A Mão Esquerda da Escuridão

A Mão Esquerda da Escuridão Ursula K. Le Guin




Resenhas - A Mão Esquerda da Escuridão


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Raphael Maia 15/04/2009

Um mundo frio e sem sexos
Desculpem o machismo mas só uma mulher poderia ter pensado nisso, Comecei a ler esse livro da maneira mais aleatória possivel.
Estava no meu horário de almoço caminhando por um sebo, quando dei com uma capa diferente dessa, era um desenho muito rustico, o que me atraiu no livro foi a junção de três fatos:
1º A arte quase rustica da capa ( Que nada tem haver com a atmosféra blasé da sociedade mostrada no livro ).
2º O titulo que só ganha significado nos ultimos momentos da história.
3º O fato de ser um livro de ficção cientifica escrito por uma mulher e premiado( machista outra vez, perdão ).

O Livro se mostrou totalmente diferente da imagem inicial que eu tinha dele, mesmo assim, jamais deixou de ser interessante, consegui me sentir um alienigena em meio a sociedade totalmente original, foi uma das mais intensas experiencias de imersão que ja tivee com um livro.

Se procura dinamismo e aventura, existem titulos melhores, mas se procura singularidade, esse é o livro.
Rafaele 28/09/2016minha estante
Adorei a crítica e os pedidos de desculpas Hahahaha O importante é a desconstrução!


Nil 16/02/2017minha estante
Gostei da resenha, gosto de ficção científica, vou colocar nos meus desejados. Obrigada por compartilhar sua opinião.


Bru 16/08/2017minha estante
Valeu pela crítica, fiquei interessada, vou ler o livro!

Concordo que o importante é a desconstrução mas numa próxima crítica só não faça esses comentários infelizes.

Ser machista e pedir desculpas não rola, apenas não seja.


Junior 22/02/2019minha estante
gente, mas não vi nada de machismo nos comentários dele.




thirtywishes 02/07/2013

Um estranho no ninho.
Vocês não vão acreditar no motivo que eu tive pra ler este livro. Muitos me considerarão bobo e inculto. Outros provavelmente me olharão com uma cara de "Você não tem mais nada para fazer da vida?". Eu, no entanto, espero que exista um terceiro grupo que apenas solte umas risadas e replique um "Ok, acho que eu já fiz algo parecido". Bom, por onde começar? Alguém aqui já viu O Clube de Leitura de Jane Austen? Eu sei, eu sei, não exatamente o começo mais esperado para essa história...

Bem, existe uma personagem nesse filme chamada Jocelyn que é o que eu chamaria de uma Emma da atualidade. Após a separação de sua melhor amiga com o marido, a doce casamenteira tenta reencontrar um amor para sua velha parceira... Amor o qual, ela acredita estar no charme de Grigg, um jovem nerd um pouco fora dos padrões. Assim, Jocelyn o convida para participar de um clube de leitura só de livros da Jane Austen para, quem sabe, juntar o casalzinho indiretamente. Só que Grigg, na verdade, se interessa por Jocelyn e tenta constantemente interessá-la em seus ~livros estranhos~ de ficção científica. E entre esses livros estava, nada mais nada menos que A Mão Esquerda da Escuridão da Ursula K Le Guin. (Sim. Foi um personagem fictício que me fez ler esse livro, me apedrejem!)

Leia mais no nosso site:
http://www.escolhendolivros.com.br/2013/02/a-mao-esquerda-da-escuridao-ursula-k-le.html
janaynah29 23/05/2015minha estante
Embora não seja exclusivamente por esse motivo que estou lendo esse livro, mas eu também fui influenciada pelo "Clube de leitura de jane austen".


Thaís 08/03/2018minha estante
Se eu te disser que compre esse livro hoje na Saraiva por esse mesmo motivo, você acreditaria? Está nos meus desejados há anos-luz justamente por causa do filme! Amor esse filme de paixão embora nunca tenha lido as obras de Austen. (Que estão na fila também)

