A Paixão Segundo G.H.

A Paixão Segundo G.H. Clarice Lispector




Resenhas - A Paixão Segundo G.H.


145 encontrados | exibindo 46 a 61
4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10


Gengis 13/04/2016

Opinião
Foi difícil, bem difícil, mas uns 6 meses depois consegui terminar de ler... não que o livro seja gigantesco, mas porque ele é muito chato! Putz que livro chato! Terminei uma meia dúzia de livros que ia lendo concomitantemente e este ia ficando pra trás.
Bem que dizem, os clássicos são livros que todos gostariam de ter lido, mas ninguém gosta de ler ha-ha-ha... os defensores da literatura de plantão que venham me criticar com bons argumentos, porque não vou aceitar eufemismos e demais subterfúgios para justificar um sistema educacional que recomenda Clarice pra adolecentes que supostamente deveriam estar tomando gosto pra leitura.
Que livro chato do caramba!
Kátia Predebom 20/06/2016minha estante
Eu acho o livro genial e a escritora mais ainda, mas acho que tu pegou um livro que não faz teu estilo, mano. Clarice Lispector lida com o sútil e com o silêncio, se a gente não tem sensibilidade o suficiente pra perceber o que ela quer falar nos silêncios realmente acaba se tornando um livro meio pesado. De forma alguma acho o livro uma bosta, mas entendo o motivo de você não ter gostado.


DAbora.Ferri 07/07/2016minha estante
Indicar um livro destes para aluno do ensino médio seria criminoso rssssss. Para os alunos de Letras já pode ser considerado torturante. Eu, pessoalmente, poderia ter passado sem esta leitura rssss.


Gengis 09/07/2016minha estante
huahauhau se vc falou, ta falado... ja me sinto melhor ^^


Américo 20/07/2016minha estante
Concordo basicamente com o que a Kátia Predebom escreveu. É preciso sensibilidade (provavelmente em um alto grau) para ler as obras de Clarice, principalmente essa. Às vezes eu acho que ela escrevia exclusivamente ao público feminino. Não tem muita explicação, pois se não me engano, foi a própria Clarice que comentou numa entrevista, que enquanto alguns odeiam o livro, outras pessoas o tem como livro de cabeceira.




Nélio 05/04/2016

Eis uma autora que tento ler, pois sei do seu valor, mas que não rola a leitura... Foi duro terminar o livro... Já os contos dela eu tenho mais paciência literária e chego a gostar de alguns. Mas de seus romances, apenas A hora da estrela me foi tragável!
comentários(0)comente



Hildeberto 18/02/2016

"A Paixão Segundo G.H." não é um livro fácil.

Talvez não devesse se considerado uma obra de ficção, mas um ensaio filosófico. Pois não há uma estória, apenas diversas reflexão de G.H. sobre a vida.

A mensagem principal é que nós, seres humanos, perdemos o contato direto com a realidade do universo. Que, a partir do nosso processo de socialização, criamos camadas que nos prende. Deixamos de viver o agora, de sentirmos o contato direto com as coisas. Apenas quando nos libertamos dessas "camadas" de humanização encontraríamos a verdadeira felicidade, o verdadeiro amor.

É um livro que me ajudou bastante a refletir sobre aspectos da minha vida, e que em certo sentido me trouxe paz. O ponto negativo é que Clarice Lispector por vezes divaga de mais e desnecessariamente. Mas é um livro essencial para quem quer viajar para dentro de si mesmo.
comentários(0)comente



