The Dispossessed

The Dispossessed Ursula K. Le Guin




Resenhas - The Dispossessed


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Lili Machado 26/09/2012

“Havia um muro”...
Shevek, um médico brilhante, que vive em Anarraes (uma lua de Urras), decide procurar respostas e questionar o inquestionável, tentando derrubar os muros do ódio que isolam seu mundo de anarquia, do resto do universo civilizado.
Anarraes é um planeta de anarquistas que experimentam o não-autoritarismo que enfatiza a comunidade e a cooperação, e que tem de aproveitar ao máximo os recursos limitados de seu planeta desértico, para evitar a ameaça constante da fome.
Há duzentos anos Anarres está isolado de Urras, exceto pelos valiosos minerais que são enviados através de seu espaçoporto.
A filosofia de Anarres é baseada nos escritos de Odo, uma mulher com idéias baseadas no comunismo puro. O odonismo prega os princípios da comunhão e do socialismo, através da remoção das palavras: minha, nossa, etc., da linguagem, e sua substituição por “a que eu uso”.
Quando a pessoa nasce em Anarres, recebe um nome de duas sílabas, decidido por computador – me lembra um dos detalhes da sociedade de Gathering Blue, de Lois Lowry (resenha no blog: http://scifinowlilimachado.wordpress.com/2012/08/11/gathering-blue-lois-lowry-serie-the-worlds-of-lois-lowry-2/ ).
A sociedade é livre, toda a atividade sexual é permitida, desde que consentida. O casamento não é obrigatório. As crianças são criadas em forma comunitária.
O trabalho é determinado através de uma espécie de loteria por computador, de acordo com a necessidade. Mas todos são livres para recusar o que lhe for determinado. A cada 10 dias eles participam de trabalhos voluntários para a comunidade. Somente o senso de responsabilidade e consciência os mantém trabalhando, livres do desejo de acumular posses e riquezas.
Pode-se tudo, desde que não fira o outro.
Essa utopia tem sementes de destruição, entretanto...
Shevek, como médico, faz uma grande descoberta científica, que é festejada em Urras. Ele é, portanto, convidado a terminar seu rabalho no planeta-mãe e a aceitar um prêmio importante.
Ninguém de Arraes foi a Urras, há dois séculos, e um conflito de grandes proporções se inicia.
Para realizar essa viagem perigosa, ele tem de desistir de sua família e, até mesmo, de sua vida, desafiando as complexas estruturas de sua vida, e iniciando o fogo das mudanças.
Urras é a sede de um triunvirato de um governo repressivo e capitalista, com imensas riquezas, atrativos culturais e grandes realizações científicas.
Mas, nem tudo é o que parece ser, em ambos os mundos... Shevek logo descobre que Urras também possui sua cota de “Despossuídos”.
À medida que a estória segue, Shevek vê que há muito ainda a ser aprendido, de ambas as partes, já que as sociedades contrastantes, contém a semente uma da outra.
Shevek, então, planeja levar as duas sociedades a bons termos.
Os despossuidos é uma estória utópica/distópica, na mesma sintonia de Admirável mundo novo, de Aldous Huxley (resenha no blog: http://scifinowlilimachado.wordpress.com/2012/06/30/admiravel-mundo-novo-brave-new-world-aldous-huxley/ ).
Mas o tema essencial do livro, são as barreiras, e como as transpor. A primeira frase é: “Havia um muro”.
Apesar de Le Guin criar uma atmosfera de tensão, não há muita ação – portanto, os leitores que esperam a ficção científica tradicional, com viradas surpreendentes na trama, não ficarão satisfeitos. Mas os leitores do ramo mais filosófico da Sci-Fi, irão adorar.
Este livro descaradamente político, com base na Guerra Fria EUA-URSS, retrata um personagem dividido entre dois mundos, com diferentes sistemas econômicos e políticos, e foca nos erros de ambos.
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