O remorso de Baltazar Serapião

O remorso de Baltazar Serapião Valter Hugo Mãe




Resenhas - O Remorso de Baltazar Serapião


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Garcês 03/09/2021

O remorso....
estou extasiado com esse final, esses últimos capítulos
o que foi tudo isso que aconteceu
ermesinda. mal dito baltazar mal ditos todos
nao sei oq sinto
apenas sinto
me marcou
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asteuwick 25/03/2021

Me faltam palavras
Esse livro me desfez de tal forma que me falta vocabulário e repertório para sequer tentar explicar.
É de uma violência tão brutal, contata de forma natural e simples que assusta o espírito.
A história tem como pano de fundo a Idade Média e eu tive que me lembrar disso a todo momento para conseguir mastigar os textos.
Eu só pude respirar quando terminei de ler a última palavra do livro. Inspirei, soltei e entrei num completo estado de introspecção.
Esse livro acabou comigo e é exatamente por isso que eu amei.
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Thales 26/02/2021

Que livro!
Favoritado! Escrita belíssima e história impactante, nunca havia lido nada de Valter Hugo Mãe e facilmente pode se tornar um dos meus autores favoritos. Com certeza lerei outras obras.
O ponto chave dessa obra é a escrita! Muito satisfeito com a leitura. Obviamente, talvez, o modo como livro foi escrito, não agrade todo mundo, bem como a linguagem agressiva em vários momentos, por meios de palavrões e expressões indesejadas.
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Fernanda Quinderé 07/01/2021

Um livro a ser digerido
Quando Saramago chamou essa obra intensa de Valter Hugo Mãe de um tsunami literário, não foi exagero. E o tsunami te atinge, sem escapatória. Seja através da semântica que causa um estranhamento inicial, mas que percebe-se tão autêntica e poética ou seja através dos temas abordados, que embrulham o estômago, arrepiam e provocam revolta. Não é um livro fácil de ler, por ambos motivos, mas com certeza não se sai ileso a ele.
O remorso de Baltazar Serapião nos faz refletir principalmente sobre o machismo, a violência doméstica, o feminismo e como a mulher era vista no período medieval, e o quanto isso mudou com o passar dos anos (não totalmente, infelizmente). É um duro retrato da realidade com um toque de fantasia e aspecto folclórico. Depois de ler o livro é impossível não se sensibilizar e entender a luta das mulheres por sua emancipação e o quanto isso foi e é urgente.
Um livro impactante e que não recomendo para pessoas sensíveis ou que tenham passado por situações de violência.
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eduardo 05/01/2021

"já nem sabíamos como nos aleijáramos"
após "o filho de mil homens", eu soube que teria que desbravar toda a obra em prosa de valter hugo mãe. escolhi fazer a minha segunda incursão em sua obra com "o remorso de baltazar serapião". encontrei, mais uma vez, o estilo linguístico belamente rebuscado, flertando com o português arcaico, na fronteira tênue entre poesia e prosa... e então VHM se tornou oficialmente meu primeiro crush literário de 2021.

mas se o esmero e a inventividade linguísticos nesses dois romances são os mesmos, no enredo de "o remorso de baltazar serapião" encontramos o extremo oposto do experimentado em "o filho de mil homens": lá, são 200 páginas de ternura, acolhimento e celebração do amor. aqui, uma sucessão de crueldades sem precedentes para mim.

naquilo que parece ser uma propriedade feudal portuguesa na idade média, uma família de servos vive subjugada ao senhor das terras, em obediência quase catatônica, com bestialidade comparável à de sua vaca sarga, de idade indefinida e cujo nome foi ironicamente estendido à família. nem eles mesmos sabem mais que um dia foram os serapião. são os sarga. despojados de seu próprio nome (em prol do de uma vaca), são despojados do último traço de identidade humana.

e no tempo e no território onde habitam os sarga, é um fato estabelecido e aceito que mulheres têm pouco mais inteligência que um toco de pau (se tiverem alguma). mulheres podem ser queimadas vivas (e talvez sobreviver) ou terem seu útero dilacerado (e com frequência morrer). mulheres podem ter pés quebrados e olhos arrancados (e está tudo bem). mulheres são orifícios para os homens se saciarem de sexo, e os senhores de terras têm esse direito sobre esposas e filhas de seus servos -- afinal, terra, flora, fauna (humanos inclusos), tudo ali são posses suas.

