O Vermelho e o Negro

O Vermelho e o Negro Stendhal




Resenhas - O Vermelho e o Negro


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Andre 20/10/2009

Sorel e seus sonhos
Há muito tempo, ao ver o título desse livro, fiquei pensando: "Este deve ser daqueles livros em que eu devo ler mais tarde, quando estiver mais velho". Porque quando se vê o título, "O Vermelho e O Negro", eu não penso em outra coisa a não ser filosofia. Agora que acabei de ler, vi que não tem nada a ver com filosofia. É pura literatura mesmo.

O livro fala sobre a vida de Julien Sorel, que tem um desejo em sua vida: tornar-se rico. Por isso, pensa em ser padre e poder ganhar um bom salário. Tem uma adoração profunda por Napoleão, a quem se espelha. É odiado por seu pai e irmãos. Quando vê a primeira oportunidade de sair de casa, aproveita e sai. Vai trabalhar na casa do prefeito de sua cidade e é lá que as coisas começam a acontecer.

Stendhal conta a história de Sorel, um perfeito anti-herói de uma forma esmiuçante, como que se destilasse o período mais conturbado da vida do protagonista e a contasse aos poucos, quase que detalhadamente, seus sofrimentos, dores, realizações; enfim, tudo por que passa Sorel.

Ao me deparar com esse relato, pensei que o livro acabaria e nada de realmente impactante acontecesse. Mesmo que a história fosse demasiadamente interessante e contada de uma forma fluida, algo tinha que acontecer para que a mesmo se tornasse, assim, perfeita.

Foi quando cheguei ás cem últimas páginas. É quando a tensão dá lugar á relativa tranquilidade que reinava no livro. Essas cem páginas correram como se fossem dez, tamanho interesse me tomou em conhecer como se desenlaçaria a impressionante história de Sorel, este camponês, que, não se conformando com sua baixa condição, foi atrás de seu desejo. E quem ler este livro, saberá aonde ele chegou!
G. 05/11/2010minha estante
já deu uma vontade de ler!!!!


thiago ramos 21/07/2012minha estante
tenho ele aqui em casa,mas antes de lê-lo,quero terminar A montanha mágica de Thomas Mann


Ale 04/11/2013minha estante
Estou lendo este livro e estava com certo receio se valeria a pena. Agora estou um pouco mais animada, rsrsr


Cinquenta Páginas 04/12/2013minha estante
Estou com ele nas mãos, imaginando que ainda não estou preparada para me debruçar sobre ele como merece. Estou curiosa, sim, isso é fato. Mas algo ainda não acendeu aquela chama do interesse devastador de leitura em relação a ele.




Samuel Paiva 07/08/2010

Gostei bom livro, Julien Sorel é um personagem delicioso, as contradições em que ele se envolve, todos os conflitos psíquicos são extremamente realistas, o leitor normalmente se encaixa no personagem, o livro é uma aula de Restauração Francesa período que sucedeu a queda definitiva de Napoleão, época que houve um recrudescimento do sistema, a monarquia retomou o poder e tentou manter-se firme no trono, ilustra perfeitamente a sociedade francesa, onde apenas as aparências possuem valor, repleta de homens de espírito ralo, Julien é diferente, é ambicioso, febril, apaixonante e extremamente orgulhoso, do inicio ao fim da obra ele trava intensa batalha com esse orgulho, já as personagem femininas retratam a decadência do casamento burguês, onde o amor não impera, o matrimônio é mera negociação, então essas mulheres, Senhora de Rênal e Matilde, são presas fáceis para o espírito audacioso e aventureiro de Julien, além de um final magnífico, o livro é bom pra quem gosta de romance psicológico, que não gosta pode achar a leitura um tanto quanto maçante, mas é um clássico que merece ser lido por todos.

Trecho Interessante:
...Um caçador dispara um tiro de espingarda numa floresta, a sua presa cai, ele corre para a agarrar. O seu calçado bate num formigueiro de dois pés de altura, destrói a habitação das formigas, atira-as para longe, bem como aos seus ovos... As mais filósofas das formigas não poderão nunca compreender esse corpo negro, imenso, horrível... a bota do caçador que de repente penetrou na morada delas com uma incrível rapidez, e precedida de um ruído pavoroso,acompanhado de centelhas de um fogo avermelhado...Adicionar imagemAdicionar imagem ... Assim a morte, a vida, a eternidade, coisas muito simples para quem tivesse órgãos suficientemente vastos para as conceber...

