A Resposta

A Resposta Kathryn Stockett
Kathrym Stockett




Resenhas - A Resposta


134 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Regiane 10/03/2012

Envolvente e marcante até a última página

A verdade. A sensação é fresca, como água correndo sobre meu corpo grudento de suor. Resfriando um coração que a vida inteira me queimou por dentro. Verdade, digo para mim mesma outra vez, só para sentir aquilo de novo.



Esse foi o primeiro livro que solicitei de parceria com a editora Bertrand Brasil. Não poderia ter escolhido melhor, pois me surpreendeu e me emocionou totalmente. É uma obra e tanto, que deve ser apreciada sem pressa alguma. Cada acontecimento, cada detalhe, foi capaz de dar um nó enorme em minha garganta, a ponto de me fazer refletir intensamente sobre o preconceito e a maldade, mas também sobre a bondade e amizade.

Skeeter acabou de se formar na faculdade e não vê a hora de ter uma chance de tornar-se uma escritora. Logo que retorna a casa dos pais, consegue um emprego como colunista no jornal regional. Diante de atitudes - que ela considera injustas - da maioria das pessoas que a cercam, a jovem tem uma ótima ideia, porém muito perigosa: Escrever um livro, onde as empregadas domésticas negras pudessem descrever seus relacionamentos com suas patroas brancas. Isso tudo na década de 60, em Jackson - Mississipi.

Apesar do risco e do medo visivelmente destacado nas feições de Aibeleen, ela permite-se ajudar Skeeter em seu livro. Felizmente para a alegria da jovem e futura escritora, Minny - que dificilmente engole sapo - também aceita declarar tudo que já vivenciou em seus empregos. A partir disso, inicia-se uma história emocionante, cheia de feridas, que marca o leitor do começo ao fim.

Quando eu terminei de ler essa obra, resolvi escrever a resenha imediatamente, mas não deu certo. Antes de qualquer coisa, foi essencial digerir lentamente tudo que havia se passado na história, controlar minhas lágrimas e sentimentos, para transmitir minhas palavras da melhor maneira possível, por tudo aquilo que senti ao decorrer da leitura.

A Resposta é um livro que ouso dizer que é impecável, perfeito, onde a emoção escorre por entre suas páginas. Tocou meu coração em todos os sentidos. A autora mesclou fatos e ficção com toda maestria. Foi impossível não me render a essa obra - até o presente momento, considero a melhor, e também a minha preferida desse ano.

Uma das coisas mais interessante que temos aqui, é a narração. Apesar de ser em primeira pessoa, é intercalada entre Aibeleen, Minny e Skeeter. Eu achei ótimo, pois dá uma visão totalmente precisa de tudo que ocorre, além de explorar pontos de vistas diferentes, mas que ao mesmo tempo, se casam perfeitamente bem. Sem contar que Kathryn Stockett conseguiu proporcionar uma sensação de realismo, sem igual. Em determinadas cenas, eu tive a impressão de estar diante delas, como se estivesse fazendo parte da história, vivenciando tudo, sentido o cheiro das coisas, sentido o sol quente e o calor insuportável de Jackson - Mississipi, inundando meu corpo. Minny é uma cozinheira de mão cheia, e quando ocorria às descrições de seus pratos, era como seu eu pudesse sentir o sabor. A autora possui uma escrita totalmente rica em detalhes, e o melhor de tudo, em nenhum momento soou cansativa.

Fazia muito tempo que eu não me afeiçoava tanto assim a personagens. Esses aqui são um show à parte. Senti-me demasiadamente apaixonada pela maioria deles. Aibeleen é uma mulher que criou 17 crianças brancas, que na medida do possível, sempre se esforçou em passar um pouco da sua bondade aos corações delas. Ela é dona de uma vida extremamente triste, com um passado repleto de dor. É tão comovente vê-la tendo forças para lutar dia após dia, mesmo diante de tantas injustiças e sofrimentos. Amei-a cada segundo, assim como suas atitudes.

Skeeter, a mulher que foi capaz de arriscar tudo em nome do seu grande objetivo: lutar contra a barreira que separa os brancos dos negros em Jackson. Impossível não admirar essa garota, pois sua coragem e determinação ultrapassam qualquer limite. Já Minny tem a façanha de sempre ser mandada embora de seus empregos, por não conseguir segurar a língua. Tem uma personalidade forte, é arisca, dá uma de durona, mas no fundo tem uma alma tão generosa quanto de Aibeleen e de Skeeter. De longe, ela é a minha personagem preferida. Apesar dos tempos difíceis, ela consegue ser engraçada. Como eu ri nos capítulos que eram narrados por Minny. Teve muitos trechos que adorei, mas esse é um dos melhores.


No final de junho, uma onda de calor de mais de trinta e sete graus se instala e não vai embora. É como uma garrafa de água quente derramada em cima do bairro dos negros, deixando ele dez graus mais quente que o resto de Jackson. Faz tanto calor que o galo do seu Dunn chega perto da minha porta e se empoleira, todo ruivo, bem na frente do ventilador da cozinha. Chego e encontro ele olhando para mim, como quem diz: "Não saio daqui de jeito nenhum, minha senhora." Ele prefere apanhar de vassoura a ter que voltar lá pra fora..

Os personagens secundários são tão bons quanto as três queridas protagonistas. Fiquei fascinada pela Mae Mobley a criança que Aibeleen cuida no atual emprego. Apesar de tão pequena, ela é muito inteligente, doce e carinhosa. Bem diferente da mãe, a Sra. Leefolt, que só sabe se preocupar com suas amigas, suas reuniões e clubes que participa. Hilly Holbrook é simplesmente detestável, racista até o último fim do cabelo. Por mais repugnante que ela possa ser, ela é tão real, que fica difícil não contemplar sua participação na história. Também temos Celia, que é desprezada pelas demais mulheres de Jackson e faz de tudo para ganhar a atenção delas. Ela é meio esquisita e cheia de mistérios, mas tem o seu encanto, que acabou me conquistando.

