O Idiota

O Idiota Fiódor Dostoiévski




Resenhas - O Idiota


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Cristopher 18/10/2011

Intenso!
Que história impressionante! Peguei este livro para ler despretensiosamente, é o primeiro que leio de Dostoievski, queria ver se conseguiria ver na obra do autor tudo aquilo que ouço dos amigos que já a leram. E só o que posso dizer é que esta obra "O Idiota" é infinitamente melhor do que eu poderia imaginar.

A beleza dramática do texto é absurda. As situações vividas pelas personagens são muito vivas, envolvem sempre muita paixão. Este livro conseguiu, ao longo de suas diferentes passagens, despertar em mim os mais diversos sentimentos, como intensa alegria (que risadas gostosas eu não dei ao ler as trapalhadas do maravilhoso príncipe!), ansiedade para que tudo desse certo nas idas e vindas amorosas do protagonista, terror diante das situações mais nefastas, e um profundo sentimento de tristeza pelas personagens em alguns momentos...

O livro é intenso, muito intenso. Terminei de ler ontem a noite e até agora não consigo parar de pensar no final. As passagens eufóricas e alegres fazem um contraste absurdo com esses trechos lúgubres. Fiquei realmente pasmo, definitivamente eu não estava preparado para um final desses!!

É realmente difícil resenhar esse livro, pois assim como ele causou em mim uma avalanche de sentimentos durante a leitura, ao relembrar das passagens esses sentimentos retornam e se embaralham na mente.

A dica que eu posso dar é: leiam o livro!! Vale MUITO a pena! Até agora estou muito impressionado com a história. Uma das melhores leituras que já fiz. Leiam, leiam!!


Lis 13/08/2009

Um homem aparentemente inocente, e por isso considerado bobo pelos demais, mas que na verdade guarda profunda complexidade e de índole impecável.
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Têco 17/03/2010

Obra de Dostoiévski e das boas, retratos de uma obra típica.
Fabuloso! Fantástico! Estória muito bem contada, trama cativante aliado a enredo rico, significativo (da vida, sobre a vida, pessoas, famílias, sociedade, cultura, ódio, amor, ganÂncia, cobiça, poder, ego pessoal e pressão social... religião, críticas a igreja católica, círculo social e crítica a vida de aparÊncias sem base e profundidade de amizade... fofocas... ,humilhações, orgulho, vaidade, maturidade imatura(sem inocÊncia e verdade, ou sem centro) e fraquezas (mudanças, de comportamentos, externas, sem consolidações internas), bajulações, confiança, desconfiança, vícios (principalmente no álcool mas também relacionados a questões pessoais, características pessoais, falta de moralidade e preguiça), pedidos de dinheiro emprestado. Personagens fascinantes como o Mickin (bem elaborados a estória é bem elaborada, congruente, profunda, bem trabalhada, precisa de sentido).

Receitas de um grande livro e ainda com o encanto de se tornar um clássico e jamais ser esquecido por quem o lÊ excelentemente escrito e com riqueza de conteúdo e detalhes muito grande, com destaque ao aspecto psicológico dos personagens (que é INCRÍVEL) configurando uma grande obra com o encanto de marcante..a leitura é muito gostosa e cativante, pela qualidade e riqueza de detalhes apresentada, sobretudo no aspecto psicológico dos personagens, e a estória é muito bem contada.

É o terceiro livro de Dostoiévski que leio (Crime e Castigo e Os Irmãos Karamazovi), e nele, assim como nos outros, trata também de desiquilíbrios (psíquicos) das pessoas, relacionando o álcool e a degradação moral e social. Também paixões desenfreadas aliadas a ansiedades. De outro lado uma busca por algo maior, ou apenas sua constatação, de algo divino. De um lado a sucumbência, de um lado o lado frágil e de outro a saída do religioso.

Muito boa a leitura, experiência indescritível.

Excelentemente escrito, inteligente, vivo, sagaz, seriam características dadas a obra, sua escrita e leitura.

