A Mão Esquerda da Escuridão

A Mão Esquerda da Escuridão Ursula K. Le Guin




Resenhas - A Mão Esquerda da Escuridão


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Lili Machado 26/09/2012

Ganhador dos Prêmios Hugo e Nebula, como o melhor dos anos de 1969 e 1970.
The Left Hand of Darkness, com aspectos de psicologia, sociologia e antropologia, conta a estória de Genly Ai, um humano solitário, enviado a Winter, um mundo alienígena de condições árticas, cujos habitantes são fisicamente iguais aos terráqueos, mas podem mudar de gênero, num ciclo mensal, chamado de kemmer. Se um dos membros de um casal se torna mulher, o outro, automaticamente, se torna homem.
A meta de Genly Ai é facilitar a inclusão de Winter na civilização intergalática, Ekumen of Worlds, e travar uma troca intelectual de idéias e tecnologia.
Para tanto, ele tem de alinhar sua própria cultura e preconceitos com a cultura daqueles membros de uma civilização tão diferente.
Uma das partes mais interessantes do livro é o relacionamento do terráqueo Genly com o homem-mulher de Winter – e seu entendimento. A estória levanta questões sobre nossa percepção associada ao chauvinismo sexual.
Para 1969, a época em que foi escrito The Left Hand of Darkness, o gênero literário de ficção científica estava inciando novas dimensões sociais. Mas o livro é imensamente rico em sabedoria atemporal.
Le Guin é uma mestra na literatura sci-fi, com foco maior na exploração do relacionamento humano, do que na exploração de futuras possibilidades. Ela pode criar novos mundos e novas culturas, insuperáveis por outros autores do gênero.
Este é um clássico que deve ser lido por qualquer um que ama ficção científica, e deve ser relido várias vezes, com muito prazer.
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hanny.saraiva 07/11/2018

Uma história tecida com sutileza e profundidade
Eu não estava entendendo nada no início, mas a narrativa é tão cativante e envolvente (de uma forma bem esquisita, mas muito ficção científica) que quando vi já estava na metade do livro. O fato dos personagens não serem femininos nem masculinos é sensacional, mas acima de tudo é um livro que deve ser relido porque há várias camadas que só são reveladas quando se devora calmamente ou se lê uma segunda vez. Não é um livro com plot twists, mas para quem curte ficção científica vale muito a pena.
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Dan 08/01/2019

A Mão Esquerda da Escuridão | Resenha
A Mão Esquerda da Escuridão é o tipo de livro que te faz refletir, e muito. E este é o fato que fez a ficção científica de Ursula K. Le Guin ganhar dois dos principais prêmios da categoria, o Hugo e o Nebula.

Há inúmeros detalhes no livro, como monogamia, promessas, desertores, videntes e tudo mais, o que torna o prazer da leitura de A Mão Esquerda da Escuridão ainda mais interessante e intensa, uma verdadeira jornada de conhecimento e a busca por um tratado político.

site: http://www.arrobanerd.com.br/a-mao-esquerda-da-escuridao-resenha/
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Lud 09/02/2016

O livro apresenta algumas questões bastante interessantes, como a questão de gêneros, que não existe no planeta visitado por Genly Ai. Os diálogos entre o protagonista e Estraven abordam vários pontos interessantes e, na minha opinião, são os melhores momentos da narrativa. Pelas discussões, por nos fazer pensar nesses tópicos, o livro é bastante válido. No entanto, a leitura é um tanto maçante, muito descritiva, poucos diálogos, uma nomenclatura alienígena de difícil compreensão...
Mas com certeza, o esforço vale a pena.
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Sandro 06/01/2016

Um planeta onde seus habitantes não possuem sexo definido. Só isso já é o suficiente pra chamar a atenção de qualquer um.
Mas esse não foi um livro fácil pra mim. A leitura não é fluida e levei um tempo pra me acostumar com os nomes próprios tanto dos personagens quanto dos lugares, mesmo já tendo lido outras obras de ficção científica.
Algumas descrições do Planeta Inverno ao longo da obra são um pouco repetitivas e maçantes, principalmente durante a fuga dos protagonistas.
Os pontos positivos do livro são as conversas entre o humano Genly Ai e o alienígena Estraven, que não compreende como o gênero de um indivíduo influenciaria tanto no curso de sua vida em outro planeta, já que essa distinção não existe no Planeta Inverno fora do kemmer.
Em muitos momentos a leitura me remeteu à "Orlando" da Virginia Woolf.
De qualquer maneira, o esforço em ler "A Mão Esquerda da Escuridão" foi válido.
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Pandora 05/02/2019

