A Guerra dos Tronos

A Guerra dos Tronos George R. R. Martin




Resenhas - A Guerra dos Tronos


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Arthur Barros 25/08/2011

A Guerra dos Tronos
Resenha é o caraleo.
Lê çaporra que o livro é foda
Juliana ;* 12/08/2012minha estante
kkkkkk' Ai meu Deus!
Tive que votar em gostei pra esse comentário.


Rick, o Tímido 19/11/2012minha estante
Eu não diria nessas palavras, mas é basicamente isso


Bia Guedes 26/12/2012minha estante
KKKKKKKK


Patrick O. 31/03/2013minha estante
kkkkkkkkkkkkkk
'dorei


thejandrade 17/07/2013minha estante
KKKKKKKKKKK rindo muito ;)


Ana 03/12/2014minha estante
HEAUHEAUHEUA ta certo!


Polícia Resenha 04/12/2014minha estante
Como ousa insultar as resenhas?!!
Revise!


Douglas 15/02/2015minha estante
Meça suas palavras, parça.


Mi 19/09/2015minha estante
HUEHEUHEUHEUEHUHEUEHUEH MDS


GuiHenrique 01/10/2015minha estante
HUADHASUDHASDUAHSDUASDH' Faço da suas às minhas palavras.


Sara 12/10/2015minha estante
Putz! UHDAIUDHSAIDH Exatamente!


Goldie 22/10/2015minha estante
MELHOR COMENTÁRIO kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


Kelli 15/12/2015minha estante
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH RINDO DE HOE ATÉ O ULTIMO LIVRO SER LANÇADO


Giovani.Teixeira 19/12/2015minha estante
eu ja vi a serie e to lendo os livros agora,alguem mais ta fazendo isso?acham q vale a pena?estou no primeiro livro e ate agora esta tudo muito igual a serie de tv


Thamyres 10/02/2016minha estante
Melhor comentário *-*


( KA ) 18/02/2016minha estante
kkkkkkkkkkkkk. Meus sentimentos estão descritos nessas palavras!


Ludwig.Lima 05/04/2016minha estante
eu já assisti a série a leitura é menos boa por isso?


Karina 13/05/2016minha estante
Eu assisti antes à primeira temporada da série e depois iniciei a leitura dos livros. Por mais que a primeira temporada seja fiel e bem feita, não tem comparação, o livro é muito superior como era de se esperar. Além do que, a série vai se afastando cada vez mais dos livros com o passar das temporadas.

Os livros são simplesmente foda. Arthur de Souza falou tudo. Não deixem de ler.


Mimi Maciel 24/09/2016minha estante
ahuahuahuaha a resenha que mais me instigou a ler o livro.


juanfrs 08/11/2016minha estante
Ok. Depois dessa, só me resta em começa a ler o livro. kkkk


Ketlen S. 27/11/2016minha estante
Disse tudo heheuehheueuehehhe


Muni 16/01/2017minha estante
Partilho do mesmo sentimento!


Daniela 25/08/2017minha estante
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk, nao aguentei tive de dar um salve lol


Natiele Soares 04/10/2017minha estante
Já assisti a série, e li o primeiro livro, e achei a primeira temporada da série muito fiel ao livro! Mas amei a leitura, é muito envolvente !


jota_K 30/11/2017minha estante
melhor comentário! top!


Leonardo 05/04/2018minha estante
Melhor definição que vi aqui no Skoob. Livro fodasticamente foda pra caraleo


Anny-Chan 21/07/2018minha estante
Kkkk é isso aí! XD


Paula Braz 26/10/2018minha estante
Comecei a assistir a série e adorei. Comecei a ler o livro e estou completamente apaixonada. É bom demais. É viciante. Kkkkkkk...


Taizê Meneses 10/03/2019minha estante
AHHAHAHAHAHAHA Melhor comentário




Fran Kotipelto 13/07/2011

"Design Your Universe (A New Age Dawns, Part VI)"

" E mesmo com infinitas possibilidades jogando contra nós, acabamos nos conhecendo, e puta que pariu,se isso não for "Ka" dear Jow, então estamos diante de uma zona morta no universo, e caralho, esta segunda opção não me agrada e nem faz sentido pra mim." (Fran Kotipelto)

Como já comentei em outras resenhas minhas, e em várias conversas, venho defendendo que o universo está totalmente interligado de alguma forma, uma forma maluca até, mas está interligado. E sempre que leio um livro, fico pensando de que forma a ideia para uma resenha sobre o mesmo vai surgir, como um "insight". E durante uma dessas conversas em que eu citava o destino, tempos atrás, pra ser mais exata no dia 14 de abril de 2011, eu havia proferido uma frase que pensei que merecia um destaque em alguma resenha,(e até disse pra o Jow que ele poderia usá-la caso tivesse um "insight" antes de mim) em um futuro não muito distante,e ela então ficou arquivada até que comecei a ler "A Guerra dos Tronos:As Crônicas de Gelo e Fogo", e eu percebi que a frase clamava para ser utilizada (desculpe dear Jow,depois conversamos mais e outras frases surgirão).

Assim que a frase me veio à mente, junto com ela veio a canção "Design Your Universe (A New Age Dawns, Part VI)"da banda Epica e eu pensei: Porra, melhor trilha sonora pra ler a obra e resenhar sobre ele, não há,e segue a tradução:

"Estamos cegos e ansiosos
Avareza nos levará de volta para o vazio
Aqueles que apostam tudo terão que nomear uma razão
Se você não consegue deixar, você terminará de mãos vazias
Se você não pode controlar, viverá sua vida em vão
Quem decide sobre o meu tempo que virá?
Quem pode penetrar o círculo de vida e destino?

Não olhe para trás
Mantenha-se no rastro para quebrar a maldição
Agarre a chance
Desenvolva seu universo

Nós não podemos desfazer o que fizemos
Então nos mostre agora o que nos tornamos
Nos confronte com nossa crueldade
E nossa fraqueza
Não podemos nos esquivar de nosso destino
Então mostre reponsabilidade
Por que nós todos certamente temos um senso
De nossa consciência

Levar para a causa de conquista
Deixará um caminho de perda e tensão
E um rompimento infinito de fé pode juntificar atos de traição
Se você não consegue deixar, você terminará de mãos vazias
Se você não pode controlar, viverá sua vida em vão

Quem decide sobre o que é verdadeiro ou falso?
Quem é capaz de separar o tesouro do gancho?

O tempo veio, nós temos que ver
Que total sabedoria está em alcance
O tempo veio pintar nas linhas
Nós devemos identificar os sinais

Tantas pessoas estão cheias de ódio
Enquanto amor e luz estão ao alcance delas
Tantas pessoas irão prejudicá-las
Mas a vida pode ser tão bonita

Tantas pessoas idolatrarão
Enquanto o próprio sucesso está ao alcance delas
Não esqueça que você é capaz de
Desenvolver o seu próprio universo

Ache seu equilíbrio, afunde em reflexão

Descubra-se

Domine o universo
Domine todo o mundo"

Vocês podem estar pensando "que porra isso tudo tem a ver com A Guerra dos Tronos?" e eu sorridentemente lhes digo: "TUDO, ABSOLUTAMENTE TUDO!"