É impressionante como é bem torneado o personagem do príncipe Mickin, o qual lido jamais esquecido. Há uma beleza no personagem, no tocante ao espírito, razão, emoções, anseios, algo bem humano e com uma beleza relacionada a ele, assim como em outros personagens, no tocante as mesmas emoções e anseios e o lado humano, frágil, mas vivo, encantador, imortal e terreno de imperfeições. Os vícios e agruras são muito bem relatados e com um lado mágico, de imperfeição, mas com algo de superações e humano, com um bem e um carne e osso por trás das ações e relações, um imortal e um carne e osso, levando nessa obra ainda a se pensar na singularidade de cada indivíduo, a aceitação de que coisas são besteiras frente a discriminação e preconceito, se considerado também um lado singular, e de que a vida passa, e o que nos resta é o mistério dela assim como nossas angustias e fragilidades, torneados, rodeados, surpreendidos, mexidos, duvidosos mas tocados, por nossa transcendentalidade.

Realmente um romance típico de Dostoiévski, que escrito no século XIX continua atual.


Isotilia 20/01/2013

Um livro que gruda na gente...
Quando eu era adolescente, assisti com meu pai ao filme 'O Idiota' do diretor japonês Akira Kurosawa. É um filme de 1951, preto e branco, de 3 horas, que conta a história deste livro adaptada a um ambiente japonês. Fiquei com vontade rever este filme. O final, eu me lembro que era exatamente igual ao do livro.
Mas, o livro me pareceu muito melhor do que o filme. Muito mais profundo e complexo. Eu não havia compreendido a profundida da personagem Nastássia Filipovna nem a do príncipe Míchkin. Gostaria de saber se eu já esqueci quase todo filme, ou se o diretor realmente não conseguiu passar isso para o cinema.
Eu me senti um pouco de cada personagem do livro. Sou um pouco do príncipe Míchkin, um pouco da generala, um pouco da Agláia, um pouco do general mentiroso e um pouco de Ippolít. E sempre me surpreendo como Dostoiévski consegue descrever as fraquezas do caráter humano. Essa parte de nós que parece universal e atemporal.
Desejo reler 'Crime e Castigo' para saber se ele tem a mesma profundidade deste livro. Pelo pouco que me lembro do outro, este livro me fascinou mais e foi mais genial.
Neste livro a passagem que mais me fascinou (entre muitas que estão no histórico de leitura) foi:
'-Bem, já agora, diga a este seu amigo qual seria para mim a melhor maneira de morrer?...Ter um fim virtuoso, o mais possível,não é assim? Vamos, diga-me!
E então, o príncipe disse em voz baixa:
- Passar por nós... E ao passar nos perdoar a nossa felicidade...'
Eu preciso perdoar a felicidade dos que não se indignam com as mesmas coisas que me doem e me afetam.


Jonathan Hepp 20/02/2016

Dostoievski acreditava que um homem honesto, justo, puro e altruísta, em meio à nossa sociedade corrompida, seria sempre visto como um idiota. E é assim que ele nos apresenta o Príncipe Míchkin, um homem que viveu grande parte da sua vida recluso e sob cuidados médicos por conta de sua epilepsia. Circunstâncias inesperadas o forçam a se introduzir na sociedade de S. Petersburgo e, em pouco tempo, se vê cercado de intrigas, disputas e escândalos que ele mal compreende.
Ao acompanharmos a história pela perspectiva do Príncipe, a narrativa se torna intencionalmente distorcida e contraditória. Os personagens parecem estar sempre escondendo os fatos mais importantes. Temos mesmo a impressão de que existe um segundo enredo se desenrolando longe da visão do leitor.
O Idiota costuma ser comparado a Dom Quixote. Mas enquanto Cervantes nunca deixou dúvidas a respeito da insanidade de Alonso, Dostoievski permite que o leitor decida se o Príncipe Míchkin merece o título que lhe é atribuído, ou se é, na verdade, o único personagem lúcido em meio à um mar de loucura.


pc 12/01/2013

qual será a melhor obra de dostoiévski?

a única dúvida que me restou ao término da leitura deste livro
foi se o autor de "os irmãos karamazov" e de "crime e castigo"
conseguiu se superar.