"A Mão Esquerda da Escuridão" é límpido como um cristal de gelo, brilhante em sua discussão sobre os papeis de gênero, filosófico, cativante e incrivelmente fluido para um texto através do qual somos apresentados a uma possibilidade de futuro muito além de nosso presente e ao mundo muito além dos limites de nossa galáxia de oito planetas girantes.

No livro se conta a história de como Genly Ai se ver, por opção própria, na qualidade de enviado a Gethen, um planeta mergulhado até as raízes em uma Era Glacial rigorosíssima, para propor a população nativa que integre o Ekumen, um conselho formado por vários planetas ocupados por seres humanos. Até a chegada de Ai Getren desconhecia totalmente a existência de vida alienígena, mas a população do planeta não é necessariamente hostil com ele. A questão é que aos poucos ele se vê no meio de uma intricada trama politica que em muitos aspectos ele nem mesmo sonha está acontecendo.

Enquanto a trama ocorre e Genly Ai faz tudo para cumprir sua missão e encontrar a aceitação dos governantes de Gethen a sua proposta nós conhecemos junto com ele a religião, a cultura e até mesmo a biologia dos nativos do planeta Inverno cuja peculiaridade maior é serem humanos completamente andrógenos que só assumem o papel de macho e fêmea durante seu período fértil para fins reprodutórios. Fora do período fértil os genthenianos não são nem homens e nem mulheres são apenas humanos vivendo suas vidas com a total ausência de distinções de gênero.

Compreender a sutileza da forma como religião, regras sociais, politica e economia se desenvolve nesse contexto me pareceu ter sido o maior desafio de Genly Ai, de desarmar de seus preconceitos, limpar seus olhos e se abrir a percepção daquele estilo de vida foi a maior dificuldade do enviado e também a minha. Quando me vi junto com Ai no "Lugar Dentro da Nevasca" e a ficha finalmente caiu em relação ao mundo e as pessoas as quais a Ursula K. Le Guin estava me apresentando foi um impacto, uma dor, uma revelação, chorei diante de um presente generoso, aguardado e imerecido.

Nusuth. "O admirável é inexplicável" (pg. 83)

Estou escrevendo aqui só para dizer o quanto foi um um prazer temer e amar um mundo frio, quase inóspito e tão generoso como Gethen. Ainda estou impactada pela honra inestimável de ter podido desconfiar, temer, sofrer, me apaixonar e por fim amar por um personagem tão complexo, imenso e completo como Therem Harth rem ir Estraven que não é ele ou ela e sendo naturalmente os dois existe apenas como um ser humano.

E claro, nesses dias nos quais eu aprendo a viver sem criar grandes expectativas, grandes planos secretos, castelos no ar, tal como Genly Ai em sua missão dando um passo de cada vez foi muito agradável encontrar no meio de uma floresta gelada a sabedoria de genthenianos como Faxe:

"O desconhecido - disse a voz suave de Faxe na floresta - o não previsto, o não provado: é nisso que se baseia a vida. A ignorância é a base do pensamento. A não-prova é a base da ação. Se não houvesse certeza de que Deus não existe, não haveria religião. Nem Handdara, nem Yomesh, nada. Mas também, se houvesse certeza de que Deus existe, não haveria religião... Diga-me, Genry, o que sabemos? O que é certo, previsível, inevitável... a única certeza que você tem sobre seu futuro, e o meu?
- Que vamos morrer.
- Sim. Só existe realmente uma pergunta que pode ser respondida Genry, e já sabemos a resposta... A única coisa que torna a vida possível é a incerteza permanente e intolerável: não saber o que vem depois."

site: https://elfpandora.blogspot.com/2019/02/a-mao-esquerda-da-escuridao-de-ursula-k.html
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Rafael.Lois 05/12/2018

Intrigante
Foi uma leitura diferente do que estou acostumado, mas prazerosa. Não sei bem o que pensar
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Davenir 12/06/2016

Ousar imaginar um novo mundo
Esta é a obra mais conhecida de Ursula K. Le Guin. A mão esquerda da escuridão é um mergulho na humanidade, sem as metáforas usuais da ficção científica (robôs, androides) mas com a sexualidade, numa jornada através do gelado planeta Gethen e seus habitantes humanos hermafroditas. Esta obra é contada no mesmo universo ficcional de outros livros de Le Guin, chamadas de Ciclo Hainnish.

