A Paixão Segundo G.H.

A Paixão Segundo G.H. Clarice Lispector




Resenhas - A Paixão Segundo G.H.


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Brisa 15/01/2010

Melhor livro que já li em toda minha vida. Ler Paixão segundo G.H não é apenas ler um livro, é dialogar diretamente com a alma da Clarice, que é muito parecida com a minha.
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Têco 01/09/2009

Um despertar, de uma nova consciência e ser, que é a vida
Genial. Mostra a diferença do existir para o viver, que é interno e vem de dentro pra um novo um novo contato com a realidade e estado de espírito que é verdadeiro.

Ensina o desprendimento e a coragem, o amor, o agora, a vida, o enxergar "de verdade", a realidade, seu verdadeiro contato, o perdão em si, mostra o que é o ser quem é.

Interessante ver "O Poder do Agora" do Eckhart Tolle e excertos ou obras de Jiddu Krishnamurti.

Excelentemente fantástico ver isso na literatura, de forma literária, revelando pessoas comuns, despertando, "entrando na realidade e verdade", vida, transcendência, encontrando a liberdade, que vem de dentro.

Talvez prevendo um futuro, revelando um futuro, sendo pioneiro e de vanguarda, um livro escrito em 1964 e em sintonia com o antigo "misticismo" oriental do budismo, taoísmo e afins (ou então "a verdade" do cristianismo, "enxergado com olhos de verdade e realidade", "com tato", "percepção que é vida", mas que por mais que "seja amorfo" ("pouco explorado", "pouco compreendido", pelos homens, para a transformação de si na sua mais pura essência e sabedoria de atos e atitudes norteando sua verdadeira consciência; o que se acontecesse a sociedade, esta bem visível no livro de Clarice, seria transformada) claro que tem o seu papel, mas que tomara que por ele também se sinta e traga, pelo menos por um instante, o que é a vida..., que a física quântica "acolheu" (o budismo, taoísmo, e afins).
Têco 12/12/2011minha estante
Genial, aprendizado do dia. Imagine em pessoas e personalidades.:


"Dá-me a tua mão: Vou agora te contar como entrei no inexpressivo que sempre foi a minha busca cega e secreta. De como entrei naquilo que existe entre o número um e o número dois, de como vi a linha de mistério e fogo, e que é linha sub-reptícia. Entre duas notas de música existe uma nota, entre dois fatos existe um fato, entre dois grãos de areia por mais juntos que estejam existe um intervalo de espaço, existe um sentir que é entre o sentir ? nos interstícios da matéria primordial está a linha de mistério e fogo que é a respiração do mundo, e a respiração contínua do mundo é aquilo que ouvimos e chamamos de silêncio"


Têco 12/12/2011minha estante
Do horizontal (aprendizado cultural) ao vertical (aprendizado espiritual, de sabedoria), do vertical (espiritual) ao horizontal (cultural, também inclusos o "cult" e o "erudito"), sempre se chega a um ponto de centro e eles são misturados. O livro te mexe pra todos lados, posições, mexe, remexe, vira, revira, avesso, desavesso, verso, inverso, afim de cehgar num quê cultural e emocional, mais ligados ao horizontal, e num vertical espiritual que puxa "para um centro" (são vários os centros) mais que aquele. Mas, como a autora diz no prefácio, "que é um livro pra quem está preparado, maduro", e outras ademais, ele puxa e direciona mais numa verticalidade, de amor, de luz, de atemporal, e aí de um equilíbrio. Mas não é tão simples assim, o próprio título do livro é "A Paixão Segundo...". Estou vendo que a Clarice mexe com tanta gente, pessoas diversas, borbulhar de personalidades, emoções, estados de espírito, pensamentos, razões, ideias, mexe num inexplorado seu e quase certamente. Acho que este livro, como a autora fala no prefácio, é um pouco mais a frente. No sentido da verticalidade que mencionei. Não é o que se trata, ou talvez, talvez ela quis fazer um mix disto pra tocar emoções: Paixão, com uma paixão como diz o espiritualista Krishnamurti, "paixão que liberta", num sentido de entusiasmo e vitalidade. Vou reler, e, po, não sei o que me espera.


Têco 12/12/2011minha estante
E este equilíbrio que seja um ponto interno, chamado "do ser" e "ser". O "é". Que te trás propulsão, leveza, coragem, um "linha de frente". Um agir meditativo.




