A Mão Esquerda da Escuridão

A Mão Esquerda da Escuridão Ursula K. Le Guin




Resenhas - A Mão Esquerda da Escuridão


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Ruh Dias 05/09/2016

SUGESTÃO DE LEITURA
A descoberta da Ursula K. Le Guin foi maravilhosa (obrigada, Dani!) e ela entrou na minha lista de escritores preferidos - lista esta, aliás, que cresce pouco, pois sinto falta de idéias originais na literatura contemporânea. Ela ganhará um post só dela em breve, portanto, vou me concentrar em falar desta sua obra, "A Mão Esquerda da Escuridão".

O gênero deste livro é ficção-científica, e considero o melhor que já li sobre o tema. A obra foi escrita em 1960 e é inacreditável como ainda é atual, futurista e inovador, mesmo depois de 55 anos. A maior transgressão da obra é que Ursula criou um universo onde os seres são andróginos: não há distinção entre homens e mulheres, pois todos são ambos.

Genly Ai é enviado ao planeta Gethen (ou Inverno) com a missão de convencer seus governantes a se aliarem a um grupo de 80 planetas, formando uma aliança universal. Genly é da raça humana, porém, ele não é exatamente como nós. Ursula postula como seria a evolução do ser humano e da Terra. Com isso, ele é um homem heterossexual e sente as diferenças de estar numa sociedade onde não existe gênero. Genly também precisa lidar com a cultura diferente deste planeta e com as sutilezas dos relacionamentos, tanto políticos como pessoais.



Embora o pano de fundo do livro seja ficção científica, a estória fala de relacionamentos. Genly se aproxima de Estraven, Primeiro-Ministro de um dos países do planeta Gethen, e ambos são alienígenas aos olhos do outro e precisam superar e tolerar uma série infindável de diferenças: de pensamento, de comunicação e de percepção. E, convenhamos, nós também sempre somos estranhos ao outro até que ele nos conheça, então as analogias com a nossa vida são infindáveis. Acho que esta é a primeira questão importante do livro.

A segunda questão importante é sobre a não diferenciação dos gêneros que mencionei no início. Ursula extrapola esta questão em todas as suas implicações sociais, biológicas, psicológicas e emocionais, e percorre quais seriam todas as consequências de não ter a divisão masculino/feminino. Ela coloca na estória desde os impactos dentro dos relacionamentos como o impacto na sociedade como um todo.

"A Mão Esquerda da Escuridão" é um livro que faz pensar. Quando a leitura termina, as idéias e concepções dele ficam maturando dentro da cabeça, e a cada dia percebo uma nova reflexão que ele gerou ou uma sutileza importante. Vale a leitura como ficção científica, vale a leitura como teoria social e vale a leitura como visão de relacionamentos.

site: http://perplexidadesilencio.blogspot.com.br/2015/06/sugestao-de-leitura-mao-esquerda-da.html
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Roberto 28/10/2018

Encontrando a essência humana em personagens complexos de outro mundo
Qual a função da ficção científica?
Você pode debater que o necessário para uma história ser considerada sci-fi é ter uma ambientação futurista e servir como entretenimento, ter muita ação e situações criativas. Não deixa de ser verdade, mas é uma definição limitada para uma forma literária tão rica em elementos e tremendo potencial narrativo. Neste debate, não faltam vozes levantando várias opiniões sobre a função da ficção científica.

Entre tantas possibilidades, a que mais me intriga é o uso da liberdade poética quando falamos sobre o futuro e suas diversas representações. Alguns se aproveitam da ferramenta para especular ou alertar sobre o que está por vir, mas nem sempre estamos falando literalmente sobre o futuro. Recentemente, li pela primeira vez o livro “A Mão Esquerda da Escuridão”, de Ursula K Le Guin, lançado originalmente em 1969 (a versão que li foi a edição da editora Aleph, de 2015), e me deparo com a seguinte citação, logo na introdução da obra:

"A Ficção científica não prevê; descreve […] Previsões são o trabalho de profetas, videntes e futurólogos. Não são o trabalho de romancistas. O trabalho do romancista é mentir".

De acordo com Le Guin, o autor de uma obra sci-fi não está aqui para te dizer que tipo de carro voador estaremos usando no futuro ou o quão bizarra será a nossa vestimenta, mas sim refletir sobre seu contexto social e político de uma forma diferente, muitas vezes através de alusões e metáforas bem elaboradas.

A premiada série televisiva The Handmaid´s Tale utiliza um futuro distópico onde as mulheres perderam a maior parte de seus direitos e servem apenas para o prazer masculino. Essa premissa sozinha já poderia ser considerada uma boa ficção científica, mas a onda cada vez maior de notícias sobre a violência contra a mulher faz com que esta não seja apenas uma proposta narrativa, mas uma crítica feroz sobre a condição humana.