Uma mosca efêmera nasce às nove horas da manhã nos grandes dias de Verão, para morrer às cinco horas da tarde; como é que ela podia compreender a palavra noite?

Dai-lhe cinco horas de vida a mais, ela verá e compreenderá o que é a noite.

Assim, eu morrerei aos vinte e três anos. Dai-me mais cinco anos de vida para viver com a senhora de Rênal...
( Stendhal )
Ernesto 21/08/2010minha estante
Curioso para ler...




Pé de feijão 01/12/2013

Desconcertante.
Eu me censuro quanto à baixa expectativa com que comprei este livro. Num sebo perto de minha escola, estava à procura de novos clássicos. Entre os empilhados e tantos outros cobertos de poeira, puxo ''O Vermelho e o Negro'', de Stendhal. Por conhecer brevemente um pouco do obra, o compro.
O motivo da minha censura só os leitores privilegiados, como eu, poderão reconhecer. Céus! A humanidade, em todos os seus vícios e acertos, presentes nos personagens do autor e da obra nos aproxima tanto da realidade dos indivíduos e da sociedade de nossa época contemporânea, que só notamos se tratar de personagens fictícios por estarem condicionados ao papel e não se tratar de biografia alguma.
A psicologia com que o autor desvenda, dilacera e digere dentro da mente do leitor, é desconcertante. Um livro recheado de psicologia humana e filosofia que consegue, mesmo após os séculos passados, espantar os que, por inclinação e diploma, se aventuram nas áreas da psique humana. Dois pontos quero destacar aos que o lerão futuramente:
1°: ao serem apresentados ao protagonista, Julien Sorel, pensarão que se trata do mocinho frágil e sem recursos, de boa índole e de pensamentos puros e adequados. Não pensem desta maneira.
2°: uma característica que denota o realismo da obra, fora a imprevisibilidade dos personagens, é quando estes, ao julgarem precipitadamente uma atitude do outro, cometem equívocos que só podemos encontrar dentro de nossa realidade.
Mais que recomendado. Boa leitura.
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Fábio 29/07/2011

Eis aí o belo milagre de vossa civilização! Do amor fizestes um assunto corriqueiro – BARNAVE

O Vermelho e o Negro é a obra prima de Stendhal, romance que analisa a sociedade francesa na época da restauração. O significado do título suscita muita discussão, até hoje há divergência entre os críticos, publicado em 1830, coincide com a Revolução de Julho.

Acusado desde o começo, de sua vida literária, de plágio, Stendhal chega ao fim da vida desamparado, seus livros não alcançam mais grande sucesso, o que leva a dizer: “Posso fazer uma obra que não agrade ninguém e que será reconhecida como bela no ano 2000”

Nem precisamos dizer que atualmente, pelo menos no que tange este livro, é uma belíssima obra, acertando o presságio, este livro nos faz uma reflexão das atitudes da alta sociedade, incrustado na personagem Srta. de La Mole (Mathilde), e de um rapaz de família humilde, filho de um carpinteiro, que tenta desesperadamente subir o patamar na escala social, um completo arrivista, representado por Julien.

A volubilidade da vida faz Julien passar por várias casas como preceptor, graças a sua facilidade em latim, e seu conhecimento do Segundo Testamento da Bíblia. Por onde passa o amor arrebatador e seu orgulho exacerbado o persegue, destruindo sonhos, famílias, futuros. Na sua primeira casa onde trabalhou, conheceu a Sra. de Renal, personagem fundamental em sua vida, na qual, suas atitudes nunca mais serão a mesma depois que a conheceu.

Na época para conseguir subir de classe social tinha-se basicamente duas alternativas: os estudos teocráticos para ser padre, ou o exército. Julien opta pelo primeiro, porém, a vida no seminário não é fácil, suas notas boas, sendo o “queridinho” do professor, levanta o ódio dos outros estudantes, que por sua vez se afastam dele, levando ao isolamento.