Clóvis Marcelo 04/09/2015

Ao terminar, comece novamente
Em sua grande maioria, os romances de Clarice Lispector são de cunho existencial, um monólogo intimista sobre fatos da vida. Sabendo disso, o enredo pode não ser convidativo ao leitor que gosta de histórias com tramas, estratagemas e personagens diversos. A paixão segundo G.H., sobretudo, (dos livros que pude ler até então), é o mais perturbador; falando do tudo e do nada numa cadência peculiar.

Tentarei o impossível: colocar em ordem os acontecimentos desse livro, bem como aquilo que ele quer demonstrar, mesmo que esse conteúdo possa ser apenas um aperitivo de sua matéria-prima.

Tudo começa quando G.H – uma mulher identificada apenas por essas iniciais e que vive numa cobertura – vai fazer uma faxina no quarto de serviço, após despedir sua empregada. Ao entrar no quarto se espanta com tamanha simplicidade na organização. Imaginava que o quarto estaria um muquifo, servindo apenas para abrigar entulhos quando, ao contrário, sua mobília é composta apenas por uma cama e um guarda-roupa.

Essa mudança causa certo desarranjo em G.H., principalmente quando ela enxerga, desenhado a carvão na parede do quarto, um homem, uma mulher e um cão. Como seria possível que em todo aquele tempo alguém que não ela mexesse na configuração de seu apartamento sem o seu conhecimento. Que afronta!

“Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação.” Pág. 11

Sua surpresa estava perto de ser superada. Ao iniciar a limpeza, depara-se com uma barata. Tomada pelo nojo, acaba esmagando o inseto contra a porta do guarda-roupa. Acuada, notando que este se mantém vivo, relata o sentimento de perda da individualidade a partir do momento que afligiu o animal.

Não bastasse esmagar a barata, G.H. decide provar do seu interior branco. Fazendo isso, opera-se uma revelação. O inseto a apanhou em meio a sua rotina "civilizada", entre os filhos, afazeres domésticos e contas a pagar, e a lançou para fora do humano, deixando-a na borda do coração selvagem da vida.

“O que sempre me repugnara em baratas é que elas eram obsoletas e no entanto atuais. Saber que elas já estavam na Terra, e iguais a hoje, antes mesmo que tivessem aparecido os primeiros dinossauros, saber que o primeiro homem surgido já as havia encontrado proliferadas e se arrastando vivas, saber que elas haviam testemunhado a formação das grandes jazidas de petróleo e carvão no mundo, e lá estavam durante o grande avanço e depois durante o grande recuo das geleiras – a resistência pacífica. Eu sabia que baratas resistiam a mais de um mês sem alimento ou água. E que até de madeira faziam substância nutritiva aproveitável. E que, mesmo depois de pisadas, descomprimiam-se lentamente e continuavam a andar. Mesmo congeladas, ao degelarem, prosseguiam na marcha... Há trezentos e cinqüenta milhões de anos elas se repetiam sem se transformarem. Quando o mundo era quase nu elas já o cobriam vagarosas.” Pág. 47

A história se organiza em capítulos sequenciados – cada um começa com a mesma frase que serve de fechamento ao anterior. A interrupção, assim, é elemento de continuidade, numa representação simbólica do que é a experiência de G.H.

Trata-se de um longo monólogo em primeira pessoa (pela primeira vez Clarice escreveria assim), que se dá pelo fluxo de consciência ininterrupto. Sem nome, G.H. identifica-se com todos os seres em sua busca pessoal. Daí advém a teoria de muitos, sugerindo que a sigla refere-se ao Gênero Humano.

Este é um livro atemporal, que poderá sempre dar algo novo ao leitor. O que parece um monólogo é na verdade um diálogo entre a autora e seu leitor, que estará sempre disposto a reler e retirar novas ideais, inspirações e significados desse texto instigador.

“Esse desejo de encontrar o que resta do homem quando a linguagem se esgota move, desde o início, a literatura de Clarice. Mesmo sem ser um livro de inspiração religiosa, G.H. tem, ainda, um aspecto epifânico. Ao degustar a pasta branca que escorre da barata morta, a protagonista comunga com o real e ali o divino - a força impessoal que nos move - se manifesta. E só depois desse ato, que desarruma toda a visão civilizada, G.H. pode enfim se reconstruir.” José Castello