Na série temos um regime totalitário, com enorme poder baseado em medo, e quando você lembra de todas as obras do gênero em que um sistema político como este é um elemento saliente da trama, como em O Homem do Castelo Alto ou 1984, percebe que elas estiveram o tempo todo refletindo o momento que seu país estava vivendo. As principais obras de Kurt Vonnegut (Cama de Gato, Matadouro 5), por exemplo, são um “relato” sobre o que o autor passou em meio aos tempos sombrios da segunda guerra, só que ele nunca trata isso como uma autobiografia, está mais para uma terapia onde o cliente não usa seu nome verdadeiro e todos os traumas vividos são recriados de forma pouco similar. Acredito que essa seja uma analogia menos complicada do que os autores fazem quando planejam uma obra destas.

"Qualquer coisa levada a seu extremo lógico torna-se deprimente, quando não cancerígena."

Agora, vamos voltar para A Mão Esquerda da Escuridão. Na obra, Genly Ai é um emissário da Terra, enviado para Gethen com o propósito de convidá-los para uma união entre povos em um sistema coletivo chamado Ekumen. Em Inverno, como é chamado o planeta pelos próprios habitantes de Gethen por conta da baixa temperatura, o protagonista nota a maior diferença entre os nativos e ele: ao contrário do que acontece em seu próprio planeta, a sociedade de Inverno é constituída de indivíduos sem sexo definido. E por conta de seus preconceitos e questionamentos inapropriados, Genly passa por várias provações e pode não conseguir completar sua missão, sem contar que corre risco de vida por estar ali.

O enredo do livro é muito bom, cheio de pequenos detalhes e maneiras inteligentes de desenvolver a narrativa bastante descritiva de Le Guin (ainda que isso também possa ser considerado um ponto negativo por conta do ritmo de leitura, que sofre com alguns trechos mais longos e extenuantes, mas vamos focar nos temas do livro), mas é na hora de debater gênero e o comportamento humano que a obra brilha.

— Experiência espantosa

Está cada vez mais difícil termos uma conversa sobre gênero de forma aberta em um país onde se especula mais sobre a vida pessoal e as intenções de quem não conhecemos ao invés de repudiar o crescimento de casos de feminicídio em nosso país ou da violência de gênero sendo negligenciada. Problemas como esses são a principal inspiração para as “mentiras” de Le Guin.

Em Gethen, não há discriminação de gênero, já que todos desempenham o mesmo papel em momentos diferentes da vida. Através do Kemmer, um período no qual os habitantes do planeta desenvolvem órgãos sexuais e sentem atração física pelo companheiro, podemos ver como vários questionamentos envolvendo a forma de nos relacionarmos são levantados.

Um homem deseja que sua viralidade seja reconhecida, uma mulher deseja que sua feminilidade seja apreciada, por mais indiretos que sejam esses reconhecimentos ou essa apreciação. Em Inverno, isso não vai existir. Julga-se ou respeita-se uma pessoa apenas como ser humano. É uma experiência espantosa.

É claro que Le Guin não é a única abordando temas voltados ao debate de gênero. Li recentemente um texto de James Davis Nicoll (o link fica aqui e no fim dessa matéria) e ele fala sobre a fixação de autores de ficção científica com premissas envolvendo planetas com uma população predominantemente, quando não completamente, de um único gênero. O que deixa as coisas um pouco complicadas é que na maioria dos casos temos a ausência do que seria o representante do sexo oposto sendo tratada como uma forma de alívio, é como se a presença de um ser “diferente de você” se transformasse em um enorme inconveniente. Preferimos viver alienados, porém confortáveis, ao invés de aprender com próximo.

Outro costume de alguns romancistas é simplesmente esquecer que o outro gênero existe. Como diz Nicoll, “a falta do outro gênero nem ao menos tem a intenção de dizer algo com isso, o autor apenas não se importou em incluir qualquer personagem do tipo, nem como coadjuvante […] Talvez o exemplo mais curioso seja o de Andre Norton, que lançou um livro (Plague Ship) sem qualquer mulher na história, mesmo sendo a própria escritora uma mulher”.

Não vou entrar em território de representatividade agora, mesmo sendo outro que precisa estar sempre em pauta, mas não podemos negar como muitos fãs de ficção científica e a comunidade nerd estão incluídos na parcela que não quer ver alguém do sexo oposto ganhando qualquer espaço na área de entretenimento, seja cinema, televisão ou quadrinhos. É só ver as reações negativas (e prematuras) à escolha de elenco nos últimos filmes da franquia Star Wars, isso sem contar que não são só comentários sexistas atacando as mulheres do filme, você encontra até xenofobia e racismo, e a pior parte é que não precisa procurar por muito tempo.

