A Mão Esquerda da Escuridão

A Mão Esquerda da Escuridão Ursula K. Le Guin




Resenhas - A Mão Esquerda da Escuridão


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Flavio 26/01/2017

Universal e atemporal
O poder da literatura de nos envolver e nos permitir sermos observadores do lado de fora do universo ficcional é o que nos leva a abordar nossas próprias mazelas políticas, ideológicas, familiares e amorosas num paralelo sem fim com novos pontos de vista que provavelmente nossa mente nunca alcançaria sozinha. Nos faz olhar para nós mesmos, nosso comportamento para com o próximo, para com o diferente, para com o "frágil". E no final das contas a conclusão só poder ser uma: somos todos um corpo só, a humanidade. Ursula K. Le Guin abre nossos olhos como se ela mesma fosse um alienígena vindo de uma civilização avançada para nos mostrar o que é ser Humano. Ela nos despeja religião, cultura, política, comportamento, clima, geografia, história de um outro mundo para nos mostrar o nosso. Cria humanos andróginos, sem gênero, diferentes de tudo que já imaginamos, para nos mostrar como somos imaturos uns com os outros, como ainda temos muito a aprender em sociedade e como a compaixão, a amizade e o amor um dia nos tornarão um só.
Aliás, o livro não poderia ter melhor título cujo trecho faz parte dos versos de uma canção antiga Getheniana: luz é a mão esquerda da escuridão / e escuridão, a mão direita da luz. Parecem opostos mas não estão se opondo: dois são um. Esse embate de extremos opostos que permeia e controla nossa vida desde os início de nossa existência é o que torna essa história universal e atemporal.
Flavio.Gabriel 11/03/2017minha estante
Até iria escrever uma resenha, mas depois de ler a sua, estou satisfeito, já disseram o que eu me esforçaria muito pra expressar.


Joana Alves 09/05/2017minha estante
Esse livro é ótimo, li duas vezes.




Maria.Gabriella 24/07/2018

Um belo encontro
Depois de ficar tanto tempo sem ler ficção científica, encontro, por acaso, na livraria, "A mão esquerda da escuridão", que tem um prefácio maravilhoso sobre o que é ficção científica e o papel do escritor nesse gênero, com uma linguagem afiada e poética. Depois, li o resumo, e a ideia de um planeta com pessoas andróginas me cativou mais ainda. Saí da loja praticamente abraçada ao livro.
A história se passa no planeta Inverno, ou Gethen, quando Genly Ai, homem, humano como nós, é enviado para mediar um acordo com Karhide, a fim de convencer o país a se juntar ao Ekumen, a organização econômica e cultural da qual fazem parte cerca de 84 planetas. Todavia, problemas políticos internos fazem com que o rei de Karhide não aceite se juntar ao Ekumen, de modo que o personagem vai para outro grande nação, Orgoryen, tentar a sorte. Nada acontece como o esperado e sua única aliança é com uma pessoa da qual desconfiava mais que de todos em Inverno, Estraven.
O trunfo de "A mão esquerda da escuridão" é a discussão de gênero. Os habitantes de inverno não possuem a nossa dicotomia, eles são andróginos, num estado onde a sexualidade está latente e só desabrocha quando entram na fase de kemmer - periódica e curta -, podendo se tornar "homem" ou "mulher" - a diferença entre eles é mais para quem vai ou não engravidar. A relação dos gethenianos com gênero é muito diferente da nossa, não há papéis de gênero, comportamento padrão, profissão e outras desigualdades por causa disso. Todos são iguais nesse aspecto biológico, que não influencia em como a sociedade deve ser dividida. Por causa disso, Genly Ai tem uma grande dificuldade em se acostumar com a forma dos gethenianos. Ele tentar descobrir, pela forma de falar, movimentar, pela posição social em que caixinha tal pessoa cabe. No entanto, isso não funciona nada em Gethen.
Chega um ponto em que a leitura fica lenta, muito pela descrição excessiva de paisagens. Inverno é gelo puro e as vezes torna-se maçante ler e reler tantas vezes a quantidade de neve/gelo/frio. Mas é um grande livro e conhecer o universo criado por Úrsula Le Guin vale muito à pena.