A Resposta é um livro que pode ser considerado volumoso por muitos -por conta das suas 574 páginas - mas a leitura é tão envolvente, que não dá para perceber o tempo passando. A cada capítulo que eu lia, eu me sentia mais sedenta pela história. Além disso, as inúmeras sensações que são transmitidas, só me fizeram admirar muito mais o trabalho incrível de Kathryn Stockett. É uma obra triste, porém fascinante, que enche os olhos. As palavras nunca serão suficientes para descrever o quão valiosa ela é.

Três mulheres, três vidas, três histórias que se cruzam e fazem desse livro inesquecível. Uma obra que recomendo a toda e qualquer pessoa, independente de raça, cor ou religião.
Malu 13/09/2014minha estante
Excelente resenha! As personagens são tão perfeitamente construídas que parecem que estão ao nosso lado nos contando a história. Uma das leituras mais envolventes e gostosas da minha vida, que me emocionou muito, de um jeito que poucos livros fazem :)




Cissa 21/01/2011

Emocionante e Verdadeiro!
Uma história tocante, conduzida pela escritora Kathryn Stockett com delicadeza e um fino e leve humor. É um tempo dificil para os negros americanos. O período é anos 1960, onde os negros buscavam através de Martin Luther King conseguir seus direitos civis e reconhecimento na sociedade americana da época.

Na história "A Resposta", a escritora Kathryn trata do assunto preconceito racial que vem acompanhado de segregação racial . Os negros eram discriminados e obrigados a viverem em lugares separados. Nada poderia ser igualmente usufruido por brancos e negros em total igualdade. Mas o curioso da história, no começo, para mim pelo menos, foi a aceitação das mulheres negras e a sua subordinação aos patrões brancos. Mesmo que sentissem algum desejo de igualdade era abafado por medo, falta de conhecimento ou mesmo comodidade numa situação que elas achavam que poderia piorar se acaso se rebelassem. Mas aos poucos fui entendendo e principalmente, vendo essas mulheres criarem forças e se tornarem verdadeiras heróinas.

Skeeter é uma jovem branca de classe média, com o sonho de ser jornalista e escrever um romance. Sua história se junta à das
negras e segue num rítimo tão bem escrito e emocionante que torna impossível parar de ler

Quando fui chegando ao final o sentimento de tristeza aumentou ao saber que acabaria a história daquelas mulheres tão diferentes e fortes e que das quais me tornei amiga íntima.

Lindo, verdadeiro, sensível, imperdível!

Com esse primeiro romance de Kathryn, tive a grata surpresa de ver nascer uma nova escritora com seu estilo próprio, inovador e elegante.
Aguardo o próximo lançamento e que não demore muito, para minha alegria e satisfação em ler.
Lima Neto 21/01/2011minha estante
também adorei o "A Resposta". é um tema que é muito forte e chocante, mas a escritora soube lidar com uma delicadeza impressionante. o que mais me agradou nesse livro, além da delicadeza, foi o fato dela ter construido personagens reais, digamos assim, e não precisou colocar um lado como bonzinho e outro mal, um como coitado e o outro como vilão.
enfim, um livro com "L" maiúsculo.
foi o "A Resposta" o livro com que fechei o meu ano de 2010.


Elaini 22/01/2011minha estante
Cissa, mais uma ótima resenha!Esse livro é realmente impressionante.
Bjusssss


Cissa 22/01/2011minha estante
Queridos amigos Elaini e Lima Neto, agradeço o carinho de vocês. E fico feliz em saber que gostaram assim como eu do livro A Resposta. É uma história humana, sensível, muito bem construída. Tivemos muito bom gosto e perspicácia em escolhê-la para ler e "beber" cada palavra da história contada.
Beijos.


Manuella 26/08/2012minha estante
Esse livro deu origem ao filme, excelente por sinal, que se chama "Histórias Cruzadas". Quando descobri o livro fiquei louca pra ler. Já está na minha estante.


Hester 13/01/2013minha estante
Excelente resenha. Realmente é um livro imperdível.




Amanda Azevedo 26/06/2012

Dolorosamente doce.

Pode parecer desculpa ou um jeito nada original de começar uma resenha, mas é fato que estou há dias pensando como transmitir em algumas palavras a grandiosidade desse livro. Já comecei essa resenha inúmeras vezes e desisti de todas elas, pois nenhuma parecia fazer justiça a esta obra de Kathryn Stockett. E desta vez não é diferente, estou escrevendo aqui com a plena consciência de que essas palavras que finalmente decidi apresentar a vocês não representarão metade do que este livro é.

O livro A Resposta foi publicado aqui no Brasil pela editora Bertrand, após ser adaptado para o cinema com o nome de Histórias Cruzadas, o que — como sempre — serviu pra que novas pessoas se interessassem em conhecer a obra, o livro ganhou uma nova edição com capa de filme — que é a que eu tenho —, como muitos devem saber não sou a maior fã de capas de filme, mas para tudo há exceções. Confesso que gostei mais da segunda capa, apesar de a primeira representar perfeitamente a essência do livro.

Jackson, Mississipi, década de 60. Época em que brancos e negros não se misturavam, como se existisse uma linha imaginária que os proibissem de conviver como cidadãos iguais. Não, era pior. Existiam leis que ditavam a separação das raças — Jim Crow. Existiam os bairros para negros e os bairros para brancos, a biblioteca dos negros e a biblioteca dos brancos. Brancos e negros eram legalmente — e vergonhosamente — separados.

O livro é narrado por diferentes personagens, os capítulos se alternam entre: Skeeter, Aibileen e Minny. A primeira é branca, tem 22 anos, acabou de se formar e sonha em ser jornalista. As duas últimas são negras, trabalham como empregadas domésticas e são melhores amigas. Enquanto Aibileen é sábia, paciente e dedicou toda sua vida criando crianças brancas, Minny é uma das melhores cozinheiras da região, mas de paciente não tem nada. Vive trocando de emprego por não conseguir segurar a sua língua.