Eddard "Ned" Stark, nobre protetor das terras do norte, é amigo pessoal do rei Robert Baratheon e é convocado por ele a ocupar o cargo de 'A Mão do Rei' – o que é mais ou menos uma espécie de ministro que governa em nome do monarca - .Junto com essa notícia, Ned também sabe que o inverno está chegando, o verão durou aproximadamente 10 anos, e quanto maior o verão, pior e mais longo será o inverno que está por vir. Junto com ele, vem maus presságios, criaturas estranhas e malignas. (Que aparecem timidamente na trama, já que o centro da obra são as casas nobres de Westeros e a sua luta no jogo de tronos,mas não fiquem desapontados, porque esse é um dos grandes trunfos da narrativa de George Martin).Ned relutantemente aceita a incumbência, movido pelo objetivo de proteger seu rei e investigar uma possível conspiração arquitetada pela própria rainha, a ambiciosa Cersei Lannister, e seu irmão gêmeo Jaime.

Pouco a pouco, no entanto,vamos descobrindo que nem tudo é simples e bonito como parece: Robert é, na verdade, um usurpador – anos antes, com a ajuda de Ned, ele havia destronado Aerys II, o chamado “Rei Louco”, representante dos Targaryen, a antiga dinastia que havia unificado os sete reinos que outrora formavam Westeros.

Tendo sido influenciado pelas obras de dois autores que eu sou apaixonada, William Shakespeare e Bernard Cornwell, George R.R. Martin cria uma verdadeira obra-prima onde nada é o que parece, onde honra,culpa,medo,ambição,orgulho,inveja,redenção,amor e ódio formam uma linha tênue.

A Guerra dos Tronos é um livro empolgante do começo ao fim.Praticamente impossível começar a lê-lo e não ter a sensação que se está partindo para um inverno rigoroso e longo em um reino fantástico,onde depois que se conhece ele começa aquecê-lo e acolhê-lo de uma forma que poucos livros são capazes de fazer.

Cada dia que passa eu acredito mais no Ka-tet (vide A Torre Negra/Stephen King), e nem acredito que a frase tenha vindo à minha mente durante a leitura por acaso, não acredito que a música "Design Your Universe (A New Age Dawns, Part VI)" tenha vindo à minha mente por acaso, e acima de tudo, não acredito que você leu esta resenha por acaso e sinceramente não posso acreditar que após lê-la,sua curiosidade em ler 'A Guerra dos Tronos' não tenha aumentado. E tenha certeza de que vale a pena, vale muito a pena.

"O inverno está chegando..."

Alan Ventura 13/07/2011minha estante
Fico até meio sem jeito de comentar tuas resenhas, são sempre geniais. Adoro o Epica, e particularmente essa canção que você citou. Sua frase é perfeita e realmente descreve o Ka. Enfim, a cada resenha você nos delicia com suas palavras e desperta-nos o desejo de ler a obra em questão, como poucas pessoas e resenhas são capazes. Meus parabéns. Esplêndido! o/


Luh Costa 14/07/2011minha estante
Resenha magnífica!
Já ouvi falar do livro e tenho visto comentários a respeito mas nada que me surpreendesse como sua resenha. Nada que despertasse o interesse pelo livro. Você escreve super bem e esse dom não deve ser "por acaso". rsrs
Um beijo e parabéns!


Jow 19/07/2011minha estante
Enfim o livro que sua grandiosa frase estava esperando apareceu!
Endosso os comentários do Alan e da Luh, e tudo se resume em apenas uma mínima palavra: Ka.


Jonathan 23/07/2011minha estante
Virei seu fã, apesar de ter lido poucas resenhas ( naõ se preocupe, irei me atualizar) você escreve muito bem e tem uma ótima visão dos fatos.

Com relação a esta resenha em especial só posso dizer que me deixou com água na boca, já queria ler este livro mas agora esta vontade é quase insuportável. Parabéns!!


l JaoO l ;D 29/07/2011minha estante
Perfeita !

Eu comprei esse livro, porem estava pensando em ler outros dois antes, mais quando eu li essa sua resenha incrível, A Guerra Dos Tronos sera sem duvida o próximo livro que eu vou ler...

Poucas vezes li alguma resenha tao convincente como esta.. Parabéns !


Rafael Isidoro 17/02/2012minha estante
Caralho!!!
acho que essa foi a melhor resenha que li em toda a minha vida!
Antes eu tava na duvida se compraria esse livro, mas agora eu tenho ctza!!!
E agora vou ler, não só o livro, mas tbm, ouvir essa musica!! =]
Parabéns!!!


ciça 02/04/2014minha estante
não conheço essa música.. vou procurar..


Ariosto 30/07/2015minha estante
Eu amo essa musica e nunca tinha ligado ela com esse livro... Concordo com tudo, mas sinto falta de um ka-tet de amigos unidos em got, como vimos na torre negra


Any 18/09/2015minha estante
Será que um "Parabéns, você me convenceu" é clichê? Se for...já era, já falei, sua resenha é sensacional! Se eu tinha alguma dúvida sobre ler ou não esse livro elas foram destruídas nesse momento! Sem mais...Não sei quando vou encontrar tempo, mas vou ler este livro!


Sangelo 25/01/2016minha estante
Eu comprei a série inteira de uma vez, desde a primeira vez que vi me apaixonei. Comecei a ler o primeiro livro mas parei por conta de trabalhos da facu e outras leituras e me pergunto se estou doido por não ter terminado ainda e continuado a série, mas vem aquela ansiedade de terminar de ler todos os cinco antes do sexto e não poder continuar a história. De qualquer forma seu texto estava perfeito e atiçou a minha curiosidade por outra serie que já estou pesquisando A Torre Negra. Parabéns pela resenha.


Mari Baptista 17/05/2017minha estante
Amo demais essa música! Que resenha, parabéns!




Antonio Luiz 18/11/2010

Shakespeare no liquidificador
O primeiro livro da série "As Crônicas de Gelo e Fogo" do roteirista e escritor estadunidense George R. R. Martin, "A Guerra dos Tronos", chegou ao Brasil cercada de muita expectativa. Com sucesso maior que o esperado, a série inicialmente concebida como trilogia foi promovida a heptalogia e um quarto livro foi publicado, em 2005. Vendeu, até agora, 7 milhões de exemplares, metade dos quais nos EUA. A rede HBO programou um seriado baseado nas Crônicas, que deverá estrear a partir de março de 2011. Até lá, espera-se que saia o muito adiado quinto volume.