site: https://www.instagram.com/viralivro/
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Leo 31/07/2016

A luz é a mão esquerda da escuridão e a escuridão é a mão direita da luz
Aí está um livro que eu procrastinei pra caramba. Meu interesse em conhecer a escrita da Ursula K. Le Guin sempre foi muito grande, mas alguma coisa me punha com medo de me "aventurar" nas questões propostas por ela e nas profundas ideias da autora . Quando eu falo de questões, falo mais precisamente de A Mão Esquerda da Escuridão, já que não tenho nenhum conhecimento à cerca dos outros livros da autora.
A Mão Esquerda da Escuridão é um livro denso, e saber isso antes de começar a leitura fez com que eu hesitasse um pouco e decidisse ler outros livros antes de começá-lo. Mas quando dei inicio à leitura, eu não poderia me perder mais na escrita habilidosa da Ursula.
O livro se poupa de qualquer forma de apresentação: Não há uma explicação de mundo, títulos sociais e até mesmo termos totalmente inventados simplesmente aparecem. Mesmo com essa chuva de novas informações, o leitor não fica perdido por muito tempo.
A historia tem inicio no ponto de vista de Genly Ai, um emissário de uma federação galáctica chamada Ekumen, que propõe uma união política, cultural e comercial entre vários -ou todos- planetas, de modo que assim eles possam evoluir de forma plena.

[b]A QUESTÃO DO GÊNERO[/b]
Genly foi enviado ao planeta Gethen, e sua missão lá é convencer os governantes a se juntarem ao Ekumen. Gethen é um planeta simples em suas ideias, mas é confuso demais para Genly, que por não aceitar de forma completa o funcionamento desta sociedade, acaba tendo dificuldades para se adaptar.
A Mão Esquerda da Escuridão, de Ursula K. Le Guin
14:58

SINOPSE

Genly Ai foi enviado a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal. Ao chegar no planeta Inverno, como é conhecido por aqueles que já vivenciaram seu clima gelado, o experiente emissário sente-se completamente despreparado para a situação que lhe aguardava. Os habitantes de Gethen fazem parte de uma cultura rica e quase medieval, estranhamente bela e mortalmente intrigante. Nessa sociedade complexa, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido e, como resultado, não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta. Mas Genly é humano demais. A menos que consiga superar os preconceitos nele enraizados a respeito dos significados de feminino e masculino, ele corre o risco de destruir tanto sua missão quanto a si mesmo.



Aí está um livro que eu procrastinei pra caramba. Meu interesse em conhecer a escrita da Ursula K. Le Guin sempre foi muito grande, mas alguma coisa me punha com medo de me "aventurar" nas questões propostas por ela e nas profundas ideias da autora . Quando eu falo de questões, falo mais precisamente de A Mão Esquerda da Escuridão, já que não tenho nenhum conhecimento à cerca dos outros livros da autora.
A Mão Esquerda da Escuridão é um livro denso, e saber isso antes de começar a leitura fez com que eu hesitasse um pouco e decidisse ler outros livros antes de começá-lo. Mas quando dei inicio à leitura, eu não poderia me perder mais na escrita habilidosa da Ursula.
"O que me pegou foi a qualidade da narrativa. Ursula se valeu da mitologia, da psicologia - toda a criatividade ao redor -, e teceu-as em uma história rara." - Frank Herbert

O livro se poupa de qualquer forma de apresentação: Não há uma explicação de mundo, títulos sociais e até mesmo termos totalmente inventados simplesmente aparecem. Mesmo com essa chuva de novas informações, o leitor não fica perdido por muito tempo.
A historia tem inicio no ponto de vista de Genly Ai, um emissário de uma federação galáctica chamada Ekumen, que propõe uma união política, cultural e comercial entre vários -ou todos- planetas, de modo que assim eles possam evoluir de forma plena.

A QUESTÃO DO GÊNERO

Genly foi enviado ao planeta Gethen, e sua missão lá é convencer os governantes a se juntarem ao Ekumen. Gethen é um planeta simples em suas ideias, mas é confuso demais para Genly, que por não aceitar de forma completa o funcionamento desta sociedade, acaba tendo dificuldades para se adaptar.

