A Mão Esquerda da Escuridão

A Mão Esquerda da Escuridão Ursula K. Le Guin




Resenhas - A Mão Esquerda da Escuridão


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Val 25/12/2014

Só classifico com uma estrela porque é o mínimo. Ridículo, perdi tempo.
marcos 05/04/2015minha estante
???


Flavio.Gabriel 11/03/2017minha estante
Poxa, achei sensacional a capacidade de criar um mundo e de pensar como a sociedade desse mundo se organiza em função das caracteristicas internas (sexualidade) e externas (clima).


Val 13/03/2017minha estante
Que bom que gostou. Perdi tempo e dinheiro.


Andrea 11/10/2017minha estante
Val, procure especificar porque não gostou, assim você oferece a outras pessoas a chance de elas concordarem e não perderem tempo e dinheiro também. Se você só diz "ruim" sem justificar, a crítica não ajuda ninguém, entende? bjs


Nati - @_fantasticomundoliterario 18/08/2019minha estante
Puxa, adorável sua consideração de apenas dizer que perdeu tempo com o livro e nem sequer discorreu uma discussão sobre o porque não gostou. Parabéns.




Raphael Maia 15/04/2009

Um mundo frio e sem sexos
Desculpem o machismo mas só uma mulher poderia ter pensado nisso, Comecei a ler esse livro da maneira mais aleatória possivel.
Estava no meu horário de almoço caminhando por um sebo, quando dei com uma capa diferente dessa, era um desenho muito rustico, o que me atraiu no livro foi a junção de três fatos:
1º A arte quase rustica da capa ( Que nada tem haver com a atmosféra blasé da sociedade mostrada no livro ).
2º O titulo que só ganha significado nos ultimos momentos da história.
3º O fato de ser um livro de ficção cientifica escrito por uma mulher e premiado( machista outra vez, perdão ).

O Livro se mostrou totalmente diferente da imagem inicial que eu tinha dele, mesmo assim, jamais deixou de ser interessante, consegui me sentir um alienigena em meio a sociedade totalmente original, foi uma das mais intensas experiencias de imersão que ja tivee com um livro.

Se procura dinamismo e aventura, existem titulos melhores, mas se procura singularidade, esse é o livro.
Rafaele 28/09/2016minha estante
Adorei a crítica e os pedidos de desculpas Hahahaha O importante é a desconstrução!


Nil 16/02/2017minha estante
Gostei da resenha, gosto de ficção científica, vou colocar nos meus desejados. Obrigada por compartilhar sua opinião.


Bru 16/08/2017minha estante
Valeu pela crítica, fiquei interessada, vou ler o livro!

Concordo que o importante é a desconstrução mas numa próxima crítica só não faça esses comentários infelizes.

Ser machista e pedir desculpas não rola, apenas não seja.


Junior 22/02/2019minha estante
gente, mas não vi nada de machismo nos comentários dele.




thirtywishes 02/07/2013

Um estranho no ninho.
Vocês não vão acreditar no motivo que eu tive pra ler este livro. Muitos me considerarão bobo e inculto. Outros provavelmente me olharão com uma cara de "Você não tem mais nada para fazer da vida?". Eu, no entanto, espero que exista um terceiro grupo que apenas solte umas risadas e replique um "Ok, acho que eu já fiz algo parecido". Bom, por onde começar? Alguém aqui já viu O Clube de Leitura de Jane Austen? Eu sei, eu sei, não exatamente o começo mais esperado para essa história...

Bem, existe uma personagem nesse filme chamada Jocelyn que é o que eu chamaria de uma Emma da atualidade. Após a separação de sua melhor amiga com o marido, a doce casamenteira tenta reencontrar um amor para sua velha parceira... Amor o qual, ela acredita estar no charme de Grigg, um jovem nerd um pouco fora dos padrões. Assim, Jocelyn o convida para participar de um clube de leitura só de livros da Jane Austen para, quem sabe, juntar o casalzinho indiretamente. Só que Grigg, na verdade, se interessa por Jocelyn e tenta constantemente interessá-la em seus ~livros estranhos~ de ficção científica. E entre esses livros estava, nada mais nada menos que A Mão Esquerda da Escuridão da Ursula K Le Guin. (Sim. Foi um personagem fictício que me fez ler esse livro, me apedrejem!)