Não se sinta sozinho nessa situação! Incultos, uni-vos! hahahaha





Marcos Carvalho 29/11/2011

Recomendadíssimo
Um grande livro de FC que transcende o gênero, pois não é descrito aqui aspectos futurísticos, mas sim, todo um elaborado processo em se transmitir uma mensagem, por meio de avanços conceituais e pela maturidade, gradativa, da personagem principal. O enredo é todo em torno de Genly Ai, o enviado ecumênico, que mostra dificuldades em lidar com uma sociedade em que não há um gênero único. Assim, ele alterna, inicialmente, de acordo com as necessidades da situação, em que se encontra, atribuir ora uma característica masculina, ora feminina a cada habitante. A idéia da autora de intercalar a história principal com pequenos contos sobre o funcionamento da sociedade em que Genly se encontra, a fim de clarear as idiossincrasias dessa complexa sociedade é excelente. Tanto Genly, quanto o leitor amadurecem juntos. Um livro incrível, a melhor obra da autora.
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Sandro 06/01/2016

Um planeta onde seus habitantes não possuem sexo definido. Só isso já é o suficiente pra chamar a atenção de qualquer um.
Mas esse não foi um livro fácil pra mim. A leitura não é fluida e levei um tempo pra me acostumar com os nomes próprios tanto dos personagens quanto dos lugares, mesmo já tendo lido outras obras de ficção científica.
Algumas descrições do Planeta Inverno ao longo da obra são um pouco repetitivas e maçantes, principalmente durante a fuga dos protagonistas.
Os pontos positivos do livro são as conversas entre o humano Genly Ai e o alienígena Estraven, que não compreende como o gênero de um indivíduo influenciaria tanto no curso de sua vida em outro planeta, já que essa distinção não existe no Planeta Inverno fora do kemmer.
Em muitos momentos a leitura me remeteu à "Orlando" da Virginia Woolf.
De qualquer maneira, o esforço em ler "A Mão Esquerda da Escuridão" foi válido.
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Marcos Faria 01/04/2013

Existem dois grandes incômodos na leitura de “A mão esquerda da escuridão” (Aleph, 2008). O primeiro é a visão de um mundo em que os valores ocidentais se impõem naturalmente como único caminho válido mesmo para as potências vagamente orientalizadas ou sociedades comunistas. O segundo é a afirmação do masculino como neutro, marcando o feminino como outro (e um outro quase sempre desvalorizado, apontado como falho) mesmo numa sociedade hermafrodita (e no entanto paradoxalmente heteronormativa) como a do planeta Gethen. Ursula K. LeGuin disse, na introdução escrita em 1976, que seu livro era sobre o presente, não sobre o futuro. Um presente frio como o inverno permanente de Gethen.

Publicado originalmente no Almanaque - http://almanaque.wordpress.com/2013/04/01/meninos-eu-li-33/
Mariana 15/12/2014minha estante
Concordo com suas afirmações e achei especialmente interessante suas últimas frases, pois há tempos estou lutando para compreender por que apesar de toda a sua evolução, Ursula decidiu retratar a mulher como um ser indesejável.
As características que ela atrela ao sexo feminino são assustadoramente machistas e desagradáveis, não consegui encaixá-las com outras considerações do livro.
Se Genly é um ser que faz parte do Ekumen, e esse conceito é tão evoluído que mais de 80 mundos podem viver pacificamente sem leis estabelecidas, como pode um ser vindo de algo tão grandioso trazer essas concepções das mulheres, que inclusive são também parte desse mesmo Ekumen?




Marcos 24/06/2014

Uma das melhores ficções que já li
Quando a simples introdução de um livro – uma espécie de prefácio escrito pela própria autora – é melhor do que muitas obras que você já leu, é indício de que você irá amar este livro. Porém, quando ao decorrer da obra a autora consegue te surpreender ainda mais, certamente você terá uma obra memorável em mãos.

Ursula K. Le Gui começa o livro narrando sobre um desfile em Karhide, país de um planeta chamado Inverno. Lá, Sr. Genly Ai, um alienígena para aquele mundo, está em uma missão de Estado: tentar convencer os líderes de Karhide a se unirem ao Ekumen – uma espécie de associação intergaláctica de planetas.

Porém, Inverno é um planeta totalmente diferente de todos os outros que fazem parte do Ekumen. Em primeiro lugar, o planeta é gelado; as temperaturas chegam a - 30º no período mais frio do ano. Em segundo lugar, diferentemente de toda a humanidade, os moradores daquele estranho planeta são Andróginos.

“O fato mais concreto pode fraquejar ou triunfar no estilo da narrativa: como a joia orgânica singular de nossos mares, cujo brilho aumenta quando determinada mulher a usa e, usada por outra, torna-se opaca e perde o valor. Fatos não são mais sólidos, coerentes, perfeitos e reais do que pérolas. Mas ambos são sensíveis” (p. 11).

