena neutralidade. Contudo, nova correção: comer a barata não é necessário. Tal ato implica o acréscimo, mas este não é necessário, “o acréscimo é mais fácil de amar”.

Através de sua experiência, GH entra em contato não apenas com a vida, com seu lado mais feio e renegado. O que descobre muda sua vida. E GH tem medo de esquecer. A essência da vida dói, mas esquecer a essência depois de entendê-la dói ainda mais. Acontece o transcender de um estado da consciência superficial para a absoluta percepção da vida, autêntica, sem o sal e o tempero (pois são estes que dão gosto aos alimentos, assim são nossos juízos que visualizam e configuram a vida desta ou daquela maneira). “Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante.”

Ler A paixão segundo GH não é fácil. Na verdade, é um tanto quanto sufocante. Mas, no fim, vale a pena. Clarice tem o talento de nos transportar ao interior de GH, e o faz muito bem. Por fim, depois da última linha, um suspiro aliviado e de missão cumprida. GH nunca mais foi a mesma, e quem lê seu relato dificilmente o será.

A EDIÇÃO

Não encontrei problemas na edição da Rocco. Não encontrei erros de digitação e achei a capa muito interessante. Li em uma edição mais antiga, de 98, mas sei que a Rocco lançou outra em 2009 (com uma capa ainda mais bonita!). Apesar de o livro ter apenas 180 páginas, não se engane: há livros que são maiores do que parecem.
comentários(0)comente



May 01/08/2016

É fascinante como Clarice consegue expressar todos as dúvidas e ânsias que se tem a busca humana por ser e sentir a vida, de fato. Nesse livro em particular, dentre os livros que li dela, ela possui uma maior atenção pra falar de sua visão de Deus, ou da visão da personagem; uma das passagens mais belas do livro.
comentários(0)comente



Wagner 31/07/2016

AVISO ÀS PEDRAS


(... ) enviei o meu anjo para aparelhar o caminho diante de mim e para avisar às pedras que eu ia chegar e que se adoçassem à minha incompreensão (...)

Lispector,Clarice. A paixão segundo GH. Rio de Janeiro: Rocco, 2009. Pp139
comentários(0)comente



Renata 24/07/2016

Segurando a mão de G.H.
A delicadeza de Clarice é inexplicável e incomparável. Ao lermos sobre um assunto tão complexo e profundo quanto a natureza do ser, não é surpreendente sentirmo-nos desprotegidos e com medo de chegarmos à essência de nós mesmos e da vida, mas é preciso ter coragem e pegar na mão de G.H., entendendo finalmente que há coisas além da compreensão humana.

É preciso ler com atenção e indiferentemente, aberto a todos os caminhos pelos quais a mão guia de Lispector nos leva, sem recear onde chegaremos. É preciso deixar a sensibilidade de lado, bem como a vida como a conhecemos até o momento, pois vamos a um lugar muito mais profundo, no qual somos nada mais do que uma barata no auge da vida e da morte. É preciso se render, é preciso ler com calma e sem medo de entender frases tão profundas, e é preciso reler diversas partes para que elas finalmente fixem-se em nós e nos revelem mais uma peça para um quebra-cabeça tão infinitamente ínfimo quanto nós mesmos. Mais do que tudo, é preciso desprender-se da terceira perna, à qual somos tão apegados e da qual supomos ser dependentes, mas que não passa de uma falsa ideia de sustentação e equilíbrio. É preciso largar conformismos e a segurança da vida cotidiana, é preciso ter coragem e vontade, é preciso SER.

"A paixão segundo G.H." é leitura complicada sim, não pelo seu vocabulário, mas pela sua intensidade. Não é um passatempo nem um livro para distrações, e se lido de tal forma, provavelmente será incompreensível e enfadonho. É preciso pegar na mão de Clarice sem hesitar e caminhar às cegas até aquilo que G.H. chama de paixão, para que finalmente sejamos capazes de compreendê-la.
comentários(0)comente



Bia 20/04/2016

A Paixão Segundo G.H. de Clarice Lispector
"Sei que se eu abandonar o que foi uma vida toda organizada pela esperança, sei que abandonar tudo isso em prol dessa coisa ampla que é estar vivo abandonar tudo isso dói como separar-se de um filho ainda não nascido. A esperança é um filho não nascido, só prometido, e isso machuca."

A Paixão Segundo G.H traz preciosidade em cada frase, a escrita extremamente sensível e poética de Clarice é capaz de nos emergir a tal ponto que a experiência descrita no livro é facilmente sentida pelo leitor.

A visão de um ser vivo ancestral, e repugnante para a maioria, desencadeia na personagem principal uma torrente de questionamentos. A vida, o mundo, o tempo, a essência, o princípio, as esperanças, as decepções e uma série de outros temas e sentimentos são abordados através do pensamento incessante de G.H.

Ao desvendar o labirinto que é sua mente, a personagem mostra que as convicções assumidas por nós durante uma vida inteira podem ser na verdade prisões que construímos para nos defender e, apesar de ser um processo doloroso e perigoso para a sanidade, livrar-se delas é possível.
Lucas 20/04/2016minha estante
parece um livro instigante.


Lucas 20/04/2016minha estante
Bom texto Bea, conclusão incrível! :)




145 encontrados | exibindo 31 a 46
3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 |