O autor publicou seis novelas (romances curtos) derivados, ambientados no mesmo mundo ou com os mesmos personagens, além de licenciar brinquedos, jogos de cartas e de tabuleiros, videogames, RPGs e assim por diante. O livro de 1996 e suas duas primeiras sequências, de 1998 e 2005, receberam o prêmio Locus e houve quem o saudasse como “a mais importante obra de fantasia desde que Bilbo encontrou o anel”.

Com certo exagero, deve-se ressalvar. Gostos variam, mas muitas obras de fantasia marcaram época entre "O Hobbit" de Tolkien (1937) e 1996, incluindo as séries "Gormenghast", de Marvin Peake (iniciada em 1946), "Elric de Melniboné", de Michael Moorcock (iniciada em 1972), e a satírica "Discworld" de Terry Pratchett (1983). Mesmo assim, o sucesso incomum da série de Martin, principalmente nos EUA, justifica alguma atenção.

Baseia-se em parte na Guerra das Duas Rosas, uma série de disputas dinásticas pelo trono da Inglaterra ao longo dos reinados de Henrique VI, Eduardo IV e Ricardo III, de 1455 a 1485. Opôs as casas de York (cujos servidores usavam rosas brancas como emblema) e Lancaster (rosas vermelhas), que na obra de Martin, se tornam as casas Stark (simbolizada por um lobo) e Lannister (um leão), que disputam o poder em Westeros, cujo rei Robert Baratheon tomou o trono de um enlouquecido Aerys II Targaryen ao fim de uma violenta rebelião.

Fãs notam influências de Walter Scott (autor de "Ivanhoé"), Cervantes e Lovecraft, mas parece bem mais importante a de Shakespeare – embora Martin, ao contrário do grande dramaturgo inglês (súdito e adulador de Elizabeth I Tudor, herdeira do triunfo final dos Lancaster), faça dos Stark/York os heróis e dos Lannister/Lancaster os vilões. Outros arcos narrativos entram em jogo, mas o mais importante no primeiro volume é o de Eddard “Ned” Stark, chefe da sua casa, em torno do qual giram as histórias. A cada capítulo, muda o ponto de vista, passando pelo pai, pela esposa e por quatro dos seis filhos e filhas vivos, incluindo um bastardo. Há ainda capítulos narrados do ponto de vista de um dos Lannister e outros de Daenerys Targaryen, filha de Aerys II, aos quais voltaremos depois.

Eddard lembra de várias maneiras vários heróis de tragédias shakespearianas, a começar pela maneira como caminha inexoravelmente para a desgraça sob os olhos do leitor. Também como em Shakespeare, sua infelicidade se funda na decomposição dos valores feudais.

Um mundo perfeitamente feudal e medieval, esse tipo de tragédia não tem lugar: Cada um é chamado a cumprir sua tarefa atribuída pela ordem divina – orar, guerrear ou trabalhar. Só cabe o auto religioso, a representação imutável de papéis prescritos por toda a eternidade. O Senhor dos Anéis, por exemplo, é uma espécie de auto no qual Gandalf faz o papel de Cristo como pregador e líder dos apóstolos, Frodo, o Cristo sofredor que carrega a cruz e sobe o Gólgota e Aragorn, o Cristo-Rei que comanda os exércitos do bem no Apocalipse e todos aceitam seus papéis sem contestá-los. No mundo do capitalismo, também não cabe a tragédia shakespereana: as pessoas buscam seus direitos, lutam por seus interesses privados e acham isso justo. Cabe o drama, a luta do personagem por autoafirmação na concorrência com rivais.

O trágico está na inadequação dos valores à realidade durante a transição para a modernidade. A noção de contrato de direito natural ainda não compete com a de juramento feudal, nem a de fidelidade com a de interesse. Ainda não há uma solução moderna para o problema da soberania e sua disputa se torna um empreendimento cínico e sem sentido, no qual o herói não consegue acreditar: “A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada”: Macbeth age como um discípulo de Maquiavel, mas julga a si mesmo como um moralista medieval. As paixões e necessidades do protagonista o impelem a agir contra os ideais herdados do feudalismo (ou deixar de agir a favor, no caso de Hamlet), mas não há outros nos quais possa acreditar.

Eddard não tem, porém, a envergadura de um herói trágico shakespeariano. É apenas patético, porque não interioriza a contradição. Ela é externa, projetada como o conflito entre ele e a corte. O patriarca Stark não é uma vontade moderna com uma consciência medieval, mas um senhor feudal da Alta Idade Média perdido na Renascença como um viajante no tempo. Vem de um feudo tradicionalista onde os senhores executam pessoalmente os condenados, governam de um castelo auto-suficiente entre aldeias esparsas e se impõem aos vassalos pela coragem física. Um rei tolo, incompetente e ocioso o nomeia principal ministro numa grande capital portuária e mercantil onde reina o dinheiro, para uma corte cujas intrigas estão além de sua compreensão. Para os Stark, honra é lealdade incondicional; para a corte e seus rivais Lannister, é pagar as dívidas (o que é tanto uma promessa quanto uma ameaça).

Eddard não consegue entender, por mais que lhe expliquem. O leitor acompanha, consternado, como insiste nos mesmos erros óbvios, confia em quem não deve, desafia as pessoas erradas na hora errada e reivindica uma autoridade moral que ninguém lhe reconhece. Acaba por parecer bronco demais para merecer admiração ou mesmo comiseração do leitor: é a tragicomédia do caipira inexperiente na cidade grande, caindo em todo conto do vigário que se lhe apresenta. A impressão de estupidez é reforçada pelo fato de que o segredo que luta por desvendar ao longo da maior parte do livro não só é conhecido da corte como revelado ao leitor nos primeiros capítulos: a rainha Cersei é amante do próprio irmão gêmeo, o belo Jaime Lannister. O curioso é que Eddard acaba por encontrar a resposta por meio de uma genética mendeliana inacessível aos mais brilhantes medievais.

Os filhos, mais vítimas das circunstâncias do que protagonistas, oferecem ao leitor intrigas secundárias e personagens para amar e odiar. Bran é um garoto que é aleijado pelo inimigo e reduzido a espectador impotente dos acontecimentos desde o início da história. Jon Snow, o bastardo, nos apresenta a Patrulha da Noite à qual é enviado, um corpo de guardas votado à castidade e à guarda da muralha que demarca a fronteira norte do reino de vagas ameaças anunciadas no prólogo, mas que só começam a se concretizar perto do fim do livro.

Sansa consegue ser mais simplória que o pai, o que não é dizer pouco. Vaidosa que sonha com os luxos da corte, os romances da cavalaria e o prometido casamento com o príncipe herdeiro, deixa os inimigos manipularem seu ingênuo egoísmo para a ruína da família. Arya é uma menina rebelde, esperta – em comparação com o pai e a irmã, bem entendido – que gosta de se portar como moleque, aprende habilidades “masculinas” e graças a isso se safa, provisoriamente, do desastre.