CITAÇÕES

“Mas era como uma pessoa que, tendo nascido cega e não tendo ninguém a seu lado que tivesse tido visão, essa pessoa não pudesse sequer formular uma pergunta sobre a visão: ela não saberia que existia ver. Mas, como na verdade existia a visão, mesmo que essa pessoa em si mesma não a soubesse e nem tivesse ouvido falar, essa pessoa estaria parada, inquieta, atenta, sem saber perguntar sobre o que não sabia que existe - ela sentiria falta do que deveria ser seu.” Pág. 135

“E isso era aterrador, eu sempre tive medo de ser fulminada pela realização, eu sempre havia pensado que a realização é um final – e não contara com a necessidade sempre nascente.” Pág. 173


site: http://defrentecomoslivros.blogspot.com/2015/09/a-paixao-segundo-gh-resumo-e-impressao.html
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Adriano 28/10/2017

Fala demais por não ter nada a dizer
Uma narrativa sem narração, é disso que se trata este livro. Quase nada acontece, o livro inteiro é uma sequência de impressões sobre a vida, o que torna a leitura extremamente exaustiva. Talvez, se eu estivesse passando por uma crise existencial ou algum tipo de depressão, absorveria melhor a leitura. As ideias se repentem e vão se repetindo até o final, num verdadeiro teste de paciência.
Voltando ao tempo, quando eu ainda ouvia as falas do Leandro Karnal (o que já não acontece, ainda bem), vi que ele considerava esse livro um dos mais importantes de sua vida. Eu acredito, pois ao que parece, é uma vida de impressões, não de ações.
Aos que forem ler: tenham muita paciência e saibam que nada acontece. Fica o desafio.
Nanso 19/03/2018minha estante
Porra Adriano, claramente se não entendeu nada


Ricardo 02/06/2018minha estante
Resenha corajosa, parabéns.


Marina 08/06/2018minha estante
nada acontece?????
caramba como assim? você tem certeza que leu o livro?

TUDO ACONTECE!!!


Pri 12/06/2019minha estante
Totalmente de acordo.




Danielle 19/08/2009

Lerei novamente com outros olhos, quem sabe assim eu não entenda Clarice?
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Vanessa bibliotecária 10/09/2009minha estante
Desculpe, amiga, mas não perco mais meu tempo tentando entender essa perturbada...


Bell 16/01/2010minha estante
Tá, broba, a gente te perdôoa, mas lamenta claro... Não desista Dany, um dia volte a pegar esse livro, talvez seja melhor começar com outro livro da autora, pq esse é mais chocante mesmo e mais confuso.




Fernanda.Kaschuk 18/08/2018

Somos o que comemos, e amamos quando somos.
Umas da obras primas de Clarice, A Paixão Segundo GH é de longe um dos romances mais inconvenientes que já li. Mesmo tendo em meu histórico alguma leitura de Clarice, algum conhecimento de filosofia e literatura, jamais esperaria o rumo que se tomaria essa história, muito menos a julgar pelo seu título. Mas o que me prende em Clarice é justamente a surpresa, a descoberta do mundo pelos olhos de uma criança curiosa, que se debruça sobre si própria com a confiança da constante mudança, que a cada segundo que passa descobre-se mais sobre si e sobre o mundo. A Paixão Segundo GH é a metamorfose de Clarice, de um ser para um ser mais ainda, tanto que não é nada: uma humanidade que transcende as lacunas temporais, e desvela o segredo divino do pré humano.
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Bia Pupato 07/01/2016

Resenha: A Paixão Segundo G. H. - Book Bus
O livro relata a história de G.H. uma mulher de classe média que decide limpar o quarto da empregada e ao fazê-lo se depara com uma barata e esse encontro provoca uma revolução de pensamentos e proporciona a protagonista uma jornada repleta de questionamentos e autoconhecimento.

O texto é escrito como se G.H. contasse a história a alguém imaginário e ao ler você é conduzido pela torrente de pensamentos da personagem que vai compondo quadro a quadro o panorama da história, se apresentando ao leitor e se redescobrindo ao longo desse processo. Clarice é conhecida pela introspecção o que nesse livro fica explícito do começo ao fim, já que você tem a sensação de estar em meio aos pensamentos da personagem.

Esse é um livro bem intenso e de certa forma ele vai desmembrando a natureza humana e acaba por proporcionar uma viagem de autoconhecimento também para o leitor, porém não é um livro fácil de ler, mesmo que não seja grande em número de páginas, a complexidade do texto e a densidade do "aprofundamento em si mesmo", faz com que a leitura seja mais lenta, eu pelo menos levei mais tempo que o habitual para lê-lo.

