Fahrenheit 451

Fahrenheit 451 Ray Bradbury


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Resenhas - Fahrenheit 451


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FabyTedrus 29/07/2018

Fahrenheit 451 - Ray Bradbury
Um livro com um que de Black Mirror, um futuro onde as pessoas passam a maior parte do dia distraídos entre assistir programas na TV ou ouvir propagandas em fones de ouvido, correr de carro o mais rápido possível sem prestar atenção em nada e não conversam mais entre si. É criativo, a escrita é profunda e um tanto poética. Fui atrás do livro por saber a respeito do filme recém lançado, que pelo que li a história é um tanto diferente do livro mas acredito que seja interessante tbm. (Jun/18)
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Francisco Dunas 28/07/2018

Sobre o Fascínio e Medo da Literatura
O filósofo francês Jean-Paul Sartre, o célebre criador do existencialismo, uma vez comentou: “O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter”. Estamos em uma busca eterna sobre o lugar o qual vivemos. Em uma realidade cada vez mais escrava do consumo e dependente da tecnologia a qual ultrapassa barreiras diariamente, há muito o que discutir acerca deste comentário. Afinal, o que somos e para onde podemos ir depende de nossa cultura e de nossa competência diante de algum empreendimento. A nossa experiência de vida um dia será compensada, mas tudo depende do que permitimos fazer parte do nosso cotidiano.

Certos livros destacam-se no meio artístico ao transformar a literatura no palco de conhecimentos o qual a define ao longo dos anos como uma indiscutível fonte de ideias, críticas, pensamentos e lutas por direitos sociais, políticos, trabalhistas, entre outros pontos. Seus autores firmam-se como grandes mestres ao ter suas obras transformadas em livros de cabeceira e matérias de estudo por diferentes pessoas de diferentes etnias pelo simples fato de transmitir uma forma de pensar sem igual e que muito diz respeito ao modo como o sistema que norteia-nos dita a nossa forma de viver. Afinal, vivemos nossos longos dias e nossas tediosas rotinas em torno de trabalho e mais trabalho enquanto tentamos miseravelmente saber tudo o que está acontecendo ao nosso redor no mesmo instante em que somos covardemente bombardeados por diversas notícias, e no resumo da ópera, ficamos à deriva no oceano sem nenhum farol à vista - devido à famosa corrida midiática em passar a notícia primeiro do que seus concorrentes, mesmo que para isso passem a notícia pela metade; fato este que não parece mudar jamais. Óbvio que demais obras apenas fantasiosas ou românticas demais possuem o seu respectivo charme e sua respeitável gama de leitores, mas acredito existir certa profundidade na construção de uma sociedade pensante enraizada em uma leitura de qualidade, longe das amarras televisivas e sua forma de entretenimento barato repetido ano após ano.

Quando encontramos algo deste nível, é o momento de discutirmos a sua essência.

Publicado originalmente em 1953 pelo escritor norte americano Ray Bradbury, de As Crônicas Marcianas, "Fahrenheit 451" marcou época quando de seu lançamento por abrir debate sobre o poder, o valor e o imensurável impacto do universo das letras no cotidiano das mais diversas sociedades ao redor do globo. Em um futuro não muito distante, a narrativa da trama sustenta um sistema de governo o qual acredita que a literatura apresente uma grande ameaça à forma como o ser humano necessita ser guiado, substituindo a mídia e abandonando o típico e irracional comportamento de levar as notícias muito a sério e elevar as inúmeras celebridades ao status de Deus. Entretanto, como forma de punição, em um distante ponto na nossa história (e o motivo fora totalmente esquecido), os bombeiros foram obrigados a deixar de apagar incêndios e agora são designados a queimar livros, deixando claro nas entrelinhas que o extermínio de novos pensamentos é a nova ordem mundial. A alienação estende-se ao fato de que agora os televisores foram acoplados ao tamanho das paredes das casas, não permitindo que nenhum detalhe da transmissão seja passado em branco. Uma espécie de reality show que mantém contato com pessoas – em sua maioria, dependentes químicos – é o novo ditador. Do outro lado da moeada, o mocinho da trama é o jovem bombeiro Guy Montag, que cansado de testemunhar diariamente a mente alienada da mulher, e após perder contato com uma amiga que havia lhe ensinado um pouco da história da humanidade antes da nova ordem mundial aparecer, descobre fazer parte do sistema que tanto corrói a mente das pessoas que ama, despertando seu interesse pelo poder da leitura. Tal mudança de comportamento o fará ser impiedosamente perseguido pelos seus antigos e irascíveis companheiros de trabalho, além da polícia cada vez mais cega em relação à construção de ideias. Levando em consideração que uma ideia jamais poderá ser apagada, considero a solução para o problema ao final da trama uma das mais criativas que li até hoje.