não dá pra resumir um livro de 600 páginas em alguns parágrafos, mas posso ajudar a quem pretende realizar essa árdua, mas compensatória, tarefa.

observei que o ritmo de leitura acelerado auxilia a compreensão, leia algumas falas em voz alta, rapidamente, imagine os personagem com os nervos a flor da pele... o livro é muito teatral... os personagens são tensos.

o livro é um romance sobre um personagem doente,princípe Mínchkin, um epilético recém saído de uma clínica de tratamento, que tenta se encaixar na sociedade russa do séc xix. para complicar o personagem é um idealista cristão. figura quixotesca, mas adorável. sua bondade e resignação chegam a nos causar revolta. a trama se desenrola em torno desta personalidade complexa e ao mesmo tempo amável, carismática...

Nastássia Filipovna - é a essência da mulher, emoção a flor da pele,
ela não quer só vingança, qdo tem a possilidade de entrar para a sociedade que a despreza, ela destrói essa possibilidade como quem afunda seu navio em terra estrangeira. orgulho, emoção, imprevisibilidade, em suma , o espirito feminino retratado em sua essência...

Míchkin - dom quixote, cristão russo. de uma compaixão que chega a causar repulsa, ele testa não apenas sua fé, mas a do leitor,
que acompanha aflito as desaventuras do personagem. um idealista cristão metido no complexo inferno das relações humanas...

bom, se fossemos resumir todos os personagens já daria um livro.

o livro exige disciplina, esforço, mas é altamente compensador.

há tb várias reflexoes de dostoievski sobre a rússia de sua época, mas
que para mim pareceram atemporais, e algumas se encaixam perfeitamente a nossa realidade....

por fim, há no youtube um trecho de um corajoso grupo teatral que interpretou uma peça baseada no livro. vale a pena ver.

http://www.youtube.com/watch?v=twxl-KKFkfM

espero que tenham boa leitura
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Bruno 15/04/2013

Soberbo!
Fatalmente um dos maiores romances que já li.
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Felipe 16/03/2020

O Quixote russo.
Uma das coisas que os seres humanos mais desejaram ao longo dos séculos foi a "ascenção social". Para que ela acontecesse, o indivíduo poderia se destacar na carreira militar, no clero, na política ou no comércio. Em nome do sucesso, muitos chegaram a cometer os piores atos, principalmente o de anular a sua própria individualidade.

Sem embargo, em meio as miríades do comum e do ordinário, é possível encontrar indivíduos raros, os quais não são movidos por nenhuma ambição social ou financeira, mas por um idealismo e um amor universal. Eles sempre são incompreendidos, e chegam a ser rotulados como loucos. Na literatura, a principal representação deste tipo de indivíduo é o "Dom Quixote" de Miguel de Cervantes.

Dostoiévski era um grande admirador do romance espanhol. Em certa ocasião, o russo disse que o Quixote bastava para sintetizar a pergunta clássica, repetida a exaustão, mas que não tem a pretensão de ser respondida definitivamente: "O que é a vida?". A influência do cavaleiro da triste figura não poderia passar despercebida em alguma de suas obras. "O Idiota" é romance no qual ela é claramente demonstrada.

O protagonista da obra, o príncipe Mishikhin, é um jovem recém saído de um sanatório suíço, donde ele ficara por alguns anos, pois sofria de epilepsia. O romance começa em seu regresso a Rússia, numa estação ferroviária. Lá, Mishkin conhece Rogojin, um jovem pródigo pertencente a uma rica família burguesa. Ambos, ao longo da narrativa, disputarão o amor de Nastasia Filipovna, uma jovem de origem humilde, porém orgulhosa, "adotada" desde a infância por um proprietário de terras. Além destes, O príncipe também travará contato com a família do general Epachkin e também com Gania, funcionário do militar, e também pretendente a mão de Nastasia. Este, a princípio, antipatizará com o princípe.