Em Inverno, os habitantes não são homens e nem mulheres. Durante o período de ação sexual, eles desenvolvem o sexo feminino ou masculino – não necessariamente mantendo o mesmo sexo no próximo período. Todos podem ser pais ou mães. Todos têm todas as características psicológicas atribuídas a ambos os sexos.

Nesse planeta distante, Sr. Ai terá um aliado a sua causa: Estraven. Porém, em um planeta onde poucos acreditam que pode haver vida em outro planeta, Sr. Ai se verá em meio a um jogo político, com diversos problemas, muitas dores e poucas soluções. Estraven tentará ajudar, mas até onde dois humanos tão diferentes poderão colaborar um com o outro?

“Estava a sós com um estranho, no interior de um palácio escuro, numa cidade estranha cheia de neve, em plena Era Glacial de mundo alienígena” (p. 25).

Ursula, sem dúvida, cria um clássico da ficção científica, formando um universo novo, incrível e cheio de nuances. Através dos aspectos de Inverno, vemos um convite para analisar nosso próprio mundo, nossas próprias ideologias e preconceitos. Com várias humanidades, começamos a enxergar o outro como humano e não como homem, mulher e todas as suas opções sexuais. Vemos formado, na nossa frente, o ser humano puro e simples.

Sr. Ai, com seu jeito ingênuo e simples, nos cativa, faz ser amado e torcemos, página a página, para que ele alcance seus objetivos e se descubra, se entenda. Afinal, aliar Inverno a Ekumen deixe de ser a grande prioridade em certo momento da obra; o autodescobrimento passa a ser a meta.

“Os terráqueos tendem a achar que devem seguir em frente, progredir. O povo de Inverno, que vive sempre no Ano Um, acha o progresso menos importante que o presente. Meu gosto era terráqueo (...)” (p. 56).

Como o livro é narrado em primeira pessoa, conhecemos de perto os pensamentos e conflitos de Sr. Ai. Porém, a grande sacada da autora foi colocar capítulos narrados também por Estraven, nos fazendo deixar enxergar, também, o seu lado da história. Afinal, ele, como um ser humano complexo, também tem muitas dúvidas e anseios.

Além do enredo incrível e da qualidade literária da autora, encontramos um livro com uma diagramação agradável e moderna. A capa, também, é muito bonita, com detalhes em relevo, formando um desenho na parte branca. Infelizmente, não dá pra ver direito tais detalhes na foto. Tudo colabora para uma leitura agradável.

“Prisioneiros que estavam ali há vários anos tinham se adaptado psicologicamente e, até certo ponto, fisicamente, creio, a esta castração química. Eram tão assexuados quanto bois castrados. Não sentiam vergonha ou desejo; eram como anjos. Mas não é humano não ter vergonha ou desejo” (p. 171).

Sem dúvida alguma, A Mão Esquerda da Escuridão é um livro que merece ser lido, relido e presenteado. Aos amantes da ficção científica, não deixem de ler a obra. Para todos aqueles que nunca leram nada do gênero, leia este livro. Ele extrapola e muito o seu gênero, tornando-se uma obra memorável.

site: http://www.desbravadordemundos.com.br/2016/07/resenha-mao-esquerda-da-escuridao.html
Sam 06/07/2016minha estante
To tentando ler, mas não ta indo... li umas 100 pág... ta difícil pra mim, to meio perdida...


Marcos 06/07/2016minha estante
No começo ele é mais lento e talvez um pouquinho confuso mesmo, até porque apresentam uma cultura bem diferente. Mas persista, vale a pena. :D




Arine-san 21/12/2015

Assim seriamos nós sem o sexo?
Ursula K. Le Guin, uma das autoras mais famosas de ficção cientifica, conseguiu ir além na luta feminista pela igualdade de gêneros. Usando viagens intergaláctica como pano de fundo e um homem muito humano como protagonista, ela nos leva ao mundo gelado de Gethen, onde tudo é inverno - mas nem de longe isso é o de mais anormal no planeta. Já imaginou um mundo sem as barreiras sociais que permeiam o homem e a mulher? Um mundo sem responsabilidades de sexo, sem machismo, sem homofobia, sem violência contra o gênero mais fraco? Bem vindo ao planeta Inverno de Ursula.