Lapidado em forma de humor negro, “queimar era um prazer” é a frase inicial da obra, informando-nos da maior forma de prazer que o protagonista até então conhecia, direcionando-nos automaticamente à uma realidade ímpar. Logo depois: “Era um prazer especial ver as coisas serem devoradas, ver as coisas serem enegrecidas e alteradas”. Ao contrário do ótimo “1984” de George Orwell, a jornada do personagem central e sua mudança de vilão a herói capaz de mudar toda uma geração servem de conexão com a experiência do leitor para com esta obra, ao fazê-lo acreditar na força da mudança – fazendo-nos lembrar daqueles raros heróis que abandonam seus empregos quando percebem que este fará mal às outras pessoas. Guy é uma pessoa comum assim como eu e você, principalmente ao descobrir ter o controle de sua própria mente e personalidade, e começar a construir o seu próprio castelo.

Para os mais apaixonados por literatura, é sabido afirmar que essa é uma obra inteligente e visionária, de leitura obrigatória. Ao pautar o risco que corremos devido à patética e simples arte de indagarmos tudo à nossa volta, Bradbury ficou eternizado no imaginário coletivo como o homem capaz de homenagear mentes pensantes. Mais do que uma crítica à alienação e à superficialidade, Fahrenheit 451 alerta para a magia da escrita, à preservação da imaginação e ao deslumbre do que somos capazes. Mais do que aplaudir a criatividade humana, eis uma declaração de amor à literatura.

É inegável o poder de “Moby Dick” de Herman Melville, a façanha de “O Visconde Partido ao Meio” de Italo Calvino, a audácia de “Um Estranho no Ninho” de Ken Kesey, a irresistível beleza de “O Corcunda de Notre Dame” de Victor Hugo, a bravura de “O Conde de Monte Cristo” de Alexandre Dumas, a épica paixão de Capitão Nemo ao oceano em “20 Mil Léguas Submarinas” de Jules Verne, entre outras obras. Assim como “Robinson Crusoé” de Daniel Defoe acabou por dominar toda a paradisíaca e remota ilha deserta ao não permitir que a mesma dominasse a sua mente e seu comportamento, reduzindo-o à uma formiga, devemos ser nossos próprios donos.

A importância de Fahrenheit 451 nos dias atuais vale pela forte presença do controle midiático através da ascensão tecnológica diária. Somos bombardeados em nossas redes sociais com incontáveis notícias, incluindo as famigeradas fake news, memes, invasões e milhares de vidas exageradamente expostas, dito como algo absurdamente normal. Estamos vivendo em uma era de dominação, aonde o dom de escrever e ler está sendo radicalmente substituído pela dominação da carência humana dominada pela máquina, substituindo a necessidade de incendiar obras clássicas, pois as mesmas estão sendo lentamente esquecidas ou ignoradas.

Claro que o convívio social e profissional molda o caráter do homem, porém a literatura é a cereja do bolo para as pessoas cansadas de uma única forma de pensar (televisão, rádio e cinema), sempre famintas por conhecimentos de outras eras, outras culturas, outras formas de enxergar a vida. E neste ponto, Fahrenheit 451 torna-se um de meus livros favoritos na estante...
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A.Tarcaína 22/07/2018

Valeu a pena, há algum tempo que estava para lê-lo
Fahrenheit 451 se passa em uma realidade distópica bem parecida com a nossa realidade. Pode-se dizer que, tirando a função dos bombeiros e a proibição dos livros; o restante é bem a atualidade.
A história narra uma caça aos livros não tão intensa; já que as pessoas não se interessam mais pela leitura, são poucos os mártires dos livros. As pessoas não pensam mais e dormem sob o efeito de medicamentos. Quase o tempo todo estão em frente às suas telas de televisão que cobrem as paredes de suas salas; o tempo restante é gasto com suas "conchas" nas orelhas emitindo ondas e sons.
Lembrando que o livro foi escrito durante o pós-guerra, algumas ideias talvez pareçam equivocadas ou confusas; mas o resultado da obra ou sua essência de forma alguma acaba prejudicado. De leitura fácil e rápida, já que o livro é pequeno, o texto nos convida a refletir. Garantia de trechos inteiros de puro brilhantismo.