A corajosa esposa Catelyn, nascida na casa Tully, tem um papel mais importante e uma estatura mais respeitável. Como muitas heroínas shakespearianas – pense-se em Lady Macbeth, Julieta ou a Pórcia de O Mercador de Veneza –, mostra mais ousadia, astúcia, bom-senso e energia que seu parceiro na defesa dos interesses comuns.

Tyrion Lannister, irmão mais jovem da rainha e anão (no sentido clínico e não no mitológico), é o protagonista mais ambivalente do livro. Pertence à família dos vilões, mas se relaciona com ela pelo desprezo mútuo. Busca seu apoio nos momentos difíceis, mas de resto é um individualista astuto, que procura tirar da vida o melhor que sua condição lhe permite sem causar males desnecessários, apesar de ser impiedoso na vingança. Inteligente, cínico e descarado, proporciona os raros momentos de humor (embora sombrio) e percepções agudas em um livro na maior parte do tempo sério e obtuso como Eddard Stark.

A personagem mais impressionante é, porém, Daenerys, a herdeira dos Targaryen, que vive uma história independente da trama principal, embora destinada a cruzar-se com ela em futuros volumes. Aos treze anos, o irmão, exilado com ela no continente para além do Mar Estreito, a dá em casamento a Drogo, um grande chefe nômade à imagem e semelhança de Átila ou Gengis Khan, com a esperança de que este o ajude a reconquistar o trono usurpado a Aerys II. Numa série de improváveis peripécias, a garota tímida, medrosa e submissa se assume como dona do seu destino, se torna uma amante fogosa, uma rainha respeitada e por fim a líder temível de um povo feroz. Soma dois clichês algo racistas da literatura de aventura colonial – a mocinha branca submetida à lascívia de selvagens brutais e o solitário aventureiro europeu que mostra sua superioridade sobre os nativos e torna-se seu rei-deus –, mas a combinação e suas vias heterodoxas resultam numa inovação interessante.

Os capítulos de Daenerys foram publicados também como a novela independente "Blood of the Dragon" (O Sangue do Dragão), primeiro na Isaac Asimov Magazine e depois na antologia "Quartet: Four Tales from the Crossroads". Ganhou em 1997 o prêmio Hugo, o mais importante da fantasia e ficção científica estadunidense. Deve soar mais provocante que o livro completo, ao qual seus capítulos acrescentam pitadas bem-vindas de exotismo, sensualidade e fantasia mágica a um livro na maior parte do tempo puritano, monótono e “realista”.

Pode parecer um paradoxo que um épico de fantasia medieval se faça notar pelo realismo, mas essa é a característica mais apontada pelos admiradores, que o contrastam com o idealismo de autores como J. R. R. Tolkien e seus imitadores. A trama não é governada pelo enfrentamento entre o Bem e o Mal, mas por interesses materiais de famílias poderosas. Astúcia e força bruta usualmente prevalecem, seja qual for o lado que esteja com a razão ou represente o bom, o belo e o verdadeiro. Ao menos neste volume, não está em jogo a salvação do mundo ou a perdição da humanidade, mas um “mero” trono, a magia não tem papel importante (salvo na história de Daenerys) e os conflitos são meramente humanos. As ameaças sobrenaturais do gelo (os “zumbis” do norte) e do fogo (dragões) estão presentes, mas só no final do livro começam a insinuar que terão um papel importante nas sequências.

O realismo é também ressaltado pela rudeza e concretude aparente do cenário. A aparência física dos personagens é dada de maneira minuciosa e frequentemente impiedosa, com ênfase em defeitos físicos e cicatrizes horrorosas. Idem quanto a seu comportamento, incluindo a exata maneira como se embebedam, escarram, copulam, adoecem, sangram e morrem. Árvores, construções, paisagens e armas são descritos com pormenores que parecem querer proporcionar a sensação de se assistir a um filme em alta resolução.

Como geralmente se dá em Hollywood, este é um realismo ilusionista. Embora recorra aos diferentes pontos de vista de diferentes personagens, a narrativa (em terceira pessoa) quer mostrar o real “como é” e não como uma construção. O campo de visão é sempre parcial, mas dá impressão de objetividade, de acesso direto ao que cada personagem de fato vê, supõe ou sabe em determinado momento, sem mediação ou contradição. E o que mostra é quase sempre tradução de clichês do cinema e da literatura “realistas” atuais. O senso comum e as crenças do leitor – exceto, talvez, do mais inexperiente – raramente são desafiados.

Pode passar despercebido ao leitor, por exemplo, o quanto a história é maniqueísta, ainda que não da mesma forma que um "Nárnia" ou "O Senhor dos Anéis". Não há uma guerra explícita entre o Bem e o Mal, os bons não são em geral premiados nem os maus punidos e mesmo os melhores são imperfeitos e cometem erros morais, mas não há como se enganar sobre quais são os mocinhos e os bandidos. Não se mostra visões diferentes de futuro ou de moral, mas heróis leais e honrados contra antagonistas cínicos e perversos.

É fácil deixar de notar que todos os pontos de vista, sem exceção, pertencem a uma fração ínfima da sociedade, a aristocracia. A pequena nobreza e os sacerdotes não recebem muito mais atenção que os animais, as ferramentas e o mobiliário. Os plebeus, menos ainda.

Pode-se também não perceber que, apesar de muitas cenas de sexo, frequentemente com conotações de pedofilia (do ponto de vista moderno, bem entendido – meninas se casarem aos 12 ou 13 anos era rotina na Idade Média), trata-se de uma obra puritana. Como já foi notado por outros, o único casal sinceramente apaixonado e sem fim trágico à vista é o dos arquivilões, o chefe da guarda real Jaime Lannister e sua irmã gêmea Cersei, a rainha. Os outros aristocratas espalham filhos ilegítimos pelo mundo com indiferença ou orgulho, mas o herói Ned Stark se tortura (e é condenado pela família) por ter gerado um único bastardo.

Os “bons”, sempre tensos e angustiados a respeito de seus deveres, são contidos em seus apetites, mostram pouco afeto sincero (salvo por seus lobos de estimação), raramente se divertem e nunca são mostrados fazendo sexo, apesar de fazerem muitos filhos. Já a gentalha diverte-se com paixão grosseira e violenta e os vilões aristocratas, de maneira refinadamente perversa, com ênfase em adultério e no incesto. Calvino manda lembranças: a obra deixa sempre a sensação de que sexo, prazer e diversão são vis e pecaminosos.

A geografia do “gelo” e do “fogo” reforça os clichês. O extremo norte de Westeros é uma terra gélida e misteriosa, habitada por selvagens e criaturas legendárias. Uma muralha a separa do norte austero, frio, diligente e austero, de fazendas e cidades pequenas, ligada por um istmo a uma babilônia preguiçosa, luxuriosa e cálida. E a leste há um continente povoado por exóticos bárbaros orientais de costumes indecentes e apetites desenfreados. De lá vieram os dragões que talvez voltem, pois lá se exilaram os últimos descendentes dos Targaryen, reis que no passado conquistaram Westeros domando os monstros cuspidores de fogo, agora supostamente extintos.