Todas as pessoas a sua volta acharão que o príncipe não passa de um sujeito ingênuo e Idiota. Mas o que se revelará, em cada situação, não será o resultado de um espírito simplório e desprovido de julgamento, mas de um grande conhecedor da alma humana, das necessidades do próximo e de suas fraquezas. O príncipe conseguirá ter uma visão humanizada até mesmo daqueles que o desprezam e será capaz de perdoar-lhes as ofensas.

Não será difícil prever que tal comportamento o levará a um final trágico. Em questão de finais "felizes", "Crime e Castigo" e os "Irmãos Karamazov" chegam até a ser mais agradáveis. Sem embargo, a história consegue a proeza de nos levar a refletir sobre a vida em sociedade, sobre a justiça, sobre a ética e sobre a importância de amar ao próximo como a si mesmo. De todos os modos, o mundo não é digno de uma pessoa como o príncipe Mishkin.
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Kennedy 31/12/2011

Apesar de toda a prolixidade, vale a pena ser lido
CUIDADO COM OS SPOILERS. CUIDADO COM OS SPOILES.CUIDADO COM OS SPOILERS. CUIDADO COM OS SPOILES.CUIDADO COM OS SPOILERS. CUIDADO COM OS SPOILES.



Foi publicado em 1868 “O Idiota”, o segundo livro da trilogia das obras-primas supremas de Fiódor Dostoiévski – trilogia essa composta respectivamente por “Crime e Castigo”, “O Idiota” e “Irmãos Karamazóvi”. O romance do qual este texto se trata foi escrito em meio a vários problemas de saúde de Dostoiévski, mais precisamente crises epilépticas.

Esse é o livro que podemos perceber com mais clareza que quando Dostoiévski estava escrevendo havia algo errado. Isso pode ser visto pelo ritmo da estória. Não raro nos deparamos com cenas de 30 páginas, passando-se numa sala ou num quarto. Temos impressão que não vai acabar nunca, pois, se não bastasse várias frases são quase que repetidas. A prolixidade está presente em “O Idiota”. Provavelmente esse era o momento que o autor estava com problemas. Mas, conta a história, quando se recuperava, Dostoiévski voltava a escrever que nem uma metralhadora. Isso é perceptível em alguns momentos da estória. Em alguns momentos as tramas e situações dão uma guinada incrível.

Mas é aí que mora o problema. “O Idiota” torna-se um livro gangorra.

A crítica, porém, não vai ficar limitada a isso. Precisamos analisar, mesmo que rapidamente o enredo da estória.

O personagem central é o príncipe Liév Nicolaievitch Michkin, ou simplesmente Michkin. A estória começa quando ele volta da Suíça, onde estava passando por tratamentos médicos, devido à sua idiotia. O príncipe tem epilepsia e, além disso, durante todo o desenrolar dos acontecimentos é conhecido como um idiota, pois se deixa levar fácil pela conversa dos outros, principalmente por Agláia, que faz do príncipe um verdadeiro fantoche, e por conseguir ver nas pessoas mais pérfidas qualidades que os outros não conseguem enxergar.

O príncipe chega a São Petersburgo e vai à casa de Lizáveta Prokofievna, pois essa é uma parenta muito próxima sua. Foi a única que restou de sua família – não temos muito informação sobre sua família.

Durante a estória conhecemos várias figuras, como a família Epatchin e também a família Liébediev. Conhecemos o chato e tuberculoso Ipollit – que passa a estória inteira dizendo que vai morrer, que quer morrer, e até tenta se matar com um tiro, mas quando aperta o gatilho o revólver não dispara, pois estava vazio.

A melhor e mais intrigante personagem, porém, é Nastássia Filíppovna. A mulher é uma completa louca, mais louca que Emma Bovary. Passa a estória inteira enganando o príncipe Michkin e Rogójin. O príncipe apaixona-se por ela. Ela também o ama muito, e é justamente por isso que não se casa com ele, pois ela é uma mulher impura de sentimentos, ao contrário dele. Em outras palavras, ela não queria corrompê-lo e nem fazê-lo sofrer, por isso casa-se com Rogójin. Na reta final da estória, porém, ela procura, junto com Rogójin, o príncipe, e propõe casamento. Veja bem: ela pede para se casar com um homem, ao lado de uma pessoa que ela já tem um relacionamento há muito tempo, apesar de não ser um relacionamento feliz – pelo contrário, ela só faz criticar Rogójin e esnobá-lo (ele é rico, não é!). Porém, na hora de ir à igreja, ela, com medo, foge com Rogójin novamente. E quanto mais Nastássia pisa na bola, mais intuímos que a estória não vai acabar bem para seu lado. Aliás, para o lado de ninguém.