Leia mais no nosso site:
http://www.escolhendolivros.com.br/2013/02/a-mao-esquerda-da-escuridao-ursula-k-le.html
janaynah29 23/05/2015minha estante
Embora não seja exclusivamente por esse motivo que estou lendo esse livro, mas eu também fui influenciada pelo "Clube de leitura de jane austen".


Thaís 08/03/2018minha estante
Se eu te disser que compre esse livro hoje na Saraiva por esse mesmo motivo, você acreditaria? Está nos meus desejados há anos-luz justamente por causa do filme! Amor esse filme de paixão embora nunca tenha lido as obras de Austen. (Que estão na fila também)

Não se sinta sozinho nessa situação! Incultos, uni-vos! hahahaha





Marcos 24/06/2014

Uma das melhores ficções que já li
Quando a simples introdução de um livro – uma espécie de prefácio escrito pela própria autora – é melhor do que muitas obras que você já leu, é indício de que você irá amar este livro. Porém, quando ao decorrer da obra a autora consegue te surpreender ainda mais, certamente você terá uma obra memorável em mãos.

Ursula K. Le Gui começa o livro narrando sobre um desfile em Karhide, país de um planeta chamado Inverno. Lá, Sr. Genly Ai, um alienígena para aquele mundo, está em uma missão de Estado: tentar convencer os líderes de Karhide a se unirem ao Ekumen – uma espécie de associação intergaláctica de planetas.

Porém, Inverno é um planeta totalmente diferente de todos os outros que fazem parte do Ekumen. Em primeiro lugar, o planeta é gelado; as temperaturas chegam a - 30º no período mais frio do ano. Em segundo lugar, diferentemente de toda a humanidade, os moradores daquele estranho planeta são Andróginos.

“O fato mais concreto pode fraquejar ou triunfar no estilo da narrativa: como a joia orgânica singular de nossos mares, cujo brilho aumenta quando determinada mulher a usa e, usada por outra, torna-se opaca e perde o valor. Fatos não são mais sólidos, coerentes, perfeitos e reais do que pérolas. Mas ambos são sensíveis” (p. 11).

Em Inverno, os habitantes não são homens e nem mulheres. Durante o período de ação sexual, eles desenvolvem o sexo feminino ou masculino – não necessariamente mantendo o mesmo sexo no próximo período. Todos podem ser pais ou mães. Todos têm todas as características psicológicas atribuídas a ambos os sexos.

Nesse planeta distante, Sr. Ai terá um aliado a sua causa: Estraven. Porém, em um planeta onde poucos acreditam que pode haver vida em outro planeta, Sr. Ai se verá em meio a um jogo político, com diversos problemas, muitas dores e poucas soluções. Estraven tentará ajudar, mas até onde dois humanos tão diferentes poderão colaborar um com o outro?

“Estava a sós com um estranho, no interior de um palácio escuro, numa cidade estranha cheia de neve, em plena Era Glacial de mundo alienígena” (p. 25).

Ursula, sem dúvida, cria um clássico da ficção científica, formando um universo novo, incrível e cheio de nuances. Através dos aspectos de Inverno, vemos um convite para analisar nosso próprio mundo, nossas próprias ideologias e preconceitos. Com várias humanidades, começamos a enxergar o outro como humano e não como homem, mulher e todas as suas opções sexuais. Vemos formado, na nossa frente, o ser humano puro e simples.

Sr. Ai, com seu jeito ingênuo e simples, nos cativa, faz ser amado e torcemos, página a página, para que ele alcance seus objetivos e se descubra, se entenda. Afinal, aliar Inverno a Ekumen deixe de ser a grande prioridade em certo momento da obra; o autodescobrimento passa a ser a meta.