Em A Mão Esquerda, temos leituras diferentes para a forma que o sexo funciona. Talvez haja um gênero, e este seja próprio de Gethen; talvez três gêneros: masculino, feminino e neutro. Mas depois de conversar com um amigo que entende do assunto mais do que eu (vamos deixar claro que meu departamento é o de debate sobre a narrativa, estou apenas abrindo aqui os temas apresentados) e passou recentemente por uma transição importantíssima e de enorme impacto para sua vida. De acordo com ele, “os personagens parecem estar entre fluído e agênero. O que não deixa as coisas claras é a parte do acasalamento, porque se enquadra um pouco no cenário interssexual. Parece que Ursula quis intercalar essas três premissas”.

Independente das intenções da autora, o importante é notar como Inverno não faz distinção de sexo e com isso tem uma mente completamente diferente da nossa. É interessante notar como a abordagem de um tema abre a possibilidade para tantos outros debates relevantes, como o da cultura do estupro, outro que infelizmente tornou-se parte do nosso cotidiano.

Considere: não existe sexo sem consentimento, não existe estupro. Como ocorre com todos os mamíferos, o coito só pode ser realizado por convite e consentimento mútuo; do contrário, não é possível. A sedução certamente é possível mas deve ser tremendamente oportuna. Considere: não existe nenhuma divisão da humanidade em metades forte e fraca, protetora/protegida, dominante/submissa, dona/escrava, ativa/passiva. Na verdade, pode-se verificar que toda a tendência ao dualismo que permeia o pensamento humano é muito reduzida, ou alterada, aqui em Inverno.

Ainda assim, o próprio povo de Gethen tem seus preconceitos com a forma que Genly Ai se comporta e como as coisas funcionam com a espécie do emissário, isso somado ao estranhamento dos habitantes com a cor “escura” da pele do protagonista, mas o livro não dá tanto destaque para essa parte, então talvez seja um assunto melhor desenvolvido em uma matéria sobre outra obra onde isso seja predominante (sinta-se livre para indicar alguma nos comentários). Fica clara a intenção de Ursula ao mostrar como todos temos nossos próprios conceitos pré-estabelecidos e medo do que não compreendemos. No entanto, o livro também traz uma inesperada amizade que mostra dois lados com ideais diferentes, mas através de diálogos profundos e momentos para questionamentos existenciais, Ursula nos mostra a essência do que é ser um indivíduo que contempla seu mundo com fascínio, sem deixar que a incerteza tome conta da razão.

Talvez seja o que a ficção científica tem de melhor: criar empatia. Exploramos tantos mundos e espécies alienígenas; especulamos, extrapolamos e apostamos sobre o futuro; questionamos o sistema e tudo que há de estranho à nossa volta, mas o mais interessante da experiência é questionar a nós mesmos. Com “A Mão Esquerda da Escuridão”, Ursula K Le Guin conquistou vários prêmios, além da atenção de incontáveis fãs do gênero, por isso seu nome é tão poderoso.

Eu sei que não existe uma única resposta para a minha pergunta inicial, mas é essa a graça. Todos podem se interessar por sci-fi por incontáveis motivos, e expandir sua mente para debates e territórios que você nunca imaginou conhecer é um deles.

Talvez essa seja a função da ficção científica: abrir sua mente.

Texto publicado originalmente no blog Primeiro Contato

site: https://medium.com/primeiro-contato/a-import%C3%A2ncia-do-debate-sobre-g%C3%AAnero-em-a-m%C3%A3o-esquerda-da-escurid%C3%A3o-bfabdf40a72
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danielrod90 27/04/2018

Uma boa variedade de sensações
Bom, por mais que alguns tenham dito que o livro é maçante, quando eu li em vários momentos fiquei imerso na riqueza de detalhes que a autora descreve, e principalmenre no inicio do livro você vivencia aquela atmosfera gélida mas cálida, tanto no ambiente quanto nos gethenianos. Mas no decorrer do livro os personagens se desenvolvem melhor e você começa a se identificar lentamente com os protagonistas. O recurso de alternar o narrador entre genly e estraven enriquece muito o livro e apesar da fuga ao norte ser realmente mais denso, ele destaca muito bem a aproximação e o amor que os dois vivem. Sobre a parte da ausencia de genero e o choque que genly convive, há diversos pontos legais que vai desde como isso afeta a estrutura da sociedade até o questionamento do porque o homem acha vergonhoso chorar, mas para os gethenianos isso ser natural e comum. Enfim, uma ótima leitura para imergir e questionar a natureza humana
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Vira.Livro 24/07/2018