Gethenianos, Steven Celiceo Art
Os habitantes de Gethen são bem semelhantes aos seres humanos, porém são assexuados e só adquirem características femininas ou masculinas durante um período chamado kemmer, que é quando os Gethenianos estão férteis e podem se reproduzir. É unicamente no kemmer que eles tem qualquer tipo de relação sexual, e esse período funciona como uma forma de cio, isto é, os Gethenianos ficam com pré disposição ao sexo durante todo o tempo. É interessante como a autora não mostra apenas a estranheza de Genly Ai diante dessas características alienígenas, mas também o ponto de vista Getheniano sobre Genly Ai. Para eles, Genly é uma aberração, eles entendem que o terráqueo vive no kemmer, e por isso, ele é tido como um pervertido.
Durante essa descoberta que Genly enfrenta, ele tem que lidar com a ausência dessa dualidade de gênero em Gethen, e por diversas vezes acaba se prendendo à esteriótipos machistas que não se encaixam nessa sociedade.
Justamente por estar preso à essa linha de pensamento simplista, em que determinada função ou característica são atribuídas a mulher ou homem, Genly têm dificuldades para se adaptar. Além disso, é espetacular como os pensamentos ou as observações à cerca disso, feitas por Genly, são capazes de incomodar o leitor.
Ursula propõe uma sociedade desvinculada de qualquer preconceito de gênero, e mostra como Genly Ai e seu pensamento, humanos demais, são atrasados. Segundo a autora, nos anos 60, quando o livro foi escrito, discussões como essa começavam a ser levantadas, e o livro surgiu como uma forma de experimento. "O que acontece quando você tira o gênero das pessoas? O que sobra? Elas ainda seriam seres humanos? Para mim, sim."

[b]LEIA A RESENHA COMPLETA NO BLOG[/B]

site: http://www.adoraveisdiasdecao.com.br/2016/07/A-mao-esquerda-da-escuridao.html
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Daniel Pedrosa 10/05/2015

Kemmer
Um mundo onde o individuo as vezes é homem , as vezes é mulher. Como seriam as premissas desta sociedade e como se diferenciariam das nossas?
A mão esquerda da escuridão se propõe a explicar este mundo as vezes tão diferente e as as vezes tão parecido com o nosso.
Vale a leitura pelo seu todo, mesmo sendo um livro com um começo que pode ser meio lento e as vezes até cansativo.
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ElisaCazorla 05/12/2018

Para fãs desse estilo
Li este livro para um desafio de um clube de leitura e jamais teria escolhido voluntariamente comprar e ler este livro. Ficção científica não faz o meu estilo.
PONTOS POSITIVOS: prosa fluida embora alguns capítulos sejam muito chatos. Coragem da autora de tratar de um assunto tão complicado - gênero.
PONTOS NEGATIVOS: a autora não teve muito sucesso para lidar com o tema de gênero. Me lembrou um pouco o filme INIMIGO MEU que já tratou desse assunto com muito mais sucesso e sensibilidade. Escolhi ler este livro porque achei que traria mais ideias e debates sobre gênero. Talvez para a época do livro tenha atingido isso, mas hoje com esse tema no auge e com muitos debates sobre o assunto acabou ficando raso e desinteressante. Achei, também, muito complicado entender o calendário e as nomenclaturas.
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magdiel 22/09/2015

Apenas leia!
Vários gêneros literários, principalmente a ficção científica, são enxergados através de esteriótipos, o que muitas vezes faz as pessoas pensarem que as histórias de determinado gênero são os elementos já conhecidos do mesmo e nada mais. Na verdade, tanto a ficção científica, quanto todos os seus colegas gêneros literários, são apenas templates, planos de fundo e cenários para abordar os mais diversos assuntos, sejam eles relevantes ou não.

A visita de um homem a um planeta habitado por hermafroditas, pode servir para levantar importantes questões sobre as quais todo mundo deveria pensar. “Um homem deseja que sua virilidade seja reconhecida, uma mulher deseja que sua feminilidade seja apreciada, por mais indiretos que sejam esse reconhecimento e essa apreciação. Em Inverno, isso não vai existir. Julga-se ou respeita-se uma pessoa como ser humano.” Esse trecho, por exemplo, me fez pensar no quanto o mundo seria melhor se as pessoas tivessem mais respeito umas com as outras e menos orgulho e pretensões sexuais.