“Os terráqueos tendem a achar que devem seguir em frente, progredir. O povo de Inverno, que vive sempre no Ano Um, acha o progresso menos importante que o presente. Meu gosto era terráqueo (...)” (p. 56).

Como o livro é narrado em primeira pessoa, conhecemos de perto os pensamentos e conflitos de Sr. Ai. Porém, a grande sacada da autora foi colocar capítulos narrados também por Estraven, nos fazendo deixar enxergar, também, o seu lado da história. Afinal, ele, como um ser humano complexo, também tem muitas dúvidas e anseios.

Além do enredo incrível e da qualidade literária da autora, encontramos um livro com uma diagramação agradável e moderna. A capa, também, é muito bonita, com detalhes em relevo, formando um desenho na parte branca. Infelizmente, não dá pra ver direito tais detalhes na foto. Tudo colabora para uma leitura agradável.

“Prisioneiros que estavam ali há vários anos tinham se adaptado psicologicamente e, até certo ponto, fisicamente, creio, a esta castração química. Eram tão assexuados quanto bois castrados. Não sentiam vergonha ou desejo; eram como anjos. Mas não é humano não ter vergonha ou desejo” (p. 171).

Sem dúvida alguma, A Mão Esquerda da Escuridão é um livro que merece ser lido, relido e presenteado. Aos amantes da ficção científica, não deixem de ler a obra. Para todos aqueles que nunca leram nada do gênero, leia este livro. Ele extrapola e muito o seu gênero, tornando-se uma obra memorável.

site: http://www.desbravadordemundos.com.br/2016/07/resenha-mao-esquerda-da-escuridao.html
Sam 06/07/2016minha estante
To tentando ler, mas não ta indo... li umas 100 pág... ta difícil pra mim, to meio perdida...


Marcos 06/07/2016minha estante
No começo ele é mais lento e talvez um pouquinho confuso mesmo, até porque apresentam uma cultura bem diferente. Mas persista, vale a pena. :D




spoiler visualizar
Ezequias 17/03/2013minha estante
Realmente, não tinha me atido ao fato. A questão da inutilidade de saber as perguntas para as respostas erradas e certamente o ponto chave para o Guia dos Mochileiros.


Davenir 12/06/2016minha estante
Se eu não tivesse lido "O Mundo de Rocanon" da mesma autora também poderia ter passado essa possibilidade na minha cabeça. Mas ela até faz referência aos "monstros alados de Rokanan". Alias quem puder ler esse, recomendo.




Flavio 26/01/2017

Universal e atemporal
O poder da literatura de nos envolver e nos permitir sermos observadores do lado de fora do universo ficcional é o que nos leva a abordar nossas próprias mazelas políticas, ideológicas, familiares e amorosas num paralelo sem fim com novos pontos de vista que provavelmente nossa mente nunca alcançaria sozinha. Nos faz olhar para nós mesmos, nosso comportamento para com o próximo, para com o diferente, para com o "frágil". E no final das contas a conclusão só poder ser uma: somos todos um corpo só, a humanidade. Ursula K. Le Guin abre nossos olhos como se ela mesma fosse um alienígena vindo de uma civilização avançada para nos mostrar o que é ser Humano. Ela nos despeja religião, cultura, política, comportamento, clima, geografia, história de um outro mundo para nos mostrar o nosso. Cria humanos andróginos, sem gênero, diferentes de tudo que já imaginamos, para nos mostrar como somos imaturos uns com os outros, como ainda temos muito a aprender em sociedade e como a compaixão, a amizade e o amor um dia nos tornarão um só.
Aliás, o livro não poderia ter melhor título cujo trecho faz parte dos versos de uma canção antiga Getheniana: luz é a mão esquerda da escuridão / e escuridão, a mão direita da luz. Parecem opostos mas não estão se opondo: dois são um. Esse embate de extremos opostos que permeia e controla nossa vida desde os início de nossa existência é o que torna essa história universal e atemporal.
Flavio.Gabriel 11/03/2017minha estante
Até iria escrever uma resenha, mas depois de ler a sua, estou satisfeito, já disseram o que eu me esforçaria muito pra expressar.