Um belo encontro
Depois de ficar tanto tempo sem ler ficção científica, encontro, por acaso, na livraria, "A mão esquerda da escuridão", que tem um prefácio maravilhoso sobre o que é ficção científica e o papel do escritor nesse gênero, com uma linguagem afiada e poética. Depois, li o resumo, e a ideia de um planeta com pessoas andróginas me cativou mais ainda. Saí da loja praticamente abraçada ao livro.
A história se passa no planeta Inverno, ou Gethen, quando Genly Ai, homem, humano como nós, é enviado para mediar um acordo com Karhide, a fim de convencer o país a se juntar ao Ekumen, a organização econômica e cultural da qual fazem parte cerca de 84 planetas. Todavia, problemas políticos internos fazem com que o rei de Karhide não aceite se juntar ao Ekumen, de modo que o personagem vai para outro grande nação, Orgoryen, tentar a sorte. Nada acontece como o esperado e sua única aliança é com uma pessoa da qual desconfiava mais que de todos em Inverno, Estraven.
O trunfo de "A mão esquerda da escuridão" é a discussão de gênero. Os habitantes de inverno não possuem a nossa dicotomia, eles são andróginos, num estado onde a sexualidade está latente e só desabrocha quando entram na fase de kemmer - periódica e curta -, podendo se tornar "homem" ou "mulher" - a diferença entre eles é mais para quem vai ou não engravidar. A relação dos gethenianos com gênero é muito diferente da nossa, não há papéis de gênero, comportamento padrão, profissão e outras desigualdades por causa disso. Todos são iguais nesse aspecto biológico, que não influencia em como a sociedade deve ser dividida. Por causa disso, Genly Ai tem uma grande dificuldade em se acostumar com a forma dos gethenianos. Ele tentar descobrir, pela forma de falar, movimentar, pela posição social em que caixinha tal pessoa cabe. No entanto, isso não funciona nada em Gethen.
Chega um ponto em que a leitura fica lenta, muito pela descrição excessiva de paisagens. Inverno é gelo puro e as vezes torna-se maçante ler e reler tantas vezes a quantidade de neve/gelo/frio. Mas é um grande livro e conhecer o universo criado por Úrsula Le Guin vale muito à pena.

site: https://www.instagram.com/viralivro/
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Larissa 15/07/2016

Nas mãos de Ursula
Quando adolescente, boa parte do que lia eram obras escritas por mulheres, uma preferência que não era premeditada. No processo de amadurecimento que a adolescência representou para mim, ler mulheres fazia parte de um movimento de identificação. Na maioria das vezes, as obras diziam exatamente aquilo que eu, com o coração e a cabeça fervilhando, não conseguia dizer.

Passada essa fase, percebo que deixei as escritoras de lado e não sei explicar o motivo. Simplesmente outras leituras me enfeitiçaram e eu atendi ao chamado. Recentemente, comecei a sentir uma necessidade de retomar a leitura de mulheres, porque eu, enquanto mulher, percebo a inspiração e a motivação que essas autoras provocam em mim.

Então escolhi Ursula Le Guin e seu clássico “A mão esquerda da escuridão” para serem minhas inspirações nesse momento. Ursula é uma escritora de fantasia e ficção científica nascida nos Estados Unidos, em 1929. Ela publicou “A mão esquerda” em 1969 e, com ele, ganhou prêmios como o Hugo e Nebula. Entre as influências de Ursula estão escritores como Tolkien e Philip K. Dick.

Em “A mão esquerda da escuridão”, Ursula conta a saga de Genly Ai, um emissário terráqueo da federação galática Ekumen, que chega ao Planeta Gethen (também chamado de Planeta Inverno) com a missão de convencer as autoridades do local a unirem-se ao Ekumen. Genly Ai tem uma missão política e, para dar conta dela, contará com o apoio de alguns personagens importantes no panorama político de Gethen.

Um desses personagens é Therem Harth rem ir Estraven, ex-primeiro-ministro em Karhide, uma das nações de Gethen. Estraven é banido de sua nação e perde sua autoridade diante da acusação de traição. Ele teria recomendado, “sob pretexto de real serviço ao rei (Argaven), que a Nação-Domínio de Karhide abrisse mão de sua soberania e abdicasse de seu poder para tornar-se uma nação inferior, súdita de uma certa União dos Povos (Ekumen)”.

Diante do exílio de Estraven, o emissário Genly Ai busca apoio para sua missão em outra nação, Orgoreyn, vizinha e rival de Karhide. Embora seja muito bem recebido pelos orgotas, Genly Ai torna-se vítima de uma conspiração que pode levar seus planos ao fracasso. Então ele percebe que deve voltar a Karhide.

