A Paixão Segundo G.H.

A Paixão Segundo G.H. Clarice Lispector




Resenhas - A Paixão Segundo G.H.


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Cris Lasaitis 27/12/2010

http://cristinalasaitis.wordpress.com

Leio e releio sem cansar. Em matéria de ficção, A Paixão Segundo G.H. é um dos livros mais diferentes que o leitor pode experimentar. No nível superficial, a história é esdrúxula: uma mulher solitária faz a arrumação no seu apartamento, quando encontra uma barata no armário e a mata. E daí? E daí que nas entranhas dessa microscópica ação o universo inteiro palpita enquanto fala a voz interior dessa mulher. O assassinato da barata desencadeia uma saga subjetiva: uma imensa viagem interna por galáxias de sentimentos e ressignificações, tentativas de colocar em palavras aquilo que transcende à própria linguagem, uma busca de sentido, e no sentido, a liberdade de existir – o momento de epifania. Algumas pessoas acham este livro abstrato demais, outras se fascinam pelo alcance de tal abstração; para mim é uma das reflexões mais elevadas de toda a literatura (ao lado de De Profundis, do Oscar Wilde). Sempre que me sinto paralisada com ideias que não consigo formular, peço ajuda à G.H. e, especialmente, à Clarice, que são as melhores evidências de que não há nada que não possa ser colocado em palavras.
Ricardo Rocha 19/08/2014minha estante
se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele.




Izabela 29/09/2010

A não ser que você seja obrigado(a) pela escola a ler esse livro, aconselho a escolher outro melhor para passar o tempo.
Achei PÉSSIMO, horrível, entediante.
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Fábia Zuanetti 10/08/2010

AH, ESSAS PROVAÇÕES!
Nome: A PAIXÃO SEGUNDO G.H.
Autora: Clarice Lispector [maravilhosa!]
Porquê: “Provação: significa que a vida está me provando. Mas provação: significa que eu também estou provando. E provar pode se transformar numa sede cada vez mais insaciável”. Li esta frase em algum lugar e ela foi o suficiente para que eu quisesse ler o livro todo.
O livro em um tweet: G.H toma uma atitude incomum. À partir disso, todas as suas certezas desmoronam e várias questões surgem para que ela possa descobrir quem realmente é.
Páginas: 179
Editora: Rocco
Curiosidade: A história possui apenas uma personagem no momento presente dos acontecimentos, a G.H. Outros aparecem apenas nas lembranças da narradora.
Complemento: Criaram um perfil no Twitter com o nome da Clarice. Com frequência postam algumas de suas melhores citações. Dê um follow e se delicie: @clalispector
Avaliação: 8



A OBRA:


G.H. mora sozinha em um grande apartamento. Certo dia, sua empregada despede-se e G.H. se vê tendo que fazer a faxina, inclusive, no quarto da ex-empregada. Ao entrar, depara-se com um universo completamente diferente de todos os ambientes do apartamento. O cubículo é todo branco, arejado e com móveis simples. Diferente de sua sala úmida, sem luz solar e erma.

Ao explorar o pequeno quarto, G.H., após abrir a porta do velho e gasto guarda-roupa, se encontra frente a frente com um dos seus maiores temores: uma barata.

Inicialmente, G.H. fica paralisada. Depois, amedrontada. Em seguida, entra em pânico. Em um ato de coragem, fecha a porta do guarda-roupa prendendo a barata com metade do corpo (barata tem corpo? casca?) pra fora e outra metade pra dentro do armário. Ao observar o inseto, uma série de pensamentos e questionamentos começam a passar em sua mente.

O interessante deste livro não é este enredo aparentemente simples. Na verdade, ao decorrer desta situação, a protagonista, G.H., passa a fazer inúmeros questionamentos sobre a barata, depois sobre si mesma. Todas as certezas que ela tinha até aquele instante desmoronam. Ela já não sabe mais quem é e porque está nesta vida.

