A Mão Esquerda da Escuridão

A Mão Esquerda da Escuridão Ursula K. Le Guin




Resenhas - A Mão Esquerda da Escuridão


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livrodebolso 14/10/2019

Não foi o mergulho mais fácil, mas eu enxerguei os corais. Neste livro, a mitologia está toda criada, e o protagonista já é familiarizado com o mundo, por isso, diferentemente de Harry Potter, por exemplo, não há um caráter introdutório e o leitor precisa se esforçar para se acostumar com a narrativa.
Felizmente, Ursula foi a melhor contadora de história que conheci nos últimos tempos. A elegância de suas palavras, a precisão descritiva, até mesmo os detalhes exagerados (que normalmente me desagradam, mas não com ela), fizeram deste uma das surpresas do ano.
Não é um livro novo (1969), mas as discussões são absolutamente atuais: no planeta Inverno (Gethen, na língua local), os habitantes são todos ambissexuais; por conta disso, situações de machismo, desigualdade, identidade e superioridade de gênero são inexistentes.
Curiosamente, o narrador é (quase sempre) um terráqueo masculino considerado uma aberração por estar sempre em estado de reprodução (em Inverno, apenas uma vez por mês os casais tomam forma de homem ou mulher, um em seguida do outro, podendo, portanto, um mesmo indivíduo vir a ser pai e/ou mãe). Sem dúvida, esta é a característica mais peculiar, porém, uma trama política envolve todos os aspectos antropológicos da obra: Genly Ai, o humano da Terra, é um embaixador do Ekumen (a ONU interplanetária), e precisa convencer Gethen a se juntar aos outros planetas. Tarefa difícil, Ai passa por graves dificuldades e recebe ajuda inesperada de Estraven, político importante que apoia sua causa. Ambos precisam atravessar quilômetros no gelo, dependendo inteiramente um do outro, para tentar resolver seus infortúnios. As últimas cem páginas são as mais lindas que eu tive a honra de ler um dia.
Ursula é impactante, destruidora e realista. No prefácio, ela tenta convencer que os romancistas de sci-fi não sabem prever o futuro. É claro que não: este livro foi escrito ontem e está sendo escrito hoje. E eu espero que no futuro ele seja apenas uma estranha lembrança.
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Filhos de Ogma 12/11/2014

Resenha: A mão esquerda da escuridão de Ursula K. Le Guin
Acesse a resenha no meu canal do youtube.

site: http://youtu.be/3vWik3dBOlM
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Fontesfilho 11/05/2016

Médio
Esperava mais de um livro premiado e tão comentado. Achei que faltou ousadia da autora no final. Classifico como mediano.
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Vanderni 06/09/2018

Singular.
Quando comecei a ler "A mão esquerda da escuridão" não tinha nenhuma expectativa. Seria apenas mais um livro de ficção científica, gênero que é um dos meus favoritos.
O desenrolar da narrativa foi descortinando um mundo novo, ímpar, de seres humanos singulares em sua sexualidade, embora semelhantes aos demais humanos no que diz respeito à dificuldade de se relacionar, à compreensão do outro, à complexidade da comunicação como uma via de mão dupla (o que dizemos e o que realmente queríamos comunicar, como o receptor compreende a mensagem em face de sua realidade e compreensão de mundo e vice-versa).
Por outro lado, a autora criou um planeta a ser visualizado, com sua geografia, sua divisão política, seus habitantes diferentes dos demais seres humanos conhecidos nesse universo, sua cultura, suas interações sociais, suas leis e regramentos. Um mundo que vale a pena conhecer.
É um livro cuja leitura valeu a pena e que merece uma releitura.
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Robson 17/04/2011

É recomendado para se ler no "Inverno" ou em qualquer estação do ano!!!
Genly Ai é um alienígena em um mundo totalmente diferente do seu, para o qual não está adaptado ou mesmo preparado para o que está por vir (nesse caso, o que ele vai aprender).


Ele irá aprender (em uma viagem na qual ele tem de convencer os habitantes do sempre frio e impiedoso planeta Inverno a se unir a sua federação), de que as percepções, ensinamentos e culturas divergem entre si, tanto quanto à distância entre elas (sejam estas distâncias físicas, ou ideológicas).


Os habitantes do planeta Inverno não possuem um sexo por definição, como nós o conhecemos, eles se adaptam de acordo com o período de acasalamento, denominado Kemmer, podendo assumir tanto formas e corpos masculinos, quanto femininos.


E aqui a genialidade da escritora reside no fato da maneira singular como ela expressa todas essas diferenças entre sexos (em Inverno não existem estupros, pois seus habitantes só fazem sexo no período de acasalamento, de modo que o sexo é sempre praticado de livre e espontânea vontade, apenas quando dois indivíduos estão no Kemmer).


Aqui também não existe orgulho, falta de respeito, ou até uma suposta superioridade entre sexos, para isso precisaríamos de definições mais precisas sobre a sua sexualidade.


O fato é que seus habitantes se enxergam apenas como semelhantes, não possuindo dessa forma essa “noção” que temos sobre a diferença dos sexos.


Isso parece simples a princípio, mas as guerras foram praticamente banidas nesse planeta, os assassinatos em grupos cessaram, restam apenas crimes esporádicos, mas em um sentido geral, todos os habitantes de Inverno vivem em relativa harmonia.


Mas essa relativa paz não se reflete no campo político, onde dois governos principais disputam territórios e serão envolvidos na polarização política que está em andamento no planeta, está atingira a fundo dois dos personagens principais do livro, Genly e Estraven.


O personagem de Estraven é um político que possui bastante influência, até mesmo para intermediar o enviado Genly a audiências com reis e outras autoridades, porém, Estraven é vítima de manipulações políticas e perde toda influência que até então possuía.


O fato de Estraven ser banido não altera em nada suas convicções, pois este possui caráter irretocável e não se dobra a maquinações políticas ou a qualquer coisa, preservando dessa forma uma qualidade básica para uma pessoa que tenha influência em qualquer meio (político, social, etc), o bom caráter. Apesar de ter certo poder de decisão sobre a vida de outras pessoas, Estraven se vê como mais um mero habitante que quer ver o seu planeta prosperar de forma limpa e respeitosa, como qualquer um de seus habitantes desejaria ver em um político.


Esse idealismo acabará selando o seu destino e do próprio planeta, visto que tais atitudes irão desencadear as mudanças necessárias para que os habitantes de Inverno possam compartilhar as “diferenças” proporcionadas por contatos com outros povos.


Pode ser observado aqui, que a união de duas culturas é visto pela escritora como uma alternativa para aprendermos a tolerar, descobrir, aprender com outros povos, nos transformar, nos enobrecer como pessoas.


No fim da história, restam algumas certezas, que o frio do planeta não precisa e não deve endurecer a grandeza de espírito e do coração das pessoas. E que as pessoas conhecidas como “traidoras”, podem ter traído seu país, ideais políticos, mas permaneceram fiéis a algo muito maior, seus ideais de um mundo melhor em que todos possam conviver em perfeita harmonia e que acima de tudo, a caridade e a humanidade são sempre preservados.


No geral, o livro é uma obra-prima, a própria montagem da história é genial, com lendas relatadas por outros personagens, textos científicos, etc.


Sem reservas, este é um dos melhores livros que já tive o prazer de ler.
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