Westeros é separada de um grande continente por um “Mar Estreito”, seus habitantes têm nomes ingleses ligeiramente modificados e sua história evoca vagamente a Grã-Bretanha, mas suas dimensões são as de um pequeno continente. É grande o suficiente para que o norte semisselvagem onde está Winterfell, lar dos rudes e puros Stark, tenha um clima muito frio e seja tropicalmente quente o sul mais povoado e civilizado, sede dos luxuriosos Lannister e do antro de perdição que é Porto Real, a capital do reino. O sul cultua uma religião “pagã” de velas, templos, sacerdotes, imagens e hierarquias que evoca o catolicismo tradicional, enquanto o norte segue uma “Antiga Religião” baseada em um orações em bosques sagrados sem mediação de sacerdotes, que faz pensar nas formas mais radicais do protestantismo.

Uma peculiaridade desse mundo é que as “estações” duram vários anos, de maneira não muito previsível. Não se tenta encontrar nenhuma justificativa astronômica ou meteorológica, nem explicar como a vegetação, os animais e a agricultura se adaptam a isso. É antes uma metáfora: “O inverno está chegando” é o lema dos Stark e uma indicação do clima ambivalente do primeiro livro: parece indicar tanto o receio do fim da abundância quanto a esperança de que os valores puros da austeridade, do trabalho duro (para os camponeses) e do inverno voltem a prevalecer sobre as forças corruptoras do luxo, do prazer e do verão.

Vale notar que Westeros é formada por duas massas de terra, norte e sul, ligadas por um istmo, o “Gargalo”, o que vagamente a configuração das Américas. Em certo nível de interpretação, seria Winterfell a América do Norte e o sul a América Latina? No norte há neve e lobos e no sul abundam frutas sumarentas e se mencionam árvores de pau-brasil e pau-ferro. Estes nomes podem ser escolhas discutíveis do tradutor para os originais redwood e ironwood, que podem se referir também a espécies de climas temperados, mas Porto Real é uma grande cidade à beira-mar onde há morros, favelas e, nas palavras entusiasmadas do rei que tanto consternam Ned Stark, “as mulheres perdem toda a modéstia ao calor. Nadam nuas no rio, mesmo por baixo do castelo. Até nas ruas está calor demais para lã ou peles e elas andam por aí com aqueles vestidos curtos (…) quando começam a suar e o tecido lhes adere à pele, é como se andassem nuas”. Não soa como um clichê sobre o Rio de Janeiro?

Alguns admiradores brasileiros se queixam na internet da tradução: em vez de procurar um tradutor brasileiro, a portuguesa Leya comprou da editora Saída de Emergência os direitos para o Brasil da tradução portuguesa de Jorge Candeias (transação sem remuneração ou aviso ao tradutor, que se disse “estupefato”) e a adaptou superficialmente para o português brasileiro, substituindo mecanicamente construções em infinitivo por gerúndios, a segunda pessoa pela terceira e certos acentos e ditongos – por exemplo, de “o Inverno está a chegar” para “o inverno está chegando”, de “os mortos assustam-te” para “os mortos o assustam”, de de “crónicas” para “crônicas” e de “papoilas” para “papoulas”.

O tradutor original foi perfeitamente competente para o público português que tinha em vista. Do ponto de vista da compreensão das intenções do original, bem como da correção gramatical, o resultado é melhor do que muitas traduções de livros de fantasia feitas por brasileiros. Mas parece ter prejudicado a legibilidade da obra para o público-alvo de adolescentes e jovens adultos pouco acostumados ao português europeu. Não seria grande problema num conto ou romance curto, mas pode ser desencorajador em um livro de 592 páginas que seria o primeiro de uma série de sete. Para um brasileiro, a narrativa e os diálogos, mesmo “adaptados”, soam demasiado formais, além de carregados de termos pouco familiares, o que não está de acordo com o espírito do original.

Considerando tudo, vale a leitura? O leitor deve ser prevenido que a leitura é longa e inconclusiva, sem um fechamento satisfatório neste ou em qualquer dos volumes já publicados e a série, como muitos folhetins e telenovelas, corre o risco de ser encerrada pelo desinteresse do público ou do autor antes de chegar a uma conclusão lógica.

Tem algo de Shakespeare, mas sem suas percepções originais, voos de retórica, momentos de humor e desfechos grandiosos. É como um coquetel homogeneizado do Bardo de Avon com chavões da fantasia medieval, filtrado pelas lentes de um realismo psicológico e ilusionista moderno. À parte a rudeza e o clima peculiar, o mundo em que se passa a história é bastante convencional, salvo, talvez, por seus bárbaros nômades do Oriente. Os seres sobrenaturais citados – dragões, zumbis e outros – seguem clichês tradicionais.

O que tem de mais atraente, compartilha com as telenovelas e séries dramáticas: permite envolver-se com um grupo variado de personagens e com seu crescimento, suas aflições e suas intrigas intermináveis e esmiuçar sua psicologia à exaustão. Não faltam personagens sofredores e indefesos para se sentir compaixão, bem como malvadas e malvados, cínicos e arrogantes, para odiar com todas as forças. Só nos anexos do primeiro volume são listados cerca de 150 personagens vivos e 50 mortos – e isso inclui apenas as grandes casas aristocráticas e seus agregados, ignorando plebeus avulsos. O número de “tropos” ou chavões também é surpreendente: o site tvtropes.org lista mais de 500 para os livros já publicados!

O leitor que busca na literatura o que a tevê não sabe ou não quer dizer talvez investisse melhor seu tempo lendo algumas obras mais curtas, mas capazes de render mais em termos de surpresa, provocação ou diversão. Como, digamos, as peças de Shakespeare.
Eric M. Souza 01/07/2011minha estante
"O curioso é que Eddard acaba por encontrar a resposta por meio de uma genética mendeliana inacessível aos mais brilhantes medievais."

Foi, para mim, a maior falha da trama. Estou lendo Fúria dos Reis porque comprei os dois livros iniciais em promoção do Submarino.
De resto, concordo com a resenha em gênero, número e grau.

P.S.: Fiquei surpreso com isto; "corre o risco de ser encerrada pelo desinteresse do público ou do autor antes de chegar a uma conclusão lógica". Por isso, então, a demora para o quinto volume?


deborap 09/09/2011minha estante
Essa foi a resenha mais lúcida que já li a respeito de "Guerra dos tronos", pois é de fato uma análise do livro, em vez de um mero resumo. É muito mais produtivo que repetir o que os famigerados blogs de resenhistas publicam, sempre no calor da paixão por um livro que acaba por devorar o leitor. Entretanto, concordo especialmente no que se refere a Eddard Stark, que tinha tudo para ser um dos personagens mais cativantes, mas perdeu o rumo.