Se você topar com A Mão Esquerda da Escuridão por aí em alguma livraria, ele pode até passar despercebido. O título parece nome de livro de fantasia sombria, e a capa da edição mais recente publicada pela editora Aleph não é atrativa e não chama nem um pouco de atenção. Ela também não é feia, o que não é o mais importante para um livro, mas a capa ajudaria bastante na propagação da obra. É somente quando se mergulha nas páginas escritas por Ursula K. Le Guin, que o leitor se dá conta de que está diante de uma preciosidade.

“O inesperado é o que torna a vida possível.”

Entrando na história, acompanhamos a saga de Genry Ai, um homem que vai ao planeta Gathen (também conhecido como Inverno) com a missão diplomática de propor que ele se junte ao Ekumen, que se trata de uma união planetária já com mais de 80 planetas membros, com a intenção de promover a troca de conhecimento entre eles e o comércio aberto. Acontece que os seres humanos desse planeta são um pouco complicados de lidar.

Primeiro, sua fisiologia é diferente da fisiologia dos demais seres humanos dos outros planetas. Eles permanecem um tempo como eunucos, e quando chega seu período fértil, o kemmer, eles podem tanto desenvolver o órgão reprodutor masculino, como o órgão feminino. Quando um gatheriano tem o órgão reprodutor feminino, ele pode engravidar. Embora haja essa androginia, esses seres também se generalizam como “homens”. Mesmo quando estão no kemmer da forma feminina. Não existe conceito de “mulher”.

Segundo, que sua cultura, filosofia e estilo de vida são conservadoras, e sua civilização é um pouco atrasada. De que forma? Eles não possuem nenhum veículo que voe, e também não acreditam em vida extra-terrestre. Com a chegado do chamado “Enviado”, Genry Ai, os gatherianos o consideram uma aberração por sua fisiologia apenas masculina. O chamam até de pervertido por permanecer o tempo inteiro no kemmer. Também o consideram um mentiroso ao afirmar sobre a vida fora do planeta Inverno.

Ursula extrai ao máximo as questões que podem ser levantadas a partir dessas complicações. Os gatherianos não são muito diferentes da sociedade atual. Eles são intolerantes, hostis, não confiáveis.

“Se a civilização tem um oposto, é a guerra. Das duas coisas, ou se tem uma ou outra. Não ambas.“

Eu poderia falar que o livro aborda igualdade sexual, natureza humana e várias outras coisas. Mas direi algo muito mais importante: Leia o livro! As idéias impostas pela Ursula em 1969 são tão atuais que conversam melhor com a sociedade de hoje do que várias outras obras de nossa década.

“— Você ainda não percebeu, Genry, por que aperfeiçoamos e praticamos a Vidência?

— Não…

— Para demonstrar a completa inutilidade de saber a resposta à pergunta errada.“

Além da saga de Genry Ai, o livro também possui vários elementos que ajudam a enriquecer a história. Os gatherianos, suas características, o planeta como um todo, uma religião e uma mitologia própria. Mas o que realmente me arrebatou, foi sua ideologia.

“— O Desconhecido — (…) —, o não previsto, o não provado: é nisso que se baseia a vida. A ignorância é a base do pensamento. A não-prova é a base da ação. Se houvesse certeza de que Deus não existe, não haveria religião. (…) Mas também, se houvesse certeza de que Deus existe, não haveria religião… Diga-me, Genry, o que sabemos: O que é certo, previsível, inevitável… a única certeza que você tem sobre seu futuro, e o meu?

— Que vamos morrer.

— Sim. Só existe realmente uma pergunta que pode ser respondida, Genry, e já sabemos a resposta… A única coisa que torna a vida possível é a incerteza permanente e intolerável: não saber o que vem depois.“


site: codigo137.blogspot.com
Caroline 17/01/2016minha estante
Esse trecho é demais




Filhos de Ogma 12/11/2014

Resenha: A mão esquerda da escuridão de Ursula K. Le Guin
Acesse a resenha no meu canal do youtube.

site: http://youtu.be/3vWik3dBOlM
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Robson 17/04/2011

É recomendado para se ler no "Inverno" ou em qualquer estação do ano!!!
Genly Ai é um alienígena em um mundo totalmente diferente do seu, para o qual não está adaptado ou mesmo preparado para o que está por vir (nesse caso, o que ele vai aprender).