Um ponto interessante é que cada começo de capítulo há uma frase, de algum outro autor, que resume ou faz alusão de um assunto principal do mesmo. Amor, briga, orgulho, ódio, tentativa de assassinado, julgamento, cadafalso, pontuam esta grande obra.


[fabio9430@gmail.com]
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larissa bacanhim 14/02/2013

Tenho uma opinião totalmente controversa sobre Julien Sorel. Não sei dizer se o amo ou se o odeio, talvez ele me desperte muitos sentimentos, todos eles bem antagônicos. Sim, esse é o triunfo de Stendhal. Sobre mim, pelo menos.

Só posso dizer que esse livro é um perfeito retrato da sociedade, da França e dos costumes da época. Até hoje ainda vemos esses gestos aristocratas, "de castas" como diz o próprio Stendhal, na nossa própria sociedade e é bom entender como eles se desenvolveram (mesmo segundo os olhos românticos do autor).

Terminei o livro com a louca sensação de ter valido a pena um dia tê-lo lido.

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Rosângela Luz 26/12/2009

Ser humano
Julien Sorel encarna várias faces que encontramos em pessoas comuns e no meio destas, muitas sutilezas utilizadas ainda na atualidade, a referência do vermelho (realeza) e o negro (igreja), que, mandavam na época retratada e que, apesar das mudanças de nomes e atividades, ainda vivemos com muitos alpinistas sociais destituídos de sentimentos, mas o livro é ótimo para avaliarmos o passado e o presente e por que não para conhecermos as formas de convívio das pessoas.
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Dirce 10/06/2009

Só quando eu crescer
Positivamente, não consegui seguir adiante na leitura deste livro.
Achei tão enfadonho...
Talvez, ele, seja destinado a gente grande.
Quando eu " crescer" tento retornar a leitura, mas só quando eu "crescer"
Manuella 06/04/2015minha estante
Dirce, sua linda!
Ficou tudo bem com seu pai?


Dirce 07/04/2015minha estante
Pior que não, minha lindinha.


Ricardo Rocha 26/06/2015minha estante
não é bem assim. nem em relação a vc crescer - já é grande - nem ao livro - idem.
teved talvez a ver com gosto. adoro Joyce e Faulkner e Virginia Woolf mas não todos os livros deles. Proust (o mais "enfadonho dos enfadonhos" pra maioria, é a prova disso.
no cvaso de Stendhal, ele tinha uma escrita peculiar em que queria satisfazer só a si mesmo e pra isso mudava direto o jeito de escrever, os assuntos, até os gêneros. Naturalmente, nem ele próprio ficou satisfeito com todos os resultados deles. No caso, acho que Vermelho e o negro é inferior por exemplo à Cartuxa, mas ainda assim merece que tentemos ler pois o tempo o legitimou, o que não é pouca coisa




Matheus Lins 20/03/2011

http://b33p.me/2011/03/20/resenha-o-vermelho-e-o-negro-de-stendhal
O Vermelho e o Negro (Le Rouge et le Noir) expõe um retrato incisivo e crítico da sociedade aristocrática francesa de 1830; retrato este que realça sobretudo a hipocrisia e a falsidade que parecem imperar sobre todas as relações sociais e pessoais da época, desnudando o caráter mesquinho, fútil e interesseiro por trás de ações com fachadas muito nobres.

Stendhal (pseudônimo de Marie-Henri Beyle) relata a trajetória de Julien Sorel, agraciado com uma extraordinária memória, o que lhe permitiu se destacar rapidamente nos estudos eclesiásticos (ele decorou a Bíblia de cabo a rabo – em latim) e, eventualmente, libertá-lo de sua existência sofrida sob a égide do pai – o qual despreza o apreço do filho pelas artes e a sua completa inaptidão para com o ofício da famíla, a carpintaria. O primeiro espasmo de liberdade advém com a chance de trabalhar, como preceptor de latim, para os filhos do importante prefeito da região. Isso lhe abre portas que, em retrospecto, deveriam ter permanecido fechadas.