Estória: Genly Ai é um enviado do Ekumen, uma liga dos mundos conhecidos, ao planeta Gethen. Também conhecido como Inverno, pelas temperaturas rondarem -30/-50ºC no inverno. O livro inicia quando já se passaram dois anos da sua missão: preparar os habitantes do planeta para ingressarem na liga espontaneamente. Contudo o choque de um terráqueo com uma cultura tão diferente, derivada de uma variedade humana que não possui distinção entre gêneros, vai atrapalhar seus objetivos. Seu contato mais próximo é com Estraven, primeiro-ministro da nação Kharide, de quem Genly não confia muito.

O que há neste livro: O livro se apresenta como um relato em primeira pessoa, alternando Genly, Estraven e alguns relatos curtos com tom antropológico, histórico ou mitológico sobre a vida no planeta. As descrições são bastante ricas: dos modos cotidianos ás divisões políticas, da mitologia ás paisagens geográficas. O leitor poderá se queixar de lentidão na narrativa (o que é bastante variável de leitor para leitor), mas nunca de não ter informações suficientes. Todas as evidências de um relato completo e genuíno.
Le Guin diz no prefácio, que o trabalho do escritor é mentir e não prever o futuro, e ela mente compulsivamente bem. Tudo isso é conduzido com uma escrita muito habilidosa e muito acima da média entre os escritores de Ficção Científica. É quase possível sentir o frio de Gethen.

Ousar imaginar um novo mundo: As especulações sobre a vida desses seres que carregam os dois gêneros são bem trabalhadas pela estranheza de Genly em sua relação com Estraven, que conduzem a um final bem construído. O objetivo é, assumidamente pela autora, pensar na nossa própria condição humana no presente. É uma Ficção Científica feminista por ousar vislumbrar uma sociedade sem uma relação de superioridade entre gêneros, afinal eles não existem em Gethen. Alias, é interessante ver os gentheninanos considerarem uma "perversão" ter um gênero definido todo o tempo, entre outras singularidades.

Considerações finais
É um livro que tem um potencial de marcar o leitor, ou seja, muda-lo de alguma forma após a leitura, não apenas por apresentar um novo mundo imaginado. O que Le Guin faz é mostrar um mundo possível e também como ele é através de metáforas brilhantes. Os personagens são bem construídos pelas relações que estabelecem entre si e o mundo. É um livro mais do que recomendável.

Livro lido para esta resenha: O livro foi formatado numa letra bastante confortável e tem um prefacio muito profícuo para entender um pouco do que a autora entende por literatura e ficção científica. O único aspecto negativo é a ausência de um mapa de Gethen, (a edição antiga de Os Despossuidos possuía um mapa) o que facilitaria muito nas partes em que a geografia do planeta é trabalhada com mais detalhamento.

site: http://wilburdcontos.blogspot.com.br/2016/06/resenha-mao-esquerda-da-escuridao.html
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Scriptoriumm 01/09/2017

A Mão Esquerda da Escuridão
Em uma abordagem positiva, o intercruzamento de pontos de vista e maneiras distintas de contar a história criam uma sensação de completude ao texto narrado. Muito além de um mero relato de viajante, A Mão Esquerda da Escuridão, apresenta um novo planeta, com diferentes construções sociais, mediadas por uma biologia sexual distinta.

site: http://scriptoriumm.com/2017/01/mao-esquerda-da-escuridao-ursula-le-guin-resenha/
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Elis 18/02/2019

O planeta inverno
Vale ler pelas descrições do planeta inverno, pela curiosidade com relação ao universo criado pela autora. Entretanto, os Despossuídos é muito melhor. Aqui temos seres ambissexuais e tudo o que isso acarreta de absolutamente diferente. Ainda assim não curti taanto essa narrativa, que se arrasta pela neve, e se arrasta, e se arrasta.
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Ezequias 17/03/2013

“Toda ficção é metáfora. Ficção-científica é metáfora.” Ursula K.Le Guin
Este livro de ficção científica é bastante diferente dos que eu já li, tem aspectos que faz com que ele seja relevante não somente no âmbito deste gênero de ficção, como material genuíno de reflexão antropológica.

