O Duplo

O Duplo Fiódor Dostoiévski




Resenhas - O Duplo


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Geraldo.Barradas 15/02/2019

Poderia ser, mas...
O segundo livro de Dostoievski é pra mim um dos clássicos exemplos de obras que poderiam ter sido perfeitas, maravilhosas, atemporais, mas não foi dessa vez :( O livro tem bons momentos e muitos méritos, é um livro experimental, definitivamente, mas como obra em si, como narrativa, não me convenceu...
Mas vou ressaltar novamente como Dostoievski escreve bem, meu Deus! E como ele constrói personagens como ninguém
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Pandora 05/02/2019

Já li alguns livros de Dostoiévski, mas decidi ir atrás dos primeiros e lê-los em ordem de lançamento.

O livro é maravilhoso, mas é também extenuante: muito pelo transtorno do personagem e suas ideias desconexas, sua confusão mental, a mania de perseguição, que vão ficando cada vez mais presentes conforme o delírio do personagem avança. Um pouco por conta dos parágrafos muito extensos, os capítulos grandes, os poucos diálogos. É o livro do Dostô que mais exigiu minha concentração até o momento.

Acho que a ideia é que a gente se veja na pele de Golyádkin, sinta sua perturbação e confusão como se fosse nossa. E funciona, ao longo da leitura tive até dor de cabeça! A ambição e a necessidade de agradar são tão fortes no personagem que ele cria um duplo com as qualidades que ele não tem: auto estima alta, segurança, desinibição, traquejo social.

Não por acaso Golyádkin é um burocrata: a literatura já retratou funcionários públicos os mais diversos, pois dão excelentes personagens. Quanto mais sensíveis, tímidos, criativos ou artísticos, mais se ressentem de um sistema onde impera o trabalho metódico, a mesmice, a rotina e a hipocrisia. Onde a ascensão se faz mais pelos meios políticos do que pelo merecimento. E, que no caso do personagem de Dostoiévski, não há chance alguma de promoção.

O duplo, o Golyadkin segundo, sendo e fazendo tudo o que Golyadin gostaria de poder, provoca nele uma indignação e inveja tais, que seu objetivo passa a ser a eliminação daquele que considera um inimigo, um usurpador, um aproveitador. E o final dessa luta insana não poderia ser diferente.

Dostoiévski da primeira fase, já mostrando a que veio.
Lucas 05/02/2019minha estante
Adorei seus comentários! Eu também estou lendo (bem vagarosamente) a obra de Dostoiévski na ordem de lançamento e O Duplo me chamou atenção por retratar muito bem um tipo de história que se tornou comum no imaginário de diversos autores e roteiristas de cinema, que é essa projeção de tudo aquilo que não somos em um ser idêntico. Vilões de seriados infantis, filmes e outros livros revisitam essa ideia até hoje, muito bem trabalhada em O Duplo.


Pandora 06/02/2019minha estante
Sim! É um tema muito recorrente. Aliás, transtornos de personalidade, desvios de conduta, distúrbios mentais... tudo me intriga e interessa. :)


Tiago 06/02/2019minha estante
O livro é otimo. Sabe as vezes penso que todos nós, em algum momento, estará diante de uma pessoa da qual nao seremos capazes de nos defender. Essa pessoa é na verdade nos mesmos mais velhos, nossa versão mais sabía e mais vivida. Essa pessoa certamente nos apavora porque jogará em nossa cara os nossos erros. Por isso inconscientemente tentamos fugir desse momento. Sempre me lembro disso quando penso no Duplo de Dostoievski, mais precisamente no trecho da ponte.


Pandora 07/02/2019minha estante
Tiago, concordo. A nossa maior ameaça somos nós mesmos. Somos nosso maior inimigo, nosso maior sabotador. Mas ao mesmo tempo somos os maiores interessados na nossa felicidade. Por isso encontrar o equilíbrio entre essas forças é tão difícil.