Eu diria que as dúvidas da personagem fazem parte de uma verdadeira filosofia. Ela inicia com questões básicas, como “quem sou eu? por que estou aqui? qual o sentido da vida?”. Depois, começa a refletir sobre questões mais complexas da vida.

Clarice Lispector esbanja talento ao descrever e expressar sentimentos e ações humanas. A sua escrita é tão fascinante e tão real que, muitas vezes, me peguei fazendo expressão de nojo ao ler sobre a grande e velha barata presa na porta do armário. Outras vezes, vi a história como uma grande metáfora da vida sobre o adquirir e o não adquirir conhecimento. Separei um breve trecho para você:



“Perdi uma coisa que me era essencial, e que já não é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer precisar me procurar. E agora, estou desorganizada porque perdi o que não precisava?”



Gostou da resenha? Não gostou da sugestão? Achou muito curto? Muito longo?

Por favor, comente abaixo para que eu possa fazer melhor da próxima vez! ;)

Lembrando que, além do Skoob, você também pode me encontrar em:

zuanettif@gmail.com
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e

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http://blogs.abril.com.br/mental/ [em breve]


Um grande beijo e até a próxima.
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*Carina* 03/07/2010

Uma mulher mata uma barata. Dito assim, fica difícil acreditar que esse livro possa ser bom. Realmente, bom não é o adjetivo que usaria para "A paixão segundo G.H.". Eu diria - estou dizendo, aliás - que é um livro intenso, cortante, angustiante, demasiadamente lindo e absolutamente aterrador. Tenho sempre muita dificuldade em falar sobre leituras como essa, leituras que me tomam e me transformam, das quais não consigo apreender nenhum conceito ou saber, mas apenas vivo-as como se fossem parte de mim. E sobre "A paixão segundo G.H." o que tenho a dizer é que foi uma leitura mortificante. Morri com a barata que G.H. esmagou, e voltei à vida com as palavras da mesma G.H. - mas minha vida nunca mais foi a mesma.
Citando Clarice (que diz de mim melhor do que eu jamais poderei fazer): "Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável."
Leiam. Deixem partes de si pelo caminho. É preciso morrer um pouco para, então, viver.
Pris 10/11/2010minha estante
É preciso morrer um pouco para, então, viver.


Jacy 31/07/2012minha estante
"...assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável." depois de ler essa frase fiquei louca para ler o livro. Parabéns pela sua ótima resenha!


Juh 14/12/2012minha estante
Mesmo ele sendo confuso demais ele te faz refletir sobre tudo, mas se ele não fosse confuso ele não seria escrito por Clarice




Dinhö 23/06/2010

livro de cabeceira
Minha "bíblia" por quase 5 vezes. Quando li pela 1ª vez, não entendi quase nada, mas sentia que tinha ali algo de que precisava. Algo que falava de algo que eu não percebia racionalmente, mas que sentia intuitivamente.

Uma obra prima que fala da total desconstrução do ser humano frente ao mundo. Versa sobre as miudezas insignificantes que formam o ser insignificantes de somos. Leva-nos pela mão a habitar o nosso lado selvagem e, propositalmente, desconhecido.

Não é leitura fácil, mas que vale cada uma das batalhas travadas página a página.

have a good fight!



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Silvana (@delivroemlivro) 14/05/2010

G.H.
Honestamente se esse livro não fosse escrito por quem foi eu o teria abandonado no primeiro parágrafo em que a barata aparece. Mas o texto dela é algo incrível! Quase hipnotizante!!! Recomendo com a ressalva de que a trama não é o atrativo dessa obra e sim a maestria, a magia das palavras de Clarice Linspector.
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Viviany 24/04/2010