Ana Patricia 05/02/2016

A complexa G.H.
Não pretendia fazer uma resenha desse livro, mas ele foi um dos mais diferentes que li e achei bom aprofundar minha opinião sobre ele.
Não é com certeza como os livros que gosto de ler, na qual contam com uma narrativa que acontece ao longo do tempo e na maioria das vezes é aventura. Esse tipo de história que encontrei em a Paixão Segundo G.H. não me fez ter o trabalho de imaginar os diversos cenários citados, o que fez com que eu lesse muito rápido. Mas isso não o tornou muito bom nem muito ruim.
A história do livro fala sobre G.H., que tem que arrumar o quatro da empregada depois que ela pede demissão e descobre nele duas coisas: Um desenho na parede e uma barata.
Como ela interpreta os dois é bem impressionante, e algumas vezes consegui ler coisas que foram significativas e me fizeram refletir também.
Fiquei feliz por terminal logo o livro porque tenho um medo danado de baratas e as vezes as descrições que G.H. faziam dela (como seus olhos salgados, suas asas e, claro, a pasta branca) me deixavam com um pouco de paranoia em vários momentos do dia.
Algumas partes da história me deixaram com algumas dúvidas que eu não consegui resolver terminando o livro, e também fiquei muito curiosa para saber mais sobre a vida de G.H., mas sobre sua personalidade eu confesso que até me identifiquei um pouco com ela.
Mesmo assim, esse não seria um livro que eu indicaria ou leria novamente.
Preciso ler outra obra de Clarice Lispector para ver se não gostei do estilo da história ou do estilo da autora.
comentários(0)comente



Marília 21/01/2016

Conheci G.H. E gostei.
O livro se passa em torno de uma mulher, em um quarto, com uma barata. Dessa aparente simplicidade, somos testemunhas de um momento de epifania na vida de G.H., que começa a rever todos seus sentimentos, suas experiências, seus temores… Cada frase é uma bomba. E eu tinha medo disso. Leia mais da minha resenha no meu blog!

site: https://livrosflorindo.wordpress.com/2015/12/02/conheci-g-h-e-gostei/
comentários(0)comente



Bia Pupato 07/01/2016

Resenha: A Paixão Segundo G. H. - Book Bus
O livro relata a história de G.H. uma mulher de classe média que decide limpar o quarto da empregada e ao fazê-lo se depara com uma barata e esse encontro provoca uma revolução de pensamentos e proporciona a protagonista uma jornada repleta de questionamentos e autoconhecimento.

O texto é escrito como se G.H. contasse a história a alguém imaginário e ao ler você é conduzido pela torrente de pensamentos da personagem que vai compondo quadro a quadro o panorama da história, se apresentando ao leitor e se redescobrindo ao longo desse processo. Clarice é conhecida pela introspecção o que nesse livro fica explícito do começo ao fim, já que você tem a sensação de estar em meio aos pensamentos da personagem.

Esse é um livro bem intenso e de certa forma ele vai desmembrando a natureza humana e acaba por proporcionar uma viagem de autoconhecimento também para o leitor, porém não é um livro fácil de ler, mesmo que não seja grande em número de páginas, a complexidade do texto e a densidade do "aprofundamento em si mesmo", faz com que a leitura seja mais lenta, eu pelo menos levei mais tempo que o habitual para lê-lo.

Um fato interessante sobre o livro é que cada capítulo é iniciado pela última frase do capítulo anterior, dessa maneira é como se não houvesse pausas, aproximando ainda mais da ideia que você está preso continuamente em um fluxo de pensamentos. Particularmente, sou fã dos livros de Clarice, gosto da forma que ela consegue transformar os acontecimentos simples do cotidiano em algo revolucionador, mesmo que essa revolução seja apenas interna é como se os personagens reaprendessem a ver o mundo, e nesse livro G.H. reaprende não somente a ver o mundo, mas a ver a si mesma e consequentemente os leitores também provam um pouco disso.

site: http://bookbus1.blogspot.com.br/
comentários(0)comente



Gau 22/10/2015

Não consegui terminar!
O livro não funcionou pra mim.... Comprei por indicação de um canal no YouTube. Mas não consegui mergulhar na história, nem me identificar com a personagem principal. Extremamente monótono. . . só consegui ler até a metade!
comentários(0)comente