A partir dessa trama política, Le Guin faz um primoroso trabalho de descrição das brancas e solitárias paisagens de Inverno, além do brilhante processo de construção psicológica dos personagens, especialmente Genly Ai e Estraven, entre os quais nasce uma forte amizade. Esse poder de descrição da autora pode ser percebido em trechos como:

“No crepúsculo do quarto dia de viagem a partir de Erhenrang, chegamos a Rer. Separam essas duas cidades quase mil e oitocentos quilômetros, um paredão montanhoso de milhares de metros de altura e dois ou três mil anos. A caravana parou do lado externo do Portal Oeste, onde seria movida para barcaças de canal. Nenhum barco terrestre ou carro pode entrar em Rer. (…) Não existem ruas em Rer. Há passeios cobertos, semelhantes a túneis, que no verão podem ser atravessados por dentro ou por cima, como se queira. As casas, ilhas e Lares espalham-se desordenadamente, caóticos, em uma confusão profusa e prodigiosa que subitamente culmina em esplendor”.

Com a história de Genly Ai e de sua saga no planeta Inverno, Ursula desenvolve uma de suas principais características, que é justamente mostrar o estranhamento e o processo de aceitação pelo qual o emissário terráqueo é submetido ao chegar a um planeta com costumes e realidades tão diferentes dos seus. Assim, a autora trabalha questões sociológicas, antropológicas e psicológicas relacionadas ao processo de interação entre culturas distintas.

Uma das principais diferenças apresentadas pelos gethenianos em relação aos terráqueos é a questão do sexo. Em Gethen, todas as pessoas têm gênero indeterminado e podem, em determinados momentos, assumir o gênero masculino ou o gênero feminino. Como isso funciona, prefiro deixar a própria Le Guin explicar:

“O ciclo sexual dura, em média, de 26 a 28 dias (…) e, no 22º ou 23º dia, o indivíduo entra no kemmer, o cio. Nesta primeira fase do kemmer, ele permanece completamente andrógino. (…) Quando o indivíduo encontra um parceiro no kemmer, a secreção hormonal recebe novo estímulo até que, num dos parceiros, ocorra a dominância hormonal masculina ou feminina. Os órgãos genitais crescem ou encolhem, conforme o caso, as preliminares se intensificam e o outro parceiro, provocado pela mudança, assume o papel sexual oposto”.

A partir do kemmer, se o indivíduo que estava no papel feminino engravidar, segue a atividade hormonal de forma que, durante a gestação, ele permanecerá feminino. Após o nascimento do filho, o indivíduo retorna ao somer, o estado original, andrógino.

Com todo seu poder criativo, a escritora mexe com nossas crenças e percepções, sem a intenção de lançar alguma proposta futurista, afinal, como ela mesma ressalta: “A ficção científica não prevê; descreve. Previsões são feitas por profetas (de graça); por videntes (que geralmente cobram um honorário e, portanto, são mais respeitados em sua época do que os profetas); e por futurólogos (assalariados). Previsões são o trabalho de profetas, videntes e futurólogos. Não são o trabalho de romancistas. O trabalho do romancista é mentir”.

Nesse contexto, Ursula mente muito bem!

site: www.cadernodeprosas.blogspot.com
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etsilvio 24/07/2015

Um livro de ficção com muito realismo
Foi uma leitura tão rápida, mas tão profunda, que terminei que estou aqui com saudade profunda dos protagonistas. Me senti ao lado deles nas passagens mais duras da história, e que personagens! Genly e Estraven ficarão na minha memória por muito tempo. Há passagens um pouco massantes no livro, de descrições geográficas, mas vale muito a pena prosseguir. É fã de ficção? Leia. Leia. Não deixe de ler jamais esse livro, e tenha a certeza de que apesar do estilo diferente é uma obra de uma vida. Leia.
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Viick 09/09/2019

URSULA LE GUN ENTRE NA MINHA CASA E COMA * ** DE TODA A MINHA FAMÍLIA
Um livro que só pode ter saído da cabeça de uma mulher e mais do que isso UM FRUTO DA DÉCADA DE 60, quando o feminismo pensava a condição feminina de um jeito DECENTE e sem teoria ANTIMULHER.
Obrigada, Ursula, por melhorar o meu ano.
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davidplmatias 25/06/2018

Incrível como Úrsula surpreende com seu estilo narrativo único, descrevendo nesse livro de forma verossímil uma sociedade humana hermafrodita, que desconhece diferenças sexuais. Gosto muito do universo e como os livros de Úrsula se interligam nesse mundo de ficção científica espacial único da autora.
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Leo 31/07/2016