Sorel, todavia, não é um refém impotente e inocente das circunstâncias, salvo pela religião, como o parágrafo acima pode dar a entender; trata-se mormente de uma pessoa astuta e ambiciosa, que almeja alcançar uma glória similar a do seu maior ídolo, Napoleão Bonaparte (que, no contexto do romance, é uma espécie de Judas para a aristocracia).

Porém, o que fica logo claro ao leitor é que o personagem, a despeito de seus dons sobre-humanos, carece da malícia necessária para lograr êxito no meio burguês de que tanto aspira fazer parte, sendo vítima de arroubos de sensibilidade e romanticismo que denunciam a sua falta de cinismo e que muitas vezes põem em risco os seus planos. Sua natureza sensível é em parte compensada pelo frio calculismo que no decorrer da narrativa ele se esforça em esmerar, não sem um grande desgaste emocional.

A partir da peculiar trajetória do personagem, que transita por diversos setores da sociedade em virtude dos seus dons mnemônicos, Stendhal ilumina os recônditos sórdidos da aristocracia e clero franceses, impingindo-lhes as suas críticas. A sua pusilanimidade prudência, no entanto, em diversos momentos o leva a um engenhoso exercício metalinguístico: longos parênteses elucidatórios quanto aos seus intentos como que emergem em meio ao texto, interpelando a narrativa, como, por exemplo:

“Um romance é um espelho que se carrega ao longo da estrada. Tanto pode refletir para os seus olhos o azul do céu como a imundície do lamaçal da estrada. Por acaso o homem que carrega o espelho em sua sacola pode ser acusado de imoral? Seu espelho mostra a sujeira e o senhor acusa o espelho? O senhor deveria acusar o longo caminho onde se forma o lamaçal e, sobretudo, o inspetor das estradas que deixa a água apodrecer e o lodo se acumular.”

Dado o modo pioneiro com que Stenhal trabalhou os seus personagens, numa narrativa impermeável a qualquer idealismos ou florecimentos da realidade, O Vermelho e o Negro é considerado um dos precursores do Realismo na literatura, antecedendo em alguns bons anos essa tendência literária, disseminada mundo afora por Flaubert e seu Madame Bovary.

No Brasil a obra recebeu um tratamento bastante digno, com uma publicação em capa dura pela Cosac Naify, a qual é ilustrada por um quadro de Napoleão Bonaparte (cuja figura tanto pairou sobre a mente de Sorel) com uma expressão de enfado sombrio que em muito remete ao nosso protagonista. Tarsila do Amaral e Erich Auerbach assinam, respectivamente, o prefácio e a contracapa.
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Tarcísio 10/07/2012

Mais de seiscentas páginas de uma literatura clássica, vocabulário rico e, de brinde, um realista e detalhado retrato da Europa do século XIX. Se isso não bastasse, um conteúdo recheado de palavras, frases e trechos filosóficos, disponibilizado ao leitor através da autoanálise dos personagens.

Ótimo, então "O Vermelho e o Negro" merece todos os elogios e indicações. Infelizmente, na minha opinião, não é bem isso. Apesar das qualidades citadas anteriormente, a obra não serve muito como um exemplo de leitura prazerosa. Apesar de trechos interessantes e com um bom ritmo, em vários momentos a leitura torna-se cansativa e sem empolgação. O autor exagera vez por outra nas discussões filosóficas e em estórias que não agregam em nada.

Aos personagens principais, falta-lhes carisma. Como, por exemplo, comparar as inconstantes e orgulhosas Srta. La Mole ou mesmo Sra. de Rênal com a encantadora e arrebatadora Elisabeth Bennet, de "Orgulho e Preconceito"? Sem comparação. Julien Sorel parece-me mais com um rebelde sem causa do que propriamente como um herói romanesco.

Minha indicação do livro seria somente aos amantes da literatura clássica, que sentem prazer não somente com um enredo empolgante mas também com um texto bem escrito, de qualidade cultural indiscutível.
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João Souto 22/02/2015

Paixão e ambição
Queria tentar resenhar com alguma imparcialidade, mas como fazer isso com uma obra que entrou na minha lista de favoritos em posição de destaque? O livro é poderoso, e esse é o primeiro adjetivo da minha pseudo imparcialidade. Criei vínculos com a história e, em vários momentos, admito, senti que ele contava minha história, com algumas diferenças é claro, mas essencialmente transcrita naquelas páginas.

