Elvis e Madona

Elvis e Madona Biajoni




Resenhas - elvis & madona


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Paula 17/03/2014

Uma novela lilás.
Inusitado. Irreverente. Inovador. São muitos os adjetivos que eu poderia usar para falar desse livro. Mas vou usar o que me fez ficar acordada até tarde para terminar de lê-lo de uma vez só, tão curiosa que eu estava para saber como é que uma história assim ia acabar: divertidíssimo.

É importante começar dizendo que nesse caso o que surgiu primeiro foi o filme e não o livro, como de costume. Como assim? O cineasta Marcelo Laffite, depois de filmar Elvis e Madona, escreveu para o Luiz Biajoni e perguntou: será que essa história não cabe num livro?Não é que deu certo?. Ainda não vi o filme, pois foi o livro que me encontrou primeiro; pelo que li, acho que não tem como se decepcionar; pretendo assistir em breve e tentar imaginar enquanto eu estiver assistindo que o filme é que é o "original", experiência única e sem dúvida também muito interessante. Se você já viu o filme, não deixe de ler o livro, porque são sempre duas viagens bem diferentes.

Elvis e Madona (uma novela lilás) conta uma história de amor improvável, narrada com muito humor para tratar de sexualidade e dos papéis de gênero a que estamos habituados: Elvis é uma mulher de 30 anos que sempre gostou de mulheres até o dia em que conheceu Madona (que na verdade é Adaílson), que sempre gostou de homens e há anos é um dos travestis mais famosos de Copacabana. Os dois sempre sofreram todo tipo de preconceito por não se encaixarem nos papéis clássicos que a sociedade espera de uma mulher e de um homem. Por conta disso, ambos deixaram sua cidade natal, para fugir dos olhares de estranhamento e preconceito que já estavam afetando até mesmo suas famílias, e se mudam para o Rio de Janeiro, vão viver em Copacabana. Copacabana que aparece aqui como um lugar visto por alguns como sinônimo de decadência e degradação, mas que é onde os personagens dessa história se reinventam e encontram pessoas boas, que trabalham para sobreviver e que sempre estão dispostas a se ajudar. Mas há também o lado triste da violência, do tráfico de drogas, da corrupção, numa aceitação de uma falta de esperança nessa realidade perdida que já não se pode mudar.
A forma como o autor compõe os personagens, abordando a questão da sexualidade de forma direta e sem rodeios, falando de suas angústias e seus conflitos para assumir o que são, e para serem o que querem ser, é o que os torna extremamente humanos. Os sentimentos e os sonhos desses personagens nos fazem rever durante toda a leitura nossos conceitos e preconceitos. E contando essa história de amor inusitada entre uma lésbica e um travesti o autor faz os próprios personagens repensarem seus dogmas e seu papel no universo que construíram para si. Também os fazem repensar como compreendem o amor, fugindo de todos os clichês possíveis.

Um livro recomendado não só para quem se interessa por questões de gênero, sexualidade e identidade, mas para todos que gostam de uma história de amor divertida e diferente.

BIAJONI, Luiz. Elvis e Madona - uma novela lilás. Rio de Janeiro: Língua Geral, 2010. Baseado no filme homônimo de Marcelo Laffite.

site: http://pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2014/03/elvis-e-madona-uma-novela-lilas.html
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fabianelima 30/12/2011

Leve, gostoso, lido numa sentada.
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Carol 25/04/2014

Livro e filme
Escrevi um texto sobre o livro e o filme, segue link...

site: http://kflyangel.wix.com/filmesdoslivros#!artigos/c1ldz
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Marcos Faria 14/04/2015

O livro não avança muito em relação ao filme escrito e dirigido por Marcelo Laffitte. O principal já estava na história, o amor inesperado entre os dois personagens. Biajoni acrescenta um pouco mais de informação sobre os protagonistas (e até sobre o vilão João Tripé), mas sem grandes voos. O maior mérito, creio, é de estilo, marcado pelos diálogos em que abundam elipses. Ao silenciar seus personagens (inclusive Madona e Elvis), Biajoni se recusa ele também a ser convencional, diminuindo a importância de palavras que percebemos serem desnecessárias e se concentrando no que está além delas.

site: https://registrosdeleitura.wordpress.com/2015/04/07/elvis-madona-2/
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Rafael Revadam 31/12/2012