site: https://guardaroupaliterario.blogspot.com/2018/07/fahrenheit-451.html
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Luiza - Choque Literário 14/07/2018

Resenha publicada originalmente no blog Choque Literário.
Fahrenheit 451 é um clássico da ficção científica escrito em 1953 e descreve o cotidiano de uma sociedade que proíbe o acúmulo e manuseio de livros em casa ou bibliotecas, porque eles trazem angústia e medo, ao invés de serem instrumento de diversão e entretenimento. Nesta organização social, os bombeiros não são mais responsáveis por apagar incêndios, mas provocá-los, queimando coleções de obras de pessoas comuns que são denunciadas ao governo.

Um destes bombeiros é Guy Montag, marido de Mildred, uma mulher que vive tomando muitos remédios e adora assistir à programas de lazer em três telões instalados na casa deles. O homem gosta muito de queimar livros e os acha inúteis, até o dia em que conhece Clarisse McClellan, sua vizinha de dezesseis anos que frequenta o psiquiatra por adorar conversar e fazer perguntas consideradas inoportunas, como questionar se Montag é feliz ou se ele está apaixonado.

"Dizem que sou antissocial. Não me misturo. É tão estranho. Na verdade, eu sou muito social. Tudo depende do que você entende por social, não é? Social para mim significa conversar com você sobre coisas como esta. - Ela chocalhou algumas castanhas que haviam caído da árvore do jardim da frente. - Ou falar sobre quanto o mundo é estranho. É agradável estar com as pessoas. Mas não vejo o que há de social em juntar um grupo de pessoas e depois não deixá-las falar, você não acha? Uma hora de aula pela tevê, uma hora jogando basquete ou beisebol ou correndo, outra hora transcrevendo história ou pintando quadros e mais esportes, mas, sabe nunca fazemos perguntas: pelo menos a maioria não faz; eles apenas passam as respostas para você, pim, pim, pim, e nós, sentados ali, assistindo a mais quatro horas de filmes educativos. Isso para mim não é nada social." - Págs. 51/52

A partir daquele dia, Montag passa a se encontrar regularmente com Clarisse e acompanhá-la de volta para casa. Aos poucos, a menina conquista o bombeiro com seu jeito de ser e pensar e, por causa disso, ele começa a questionar o trabalho que realiza como bombeiro e também o papel que exerce na sociedade.

As dúvidas de Montag se intensificam quando ele comparece à casa de uma senhora para queimar os livros dela e a idosa prefere morrer junto às obras do que se salvar. Naquele momento, antes de deixar o local, o bombeiro esconde no casaco uns dos livros ao invés de incendiá-lo e, a partir dali, começa a pensar e planejar maneiras de driblar o governo totalitário em que vive.

Uma das características que considerei mais interessante na narrativa de Fahrenheit 451 é que a ambientação dela se passa num planeta comum, numa cidade comum e que a história não precisou de grandes aparatos tecnológicos ou mudanças drásticas e mirabolantes para que fosse futurística. A graça da narrativa é perceber que o que mudou foi o comportamento das pessoas, cada vez mais inseridas na dinâmica da sociedade de massa, da indústria cultural e do consumo, uma forma de totalitarismo sutil.

"Lembre-se, os bombeiros raramente são necessários. O próprio público deixou de ler por decisão própria. Vocês, bombeiros, de vez em quando garantem um circo em volta do qual multidões se juntam para ver a bela chama de prédios incendiados, mas, na verdade, é um espetáculo secundário, e dificilmente necessário para manter a ordem. São muito poucos os que ainda querem ser rebeldes." - Pág. 114/115.