Publicado pela primeira vez em 1969, o livro narra uma sociedade quase medieval num imenso mundo de gelo sem fim. A Mão Esquerda da Escuridão é um livro de ficção cientifica, sim, mas o que Ursula quer fazer é apontar como o sexo (de um modo geral) moldou nossa sociedade de uma forma doente. Como gerar essa reflexão? Criando uma sociedade em que os gêneros simplesmente não existem e o sexo não é ferramenta nem de prazer, nem de poder, como em nosso mundo. Somos apresentadas, logo de inicio, à Genly Ai, um homem de nosso planeta que foi mandado a uma missão até o estranho planeta de Gethen, onde os humanideos não são homens nem mulheres - e ainda assim os dois - à todo momento.


“Como se odeia ou como se ama um país? [...] Conheço gente, conheço cidades, fazendas, montanhas, rios, rochas, sei como, ao entardecer do outono, o sol cai oblíquo sobre certa terra arada nas montanhas; mas qual a finalidade de dar fronteiras a isto tudo, ou dar-lhe um nome e deixar de amar, no momento em que muda de nome?”

A missão de Genly exige que ele convença governantes locais a se unirem a um tipo de ordem universal que une raças “humanas” - no caso, pensantes e organizadas em sociedade - para troca comerciais e de conhecimento. Em Gethen, há muitos desafios quanto à isso. Gethen é um planeta de nações que não gostam uma das outras, mas não se dedicam à guerra, algo que intriga Genly. Todos, definitivamente todos, parecem carregar caracteristicas tanto femininas quanto masculinas, e a procriação da especie transforma, momentaneamente, cada um do casal em algum dos gêneros. O efeito disso sobre a sociedade é muito visível: qualquer um pode ser mãe, pai, político, ou qualquer outra coisa. Para Genly, um homem, entender o funcionamento dessa sociedade exige muito mais que abdicar da ideia de homem ou mulher, exige que ele passe a ver as pessoas não como ela enxergava aqui - um homem, uma mulher -, mas como pessoas. Só pessoas. Nada de papéis sociais implícitos, como ele estava acostumado a ver.


“Creio que ele acha que chorar é mau ou vergonhoso. Mesmo quando estava muito mal e efraquecido, nos primeiros dias da nossa fuga, ele escondia o rosto de mim quando chorava. Que razões pessoais, raciais, sociais, sexuais - que eu sei? - tem ele para não chorar?” - questiona Estraven, gentheiano, sobre Genly Ai

A história dá diversas reviravoltas, enquanto Genly tenta entender essa estranha sociedade ao mesmo tempo que tenta cumprir sua missão. O livro acaba se tornando um embate de joguinhos políticos internacionais, e Genly, no meio de tudo isso, corre perigo. Ele encontra amigos, descobre o amor, vê na face do inimigo um amigo fiel, desbrava o continente pra se salvar… São muitas coisas, mesmo, nas 295 páginas que Le Guin escreveu.

Apesar da história ser bem movimentada, a narrativa sempre em primeira pessoa dá um toque mais intimista para tudo que está acontecendo. Para alguns, isso transformará a leitura num trajeto lento e que precisa ser trilhado com paciência; para mim, que adoro entrar na cabeça de personagens interessantes, essa narrativa foi uma dádiva. Quando a autora decide abrir o leque para um outro personagem - que ninguém imagina ganhando tanto destaque -, a leitura torna-se ainda mais interessante.

Gethen e sua falta de guerra e sexo por prazer me lembrou uma coisa interessante que somos apresentadas à filosofia logo no inicio de nosso aprendizado na disciplina. O desejo, dizem, movimenta o homem à viver, e movimenta outras coisas, como a guerra. Fiquei pensando se a autora pensou nesse detalhe ao criar uma sociedade tão ambigua, em que os seres são homens e mulheres e não pensam no sexo como prazeroso. Uma sociedade que não está em busca do desejo ou prazer, seja ele de qual forma for… Só está ali para sobreviver, e nem sempre com regalias. Gethen chega a soar um mundo medieval, sem tecnologias apuradas, mas ainda assim com uma gente de intelecto desenvolvido e política acirrada. Assim seriamos nós sem o sexo? A autora parece perguntar ao leitor isso à todo momento.

