Anotações Sobre um Escândalo

Anotações Sobre um Escândalo Zoe Heller




Resenhas - Anotações Sobre um Escândalo


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acidrock 19/11/2009

O lado negro
Logo na orelha do livro "Anotações sobre um escândalo", de Zoë Heller, a escritora Livia Garcia-Roza afirma que provavelmente, em algum momento de suas vidas, as mulheres já se sentiram como a protagonista deste romance. Eu não excluiria os exemplares do sexo masculino desta afirmação. Ao ler essa pequena obra-prima senti que todos nós, independente de gênero, podemos nos identificar com Barbara Covett, a professora solitária que se torna confidente de Sheba Hart, mulher de meia-idade que começa um affair com um de seus alunos adolescentes. O livro, de 2003, ganhou sua versão cinematográfica em 2006, sob o título "Notas sobre um escândalo". Na fita, Barbara ganha forma com a interpretação libertadora da dama Judi Dench, auxiliada por uma igualmente talentosa Cate Blanchett.

Relatada em primeira pessoa como num diário (uma das coisas que mais gosto na literatura), a obra, a princípio, pode parecer pesada por tratar de um tema verídico e bastante controverso. O que surpreende mesmo é a leveza, até certo ponto, claro, da escrita de Zoë Heller. Podemos julgar Barbara como apenas uma velhota mal amada com aguçado senso de sarcasmo e ironia. Porém, conforme devoram-se as páginas, é possível criar uma afeição quase pessoal.

Neste relato do tempo que passou com Sheba Hart, Barbara destila emoções que muitos de nós não ousamos admitir para nossos próprios analistas medo do abandono, desilusão com a cretinice constante do ser humano e a inveja da felicidade alheia em todos os seus nefastos tons. "Anotações sobre um escândalo" é o relato sincero e vil de uma mulher amargurada. Mas, afinal, quem disse que podemos ser bons todos os dias?
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Van Baldacim 12/07/2009

Nada de interessante.
Esperava mais. Enredo batido e nada de surpresas. Por mim...nem percam tempo de lê-lo.
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Ronaldo 14/03/2018

O livro conta a história de um caso amoroso entre uma professora e um aluno adolescente e entrelaçada a isso, a relação de amizade entre essa professora Sheba e sua colega de trabalho Barbara, uma mulher solitária. E é muito mais dessa estranha amizade que o livro fala, já que é narrado pelo ponto de vista de Barbara, com todas as suas expectativas, decepções e angústias. Uma mulher cuja vida é um vazio enorme e que quando surge a oportunidade de ter uma amizade verdadeira e tudo o que ela representa, se agarra a ela de uma forma passional. Barbara é uma personagem bastante complexa e é fácil confundir seu carinho por Sheba com um sentimento homoafetivo, quando na verdade não há uma conotação sexual em sua proximidade. Trata-se apenas de uma mulher carente, que encontra nessa relação a chance de se encaixar dentro de uma sociedade que não reserva lugar para as pessoas sozinhas. O livro fala muito de solidão. Do peso que ela traz para algumas pessoas, do estigma que os solitários sofrem, como se estivessem sobrando no mundo. A relação entre Barbara e Sheba é uma espécie de círculo vicioso. Uma precisando da outra, uma doando mais do que a outra, mas uma relação parasitária, muito longe de uma verdadeira amizade. Senti empatia por Barbara, achei Sheba uma egoísta e foi bem feito tudo o que aconteceu a ela. Pena que as pessoas não aprendam. Um livro tenso, com dramas aos quais é difícil se sentir indiferente e escrito com delicadeza, mas que não hesita em tocar em feridas que todos nós de certa maneira já tivemos.