Há, inclusive, uma passagem no livro que nos mostra que a ambientação da história se passa mais ou menos no nosso presente, pois um personagem comenta: "Desde 1990, já fizemos e vencemos duas guerras atômicas!". Achei assustador perceber como algumas das ações dos personagens se parecem tanto com o que vivemos hoje. Por exemplo, estar sempre conectado. Atualmente, fazemos uso de computadores, celulares e diversos outros dispositivos móveis. Em Fahrenheit 451, quem têm esse papel são a televisão, que fica ligada praticamente 24h (é a que comentei que a esposa de Montag adora assistir) e escutas nos ouvidos, que recriam realidades melhoradas e mais felizes.

"Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com 'fatos' que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente 'brilhantes' quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. E ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. Não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia." - Pág. 86/87.

Me distanciando um pouco da estrutura, a personagem que mais me cativou foi Clarisse. Acho que o autor a construiu de uma forma muito simples, mas ela influencia os pensamentos e decisões de Guy Montag até o fim. Assim como a menina deixou uma marca no bombeiro, ela também deixa em nós, leitores. Às, vezes, eu queria pegá-la e guardá-la num potinho por ser tão inteligente.

Também posso acrescentar que a narrativa não é arrastada. O autor nos apresenta o conflito e já se preocupa em resolvê-lo, o que foi um ponto muito positivo para mim (quero dizer que Montag não perde tempo sofrendo por causa da realidade em que vive, mas assim que a descobre, já passa a buscar soluções para transformá-la ou, no mínimo, deixar uma marca).

site: http://choqueliterario.blogspot.com/2018/07/resenha-fahrenheit-451-de-ray-bradbury.html
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leila.goncalves 12/07/2018

Ponto De Ignição
No futuro, além de apagar incêndios, os bombeiros também podem iniciá-los. Neste caso, trata-se de uma patrulha designada para queimar livros, excluindo-os da face da Terra.

Guy Montag é um desses bombeiros, mas subitamente começa a questionar o que leva as pessoas a se agarrarem a eles, chegando ao extremo de também serem queimadas. O que os torna tão perigosos? O que os torna tão atraentes?"

Essa é a diretriz de "Farenheit 451". Seu título refere-se à temperatura do ponto de ignição do papel e nesse mundo distópico, há fogo para todo lado.

Se a princípio, "queimar é um prazer", ao final, só resta o "brilho incendiário que ofusca a visão" e, em cerca de duzentas páginas, o leitor poderá acompanhar essa metamorfose.

O mais chocante, é que talvez possamos estar caminhando para essa direção, se não estivermos praticamente lá, a medida que a superficialidade e a banalização do conhecimento apresentam-se inexoráveis diante do pragmatismo hedonista que pulveriza o dia a dia e com a rapidez de um riscar de fósforos, vende a imagem de uma tosca felicidade, onde há pouco espaço para a reflexão e a imaginação.

Escrito em 1953, quando a Guerra Fria era um pesadelo e a televisão surgia, roubando a atenção das pessoas, sua releitura no atual contexto, isto é, sob a égide da informatização, é um indispensável exercício de reflexão.

Enfim, que sempre haja esperança e tal qual uma fênix, ela possa sempre renascer das cinzas...

Nota: Excelente texto, com boa tradução e preço camarada.
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Denise.Pereira 10/07/2018

O sol queima os dias
Em Fahrenheit 451 conhecemos uma sociedade fútil e desesperada por prazer que prefere se abster de livros para evitar conflitos sociais e questionamentos existenciais que trariam sofrimento.
Livros são proibidos, somente manuais técnicos são liberados e as pessoas escolheram viver assim. Bombeiros existem para queimar livros clandestinos.
Montag, um bombeiro, começa a refletir sobre a vida e percebe que é infeliz e isso o faz buscar respostas nos livros...
Ana Leme 13/07/2018minha estante
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gustavu 05/07/2018

+Maturidade +Personalidade
Estou definitivamente apaixonado por esse livro! Não sou capaz de lembrar de nenhum livro que já tenha lido que possa superar este. Encontrei um prazer enorme enquanto lia-o que já não sentia há muito tempo. Gostaria de ter terminado em poucas horas, mas não li no melhor momento, mas mesmo assim devorei com vontade cada palavra, cada frase e parágrafo. Todos os detalhes foram importantes e me fizeram amar muito mais o ato de ler. Fico feliz em ter lido este livro agora, pois me deu uma maturidade que eu certamente vou precisar para ler livros parecidos... Resumidamente, esse livro se tornou um dos meus favoritos da vida e vou indicá-lo à todos, porque não há uma pessoa no mundo que mereça morrer sem ter lido essa obra genial.