As vidas dessas mulheres se cruzam quando Skeeter decide escrever um livro sobre como é a vida de uma empregada doméstica negra trabalhando para mulheres brancas. E para isso ela conta com a ajuda de Aibileen e Minny. Em uma época onde a população negra era totalmente oprimida, esse é, sem dúvida, um ato de coragem. Durante todo o livro vamos conhecendo não só a vida das nossas três narradoras, mas também de outros personagens como Hilly. Ah! A tão odiável Hilly, poucas vezes eu tive o desprazer de conhecer alguém tão odioso e pobre de espírito quanto ela.

Um sentimento muito presente durante a leitura foi o de indignação. As mulheres brancas — a grande maioria delas — eram totalmente arrogantes, prepotentes, orgulhosas e grossas com suas empregadas. E as empregadas, por sua vez, aceitavam caladas e submissas toda a carga de desprezo que recebiam de suas patroas. Elas tinham medo. A princípio podemos pensar que elas eram covardes, mas a aceitação delas passa a ser compreensível, mas é motivador e inspirador perceber o crescimento dessas mulheres durante a história e impossível não se emocionar com a garra, coragem, força e determinação que elas nos provam que possuem.

Kathryn Stockett é dona de uma narrativa impecável. Ela trata de assuntos delicados, tristes, reais, chocantes, sem deixar que o livro se torne pesado ou deprimente. Ela sabe escolher bem as palavras, sabe o momento exato de nos fazer rir. A Resposta é um livro capaz de emocionar, chocar, e divertir. Kathryn Stockett, em seu romance de estreia, soube bem como dosar as emoções que suas palavras causam ao leitor.
comentários(0)comente



Sthé 13/01/2013

A Resposta (frente a tantos livros ruins da atualidade...)
A Resposta - Kathryn Stockett

Sempre achei mais fácil resenhar um livro que eu não tenha gostado, - apontando todos os problemas que encontro na obra - , do que um livro que tenha realmente me emocionado, tal qual a obra de estréia de Kathryn Stockett, "A Resposta". Isso porque é muito difícil encontrar elogios e indicar algo que grita “fantástico” por si só durante a leitura.

Apesar do tema mais sério (a segregação racial na década de 60), a narrativa do livro é muito agradável e flui, porque se divide entre as três protagonistas: a jovem escritora Skeeter e as empregadas Aibileen e Minny Jackson. Skeeter é muito diferente das suas jovens amigas brancas, não tendo como objetivo máximo na vida se casar. Eugenia “Skeeter” é sonhadora e, ao aspirar a carreira de escritora, tem a brilhante ideia de retratar a vida e as mazelas das empregadas negras de sua conturbada época.

Aibileen, por sua vez, é a empregada doméstica de Elizabeth Leefolt, amiga de Skeeter, enquanto que Minny é a típica personagem corajosa e desbocada, do tipo que não leva desaforo pra casa... Essas três mulheres se juntam no compêndio desses relatos, ao mesmo tempo em que colocam as próprias vidas em risco nessa empreitada em busca pela mudança na conservadora cidade de Jackson, Mississípi.

Quando a narrativa muda de foco, não temos apenas um novo personagem se expressando... Mas, sobretudo, um jeito diferente de sentir. É engraçado que quando eu lia os trechos de Skeeter, mentalmente pensava nas outras personagens do livro como Celia Foote e Hilly Holbrook, de igual pra igual, como a própria Skeeter as vê. Todavia, quando estava lendo os trechos de Aibileen, eu pensava em "Dona Celia e Dona Hilly"... Já nos trechos da Minny, sentia um ódio mortal da Hilly (a personificação do mal hahaha).

Acho que essa jogada narrativa de Kathryn Stockett foi simplesmente sublime e enriqueceu o texto, pois proporciona o leitor ver como cada uma delas vê, sentir como cada uma dessas incríveis mulheres sente... E essa é a melhor característica do livro. Ele não fica na liçãozinha de moral ou em frases melosas... Ele "bate na sua cara" o tempo todo de formas sutil e inteligente.

A obra não possui grandes mistérios ou reviravoltas, contudo é profunda a tal ponto que chega a ser dolorida em certos momentos. Creio ser quase impossível não se emocionar, torcer o nariz ou até mesmo rir com os fatos apresentados no livro. A construção do enredo e o aprofundamento dos personagens são feitos de maneira impecável pela autora, de modo que quando você chegar ao final do livro vai ter aquela sensação de que Aibee, Minny e Skeeter poderiam ser pessoas de carne e osso, e que por alguns dias, enquanto a leitura estava acontecendo, essas pessoas conviveram com você. Quando o livro acaba, e elas tem que partir, deixam saudades... Porque esse livro é daqueles que permanecem na nossa memória anos a fio após serem lidos e relidos.
Manuella 13/01/2013minha estante
Ótima resenha, Sthé. Ainda não li o livro, mas já vi o filme, que indico, grandes interpretações e uma linda história.




Yasmin 11/02/2012

Emocionante, Cortante,

Literalmente eu acabei de terminar a leitura e corri para escrever essa resenha. Não era ela que ia ao ar hoje, mas eu preciso falar sobre esse livro. Quando o comprei não acreditava muito na história tanto é que ele está na estante tem muito tempo. Mas hoje posso dizer que nunca estive tão enganada na minha curta vida literária. É emocionante, é sensível e é corajoso. Retratar uma época que muitos gostam de fingir que não aconteceu. É um livro que deveria ser lido por todos.

O Mississipi de 1960 era o inferno na terra para um negro. A luta pelos direitos civis estava varrendo os Estados Unidos. Martin Luther King marchava pelos direitos dos negros, James Meredith se tornava o primeiro negro admitido em uma universidade, Rosa Parks se recusava a ceder seu lugar no ônibus a um branco. Negros eram espancados todo dia. Mercados, bibliotecas, escolas, banheiros, tudo era separado. No meio dessa guerra irracional encontravam-se as empregadas domésticas, mulheres criadas desde cedo para trabalharem na casa de patroas brancas. Educadas para aceitar tudo. Mulheres que criavam os filhos das patroas como se fossem seus, tratavam suas febres, cuidavam de sua comida. Crianças que inevitavelmente cresciam para se tornar os novos patrões. Tão doentes de preconceito quanto. Crianças que viviam no colo das "negras", que amavam aquelas mulheres, às vezes mais do que as próprias mães, mas que a sociedade se incumbia distorcer e na maioria das vezes vencia aquele amor.