Como uma interessada pelas questões de gênero e afins, a leitura foi como olhar para um todo e subentender a origem num único detalhe. Longe de estar aqui dando um veredito sobre a qualidade, ou não, do livro, acho que quem se interessa pelo mesmo assunto pode se apaixonar pela autora assim como me apaixonei. A leitura é lenta, mas não parada, e Le Guin sabe enfiar o leitor na cabeça de seu protagonista como muito autor não sabe fazer. Quem sabe, Genly Ai talvez seja a própria autora conversando conosco sobre um tema, tão vivo e humano como ele é. Esse é o livro que prova que ficção cientifica não é puramente sabres de luz e batalhas no espaço; um bom romance com toque psicológico e analítico pode ser, também, uma boa ficção cientifica, como A Mão Esquerda da Escuridão é.

site: https://redatoraquele.wordpress.com/2015/12/21/resenha-a-mao-esquerda-da-escuridao-ursula-k-le-guin
Caroline 17/01/2016minha estante
Adorei tua resenha guria!




Cris Lasaitis 28/12/2010

http://cristinalasaitis.wordpress.com/2008/06/19/lancamento-a-mao-esquerda-da-escuridao/

Laureado com os prêmios Hugo e Nebula em 1969, A Mão Esquerda da Escuridão é um dos romances inesquecíveis da ficção científica do século XX. A história se passa em um planeta de clima glacial – Gethen, o planeta Inverno -, habitado por uma raça de seres humanos totalmente hermafrodita. Genly Ai é um enviado do planeta Terra que vai a Gethen para negociar junto aos seus governantes a adesão das nações gethenianas ao Ekumen (uma espécie de confederação das civilizações intergalácticas), mas sua missão toma rumos imprevistos e se torna uma viagem de muitas descobertas, intrigas, perseguições políticas e aventuras na face gelada desse planeta onde não existem sexos.

A construção desse mundo alienígena quase-humano é de qualidade Tolkiana; um cenário sociológico riquíssimo é apresentado na forma de dossiê, com direito a relatos científicos, lendas, mitos, textos religiosos e páginas de diário; a saga é contada com alternância de dois pontos de vista: o do enviado estrangeiro e o do nativo getheniano. A história é belíssima e vai muito além das discussões sobre gênero e papéis sexuais na sociedade, explorando com uma profundidade rara os dramas comuns a toda espécie humana.

Esse é definitivamente o livro que me fisgou para a ficção científica, o meu “livro de cabeceira”.
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Núbia Esther 23/04/2011

Em se tratando de ficção científica, meu ritmo de leitura sempre demora um pouco para engrenar. É todo um mundo novo para se conhecer, leis e filosofias para entender que é preciso ler, ruminar e algumas vezes até reler certos trechos até se acostumar com o estilo do autor. Com o livro da Le Guin não foi diferente, até entendermos (se é que entendemos) o funcionamento da federação galáctica Ekumen e a intricada biologia do genthenianos (que é de causar inveja ao Spock), a leitura vai devagar, mas depois da aclimatação nos envolvemos de tal forma com a missão de Genly Ai, o papel de Estraven na trama e a descoberta de um mundo completamente novo em Gethen que é impossível largar a leitura.


Genly Ai é um Móvel, uma espécie de enviado da federação galáctica Ekumen. Essa federação engloba todos os planetas do sistema galáctico habitados por humanos, todos os conhecidos menos um: Gethen. Este estranho planeta, também chamado de Inverno devido à neve inclemente e o frio incessante, é habitado por humanos de biologia ímpar em todo o universo. Em Gethen, os humanos são andróginos podendo ser tanto homem quanto mulher segundo os estímulos recebidos durante seu período propício ao acasalamento (chamado por eles de kemmer). A missão de Genly é oferecer o convite para que Gethen passe a fazer parte do Ekumen, mas em meio a uma sociedade tão díspar e na qual as entrelinhas do diálogo são tão difíceis de serem decifradas, ele terá um árduo caminho pela frente. Durante seu percurso ele terá de convencer o rei de Karhide, Argaven; ou os orgotas de Orgoreyn e em meio a isso tudo decidir se pode ou não confiar em Estraven, que vinha lhe ajudando desde o início, mas é acusado de traição pelo rei de Karhide.

Entre a narração dos acontecimentos da missão de Genly em Inverno, Le Guin apresenta relatos sob a forma de transcrições, documentos genthenianos ou produzidos por emissários da federação anteriores à Genly, que nos fornecem um panorama geral da vida em Gethen e torna esse novo mundo mais real e palpável, contribuindo e muito para o enriquecimento da leitura.

Uma bela narrativa de ficção científica, que não se restringe apenas à viagens intergalácticas, batalhas interestelares e coisas do gênero. Le Guin criou um romance psicológico, no qual às relações interpessoais são mais importantes e sobre as quais os acontecimentos se desenvolvem. A autora discorre sobre política, relações de gênero, questões sexuais, a burocracia da vida em sociedade, patriotismo, religião e a organização social sem deixar de lado a ciência e as tecnologias, por exemplo, às viagens temporais realizadas pelos Enviados do Ekumen.