Foi a primeira vez que me identifiquei tanto com uma obra literária e ainda questiono-me porque me senti puxado a ela desde que a vi na prateleira daquela livraria.

Um triângulo amoroso. Paixões exacerbadas. Orgulho, muito orgulho. Uma obra a frente de sua época, muito atual e, de novo, muito poderosa.
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Robson 12/02/2011

Autor escreveu tratado sobre o amor e o ódio
Não se sabe ao certo o que Stendhal queria dizer com o título de sua obra mais influente, O Vermelho e o Negro. Muitos diriam que o negro é atribuído à cor da batina do protagonista e o vermelho ao sangue em que esta é lavada após a guilhotina; ou a batina em contraste a farda militar, vermelha na época de Napoleão; ou simplesmente à morte e à paixão que estão presentes na trama, Certo é que Stendhal conseguiu escrever um tratado sobre o amor e o ódio na psique humana e sobre uma sociedade que arrebenta todas as ambições de um jovem em dúvida com seus anseios com a mesma frieza que o faz com os soldados na guerra.


Julien Sorel é o protagonista, nascido numa cidade inventada pelo autor chamada Verrières, no interior da França. Oprimido pelo pai marceneiro, pelos irmãos e pelo trabalho braçal, Julien decide pela batina como único meio de um jovem de origem “baixa” ascender a alta sociedade. Ele se dedica ao estudo das escrituras sagradas e do latim e, por isso, é recompensado por sua dedicação, sendo levado para ministrar aulas aos filhos do prefeito, o senhor de Rênal.


Ele adentra a mansão com a mesma delicadeza que se crava no coração das pessoas. Sorrateiro, ardiloso e frio, acaba se infiltrando na vida da família. Ao conhecer a sra. de Rênal, esposa do prefeito, terá o seu primeiro e único amor correspondido durante toda a vida – ela apaixona-se pela inteligência e ternura do rapaz, ele pela posição social dela. Ela é uma esposa discreta e mãe devotada; ele, um jovem ambicioso, porém meigo, que executa seus planos com a frieza de uma aranha que tece uma teia.


Seu ídolo é Napoleão Bonaparte, o único herói invencível, que consegue tudo o que quer com o poder da vontade e das armas. Tivesse nascido duas décadas antes, pensa o rapaz, poderia ter servido nas fileiras do ídolo, galgando posições que lhe dariam dinheiro, prestígio e poder.


Como o faz seu ídolo, ele cria inúmeras estratégias para conquistar a sra. de Rênal, a aristocracia e também toda a França.


O rapaz se sente repelido e involuntariamente atraído pela sociedade parisiense. Ele tenta se ajustar entre os nobres em vão, sendo sempre tratado como inferior, até pela amada sra. de Rênal, com quem terá um romance repleto de cenas dignas de Shakespeare – com encontros soturnos na madrugada, escadas na sacada do quarto, empregados que desconfiam e criam intrigas. Logo o romance entre o jovem padre e a sra. de Rênal se torna um escândalo. Julien parte para Paris, onde se apaixona por Mathilde, filha de um marquês do qual ele é secretário. Eles se tornam amantes, Mathilde engravida, o que faz com que o marquês conceda a Julien um título de nobreza, desejo há muito presente nos anseios do jovem. Mas o que poderia selar um destino feliz apenas retarda a inevitável tragédia.


Reviravoltas acontecem, e Julien acaba sendo punido por sua audácia e ambição. A própria sra. de Rênal envia ao marquês uma carta denunciando Julien como um aproveitador de mulheres, interessado apenas em fazer a própria fortuna. Este tenta vingar-se dela, mas acaba preso e sentenciado à guilhotina. Não sem antes declarar seu amor à sra. de Rênal, que morre tempos depois.