talvez um requisito chave para apreciar o impacto da obra seja lê-la em um momento "de bem consigo mesmo", pois estando emocionalmente fragilizados dificilmente suportaremos a crueldade de que os sarga são tanto vítimas quanto perpetradores, esmiuçada crua e brutalmente da primeira à última página. ainda, é preciso estar atento ao caráter multicamadas do romance, pois não foi na mais externa delas que o autor depositou sua pesada crítica contra a misoginia, o feminicídio e a bajulação.

em meio a toda essa treva intelectual e esses suplícios físicos em que vagam as personagens, vale finalizar com uma "nota-pontinho-de-luz" sobre aldegundes, irmão caçula do protagonista, e que encontra na arte -- ainda que acidental e fugazmente -- um escape para dar vazão a seu luto, encantar pessoas e vislumbrar alguma ascensão social... talvez ele personifique uma metáfora de VHM para assinalar a persistência do belo em se manifestar, mesmo quando todo o resto ao redor são puras boçalidade e selvageria.

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Ercilia 05/01/2021

A natureza e os Sargas
Na primeira leitura de 2021, fui surpreendida por esse livro, o segundo em prosa desse escritor angolano, radicado em Portugal e que também é artista plástico, músico e poeta. Com uma escrita absolutamente inovadora e diferente, esse livro deu ao autor o premio José Saramago em 2007. Quando me acostumei com o estonteante estilo literário do autor, passei a ler trechos em voz alta, da forma como gosto de ler poesia. José Saramago que escreve o prefácio dessa obra prima considera esse livro um tsunami literário. Baltazar, o filho mais velho da família Serapião mais conhecida como família Sargas, jovem de 17 anos, é o narrador dessa história que se passa num tempo de reis, abusos, mulheres queimadas, maldições, bruxas, homens submetidos à suas ignorâncias, naturezas impensadas e covardias. Contada com crueza, livre de pudores, entrelaçando violência, sexo e poesia, é uma leitura que arrebata o leitor para uma experiência literária inusitada e personagens densos.
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Lorena 13/12/2020

Sem medo de errar, o livro mais denso e truncado do Valter Hugo Mãe.

Com cenas extremamente brutais - que é possível se contorcer de dor ao deitar os olhos sobre elas - e outras repletas realismo fantástico, faz o(a) leitor(a) se sentir perplexo(a). Pela forma cruel que o machismo estrutual e boçal é retratado e pela genialidade pautada.
Um enredo contemporâneo que crítica fortemente e explora a vida na Idade Média.

Baltazar Serapião é o personagem narrador. Um jovem pobre que vive com sua família em um vilarejo estilo feudal. Ele e sua família são conhecidos como Sargas, nome esse que vem de uma vaca domesticada. E, por nutrirem afeto familar pelo animal, são mal ditos na comunidade, que afirma serem os filhos do patriarca, também filhos da vaca. E não da mãe. O desenrolar da história vai dando notícias sobre a vida conjugal de Baltazer com Esmerinda, a mais bela jovem vilarejo. Fato esse que não impediu o protagonista repetir (com ainida mais afinco) o machismo boçal e violento que viu o pai ter com a mãe.
Ao passo que o irmão mais novo de Baltazar, o Adegundes, traz consigo sensibilidade artística que encantará até o "el rei" e dará ao leitor um refresco quase angelical. Mas não vá com muita sede ao pote e nem se acostume com cenários celestes pintados por Adegundes. VHM é capaz de ir do inferno ao céu e deste ao inferno novamente em questão de poucas linhas.

E é essa inteligência literária que prende o leitor até a última página. Com seu estilo característico e já visto em outras obras, um livro escrito todo em letras mínusculas. O que importa, afinal, é a história. A essência. Contada por palavras sim, porém mais importante que elas. Pois sem história, o que seriam das palavras, não é o mesmo? Ao que fica claro também, é possível sentir João Guimarães Rosa, José Saramago, Manoel de Barros e Gabriel García Márquez nas entre linhas nada de acordo gramaticais. Esqueça o leitor das pontuações para guiá-lo o tempo todo. Esteja ele mesmo preparado para colocá-las mentalmente, tal como é quando se fala. Preste atenção nas palavras inventadas e tão necessárias que parece que sempre existiram e que falta elas fazIam e nem se sabia. Agora não mais. VHM , assim como JGM E MB o fizeram com mastria.

Não é por menos que o romance ganhou a sexta edição do Prêmio Literário José Saramago em 2007 e prefácio dele datado da entrega do prêmio com definição impecável:
"Este livro é um tsunami. Um tsunami linguístico, estilístico, semântico, sintáctico.Um tsunami num sentido não destrutivo mas pelo ímpeto e força."
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Lusia.Nicolino 22/11/2020

Quais são as emoções que nos compõem em camadas?
O remorso de Baltazar Serapião – Mãe, Valter Hugo
Biblioteca Azul

Saramago, quando esse título ganhou o Prêmio Literário José Saramago, em 2007,
o chamou de tsunami na literatura portuguesa. Quem há de discordar de Saramago? Só podemos complementar que é um tsunami não só na literatura portuguesa.
A escrita poderosa, visceral de Mãe, nos arrebata e nos faz sofrer os eventos. É para rir, é para chorar, é para questionar: mas como isso é possível?
Como Baltazar foi capaz de fazer isso com seu grande amor? Que amor? Primogênito da família que teve o sobrenome suplantado pelo nome da vaca, os Sargas são pobres, não tem esperança no futuro, moram numa casa miserável, distante o suficiente da casa grande para não atrapalhar a paisagem, mas possível de chegar rápido para servir. A narrativa não poupa a violência, a submissão e o desprezo que as mulheres sofrem e, mesmo assim, há poesia e leveza na escrita de Mãe. Situado em um recorte da Idade Média, porém como um tempo presente ou utópico, a saga da família passa pelo animalesco - à medida em que no vilarejo há a crença de que Baltazar e Aldegundes são filhos da vaca Sarga.
Quais são as emoções que nos compõem em camadas? Quais atingimos delicadamente e em quais fazemos apenas buracos para descobrir subterfúgios ou rotas de fuga?
Ah, e não espere que a escrita siga todas as regras, apenas embarque nessa leitura, que pertence à safra dos trabalhos escritos em minúscula. Desfrute ou descubra Valter.

Quote: “quando chovia noite inteira era o pior. O aldegundes, fraco, um repolho de gente quase a querer ser homem, era descarnado e enfezado de altura e largura.”


site: https://www.facebook.com/lunicolinole
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Juliana.Franz 15/09/2020

Gostei do livro, mas confesso que me deixou extremamente revoltada com certas atitudes machistas que acontecem com as mulheres da narrativa, e o pior é que muitas dessas atitudes são atuais. Vale muito a pena ler o livro e refletir sobre esses comportamentos que precisam mudar..
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erbook 02/08/2020

Situação das mulheres na idade média
“a voz das mulheres estava sob a terra, vinha de caldeiras fundas onde só diabo e gente a arder tinham destino. a voz das mulheres, perigosa e burra, estava abaixo de mugido e atitude de nossa vaca, a sarga, como lhe chamávamos”.
*
Esse é o primeiro e impactante parágrafo com o qual Valter Hugo Mãe inicia essa saga da família Serapião; família pobre e não proprietária de terras numa época medieval que vivia sob o jugo de Dom Afonso.
*
Esta obra foi vencedora do Prêmio Literário José Saramago, em 2007, e nas palavras do grande mestre, este livro é “um tsunami linguístico, estilístico, semântico, sintáctico. Um tsunami num sentido não destrutivo mas pelo ímpeto e força”.
*
Aborda-se a situação cruel pela qual as mulheres passavam em Portugal, na idade média, sob o sistema feudal.
*
Baltazar Serapião casa-se com a bela Ermesinda, que é assediada por Dom Afonso, dono das terras onde a família Serapião presta serviços em condições de servidão.
*
Baltazar, acometido por ciúme e amor doentio, por não ter condições de enfrentar Dom Afonso, desconta suas emoções na pobre Ermesinda, da mesma forma que seu pai desconta seus infortúnios na esposa.
*
O autor inclui elementos de realismo mágico na narrativa, mediante bruxas, feitiços e maldições, os quais reforçam a visão de superioridade masculina sobre as mulheres.
*
As mulheres da família Separião sofriam mais que a vaca chamada Sarga, esta criada com carinho e estimação.
*
Embora este livro de Valter Hugo Mãe seja bem aclamado pela crítica especializada, confesso que não me cativou tanto quanto “o filho de mil homens” e “a máquina de fazer espanhóis”, ambos do mesmo autor, os quais adorei. Por isso, não indicaria este livro para aqueles que querem iniciar sua jornada no fantástico mundo da obra deste talentoso e renomado escritor português contemporâneo.
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Sarah 16/07/2020