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Publicado em 1953, pela mente genial de Ray Bradbury, esta obra narra um futuro distópico onde os livros são uma ameaça à sociedade enquanto as grandes telas de TV são idolatradas. Neste livro a crítica à nossa cultura é grande e mostra como o excesso de informação faz-nos perder o interesse pela busca de conhecimento.

Comum em livros de distopia, este livro mostra os tempos atuais com um governo autoritário que visa controlar a população à base da censura. Nessa obra, os superiores querem acabar com os livros e os divulgam como um tipo de ameaça ao bem estar da sociedade. Para acabar com qualquer livro restante, seja em uma biblioteca clandestina ou em uma casa aleatória, os bombeiros, que outrora acabavam com o fogo, agora se encarregam de iniciá-lo.

Em terceira pessoa, a história mostra a relação de Montag com sua esposa e seu trabalho. Ser bombeiro deixou de ser uma obrigação e é quase como um Hobby para Montag, que encontra paz quando o alarme toca e denuncia mais um criminoso com livros a serem queimados. Porém, sua mente mudou quando uma mulher se dispôs a morrer junto a seus livros. Montag ficou impressionado com o fato e desde então deixou de fazer as coisas sem antes se perguntar o porquê.

O livro mostra a confusão mental de Montag, que já não entende mais o motivo de tanta repulsa aos livros e acaba se contradizendo e defendendo o ato de ler. O enredo da obra é bem construído e mesmo quando não apresenta todos os detalhes, não falha ao deixar sua imaginação trabalhar, alimentando assim o fato, que tanto é defendido na obra, de que muita informação às vezes pode atrapalhar. Além de não usar palavras difíceis para descrever os sentimentos de Montag ou lugares e situações, Ray Bradbury utiliza de uma narrativa simples e fácil de ser compreendida, criando assim uma leitura fluída e sem interrupções.

A estória, por trazer uma forte crítica à sociedade em que vivemos, pode ser considerada uma obra atemporal, já que podemos ver cada vez mais hoje em dia as pessoas trocando livros pela TV, deixando dessa forma de refletir sobre coisas importantes que acontecem a nossa volta. É a sensação de desconforto que o autor Ray Bradbury quer trazer ao leitor. Ele quer fazer com que pensamentos existam e questionamentos sejam feitos para que ninguém possa ser controlado pelas cores chamativas de uma televisão ou uma boa música numa rádio, pois as letras sem graça num papel podem causar um efeito muito maior na sociedade e em nossa mente.

Esse livro é um clássico da literatura distópica, e uma grande referência quando se fala sobre esse tipo de gênero. Fahrenheit 451 foi um marco na história e inspirou diversos outros escritores como Stephen King e Margaret Atwood. Escrito em menos de 2 semanas, o livro já foi transformado em duas produções cinematográficas, uma em 1966 e mais recentemente em 2018. Desde seu lançamento o livro vem cativando os leitores e incentivando o amor pela leitura, criando discussões sobre como tratamos os livros e como manuseamos nossa relação com a televisão e tecnologia.
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Desenho 02/07/2018

Inquietante e poético
Eu vinha postergando a leitura deste livro talvez porque o momento para o ler tinha que ser este mesmo, quando minha admiração por livros só aumenta. O livro fala sobre um futuro distópico para a sua época (década de 50) que seriam nossos tempos atuais, onde os bombeiros não precisam mais apagar incêndios, as casas são a prova de fogo. Eles agora colocavam fogo em livros (se o dono do livro estiver perto, solamentos). Os livros são tidos como algo impróprio para a sociedade por desvirtuar o cidadão de bem e a família tradicional, pensar não é mais importante, conversar é com outra pessoa é quase desnecessário e amizade era função de grandes televisores que ficam em três ou quatro paredes das casas. Nesses televisores existem as "famílias" que interagem com você para que ninguém precise falar com mais ninguém.
É um livro impactante que mostra o poder que o livro tem na vida das pessoas e o perigo causado na sociedade quando esta perde o direito de obter conhecimento, muitas vezes por vontade própria (incrível o poder da massa tanto para o bem como para o mal). Assim, a sociedade está fadada a remédios para dormir, grandes televisores (com o som bem alto) para evitar a tristeza e as pessoas dentro de casa mal se falam, são praticamente estranhos. Dá pra perceber algo em comum com nossa sociedade?
O autor consegue passar poesia pelas páginas em muitos momentos, até nos momentos mais tensos e tristes. E como observo nas distopias, a resistência sempre existe. A história se repete de tempos em tempos e a quantidade de gente que abre os olhos para o caos do mundo tende a aumentar a cada giro dessa repetição.
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Caio.Fernandes 29/06/2018

