Notas Sobre Gaza

Notas Sobre Gaza Joe Sacco




Resenhas - Notas Sobre Gaza


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Gabriel.Galdino 21/08/2021

Joe Sacco - Notas sobre Gaza
Em notas sobre Gaza, o jornalista e quadrinista Joe Sacco pretende recuperar, por meio de pesquisas jornalísticas na área da faixa de Gaza, dois massacres que ocorreram na Palestina na década de 1950, ao mesmo tempo em que a tragédia se aproximava do oriente médio, como consequência dos ataques em 11 de setembro.

É impressionante o apuro e o trabalho jornalístico de Sacco, que transita entre várias cidades, enfrenta diversos perigos e conversa com diversas pessoas para conseguir a historia que quer, com uma ética e precisão jornalística ímpar, como por exemplo, toda a lógica para filtrar as histórias contadas pelos moradores, já velhos, de duas situações ocorridas há mais de cinquenta anos, além de toda a rede de amigos do jornalista que o ajuda a conseguir esses relatos de pessoas que normalmente não falam com estrangeiros.

Os relatos dos aldeões, aliais, são extremamente chocantes, apavorantes e tristes, o que infelizmente não contrasta tanto com o que o próprio jornalista via em sua passagem por Gaza. É muito difícil que o leitor passe incólume pelas situações descritas nesse quadrinho.

Na arte, Sacco bebe muito da fonte do quadrinho underground. As suas influências são perceptíveis, principalmente de um dos maiores expoentes do quadrinho Underground: Robert Crumb. Consequentemente, a arte complementa e muito os fatos que o jornalista quer passar, principalmente nos rostos das pessoas que relataram as situações para eles, ou toda a arquitetura da cidade, que trazem alguns das páginas mais bonitas de Sacco na Obra.

Ao final ainda temos apêndices com os documentos usados como referência para a pesquisa de Sacco. Uma ótima obra de jornalismo em quadrinhos, que agradaram tanto os fãs da nona arte quanto os curiosos e pesquisadores da relação Israel-palestina.
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Rayearthking 22/09/2019

Essa é a melhor forma de compreender a questão Palestina
Incrível! O nível de detalhamento no desenho e na narrativa é fantástico!
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Na Literatura Selvagem 19/12/2017

relato impressionante de dois episódios sombrios na faixa de Gaza
Devo ter um instinto masoquista dentro de mim que não desiste de leituras densas de fatos reais causados pelos conflitos de guerra. Acredito que seja minha porção historiadora que sempre se recusa a ignorar nossa situação política a nível global... E apesar de trazer as impressões acerca de uma obra que aborda acontecimentos de décadas atrás, é inegável que tais acontecimentos se refletem até a atualidade nas áreas descritas na história.

Notas sobre Gaza me chegou em mãos graças a parceria com a Editora Companhia das Letras, pelo selo Quadrinhos na Cia, e trata-se de uma verdadeira pesquisa realizada pelo jornalista maltês Joe Sacco, que possui outros quadrinhos do gênero, cobrindo matérias em várias partes do Globo, mostrando um lado que geralmente é ocultado pela mídia ocidental.

É uma história que narra acontecimentos ocorridos no ano de 1956 na região de Gaza, através de depoimentos de pessoas que vivenciaram o horror dos massacres contra os árabes por parte dos soldados israelenses. Na verdade, dois acontecimentos históricos são abordados em Notas sobre Gaza: o primeiro deles nas cidades de Khan Younis e Rafah, onde centenas de civis foram assassinados durante uma incursão militar que seria divulgada apenas como uma operação para capturar guerrilheiros palestinos, como de costume. Segundo os dados recolhidos nos relatórios da ONU, a situação saiu de controle porque os soldados se depararam com uma multidão que tentava fugir. A versão do primeiro-ministro israelense é que houve um confronto com rebeldes armados e por isso se deu o embate. Curioso ressaltar que do lado israelense não houve uma baixa sequer...


leia mais em

site: http://torporniilista.blogspot.com.br/2017/11/hq-notas-sobre-gaza-de-joe-sacco.html
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Bruno.Bortoloto 16/01/2016

Denso!
Se você espera uma leitura leve e agradável só por conta de ser um quadrinho, engana-se. Joe Sacco se utiliza das imagens para dar um elemento a mais de densidade à história magnificamente pesquisada por ele.

Sou historiador e trabalho no meu dia-a-dia com História Oral, Memória e conceitos relacionados. Essa talvez seria mais uma camada de informação que o leitor pode ter lendo o texto, pois seu respeito aos entrevistados, ao método e à pesquisa são impecáveis!
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Roberta 29/05/2012

Seguindo uma linha diferente daquela que o levou a escrever "Palestina", em 1996, em "Notas Sobre Gaza" Joe Sacco segue com suas investigações sobre o conflito palestino-israelense, desta vez centrando-se na Faixa de Gaza, até então totalmente cercada, e, mais especificamente, sobre os ataques israelenses ocorridos em 1956 nas cidades de Rafah e Khan Younis, o principal foco de Sacco, o qual nunca foi satisfatoriamente esclarecido oficialmente, permanecendo sob as sombras até que este nosso jornalista o trouxesse à tona.