Pedro Henrique 13/10/2012minha estante
Boa resenha,parabéns por ter se aprofundado no assunto mas... Acho que você foi muito "exigente" com o personagem Eddard Stark, o que você chama de "caipira" e "tolo" nada mais é do que um dos poucos personagens que leva a honra realmente ao pé da letra, e ele não era tão idiota a ponto de não saber as consequências de seus atos,e justamente por ter conciência disso e mesmo assim ter seguido firme em suas convicções,é o personagem que eu mais adimirei nesse livro.


FaelMoore 30/01/2013minha estante
Uma boa resenha se vc é especialista em literatura ou um crítico. Um tanto enfadonha se vc pensa em pessoas que buscam livros apenas por entretenimento, como a maioria absoluta dos leitores.
A crítica no paragrafo final é especialmente inútil. Vamos todos deixar de ler literatura contemporânea e voltar a ler clássicos, afinal só Shakespeare é um bom escritor. Cheira a saudosismo por algo que não se viveu. Shakespeare é um grande escritor, mas não apenas dele vive a literatura.
Eu particularmente prefiro William Gibson e Frank Hebbert. Questão de gosto.


Amélia 22/08/2013minha estante
Puritano, monótono e ?realista??! Minha experiência com o livro foi justamente o contrário. Interessante como as pessoas podem ter visões opostas sobre a mesma coisa.



Douglas 30/11/2013minha estante
Muito boa sua resenha, Antonio.
Soube dissecar bem os personagens e fez um belíssimo raio-x da história. Parabéns.


Goldie 22/10/2015minha estante
Deu até vontade ler de novo.
Melhor resenha sem mais! E tu pensas da mesma forma que eu sobre a Daenerys.


Luana 24/05/2016minha estante
Chega a soar ridículo recomendar a leitura de Shakespeare como substituição às Crônicas de Gelo e Fogo. Mesmo com essa enorme resenha, tu parece não ter entendido que o público-alvo dos dois autores é completamente diferente, bem como o foco e desenvolvimento das histórias (ainda que possa ter alguns pontos bastante secundários em comum). Além disso, criticar o excesso de formalidade na escrita da série, ao mesmo tempo em que recomenda Shakespeare, é extremamente contraditório.




Jow 01/08/2011

Um jogo pra quem sabe jogar!
“Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre. Não existe meio-termo.”

As relações de poder fazem a roda do mundo girar! O destino é para muitos algo fantasioso, apenas uma construção da mente de pessoas que tentam justificar seus atos e façanhas, ou até mesmo suas irresponsabilidades e os seus medos. E a vida nada mais é que uma passagem, onde os questionamentos sobre o que fazer ou ao que se ater é algo constante e conflituoso. Na vida, alguns são induzidos a acreditar que não possuem nenhuma chance de ascensão, e que sua passagem pela terra é uma vida de sofrimento e submissão. Mas, alguns desses oprimidos, encontram dentro de si um espírito de luta, uma inflamação na alma como um fogo de dragão, que incendeia os confins da existência, e fazem dessas pessoas personagens, exemplos de caráter, honra e honestidade. Ou infelizmente, na maioria dos casos, exemplos fadados a serem o oposto daquilo que se prega ser bom: mentirosos, caluniadores, falsários, covardes. É na estranheza das condições de uma vida, e na tentativa de exercer algo de concreto para o bem ou para o “mal” que George R. R. Martin, concebeu uma das melhores aventuras dos últimos tempos. O Inverno está chegando, e a Guerra dos Tronos, já começou!

A Guerra dos Tronos faz tanto sucesso nos últimos tempos, graças a enorme competência de Martin em sua escrita. Egresso do cinema, ele possui uma criatividade e uma potencialidade na escrita poucas vezes vistas num livro. Seu poder de descrição é algo espantoso, e o modo pelo qual ele desenvolve um aspecto bastante peculiar, onde faço uma rude comparação com o imortal Tolkien. Essa alias, é a única característica no qual me atrevo a dizer que eles são semelhantes. No mais, nada se parece, o mundo que criaram, e a abordagem de fantasia que ele se propõem a construir se diferem de uma forma abismal. A literatura tem espaço para ambos.

O suspense criado por Martin permeia o livro o tempo todo, a morte figura de uma forma assombrosa no livro, e a tensão a cada decisão tomada nos reinos faz o cerco ficar cada vez mais estreito. Esqueça livros covardes! Guerra dos Tronos é um livro absurdamente audacioso, uma obra que não tem medo de revelar as mazelas dos grandes figurões, dos personagens perfeitos, dos cavaleiros galantes. Aqui a realidade bruta realmente se instaura. Vingança, ódio, trapaça, tramas horrendas são desenvolvidas a cada página virada. É um livro que se propõe a analisar segundo a visão de vários personagens a tentativa de tomada de poder por parte de muitos, a tentativa de entender o destino da vida de alguns, e a dura e conflitante realidade de quem busca encontrar um equilíbrio entre o passado e o presente de Ned Stark, e o Rei Robert Baratheon.

Temos então uma obra quase completa. Ao meu ver, a audácia no qual elogiei no livro também pode ser o seu veneno. Por ter tamanha confiança na história que quer contar George Martin pode fazer alguns leitores apegados desistirem de sua obra, por não confiarem nela a longo prazo. Afinal, para ele os personagens tem a sua importância, mas o seu objetivo é realmente contar uma história onde o apego a personagens pode ser perigoso. Se eu puder lhe dar uma dica, aqui vai ela: Pense nas reviravoltas do livro, focando as conseqüências para o reino, para a filosofia própria da história que Martin quer criar, e se deleite com os personagens até quando lhe for possível.

Entre acertos e audácias, pensamentos profundos e coragem poucas vezes vistas em uma obra, George Martin escreve nada menos que um épico, que ao falar de inverno, traições e guerras, criará um mundo em nossas mentes de primaveras, cumplicidade e harmonia, para aqueles que aprenderem a jogar o Jogo dos Tronos, afinal, não há meio termo.
Luh Costa 01/08/2011minha estante
Magnífica!
Já tinha vontade de ler o livro mas estou dando um tempo por causa da pilha de inéditos que tenho dai aparece VC com uma resenha maravilhosa????
Fica difícil!rsrsrs
Tenho ouvido falar desse livro, só comentários bons. Uma série pra marcar nossas vidas.
Abraço


Alan Ventura 02/08/2011minha estante
Sua resenha me deixou muito mais curioso pra ler o livro, como disse a Karol: "um dia, eu ainda o leio". Abração.


Rique e Polly 07/08/2011minha estante
Ótima resenha, como sempre. E concordo com o que você falou: "Esqueça livros covardes!"... realmente ele não tem apego a personagens, mas acredito que se o livro só tivesse saído após o seriado ele não teria suportado a pressão e mantido alguns personagens.