Um clássico absurdo!
Acabei de eles fahrenheit 451 e eu tô perplexo, mesmo que a história seja sobre a proibição dos livros, ela toca em temas pouco falados e muito importantes, sobre a busca do conhecimento e a ignorância. A leitura foi prazerosa! A escrita de Ray Bradbury combina muito bem com o tema, com muitos diálogos poéticos para pensar (ou até chorar, como foi meu caso!)
Ler esse livro é uma coisa que com certeza mudou minha visão do mundo moderno e acho que todos deveriam ler!
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Joao.Vitor 28/06/2018

Um Clássico atemporal
Fahrenheit 451 é uma distopia que conta a história de uma época em que livros são uma ameaça ao bem-estar da sociedade, portanto, devem ser queimados; e quem cumpre essa tarefa aqui são os bombeiros. A história é contada do ponto de vista de Montag, um dos bombeiros, que vive uma vida vazia e monótona até começar a questionar a razão de como as coisas funcionam e o que tem de tão perigoso nos livros.
A primeira coisa que me chamou atenção enquanto eu lia esse livro, foi a forma como o autor conduz a narrativa na maior parte da história, ela não segue uma linearidade, em muitas vezes é como se fossem fluxos de pensamentos, recortes de um raciocínio; essa narrativa caótica se conecta diretamente com a atmosfera retratada na história, onde todas as pessoas vivem em função de estímulos de prazer e adrenalina, não há espaço para nenhum tipo de reflexão. Na sociedade apresentada, as pessoas possuem "telas" que ocupam paredes inteiras, com conteúdo ininterrupto das mais variadas bizarrices, e quando não estão presos em suas casas estão dirigindo seus carros a velocidade absurdas ou praticando esportes nos quais você precisa pensar o mínimo possível. Sempre girando numa espiral de alienação, adrenalina e prazer.

Em determinado momento do livro, Montag tem uma conversa muito interessante com o capitão do corpo de bombeiros, ele é um personagem de grande destaque fazendo as vezes de mentor e antagonista ao mesmo tempo; na conversa em questão ele explica como essa sociedade tomou o rumo que fez com que ela seja assim atualmente, quando eu li aquilo eu quase comprei a conversa dele e eu vejo isso como um triunfo do autor.

Enfim, eu poderia falar muito mais sobre esse livro porque ele definitivamente tem várias camadas que podem ser discutidas. Fahrenheit 451 é um clássico da literatura mundial e mesmo sendo um livro lançado em 1953, continua extremamente atual.
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Lucas dos Reis @EstanteQuadrada 23/06/2018

Queimem os livros!!!
Originalmente lançado em 1953, o livro Fahrenheit 451 continua sendo muito atual em suas representações e metáforas. A história é sobre um futuro, ou um presente, em que os livros são banidos da sociedade, e os bombeiros são responsáveis em colocar fogo nas casas e lugares que os livros se encontram.

Dentro desse universo, os livros são objetos que as pessoas julgam e sentem medo, já que caso você seja pego lendo, você estará transgredindo a lei. Ao mesmo tempo que é um futuro muito distópico, com tecnologias avançadas, e até mesmo robôs, a censura e repreensão do governo é muito antiquado.

Mesmo sendo um livro razoavelmente pequeno e com uma história "curta", já que o tempo dentro da história não é longo, dura em média alguns dias, a narrativa consegue aprofundar o leitor nesse universo de forma única. Ao mesmo tempo, os detalhes são profundos e diversos pontos ficam vagos, a serem explorados, mostrando que esse universo é ainda mais complexo.