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Gleidson 18/05/2014

Uma obra-prima da literatura moderna
O livro tem duas protagonistas a primeira é a veterana professora Barbara Covett e a segunda a nova professora de cerâmica Sheba Hart, em pouco tempo as duas desenvolvem forte laços de amizade porém desde o início sabemos que essa relação de amabilidade entre ambas pode durar pouco devido ao temperamento amargo de Barbara - que alias é a narradora do livro - e o jeito doce de Sheba.
Desde o inicio sabemos que Barbara é daquelas professoras severas, intolerantes e que desprezam as demais pessoas que estão ao seu redor e sendo professora de uma escola pública não acredita no futuro de seus alunos

''A St. George é o cercadinho para as proles de Archway na puberdade - os filhos dos conjuntos habitacionais que têm de se atormentar e lutar aqui, por um mínimo de cinco anos, até que possam abraçar seus destinos como encanadores e vendedores de loja''

Sheba é uma mulher jovem, casada com um homem bem mais velho, mãe de dois filhos, uma filha problemática e um filho autista e que depois de anos sendo dono de casa agora se sente livre pra finalmente fazer algo que realmente gosta infelizmente os seus alunos não estão preocupados com isso e Sheba tem dificuldade em manter a disciplina na sala de aula mas surge uma exceção Connoly, ao contrário dos outros parece realmente querer aprender algo novo o que estimula Sheba mais aos poucos o aluno mostra desejo por sua professora, a principio Sheba resiste aos assédios mas aos poucos se entrega totalmente.

Barbara descobre e exige que Sheba interrompa essa relação imediatamente, nesse momento da história entendemos melhor a natureza de Sheba e Barbara, percebermos que Sheba é uma mulher frustrada com o rumo que sua vida tomou e Barbara, uma senhora extremamente solitária, possivelmente virgem que tem como única companhia sua gata. Barbara com toda sua amargura e solidão não parece um personagem mas sim uma pessoa real, de carne, sangue e coração a ponto de sentimos pena dela apesar do seu temperamento

''Pessoas como Sheba pensam que sabem como é estar sozinha mas sobre o gotejar da solidão a longo prazo, sem fim a vista, elas não tem nem idéia''.

''È um grande desafio para mim não dar uma ênfase excessiva a certas ocasiões. Qualquer mudança na minha rotina - qualquer pequena variação na sequência de trabalho e compras na mercearia e TV e assim por diante - costuma ganhar uma proporção desproporcional.
Sou como uma criança nesse aspecto: capaz de viver, psicologicamente, com uma migalha de antecipação por semanas, mas sempre correndo o risco de destruir o evento aguardado com o peso de minha perpesctiva excessiva''.

O livro foi baseado num caso real de uma professora que se envolveu com seu aluno e causou escândalo na sociedade e é partir desse ponto que a história começa, com Barbara escrevendo um livro para defender sua amiga Sheba da acusação de seduzir menores

''Não tenho a tola pretensão de considerar minha versão da história infalível. Mas acredito que minha narrativa seguirá um caminho bem fundamentado, podendo ajudar o público a entender quem Sheba Hart realmente é'',

O livro também não poupa críticas a educação ''moderna''nas palavras ácidas de Barbara

''Essas fantasias de fazer o bem são comuns nas escola públicas atualmente. Muito dos professores jovens nutrem esperanças secretas de ''fazer a diferença''. Quando eu estava estudando para me tornar professora, não havia nada disso. Nossas expectativas não iam além de conduzir os nossos futuros alunos pelos caminhos da Leitura, Escrita e Aritmética e fornecer a eles algumas orientações de higiene pessoal. Talvez nos faltasse idealismo. Mas, por outro lado, não me parece uma simples coincidência o fato de que, no mesmo período em que as ambições pedagógicas se tornaram tão inflamadas, os padrões de alfabetização e Aritmética básicas decaíram radicalmente''.

Barbara também critica as noções comuns de ''menor de idade''

''Não discuto a necessidade de existir uma lei que proíba que os professores façam o que Shebba fez. Mas certamente não concordo com ideia ingenua acerca da inocência de todo mundo abaixo da barreira arbitrariamente imposta de dezesseis anos. Eu não penso nem por um momento que ele sofreu um dano permanente por causa desta experiência com uma mulher mais velha. Pelo contrário, acredito que ele teve uma aventura bem excitante. Heresia, eu sei. Mas é isso que eu penso''.

Também a questionamentos sobre a diferença da opinião popular dos casos de homens mais velhos se envolverem com menores e mulheres fazendo a mesma coisa.

''Os cientistas não chegam até a sugerir que a atracão de homens mais velhos por mulheres mais jovens é um instinto evolutivo - um reflexo presente na biologia do macho? Uma mulher que molesta um menor não apresenta um sintoma de uma tendência inata. Ela é uma aberração''.