Joana Alves 09/05/2017minha estante
Esse livro é ótimo, li duas vezes.




Janaina.Silva 14/01/2019

Livro maravilhoso
Comprei o livro porque tinha visto a resenha de uma youtuber e achado interessante, apesar da youtuber não parecer ter achado o livro tão bom. Então comecei a ler achando que não acharia o livro tão gostoso de ler, mas me surpreendi, pq se tornou um dos meus livros favoritos, não conseguia parar de ler e quando parava, gastava muito tempo pensando na história, ela te faz refletir.
O início começa meio difícil pq fiquei perdida e só no terceiro capítulo que fui pegar o gosto pela leitura e não parei mais. É muito interessante conhecer mais sobre o planeta e o comportamento das pessoas e como isso afeta o protagonista. Outra parte muito gostosa de ler são os capítulos sobre as lendas que se intercalam com os texto do protagonista e de outro personagem. Vi muitos comentários falando que era muito descritivo, isso pra mim não fez ele ficar cansativo e acho que ajudou a pensar em como é o planeta. O ruim é só não ter um mapa do local, fiquei bem perdida no início e fui procurar na internet se tinha algum pra me ajudar.
Eu recomendo fortemente a leitura e se você como eu achou difícil o início, resista, vai valer a pena.
Livia 31/05/2019minha estante
Tem uma imagem no google com um "mapa mundi" de Gethen, chegou a achar? Ajuda bastante, principalmente no final kkkk




Arine-san 21/12/2015

Assim seriamos nós sem o sexo?
Ursula K. Le Guin, uma das autoras mais famosas de ficção cientifica, conseguiu ir além na luta feminista pela igualdade de gêneros. Usando viagens intergaláctica como pano de fundo e um homem muito humano como protagonista, ela nos leva ao mundo gelado de Gethen, onde tudo é inverno - mas nem de longe isso é o de mais anormal no planeta. Já imaginou um mundo sem as barreiras sociais que permeiam o homem e a mulher? Um mundo sem responsabilidades de sexo, sem machismo, sem homofobia, sem violência contra o gênero mais fraco? Bem vindo ao planeta Inverno de Ursula.

Publicado pela primeira vez em 1969, o livro narra uma sociedade quase medieval num imenso mundo de gelo sem fim. A Mão Esquerda da Escuridão é um livro de ficção cientifica, sim, mas o que Ursula quer fazer é apontar como o sexo (de um modo geral) moldou nossa sociedade de uma forma doente. Como gerar essa reflexão? Criando uma sociedade em que os gêneros simplesmente não existem e o sexo não é ferramenta nem de prazer, nem de poder, como em nosso mundo. Somos apresentadas, logo de inicio, à Genly Ai, um homem de nosso planeta que foi mandado a uma missão até o estranho planeta de Gethen, onde os humanideos não são homens nem mulheres - e ainda assim os dois - à todo momento.


“Como se odeia ou como se ama um país? [...] Conheço gente, conheço cidades, fazendas, montanhas, rios, rochas, sei como, ao entardecer do outono, o sol cai oblíquo sobre certa terra arada nas montanhas; mas qual a finalidade de dar fronteiras a isto tudo, ou dar-lhe um nome e deixar de amar, no momento em que muda de nome?”

A missão de Genly exige que ele convença governantes locais a se unirem a um tipo de ordem universal que une raças “humanas” - no caso, pensantes e organizadas em sociedade - para troca comerciais e de conhecimento. Em Gethen, há muitos desafios quanto à isso. Gethen é um planeta de nações que não gostam uma das outras, mas não se dedicam à guerra, algo que intriga Genly. Todos, definitivamente todos, parecem carregar caracteristicas tanto femininas quanto masculinas, e a procriação da especie transforma, momentaneamente, cada um do casal em algum dos gêneros. O efeito disso sobre a sociedade é muito visível: qualquer um pode ser mãe, pai, político, ou qualquer outra coisa. Para Genly, um homem, entender o funcionamento dessa sociedade exige muito mais que abdicar da ideia de homem ou mulher, exige que ele passe a ver as pessoas não como ela enxergava aqui - um homem, uma mulher -, mas como pessoas. Só pessoas. Nada de papéis sociais implícitos, como ele estava acostumado a ver.