A vida de três mulheres tão diferentes, mas tão iguais. Conhecemos Aibileen, a empregada que já está em sua 18ª criança. Perdeu o filho que sonhava em ser escritor e atualmente trabalha para os Leefolt. Está decidida a não deixar Mae Mobley crescer racista. Minny que tem o pavio curto e foi difamada pela cidade inteira pela racista-mor Hilly Holbrook. Por esse motivo só consegue trabalhar para Celia, mulher de origem pobre que casou bem e não é aceita pelas mulheres da cidade. E por último Skeeter, uma moça que por ser alta demais, inteligente demais e diferente ainda não casou. Ela foi criada por uma negra e pouco a pouco vai ficando enojada com os projetos racistas de Hilly, começando a ter uma inquietação dentro si. Através disso ela começa a trabalhar no jornal da cidade, uma coluna sobre cuidados domésticos, porém por não saber nada sobre o assunto ela se aproxima de Aibileen. A partir daí os diversos acontecimentos trágicos e inaceitáveis culminam na ideia do livro e em uma amizade lenta e desconfiada entre as duas.

A história flui tão bem e a narração da autora é tão sincera que as páginas foram passando sem eu notar. É uma narrativa com detalhes sutis que fazem muita diferença. Como o primeiro encontro de Skeeter na casa de Aibileen. Todo o medo de ser descoberta, o medo de estar fazendo a coisa errada. É nesse cenário que acompanhamos o desabafar de uma vida, histórias tristes, humilhantes e até felizes. Minny, Aibileen e outras empregadas constroem aos poucos a história do livro que uma vez publicado destrói o mito que o sul americano construiu de amor e afeição entre patroas brancas e empregadas negras.

É um livro de sensações, você fica revoltado, triste, feliz, você ri e fica sem palavras durante a leitura. É um tema forte, e que até hoje é incomodo, escrito de maneira única. A autora soube mesclar sentimentos sem parecer falso e sem ser pretensiosa. É um livro que por causa do tema foi recusado 50 vezes antes de ser publicado e que recebeu críticas dura e ignorantes. Um livro que entrou na minha lista de favoritos por ser duramente belo e triste. Fico imaginando se tivesse existido uma Skeeter naquela época com seu livro se teria valido de alguma ajuda.

Último parágrafo em: http://cultivandoaleitura.blogspot.com/2012/02/resenha-resposta.html

comentários(0)comente



SG1 11/02/2014

Sem palavras
Este livro é, com certeza, um dos meus favoritos. O modo com a história é contada é tão magnífico que paresse que as personagens estão ao seu lado, conversando com você.

O livro trata a história das empregadas negras de Jackson, Mississipi, e o quanto sofrem na mão de suas patroas brancas. Tais histórias, contudo, jamais teriam chagado aos nossos ouvidos (ou melhor, aos nosso olhos), se não fosse por Skeeter, uma garota branca que se dispõe a escrever, anonimamente, um livro sobre as histórias vividas de várias empregadas domésticas e babás de Jackson.

É incrível como as empregadas sofriam tanto. Mas, o mais interessante, é que seu somente é, praticamente, somente psicológico. Sofrem humilhações constantemente e suas vidas, não só seus empregos, estão nas mãos de suas patroas. Se olhas de modo diferente, elas dariam um jeito de se vingar da "criadagem".

O título do filme que foi originado com base neste livro, porém, não está totalmente equivocado. As histórias são realmente cruzadas, onde uma ação influencia na vida de outros.

Por mais que parecam muitas personagens, na verdade a história é contada na primeira pessoa, mas não somente de uma. Vou explicar melhor: existem três personagens principais, Skeeter, a garota branca amiga das empregadas que escreve o livro proibido; Aibileen, empregada doméstica de coração puro que vê o sofrimento diário da filha de sua patroa, da qual é babá; e Minny, melhor amiga de Aibileen, e também é empregada doméstica, porém seu temperamente é extremamente agressivo, tendo que suportar as suas consequências e os tapas que leva do marido.

Essas três personagens vão contando, de forma intercalada, e sempre na primeira pessoa, suas histórias. Porém, como as personagens são muito íntimas e se veem muito, essas hitórias se cruzam, formando um enredo maravilhoso.

Não sei como descrever todas as sensações que tive no decorrer da leitura desta magnífica obra, pois chorei, ri, gargalhei, senti raiva, muita raiva, satisfação, pena, sofri e me deleitei com cada instante da história. Recomendo a todos!
comentários(0)comente