Fran Kotipelto 28/08/2011minha estante
Com certeza uma obra audaciosa, mas muito audaciosa mesmo. Impossível não se apaixonar por esse escritor,por essa obra e por tudo que esse mundo magnífico pode oferecer. E sua resenha dear Jow, impede qualquer ser humano sensato de votar "Não gostei".Meus parabéns.




natan_dino 08/12/2010

O inverno está para chegar?
No primeiro momento que me deparei com "A Guerra dos Tronos" imaginei que tipo de livro seria este. Com uma procura rápida na internet encontrei que, além de ser um livro, a obra estava sendo transformada num seriado do canal HBO. Mas não foi isso o que mais me impressionou.
George R.R. Martin, autor da obra, é considerado como o "Tolkien Americano" em diversos sites e grupos de leitura. Isso me impressionou.
O fato de ele ser comparado ao escritor que, pelo menos para mim, é o maior de todos os tempos, fez com que eu me interessasse pela leitura. E após algum tempo eu li. E não gostei do que li.

O livro é dividido em capítulos, como o usual, mas numa tentativa de inovar, Martin decide que cada capítulo será focado em um personagem distinto. É uma idéia excelente, mas precisa ser bem feito, coisa que não acontece. Lembro que um método parecido foi utilizado por Bram Stoker, na obra "Drácula", mas o antigo escritor sabia prender e entrelaçar os personagens. Martin cria histórias com cada um deles, o que torna a leitura, em algumas vezes, enfadonha.
Não há como se negar a profundidade da trama e a habilidade do escritor, mas o livro é lento e arrastado. Alguns personagens são totalmente descartáveis, e o personagem mais profundo e complexo do escritor, tem uma história fraca no final. Acredito que a história poderia girar naturalmente em torno de Lorde Eddard Stark (sim, Stark como o personagem da Marvel) e de Daenerys, a princesa descendente dos dragões, e isso seria mais proveitoso para o leitor. Obviamente é apenas a minha opinião. Na tentativa de abranger todos os personagens da trama, Martin peca ao não conseguir prender a atenção e derruba a afinidade que muitas vezes nasce entre o leitor e um personagem especial. No fim das contas, o livro parece ter sido escrito para virar um seriado. Talvez este seja um pouco melhor.

E que os fãs me perdoem, mas comparar George R.R.Martin ao Tolkien foi, no mínimo, uma brincadeira de mau gosto.
Tell 16/12/2010minha estante
Um grande problema que eu vejo é que a crítica comparou Martin com Tolkien de várias maneiras e isto criou expectativas diferentes e de certo fará com que muitos fãs de Tolkien vejam a obra com certo preconceito.

Primeiramente, eu não terminei o livro, mas sei que As Crônicas do Gelo e Fogo não tem ABSOLUTAMENTE NADA EM COMUM com o universo fantasioso da Terra-média de Tolkien. E todos os interessados em ler a obra de R. R. Martin devem estar cientes disso.

Muitos fãs de Tolkien, como você, lerão este livro e procuraram batalhas épicas, magias, criaturas fantásticas e ficarão frustrados com o livro. O grande problema é que isso apaga o brilhantismo do livro.

Os personagens da Guerra dos Tronos são muito mais complexos e próximos de nós do que qualquer Hobbit do Condado. Eu não queria entrar nesse mérito de Tolkien > Martin ou Martin > Tolkien, mas vamos abrir a mente e notar a gigantesca diferença entre as duas formas de contar uma história.

Eu compararia a Guerra dos Tronos com os a série "Os Reis Malditos", o seriado "The Tudors" ou "Roma". As intrigas entre os personagens é o mais importante aqui e não a fantasia em si (como no Senhor dos Anéis).



Wendell 20/01/2011minha estante
Há fantasia, mas ela é sutil demais, porém a partir do segundo volume ela aparece com amsi força, mas nem sempre é bonitinha e confiável a grande sacada é essa, tirar o deslumbramento que autores como Tolkien trouxeram . O senhor dos anéis marcou toda uma geração, mas sinceramente a história é simples e não cativa tanto, o que há de legal é o mundo criado por Tolkien, que é muito incrivel.

Martin se difere de Tolkien por dar mais valor a história e a construção dos personagens. Todas essas personagens é o que me chamam a atenção pois todos tem um plot diferente e importante. Ou seja por mais que tenha um personagem que eu não goste eu sei que vai ter um legal mais pra frente, e todos esses eprsonagens movimentam a história, que pra mim não é em nenhum momento enfadonha, é eletrizante o jogo de poder, muito imprevisivel e verdadeiro, dê uma chance e leia o segundo acho que não vai se arrepender . ;D


Charlie 18/02/2011minha estante
Ai, mais de quem menos eu gostei foi o Ned. Quer dizer, dos capítulos dele. Ele é não tem carisma. O começo era cansativo, sim, mas depois tudo valeu a pena.


Tainara 13/06/2011minha estante
Eu simplesmente AMO Tolkien, mas: http://veja.abril.com.br/noticia/celebridades/dez-razoes-pelas-quais-a-guerra-dos-tronos-e-muito-melhor-do-que-o-senhor-dos-aneis Sem mais.


Jvitor 06/08/2012minha estante
Bem, não concordo literalmente com a sua opinião sobre o livro nem sua classificação de duas estrelas.Quanto a sua opinião concordo que às vezes, a leitura pode ficar lenta e um pouquinho arrastada, mas nada que comprometa a qualidade geral da obra.Porém, discordo veementemente quanto à falta de habilidade do autor de entrelaçar os relatos do personagens, o que a propósito, na minha opinião o autor o faz com maestria.É fascinante a maneira como o autor deixa "lacunas" entre os capítulos, fazendo que o leitor entenda por si mesmo o que aconteceu no desfecho do relato anterior.Na verdade, "A Guerra dos Tronos" não é uma obra-prima literária como dizem por aí, é claro que é um livro bom, bem acima da média,mas existem livros bem melhores( tanto na forma quanto no conteúdo) e bem menos famosos do que este...


Bruna Degow 13/09/2012minha estante
Concordo TOTALMENTE com você. Sou suspeita de falar porque simplismente ABANDONEI o livro na sua metade, mas porque achei realmente chata a leitura, e acima de tudo, muito complexa. A impressão que tive foi que o autor quis inovar demais, mas não tem capacidade para tal. Criou uns 200 personagens, e não consegue lidar com todos.


paloma 26/11/2012minha estante
puts, colocar como argumento um post da VEJA como argumento é demais né? tirando o argumento "7", todos os outros sã descartáveis (tainara)


Lindëndil 30/04/2013minha estante
Não partilho da sua opinião,visto que somos pessoas diferentes, com gostos diferentes, mas respeito. Porém eu não acho que comparar Martin a Tolkien é "brincadeira de mau gosto". Tolkien é sim um gênio.. Martim, também...Os dois são bons! Qual o problema? Os dois tem um trabalho parecido -não é igual- mas é semelhante principalmente no ponto em que eles criaram seus próprios mundos, com magia, história, com a geografia dos locais...Eu não acho a leitura enfadonha, mas como eu disse, é questão de gosto. E quanto aos personagens, o Martim meche com a emoção dos leitores quando as vezes mata um personagem querido por muitos...
Tanto ele quando o Tolkien envolvem os leitores, cada um ao seu modo, e pelo menos no meu coração, tem muito espaço pra amar os dois e todos os seus personagens, desde o Sarumam,o Aragorn, o Eddard, o Frodo, a Dany.. enfim, as vezes gosto de imaginar que Westeros fica em algum lugar perto da Terra Média, e que se você pegar um barco, após passar pelas Ilhas do Verão, pode acabar desembarcando em um novo lugar, com histórias e personagens tão emocionantes quanto os desses outros lugares...