A luz é a mão esquerda da escuridão e a escuridão é a mão direita da luz
Aí está um livro que eu procrastinei pra caramba. Meu interesse em conhecer a escrita da Ursula K. Le Guin sempre foi muito grande, mas alguma coisa me punha com medo de me "aventurar" nas questões propostas por ela e nas profundas ideias da autora . Quando eu falo de questões, falo mais precisamente de A Mão Esquerda da Escuridão, já que não tenho nenhum conhecimento à cerca dos outros livros da autora.
A Mão Esquerda da Escuridão é um livro denso, e saber isso antes de começar a leitura fez com que eu hesitasse um pouco e decidisse ler outros livros antes de começá-lo. Mas quando dei inicio à leitura, eu não poderia me perder mais na escrita habilidosa da Ursula.
O livro se poupa de qualquer forma de apresentação: Não há uma explicação de mundo, títulos sociais e até mesmo termos totalmente inventados simplesmente aparecem. Mesmo com essa chuva de novas informações, o leitor não fica perdido por muito tempo.
A historia tem inicio no ponto de vista de Genly Ai, um emissário de uma federação galáctica chamada Ekumen, que propõe uma união política, cultural e comercial entre vários -ou todos- planetas, de modo que assim eles possam evoluir de forma plena.

[b]A QUESTÃO DO GÊNERO[/b]
Genly foi enviado ao planeta Gethen, e sua missão lá é convencer os governantes a se juntarem ao Ekumen. Gethen é um planeta simples em suas ideias, mas é confuso demais para Genly, que por não aceitar de forma completa o funcionamento desta sociedade, acaba tendo dificuldades para se adaptar.
A Mão Esquerda da Escuridão, de Ursula K. Le Guin
14:58

SINOPSE

Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval, estranhamente bela e mortalmente intrigante. Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo.



Aí está um livro que eu procrastinei pra caramba. Meu interesse em conhecer a escrita da Ursula K. Le Guin sempre foi muito grande, mas alguma coisa me punha com medo de me "aventurar" nas questões propostas por ela e nas profundas ideias da autora . Quando eu falo de questões, falo mais precisamente de A Mão Esquerda da Escuridão, já que não tenho nenhum conhecimento à cerca dos outros livros da autora.
A Mão Esquerda da Escuridão é um livro denso, e saber isso antes de começar a leitura fez com que eu hesitasse um pouco e decidisse ler outros livros antes de começá-lo. Mas quando dei inicio à leitura, eu não poderia me perder mais na escrita habilidosa da Ursula.
"O que me pegou foi a qualidade da narrativa. Ursula se valeu da mitologia, da psicologia - toda a criatividade ao redor -, e teceu-as em uma história rara." - Frank Herbert

O livro se poupa de qualquer forma de apresentação: Não há uma explicação de mundo, títulos sociais e até mesmo termos totalmente inventados simplesmente aparecem. Mesmo com essa chuva de novas informações, o leitor não fica perdido por muito tempo.
A historia tem inicio no ponto de vista de Genly Ai, um emissário de uma federação galáctica chamada Ekumen, que propõe uma união política, cultural e comercial entre vários -ou todos- planetas, de modo que assim eles possam evoluir de forma plena.

A QUESTÃO DO GÊNERO

Genly foi enviado ao planeta Gethen, e sua missão lá é convencer os governantes a se juntarem ao Ekumen. Gethen é um planeta simples em suas ideias, mas é confuso demais para Genly, que por não aceitar de forma completa o funcionamento desta sociedade, acaba tendo dificuldades para se adaptar.

Gethenianos, Steven Celiceo Art
Os habitantes de Gethen são bem semelhantes aos seres humanos, porém são assexuados e só adquirem características femininas ou masculinas durante um período chamado kemmer, que é quando os Gethenianos estão férteis e podem se reproduzir. É unicamente no kemmer que eles tem qualquer tipo de relação sexual, e esse período funciona como uma forma de cio, isto é, os Gethenianos ficam com pré disposição ao sexo durante todo o tempo. É interessante como a autora não mostra apenas a estranheza de Genly Ai diante dessas características alienígenas, mas também o ponto de vista Getheniano sobre Genly Ai. Para eles, Genly é uma aberração, eles entendem que o terráqueo vive no kemmer, e por isso, ele é tido como um pervertido.
Durante essa descoberta que Genly enfrenta, ele tem que lidar com a ausência dessa dualidade de gênero em Gethen, e por diversas vezes acaba se prendendo à esteriótipos machistas que não se encaixam nessa sociedade.
Justamente por estar preso à essa linha de pensamento simplista, em que determinada função ou característica são atribuídas a mulher ou homem, Genly têm dificuldades para se adaptar. Além disso, é espetacular como os pensamentos ou as observações à cerca disso, feitas por Genly, são capazes de incomodar o leitor.
Ursula propõe uma sociedade desvinculada de qualquer preconceito de gênero, e mostra como Genly Ai e seu pensamento, humanos demais, são atrasados. Segundo a autora, nos anos 60, quando o livro foi escrito, discussões como essa começavam a ser levantadas, e o livro surgiu como uma forma de experimento. "O que acontece quando você tira o gênero das pessoas? O que sobra? Elas ainda seriam seres humanos? Para mim, sim."