Ele irá aprender (em uma viagem na qual ele tem de convencer os habitantes do sempre frio e impiedoso planeta Inverno a se unir a sua federação), de que as percepções, ensinamentos e culturas divergem entre si, tanto quanto à distância entre elas (sejam estas distâncias físicas, ou ideológicas).


Os habitantes do planeta Inverno não possuem um sexo por definição, como nós o conhecemos, eles se adaptam de acordo com o período de acasalamento, denominado Kemmer, podendo assumir tanto formas e corpos masculinos, quanto femininos.


E aqui a genialidade da escritora reside no fato da maneira singular como ela expressa todas essas diferenças entre sexos (em Inverno não existem estupros, pois seus habitantes só fazem sexo no período de acasalamento, de modo que o sexo é sempre praticado de livre e espontânea vontade, apenas quando dois indivíduos estão no Kemmer).


Aqui também não existe orgulho, falta de respeito, ou até uma suposta superioridade entre sexos, para isso precisaríamos de definições mais precisas sobre a sua sexualidade.


O fato é que seus habitantes se enxergam apenas como semelhantes, não possuindo dessa forma essa “noção” que temos sobre a diferença dos sexos.


Isso parece simples a princípio, mas as guerras foram praticamente banidas nesse planeta, os assassinatos em grupos cessaram, restam apenas crimes esporádicos, mas em um sentido geral, todos os habitantes de Inverno vivem em relativa harmonia.


Mas essa relativa paz não se reflete no campo político, onde dois governos principais disputam territórios e serão envolvidos na polarização política que está em andamento no planeta, está atingira a fundo dois dos personagens principais do livro, Genly e Estraven.


O personagem de Estraven é um político que possui bastante influência, até mesmo para intermediar o enviado Genly a audiências com reis e outras autoridades, porém, Estraven é vítima de manipulações políticas e perde toda influência que até então possuía.


O fato de Estraven ser banido não altera em nada suas convicções, pois este possui caráter irretocável e não se dobra a maquinações políticas ou a qualquer coisa, preservando dessa forma uma qualidade básica para uma pessoa que tenha influência em qualquer meio (político, social, etc), o bom caráter. Apesar de ter certo poder de decisão sobre a vida de outras pessoas, Estraven se vê como mais um mero habitante que quer ver o seu planeta prosperar de forma limpa e respeitosa, como qualquer um de seus habitantes desejaria ver em um político.


Esse idealismo acabará selando o seu destino e do próprio planeta, visto que tais atitudes irão desencadear as mudanças necessárias para que os habitantes de Inverno possam compartilhar as “diferenças” proporcionadas por contatos com outros povos.


Pode ser observado aqui, que a união de duas culturas é visto pela escritora como uma alternativa para aprendermos a tolerar, descobrir, aprender com outros povos, nos transformar, nos enobrecer como pessoas.


No fim da história, restam algumas certezas, que o frio do planeta não precisa e não deve endurecer a grandeza de espírito e do coração das pessoas. E que as pessoas conhecidas como “traidoras”, podem ter traído seu país, ideais políticos, mas permaneceram fiéis a algo muito maior, seus ideais de um mundo melhor em que todos possam conviver em perfeita harmonia e que acima de tudo, a caridade e a humanidade são sempre preservados.


No geral, o livro é uma obra-prima, a própria montagem da história é genial, com lendas relatadas por outros personagens, textos científicos, etc.