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Rafael 12/01/2019

O Cisne Negro de Dostoiévski
À primeira vista a obra o Duplo parece um mergulho na loucura. De ponto de vista unilateral, à todo momento você se pergunta o que está acontecendo, se é real ou ficção.
O protagonista, pobre que se acha rico e tenta almejar estatus na sociedade tentando se infiltrar no meio dos ricos, sofre com sua timidez, introspectividade, gageira, e constante necessidade de agradar aos seus superiores.
Logo no começo ele conversa com um doutor que faz piada sobre bebida levantando-se a suposição que o protagonista é alcoólatra. Num dos inúmeros detalhes que nos confundem. E este é o objetivo.
A história se torna ainda mais incrível quando o protagonista conhece o duplo: um homem fisicamente igual a ele mas que é o contrário psicológicamente (muito bem desenvolvido, super social, divertido, canastrão, sem limites) e que lhe deixa mais doido ainda.
Esse é o ponto máximo da obra. Precisei de dias para entender o que eu tinha lido.
Muitas vezes você acha que ele sofre de esquizofrenia ou bipolaridade. Mas na verdade ele sofre de Transtorno Dissociativo de Personalidade.
Nunca existiu um duplo. O duplo é a sua segunda personalidade. Não tem ligação nenhuma com esquizofrenia (que é a perca da realidade) ou com bipolaridade (que é a troca súbita de humor).
No Transtorno Dissociativonde Personalidade a pessoa pode simplesmente habitar mais de uma personalidade dentro dela, pode ser uma pessoa de sexo diferente, faixa etária diferente, cor, qualquer forma. Ou em alguns casos mais de duas personalidades no mesmo corpo. Sendo que às vezes a segunda personalidade assume e o transtornado não se lembra do que a personalidade excedente fez, nem que tenha sido por alguns minutos. Dando esta sensação de loucura. Um dos pontos característicos é o senso de perseguição e de conluio contra ele.
O transtorno é um mecanismo de defesa da mente. Geralmente a pessoa tem uma personalidade quase nula e a que assume, ou as que assumem, são o extremo da prima.
A obra foi injustiçada pela crítica no seu lançamente e ainda hoje é incompreendida porque o objetivo dela é você se colocar no lugar do protagonista e sofrer junto com ele sem entender o que está acontecendo, como se você sofresse do transtorno.
É genial. E um dos livros mais brilhantes que eu já li. Além do transtorno, o personagem nos leva a questionar se este transtorno não é um reflexo da nossa sociedade captalista onde se exalta e estimula aos pobres agirem e almejarem a classe alta se submetendo a qualquer regra social e se abdicando de si mesmo. E como consequência vendo em outras pessoas, pobres e semelhantes, inimigos naturais. (O protagonista que é pobre tem algumas coisas a mais que outros pobres, como um empregado, e mesmo estando mais perto da miséria do que do luxo, ele se trata como classe média)
É brilhante! O protagonista segue todos os pontos do transtorno dissociativo de personalidade (antigamente chamado de transtorno de dupla personalidade): solitário, depressivo, introspectivo, dedicado aos seus objetivos pessoais, tímido não por natureza.
Um detalhe interessante é o quanto ele firma o nomes das pessoas repetindo-os desnecessariamente como uma reafirmação social dos seus estatus e a falta de noção do que realmente está acontecendo devido a essa preocupação intensiva em cuidar da imagem. Ele acredita que o doutor com quem se consulta é doido (no sentido de não entendê-lo) e nenhum outro personagem o entende. Aos olhos dos outros ele é um doido desvairado, motivo de piadas internas e deboche.
Diversas vezes o protagonista diz não usar máscaras. Mas a impressão é de que ele nem sabe mais quem é por ter tanto se moldado conforme a sociedade.
É um livro genial. A maioria das pessoas não vai entendê-lo porque ele não é uma obra clara. (Este é o objetivo da obra). Mas para aqueles que querem entendê-lo melhor, indico o filme Cisne Negro do Darren Aronofoski, que é uma releitura desta obra com o balé do Lago dos Cisnes, em que você mergulha com tanta intensidade quanto tanto à este livro na cabeça do protagonista. (A protagonista interpretada pela Natalie Portman tem todos pontos do transtorno, como por exemplo: quando ela olha para o espelho e o reflexo se meche indicando que ela não reconhece quem ela é e tem medo dela mesma. Ou quando ela ganha o papel e encontra a palavra puta no espelho que foi o duplo dela que escreveu e no final quando as personalidades se misturam e a loucura leva ao delírio)
Este livro inspirou tantas outras obras da ficção. Mas nenhuma com a perspectiva do transtornado. Como por exemplo: o protagonista de Psicose, o filme Ilha do Medo do Scorcese com Leonardo DiCaprio e o livro O Duplicado do Saramago.
Livro maravilhoso! Favoritei! Leiam! Leiam! LEIAM! (Não é por acaso que Dostoiévski é o pai de Freud)
Tati 12/01/2019minha estante
Que legal! Já tenho faz algum tempo, mas fiquei com mais vontade de ler agora.