Juh Lira 07/07/2011

"A Resposta" para o Ser Humano
Quando eu ganhei este livro no meu último aniversário, fiquei receosa com a história que eu iria encarar. Estava com medo que fosse algo tipo de romance moralista, pacato e sem atrativos. Fui injusta, eu sei, não se julga um livro pela capa, mas confesso que a capa deste me chamou muita a atenção.
Comecei a ler sem fazer ideia do que a história se tratava, e mais uma vez fui preconceituosa (irônico, não?) com medo de eu ficar entediada e não terminar a leitura.
Todos esses meus receios foram dissipados quando mergulhei na história dessas três mulheres fantásticas e suas difíceis realidades. A autora escreve com tanta convicção que eu cheguei a acreditar que todos os personagens fossem reais, o que poucos escritores conseguem essa proeza, principalmente comigo.
A facilidade da leitura contribui muito, e logo eu já estava na metade do livro sem perceber. Os momentos de suspense deixa o leitor irritado para saber o que vai acontecer. Havia instantes que parecia uma bomba-relógio, misturando a ansiedade dos personagens juntamente com a do leitor, deixando aquele gostinho de "quero mais".
De todas as personagens, ressalto Minny pelo seu jeito descontraído e muito engraçado. Todos os momentos divertidos da história se deve a ela; não sei por que ela me faz lembrar umas tias que eu tenho.
Aibileen me lembra a minha avó paterna, com o seu jeito meigo e sábio de lhe dar com as situações difíceis, além do seu amor por todas as crianças que cuidou (Ela e Minny são empregadas domésticas).
Skeeter se parece comigo em certos momentos da minha vida, pela aquela terrível crise de "não sei o quem eu sou", "não sei quem eu quero". Das três, ela é "branca", que acaba descobrindo quem realmente são as pessoas que consideravam amigas, e também a si mesma, tomando suas próprias decisões e seguindo seus sonhos.
É incrível como essas personagens são tão parecidas com a vida real, como a minha identificação com Skeeter, minhas risadas com Minny e meu carinho por Aibileen.
Adorei. Não tenho mais nada a acrescentar, além da minha perplexidade de como o ser o humano é estúpido quando quer, no caso da segregação racial. É ridícula, essa é a verdade, e mais rídiculo ainda é o gênio que começou com essa história de inferioridade de raças, sendo que não existe mais em relação a o ser humano o termo raça, criado por aqueles cientistas malucos do século passado causando todo esse estrago, que infelizmente até hoje existe no mundo inteiro.
O romance é a resposta que não existe separação de seres humanos. Somos todos iguais.
"Enquanto a cor da pele for mais importante que o brilho dos olhos, sempre haverá guerras"
Bob Marley
comentários(0)comente



Beatriz 19/02/2016

A Resposta/ Ajuda/ Historias cruzadas
O ano é 1962, o lugar é uma cidadezinha no Mississípi. a situação é de pura desigualdade social e segregação. Em 2011 Kathryn Stockett, publicou um livro sobre empregadas negras de mulheres brancas de uma cidadezinha extremamente preconceituosa. Se isso te lembra um filme com Emma Stone , é porquê é o livro que deu origem ao filme. O livro foi o que deu origem ao filme chamado Historias Cruzadas, e eu não tinha visto ou ouvido nada parecido com isso.

A narrativa principal roda entre 3 corajosa mulheres, a branca Skeeter e as empregadas negras Aibileen e Minny. A diferença de seus pontos de vistas, suas historias e personalidades dão uma leveza singular ao livro. Nos fazendo conhecer melhor cada personagem a partir do jeito que fala e como pensa.

Confesso que torci um pouco o nariz por ser uma escritora branca falando sobre negros, o que eu acho meio conflitante e um pouco sem sentido. E o fato de ser uma ficção me deixou um pouco chateada ao pensar em todas as historias reais incríveis e que precisariam ser contadas que ninguém contou, que ninguém escreveu. Mas isso se perdia em minha mente conforme a leitura ia se desenrolando; a profundidade do tema, das personalidades e dos acontecimentos me fizeram entregar meus sentimentos inteiros ao livro.

Eufemismo seria dizer que é emocionante, é mais do que isso. É como ler um pedaço de vida, com partes dolorosas, partes felizes, partes tensas e partes que a gente queria que fosse de outro modo, mas sabe que não seria nada alem do que é.

São vários personagens, mas não me perdi em nenhum, me apeguei a força de Minny a doçura de Aibee e cresci um pouco com Skeeter. Que acredito que teve o maior destaque evolutivo na trama, seguido por Minny. Vemos Skeeter crescer, deixar sua personalidade original se destacar e aprender com os feitos que acontecem.

A linha temporal do livro é outro ponto positivo, não tive monotonia nas mais de 500 paginas, pelo contrario. A jogada da autora em escrever o livro em primeira pessoa de 3 personagens tão diferentes foi o fermento do bolo, víamos a mesma pessoa em 3 visões diferentes, o que contribui muito para a ideia de que a personalidade não é algo tão simples e imutável quanto imaginamos. Eu sempre quis mais e mais, e quando chegou ao fim, chegou ao fim do desfecho, tudo de encaixou no lindo quebra-cabeças de um jeito meio vida. Com a sensação de que um desfecho é o começo de outra cosia.

A autora não forçou, em nenhum ponto o bom senso do leitor com os fatos que ocorriam, as cosias simplesmente eram, a personalidade dos personagens foi tratada de forma tão real, frágil e complexa como é na vida. Com varias facetas, com varias interpretações. Acredito que o foco do livro, como o próprio livro diz em uma parte, tem deixado alguns leitores meio desambientados, o livro não é sobre racismo, trata de racismo, segregação e de machismo sim, mas apesar de tudo o livro é sobre a vida, vida de pessoas ambientada no ano de 1963.

Os pontos que foram meio inúteis e que por vezes eu não quis ler, foi as partes que Skeeter narra, as vezes com tudo o que estava acontecendo, sua vidinha meio vazia era a ultima coisa que eu queria saber. Mas estava lá então eu li. Seu romance foi meio longo e massivo demais. Eu não queria saber quantos cubos de açúcar a sua mãe colocava no chá, quantos graus estava sua casa, queria saber mais sobre a relação de amor entre a empregada Aibee e a menina branca MAE Mobely, queria saber os pontos de vistas cômicos e únicos de Minny.

Ao comparar o livro com o filme me deixou triste que o foque principal seja dado a mulher branca, Dona Skeeter, já que no livro claramente o foco principal é de Aibileen. Outra coisa que me deixou desgostosa foi as varias mudanças de nomes que a mesma historia teve, The help, A Resposta, Historias cruzadas, isso deixa tudo muito confuso. O filme é ótimo como filme, mas todos deveriam ler A Resposta, deixar Aibee falar conosco, rir com a brutalidade de Minny e crescer com Skeeter.