Sem reservas, este é um dos melhores livros que já tive o prazer de ler.
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Gio 29/04/2019

Inverno, distante e arrastado.
Começo minha resenha desse livro com certa incerteza. Não sei ao certo minha real opinião sobre ele, mas garanto que a história é arrastada, realmente arrasta lentamente o leitor por capítulos e cenas que são apenas passagens de cenários, e o planeta sendo Inverno, podem imaginar que basicamente era gelo. Os diálogos e reflexões são poucos, ainda que profundos é meio difícil de realmente pegá-los pela história. A aproximação real com os personagens demora e só chega depois da metade do livro, o resto eu me senti distante, mas culpo o formato do livro que é basicamente feito de relatórios. Como fui pensando durante o histórico da leitura o livro me chegou aos ouvidos devido a fama sobre um planeta de personagens sem sexo e sem distinção de feminino/masculino, por isso esperava muito mais esse lado na história, mas me senti um pouco enganada, poucas páginas e frases foram separadas para isso e marcou mais mesmo um cenário político. No fundo a história é boa, mas cansativa, arrastada e confesso que me senti decepcionada com o final. Só não diria que vale a pena.
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.:*Mandy*:. 20/01/2010

Ele permanece na minha lista de livros pendentes. Acho que não estou numa fase boa para ler livros densos como este.
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Andressa 05/02/2016

“É menino ou menina?”. A primeira pergunta que se costuma fazer a uma mulher grávida é quase uma convenção social inerente à condição de gestante. Mas o quão mindblowing poderia ser caso a resposta fosse “Nem um nem outro”? A Mão Esquerda da Escuridão, um clássico da ficção científica escrito pela americana Ursula K. Le Guin, nos propõe esse desafio.

Publicado em 1969 e vencedor dos prêmios Hugo e Nebula, o livro conta a história de Genly Ai, um Enviado humano a Gethen com a missão de convencer seus governantes a se unirem a uma grande comunidade universal, o Ekumen, uma espécie de ONU intergaláctica. Ao chegar no planeta desconhecido, o emissário encontra dificuldades maiores do que o gélido clima de Inverno, como também é conhecido. Na complexa sociedade em que aporta, cujo idioma de um dos países apresenta dezenas de variações para neve, mas nenhum sintagma para guerra, homens e mulheres são um só e nenhum ao mesmo tempo. Os indivíduos não possuem sexo definido durante a maior parte de suas vidas e essa condição, para eles tão natural, é determinante para basicamente qualquer interação social.

Os seres andróginos de Gethen encaram o sexo de forma mais simples e direta, animalesca não no sentido selvagem que o adjetivo adquiriu, mas de naturalidade: é um instinto, uma necessidade, tanto individual quanto coletiva para a continuidade da espécie. Eles passam por ciclos chamados de kemmer, período em que, a cada 26 ou 28 dias, adquirem características femininas ou masculinas. Semelhante ao cio, o kemmer estimula os desejos sexuais e a própria sociedade getheniana se organizou para saber lidar com isso: há espaços próprios para os encontros, há “licenças-kemmer”, há locais que acolhem as crianças nascidas após. Um casal pode jurar kemmering, ou seja, pode se comprometer com a monogamia, mas essa não é uma prática tão comum assim. Uma pessoa em um kemmer pode ser homem, no próximo pode ser mulher. Existem “grávidos”.

(resenha completa no blog)

site: http://coadjuvando.com.br/resenha-a-mao-esquerda-da-escuridao-de-ursula-k-le-guin/
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Karla Lima - @seguelendo 12/02/2019

Na introdução dessa edição, Ursula diz: “ficção científica é metáfora” e que “ficção científica não prevê; descreve”. Desde as primeiras páginas, a autora nos prepara para o que está por vir, e isso não tornou as coisas mais fáceis...

A mão esquerda da Escuridão é uma obra bem estruturada. A sociedade peculiar a qual somos apresentados foi edificada sob os alicerces da ecologia, sociologia e antropologia daquele planeta. Nesse aspecto, a obra me lembrou Duna, desde a importância dada aos os detalhes, como a construção da cultura de um povo.


Nessa sociedade complexa, os indivíduos não possuem sexo definido. São macho e fêmea e ao mesmo tempo, não são. O resultado dessa característica: não há qualquer forma de discriminação de gênero, sendo essas as bases da vida do planeta.

A concepção desse enredo já é, por si só, incrível. Se levarmos em consideração a época em que foi escrito não existe outra palavra para descrever que não seja “genial”. Ursula estava a frente do seu tempo e seu texto, extremamente detalhista, nos entrega uma história única.