Continue lendo a resenha: http://estantequadrada.blogspot.com/2018/06/fahrenheit-451-de-ray-bradbury-resenha.html

site: http://estantequadrada.blogspot.com/2018/06/fahrenheit-451-de-ray-bradbury-resenha.html
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Viagem Literária 23/06/2018

Fahrenheit 451
Numa época em que livro e conhecimento foram trocados por 'telões' e pela ignorância, bombeiros ateavam fogo em vez de apagar... Montag bombeiro formado filho e neto de bombeiros conhece a vizinha Clarisse um pouco melhor. Ela o questiona com diversos assuntos que ele jamais parou para pensar como: quando bombeiros começaram a queimar livros - era proibido ter livros em casa e lê-los - em vez de apagar?
Clarisse achou o ponto ideal para questioná-lo, e as perguntas continuaram até ela desaparecer. O que o deixou perturbado. Pessoas que eram denunciadas e pegas pelo sabujo mecânico escolhiam serem incineradas a abandonar os seus livros. O que esses livros tem de tão grandioso que levam as pessoas a morrerem por eles? Você morreria queimado por seus livros? 🔥
O tema geral do livro é perturbador! A escrita foi leve e interessante, Ray debateu um assunto que me gerou vários problemas, como já sabia um pouco sobre o livro criei altas expectativas. Ray me fez ver a cena e tentar entendê-la, ele deixa "espaços em branco" - psicologicamente falando - daqueles que não só fazem você imaginar a cena mas te faz criá-la. O fim foi onde fiquei um pouco decepcionada, Ray abriu um buraco no meu coração, pois quando pensei que a coisa ia rolar... o livro acabou! ACABOU! Simples assim. Fiquei desolada. Demorei um tempo para entender o que tinha acontecido, e precisei de ajuda da @ericarodriguez minha amiga e parceira! Por isso digo a você que pretende ler esta obra e como eu não lida muito bem com final inconclusivo... Não coloque muita expectativa, NENHUMA se for preciso. O contexto e o tema é perturbador mas é excelente, pois vivemos "neste mundo" que o autor criou a mais de meio século! O final do livro foi o ponto chave pelo real motivo da minha nota para esta obra!
🔥
Por: Mariane Ducas

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Carol Santos 22/06/2018

A distopia criada é o maior destaque!
Um dos maiores desafios da minha vida literária é me instigar a ler clássicos durante o ano. E motivada por um dos desafios da Maratona Literária de Outono, enfim tirei da estante Fahrenheit 451. Surpreendida positivamente com o conteúdo, é um tipo de distopia que nos faz pensar como seria o mundo sem o conhecimento, sem livros?!

Guy Montag tem prazer da sua profissão de bombeiro, cuja função nessa sociedade imune a incêndios é queimar livros e tudo que diga respeito à leitura. Quando Montag conhece Clarisse McClellan, uma menina de dezesseis anos que reflete sobre o mundo à sua volta e que o instiga a fazer o mesmo, ele percebe o quanto tem sido infeliz no seu relacionamento com a esposa, Mildred. Ele passa a se sentir incomodado com sua profissão e descontente com a autoridade e com os cidadãos. A partir daí, o protagonista tenta mudar a sociedade e encontrar sua felicidade em um governo totalitário, que proíbe qualquer livro ou tipo de leitura, prevendo que o povo possa ficar instruído e se rebelar contra o status quo. Tudo é controlado e as pessoas só têm conhecimento dos fatos por aparelhos de TVs instaladas em suas casas ou em praças ao ar livre.

Foi impactante o quanto uma leitura de 1950 parece atual. Eu que possuo uma grande dificuldade de discernir incógnitas colocadas ao longo de uma narrativa de um clássico, captei rapidamente o papel que este livro tem com os leitores. Em poucas páginas, com acontecimentos eletrizantes que mudam a todo instante, um mundo sem livros — consequentemente sem fazer o ser humano ser tornar pensante — percebemos o que essa ideologia pode ocasionar.

Tive dificuldades em alguns pontos com a escrita formal sim, principalmente porque o autor tende para um desenvolvimento baseado em descrições de locais e elementos, no entanto ao engajar nas aventuras e nas cenas acaba passando despercebido. É um enredo rápido, que transmite seu desenvolvimento de modo acelerado, mas em nenhum momento se perde. É um universo distópico interessantíssimo, dividido em três grandes capítulos.

"Ninguém mais presta atenção. Não posso falar com as paredes, porque elas estão gritando para mim. Não posso falar com a minha mulher; ela escuta as paredes. Eu só quero alguém para ouvir o que tenho a dizer. E talvez, se eu falar por tempo suficiente, minhas palavras façam sentido."