"A paixão segundo GH", de Clarice Lispector

Você é daqueles sujeitos profundos. Não que se acham profundos – profundos mesmo. Devido às maquinações constantes da sua cabecinha, ao longo do tempo você acumulou milhões de questionamentos. Hoje, em segundos, você é capaz de reconsiderar toda a sua existência. A visão de um objeto ou uma fala inocente de alguém às vezes desencadeiam viagens dilacerantes aos cantos mais obscuros de sua alma. Em geral, essa tendência introspectiva não faz de você uma pessoa fácil de se conviver. Aliás, você desperta até medo em algumas pessoas. Outras simplesmente não o conseguem entender.
Assim é também "A paixão segundo GH", obra-prima de Clarice Lispector amada-idolatrada por leitores intelectuais e existencialistas, mas, sejamos sinceros, que assusta a maioria. Essa possível repulsa, porém, nunca anulará um milésimo de sua força literária. O mesmo vale para você: agrada a poucos, mas tem uma força única.
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Taryne 15/04/2010

Não estava pronta para ler este livro quando comecei há 2 anos, mas pretendo me testar, pegar para ler novamente algum dia e ver se amadureci perante toda aquela angústia e perturbação presentes na obra. Até meu pavor de baratas diminuir, ainda não é o momento... hehehe.
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Ruth 23/02/2010

Baratas.
Sei que o estilo dela é o surrealista e tal, mas é cansativo, repetitivo ao extremo, e não entendi a fixação exagerada nas baratas. Espero não ter que ler de novo. É peçonhento.
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Gabi 08/02/2010

Clarice até agora...
Clarice Linspector, em sua prosa voraz por cadências e associações de própria verve, estimula seus leitores a acompanhá-la pela história de uma mulher culta e rica que se enfastia da vida, encontrando uma barata e logo iniciando com ela um diálogo póstumo e fecundo em reflexões e percepções autofágicas.

Em certa forma, os temas e questionamentos não gravitam propriamente do que se viu, sentiu e conheceu, ou seja, sua experiência como individuo único no mundo; mas de modos de desbravá-lo na mais crua e neutra aproximação liminar com as coisas que a protagonista importam.

Ela, por sua vez, se coloca o dilema inexpugnável de consumir o cadáver do inseto a partir de um senso de responsabilidade em ter sido ela a dar cabo a vida a quem atribui grande estima e afeto. O mundo que ela escolheu viver é soberano e prospero nas margens de temas, cheiros, alianças, identidades, papeis, Eu, gravidez, violência; e, no entanto, não deixo de pensar quem ou o que come um ao outro neste maravilhoso livro que abre para o necessário e convicto posicionamento da protagonista perante o mundo.

Penso na insignificância do dialogo com a barata já morta. Sinto que ele serve mais de plataforma para nossas próprias reflexões, alguma espécie de carta aberta as mentes que procuram meios e modos de se expressar livremente. Sim, a barata se transforma em alguém ou algo que a ampara e a projeta em direções nunca antes imaginadas de labirintos sem fim e espelhos convexos.

A jornada que este livro proporciona é gratificante, e as promessas de qualquer redenção nula. Vejo assim por que até agora para mim tem sido uma leitura arrastada tanto pelo desconforto das descobertas - que nao consigo parar de considerá-las como verdadeiras -, como pelo escárnio abjeto, oco e neutro da condicao humana, porém nunca indiferente: fio condutor da narrativa desta grande autora.


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Bell 16/01/2010

A Paixão de G.H nada mais é do que a Paixão de todo o Gênero Humano. Acompanhamos o processo de uma mulher se despindo das suas limitações humanas. Limitações que estamos tão acostumados a ver como provas de superioridade da nossa espécie, tal como a linguagem, a racionalidade, a individualidade, a civilização, mas que no fundo nos afastam da vida pura e simples, da matéria que somos feitos.


G.H (a personagem, todos nós) tão impregnada de "civilização" que não reconhece outra mulher como sua igual por causa de preconceitos de cor e classe social (tudo isso inventado por nós), indo mais além ela não reconhece a barata como seu igual (mas não somos todos animais?). A barata é feia? Mas feia por si só ou porque não condiz com o conceito de beleza que o homem criou? A barata é nojenta? Nojenta por si só ou porque vive nos lixos e esgotos que o homem criou? A barata que existia muito antes de nós vivia no lixo? Ela era, então, nojenta? Despida do nosso conceito ela nada difere de nós em sua composição, em sua ânsia por sobreviver, em sua primitividade.


Clarice a coloca até como acima de nós em sua integração com a natureza, com o divino, enquanto nós nos afastamos com a ilusão de superioridade. Inversão assim dos nosso valores culturais já vistos como "naturais" me fez lembrar um dos trechos mais lindos que já li da Insustentável Leveza do Ser quando acompanhamos Tereza e Karenin (http://www.svbpoa.org/index.php?Itemid=28&id=332&option=com_content&task=view)


Se no começo a narradora faz o possível para nos incutir o nojo à barata, no final procura fazer com que aceitamos a integração, que percamos o nojo. Mas será que alguém consegue chegar ao fim do livro sem ainda sentir esse nojo? Quem dera nos despir de preconceito fosse fácil, o drama de GH por páginas e páginas é doloroso, cruel, místico, confuso e inumano, e mesmo assim, nem ela consegue cruzar a linha da humanidade com total desapego, com total abandono.


As palavras que abrem o livro já diz tudo, há uma época certa pra ler Clarice, não desista se ainda não for a sua, retome-a depois, entregue-se ao livro como G.H. se entregou à barata, você só tem a ganhar.

"A POSSÍVEIS LEITORES

Este livro é como um livro qualquer.
Mas eu ficaria contente se fosse lido apenas por pessoas de alma já formada.
Aquelas que sabem que a aproximação, do que quer que seja, se faz gradualmente e penosamente - atravessando inclusive o oposto daquilo que se vai aproximar. Aquelas pessoas que, só elas, entenderão bem devagar que este livro nada tira de ninguém.
A mim, por exemplo, o personagem G. H. foi dando pouco a pouco uma alegria difícil; mas chama-se alegria."

C.L.
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Brisa 15/01/2010

Melhor livro que já li em toda minha vida. Ler Paixão segundo G.H não é apenas ler um livro, é dialogar diretamente com a alma da Clarice, que é muito parecida com a minha.
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FRENTE 17/10/2009

No livro A Paixão Segundo G. H. é quase impossível não fazer uma reflexão sobre quem somos e a o que pertencemos, e nos faz iniciar a busca do sentido de estar nesse trecho de vida. É incrivel como Clarice toca na parte mais confusa do ser humando que é a busca de se enteder e poder seguir algum caminho que faça sentido. E a quem nunca se preocupou com essa questão, o livro traz à tona, com a rapidez de um momento, o grande vazio que há nesse mistério que é a estar vivo.
Como sempre Clarice nos arranca da surpeficialidade de respirar e tenta nos mostrar todo o resto ao qual viver faz parte.
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Lacerda 13/10/2009

Obra inquietante, angustiante e intrigante de Clarice. A personagem revela uma inconsistência e uma busca por ela mesma; procura entender quem é ela e consegue um questionamento quando se depara com seu asco e temor - a barata.
O confronto sobre o medo, sobre a solidão, sobre o que é ser humano acompanham os pensamentos da personagem ao longo do livro e não há uma sequência lógica. Segue o mesmo padrão de outros tantos de Lispector, o fluxo da consciência.
De profunda ressonância existencialista, e ao mesmo tempo portadora de um permanente exercício de esvaziamento ontológico; pode ser considerada iluminação ou radical ajuizamento crítico sobre a condição humana.
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Juliano Rossin 07/10/2009

Não existe sinônimo para Clarice. Clarice é Clarice e ponto.
A paixão segundo GH não é um livro fácil de se ler (me fez lembrar de Virginia Woolf). As vezes a leitura flui bem com todo seu significado e sua complexidade, e as vezes os pensamentos confusos da persongem confundem a gente tb e é aí que a coisa toda não fica fácil. Mas o mínimo que se consegue sorver do livro ja é o bastante pra se ter grande significado e mudar muita coisa na vida da gente. E é por isso que vale a pena, mesmo sabendo que daqui a algum tempo vou ter que relê-lo para encontrar novos significados.
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