O autor se expõe a situações de perigo, as quais são muito bem ilustradas ao logo da história em quadrinhos que, mesmo com o estilo cartoonizado, conseguem transmitir a tensão vivida em uma excelente pesquisa de campo. Durante toda a história contada em quadros, Joe mostra a dificuldade que teve para obter informações de fatos ocorridos há 50 anos. O quadrinista se encontra em meio a memórias confusas, que se misturam a fatos ocorridos em outros conflitos, e àqueles que insistem em relatar-lhes todo o drama que ainda atinge a região. "É difícil se lembrar de 56, por causa das coisas que acontecem hoje. Por quê? Porque os eventos são contínuos, é uma coisa atrás da outra.[...] Aqui todo dia é 56! 56 já passou. Aconteceu com meu avô e a minha avó. Mas este aqui [o filho] - ele ainda está vivo! E eu estou vivo!" relata um de seus entrevistados.

Cada relato leva Sacco a reconstruir um pedaço do que aconteceu em 56 e, inevitavelmente, mostra o quanto os conflitos continuam intensos. Entre tantas histórias cruéis, a leitura se torna densa, pesada mas, com certeza mais leve do que a realidade que atinge aquela região. Nós assistimos de longe, lemos a respeito, nos indignamos, mas nada fazemos - o que podemos fazer de fato? Enquanto isso, o conflito continua, bem longe daqui, e isso não nos afeta e continuamos nossas vidas, prontos para a próxima leitura.

Recomendo esta leitura - bem como a leitura de "Palestina", do mesmo autor - a todos que querem se inteirar mais do que a deturpada mídia tem a falar sobre o assunto, sejam amantes ou não de história em quadrinhos.
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Fábio Valeta 28/05/2012

A dificuldade da História oral
Embora não seja tão bom quanto os outros trabalhos do autor, mostra uma tentativa de reconstituir um evento histórico ocorrido a meio século usando principalmente de relatos dos sobreviventes, uma vez que as fontes documentais são pouco confiáveis nesse caso.

O mais interessante é que em nenhum momento o autor trata aquilo que é relatado a ele pelos testemunhos como uma verdade. Fazendo questão de mostrar as diferentes "verdades" relatadas. Mostrando como pessoas diferentes lembram coisas diferentes.

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Silvio 17/07/2011

Muita gente acha história em quadrinhos uma forma menor de arte. Aliás, que nem pode ser definida como arte, como consideramos literatura e cinema, por exemplo. Para mim, é gente que não teve a oportunidade de conhecer HQ de verdade e continua achando que história em quadrinhos se resumo a Pato Donald e Super-Homem.
A verdade é que dos anos 80 para cá esse estilo amadureceu, se desenvolveu e se consolidou como forma de expressão artística, com obras criativas, complexas e profundas.
Os trabalhos de Joe Sacco são uma prova. Em seus livros “Palestina, uma nação ocupada”, “Uma história de Sarajevo”, “Área de Segurança Gorazde” e o mais recente “Notas sobre Gaza”, criou um novo gênero em que mescla jornalismo e quadrinhos para realçar as “histórias por trás da História” de forma marcante. E o reconhecimento do seu trabalho mostra que quadrinho é superior há muita literatura e cinema que se faz hoje em dia.
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Luciano R. M. 09/11/2010

Notas Sobre Gaza- Joe Sacco
A disputa israelo-palestina é um assunto antigo e complexo, um dos mais longos e tensos conflitos do século XX- e que ainda hoje parece longe de terminar. Inúmeros episódios de violência e guerras marcaram a região, até hoje sob a sombra da Segunda Intifada, terminada em 2006.

O quadrinista e jornalista maltês-americano Joe Sacco ficou conhecido por ter visitado a região entre 1993 e 1995, e recontado sua trajetória em ‘Palestina’, obra com a qual ganhou o American Book Award em 1996. Em seguida foi para a Bósnia, experiência que resultou em ‘Área de Segurança: Gorazade’- novamente premiado, desta vez com o Eisner em 2001.

Dez anos depois de receber o prêmio por sua primeira visita à Faixa de Gaza, Sacco retornou para um trabalho muito mais ambicioso: reviver dois episódios esquecidos da história da região, sobre os quais o registros, tanto oficiais quanto extra-oficiais, são obscuros e não necessariamente confiáveis. Esse novo trabalho acaba de ser publicado no Brasil pela Companhia das Letras, sob o título de ‘Notas sobre Gaza’.

Sacco pretendia investigar os episódios envolvendo o massacre de civis em Khan-Younis e em Rafah, em 1956, ao fim da Guerra de Suez- quando Israel criou uma aliança secreta com Inglaterra e França, contra o Egito e a Palestina.

Para isso passou algum tempo na região, entrevistando sobreviventes e filhos de sobreviventes e visitando os locais em que o sangue foi derramado. As memórias, obviamente, não são a mais confiável das fontes, e Sacco nunca deixa de explicitar isso, seja mostrando ter descartado alguns testemunhos, seja mostrando diversas versões para um mesmo episódio.

Outra dificuldade foi o presente. Em 2006, quando foi feita toda a pesquisa, a Segunda Intifada estava terminando e eram comuns as demolições de casas da população palestina pelas Forças de Defesa Israelenses, que alegavam a presença de túneis usados por contrabandistas e terroristas. As testemunhas tinham dificuldade em se aterem ao passado, quando o presente era quase tão opressor quanto.

E, terminada toda a história- pelo menos a que Sacco se propôs a contar desta vez- temos alguns anexos bastante interessantes, com documentos citados durante a narrativa de Sacco e entrevistas com oficiais israelenses e da ONU a respeito das demolições.

Não esquecendo que se trata de uma Graphic Novel, gigantesca, aliás, ultrapassando as 400 se contarmos os anexos, cabe um comentário sobre as ilustrações. Bom, elas seguem o estilo já tradicional de Sacco, relativamente simples apesar de abundarem elementos- porém não o suficiente para que roubem a atenção do que está sendo contado.

http://blog.meiapalavra.com.br
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