Em alguns ensaios, é dito que Stendhal apreciava simplicidade nos conceitos literários e dizia que “a simplicidade é o que há de mais sofisticado”, talvez seja exatamente esse “talento” que se omite na percepção de conceitos como a vida e a sociedade em seu protagonista.


O que Stendhal não dizia é que para se chegar a essa tal simplicidade é preciso escrever bastante, de modo que a escrita seja tão natural quanto qualquer outra coisa que façamos em nosso cotidiano.


Percebe-se lendo O Vermelho e o Negro, que estamos desfrutando de uma obra-prima totalmente equilibrada e que não destoa um segundo sequer de seu tom dramático: aqui acompanhamos os personagens em suas divagações, pensamentos e opiniões distintos uns dos outros, isso já foi feito em outros livros (deve-se reconhecer), mas a forma como o escritor os expõe é simplesmente brilhante, aqui cada personagem tem seu espaço para se impor, de modo que você possa acompanhar tanto os pensamentos e anseios do protagonista como de qualquer outro presente na trama, sem que isso possa parecer forçado ou demasiado tedioso (em outras palavras o escritor não se detém em retratos pormenorizados de seus personagens: ele os deixa agir e pensar. Eles se definem na relação que estabelecem uns com os outros).


Sua prosa, na minha humilde e modesta opinião poderia ser chamada de “perfeita”, e isso não pode ser atribuído a nenhum outro escritor (nenhum mesmo, por melhores que sejam), nesta obra, nenhuma nota parece sair do ritmo ou distorcer sua prosa seca e objetiva. A narração segue seu desfecho como uma linha reta, quase sem desvios ou rodeios. As ações se encadeiam naturalmente, sem que o leitor perceba a “manipulação” do escritor, variando com habilidade os pontos de vista por meio de diálogos curtos, monólogos interiores dos principais personagens e descrições breves e precisas.


Veja um exemplo: Livro II, Capítulo XVIII: Tampouco é o amor que se encarrega da fortuna dos rapazes dotados de algum talento como Julien; eles se vinculam estreitamente a algum círculo e, quando esse círculo faz sucesso, todas as boas coisas da sociedade chovem sobre eles. Infeliz do homem de estudos que não pertence a algum círculo, irão codená-lo até pelos pequenos sucessos mais duvidosos e a virtude elevada triunfará, roubando-o. Pois bem, senhor, um romance é um espelho que se carrega ao longo da estrada. Tanto pode refletir para os seus olhos o azul do céu como a imundície do lamaçal da estrada. Por acaso o homem que carrega o espelho em sua sacola poderia ser acusado de imoral? Seu espelho mostra a sujeira e o senhor acusa o espelho? O senhor deveria acusar o longo caminho onde se forma o lamaçal e, sobretudo, o inspetor das estradas que deixa a água apodrecer e o lodo se acumular.


O problema de Julien, com o qual ele definitivamente não conseguia lidar é que: o erro dos homens grandes é julgar a vida a partir de sua imaginação, em muitas situações do cotidiano, sejam elas vivenciadas na alta sociedade ou não, suas escolhas podem sim necessitar de algum senso prático; você deve encarar e aceitar que a vida não é feita somente de abstração, caso contrário estará fadado a viver em uma fantasia que nunca irá se realizar.

Igor 09/01/2016minha estante
Meu caro, acredito que esta resenha esteja com spoilers, não?




JJ 24/11/2017

O Vermelho e o Negro é uma das maiores obras para materializar o conceito de "livro clássico". Dividido em duas partes, é marcado pela densidade da história, com foco quase exclusivo nos fatos que compõem a vida de Julien, protagonista da trama. A trama se passa no período pós-Napoleônico, em que os resquícios da luta entre nobres e burgueses são de fácil identificação. No limbo da falta de oportunidades, Julien se mostra desde cedo um autodidata dividindo o amor ideológico entre o militarismo e o cristianismo. Conhecimento prévio em História pode tornar a leitura de O Vermelho e o Negro mais prazerosa, mas não é uma condição sine qua non, uma vez que a pungância das aventuras narradas pelo autor francês é o suficiente para que o clássico seja apreciado.