“Creio que ele acha que chorar é mau ou vergonhoso. Mesmo quando estava muito mal e efraquecido, nos primeiros dias da nossa fuga, ele escondia o rosto de mim quando chorava. Que razões pessoais, raciais, sociais, sexuais - que eu sei? - tem ele para não chorar?” - questiona Estraven, gentheiano, sobre Genly Ai

A história dá diversas reviravoltas, enquanto Genly tenta entender essa estranha sociedade ao mesmo tempo que tenta cumprir sua missão. O livro acaba se tornando um embate de joguinhos políticos internacionais, e Genly, no meio de tudo isso, corre perigo. Ele encontra amigos, descobre o amor, vê na face do inimigo um amigo fiel, desbrava o continente pra se salvar… São muitas coisas, mesmo, nas 295 páginas que Le Guin escreveu.

Apesar da história ser bem movimentada, a narrativa sempre em primeira pessoa dá um toque mais intimista para tudo que está acontecendo. Para alguns, isso transformará a leitura num trajeto lento e que precisa ser trilhado com paciência; para mim, que adoro entrar na cabeça de personagens interessantes, essa narrativa foi uma dádiva. Quando a autora decide abrir o leque para um outro personagem - que ninguém imagina ganhando tanto destaque -, a leitura torna-se ainda mais interessante.

Gethen e sua falta de guerra e sexo por prazer me lembrou uma coisa interessante que somos apresentadas à filosofia logo no inicio de nosso aprendizado na disciplina. O desejo, dizem, movimenta o homem à viver, e movimenta outras coisas, como a guerra. Fiquei pensando se a autora pensou nesse detalhe ao criar uma sociedade tão ambigua, em que os seres são homens e mulheres e não pensam no sexo como prazeroso. Uma sociedade que não está em busca do desejo ou prazer, seja ele de qual forma for… Só está ali para sobreviver, e nem sempre com regalias. Gethen chega a soar um mundo medieval, sem tecnologias apuradas, mas ainda assim com uma gente de intelecto desenvolvido e política acirrada. Assim seriamos nós sem o sexo? A autora parece perguntar ao leitor isso à todo momento.

Como uma interessada pelas questões de gênero e afins, a leitura foi como olhar para um todo e subentender a origem num único detalhe. Longe de estar aqui dando um veredito sobre a qualidade, ou não, do livro, acho que quem se interessa pelo mesmo assunto pode se apaixonar pela autora assim como me apaixonei. A leitura é lenta, mas não parada, e Le Guin sabe enfiar o leitor na cabeça de seu protagonista como muito autor não sabe fazer. Quem sabe, Genly Ai talvez seja a própria autora conversando conosco sobre um tema, tão vivo e humano como ele é. Esse é o livro que prova que ficção cientifica não é puramente sabres de luz e batalhas no espaço; um bom romance com toque psicológico e analítico pode ser, também, uma boa ficção cientifica, como A Mão Esquerda da Escuridão é.

site: https://redatoraquele.wordpress.com/2015/12/21/resenha-a-mao-esquerda-da-escuridao-ursula-k-le-guin
Caroline 17/01/2016minha estante
Adorei tua resenha guria!




Marcos Faria 01/04/2013

Existem dois grandes incômodos na leitura de “A mão esquerda da escuridão” (Aleph, 2008). O primeiro é a visão de um mundo em que os valores ocidentais se impõem naturalmente como único caminho válido mesmo para as potências vagamente orientalizadas ou sociedades comunistas. O segundo é a afirmação do masculino como neutro, marcando o feminino como outro (e um outro quase sempre desvalorizado, apontado como falho) mesmo numa sociedade hermafrodita (e no entanto paradoxalmente heteronormativa) como a do planeta Gethen. Ursula K. LeGuin disse, na introdução escrita em 1976, que seu livro era sobre o presente, não sobre o futuro. Um presente frio como o inverno permanente de Gethen.