Le Guin não se restringiu a divagar sobre acontecimentos 10 000, 100 000 anos no futuro. Seu romance é futurista, mas para contá-lo ela criou um mundo novo, com costumes, lendas, filosofia e religião diversa. Vale à pena ler sua obra, não apenas para acompanhar a missão de Genly, mas também para desfrutar a descoberta de tantas novidades.

[Blablabla Aleatório]-http://feanari.wordpress.com/2011/01/31/a-mao-esquerda-da-escuridao-ursula-k-le-guin/
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Ezequias 17/03/2013minha estante
Realmente, não tinha me atido ao fato. A questão da inutilidade de saber as perguntas para as respostas erradas e certamente o ponto chave para o Guia dos Mochileiros.


Davenir 12/06/2016minha estante
Se eu não tivesse lido "O Mundo de Rocanon" da mesma autora também poderia ter passado essa possibilidade na minha cabeça. Mas ela até faz referência aos "monstros alados de Rokanan". Alias quem puder ler esse, recomendo.




Robson Koudan 18/04/2016

A mão esquerda da escuridão Ursula > Guin
Para muitos essa é uma das mais belas histórias de ficção científica já escrita, e para quem não conhece e tem interesse em começar a ler esse gênero, está aqui um bom início. Os fãs de fantasia sem dúvida gostarão, pois em muitos aspectos, a história lembra muito o mundo de Tolkien, eu particularmente me lembrei do livro Silmarillion desse autor. Partirei de dois pontos fundamentais do livro para tentar prender sua atenção até o final desse post, se não gostar dos dois pontos apresentados, acredito que não terá interesse no restante, então vamos entrar no longínquo mundo da autora Ursula K. Le Guin, A mão esquerda da escuridão.

A história se passa num planeta distante chamado Gethen, ou Inverno como chamam os homens da Terra. Simples, o clima dele se divide em inverno glacial e um inverno ameno, mesmo estando em outras estações; para a perspectiva de um terráqueo, ele é extremamente gelado.

Os habitantes de Gethen são humanos, mas sua fisiologia é diferente da nossa. Claro! Você deve pensar, ele é mais resistente ao frio e blábláblá. Certo, isso também. É muito mais marcante, pois eles possuem os dois sexos, macho e fêmea e aqui está um dos cernes dessa história.

Estamos a milhares de anos no futuro e a nossa humanidade (sim, há outras), já possui contato com muitos mundos povoados, o livro menciona em torno de oitenta e cinco. A maioria destes planetas está organizada numa espécie de ONU intergaláctica, (mencionarei isso no final), chamado de Conselho Ecumênico ou Ecúmena, e o representante desse conselho, Genly Ai, um terráqueo, chega a Inverno com proposta de adesão.

A narrativa se alterna entre o terrestre e um nativo de Gethen, Estraven, e é interessante ver a mesma história em alguns trechos, de pontos de vistas diferentes.




Aliás, diferença é o que é mais trabalhado nesse livro. Como dito, o povo de Inverno possui os dois sexos, seria um tipo de androginia: eles passam a maior parte do tempo numa forma assexuada, sem ser macho ou fêmea, e em ciclos, que ocorrem a cada mês, eles assumem um gênero conforme o nível hormonal de seu parceiro. Funciona assim, quando estão em kemmer, o nome do estado de mutação, se eles tocarem num outro indivíduo cujo nível hormonal masculino esteja mais alto, o outro assume a forma feminina e vice-versa. Isso gera situações às vezes cômicas, por exemplo, quando o rei está grávido.

Como um dos protagonistas é terrestre, e tem seu gênero já definido, isso gera estranheza e preconceito perante aquele povo. Pois para um ge-theniano aquilo era tido como depravação e perversão. Eles entendiam que se tratava de um alienígena, mas ainda sim fica bem pontuado isso em várias passagens. Acho bom ressaltar aqui, sem intenção de spoiler, mas para situar você, que na história há aqueles que se utilizam de substâncias para ficar em estado de kemmer permanente, esses são meio que tolerados pela sociedade, como acontece no caso do homossexualismo.