A narrativa do romance, como já dito, é cheia de rodeios e certa prolixidade. Outro defeito que o faz não receber cinco estrelas, é a quantidade de personagens inúteis para a trama central.

No mais, apesar de todos os defeitos e arrodeios, mas de cenas incríveis, a estória acaba de uma forma bem seca mas impressionante. No final, concluímos com convicção: Michkin é um completo idiota!!


wesley.moreiradeandrade 11/01/2017

Este post também poderia chamar “Das dificuldades de ler um romance russo”, tamanho os problemas que surgiram durante a leitura. Primeiro, os nomes e sobrenomes; depois, as variações de apelidos que estes recebem (um mesmo nome pode ter dois ou mais apelidos). Ao longo do livro, quando acha que o narrador se refere à determinada personagem, você percebe que, na verdade, ele faz menção a outro. No entanto, você vai se acostumando à medida que atravessa as mais de 600 páginas de “O Idiota”, de Fiódor Dostoiévski, romance que é considerado um dos melhores produzidos pelo autor de “Crime e Castigo”.
O protagonista é o Príncipe Míchkin, um jovem que retorna da Suiça para Petersburgo após um longo tratamento de epilepsia, cuja bondade de coração e até mesmo certa ingenuidade, além de um olhar humanista a todas as pessoas, é confundida pelas pessoas do círculo de amizades que acaba fazendo como uma idiotia. Míchkin procura pela família Epanchin, que possui um parentesco distante com ele, e logo sua figura destoante e conduta diferente ganha simpatia e curiosidade de diversas pessoas. Dostoiévski faz aqui um retrato da alta sociedade russa pré-revolução, seus hábitos, preconceitos, as relações de dominância e subserviência que mantém com outras classes sociais. O curioso é descobrir e entender como Míchkin consegue sobreviver ou até mesmo manter-se convicto de seus valores em meio a um grupo que não prioriza questões mais humanas e cujas preocupações se dão ao redor do dinheiro, do status social? Quem acaba tendo razão e sabedoria nesse jogo de interesses, ele, o idiota, ou os outros?
As dificuldades apenas recrudescem quando surge a figura de Nastássia Filíppovna, execrada socialmente por muitas pessoas pela sua conduta e sua história como protegida de um general, dona de uma personalidade excêntrica e que escandaliza os que se encontram ao seu redor, menos Míchkin que consegue enxergar o interior de Nastássia e se interessa por ela como que numa necessidade de protegê-la ou salvá-la desta corrupção de valores a qual está imersa. Acaba disputando os sentimentos dela com Parfión Rogójin, jovem que Míchkin conheceu no trem de retorno à Rússia, de conduta boêmia e extravagante e que, além disso, alimenta uma paixão obsessiva por Nastássia.
Dostoiévski faz um panorama de uma sociedade em transformação onde não cabem idealistas como Míchkin e o escritor tem um domínio incrível do enredo que prende o leitor em certas passagens de suas diversas páginas, mesmo que algumas idas e vindas ou revelações exasperem e deem a impressão da trama girar em círculos. “O Idiota” é um exercício de leitura que nos dá um protagonista cuja conduta lembra às vezes Dom Quixote, personagem que o próprio Dostoiévski assume ter se inspirado para escrever este livro, e é nessa caracterização, dele e de outras figuras que trafegam pelo romance, que Dostoiévski tem muito a dizer sobre o próprio povo russo e sobre a humanidade acima de tudo.


site: https://escritoswesleymoreira.blogspot.com.br/2016/01/na-estante-54-o-idiota-fiodor.html