Acompanhamos aqui a história de Genly Ai, um enviado de Ekumen que seria uma coordenadora de integração, cultura e comércio entre muitos mundos e povos.

A missão de Genly é fazer com que o povo do Planeta "Inverno" aceite integrar o Ekumen, para que a troca de tecnologia, cultura, artes e comércio possa ser estabelecida, com o fito de enriquecimento de todas as partes.

Os habitantes deste mundo, contudo, possuem uma singularidade que os destoam de todos os outros: são unissexuados.

Eles não assexuados, não hermafroditas, bissexuais ou homossexuais. Ao mesmo tempo homem e mulher, ocupam papeis distintos sexuais apenas no "krammer" uma espécie de cio, onde se urge o comportamento sexual.

È neste período de "krammer" que randomicamente se adota a fisiologia masculina ou feminina, dependendo da "química" dos parceiros. Assim um ser pode ser genitor ou genitora de prole

Não se tratando apenas de uma curiosidade este fato único influenciou e moldou toda uma sociedade onde as características masculinas e femininas simplesmente não existem. Aqui não há a dialética entre homem e mulher, os conflitos de poder, de dominação. É toda uma sociedade onde o mito de édipo não se aplica.

Genly Ai terá que se adaptar para convencer um povo único, de pensamento distinto, de que é uma boa ideia fazer parte de uma comunidade maior e mais rica.

Sua missão, contudo, é solitária, não se tratando de uma invasão, Genly chega sozinho ao planeta e tem de enfrentar não apenas a estranheza ao seu redor, mas ser considerado também um ser inteiramente alienígena. Seu sucesso vai depender de como ele entende este povo estranho e único.

O livro é como se fosse um grande estudo antropológico, passagens de diários e narrativas em primera pessoas se intercalam em relatórios sobre a sexualidade do povo de Inverno e também sobre sua cultura e religião única.

Recomendo a obra a todos os amantes de ficção científica, mas também aqueles que possuem alguma afinidade da área de psicologia e antropologia. O exercício de criatividade e as metaforas apontadas pela autora são de grande riqueza, que merece ser compartilhada.

O único ponto ruim, é o preço (comprei direto da editora). De fato, a obra é excelente. Mas acredito que o preço adotado pela editora está um tanto salgado. Deveras que se trata de uma publicação bastante específica, mas que merece ter um preço um pouco mais razoável (até por não ser uma obra muito grande).


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Coruja 07/05/2013

O tema do Desafio Literário 2013 desse ano foi um pouco complicado pra mim, porque, de cara, eu não conseguia me lembrar de nenhum livro que algum personagem de algum filme aparecesse lendo em cena que eu ainda não tivesse lido.

Depois de muitas idas e voltas tentando encontrar alguma coisa, finalmente me lembrei da Ursula Le Guin, porque ela é citada incessantemente pelo Grigg do adorável The Jane Austen Book Club. Assim, fui atrás de conseguir A Mão Esquerda da Escuridão, que além de aparecer no filme, é considerada a obra-prima da autora e está em todas as listas de fantasia/sci-fi que você tem de ler antes de morrer.

Não, não compilo essas listas, mas estou volta e meia vasculhando-as atrás de mais sarna para me coçar.

Começo dizendo logo que se não fosse pelo DL, eu talvez não tivesse conseguido chegar ao final do livro. Não porque ele seja ruim – muito pelo contrário – mas porque não faz meu estilo. Não sou uma fã tão grande de ficção científica e, dentro do gênero, costumo preferir histórias futuristas com robôs e viagens no tempo ou realidades históricas alternativas e steampunk.

A Mão Esquerda da Escuridão me causou um choque e uma estranheza com que não estou acostumada. E não estou me referindo à linguagem, que além de uma erudição ímpar, e um tom seco e científico, beneficia-se de uma série de termos lingüísticos inventados especialmente para o mundo em que a história se passa.