Falando do personagem principal, Montag, em grande parte ele foi uma incógnita na minha opinião. Consegui sentir suas preocupações e dúvidas, porém algumas atitudes não foram as ideais. Não o julgo porque se estivesse na sua situação não sei o que faria. Foram drásticas, entretanto acredito que aqui esteja a "mágica" da distopia, de poder fazer o que quiser, por isso não reclamo muito. Suas indagações, inquietações chegam a quem está lendo de modo claro, o que ajuda a perpassar a história no seu ponto de vista, além de uma identificação pessoal.

Clarisse aparece em poucos momentos, e mesmo assim deixa grandes lições — até porque muda as atitudes de Montag. Senti que poderia ter sido mais explorada, trabalhada. Ela praticamente "some" da obra e deixa a indagação para quem está lendo do que realmente aconteceu. De qualquer maneira, cumpre seu papel principal que é questionar as atitudes da queimação de livros, e um adendo é que no posfácio desta edição o autor fala um pouco dela, e você consegue até entender o motivo da protagonista ter "desaparecido" — todavia ainda queremos respostas haha.

Pequenos pontos de ficção científica caíram muito bem, além do verossímil que se conecta com a atualidade. O escritor fala até de uma inspiração em Conan Dolye para um objeto específico, o que achei fantástico. O exemplar é algo que você inquire, e muito. Difícil não fazer uma comparação com a conjuntura moderna quando captamos como houve essa banalização do conhecimento, como tudo isso se originou e o porquê da profissão bombeiro é queimar livros. Na civilização de Montag tudo foi destruído para não ter divergências, já que essas ficaram incontroláveis e perturba todos. Nota-se uma mera semelhança certo?!

De uma forma geral, impacta o quanto Ray foi um visionário e pode-se concluir que Fahrenheit é atemporal. Me vi encantada e querendo mais de uma volume que cheguei a duvidar se iria gostar, rs. É um desafio para aqueles que estão acostumados com uma linguagem mais coloquial, contudo que vale a pena tentar. Recomendadíssimo não só aos fãs de distopias e também para aqueles que querem sair da zona de conforto com algo mesclado à fantasia distópica.

"Bem, afinal de contas, estamos na era do lenço descartável. Assoe seu nariz numa pessoa, encha-a, esvazie-a, procure outra, assoe, encha, esvazie. Cada um está usando as fraldas da camisa do outro. Como torcer para o time da casa quando não se tem nem um programa nem sabemos os nomes? Por falar nisso, que camisa estão usando quando entram em campo?"

Na parte física, existe vários edições/versões do livro, afinal estamos falando de um clássico. A minha é da coleção da Folha de S. Paulo, e confesso que comprei pois estava barato na época — e por ser em capa dura. A aquarela da capa tem total ligação com o que se trata o livro. Um ponto negativo é que senti falta de uma sinopse. Na parte de trás temos a opinião de um crítico do jornal, e somente. A diagramação é confortável de ler e não possui nenhum erro ortográfico ou de revisão aparente. Tem a presença de um posfácio e um coda. Hoje sabendo o quanto gostei, compraria uma edição melhor até justificando que existe opções mais bonitas. A narrativa é feita em terceira pessoa.

Juro que se alguém me perguntasse no início de 2018 se leria Fahrenheit 451, não saberia responder — aliás não saberia responder até o momento que saiu o desafio na #MLO2018. Com uma motivação maior que é o lançamento do filme adaptado, me auto surpreendi. Não sei ainda se perdi o certo receio com leituras de grandes aclamações, mas dei o primeiro passo. Espero que tenham gostado!

site: http://diariasleituras.blogspot.com/2018/05/resenha-fahrenheit-451-ray-bradbury-classico-distopia.html
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Thefy 15/06/2018

Uma distopia atual
Encaixam este livro no genêro de distopia, mas em minha sincera opinião não há nada de distopia, há meus caros, uma realidade sendo formada a nossa frente e nos a estamos escolhendo igual aos cidadões do livro. Este é a mais bela crítica social sobre o mundo literario e como nós (a população) estamos jogandoo no chão e os queimando. Final deixa um quê de mistério, com um ar de uma continuação. Alguns iram odeiar, outros iram amar. Eu me encaixei no grupo dos que amam este livro.
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