Rloschi 09/10/2015

Melhor livro
Para mim, um dos melhores livros que já li!!
comentários(0)comente



Júnia Oliveira 11/09/2015

A inquietude Lispectoriana
Em A Paixão Segundo G.H. Clarice mais uma vez nos mostra uma leitura desconfortável, inquietante e intensa. Se trata do eu, das ilusões do subjetivo e dos sacrifícios em direção à consciência do eu. Digo sacrifícios pois logo no começo do livro temos: "[...] É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me seja de novo a mentira de que vivo." (p. 10). Estamos tão acostumados ao comodismo e ao conforto do conhecido e seguro, e no entanto, Clarice nos propõe justamente o caminho contrário.
Ela trabalha com simbolismos e metáforas uma vez que o óbvio é cego. O entrelaçamento entre a realidade externa e o eu subjetivo são a dicotomia que se faz presente durante todo o livro.
Entretanto, cada leitor fará e cada leitura será diferente. São tantos aspectos apresentados que podemos nos perder em meio a tudo isso. Mesmo assim, esse livro é incrivelmente único e unicamente incrível.
comentários(0)comente



Vanessa bibliotecária 08/09/2015

zzz
Entediante.
comentários(0)comente

Samantha 19/09/2009minha estante
concordo absolutamente com vc, e ainda digo q não só não vi fundamento no q ela escreveu como cehguei a sentir náuseas (literalmente) com esse com esse livro.



tbm sou adepta da corrente: não leio mais, um outro começava com um maldito monólogo sobre um ovo.... , vá..... desculpe.... me empolguei.. rs


Luciana 23/01/2010minha estante
mas a propria Clarice disse que não era um livro fácil. Em uma entrevista ela disse que um professor universitário leu diversas vezes e nao entendia o livro, mas uma fa adolescente o amava e era seu livro de cabeceira.



As vezes, para ser honesta, acredito que todo livro tem seu momento certo em nossa vida. Se eu fosse ler machado de assis ou alvares de azevedo na adolescencia acredito que nao teria gostado e entendido ele, mas ao ler mais madura, anos depois, consegui entender melhor. Tem coisas que so quando temos a maturidade certa pra aceitarmos. Acho que esse livro se encaixa aqui tbm


Nanda 20/12/2012minha estante
Concordo plenamente com vc!
Abandonei o livro e não leio mais Clarice.
Acho os seus textos muito piegas...


Nádia C. 02/09/2015minha estante
que pena de ti... leia as outras resenhas que talvez entenderá que clarice ultrapassa qualquer entendimento. e como se a vida fosse em total compreensível e por isso você deixará de viver?




Clóvis Marcelo 04/09/2015

Ao terminar, comece novamente
Em sua grande maioria, os romances de Clarice Lispector são de cunho existencial, um monólogo intimista sobre fatos da vida. Sabendo disso, o enredo pode não ser convidativo ao leitor que gosta de histórias com tramas, estratagemas e personagens diversos. A paixão segundo G.H., sobretudo, (dos livros que pude ler até então), é o mais perturbador; falando do tudo e do nada numa cadência peculiar.

Tentarei o impossível: colocar em ordem os acontecimentos desse livro, bem como aquilo que ele quer demonstrar, mesmo que esse conteúdo possa ser apenas um aperitivo de sua matéria-prima.

Tudo começa quando G.H – uma mulher identificada apenas por essas iniciais e que vive numa cobertura – vai fazer uma faxina no quarto de serviço, após despedir sua empregada. Ao entrar no quarto se espanta com tamanha simplicidade na organização. Imaginava que o quarto estaria um muquifo, servindo apenas para abrigar entulhos quando, ao contrário, sua mobília é composta apenas por uma cama e um guarda-roupa.

Essa mudança causa certo desarranjo em G.H., principalmente quando ela enxerga, desenhado a carvão na parede do quarto, um homem, uma mulher e um cão. Como seria possível que em todo aquele tempo alguém que não ela mexesse na configuração de seu apartamento sem o seu conhecimento. Que afronta!

“Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.” Pág. 11

Sua surpresa estava perto de ser superada. Ao iniciar a limpeza, depara-se com uma barata. Tomada pelo nojo, acaba esmagando o inseto contra a porta do guarda-roupa. Acuada, notando que este se mantém vivo, relata o sentimento de perda da individualidade a partir do momento que afligiu o animal.