Camila 13/01/2019minha estante
Li ano passado! Adorei!




nicasarini 24/11/2018

O Duplo - resenha (@livre.ira)
Longe da leitura ser agradável como o primeiro romance de Dostoiévski, aqui temos a história de Yákov Petrovitch Golyádkin, conselheiro titular, solitário e muito problemático (para não dizer estranho!).

Tudo começa quando Golyádkin decide participar de uma festa (ao qual não foi sequer convidado), na tentativa de socializar mais (por indicação de seu médico), mas seu plano cai por terra ao se sentir extremamente constrangido por ter sido expulso.

Temos então o grande chamariz da história: após ser expulso e sair vagando pelas ruas e pontes de São Petersburgo, o protagonista se depara com seu duplo, um homem exatamente igual a si mesmo, sem por ou tirar, mesma aparência, origem e trejeitos.

Eis que então o senhor Golyádkin segundo, o duplo, começa a usurpar sua identidade, tornando-se seu inimigo e levando o pouco de sanidade que ainda existia no protagonista Golyádkin primeiro.

É uma história cansativa, com parágrafos longos, repetição de palavras e com poucas passagens realmente interessantes, mas podemos ter certeza de que essa foi a intenção de Dostoiévski, nos passar as incertezas e delírios, as camadas que compõe o personagem principal através de sua escrita
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Gabi 11/09/2018

Fragmentado
O Duplo foi meu segundo contato com a obra de Dostoiévski e assim como a primeira, não pude deixar de sentir imenso prazer ao lê-la. O livro retrata as aventuras de Golyádkin, um funcionário público que, após uma noite um tanto quanto traumática, começa a fragmentar sua personalidade em duas. À partir disso, a narrativa se desenvolve retratando o contato de Golyádkin com seu duplo e seu posterior -trágico e cômico - fim
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Lorena Alhadeff 05/08/2018

Desnecessariamente cansativo.
Sim, eu levei em conta toda a complexidade do personagem, mas simplesmente a leitura não fluiu com prazer. Não lembro de ter lido livro tão repetitivo e tão cansativo.
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Renato 02/07/2018

O que você faria se uma pessoa exatamente igual a você, mesmo nome, mesma aparência, aparecesse no seu trabalho e, pouco a pouco, começasse a roubar sua vida? Um romance é genial quando uma situação impossível se torna tão verossímil.
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Adriana 19/06/2018

Segundo
Este é o segundo livro escrito por Dostoiévski, pouco tempo depois do primeiro.
O personagem é bem "doidinho", tem transtornos psicológicos. Sofre pressão social, uma constante nesses livros de Dostoiévski , que deixam o personagem perturbado. O médico parece seer um psiquiatra.
Dostoiévski se interessava por obras que estudavam doenças do cérebro, doenças mentais, o sistema nervoso, o desenvolvimento do cérebro e outras questões de natureza psicológica, em uma época que isso não era comum, como um precursor da psicanálise, anterior a Freud.
O médico aparece no começo e dá dicas do transtorno psicológico e aparece no final, dando a certeza da loucura.
Desespero teatral quando é expulso da festa. Até que culmina com o surgimento do o duplo.
Como um amigo imaginário, uma hora companheiro, outra aborrecendo, mas não tem nenhum personagem admirável . O duplo tem um espírito mais leve, menos atormentado, faz as coisas que ele gostaria de fazer. Herói x inimigo/ desafeto.
Preocupação com a vestimenta, a apresentação social; em Gente Pobre tb.
Análise psicológica. Aprofundamento do indivíduo, do ser humano. Complexidade do indivíduo, do homem. O contexto social, psicológico e político é importante na complexidade do indivíduo.
Gostei bastante do livro, adorei o episódio dos pastéis! E as ilustrações tb são ótimas!
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Roberta 02/06/2018