Não achei fácil de ler, confesso. O texto é lento, quase como se estivesse se arrastando na neve que cobre o planeta Inverno, mas é de um encantamento que é difícil de descrever. Ela usa as palavras certas, alfinetando a sociedade como a conhecemos em diversos momentos.

Em contrapartida, aos poucos vamos nos apegando aos personagens, enquanto tentamos entender o engendrar das tramas políticas e dos territórios de Gethen.

A mão esquerda da escuridão é um clássico, deve e merece ser lido. É uma verdadeira aula de como criar uma sociedade e dar vida a um povo.


site: http://instagram.com/seguelendo
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Lili Machado 26/09/2012

Ganhador dos Prêmios Hugo e Nebula, como o melhor dos anos de 1969 e 1970.
The Left Hand of Darkness, com aspectos de psicologia, sociologia e antropologia, conta a estória de Genly Ai, um humano solitário, enviado a Winter, um mundo alienígena de condições árticas, cujos habitantes são fisicamente iguais aos terráqueos, mas podem mudar de gênero, num ciclo mensal, chamado de kemmer. Se um dos membros de um casal se torna mulher, o outro, automaticamente, se torna homem.
A meta de Genly Ai é facilitar a inclusão de Winter na civilização intergalática, Ekumen of Worlds, e travar uma troca intelectual de idéias e tecnologia.
Para tanto, ele tem de alinhar sua própria cultura e preconceitos com a cultura daqueles membros de uma civilização tão diferente.
Uma das partes mais interessantes do livro é o relacionamento do terráqueo Genly com o homem-mulher de Winter – e seu entendimento. A estória levanta questões sobre nossa percepção associada ao chauvinismo sexual.
Para 1969, a época em que foi escrito The Left Hand of Darkness, o gênero literário de ficção científica estava inciando novas dimensões sociais. Mas o livro é imensamente rico em sabedoria atemporal.
Le Guin é uma mestra na literatura sci-fi, com foco maior na exploração do relacionamento humano, do que na exploração de futuras possibilidades. Ela pode criar novos mundos e novas culturas, insuperáveis por outros autores do gênero.
Este é um clássico que deve ser lido por qualquer um que ama ficção científica, e deve ser relido várias vezes, com muito prazer.
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Janaina.Silva 14/01/2019

Livro maravilhoso
Comprei o livro porque tinha visto a resenha de uma youtuber e achado interessante, apesar da youtuber não parecer ter achado o livro tão bom. Então comecei a ler achando que não acharia o livro tão gostoso de ler, mas me surpreendi, pq se tornou um dos meus livros favoritos, não conseguia parar de ler e quando parava, gastava muito tempo pensando na história, ela te faz refletir.
O início começa meio difícil pq fiquei perdida e só no terceiro capítulo que fui pegar o gosto pela leitura e não parei mais. É muito interessante conhecer mais sobre o planeta e o comportamento das pessoas e como isso afeta o protagonista. Outra parte muito gostosa de ler são os capítulos sobre as lendas que se intercalam com os texto do protagonista e de outro personagem. Vi muitos comentários falando que era muito descritivo, isso pra mim não fez ele ficar cansativo e acho que ajudou a pensar em como é o planeta. O ruim é só não ter um mapa do local, fiquei bem perdida no início e fui procurar na internet se tinha algum pra me ajudar.
Eu recomendo fortemente a leitura e se você como eu achou difícil o início, resista, vai valer a pena.
Livia 31/05/2019minha estante
Tem uma imagem no google com um "mapa mundi" de Gethen, chegou a achar? Ajuda bastante, principalmente no final kkkk




hanny.saraiva 07/11/2018

Uma história tecida com sutileza e profundidade
Eu não estava entendendo nada no início, mas a narrativa é tão cativante e envolvente (de uma forma bem esquisita, mas muito ficção científica) que quando vi já estava na metade do livro. O fato dos personagens não serem femininos nem masculinos é sensacional, mas acima de tudo é um livro que deve ser relido porque há várias camadas que só são reveladas quando se devora calmamente ou se lê uma segunda vez. Não é um livro com plot twists, mas para quem curte ficção científica vale muito a pena.
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