Gethen é um planeta que conhece eletricidade, ondas de rádios, ou seja, possui uma similaridade cultural com a Terra, porém, é mais atrasada tecnologicamente; e não acaba aí. Há muitas outras, como um sistema monárquico em algumas regiões e em outras, sistemas de governo do tipo parlamentarista. Esse é outro ponto importante, pois o enredo se desenvolve tendo esses dois países como ponto axial.

Os oitenta e cinco planetas citados possuem tipos de humanidades, inclusive numa passagem breve o protagonista teoriza que um desses mundos Hain, poderia ter iniciado a vida em todos outros, o que explicaria a presença de humanos com características diferentes; pois é mencionado homens alados, nós, terráqueos que desenvolvemos a telepatia com auxílio de outro povo e os ge-thenianos com sua ambivalência sexual, únicos entre as humanidades catalogadas. A propósito, a autora não tenta dissimular que são humanos, percebe-se que ela quer reforçar isso no decorrer de toda a história.

Por que mencionei que lembra o mundo de Tolkien? Quando estão sendo descritos lugares ou seus habitantes, soava pra mim como a terra média: cada lugar com seu costume e modos, e os próprios ge-thenianos, me lembram os elfos devido a sua androginia, o que muda é apenas sua etnia.Uns castanhos claros, escuros e outros mais avermelhados. Serei específico, porque isso com frequência confundem as pessoas, e não estarei fugindo do livro, na verdade é uma complementação, sendo a autora filha de antropólogos. Ela demarcou essas características muito bem, inclusive com mito de criação e um léxico próprio para se referir a peculiaridades do planeta. Vamos tomar nosso mundo como exemplo, embora a diversidade étnica humana seja plural: negro, asiático, branco e suas misturas, há apenas uma única raça, que é a humana. O mesmo ocorre em Gethen.

Não é exagero daqueles que dizem ser A mão esquerda da escuridão uma história que te marca por toda vida, pois ela nos deixa pensando sobre muitas coisas do cotidiano. Ela traz em seu bojo não apenas os temas polêmicos de sexualidade, igualdade, diferenças que são marcantes na maioria das obras literárias; há outros elementos universais e sutis: amizade, lealdade e o amor, inclusive entre pessoas de mundos diferentes. Não posso deixar de mencionar sobre o título, que de tão simples é belíssimo, não estragarei a surpresa.

Numa leitura de inferência, é nítida a postura feminista da autora que advogou nessa causa nos anos 50 e 60. Eu entendo o planeta inverno como uma alegoria do pós-guerra Guerra Fria. É bem claro também que o Conselho Ecumênico pode ser a ONU, tentando reorganizar o mundo com o sentimento de união dos povos que marcou bastante aquele período, e é claro, duas potências disputando influência: Kahide e Orgoreyn, regiões que representam EUA e a União Soviética com seus campos de concentração na Sibéria.

Bom, espero que tenham se interessado. Para quem gosta de boas histórias, vale muito a pena ler esse livro.


site: http://www.sempreromantica.com.br/2016/03/a-mao-esquerda-da-escuridao-ursula-k-le.html
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Lud 09/02/2016

O livro apresenta algumas questões bastante interessantes, como a questão de gêneros, que não existe no planeta visitado por Genly Ai. Os diálogos entre o protagonista e Estraven abordam vários pontos interessantes e, na minha opinião, são os melhores momentos da narrativa. Pelas discussões, por nos fazer pensar nesses tópicos, o livro é bastante válido. No entanto, a leitura é um tanto maçante, muito descritiva, poucos diálogos, uma nomenclatura alienígena de difícil compreensão...
Mas com certeza, o esforço vale a pena.
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Stephanie 13/04/2013

A Mão Esquerda da Escuridão não é um livro muito badalado aqui no Brasil. Apesar disso, foi um dos livros mais importantes da década de 60 e conquistou vários prêmios por causa de uma premissa muito simples, embora revolucionária: e se não existisse diferença de gênero?

Tudo bem, tudo bem. Em Inverno, o planeta alienígena de A Mão Esquerda da Escuridão, não é bem assim. Nenhum de seus habitantes possui sexo definido, só adquirindo as características de um gênero ou de outro durante um breve ciclo, e, ainda assim, se forem homem num momento, podem ser mulher em outro.

Parece estranho, mas os habitantes de Inverno acham o humano Genly Ai ainda mais estranho por ser homem. Emissário de uma confederação galática, Genly Ai chega em Inverno determinado a convencer seus governantes a participarem da coalizão – uma missão mais árdua do que ele imaginava, afinal, ali, ele é que é considerado o alienígena.