O livro acompanha a missão de um diplomata intergaláctico no planeta Inverno, onde a raça humana evoluiu para uma espécie andrógina e hermafrodita que pode, em certos períodos denominados kémmer escolher caráter feminino ou masculino e se reproduzir.

O diplomata e protagonista da história é Genly Ai. Vindo de uma aliança de planetas conhecida como “Conselho Ecumênico”, Ai não evoluiu como os habitantes de Inverno e estranha essa ambivalência sexual dos habitantes do planeta gelado – e é também estranhado pelos habitantes, que vêm sua ‘raça’ como de pervertidos que estão sempre em kémmer.

Há outros motivos para que Ai não seja particularmente bem recebido em Inverno, mas essa dualidade é epicentro de todos os desencontros – o que Le Guin quer de fato com o livro é dizer que a diferença de gêneros não importa realmente, porque ao final das contas somos todos humanos.

Há uma série de desencontros, fortes intrigas políticas – quando Ai chega a Inverno, existe uma tensão que pode descambar para a guerra e o próprio primeiro-ministro de Gethen (reino em que, a princípio, Ai tenta levar a termo sua missão), é acusado de traição e exilado sob pena de morte.

Estraven, o primeiro-ministro, mais para frente se tornará companheiro de Ai numa grande fuga e acabará por forçar o diplomata a confrontar suas crenças e reconhecer que parte do insucesso de sua missão foi derivado de sua incapacidade de confiar naquele povo que, de início, para ele, era tão estranho – de ser incapaz de enxergar para além de seus preconceitos.

Não é um livro fácil, nem confortável – parte da minha estranheza com o livro é decorrente do mesmo tipo de dificuldade que Ai tem em aceitar aquela comunidade e se reconhecer ali dentro. Não é simplesmente uma questão de preconceito, mas de desafiar concepções com que você está mais que acostumado, que fazem parte de toda a sua formação. Eu terei de passar por algumas releituras para conseguir absorver tudo o que A Mão Esquerda da Escuridão tem a ofertar.

Uma coisa é certa, porém: se é um desafio lê-lo, é este um desafio que vale à pena cumprir.

(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
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Cláudia 27/09/2017

Este livro se trata do relato do terráqueo Genly Ai, que é o Primeiro Enviado ao planeta Gethen, onde deve fazer contato com os povos de lá e incluir o planeta no Ekumen, uma espécie de bloco econômico ou liga dos planetas povoados por humanos. O planeta Gethen é um dos planetas mais distantes e isolados, e por estar passando por uma era glacial, é chamado também de Inverno.
Os gethenianos são muito parecidos com os demais humanos, tanto em desenvolvimento de ferramentas e tecnologias (eles possuem automóveis, rádio, por exemplo), como na criação diferentes religiões, costumes regionais e sistemas de governo. Mas uma característica os difere de todos os humanos do universo: os gethenianos são homem e mulher ao mesmo tempo.
A cada mês, eles têm um período de dias chamado “kemmer” em que junto à uma outra pessoa também no kemmer, há uma conexão química/física/espiritual que faz com que ambos manifestem seu órgão genital para que tenham relações sexuais. Sem gêneros definidos, estes humanos estão livres das questões de papel de gênero: todos podem gerar filhos no próprio ventre, não há discriminação por gênero, não há sexo não-consensual.

No comprimento de sua missão de convencer os líderes do planeta à entrarem para o Ekumen, Genly Ai irá se envolver nas tramas políticas entre as maiores nações de Gethen e o shifgrethor das pessoas (uma espécie de senso de honra, orgulho e prestígio, importantíssimo nas sociedades de Gethen). Mas o mais importante é superar seus preconceitos aprendidos na Terra, em relação aos papeis definem o que é ser homem ou ser mulher.

Este livro não é um livro focado na ação. Tem um pouco de ação, sim, mas o seu brilho está na no arco de desenvolvimento do personagem Genly e entendermos o co-protagonista Estraven, um getheniano que acaba atrapalhando a missão de Genly.
Eu li críticas sobre a abordagem das questões de gênero serem rasas, que não têm grandes discussões que os fazem refletir sobre o assunto. Primeiramente, não é possível estabelecer empatia se você não está disposto a isso e; me pergunto do quanto que as questões de papeis de gênero atinge ou o sensibiliza para o indivíduo conseguir ver nesta obra a a discussão e refletir à respeito.