Enfim Anotações sobre um escândalo é uma obra complexa e poderosa, com analise magistral da personalidade dos seus personagens, uma obra de arte, e um dos livros que eu guardo com mais carinho na minha estante. Mas se você está acostumado a ler livros modernos, leves, de aventura prepare-se! Anotações sobre um escândalo é um livro a moda antiga que segue a tradição de Machado de Assis, Dostoievski, Charles Dickens e Jane Austen em que a intenção é tão importante quanto a ação. Se você sente fascínio por dramas psicológicos não perca tempo! Leia o livro e prepare-se para contemplar uma obra viciante e complexa.

site: http://meuuniversopeculiar.blogspot.com.br/2012/06/anotacoes-sobre-um-escandalo-obra-prima.html
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Simone de Cássia 18/06/2018

Esse livro é estranho... apesar de ter um ritmo meio lento e arrastado, eu gostei muito! Achei incrível a capacidade que a autora teve de "enredar" os fatos e mostrar pouco a pouco a construção da tragédia familiar. Sentimentos tão perigosos habilmente descritos: paixão, ilusão, solidão, amor doentio, raiva...tudo isso junto só podia dar no que deu. Muito bem escrito, muito bem pensado... só pecou no final... Ou na falta dele, pra ser mais exata. Achei que pela força da trama o livro merecia um final mais bem construído. Mas no geral é muito bom!
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Ruan 01/09/2018minha estante
O livro não é sobre o crime da Sheba e suas consequências judiciais.




RonaldLuis 18/01/2012

Anotações Sobre um Escândalo
Vi em 2007 no cinema o filme 'Notas Sobre um Escândalo', com Judi Dench e Cate Blanchet. Achei o filme interessante, tanto que comprei o livro há algum tempo, e deixei ele enconstado na estante. Agora o li e recomendo.

O livro, foi finalista do Booker Prize de 2003 - mais importante prêmio literário da Grã-Bretanha - É um romance inteligente, de conteúdo social e perigosa obsessão. Zoë Heller disseca uma fraqueza humana básica: é mais fácil criticar os outros do que olhar honestamente para si mesmo. Neste strip-tease muito bem orquestrado, o que começa como um relato objetivo expõe aos poucos um sombrio drama psicológico. Desde o primeiro dia de Sheba Hart na St. George's, a professora de história Barbara Covett ficou convencida de ter encontrado uma alma gêmea.

A lealdade de Barbara para com sua nova amiga é apaixonada e insistente. A bela e atraente Sheba, aos 42 anos, filha de um famoso economista e casada com um acadêmico bem-sucedido, parece levar uma vida estável e tranqüila. Até que se apaixona por um aluno de 15 anos. E sua vida desmorona. Quando o caso se torna público, Barbara elege a si mesma como a grande defensora de Sheba. Mas nem tudo é o que parece ser à primeira vista nesta história sombria e, como Sheba logo irá descobrir, uma amiga pode ser tão traiçoeira quanto qualquer amante.

Heller transforma uma história de obsessão típica dos tablóides em uma peça literária intensa e inteligente. Ela extrai brilhantemente os detalhes de um escândalo e dá vida à cada vez mais sinistra Bárbara. Uma história sobre amizades obsessivas e embriaguês sexual, contada por uma narradora gloriosamente não confiável. É engraçado, comovente, fantasticamente sutil e permeado de uma melancolia nada deprimente. O livro consegue um elegante equilíbrio entre humor negro e tragédia, com um tom satisfatoriamente sinistro.

O filme contou com a participação de duas das maiores atrizes do cenário mundial, ganhadoras do Oscar, para um embate de interpretações e dar vida e força a suas personagens no filme, que foi dirigido por Richard Eyre. A adaptação do livro de Zoë Heller é assinado por Patrick Marber (roteirista do excelente "Closer - Perto Demais") e a produção de Scott Rudin e Robert Fox (produtores de "Iris" e "As Horas"). Uma equipe técnica de peso que ainda conta com o compositor Philip Glass, indicado ao Oscar por seu trabalho em "As Horas", além do duas vezes ganhador do Oscar em direção de fotografia Chris Menges.
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Jeam 21/10/2014

Segredos e mentiras
Quando chegou no circuito literário, o romance Anotações Sobre Um Escândalo (Notes on a Scandal), da jornalista inglesa Zöe Heller, causou certo alvoroço. Muito se falou, à época, sobre a história de uma professora de meia idade, prestes a se aposentar, que toma para si a tarefa de defender uma colega também professora, Sheba Hart. O livro foi um dos finalistas do prestigiadíssimo Booker Prize, em 2003.