Publicado originalmente no Almanaque - http://almanaque.wordpress.com/2013/04/01/meninos-eu-li-33/
Mariana 15/12/2014minha estante
Concordo com suas afirmações e achei especialmente interessante suas últimas frases, pois há tempos estou lutando para compreender por que apesar de toda a sua evolução, Ursula decidiu retratar a mulher como um ser indesejável.
As características que ela atrela ao sexo feminino são assustadoramente machistas e desagradáveis, não consegui encaixá-las com outras considerações do livro.
Se Genly é um ser que faz parte do Ekumen, e esse conceito é tão evoluído que mais de 80 mundos podem viver pacificamente sem leis estabelecidas, como pode um ser vindo de algo tão grandioso trazer essas concepções das mulheres, que inclusive são também parte desse mesmo Ekumen?




Adriana Scarpin 31/01/2018

Em honra de Ursula K. Le Guin (1929 - 2018)
Aparentemente o que tornou tão famoso este livro é a questão de gênero e dentro da ficção científica A Mão esquerda da Escuridão é equivalente ao que orlando da Virginia Woolf foi para o modernismo, mas o que se torno evidente ao lê-lo é o fato que ele funciona melhor na questão alegórica sobre a Guerra Fria, já que em termos de questões de gênero Le Guin ainda é bem conservadora quanto à esterótipos, então foquemos na alegoria política entre URSS e EUA no mundo gelado e uma otimista teoria política-econômica-mística que irá unir todas as facções.
E como é grande o cinema e ajuda na nossa visualização da literatura, todos aqueles capítulos sobre a jornada na neve me lembraram filmes que assisti recentemente sobre explorações antárticas e que me ajudaram a me embrenhar nessa realidade do gelo pelo qual nunca passei pessoalmente. Enfim, um livro a ser explorado por conter diversas camadas a que podemos nos ater.
Agnaldo 13/02/2018minha estante
Mas, o conservadorismo que você cita no texto dela não está fundamentado no fato de que ela viveu em uma época conservadora? Mas o ponto positivo ao meu ver é que, mesmo assim, ainda desenvolveu um senso de gênero e crítica social que não era comum as mulheres relatarem.

Ótimo texto.




magdiel 22/09/2015

Apenas leia!
Vários gêneros literários, principalmente a ficção científica, são enxergados através de esteriótipos, o que muitas vezes faz as pessoas pensarem que as histórias de determinado gênero são os elementos já conhecidos do mesmo e nada mais. Na verdade, tanto a ficção científica, quanto todos os seus colegas gêneros literários, são apenas templates, planos de fundo e cenários para abordar os mais diversos assuntos, sejam eles relevantes ou não.

A visita de um homem a um planeta habitado por hermafroditas, pode servir para levantar importantes questões sobre as quais todo mundo deveria pensar. “Um homem deseja que sua virilidade seja reconhecida, uma mulher deseja que sua feminilidade seja apreciada, por mais indiretos que sejam esse reconhecimento e essa apreciação. Em Inverno, isso não vai existir. Julga-se ou respeita-se uma pessoa como ser humano.” Esse trecho, por exemplo, me fez pensar no quanto o mundo seria melhor se as pessoas tivessem mais respeito umas com as outras e menos orgulho e pretensões sexuais.

Se você topar com A Mão Esquerda da Escuridão por aí em alguma livraria, ele pode até passar despercebido. O título parece nome de livro de fantasia sombria, e a capa da edição mais recente publicada pela editora Aleph não é atrativa e não chama nem um pouco de atenção. Ela também não é feia, o que não é o mais importante para um livro, mas a capa ajudaria bastante na propagação da obra. É somente quando se mergulha nas páginas escritas por Ursula K. Le Guin, que o leitor se dá conta de que está diante de uma preciosidade.

“O inesperado é o que torna a vida possível.”