Elvis & Madona: Amor entre Gêneros
Um dos principais méritos dos livros é esse dom pleno de mudar entre uma obra e outra. É claro, outras formas de entretenimento, como filmes e novelas, também mudam entre suas tramas, mas na literatura a metamorfose é completa – a escrita, o enredo, o assunto – tudo muda.
Quando terminei de ler A Maldição do Tigre, optei em não emendar a leitura com os demais títulos da saga. Apesar de possuir uma história interessante, penso que quando lemos seguidamente obras de um mesmo autor, ficamos presos a um mesmo modo de contar fatos, uma mesma linguagem. Precisava de um choque, e Elvis & Madona me trouxe isso.
"Dizem que tudo que acontece no mundo, acontece primeiro em Copacabana. E deve ser verdade. Esta história aconteceu lá. É uma história de amor, como milhares que vemos todos os dias. Mas é, ao mesmo tempo, singular, já que nunca se viu uma história de amor entre duas pessoas tão diferentes. Diferentes entre si, diferentes no mundo. Diferenças que se estreitam e viram semelhanças quando olhamos bem de perto para elas. Já que, de perto, ninguém é normal".
Elvis & Madona é um romance e essa é a única semelhança com as obras populares. Suas protagonistas não são pessoas famosas, ao contrário, são pessoas anônimas que, por ironia do destino, assumem os nomes de seus ídolos. Na história, a diferença comportamental das personagens principais é o grande conflito: Elvis é uma lésbica com trejeitos masculinos e Madona é uma transexual. E elas se amam.
Baseado no filme homônimo de Marcelo Lafitte, a obra de Luiz Biajoni buscou retratar um tema polêmico: a aceitação da sociedade. Com perfis que fogem do senso comum, mas que se aproximam do real, a obra defende as diferenças e, principalmente, a igualdade entre gêneros. Nela, a mulher é o masculino e o homem é o feminino, mostrando fielmente a diferença entre gênero e sexo e deixando um questionamento ao leitor: “Eu devo me comportar como a sociedade exige que pessoas do meu sexo ajam ou como eu quero agir?”
A abordagem sobre o preconceito não poderia ser mais real. Mostrando que ele existe em todos, inclusive entre aqueles que são suas principais vítimas, Elvis e Madona se colocam como vítimas de uma sociedade e de suas próprias aceitações.
- A gente sempre fala da intransigência dos outros, mas não seríamos também intransigentes?
Outro destaque vai para os personagens secundários. Com o objetivo de inserir polêmicas na mente de seus leitores e propor gargalhadas no decorrer da leitura, Biajoni inseriu na obra personagens caricatos, mas que podem ser encontrados no dia-a-dia. Um bom exemplo é Norminha, amiga de Madona, que solta algumas das melhores pérolas do texto.
“Ela se sentia muito carioca. Imaginava, quer dizer, sonhava que tinha nascido ali, em Copa, que tinha vivido ali a vida toda, que era uma filha legítima daquela fauna. Podia sentir, dentro de si, o prazer e a dor de ser copacabânica. Eram só gases”.
Com um humor ácido, a obra mostra dilemas comuns na vida de pessoas que se acostumam com a rejeição, que lidam com a fragilidade, mas que não perdem seus sonhos e seus sorrisos.
Elvis & Madona é o amor que transita entre vertentes preconceituosas, sonhos e comportamentos. E é o amor que todos nós devemos conhecer.

http://criticoteca.wordpress.com/2012/12/31/elvis-madona-amor-entre-generos/
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clandestini 03/08/2011

Um livro que nasceu de um roteiro. Assim surgiu Elvis & Madona [uma novela lilás]. Luiz Biajoni foi convidado pelo cineasta Marcelo Laffitte para escrever um livro a partir do roteiro para o filme homônimo (que eu ainda não assisti). Biajoni topou e daí nasceu esse livro que é um libelo pela tolerância, pura diversão e um texto para reflexão.

Eu recebi esse livro na minha casa porque ganhei numa promoção no twitter d’O Pensador Selvagem. Demorei um pouco para ler porque a fila é grande, mas quando resolvi começar não parei mais. E a experiência foi super bacana porque li ao lado do Ju numa viagem de trem. A viagem terminou e o livro não. Sem problemas, nos aninhamos na cama com nossa gata e continuamos a leitura. E nos divertimos muito.

Elvis & Madona é um livro pra se ler assim, de um gole só (no nosso caso foram dois goles, mas que valeu por um só), porque ele te prende do início ao fim. A narrativa é dinâmica, cheia de diálogos e os personagens são carismáticos e te conquistam logo de cara. A novela de Biajoni trata de um caso de amor diferente, entre a travesti Madona e a lésbica Elvis. O cenário? Copacabana. Uma Copacabana diferente daquela que estamos habituados de ver e ouvir nas novelas e canções da bossa nova. Uma Copacabana decadente, suja, cheia de personagens marginais e muito, muito mais interessante.

Madona é uma travesti rodada, já fez programa, filme pornô, apresentações em casas de show, teve alguns companheiros e o último deles, João Tripé, levou tudo que ela tinha para pagar dívida de droga. Sem nada ela começa a trabalhar em um salão de beleza para juntar grana e realizar seu grande sonho: criar e interpretar em show transformista. Elvis é um guria miúda que sai do interior de Minas Gerais porque sabe que não se encaixa nos padrões de lá. Ela é lésbica e pensa que em Copacabana poderia viver sossegada e realizar seu sonho: trabalhar em um grande jornal. Enquanto esse dia não chega, ela faz bico fotografando books para adolescentes e entregando pizza.