TRECHOS DO LIVRO

"Olho ao redor pra ver quem tá aqui, pensando que preciso convidar mais algumas empregadas pra nos ajudar, agora que parece que conseguimos despistar a dona Hilly. Trinta e cinco empregadas já disseram não, e eu sinto como se tivesse vendendo uma coisa que ninguém quer comprar. Algo grande e fedorento, como Kiki Brown e seu aromatizante de limão. Mas o que faz de mim e Kiki exatamente o mesmo tipo de pessoa é que eu tenho orgulho do que tou vendendo. Não posso evitar. A gente tá contando histórias que precisam ser contadas." - Aibileen

"São todas essas pessoas brancas que fazem eu chegar no meu limite, essas pessoas brancas, ali em pé, na vizinhança negra. Pessoas brancas com armas apontadas pros negros. Porque, quem vai proteger os nossos? Não existem policiais pretos. " - Aibileen

"Ela prefere ficar sentada aqui fora com a empregada do que lá dentro, vendo a mãe olhar pra qualquer lugar, menos pra ela. É como um desses pintinhos que fica confuso e acaba indo atrás da pata em vez da galinha. " - Aibileen

"— Pode ser que não aconteça nada — digo, me perguntando se alguém vai chegar a comprar o livro.
— Bem, eu tou contando que vai ser bom — diz Aibileen. Minny cruza os braços sobre o peito:
— Então é melhor eu contar com uma coisa ruim. Alguém tem que fazer isso."

"Não dou bola pra poder comer num balcão com gente branca. Dou bola pra se daqui a dez anos uma mulher branca vai chamar as minhas meninas de sujas e acusar elas de roubar prataria." - Minny

"— Quando pedi um aumento, eles me deram. Quando precisei comprar uma casa, eles compraram uma pra mim. Dr. Tucker veio em pessoa até a minha casa e tirou uma bala do braço do meu marido porque ele ficou com medo de Henry pegar alguma coisa no hospital dos negros. Trabalho pro dr. Tucker e pra dona Sissy há quarenta e quatro anos. Eles são bons pra mim. Lavo o cabelo dela todas as sextas-feiras. Nunca vi aquela mulher lavar o próprio cabelo. — Ela para pela primeira vez na noite, parece solitária e preocupada. — Se eu morrer antes dela, não sei como é que a dona Sissy vai fazer pra lavar o cabelo. "

"Toda a minha vida me disseram no que acreditar, em termos de política, sobre os negros, já que nasci menina. Mas, com o dedão de Constantine pressionado contra a minha mão, compreendi que, na verdade, eu podia escolher no que acreditar." - Skeeter

site: https://aquimerablog.wordpress.com/2016/02/19/the-help-a-resposta-resenha/
comentários(0)comente



Douglas 17/02/2014

Este livro foi o melhor romance que li nos últimos tempos. A história é tocante e fiquei apaixonado pela escrita deliciosa da escritora.

Os personagens parecem pessoas que moram na sua rua ou que você conhece e sente carinho ou um sentimento caloroso ou não.
Estou apaixonado pelo livro e pela história e com certeza vou querer reler quando fazer trinta ou quarenta anos. O livro está marcado eternamente na história da minha vida.
comentários(0)comente



Helder 14/03/2012

Livro bom, mas cheio de defeitos
Acho que o mais sensacional de todo o livro, como já dito por aqui, é que muitas vezes parece que estamos lendo sobre algo que aconteceu na década de 20, porém era assim que o Mississipi vivia em plena década de 60, somente 10 anos antes de meu nascimento.
Resumindo, como muitas resenhas já disseram, a estória é boa e ponto!
Porém acho estranho que até a Veja tenha falado bem de um livro com tantos problemas literários. Não quero ser chato, mas senti falta de tanta coisa por lá.
Primeiro o foco da autora. Quem são os personagens principais e quem são os coadjuvantes? Quantas estórias temos no livro? É um único romance ou são contos?
Pelos nomes dos capítulos podemos dizer que são 3 os personagens principais: Skeeter, Aibleen e MInny, mas isso nunca fica 100% claro. Achava que a personagem principal era a Srta Skeeter, que seria uma mulher independente para sua época e sonhava em ser uma escritora. Eu sempre acreditei , que quem sonha em ser escritor, sonha em escrever romances, porém Skeeter era tão bobinha. Nem original ela conseguiu ser, já que a idéia do livro era do filho de Aibileen. A “tão” moderna e decidida Skeeter me pareceu mais uma mera datilógrafa, já que não escreveu um romance, mas sim um apanhado de estórias. A dependência dela em ter a presença das empregadas chegava a ser irritante. Se seu sonho era escrever um romance, porque simplesmente não se baseava nas estórias já ouvidas e escrevia um livro?
Outro problema com a narrativa que me incomodou é que até lá pela pagina 200, era como se estivéssemos lendo dois livros. Um era a estória de Skeeter e as empregadas. O outro era a ótima estória de Minny e Dona Célia. E o ponto é que esta segunda estória era mais legal e trabalhada do que a primeira, porém de repente a autora deixou essa de lado, já que seu foco inicial era falar sobre a escrita do livro. Foi uma pena, pois eram estes capítulos que me faziam ficar curioso pelos próximos passos. (Impagável a parte em que Minny se esconde no banheiro achando que o homem que está chegando na casa é o seu Johnny). Uma pena que a autora tenha abandonado esta estória, pois um amor tão especial quanto o desses dois estava rendendo um ótimo livro. Será que só eu senti falta de que está estória tivesse um final melhor?
Lembro ainda de outros dois pontos típicos de erro de narrativa:
O namorado da Skeeter: O que ele veio fazer na estória? Aumentar a auto estima dela? Ele tinha deixado a ex namorada para que o pai político não tivesse problemas. Era um mote perfeito para o livro. Skeeter com seu “livro” liberal podia ser muito mais prejudicial a esta carreira política. Poderia haver um dilema: O amor X o livro. Mas divaguei demais, né? Acho que isso só passou na minha cabeça, já que pela autora, o personagem entrou meio mudo e saiu completamente calado
A doença da mãe de Skeeter: Agregou algo e estória? Ou só encheu paginas? Mais um ponto que a autora deixou para lá. Não deu nem tempo de sentir alguma tristeza por ela.
Não sou nenhum crítico literário nem professor de redação, mas imagino que livros tão consagrados como esse deviam obedecer pelos menos a algumas regras básicas. Uma boa revisora teria dado uma boa ajuda, e talvez hoje a autora já tivesse 2 bestsellers nas prateleiras.(Oh saudade da Dona Celia e do Seu Johnny!).Na minha opinião a autora e editora deram muita sorte de cair na graça do povo. Dava para ter contado tudo de uma maneira bem mais enxuta e talvez até mais legal. Dou portanto 3 estrelas, pela relevância do tema e por ótimos momentos perdidos ali pelo meio.
comentários(0)comente



Camila 21/10/2014

Enrolei para ler... me arrependi de não ter lido antes
Engraçado ter acabado de ler o livro e não saber muito bem como começar a dizer o que senti.