Não bastasse esmagar a barata, G.H. decide provar do seu interior branco. Fazendo isso, opera-se uma revelação. O inseto a apanhou em meio a sua rotina "civilizada", entre os filhos, afazeres domésticos e contas a pagar, e a lançou para fora do humano, deixando-a na borda do coração selvagem da vida.

“O que sempre me repugnara em baratas é que elas eram obsoletas e no entanto atuais. Saber que elas já estavam na Terra, e iguais a hoje, antes mesmo que tivessem aparecido os primeiros dinossauros, saber que o primeiro homem surgido já as havia encontrado proliferadas e se arrastando vivas, saber que elas haviam testemunhado a formação das grandes jazidas de petróleo e carvão no mundo, e lá estavam durante o grande avanço e depois durante o grande recuo das geleiras – a resistência pacífica. Eu sabia que baratas resistiam a mais de um mês sem alimento ou água. E que até de madeira faziam substância nutritiva aproveitável. E que, mesmo depois de pisadas, descomprimiam-se lentamente e continuavam a andar. Mesmo congeladas, ao degelarem, prosseguiam na marcha... Há trezentos e cinqüenta milhões de anos elas se repetiam sem se transformarem. Quando o mundo era quase nu elas já o cobriam vagarosas.” Pág. 47

A história se organiza em capítulos sequenciados – cada um começa com a mesma frase que serve de fechamento ao anterior. A interrupção, assim, é elemento de continuidade, numa representação simbólica do que é a experiência de G.H.

Trata-se de um longo monólogo em primeira pessoa (pela primeira vez Clarice escreveria assim), que se dá pelo fluxo de consciência ininterrupto. Sem nome, G.H. identifica-se com todos os seres em sua busca pessoal. Daí advém a teoria de muitos, sugerindo que a sigla refere-se ao Gênero Humano.

Este é um livro atemporal, que poderá sempre dar algo novo ao leitor. O que parece um monólogo é na verdade um diálogo entre a autora e seu leitor, que estará sempre disposto a reler e retirar novas ideais, inspirações e significados desse texto instigador.

“Esse desejo de encontrar o que resta do homem quando a linguagem se esgota move, desde o início, a literatura de Clarice. Mesmo sem ser um livro de inspiração religiosa, G.H. tem, ainda, um aspecto epifânico. Ao degustar a pasta branca que escorre da barata morta, a protagonista comunga com o real e ali o divino - a força impessoal que nos move - se manifesta. E só depois desse ato, que desarruma toda a visão civilizada, G.H. pode enfim se reconstruir.” José Castello

CITAÇÕES

“Mas era como uma pessoa que, tendo nascido cega e não tendo ninguém a seu lado que tivesse tido visão, essa pessoa não pudesse sequer formular uma pergunta sobre a visão: ela não saberia que existia ver. Mas, como na verdade existia a visão, mesmo que essa pessoa em si mesma não a soubesse e nem tivesse ouvido falar, essa pessoa estaria parada, inquieta, atenta, sem saber perguntar sobre o que não sabia que existe - ela sentiria falta do que deveria ser seu.” Pág. 135

“E isso era aterrador, eu sempre tive medo de ser fulminada pela realização, eu sempre havia pensado que a realização é um final – e não contara com a necessidade sempre nascente.” Pág. 173


site: http://defrentecomoslivros.blogspot.com/2015/09/a-paixao-segundo-gh-resumo-e-impressao.html
comentários(0)comente



@raizaxavier 12/08/2015

Várias sensações
Um livro para ser sentido! Antes de querer entender a história literalmente, sinta primeiro e a experiência se tornará mais incrível.
comentários(0)comente



Adriana Scarpin 04/08/2015

A simbologia neste livro é sublime e Clarice escolhe as palavras lindamente, mas por conta dessa coisa que esse livro deveria ser lido na maturidade, esperei a idade e bagagem cultural adequada, mas não devia tê-lo feito, creio que esse tipo de epifania me agradaria mais quando eu estava na faixa dos vinte anos.
comentários(0)comente



Moo 07/07/2015

Intenso.
Um livro cheio de intensidades. Parece um parto. Um parto de si mesmo.
Não entendi muita coisa. Entretanto, senti muito.

"Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar.
Estou desorganizada porque perdi o que não precisava?"
comentários(0)comente



Kelly 02/07/2015

Eu tinha certo receio de Clarice Lipector por ter lido "Felicidade clandestina" por obrigação para o vestibular. Penso que naquela ocasião, eu não estava preparada para Clarice. Não só no aspecto da idade, pois eu já era até bem "velha", rsrs, mas também por não estar com a alma pronta, no momento correto, nem com a expectativa certa. Então resolvi pegar novamente Clarice, agora com "A paixão segundo G. H", que ouvi dizer ser uma das suas obras primas. Ainda bem que fiz isso. Diria que foi uma das melhores reconciliações da minha vida. "A paixão segundo G.H" para mim foi uma experiência sensorial, filosófica e literária. A história seria banal, se não fosse a escrita de Clarice, e não fosse o mergulho que ela nos faz dar na alma de G.H.
G. H. é uma mulher, aparentemente rica, eu a percebi até meio esnobe. Essa mulher está numa fase e num dia de especial reflexão sobre sua vida, seu mundo, sobre como ela se mostra para os outros, etc. Então, ela resolve fazer uma faxina na sua casa, começando pelo quarto da empregada que foi embora. Chegando lá, ela se depara com um local totalmente diferente do que ela imaginava. Ela pensava que aquele quarto ia ser escuro, sujo, entulhado, e o que ela vê é uma limpeza, um cuidado que ela não imaginava. Nesse momento ela encontra o outro, o desconhecido, aquilo que ela sempre procurou manter distante. E essa qualidade, essa clareza, essa limpeza e brilho do outro a chocam de uma maneira que faz desabrochar uma verdadeira torrente de pensamentos. Principalmente ao ver na parede do quarto um desenho mal feito, onde ela se enxerga a si mesma através do olhar daquele mesmo outro que ela desconhecia. A partir daí ela começa a pensar em como esse desconhecido a vê, em como ela construiu sua aparência para os outros. E ao abrir o guarda roupa ela encontra uma barata. G. H., como muitas mulheres tem pânico de baratas. Eu não tenho nenhum problema com baratas, então nesse sentido foi super tranquilo pra mim... hehe.
A partir desse encontro com a barata que ela esmaga na porta, ela começa a descrever a morte do bicho muito detalhadamente, e essa morte e a própria vida anterior da barata a levam a fazer reflexões muito cruas e puras sobre toda sua vida. Sobre morte, Deus, amor, rejeição, perda. E é um desespero. Por vezes eu me sentia como sendo puxada. G. H nos convida a dar a mão a ela para que ela possa seguir esse caminho. E nesse "dar a mão" eu me senti sendo puxada e levada por uma maré poderosa, muito além da linguagem. É uma cena muito rápida, muito banal, mas que G. H. transforma numa revelação. Ali ela pensa no que é Deus, no que é sua vida, no que é seu corpo, no que são os outros, no amor, enfim.
Acredito que a "paixão" se deva ao fato dessa revelação ser um tão desesperado encontro com aquilo que mais nos define, que mais nos faz mal, que mais nos assusta, e que pode ser chamado de paixão. Afinal o que é paixão senão isso, o encontro com o limite entre o humano e o divino, entre a vida e a não vida...?
Foi uma experiëncia! Não serei capaz de falar em tons acadêmicos sobre o texto. Posso falar sobre o que eu senti. Posso dizer que G. H. me puxou pra dentro de si, e que ela me mudou, pois muitas das reflexões dela eram também as minhas. A conclusão é uma desesperança, uma não chegada a lugar nenhum, e algumas descobertas. E no fundo, um certo alívio por podermos voltar a vida cotidiana, e fugir desse encontro com o nosso eu, que nos persegue e nos aterroriza. Um livro para reler muitas vezes.
comentários(0)comente



145 encontrados | exibindo 46 a 61
4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10