Por óbvio, não explora a psique dos personagens mais constantes e até mesmo alguns temas que poderiam ser mais desenvolvidos são apresentadas com pouca profundidade - para não dizer com superficialidade. Alguns exemplos na primeira metade podem ser creditados aos déspostas esclarecidos que ganhavam força no interior da França e no coadjuvantismo e vulnerabilidade das mulheres, que precisavam conviver com leis protecionistas às vinganças de seus maridos (ou seriam donos?) em casos como os de adultério. É uma obra bem linear, com foco na aventura romântica. A ambientação do leitor em questões políticas e sociais está ali, mas com a impressão de que Stendhal talvez não tivesse a mínima noção do potencial e natureza documental de seu escrito. As boas intervenções do autor são reduzidas e os monólogos internos dos personagens, mesmo que propositalmente assim, não precisavam ser tão confusos em alguns momentos.

O início do livro 2 acrescenta um tempero político, mas por pouco tempo, apenas para demonstrar que o conflito na França atingiu o interior quase que no mesmo momento em que Julien parte para Paris. Uma camada interessante de O Vermelho e o Negro é tratar dos tentáculos do clero, sempre à procura de poder e dinheiro, se permitindo desenvolver argumentos e ideologias extremamente convenientes. O autor usa o tédio da própria história (cada metade possui um capítulo com este título) para desenvolver o amor de Mathilde de La Mole por Julien. A insistência em abordar desencontros amorosos compromete um pouco o ritmo da trama, mas quando o capitulo XXIII do Livro II retrata a ascensão do ideal republicano, a obra ganha força. O autor encontra o tom na aventura romântica quando passa a tratar o amor como uma guerra, onde por vezes o outro é o inimigo e é preciso muita estratégia para sair vitorioso. As primeiras consequências que o poder estar atrelado ao dinheiro causa também é uma ótica interessante, que transforma a conclusão dramática da obra bastante coerente.

Na página 604 da edição lida um parágrafo genial sobre questões sociais diz: "Não existe um direito natural: essa expressão não passa de uma tolice antiga bem digna do promotor que me acusou naquele dia, e cujo antepassado foi enriquecido por um confisco de Luís XIV. Só há um direito quando há uma lei que proíba de fazer alguma coisa, sob pena de punição. Antes da lei, só eram naturais a força do leão ou a necessidade da criatura que tem fome, que tem frio, numa palavra, a necessidade... Não, as pessoas honradas não passam de velhacos que tiveram a sorte de não serem apanhados em flagrante delito". Um raro momento em que se vê claramente o potencial de Stendhal para delinear grandes discursos e que - talvez - o aprofundamento em sua obra revela material tão precioso quanto este.
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natmic 03/09/2017

O Vermelho e o Negro
Julien não é nem herói nem vilão. Se sente inferior aos demais e sempre procura ascender socialmente. Suas atitudes me pareceram equivocadas, devido à necessidade de se igualar as castas superiores... incrível como um personagem parece ser real, afinal, ninguém é inteiramente bom, inteiramente ruim, inteiramente certo ou errado!
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Aninha 21/12/2009

É um livro fabuloso e eu não vou criticar só porque não achei ele tão bom.
Clássico da literatura francesa, escrito há muito tempo, expondo um outro cenário social e político; não me apaixonei pela história, mas gostei muito do personagem principal.
Talvez se eu relê-lo daqui a uns anos, minha opinião mude.
Mas por agora: Bom, mas não tanto."
Prim 02/03/2011minha estante
muito legal e honesta sua opinião.


Pablo Pacheco 29/06/2012minha estante
Concordo contigo. Principalmente o meio da história é chato pra caramba.


Alberto.SArgio 20/02/2017minha estante
Comecei a ler agora mas tb achei enfadonho e abandonei. Pretendo retornar com mais paciência.




Thiago Macedo 10/09/2013

BRILHANTE
Estará eternamente no hall dos melhores livros que já vi na vida. Rico, agregador, filosófico, emocionante, impecável. Julien Sorel é o personagem mais humano e mais imprevisível que tive o prazer de acompanhar em uma leitura, simplesmente um dos melhores protagonistas de toda história da literatura. 600 páginas que valeram a pena.
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