Elvis e Madona se conhecem em uma situação bastante complicada na vida de Madona. O traficante João Tripé retorna depois de muitos anos para atormentar a vida da travesti. Ele faz juras de amor para ela e a engana mais uma vez. Rouba todo o dinheiro de Madona e a deixa num estado deplorável. Elvis a encontra assim, descabelada, chorando na soleira da porta, inconformada. Estava indo entregar pizza no apartamento dela e acaba ficando para consolar a travesti. A “sapata” conquista a travesti e eles – ou elas – ficam muito amigas. A amizade evolui para uma vontade de estar sempre juntos.

Nesse caso de amor as diferenças não importam. Eles, ou elas, se amam e vivem um lindo caso de amor que supera qualquer rótulo. E é a abordagem delicada e tolerante acerca da sexualidade de Biajoni que faz desse livro um grande libelo pela tolerância (como o autor assinou no meu livro). E talvez seja essa a maior importância desse livro, o respeito às diferenças, a tolerância e o não estranhamento desse relacionamento. Elvis e Madona não forma um casal peculiar, eles são um casal e ponto. Eles se amam, querem estar juntos e assim o fazem.

Biajoni narra toda essa história de amor, que tem uma pitada de romance policial, de forma leve e divertida. Usa uma linguagem popular sem forçar a barra e adiciona muitos diálogos à narrativa. A leitura rápida não deixa de ser profunda e de abrir caminho para uma reflexão sobre o temas abordado no livro: o amor, a amizade verdadeira e a tolerância às diferenças. Ademais, Biajoni consegue fazer com o leitor se sinta em Copacabana durante a leitura do livro, é possível sentir o calor carioca, ouvir o chiado na fala dos personagens, capturar a atmosfera do lugar. Prefiro muito mais a Copacabana de Biajoni do que aquela das novelas ou da bossa.

Elvis & Madona é uma narrativa inusitada, contemporânea e seus personagens podem ser seus vizinhos, amigos, seu cabeleireiro, o entregador de pizza de toda sexta. Ou até mesmo você pode ter sido desenhado naquele quadro tão natural e urbano. Elvis & Madona é verdadeiro, não que fosse baseado em uma história real, nada disso, é porque pode acontecer com qualquer um. Minha primeira vez com Biajoni me fe querer ler imediatamente suas outras obras: Sexo Anal – Uma Novela Marrom, e Buceta – Uma Novela Cor-de-rosa, além de Virgínia Berlim – Uma Experiência. Se todas forem assim, tão gostosas de ler, ficarei imensamente feliz. Biajoni é mais um dos autores contemporâneos que dá gosto de ler.

http://trecosetrapos.org/weblog/?p=4740
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Sem Tédio 04/10/2011

Elvis & Madona [Uma Novela Lilás], de Luiz Biajoni
Acompanho Luiz Biajoni há muito tempo. Lembro-me que um dia, não me lembro bem vindo de quem, recebi por email um arquivo em .pdf com um livro e uma frase de um amigo: “Leia, acho que você vai se divertir.”. Foi assim que conheci e li Sexo Anal – Uma Novela Marrom, em algumas horas, na tela do meu computador, durante o horário de trabalho. Fail, eu sei, mas eu simplesmente não conseguia largar aquela história, aqueles personagens. Tempos depois, comprei o livro e aproveitei para adquirir outros dois, do mesmo autor: Buceta – Uma Novela Cor de Rosa, que era uma espécie de ‘continuação’ de Sexo Anal; e Virgínia Berlim – Uma Experiência. Claro, que nesse meio tempo, acabei virando meio que fã do autor, lendo seu blog, acompanhando seus tuites e me divertindo sempre, com seu jeito de contar histórias. Uma forma meio crua, direta, sem tintas coloridas, mas com muito bom humor.

Continua em: http://semtedio.com/elvis-madona-uma-novela-lilas-de-luiz-biajoni/
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Ivandro Menezes 23/08/2017

MUITO ALÉM DE UMA HISTÓRIA DE AMOR
Como poderia definir em poucas palavras a excelente novela de Luiz Biajoni​?

Difícil resumir a história a apenas mais uma história de amor, daquelas que fazem a gente sofrer com os personagens, imaginando soluções, descomplicando seus dilemas de um modo fácil, imediato.

Fácil mesmo é sermos conduzidos (ou seduzidos) a fazer estas e tantas outras coisas. Aí tu toma fôlego e se imagina Elvis, se imagina Madona... e nada parece assim tão simples.

A leveza da narrativa, a densidade dos personagens e as sinuosas curvas do enredo nos conduzem sem grandes pesos, sem grandes culpas, sem moralismos e imoralismos pelos apartamentos, boates e calçadas de Copacabana. Traz familiaridade com Norminha (a leitora de Paulo Coelho), Bill e todos no salão (me sentia uma das clientes sempre anônimas), percorrer a pizzaria em que Elvis trabalha. Impossível não sorrir com o inusitado, com o corriqueiro. Impossível não se emocionar (não de um jeito óbvio) com o encontro tão singular (e tão comum a quem se apaixona) entre Elvis e Madona.

Para mim (ou em mim, não sei ainda!), houve um duplo encontro, o da história e o da literatura fascinante do Bia.
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