É uma das histórias que mais prendeu minha atenção nos últimos tempos, me senti como quando comecei o meu fascínio por livros, quando você não quer parar, não consegue parar e deseja muito o final da história, mas ao mesmo tempo quer saborear cada palavra, cada capítulo porque não quer que esse livro não acabe nunca.

É incrível a mistura de risadas e lágrimas com as cenas absurdas vividas. A descrição dos fatos, dos ambientes, da fisionomia das pessoas... você se enxerga dentro da história. Tem vontade de abraçar, bater, chorar e sorrir com os personagens.

Me senti um pouco deslocada com o fim. Pois você não sabe com absoluta certeza do que vai acontecer. De qualquer forma, a lição de vida que levo, que não é apenas em relação a pessoas de cores diferentes, mas também de ideologias diferentes, de opções sexuais diferentes, de times diferentes, países, partidos, religiões... "Somos só duas pessoas. Não há tanto assim a nos separar. Nada do que eu havia imaginado."
comentários(0)comente



Elisa 12/01/2018

Adoro o filme Histórias Cruzadas e o livro foi uma surpresa muito boa! Apesar do tema pesado, a leitura é leve e rápida. O posfácio da autora fecha com chave de ouro e traz a história mais pra perto da realidade ainda, o que sem dúvida vai me deixar com essa reflexão por dias. Termino o livro com vontade de assistir ao filme pela enésima vez!
comentários(0)comente



Dana Silva 13/03/2012

emocionante...
Falar de um livro que gostamos muito é até mais difícil do que falar sobre um que não gostamos tanto ou apenas gostamos. A Resposta foi uma agradabilíssima surpresa para mim. Me assustei inicialmente com o número de páginas mas me surpreendi com a rapidez com que elas foram passando.

A história se passa no sul dos EUA, na cidade de Jackson, Mississipi, nos anos sessenta, auge da segregação racial. Tudo para os negros era separado: banheiros, supermercados, escolas, bibliotecas, etc., os negros tinham que sair do lugar no ônibus para um branco sentar.
Ao longo dessa história conheceremos três personagens principais, as quais irão nos contar detalhadamente tudo que acontecia naquela época. Temos Skeeter, Aibileen e Minny.

Conhecemos Eugenia (Skeeter) Phelan, uma moça rica, branca e nada fútil, comparando-a às demais personagens brancas do livro. Skeeter acabou de se formar em jornalismo e está ansiosa por um emprego no jornal local, mas tudo que ela consegue é uma coluna para responder dúvidas sobre tarefas domésticas. Como não entende nada de cuidados domésticos, decide pedir ajuda à Aibileen, empregada de sua amiga Elizabeth Leefolt.

Aibileen é negra, ja criou 17 crianças brancas e atualmente é empregada dos Leefolt. Aibileen é uma mulher pouco instruída mas gosta muito de ler, hábito que adquiriu com seu filho, morto poucos anos antes, ela sente muita falta do filho Treelore. É uma mulher forte e batalhadora, mas que não consegue responder e nem discordar de seus patrões brancos, aguentando tudo calada.

Já Minny é o tormento de qualquer patroa branca. Ela é respondona, e não leva desaforo pra casa. Minny é vítima de violência doméstica, apanha muito do marido. Aparentemente ela é forte e destemida, porém é uma mulher comum, que tem sonhos e medos como qualquer outra. Minny trabalhava para os Hollbrook, mas foi acusada de ladra e demitida pela perversa Hilly Hollbrook, desde então não conseguia emprego nenhum, até conhecer a única mulher que não foi atingida pelas mentiras de Hilly, Celia Foote.

Skeeter não é uma moça comum, ela é muito alta e muito inteligente. Enquanto todas a outras moças caçavam desesperadamente um marido, Skeeter queria se formar e escrever algo que realmente as pessoas lessem. Numa de suas conversas com Aibileen, surge a idéia de escrever um livro sobre como é ser uma empregada doméstica negra e trabalhar para uma família branca, contar todas as experiencias, boas e ruins. Inicialmente Aibileen se assusta e não quer participar mas depois cede e resolve ajudar Skeeter. Depois de muita insistencia, Minny também decide ajudar. A sensação que elas tem é de que estão fazendo algo errado e sujo, entao fazem tudo às escondidas e sempre com aquele pavor de serem descobertas.

A narrativa de kathryn é simples e objetiva, é uma leitura fácil e saborosa, onde tudo fica ainda mais gostoso por ser em primeira pessoa, alternando os pontos de vista de Minny, Aibileen e Skeeter. interessante também é que os capítulos narrados por Minny e Aibileen são escritos da mesma forma como elas falam, usando e abusando das expressões típicas delas, tal qual elas falam mesmo, até as coisas erradas. Acredito que isso contribui bastante para dar uma identidade toda especial a obra. Ja os capítulos narrados por Skeeter são corretos e usando a norma culta, bem como Skeeter fala.

A resposta é um livro que faz o leitor refletir sobre preconceito, amor, respeito, esperança e muitas outras coisas que jamais caberão nesta resenha. O preconceito é uma coisa que sempre existiu e infelizmente sempre vai existir. Naquela época as pessoas não precisavam fingir, como hoje. Preconceito é uma coisa que você encontra até mesmo dentro da sua casa, e eu não estou falando somente da cor da pele. Esse livro é um tapa na cara da sociedade, é, a nossa sociedade mesmo, que prega a igualdade social mas que ainda torce o nariz para um negro ou um pobre.