Um fato interessante sobre o livro é que cada capítulo é iniciado pela última frase do capítulo anterior, dessa maneira é como se não houvesse pausas, aproximando ainda mais da ideia que você está preso continuamente em um fluxo de pensamentos. Particularmente, sou fã dos livros de Clarice, gosto da forma que ela consegue transformar os acontecimentos simples do cotidiano em algo revolucionador, mesmo que essa revolução seja apenas interna é como se os personagens reaprendessem a ver o mundo, e nesse livro G.H. reaprende não somente a ver o mundo, mas a ver a si mesma e consequentemente os leitores também provam um pouco disso.

site: http://bookbus1.blogspot.com.br/
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SILVIA 12/03/2017

Fiquei um pouco decepcionada
Meus comentários estão no site.

site: http://reflexoesdesilviasouza.com/livro-a-paixao-segundo-g-h-de-clarice-lispector/
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Deni San 10/11/2017

GH e Janair
Particularmente não me encanto com os textos de Clarice. Para o meu gosto falta rebeldia. A mesma falta de rebeldia que me faz bocejar diante dos livros de Jane Austen, o que, de maneira nenhuma, depõe contra sua qualidade literária. Contudo, o tom de conformismo e adaptação de seus personagens (Jane) e a tentativa de entender-se com a intenção de adaptar-se (Clarice) me causam profunda irritação.
Decidi ler A Paixão Segundo GH por obrigação literária, eu não poderia deixar de ler um clássico por pura preguiça ou preconceito, seria imperdoável.
Começo o livro com uma GH entediada. Ela não tem conflitos, sua vida é tranquila. Ela tem amigos, não lhe falta dinheiro para seus pequenos prazeres. Mas falta algo, alguma coisa que mexa com a sua vida, o que ela vai chamar nesse momento de sua tragédia.
GH começa a pensar sobre si e em sua vida. Essa análise, a meu ver, vai somente até onde o olho vê. Ela não sabe dizer claramente o que a incomoda, muito menos o que lhe falta. Então, num arroubo de ousadia, ela comete o ato transgressor de jogar um cigarro aceso na área dos fundos de seu prédio. Confesso que por duas vezes abandonei o livro nessa parte. É absurdo o átimo de segundo que nos separa de uma grande descoberta. Determinada, dessa vez avancei e descobri o quarto.
GH que considera seu apartamento um reflexo, ou melhor, uma extensão de si, depara-se com um intruso, a presença de Janair. O choque diante do inesperado, a raiva diante do atrevimento daquela mulher são magistralmente descritos por Clarice. Janair não só ousou mudar o que foi destinado a ela, mas também deixou sua marca. Ela, que não passava de uma empregada doméstica, um ser invisível aos olhos da patroa distraída, assume agora ares de rainha africana. GH a odiava.
GH jamais fora questionada além de seu círculo de relacionamentos, não havia confronto em sua vida, até Janair. A raiva e o desconforto deixam as portas abertas para a chegada da barata. Neste momento uma profusão de questionamentos filosóficos e espirituais a arrebatam para uma viagem do EU. Uma viagem intensa com questionamentos profundos e verdadeiros.

A Paixão segundo GH é uma obra maravilhosa que, felizmente, meu preconceito não roubou de mim.
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Karoline 05/08/2016

Comentário
Um bom libro para quem está em desconstrução...
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May 01/08/2016

É fascinante como Clarice consegue expressar todos as dúvidas e ânsias que se tem a busca humana por ser e sentir a vida, de fato. Nesse livro em particular, dentre os livros que li dela, ela possui uma maior atenção pra falar de sua visão de Deus, ou da visão da personagem; uma das passagens mais belas do livro.
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Marly Cruz 02/02/2018

A paixão segundo G.H.
Ela come uma barata viva.
Pri 12/06/2019minha estante
Cadê alerta de spoiler?




Vinícius 22/02/2018

Superestimado
Em "A paixão segundo G.H" temos Clarice Lispector em sua essência, filosofando, divagando e nos levando a refletir. Entretanto, não é uma grande história; há quem diga que nem possa se chamar de romance. Seja o que for, prefiro a narrativa de "A Hora da Estrela" (esse sim o melhor livro da autora na minha opinião), "A Maçã no Escuro" ou o excelente livro de contos "Laços de Família".
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Wallace 26/08/2012

ser uma outra pessoa.
todos devem ler antes de morrer. Todos aqueles que desejam se sentir completos e que acham que há mais alguém que pensa exatamente como você.

OBRIGADO CLARICE, VOCÊ FOI A MELHOR !
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