Apesar de problemático em algumas partes e não tão inclusivo como gostaria de ser (os habitantes de Inverno são todos referidos pelo pronome masculino, por exemplo, apesar de serem hermafroditas, até mesmo nas partes que não são narradas pelo humano), não dá pra negar os méritos do livro, até mesmo dada a época em que foi escrito.

O livro é dotado de uma prosa linda e conta com discussões sobre identidade de gênero, igualdade entre os sexos, liberação de costumes feminina entre, claro, a alta tensão política do planeta Inverno, com sua própria estrutura de classes, reinados, e sua sociedade.

Mais opiniões aqui =D http://www.fantasticaficcao.com.br/a-mao-esquerda-da-escuridao/
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Val 25/12/2014

Só classifico com uma estrela porque é o mínimo. Ridículo, perdi tempo.
marcos 05/04/2015minha estante
???


Flavio.Gabriel 11/03/2017minha estante
Poxa, achei sensacional a capacidade de criar um mundo e de pensar como a sociedade desse mundo se organiza em função das caracteristicas internas (sexualidade) e externas (clima).


Val 13/03/2017minha estante
Que bom que gostou. Perdi tempo e dinheiro.


Andrea 11/10/2017minha estante
Val, procure especificar porque não gostou, assim você oferece a outras pessoas a chance de elas concordarem e não perderem tempo e dinheiro também. Se você só diz "ruim" sem justificar, a crítica não ajuda ninguém, entende? bjs


Nati - @_fantasticomundoliterario 18/08/2019minha estante
Puxa, adorável sua consideração de apenas dizer que perdeu tempo com o livro e nem sequer discorreu uma discussão sobre o porque não gostou. Parabéns.




Ruh Dias 05/09/2016

SUGESTÃO DE LEITURA
A descoberta da Ursula K. Le Guin foi maravilhosa (obrigada, Dani!) e ela entrou na minha lista de escritores preferidos - lista esta, aliás, que cresce pouco, pois sinto falta de idéias originais na literatura contemporânea. Ela ganhará um post só dela em breve, portanto, vou me concentrar em falar desta sua obra, "A Mão Esquerda da Escuridão".

O gênero deste livro é ficção-científica, e considero o melhor que já li sobre o tema. A obra foi escrita em 1960 e é inacreditável como ainda é atual, futurista e inovador, mesmo depois de 55 anos. A maior transgressão da obra é que Ursula criou um universo onde os seres são andróginos: não há distinção entre homens e mulheres, pois todos são ambos.

Genly Ai é enviado ao planeta Gethen (ou Inverno) com a missão de convencer seus governantes a se aliarem a um grupo de 80 planetas, formando uma aliança universal. Genly é da raça humana, porém, ele não é exatamente como nós. Ursula postula como seria a evolução do ser humano e da Terra. Com isso, ele é um homem heterossexual e sente as diferenças de estar numa sociedade onde não existe gênero. Genly também precisa lidar com a cultura diferente deste planeta e com as sutilezas dos relacionamentos, tanto políticos como pessoais.



Embora o pano de fundo do livro seja ficção científica, a estória fala de relacionamentos. Genly se aproxima de Estraven, Primeiro-Ministro de um dos países do planeta Gethen, e ambos são alienígenas aos olhos do outro e precisam superar e tolerar uma série infindável de diferenças: de pensamento, de comunicação e de percepção. E, convenhamos, nós também sempre somos estranhos ao outro até que ele nos conheça, então as analogias com a nossa vida são infindáveis. Acho que esta é a primeira questão importante do livro.

A segunda questão importante é sobre a não diferenciação dos gêneros que mencionei no início. Ursula extrapola esta questão em todas as suas implicações sociais, biológicas, psicológicas e emocionais, e percorre quais seriam todas as consequências de não ter a divisão masculino/feminino. Ela coloca na estória desde os impactos dentro dos relacionamentos como o impacto na sociedade como um todo.

"A Mão Esquerda da Escuridão" é um livro que faz pensar. Quando a leitura termina, as idéias e concepções dele ficam maturando dentro da cabeça, e a cada dia percebo uma nova reflexão que ele gerou ou uma sutileza importante. Vale a leitura como ficção científica, vale a leitura como teoria social e vale a leitura como visão de relacionamentos.

site: http://perplexidadesilencio.blogspot.com.br/2015/06/sugestao-de-leitura-mao-esquerda-da.html
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