Ao finalizar a leitura me flagrei imaginando como seria viver naquela época onde negros não tinham voz e qualquer coisa que dissessem, se entendidas de forma errada por um branco, poderiam ser punidos duramente. Onde se usassem um banheiro de brancos por engano, apanhariam até quase a morte. Me imaginei vivenciando a tudo isso e tendo que ficar calada, independente da cor da minha pele. Chorei muito com este livro.
A autora conseguiu abordar um assunto extremamente complicado de forma leve e agradável. Ao mesmo tempo que nos consegue fazer chorar, também nos faz gargalhar com a doce Minny, a parte do bolo de chocolate, meu Deus, morri de rir!

A Resposta não é um livro para ser lido e depois esquecido. É para se ter na cabeceira, e sempre que você se sentir mal com alguma coisa que lhe aconteceu, reler o que aquela gente passou, aquela gente que era honesta e boa e que não merecia nada daquilo.
A minha melhor leitura até agora, em 2012. Altamente recomendado para pessoas de qualquer idade, cor, religião e classe social.
comentários(0)comente



Yuri Hollanda 09/02/2014

A Resposta
Confesso que antes do filme "Histórias Cruzadas" (adaptação desse mesmo livro que mudou de nome), nunca tinha ouvido falar do maravilhoso "A Resposta", escrito por Kathryn Stockett. Como segue a tradição, é ainda melhor do que o filme indicado a vários Oscars.
Envolvendo-se em tramas que discutem, sutilmente, escondidas por meio de situações engraçadíssimas, questões sociais como racismo, pobreza, desigualdade, e entre outros, o livro se desenvolve envolventemente, te pegando muito rápido e fazendo você amar as três personagens femininas que conduzem a história, tão diferentes entre si, mas exemplares.

Pra começar, o livro é narrado de três pontos de vistas diferentes: O de Aibileen, a, digamos, "protagonista". Aibileen, é negra, empregada (daí o nome muito melhor, em inglês, The Help) de Hilly, uma nojenta e mesquinha dona de casa da época, branca, e assim, rica, que não fazia nada mais do que falar da vida alheia, praticar o racismo contra as empregadas, (que, btw, eram TODAS negras), embora se dissesse "sem preconceitos".

O segundo ponto de vista era o de Minny, a mais engraçada de todas, também empregada, negra, e amiga de Aibileen,. As narrações de Minny na minha opinião, eram as mais divertidas. Ela é a personagem alívio-cômico (embora isso não tire o seu total mérito e importância para a história), que se mete em situações engraçadíssimas e fala de um jeito engraçadíssimo.

E por fim, tínhamos o ponto de vista de Skeeter, filha das patroas, branca, porém segue um caminho totalmente diferente ao qual deveria seguir.
Ela é aquele personagem em que tem uma família totalmente desestruturada mas que se esconde atrás de uma faxada perfeita. Aquela que apoia as empregadas, que vê o sofrimento delas, que não se deixa ser levada pela constante maldade a qual é apresentada desde infância.
A partir daí, Skeeter toma a decisão de recrutar as empregadas para escreverem um livro de histórias das empregadas com suas patroas.

Olivro deixa bem claro que o que Skeeter está fazendo é totalmente fora do comum e extremamente perigoso. Não pense que foi fácil para ela recrutar as empregadas para narrar certas histórias.
Os negros na época eram totalmente retraídos e privados de opinião própria. É quase como o período nazista. E então em tudo isso, temos as questões sociais que são discutidas no livro.
Até que ponto uma pessoa pode chegar ao ser racista? Negros não usarem o banheiro de brancos é longe o bastante? Essas são as barbaridades que somos apresentados em "A Resposta", que embora bastante cômico (BASTANTE), é extremamente trágico e triste.
Revoltadas com essa situação, então, as empregadas resolvem ajudar Skeeter a escrever esse livro, e então, Jackson, Mississipi (a cidade em que a história se passa) entra em caos.

Patroas desesperadas lendo suas próprias histórias sem poder dizer as outras que era dela que estavam falando, até porque, quem iria querer dizer para as amigas que uma negra usou o banheiro que usa? Quem iria dizer para uma amiga branca, que aquela mulher do livro, que comeu o cocô de uma empregada, era ela? Então cochichos surgem, pra lá e pra cá, e cada uma vai vendo que o cenário não é tão brilhante quanto pensam. É um mais trágico que o outro, e ninguém, ninguém, nem mesmo os soberanos brancos estão livres disso.
A Resposta é um livro incrível. Mexe com você de um jeito inacreditável, e te marca eternamente. Você começa a ver que certas coisas, por menores que sejam, fazem a diferença (isso é bem clichê, eu sei).

A grande mensagem passada é que não há um motivo para cor ser diferenciada. Nem questões financeiras. No fim, todo mundo é podre, e todo mundo convive com seu podre.
É uma questão de percepção, e de como você vai levar a vida com isso.
Julgando os outros, julgando a si próprio, ou aceitando.

Leia mais resenhas no site:

site: www.EstanteNerd.com
comentários(0)comente



Douglas 13/03/2014

Recomendo!!!!!!
Nunca fui muito fã de assistir um filme antes de ler o livro.Mas, é claro, que isso nem sempre é possível. Este ano, com o grande volume de coisas pra ler e fazer (a velha desculpa da falta de tempo), acabei invertendo a ordem dos gostos, mas nada,tem tirado meu prazer da leitura.Autora é dona de uma narrativa impecável. Ela trata de assuntos delicados, tristes, reais, chocantes, sem deixar que o livro se torne pesado ou deprimente. Ela sabe escolher bem as palavras, sabe o momento exato de nos fazer rir. A Resposta é um livro capaz de emocionar, chocar e divertir. Kathryn Stockett, em seu romance de estreia, soube bem como dosar as emoções que suas palavras causam ao leitor.
comentários(0)comente



134 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |