O Vermelho e o Negro

O Vermelho e o Negro Stendhal




Resenhas - O Vermelho e o Negro


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Andre 20/10/2009

Sorel e seus sonhos
Há muito tempo, ao ver o título desse livro, fiquei pensando: "Este deve ser daqueles livros em que eu devo ler mais tarde, quando estiver mais velho". Porque quando se vê o título, "O Vermelho e O Negro", eu não penso em outra coisa a não ser filosofia. Agora que acabei de ler, vi que não tem nada a ver com filosofia. É pura literatura mesmo.

O livro fala sobre a vida de Julien Sorel, que tem um desejo em sua vida: tornar-se rico. Por isso, pensa em ser padre e poder ganhar um bom salário. Tem uma adoração profunda por Napoleão, a quem se espelha. É odiado por seu pai e irmãos. Quando vê a primeira oportunidade de sair de casa, aproveita e sai. Vai trabalhar na casa do prefeito de sua cidade e é lá que as coisas começam a acontecer.

Stendhal conta a história de Sorel, um perfeito anti-herói de uma forma esmiuçante, como que se destilasse o período mais conturbado da vida do protagonista e a contasse aos poucos, quase que detalhadamente, seus sofrimentos, dores, realizações; enfim, tudo por que passa Sorel.

Ao me deparar com esse relato, pensei que o livro acabaria e nada de realmente impactante acontecesse. Mesmo que a história fosse demasiadamente interessante e contada de uma forma fluida, algo tinha que acontecer para que a mesmo se tornasse, assim, perfeita.

Foi quando cheguei ás cem últimas páginas. É quando a tensão dá lugar á relativa tranquilidade que reinava no livro. Essas cem páginas correram como se fossem dez, tamanho interesse me tomou em conhecer como se desenlaçaria a impressionante história de Sorel, este camponês, que, não se conformando com sua baixa condição, foi atrás de seu desejo. E quem ler este livro, saberá aonde ele chegou!
G. 05/11/2010minha estante
já deu uma vontade de ler!!!!


Ale 04/11/2013minha estante
Estou lendo este livro e estava com certo receio se valeria a pena. Agora estou um pouco mais animada, rsrsr


Cinquenta Páginas 04/12/2013minha estante
Estou com ele nas mãos, imaginando que ainda não estou preparada para me debruçar sobre ele como merece. Estou curiosa, sim, isso é fato. Mas algo ainda não acendeu aquela chama do interesse devastador de leitura em relação a ele.


Antonino 30/04/2020minha estante
Quando iniciei a leitura desse livro, foi de maneira totalmente despretenciosa.
Mas esse livro tr pega, desde.o início.
Um homem com um dom, em um ambiente em que apenas o berço importa..

Valeu a pena ada página virada.




Pé de feijão 01/12/2013

Desconcertante.
Eu me censuro quanto à baixa expectativa com que comprei este livro. Num sebo perto de minha escola, estava à procura de novos clássicos. Entre os empilhados e tantos outros cobertos de poeira, puxo ''O Vermelho e o Negro'', de Stendhal. Por conhecer brevemente um pouco do obra, o compro.
O motivo da minha censura só os leitores privilegiados, como eu, poderão reconhecer. Céus! A humanidade, em todos os seus vícios e acertos, presentes nos personagens do autor e da obra nos aproxima tanto da realidade dos indivíduos e da sociedade de nossa época contemporânea, que só notamos se tratar de personagens fictícios por estarem condicionados ao papel e não se tratar de biografia alguma.
A psicologia com que o autor desvenda, dilacera e digere dentro da mente do leitor, é desconcertante. Um livro recheado de psicologia humana e filosofia que consegue, mesmo após os séculos passados, espantar os que, por inclinação e diploma, se aventuram nas áreas da psique humana. Dois pontos quero destacar aos que o lerão futuramente:
1°: ao serem apresentados ao protagonista, Julien Sorel, pensarão que se trata do mocinho frágil e sem recursos, de boa índole e de pensamentos puros e adequados. Não pensem desta maneira.
2°: uma característica que denota o realismo da obra, fora a imprevisibilidade dos personagens, é quando estes, ao julgarem precipitadamente uma atitude do outro, cometem equívocos que só podemos encontrar dentro de nossa realidade.
Mais que recomendado. Boa leitura.
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Book.ster por Pedro Pacifico 01/03/2020

O vermelho e o negro, Stendhal - Nota 8,5/10
Julien Sorel, protagonista da obra, nasceu em uma família pobre, na França pós napoleônica, mas com forte ambição de ascender socialmente. Para atingir seu objetivo, Julien opta pelo caminho da religião. Mesmo sem ter muita fé, a riqueza e a estrutura social da igreja aparentam ser uma forma de rápida de se livrar da pobreza em que vive. No entanto, o protagonista se depara com uma classe hipócrita e repleta de indivíduos que, a seu ver, não fariam jus à posição conquistada. Mas será que com o tempo, o próprio Julien não se tornará um desses aristocratas desprezíveis? A leitura é densa e profunda, chegando às vezes a ser cansativa. O livro, no entanto, é um clássico, muito bem escrito e que merece ser lido!

site: https://www.instagram.com/book.ster
BetoOliveira_autor 26/07/2020minha estante
Estou relendo a obra em comento. Ela traz uma profunda cítrica social, e como todo bom escrito francês, desce o pau na hipocrisia cristã. A forte ironia do Sthendal mecfez lembrar as novelas do Voltaire.
Inpressionante o desenvolvimento psicológico dos personagens, a capacidade observadora que o autor mostra ter sobre a alma humana. É, ao mesmo tempo, é uma leitura divertida, cheia da hipocrisia diária das convenções sociais, dos erros, das fofocas, das ambições e mesmo as mais comezinhos invejas.




Samuel Paiva 07/08/2010

Gostei bom livro, Julien Sorel é um personagem delicioso, as contradições em que ele se envolve, todos os conflitos psíquicos são extremamente realistas, o leitor normalmente se encaixa no personagem, o livro é uma aula de Restauração Francesa período que sucedeu a queda definitiva de Napoleão, época que houve um recrudescimento do sistema, a monarquia retomou o poder e tentou manter-se firme no trono, ilustra perfeitamente a sociedade francesa, onde apenas as aparências possuem valor, repleta de homens de espírito ralo, Julien é diferente, é ambicioso, febril, apaixonante e extremamente orgulhoso, do inicio ao fim da obra ele trava intensa batalha com esse orgulho, já as personagem femininas retratam a decadência do casamento burguês, onde o amor não impera, o matrimônio é mera negociação, então essas mulheres, Senhora de Rênal e Matilde, são presas fáceis para o espírito audacioso e aventureiro de Julien, além de um final magnífico, o livro é bom pra quem gosta de romance psicológico, que não gosta pode achar a leitura um tanto quanto maçante, mas é um clássico que merece ser lido por todos.

Trecho Interessante:
...Um caçador dispara um tiro de espingarda numa floresta, a sua presa cai, ele corre para a agarrar. O seu calçado bate num formigueiro de dois pés de altura, destrói a habitação das formigas, atira-as para longe, bem como aos seus ovos... As mais filósofas das formigas não poderão nunca compreender esse corpo negro, imenso, horrível... a bota do caçador que de repente penetrou na morada delas com uma incrível rapidez, e precedida de um ruído pavoroso,acompanhado de centelhas de um fogo avermelhado...Adicionar imagemAdicionar imagem ... Assim a morte, a vida, a eternidade, coisas muito simples para quem tivesse órgãos suficientemente vastos para as conceber...

Uma mosca efêmera nasce às nove horas da manhã nos grandes dias de Verão, para morrer às cinco horas da tarde; como é que ela podia compreender a palavra noite?

Dai-lhe cinco horas de vida a mais, ela verá e compreenderá o que é a noite.

Assim, eu morrerei aos vinte e três anos. Dai-me mais cinco anos de vida para viver com a senhora de Rênal...
( Stendhal )
Ernesto 21/08/2010minha estante
Curioso para ler...




Marcos 18/02/2020

O sucesso e as mulheres
Inspirado nas histórias de Napoleão contadas por um cirurgião aposentado do exército, o filho do serrador Julien Sorel desfruta de uma ascensão meteórica e uma queda ainda mais rápida. Sua carreira fornece uma base a partir da qual Stendhal satiriza a sociedade francesa, da burguesia de cidade pequena a clérigos e aristocratas irresponsáveis, e investiga a psicologia do amor e da honra.

Julien primeiro se torna tutor dos filhos do prefeito em uma pequena cidade nos Alpes. Ele precisa negociar as rivalidades sociais e políticas do prefeito obcecado por status, de seus rivais comerciais e de vários outros dignitários, enquanto se envolve com a esposa do prefeito, Madame de Renal. Fugindo de lá, ele frequenta um seminário provincial, onde a maioria dos estudantes são camponeses que desejam uma vida melhor e seus professores têm seus próprios problemas.

Ao se mudar para Paris, Julien se torna secretário confidencial de um nobre e precisa aprender mais um conjunto de convenções sociais à medida que se integra à casa e ao seu círculo de amigos aristocráticos. Ele entra em um caso com a filha de seu patrono, Mathilde, que ele agiliza fingindo amar outra mulher. Finalmente, um improvável enredo condena Julien à prisão e execução, reunindo seus dois amantes.

São os dois casos de amor que são centrais para o romance. Eles têm algum drama, mas o verdadeiro apelo está na psicologia dos amantes e nas dramáticas ironias em suas interpretações de eventos, muitas vezes muito diferentes. Madame de Renal e Mathilde são jogadoras completas no jogo do amor, não apenas objetos da atração de Julien, e Stendhal investiga seus pensamentos e sentimentos de acordo. As personagens femininas menores, a criada e amiga de Madame de Renal, a garçonete de um café e até a mãe de Mathilde, também são apresentadas de uma maneira amplamente positiva, e a atitude esclarecida de Stendhal em relação às mulheres é um aspecto do romance que ajuda torná-lo acessível aos leitores modernos.

Embora determinado a fazer um nome para si mesmo e obcecado pela honra, o próprio Julien também é um personagem atraente.

Cheio de referências que assumem o conhecimento do contexto histórico. No entanto, na maioria das vezes, isso não é essencial para o progresso do romance.

Talvez o melhor romance francês, certamente meu favorito até agora.
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Fábio 29/07/2011

Eis aí o belo milagre de vossa civilização! Do amor fizestes um assunto corriqueiro – BARNAVE

O Vermelho e o Negro é a obra prima de Stendhal, romance que analisa a sociedade francesa na época da restauração. O significado do título suscita muita discussão, até hoje há divergência entre os críticos, publicado em 1830, coincide com a Revolução de Julho.

Acusado desde o começo, de sua vida literária, de plágio, Stendhal chega ao fim da vida desamparado, seus livros não alcançam mais grande sucesso, o que leva a dizer: “Posso fazer uma obra que não agrade ninguém e que será reconhecida como bela no ano 2000”

Nem precisamos dizer que atualmente, pelo menos no que tange este livro, é uma belíssima obra, acertando o presságio, este livro nos faz uma reflexão das atitudes da alta sociedade, incrustado na personagem Srta. de La Mole (Mathilde), e de um rapaz de família humilde, filho de um carpinteiro, que tenta desesperadamente subir o patamar na escala social, um completo arrivista, representado por Julien.

A volubilidade da vida faz Julien passar por várias casas como preceptor, graças a sua facilidade em latim, e seu conhecimento do Segundo Testamento da Bíblia. Por onde passa o amor arrebatador e seu orgulho exacerbado o persegue, destruindo sonhos, famílias, futuros. Na sua primeira casa onde trabalhou, conheceu a Sra. de Renal, personagem fundamental em sua vida, na qual, suas atitudes nunca mais serão a mesma depois que a conheceu.

Na época para conseguir subir de classe social tinha-se basicamente duas alternativas: os estudos teocráticos para ser padre, ou o exército. Julien opta pelo primeiro, porém, a vida no seminário não é fácil, suas notas boas, sendo o “queridinho” do professor, levanta o ódio dos outros estudantes, que por sua vez se afastam dele, levando ao isolamento.

Um ponto interessante é que cada começo de capítulo há uma frase, de algum outro autor, que resume ou faz alusão de um assunto principal do mesmo. Amor, briga, orgulho, ódio, tentativa de assassinado, julgamento, cadafalso, pontuam esta grande obra.


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Flávia Pasqualin 12/02/2020

Um triangulo amoroso envolto em um eterno conflito de egos. O que eu mais gostei no geral foi da personalidade do Julian Sorel, que deixa margem para diversas interpretações. Senti um misto de sentimentos com relação a ele durante toda a leitura. Ele me lembrou muito o Holden Caulfield (O apanhador no Campo de Centeio) por conta da volatilidade de seus sentimentos. O único ponto negativo foi em relação a narrativa que por vezes se torna um pouco arrastada e monótona, mas de resto não há como negar que é um grande clássico da literatura.
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larissa dowdney 14/02/2013

Tenho uma opinião totalmente controversa sobre Julien Sorel. Não sei dizer se o amo ou se o odeio, talvez ele me desperte muitos sentimentos, todos eles bem antagônicos. Sim, esse é o triunfo de Stendhal. Sobre mim, pelo menos.

Só posso dizer que esse livro é um perfeito retrato da sociedade, da França e dos costumes da época. Até hoje ainda vemos esses gestos aristocratas, "de castas" como diz o próprio Stendhal, na nossa própria sociedade e é bom entender como eles se desenvolveram (mesmo segundo os olhos românticos do autor).

Terminei o livro com a louca sensação de ter valido a pena um dia tê-lo lido.

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Robson 12/02/2011

Autor escreveu tratado sobre o amor e o ódio
Não se sabe ao certo o que Stendhal queria dizer com o título de sua obra mais influente, O Vermelho e o Negro. Muitos diriam que o negro é atribuído à cor da batina do protagonista e o vermelho ao sangue em que esta é lavada após a guilhotina; ou a batina em contraste a farda militar, vermelha na época de Napoleão; ou simplesmente à morte e à paixão que estão presentes na trama, Certo é que Stendhal conseguiu escrever um tratado sobre o amor e o ódio na psique humana e sobre uma sociedade que arrebenta todas as ambições de um jovem em dúvida com seus anseios com a mesma frieza que o faz com os soldados na guerra.


Julien Sorel é o protagonista, nascido numa cidade inventada pelo autor chamada Verrières, no interior da França. Oprimido pelo pai marceneiro, pelos irmãos e pelo trabalho braçal, Julien decide pela batina como único meio de um jovem de origem “baixa” ascender a alta sociedade. Ele se dedica ao estudo das escrituras sagradas e do latim e, por isso, é recompensado por sua dedicação, sendo levado para ministrar aulas aos filhos do prefeito, o senhor de Rênal.


Ele adentra a mansão com a mesma delicadeza que se crava no coração das pessoas. Sorrateiro, ardiloso e frio, acaba se infiltrando na vida da família. Ao conhecer a sra. de Rênal, esposa do prefeito, terá o seu primeiro e único amor correspondido durante toda a vida – ela apaixona-se pela inteligência e ternura do rapaz, ele pela posição social dela. Ela é uma esposa discreta e mãe devotada; ele, um jovem ambicioso, porém meigo, que executa seus planos com a frieza de uma aranha que tece uma teia.


Seu ídolo é Napoleão Bonaparte, o único herói invencível, que consegue tudo o que quer com o poder da vontade e das armas. Tivesse nascido duas décadas antes, pensa o rapaz, poderia ter servido nas fileiras do ídolo, galgando posições que lhe dariam dinheiro, prestígio e poder.


Como o faz seu ídolo, ele cria inúmeras estratégias para conquistar a sra. de Rênal, a aristocracia e também toda a França.


O rapaz se sente repelido e involuntariamente atraído pela sociedade parisiense. Ele tenta se ajustar entre os nobres em vão, sendo sempre tratado como inferior, até pela amada sra. de Rênal, com quem terá um romance repleto de cenas dignas de Shakespeare – com encontros soturnos na madrugada, escadas na sacada do quarto, empregados que desconfiam e criam intrigas. Logo o romance entre o jovem padre e a sra. de Rênal se torna um escândalo. Julien parte para Paris, onde se apaixona por Mathilde, filha de um marquês do qual ele é secretário. Eles se tornam amantes, Mathilde engravida, o que faz com que o marquês conceda a Julien um título de nobreza, desejo há muito presente nos anseios do jovem. Mas o que poderia selar um destino feliz apenas retarda a inevitável tragédia.


Reviravoltas acontecem, e Julien acaba sendo punido por sua audácia e ambição. A própria sra. de Rênal envia ao marquês uma carta denunciando Julien como um aproveitador de mulheres, interessado apenas em fazer a própria fortuna. Este tenta vingar-se dela, mas acaba preso e sentenciado à guilhotina. Não sem antes declarar seu amor à sra. de Rênal, que morre tempos depois.


Em alguns ensaios, é dito que Stendhal apreciava simplicidade nos conceitos literários e dizia que “a simplicidade é o que há de mais sofisticado”, talvez seja exatamente esse “talento” que se omite na percepção de conceitos como a vida e a sociedade em seu protagonista.


O que Stendhal não dizia é que para se chegar a essa tal simplicidade é preciso escrever bastante, de modo que a escrita seja tão natural quanto qualquer outra coisa que façamos em nosso cotidiano.


Percebe-se lendo O Vermelho e o Negro, que estamos desfrutando de uma obra-prima totalmente equilibrada e que não destoa um segundo sequer de seu tom dramático: aqui acompanhamos os personagens em suas divagações, pensamentos e opiniões distintos uns dos outros, isso já foi feito em outros livros (deve-se reconhecer), mas a forma como o escritor os expõe é simplesmente brilhante, aqui cada personagem tem seu espaço para se impor, de modo que você possa acompanhar tanto os pensamentos e anseios do protagonista como de qualquer outro presente na trama, sem que isso possa parecer forçado ou demasiado tedioso (em outras palavras o escritor não se detém em retratos pormenorizados de seus personagens: ele os deixa agir e pensar. Eles se definem na relação que estabelecem uns com os outros).


Sua prosa, na minha humilde e modesta opinião poderia ser chamada de “perfeita”, e isso não pode ser atribuído a nenhum outro escritor (nenhum mesmo, por melhores que sejam), nesta obra, nenhuma nota parece sair do ritmo ou distorcer sua prosa seca e objetiva. A narração segue seu desfecho como uma linha reta, quase sem desvios ou rodeios. As ações se encadeiam naturalmente, sem que o leitor perceba a “manipulação” do escritor, variando com habilidade os pontos de vista por meio de diálogos curtos, monólogos interiores dos principais personagens e descrições breves e precisas.


Veja um exemplo: Livro II, Capítulo XVIII: Tampouco é o amor que se encarrega da fortuna dos rapazes dotados de algum talento como Julien; eles se vinculam estreitamente a algum círculo e, quando esse círculo faz sucesso, todas as boas coisas da sociedade chovem sobre eles. Infeliz do homem de estudos que não pertence a algum círculo, irão codená-lo até pelos pequenos sucessos mais duvidosos e a virtude elevada triunfará, roubando-o. Pois bem, senhor, um romance é um espelho que se carrega ao longo da estrada. Tanto pode refletir para os seus olhos o azul do céu como a imundície do lamaçal da estrada. Por acaso o homem que carrega o espelho em sua sacola poderia ser acusado de imoral? Seu espelho mostra a sujeira e o senhor acusa o espelho? O senhor deveria acusar o longo caminho onde se forma o lamaçal e, sobretudo, o inspetor das estradas que deixa a água apodrecer e o lodo se acumular.


O problema de Julien, com o qual ele definitivamente não conseguia lidar é que: o erro dos homens grandes é julgar a vida a partir de sua imaginação, em muitas situações do cotidiano, sejam elas vivenciadas na alta sociedade ou não, suas escolhas podem sim necessitar de algum senso prático; você deve encarar e aceitar que a vida não é feita somente de abstração, caso contrário estará fadado a viver em uma fantasia que nunca irá se realizar.

Igor 09/01/2016minha estante
Meu caro, acredito que esta resenha esteja com spoilers, não?




Lilian 28/06/2020

Realmente um clássico...é o tipo de livro que precisa ser lido na vida....
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va 08/08/2020

A ambição de um jovem
O vermelho e o negro é daqueles livros que nem os personagens em si nem a história estão em segundo plano. Um é premente ao outro, o que Stendhal mostra aqui não são os acontecimentos, mas o que eles fazem nos personagens.

A obra se passa no século XIX, durante a Restauração, e conta a vida de Julian Sorel, um jovem e pobre camponês, que possui talento e inteligência e é movido por uma forte ambição, orgulho e desejo de ascensão social. Jovem crítico aos costumes e valores da época, denuncia a hipocrisia e, no entanto, se vê entrelaçado à ela pela trama.

Além disso, nosso protagonista tem como herói a figura de Napoleão, e muitas vezes se espelha nele e enxerga o passado como prazer de reconstituição.

Os personagens são paradoxais em uma época cheia de contradições e valores incertos. Nesse contexto, acompanhamos as várias nuances de Julian Sorel e as mudanças que os acontecimentos de sua vida operam no caráter nele.
Márcia 08/08/2020minha estante
Eu amo este livro, ainda sinto o quanto ele me abalou mesmo após 16 anos da primeira vez que li. O final é perfeito e extremamente satisfatório.


va 08/08/2020minha estante
simm, eu amo no final a mudança pela qual os pensamentos do julian passam, é quando ele percebe o que é realmente importante




Dirce 10/06/2009

Só quando eu crescer
Positivamente, não consegui seguir adiante na leitura deste livro.
Achei tão enfadonho...
Talvez, ele, seja destinado a gente grande.
Quando eu " crescer" tento retornar a leitura, mas só quando eu "crescer"
Manuella 06/04/2015minha estante
Dirce, sua linda!
Ficou tudo bem com seu pai?


Dirce 07/04/2015minha estante
Pior que não, minha lindinha.


Ricardo Rocha 26/06/2015minha estante
não é bem assim. nem em relação a vc crescer - já é grande - nem ao livro - idem.
teved talvez a ver com gosto. adoro Joyce e Faulkner e Virginia Woolf mas não todos os livros deles. Proust (o mais "enfadonho dos enfadonhos" pra maioria, é a prova disso.
no cvaso de Stendhal, ele tinha uma escrita peculiar em que queria satisfazer só a si mesmo e pra isso mudava direto o jeito de escrever, os assuntos, até os gêneros. Naturalmente, nem ele próprio ficou satisfeito com todos os resultados deles. No caso, acho que Vermelho e o negro é inferior por exemplo à Cartuxa, mas ainda assim merece que tentemos ler pois o tempo o legitimou, o que não é pouca coisa




JJ 24/11/2017

O Vermelho e o Negro é uma das maiores obras para materializar o conceito de "livro clássico". Dividido em duas partes, é marcado pela densidade da história, com foco quase exclusivo nos fatos que compõem a vida de Julien, protagonista da trama. A trama se passa no período pós-Napoleônico, em que os resquícios da luta entre nobres e burgueses são de fácil identificação. No limbo da falta de oportunidades, Julien se mostra desde cedo um autodidata dividindo o amor ideológico entre o militarismo e o cristianismo. Conhecimento prévio em História pode tornar a leitura de O Vermelho e o Negro mais prazerosa, mas não é uma condição sine qua non, uma vez que a pungância das aventuras narradas pelo autor francês é o suficiente para que o clássico seja apreciado.

Por óbvio, não explora a psique dos personagens mais constantes e até mesmo alguns temas que poderiam ser mais desenvolvidos são apresentadas com pouca profundidade - para não dizer com superficialidade. Alguns exemplos na primeira metade podem ser creditados aos déspostas esclarecidos que ganhavam força no interior da França e no coadjuvantismo e vulnerabilidade das mulheres, que precisavam conviver com leis protecionistas às vinganças de seus maridos (ou seriam donos?) em casos como os de adultério. É uma obra bem linear, com foco na aventura romântica. A ambientação do leitor em questões políticas e sociais está ali, mas com a impressão de que Stendhal talvez não tivesse a mínima noção do potencial e natureza documental de seu escrito. As boas intervenções do autor são reduzidas e os monólogos internos dos personagens, mesmo que propositalmente assim, não precisavam ser tão confusos em alguns momentos.

O início do livro 2 acrescenta um tempero político, mas por pouco tempo, apenas para demonstrar que o conflito na França atingiu o interior quase que no mesmo momento em que Julien parte para Paris. Uma camada interessante de O Vermelho e o Negro é tratar dos tentáculos do clero, sempre à procura de poder e dinheiro, se permitindo desenvolver argumentos e ideologias extremamente convenientes. O autor usa o tédio da própria história (cada metade possui um capítulo com este título) para desenvolver o amor de Mathilde de La Mole por Julien. A insistência em abordar desencontros amorosos compromete um pouco o ritmo da trama, mas quando o capitulo XXIII do Livro II retrata a ascensão do ideal republicano, a obra ganha força. O autor encontra o tom na aventura romântica quando passa a tratar o amor como uma guerra, onde por vezes o outro é o inimigo e é preciso muita estratégia para sair vitorioso. As primeiras consequências que o poder estar atrelado ao dinheiro causa também é uma ótica interessante, que transforma a conclusão dramática da obra bastante coerente.

Na página 604 da edição lida um parágrafo genial sobre questões sociais diz: "Não existe um direito natural: essa expressão não passa de uma tolice antiga bem digna do promotor que me acusou naquele dia, e cujo antepassado foi enriquecido por um confisco de Luís XIV. Só há um direito quando há uma lei que proíba de fazer alguma coisa, sob pena de punição. Antes da lei, só eram naturais a força do leão ou a necessidade da criatura que tem fome, que tem frio, numa palavra, a necessidade... Não, as pessoas honradas não passam de velhacos que tiveram a sorte de não serem apanhados em flagrante delito". Um raro momento em que se vê claramente o potencial de Stendhal para delinear grandes discursos e que - talvez - o aprofundamento em sua obra revela material tão precioso quanto este.
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Rosângela Luz 26/12/2009

Ser humano
Julien Sorel encarna várias faces que encontramos em pessoas comuns e no meio destas, muitas sutilezas utilizadas ainda na atualidade, a referência do vermelho (realeza) e o negro (igreja), que, mandavam na época retratada e que, apesar das mudanças de nomes e atividades, ainda vivemos com muitos alpinistas sociais destituídos de sentimentos, mas o livro é ótimo para avaliarmos o passado e o presente e por que não para conhecermos as formas de convívio das pessoas.
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