Foi difícil de digerir
Já conhecia a escrita de Valter Hugo Mãe de outras obras e sou grande admiradora de sua obra. Mas acredito que esse livro destoa dos demais. Primeiro porque a linguagem é bem truncada, seguindo o estilo do autor, mas tornando algumas passagens bem difíceis de compreender. Não senti tanto as figuras metafóricas belíssimas de outros livros, mas um texto que se faz difícil de acessar pelo leitor. E também porque o texto trata do cotidiano de uma família bastante patriarcal, mas de uma forma tão exageradamente machista e misógina que há momentos em que tive vontade de parar de ler. Cenas difíceis de digerir mesmo. Entendo que o intuito é a crítica, mas os posicionamentos misóginos partem do próprio narrador, então há vários momentos em que parece que o livro defende (e não critica) tais atitudes. Gosto mais de VHM em O filho de milhomens, A máquina de fazer espanhóis ou A desumanização.
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Maria Clara 14/07/2020

Intenso e cruel
Este não é o primeiro livro de VHM que tenho contato, já tinha lido o filho de mil homens e a desumanização. De todos, gostei mais do primeiro, sem dúvidas (ele também retrata contextos de violência, mas sem perder um subtom de leveza, que promete um desfecho melhor, um acerto de contas).
O remorso de bs me lembrou um pouco a desumanização, uma vez que ambos possuem um enredo visceral, polêmico, que nos leva ao asco e à indignação. Neles temos situações que mostram a natureza (des)humana e crua que podemos alcançar, desprovida de empatia e amor. Situações que definham o homem. Em ambos, também vemos a violência contra a mulher, neste de forma muito mais explícita. É um livro que machuca, isso é o que posso dizer. Se essa incursão nas feridas vale a pena ou não, cada um deve decidir por si. Este é um livro que tenho dúvidas se indico ou não, não por falta de qualidades, mas porque seu tom e abordagem podem não ser para todos.
Quanto à sua construção e estilo, o jogo de palavras e a escrita característica de Mãe são evidentes, contribuem para reforçar o sentido às palavras e para aumentar nossa imersão na mente de Baltazar.
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Joao 19/06/2020

A perfeita fusão
Realmente, o conceito de influências pode ser levado ao pé da letra com essa obra. Aqui tem muito de outros autores porém tudo condensado em um estilo único de escrever, de narrar e de criar personagens.
Esteticamente me lembrou muito Saramago (cujo prefácio dessa edição é dele e se refere justamente a isso), ou seja, tem que ser lido com atenção. Pontuação, parágrafo, travessão, tudo isso é tratado pelo autor como empecilhos ao fluxo da narrativa. Ou lê com atenção ou deixa escapar muita coisa.
A narrativa me lembrou a do Gabo. O ambiente é de um realismo fantástico, tratando problemas materiais porém usando de elementos narrativos fantásticos, místicos. Porém ao contrário de Gabo, aqui é tudo mais sombrio, carregado, pesado , cruel. É um livro pra quem tem estômago e se for uma leitora ao invés de leitor, vai com certeza se incomodar mais com essa narração. O livro narra um mundo embrutecido, machista e torpe.
E o vocabulário me lembrou as experiências que tive com Guimarães Rosa. Vocabulário peculiar, com ares de regional e uma porção de palavras estranhas aos nossos olhos.
Tudo isso salta aos olhos porém tudo é misturado em um estilo único e forte, que pode desagradar pelo teor mas nunca pela qualidade.
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Gabi Guerra 15/06/2020

"um tsunami literário" Saramago avisou
Agraciado com o prêmio José Saramago, entregue pelo próprio, Valter Hugo Mãe foge à regra otimista de suas obras e arranca do peito uma selvageria literária, chamada por Saramago de "tsunami literário, um parto da língua portuguesa".

Muita gente não gosta do livro, pois ele é cru, denso, tenso e cruel. A mulher é retratada como um um objeto, uma obra do demônio etc. No entanto, quem conhece Valter Hugo sabe que a narrativa busca o debate, o escândalo, provando o quanto o grotesco jeito de tratar as mulheres é inconcebível nos dias atuais.

O livro é todo escrito em letras minúsculas e sem pontuação de interrogação, exclamação ou mesmo travessão e aspas para indicar diálogos. O que isso quer dizer? É difícil interpretar, sim. Precisamos entrar no embalo para viver a história (recomendo ler em voz alta).

O livro é duro, tem gatilhos a cada capítulo, mas é um escândalo na literatura.
Definitivamente NÃO é para qualquer um, mas, sem sombra de dúvida, foi um parto memorável para mim. A criança que saiu ficará na minha memória por tempos...

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Bruce 14/06/2020

Um livro bastante diferente dos demais do autor. Incomoda, é direto, e a temática é bem mais pesada que os demais. A escrita poética é a mesma, talvez seja a razão de eu ter lido inteiro. Seria interessante começar a ler VHM por outras obras.
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