"O duplo" de Fiódor Dostoiévski foi a maior supresa desse ano, o autor já tem "Os irmãos Karamazov" e "Crime e castigo" como os meus melhores livros da vida, e agora entrou mais um na lista. Dá para entender de onde veio a genialidade do escritor depois dessa leitura, de seus personagens, apesar de não ter sido bem recebido na época de sua publicação e Dostô ter ressentido isso, sou muito feliz que esse livro existe. Georg Lukács, um estudioso do escritor, disse que "Dostoiévski foi o primeiro que, com uma arte ainda insuperada, fixou os sintomas da deformação psíquica que necessariamente surge no campo social da vida na grande cidade." Mas porque? (ATENÇÃO: pode ser SPOILER!!!) Eu me conectei profundamente com o personagem, principalmente com suas preocupações sem sentido, cogitando o que os colegas de trabalho pensam dele, achando que todos caçoavam dele e que até o maltratavam profundamente (enquanto vemos que nada disso é real). Até descobrimos uma paixão avassaladora do personagem, que só existia por parte dele.

O pior, ainda tinha o tal do duplo, que caçoava de todos esses pensamentos e sentimentos do personagem. Que o fez se sentir ainda mais humilhado perante a sociedade, tomando seu trabalho, seus amigos, suas paixões e sua vida. Deixando completamente louco.

site: @take.an.unexpected.read
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isa.dantas 29/03/2018

O segundo romance de Dostoiévski é bastante diferente de seu primeiro. O Duplo exige bastante atenção aos detalhes, uma leitura para ser feita com calma. Mas que vale cada segundo de nossa concentração!
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LidoLendo 27/03/2018

Comeu 1 ou 11 pasteis?
Simplesmente AMEI O Duplo! Comparando com Gente Pobre, ambos abordam , no fundo, a mesma coisa: o homem pressionado pelas amarras sociais.

E aqui n'O Duplo, essa pressão é tão grande que Golyadkin literalmente surta!

Não quero dar spoiler... mas posso dizer que Dostô coloca a gente numa sinuca de bico o tempo todo!

Leitura para ser fazer sem pressa, com atenção! E depois de ler, procure alguém pra conversar sobre o livro. CERTEZA que vc vai precisar!

Lendo Dostoievski em ordem Cronológica
#dostôesselindo
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Luciana 25/03/2018

Agonizante
Que livro! "O Duplo" de Dostoievski traz as perturbações da mente humana e descobrimos sua maestria ao analisar a doença mental no protagonista. A agonia é permanente e cresce à medida que a leitura avança, e sentimos tanta pena e tristeza pelo nosso herói que nunca desiste de combater seus "inimigos", mas não entende o que acontece à sua volta...
O protagonista Golyádkin descobre seu duplo, seu outro eu, que o arrasta para uma miséria ao se ver em profunda solidão e com o constante desejo de ser inserido numa sociedade movida a aparências e status. Golyádkin é empurrado para fora da sociedade, o "outro" com suas máscaras é aceito.
Tristeza, dor, agonia, loucura. Foda.
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Luciana 23/03/2018

Que livro!!
O livro super bem escrito, e de média facilidade de leitura, trata de um problema psicológico grave, mas de forma inteligente, e em alguns momentos, engraçada...Um livro excelente, que faz jus a obra de Dostoiévski!!!
Um clássico!!
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Mario Miranda 22/03/2018

O início do universo Dostoievskiano
O Duplo, publicado apenas alguns dias após Gente Pobre, livro de estréia de Dostoiévski, constitui não apenas um marco de continuidade na Literatura Russa e no início de carreiro do Autor, mas principalmente uma introdução a todo universo que será tão caro a Dostoiévski: Cenários Petersburguense, Solidão, Análises Psicológicas.

Encontramos em O Duplo toda a semente daquilo que transformará Dostoiévski no autor que é conhecido: transtornos psicológicos, sua gênese e consequências. Vemos ali, por exemplo, o Raskolnikov, de Crime e Castigo, em seu embate interior decorrente da sua não-aceitação de sua condição.

A história se desenvolve com base em um personagem, Goliadkin, que, desde o início do livro, demonstra não estar pleno em suas faculdades mentais. Ao longo dos capítulos, adiciona-se a obra um personagem idêntico em nome e trabalho a ele, um "Duplo" dele, porém com características psicológicas distintas. Um outro "Eu" existente que conflita/Transtorna com o Goliadkin original.
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