Intercalado entre os registros de Genly e o diário escrito por Estraven, existem alguns capítulos que são outros registros de investigadores de campo que foram disfarçado à Gethen antes de Genly, para fazer o reconhecimento do planeta onde vai explicar ao leitor como é o ciclo sexual dos gethenianos e levanta hipóteses de como se deu esta anomalia nos humanos do planeta; além destes capítulos trazerem narrativas da criação e de pessoas de Gethen, sendo lendas, mitos ou histórias. Todos estes capítulos, em algum momento, fazem sentido para algo na trama. Dá gosto ler um livro quem que o escritor faz um trabalho tão meticuloso assim.

O começo do livro é um pouco complicado, até a trama ser estabelecida e nos estarmos ambientados neste universo. No meu caso, eu estava muito ansiosa para entender o kemmer, quando as pessoas tinham o gênero mais definido.
Num dado momento, os personagens sairão numa espécie de road trip, pelo planeta congelado, que dura umas 80 páginas. Também é uma parte bastante criticada por ser maçante. Mas eu não achei, eu gostei bastante pois tem os melhores diálogos que finalmente nos fazem entender melhor os personagens. Principalmente o Estraven, que é o meu favorito. Em dado momento Estraven pergunta à Genly Ai qual a diferença entre os gethnianos e os outros humanos que tem gêneros diferente, o que é uma mulher e ele não sabe responder, pois além da parte biológica, não sabe dizer o que difere um homem de uma mulher.

Quem gosta de resenha em vídeo ou quiser me apoiar no Youtube, acesse:

site: https://youtu.be/zXNdelHRsEg
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Tauan 30/01/2018

Um livro imperdível, uma leitura inadiável
Conheci a obra de Ursula Le Guin em meados do ano passado, com o lançamento de Os Despossuídos (um livro realmente maravilhoso). Foi paixão à primeira leitura. Nesse livro a autora consegue construir uma trama de ficção científica baseada em conceitos físicos relacionados com a Teoria da Relatividade, mesclado com filosofia taoista, anarquismo e uma análise sociológica sobre o machismo.
Em A Mão Esquerda da Escuridão a autora faz algo semelhante e, ao mesmo tempo, incomparável.
A história se passa em um futuro em que a humanidade se espalhou por diversos planetas e sistemas da universo. Um sistema de propulsão permite viagens em velocidades próximas à da luz e foi criado um sistema de regulação de comércio e troca de informações semelhante ao modelo da ONU chamado Ekumem.
Um emissário do Ekumen foi ao planeta Gethem, conhecido como Inverno por ainda estar em uma profunda Era Glacial, para tentar convencer os resistentes governos locais a aderir à comunidade galática. Entre os desafios enfrentados pelo emissário Genly Ai é a fisiologia dos habitantes desse planeta. Embora descendam dos mesmos humanos que colonizaram todos os demais planetas, eles evoluíram de forma a praticamente eliminar a distinção sexual. Durante quase todo o tempo eles são hermafroditas e não manifestam fenótipo masculino ou feminino. A exceção ocorre apenas no período fértil, em que cada indivíduo. Nesse período eles podem manifestar como machos ou fêmeas, conforme o estímulo ambiente; e podem se comportar com um dos sexos em um período e com o outro num período seguinte.
O livo é permeado por camadas em que se imbricam sociologia, filosofia, ciência, aventura e trama política, criando uma narrativa ímpar na literatura mundial.

site: http://pausaparaaleitura.blogspot.com.br/
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Felipe 28/07/2019

Inverno
Uma sociedade em que todos os humanos são na maior parte do tempo sem gênero definido e que, em determinado período, entam numa espéciede cio onde se visualiza mais um ou outro gênero é bem difícil pra nossa compreensão. Esse éo março central da história. De como nós relacionaríamos com esses seres, como se organizam politicamente e quais problemas enfrentam, como lidam com o planeta que está mais próximo do fim da sua última era do gelo. O despertar de uma cultura humana para a realidade de que não estão sozinhos no universo e que como eles, apesar das peculiaridades, existem milhões de outros.
Intrigante e maravilhoso esse livro.
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