[b]LEIA A RESENHA COMPLETA NO BLOG[/B]

site: http://www.adoraveisdiasdecao.com.br/2016/07/A-mao-esquerda-da-escuridao.html
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Daniel Pedrosa 10/05/2015

Kemmer
Um mundo onde o individuo as vezes é homem , as vezes é mulher. Como seriam as premissas desta sociedade e como se diferenciariam das nossas?
A mão esquerda da escuridão se propõe a explicar este mundo as vezes tão diferente e as as vezes tão parecido com o nosso.
Vale a leitura pelo seu todo, mesmo sendo um livro com um começo que pode ser meio lento e as vezes até cansativo.
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Fernando 28/03/2011

Eternamente em kemmer...
Com certeza um ótimo livro.
Gostei bastante da escrita ser em primeira pessoa, muito interessante.
A descrição da sociedade, da sua cultura, toda ela envolta no fato dos Gethenianos poderem ser tanto homem, quanto mulher, toda ela descrita por um ser de outro planeta, isso tudo leva o leitor, realmente, a outro mundo.
Temos também um pouco de viagens espaciais, embora seja somente algumas citações.
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ElisaCazorla 05/12/2018

Para fãs desse estilo
Li este livro para um desafio de um clube de leitura e jamais teria escolhido voluntariamente comprar e ler este livro. Ficção científica não faz o meu estilo.
PONTOS POSITIVOS: prosa fluida embora alguns capítulos sejam muito chatos. Coragem da autora de tratar de um assunto tão complicado - gênero.
PONTOS NEGATIVOS: a autora não teve muito sucesso para lidar com o tema de gênero. Me lembrou um pouco o filme INIMIGO MEU que já tratou desse assunto com muito mais sucesso e sensibilidade. Escolhi ler este livro porque achei que traria mais ideias e debates sobre gênero. Talvez para a época do livro tenha atingido isso, mas hoje com esse tema no auge e com muitos debates sobre o assunto acabou ficando raso e desinteressante. Achei, também, muito complicado entender o calendário e as nomenclaturas.
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Robson Koudan 18/04/2016

A mão esquerda da escuridão Ursula > Guin
Para muitos essa é uma das mais belas histórias de ficção científica já escrita, e para quem não conhece e tem interesse em começar a ler esse gênero, está aqui um bom início. Os fãs de fantasia sem dúvida gostarão, pois em muitos aspectos, a história lembra muito o mundo de Tolkien, eu particularmente me lembrei do livro Silmarillion desse autor. Partirei de dois pontos fundamentais do livro para tentar prender sua atenção até o final desse post, se não gostar dos dois pontos apresentados, acredito que não terá interesse no restante, então vamos entrar no longínquo mundo da autora Ursula K. Le Guin, A mão esquerda da escuridão.

A história se passa num planeta distante chamado Gethen, ou Inverno como chamam os homens da Terra. Simples, o clima dele se divide em inverno glacial e um inverno ameno, mesmo estando em outras estações; para a perspectiva de um terráqueo, ele é extremamente gelado.

Os habitantes de Gethen são humanos, mas sua fisiologia é diferente da nossa. Claro! Você deve pensar, ele é mais resistente ao frio e blábláblá. Certo, isso também. É muito mais marcante, pois eles possuem os dois sexos, macho e fêmea e aqui está um dos cernes dessa história.

Estamos a milhares de anos no futuro e a nossa humanidade (sim, há outras), já possui contato com muitos mundos povoados, o livro menciona em torno de oitenta e cinco. A maioria destes planetas está organizada numa espécie de ONU intergaláctica, (mencionarei isso no final), chamado de Conselho Ecumênico ou Ecúmena, e o representante desse conselho, Genly Ai, um terráqueo, chega a Inverno com proposta de adesão.

A narrativa se alterna entre o terrestre e um nativo de Gethen, Estraven, e é interessante ver a mesma história em alguns trechos, de pontos de vistas diferentes.




Aliás, diferença é o que é mais trabalhado nesse livro. Como dito, o povo de Inverno possui os dois sexos, seria um tipo de androginia: eles passam a maior parte do tempo numa forma assexuada, sem ser macho ou fêmea, e em ciclos, que ocorrem a cada mês, eles assumem um gênero conforme o nível hormonal de seu parceiro. Funciona assim, quando estão em kemmer, o nome do estado de mutação, se eles tocarem num outro indivíduo cujo nível hormonal masculino esteja mais alto, o outro assume a forma feminina e vice-versa. Isso gera situações às vezes cômicas, por exemplo, quando o rei está grávido.