Carla Chuler 02/11/2009

Muitas vezes, quem é bom nesta vida é idiota.
A obra foi elabora por Dostoiévski entre 1867 e 1868, se tornando não só um marco da Literatura Realista do século XIX , assim como da Literatura Mundial e uma grande influência nos séculos seguintes, tanto para a Literatura, como para a Psicologia e Psiquiatria.
A bondade excessiva do Príncipe Michkin e como este era portador de epilepsia, faz com que o título da obra, seja associada tanto por sua bondade, como a sua doença.
Diversos escritores realistas partiam da seguinte assertiva para escreverem suas obras: 'o ser-humano nasce bom e a sociedade o corrompe!'
Este seria um dos motivos, no qual este personagem complexo, muito humano e caridoso, no final da obra se rende.O outro motivo seria mais profundo: A Europa vinha de uma Revolução Industrial, houve com isso o fortalecimento da ideologia capitalista e a supervalorização do dinheiro.Como a ganância e a questão da riqueza e dinheiro está sempre presente na obra do autor como o fator que desencadeia toda a tragédia de seus personagens.
Uma boa leitura, no qual há triângulo amoroso, ganância, e etc- muitos etc.- e como o personagem principal tenta sair ileso, de ter nascido bom e impedir que a sociedade o corrompesse.



Waldir.peixoto 12/02/2010

Um Idiota
Ao progredirmos na leitura da obra, percebemos que a idiopatia sofrida pelo personagem não se limita aquela por ele mencionada mas se estende a maneira com que ele se relaciona com os demais personagens, especialmente com os personagens femininos, o que por si só termina por arruiná-lo.
O que Dostoievski deixa claro é que no fim, a ruína do personagem foi fruto tão somente de sua constante busca de aprovação junto aos outros personagens que continuaram com suas vidas normalmente.
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danield_moura 07/07/2013

Curioso como a gente tem o hábito de reclamar dos comportamentos daqueles que nos cercam. Vivemos a sonhar com pessoas honestas, inteligentes, respeitadoras de limites e que não tem preconceito discriminatório. Uma pessoa que prega que "a beleza salvará o mundo", merece no mínimo toda a nossa atenção para que possamos aprender a sermos melhores seres humanos... mas, pessoas assim, preferimos chamá-las de IDIOTA!...
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Laís 27/01/2014

Uma nota sobe O idiota
Príncipe Míchkin.Talvez se eu não estivesse do lado de cá da narrativa, certamente o julgaria com a mesma frivolidade de todos os personagens paralelos embutidos no romance. Só que, quem sabe por deboche, eu acabo que rotulando o pobre Míchkin. Estando de cá mesmo. A humanidade não está disposta para receber com tanta parcimônia e indubitavelmente um homem cujas virtudes fazem com que ele se pareça cada vez menor perante quem quer seja. Eu quis sacolejá-lo durante toda a narrativa, posto que, por vezes, me perdia exaustivamente em sua constante benevolência, passividade, alteridade...

Oh, será que por visto é preciso de uma essência devastadora, doentia, sacrificante para que de fato compreender seja a palavra que usaria na tentativa de descrever o ser humano ideal? Um homem que a cada esquina, diante de múltiplas histórias eloquentes, absurdas, quiméricas, ruins, esta a ver um lírio, a cicatrização de uma inflamação na alma de pessoas, claramente, vazias, interesseiras, medíocres, na vértice de todos os defeitos que um demônio social tem. A sensação que tive foi a de prescrever uma bula com milhões de tópicos berrantes sob todos os efeitos colaterais que iriam surgir futuramente caso ele continuasse a ser um ouvido paciente, de mãos mansas, coração aberto e psicólogo presente; tiraria, paulatinamente, cada pedaço bom de seu ser e o trasnfiguraria no que, fatidicamente, o metamorfoseou: um Idiota. O idiota. É sem sombra de dúvida um dos melhores livros que li.
Apodero-me de Bob dylan, e concluo meu pensamento:

"That it's namin'.
For the loser now
Will be later to win
For the times they are a-changin'.(...)
And don't criticize
What you can't understand."



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