Entrando na história, acompanhamos a saga de Genry Ai, um homem que vai ao planeta Gathen (também conhecido como Inverno) com a missão diplomática de propor que ele se junte ao Ekumen, que se trata de uma união planetária já com mais de 80 planetas membros, com a intenção de promover a troca de conhecimento entre eles e o comércio aberto. Acontece que os seres humanos desse planeta são um pouco complicados de lidar.

Primeiro, sua fisiologia é diferente da fisiologia dos demais seres humanos dos outros planetas. Eles permanecem um tempo como eunucos, e quando chega seu período fértil, o kemmer, eles podem tanto desenvolver o órgão reprodutor masculino, como o órgão feminino. Quando um gatheriano tem o órgão reprodutor feminino, ele pode engravidar. Embora haja essa androginia, esses seres também se generalizam como “homens”. Mesmo quando estão no kemmer da forma feminina. Não existe conceito de “mulher”.

Segundo, que sua cultura, filosofia e estilo de vida são conservadoras, e sua civilização é um pouco atrasada. De que forma? Eles não possuem nenhum veículo que voe, e também não acreditam em vida extra-terrestre. Com a chegado do chamado “Enviado”, Genry Ai, os gatherianos o consideram uma aberração por sua fisiologia apenas masculina. O chamam até de pervertido por permanecer o tempo inteiro no kemmer. Também o consideram um mentiroso ao afirmar sobre a vida fora do planeta Inverno.

Ursula extrai ao máximo as questões que podem ser levantadas a partir dessas complicações. Os gatherianos não são muito diferentes da sociedade atual. Eles são intolerantes, hostis, não confiáveis.

“Se a civilização tem um oposto, é a guerra. Das duas coisas, ou se tem uma ou outra. Não ambas.“

Eu poderia falar que o livro aborda igualdade sexual, natureza humana e várias outras coisas. Mas direi algo muito mais importante: Leia o livro! As idéias impostas pela Ursula em 1969 são tão atuais que conversam melhor com a sociedade de hoje do que várias outras obras de nossa década.

“— Você ainda não percebeu, Genry, por que aperfeiçoamos e praticamos a Vidência?

— Não…

— Para demonstrar a completa inutilidade de saber a resposta à pergunta errada.“

Além da saga de Genry Ai, o livro também possui vários elementos que ajudam a enriquecer a história. Os gatherianos, suas características, o planeta como um todo, uma religião e uma mitologia própria. Mas o que realmente me arrebatou, foi sua ideologia.

“— O Desconhecido — (…) —, o não previsto, o não provado: é nisso que se baseia a vida. A ignorância é a base do pensamento. A não-prova é a base da ação. Se houvesse certeza de que Deus não existe, não haveria religião. (…) Mas também, se houvesse certeza de que Deus existe, não haveria religião… Diga-me, Genry, o que sabemos: O que é certo, previsível, inevitável… a única certeza que você tem sobre seu futuro, e o meu?

— Que vamos morrer.

— Sim. Só existe realmente uma pergunta que pode ser respondida, Genry, e já sabemos a resposta… A única coisa que torna a vida possível é a incerteza permanente e intolerável: não saber o que vem depois.“


site: codigo137.blogspot.com
Caroline 17/01/2016minha estante
Esse trecho é demais




Gio 29/04/2019

Inverno, distante e arrastado.
Começo minha resenha desse livro com certa incerteza. Não sei ao certo minha real opinião sobre ele, mas garanto que a história é arrastada, realmente arrasta lentamente o leitor por capítulos e cenas que são apenas passagens de cenários, e o planeta sendo Inverno, podem imaginar que basicamente era gelo. Os diálogos e reflexões são poucos, ainda que profundos é meio difícil de realmente pegá-los pela história. A aproximação real com os personagens demora e só chega depois da metade do livro, o resto eu me senti distante, mas culpo o formato do livro que é basicamente feito de relatórios. Como fui pensando durante o histórico da leitura o livro me chegou aos ouvidos devido a fama sobre um planeta de personagens sem sexo e sem distinção de feminino/masculino, por isso esperava muito mais esse lado na história, mas me senti um pouco enganada, poucas páginas e frases foram separadas para isso e marcou mais mesmo um cenário político. No fundo a história é boa, mas cansativa, arrastada e confesso que me senti decepcionada com o final. Só não diria que vale a pena.
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.:*Mandy*:. 20/01/2010