Como um dos protagonistas é terrestre, e tem seu gênero já definido, isso gera estranheza e preconceito perante aquele povo. Pois para um ge-theniano aquilo era tido como depravação e perversão. Eles entendiam que se tratava de um alienígena, mas ainda sim fica bem pontuado isso em várias passagens. Acho bom ressaltar aqui, sem intenção de spoiler, mas para situar você, que na história há aqueles que se utilizam de substâncias para ficar em estado de kemmer permanente, esses são meio que tolerados pela sociedade, como acontece no caso do homossexualismo.

Gethen é um planeta que conhece eletricidade, ondas de rádios, ou seja, possui uma similaridade cultural com a Terra, porém, é mais atrasada tecnologicamente; e não acaba aí. Há muitas outras, como um sistema monárquico em algumas regiões e em outras, sistemas de governo do tipo parlamentarista. Esse é outro ponto importante, pois o enredo se desenvolve tendo esses dois países como ponto axial.

Os oitenta e cinco planetas citados possuem tipos de humanidades, inclusive numa passagem breve o protagonista teoriza que um desses mundos Hain, poderia ter iniciado a vida em todos outros, o que explicaria a presença de humanos com características diferentes; pois é mencionado homens alados, nós, terráqueos que desenvolvemos a telepatia com auxílio de outro povo e os ge-thenianos com sua ambivalência sexual, únicos entre as humanidades catalogadas. A propósito, a autora não tenta dissimular que são humanos, percebe-se que ela quer reforçar isso no decorrer de toda a história.

Por que mencionei que lembra o mundo de Tolkien? Quando estão sendo descritos lugares ou seus habitantes, soava pra mim como a terra média: cada lugar com seu costume e modos, e os próprios ge-thenianos, me lembram os elfos devido a sua androginia, o que muda é apenas sua etnia.Uns castanhos claros, escuros e outros mais avermelhados. Serei específico, porque isso com frequência confundem as pessoas, e não estarei fugindo do livro, na verdade é uma complementação, sendo a autora filha de antropólogos. Ela demarcou essas características muito bem, inclusive com mito de criação e um léxico próprio para se referir a peculiaridades do planeta. Vamos tomar nosso mundo como exemplo, embora a diversidade étnica humana seja plural: negro, asiático, branco e suas misturas, há apenas uma única raça, que é a humana. O mesmo ocorre em Gethen.

Não é exagero daqueles que dizem ser A mão esquerda da escuridão uma história que te marca por toda vida, pois ela nos deixa pensando sobre muitas coisas do cotidiano. Ela traz em seu bojo não apenas os temas polêmicos de sexualidade, igualdade, diferenças que são marcantes na maioria das obras literárias; há outros elementos universais e sutis: amizade, lealdade e o amor, inclusive entre pessoas de mundos diferentes. Não posso deixar de mencionar sobre o título, que de tão simples é belíssimo, não estragarei a surpresa.

Numa leitura de inferência, é nítida a postura feminista da autora que advogou nessa causa nos anos 50 e 60. Eu entendo o planeta inverno como uma alegoria do pós-guerra Guerra Fria. É bem claro também que o Conselho Ecumênico pode ser a ONU, tentando reorganizar o mundo com o sentimento de união dos povos que marcou bastante aquele período, e é claro, duas potências disputando influência: Kahide e Orgoreyn, regiões que representam EUA e a União Soviética com seus campos de concentração na Sibéria.

Bom, espero que tenham se interessado. Para quem gosta de boas histórias, vale muito a pena ler esse livro.


site: http://www.sempreromantica.com.br/2016/03/a-mao-esquerda-da-escuridao-ursula-k-le.html
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Maria Clara 06/09/2019

Melhor Ficção Científica que já li...
?
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Cleber Farinazzo Jr 19/01/2017

A Mão Esquerda da Escuridão
Foi maçante. Torci pra acabar logo.
Os efeitos de uma tal sociedade cujos membros naturalmente não possuem sexo definido foi algo abordado apenas de maneira muito rasa e sem nada que me parecesse uma grande ideia. Não encontrei nenhuma discussão impressionante sobre o assunto ou que me fizesse refletir sobre algo que eu não havia pensado antes de ler o livro.
Não houve nenhum personagem de valor com o qual eu pudesse me importar ou guardar na memória, nenhum acontecimento relevante, nenhum capítulo que eu tenha terminado com vontade de ler o próximo.
Teve uma longa parte do livro que os personagens apenas ficam viajando com descrições meticulosas de cada dia das dezenas de dias de viagem, que na verdade eram apenas andar na neve e torcer pra não morrer de frio. Capítulos e capítulos inteiros SÓ DISSO. Cheguei a pular diversas páginas, porque não aguentava mais.
Foi apenas um livro cansativo de terminar, sem que nada que faça pensar que valeu a pena.
Não recomendo o livro.
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