Mas o que mais chamou a atenção, foi a maneira como a história foi abordada. Muito mais que um relato cirúrgico do sistema educacional e de certos costumes da burguesia inglesa e do proletário (nas palavras de Barbara Covett), Heller aborda os meandros da amizade feminina sob uma ótica inversa: não se discute o fato da amizade em si, mas de como podemos tirar proveito de uma situação, em cima dessa amizade, da confiança, da entrega.

Vamos à história: Barbara Covett, em torno de seus 60 anos, prestes a se aposentar, trabalha como professora de História numa escola pública na Inglaterra, nos anos 90. Rígida, com um (mal) humor cortante, que com frequência beira ao cinismo, Barbara tem o respeito do corpo docente e é temida pelos alunos.

Por ser tão amarga, muitos preferem não se aproximar, dando margem a muitas interpretações sobre sua vida pessoal. Não á casada, não tem envolvimentos amorosos, e mora sozinha com sua gata, Portia.

Tudo muda com a chegada de Sheba Hart, a nova professora de Cerâmica. A chegada de Sheba é como um bálsamo para Barbara. Tornam-se amigas e, um deslize de Sheba torna-se a grande oportunidade de Barbara para aprofundar sua amizade com ela: Sheba tem um caso com um aluno de 15 anos, cometendo assim um grave crime.

Com essa descoberta, Barbara descobre um poder que não havia percebido: o de comandar Sheba, fazê-la estar sob sua proteção, fazer com que ela aja de acordo com seus interesses, egoístas e perversos. Sheba, presa à Barbara por conta desse segredo, cede a todas as pressões até a reviravolta, quando Sheba finalmente percebe a teia ao qual se meteu.

A história é narrada pela ótica de Barbara, ganhando todo um contorno social, com ideias ácidas sobre a vida docente, os sistemas educacionais, e a sociedade inglesa. Através de um diário, Barbara discorre sobre o que realmente aconteceu com Sheba, até ser descoberta pelo crime que cometeu.

Para ler mais, clique no link:

site: http://jeamcamilo.wordpress.com/2013/05/27/anotacoes-sobre-um-escandalo-zoe-heller/
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San... 17/12/2009

O livro fala sobre o romance de uma professora, Sheba, adulta, casada e mãe de dois filhos, com um aluno de 15 anos. É narrado por outra professora, uma solteirona, que afirma ser a única amiga da protagonista. Entretanto, a narradora acaba revelando o segredo de sua "amiga", causando-lhe a ruptura do casamento, a perda do emprego, além da avacalhação pública e os problemas legais que esse tipo de envolvimento trazem. A história poderia ser bem melhor, porém, como a autora não traz nenhum desfecho satisfatório à trama, no que diz respeito às atitudes de Sheba, não apenas sobre o escândalo, como também sobre a traição da narradora, entre outras coisas, o leitor termina o livro com a sensação de que faltou alguma coisa, de obra incompleta.
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Felipe.Oliveira 16/10/2018

Pontos de vista distorcidos de um escândalo.
Batsheba Hart uma professora de Artes de 42 anos com um lar disfuncional, e que não sabe lidar com a situação do mesmo, entra em um relacionado com um aluno de 15 anos. Todo esse escândalo narrado pela obsessiva, tóxica e abusiva melhor amiga também professora Barbara Covett é uma mistura, que dará força a essa obra, que vai de encontro a hipocrisia humana fortemente criticada pela língua felina de Barbara, ao mesmo tempo que faz discutir os dois lados de uma situação ruim para todos, mesmo que isso pareça controverso. Com escrita direta e muitas vezes crua da narradora, que não poupa ninguém, mas mesmo assim tem sua própria subjetividade.
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