Ele permanece na minha lista de livros pendentes. Acho que não estou numa fase boa para ler livros densos como este.
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Andressa 05/02/2016

“É menino ou menina?”. A primeira pergunta que se costuma fazer a uma mulher grávida é quase uma convenção social inerente à condição de gestante. Mas o quão mindblowing poderia ser caso a resposta fosse “Nem um nem outro”? A Mão Esquerda da Escuridão, um clássico da ficção científica escrito pela americana Ursula K. Le Guin, nos propõe esse desafio.

Publicado em 1969 e vencedor dos prêmios Hugo e Nebula, o livro conta a história de Genly Ai, um Enviado humano a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal, o Ekumen, uma espécie de ONU intergaláctica. Ao chegar no planeta desconhecido, o emissário encontra dificuldades maiores do que o gélido clima de Inverno, como também é conhecido. Na complexa sociedade em que aporta, cujo idioma de um dos países apresenta dezenas de variações para neve, mas nenhum sintagma para guerra, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido durante a maior parte de suas vidas e essa condição, para eles tão natural, é determinante para basicamente qualquer interação social.

Os seres andróginos de Gethen encaram o sexo de forma mais simples e direta, animalesca não no sentido selvagem que o adjetivo adquiriu, mas de naturalidade: é um instinto, uma necessidade, tanto individual quanto coletiva para a continuidade da espécie. Eles passam por ciclos chamados de kemmer, período em que, a cada 26 ou 28 dias, adquirem características femininas ou masculinas. Semelhante ao cio, o kemmer estimula os desejos sexuais e a própria sociedade getheniana se organizou para saber lidar com isso: há espaços próprios para os encontros, há “licenças-kemmer”, há locais que acolhem as crianças nascidas após. Um casal pode jurar kemmering, ou seja, pode se comprometer com a monogamia, mas essa não é uma prática tão comum assim. Uma pessoa em um kemmer pode ser homem, no próximo pode ser mulher. Existem “grávidos”.

(resenha completa no blog)

site: http://coadjuvando.com.br/resenha-a-mao-esquerda-da-escuridao-de-ursula-k-le-guin/
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Karla Lima - @seguelendo 12/02/2019

Na introdução dessa edição, Ursula diz: “ficção científica é metáfora” e que “ficção científica não prevê; descreve”. Desde as primeiras páginas, a autora nos prepara para o que está por vir, e isso não tornou as coisas mais fáceis...

A mão esquerda da Escuridão é uma obra bem estruturada. A sociedade peculiar a qual somos apresentados foi edificada sob os alicerces da ecologia, sociologia e antropologia daquele planeta. Nesse aspecto, a obra me lembrou Duna, desde a importância dada aos os detalhes, como a construção da cultura de um povo.


Nessa sociedade complexa, os indivíduos não possuem sexo definido. São macho e fêmea e ao mesmo tempo, não são. O resultado dessa característica: não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta.

A concepção desse enredo já é, por si só, incrível. Se levarmos em consideração a época em que foi escrito não existe outra palavra para descrever que não seja “genial”. Ursula estava a frente do seu tempo e seu texto, extremamente detalhista, nos entrega uma história única.

Não achei fácil de ler, confesso. O texto é lento, quase como se estivesse se arrastando na neve que cobre o planeta Inverno, mas é de um encantamento que é difícil de descrever. Ela usa as palavras certas, alfinetando a sociedade como a conhecemos em diversos momentos.

Em contrapartida, aos poucos vamos nos apegando aos personagens, enquanto tentamos entender o engendrar das tramas políticas e dos territórios de Gethen.

A mão esquerda da escuridão é um clássico, deve e merece ser lido. É uma verdadeira aula de como criar uma sociedade e dar vida a um povo.


site: http://instagram.com/seguelendo
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