Matheus 18/05/2014

De Harry Potter a Game of Thrones!
Sim, é impossível uma criança, que cresceu lendo Harry Potter, não se apaixonar por essa série dos Jogos dos Tronos. Um novo mundo de fantasia, magia, guerra e dragões é criado, no entanto para um público mais crescido, com uma linguagem mais complexa e cenas fortes! R. R. Martin é sim minha nova J. K. Rowling, e agradeço por ele conseguir me trazer de volta para o mundo das fantasias. Brilhante obra com um enredo inimaginável, grandes heróis, grandes personagens e um final lindo que nos deixa ansiosos para a parte 2!
Roberto 18/05/2014minha estante
um final lindo e triste




andré lady gaga 02/02/2014

Depois de várias encarnações... Terminei!
Já fui Patti Page, Cher, Madonna, Britney Spears mas só no corpo da Lady Gaga que terminei a história!
comentários(0)comente



Parks 16/09/2011

Acho que sou abençoado. Consegui terminar de ler o livro mesmo depois de pensar em abandoná-lo umas 500 vezes.
Em apenas uma frase? Encheu linguiça até demais.
Com todos os seus detalhes lúgubres (e desnecessários) esta se torna a obra mais cansativa que pude ler. É impossível alguém ler este livro de noite e não pegar no sono, é por isso que não existe comentários do tipo: “li noite a dentro” ou “você vai querer ler só mais um pouco antes de dormir e acaba devorando o livro todo”. Simplesmente o excesso de descrições estúpidas faz até um dragão dormir.
Convenhamos, existem momentos tão enfadonhos que mesmo lendo um mesmo parágrafo dez vezes você não consegue entender P#**@ nenhuma, talvez seja a tradução ou talvez realmente seja pq o autor parou a trama para descrever uma raiz tão desnecessária e estúpida, mas que deve ser descrita porque ele gostou dela. Ah, e ainda tem a narração esdrúxula que chega a enojar. Martin parece que se espelha em narrações do século XV, ele não percebe que seu público está no século XXI.
Mas não se enganem o livro poderia ser ainda pior. Imagine se a cada descrição tola do autor ele ainda desse o nome cientifico de arvores, animais, narrasse como foi feito todo um traje....
Está pensando em comprar o livro e ler porque AMOU a série de TV? Não faça isso, não jogue seu dinheiro no lixo. Espere mais um pouco e gaste ele quando o DVD ou Blu-Ray da série sair.
Série: 10
Livro: -1
PS: E pelos comentários que ouvi, o autor encheu tanta linguiça que nem sabe como vai terminar a serie e por isso continua só enrolando os “fãs”.
Bruna Degow 13/09/2012minha estante
Apenas uma palavra: CONCORDO.


Rick, o Tímido 19/11/2012minha estante
Sinto muito mas acho que vc esta muito enganado. a obra não é nem um pouco cansativa e na verdade cativa muito o leitor a continuar lendo e lendo e os detalhes não são excessivos, são na medida certa. e se você não entendeu alguma parte do livro ou seu vocabulário é muito ruim ou você deve ter algum problema de leitura. A série e sim 10 mas os livros são 100


Déh 11/03/2013minha estante
Série 10 e livro -1? Isso é porque a série tem muitas cenas de sexo e mulheres peladas (que a propósito nem tem no livro a maioria delas) aí você se identifica com o tipo apelativo/desnecessário que faz a linha da sua foto. HAHA


cristofemateus 20/11/2014minha estante
concordo


Netinho 02/06/2016minha estante
Qualquer um que vai começar a ler As Crônicas De Gelo e Fogo sabe que antes deve se situar dentro do universo dos livros, a história é altamente complexa e quando os livros começam a história já estava acontecendo a tempos. É claro que mergulhar em uma história que se inicia a mais de -8000 anos do ponto dos livros você vai ficar perdido e a história vai ficar entediante. Leio 100 páginas mas com a impressão de ter lido somente 10, Martin é genial. E seus livros são cativantes e intensos. Os melhores que já li, meus favoritos.




Antonio Luiz 18/11/2010

Shakespeare no liquidificador
O primeiro livro da série "As Crônicas de Gelo e Fogo" do roteirista e escritor estadunidense George R. R. Martin, "A Guerra dos Tronos", chegou ao Brasil cercada de muita expectativa. Com sucesso maior que o esperado, a série inicialmente concebida como trilogia foi promovida a heptalogia e um quarto livro foi publicado, em 2005. Vendeu, até agora, 7 milhões de exemplares, metade dos quais nos EUA. A rede HBO programou um seriado baseado nas Crônicas, que deverá estrear a partir de março de 2011. Até lá, espera-se que saia o muito adiado quinto volume.

O autor publicou seis novelas (romances curtos) derivados, ambientados no mesmo mundo ou com os mesmos personagens, além de licenciar brinquedos, jogos de cartas e de tabuleiros, videogames, RPGs e assim por diante. O livro de 1996 e suas duas primeiras sequências, de 1998 e 2005, receberam o prêmio Locus e houve quem o saudasse como “a mais importante obra de fantasia desde que Bilbo encontrou o anel”.

Com certo exagero, deve-se ressalvar. Gostos variam, mas muitas obras de fantasia marcaram época entre "O Hobbit" de Tolkien (1937) e 1996, incluindo as séries "Gormenghast", de Marvin Peake (iniciada em 1946), "Elric de Melniboné", de Michael Moorcock (iniciada em 1972), e a satírica "Discworld" de Terry Pratchett (1983). Mesmo assim, o sucesso incomum da série de Martin, principalmente nos EUA, justifica alguma atenção.

Baseia-se em parte na Guerra das Duas Rosas, uma série de disputas dinásticas pelo trono da Inglaterra ao longo dos reinados de Henrique VI, Eduardo IV e Ricardo III, de 1455 a 1485. Opôs as casas de York (cujos servidores usavam rosas brancas como emblema) e Lancaster (rosas vermelhas), que na obra de Martin, se tornam as casas Stark (simbolizada por um lobo) e Lannister (um leão), que disputam o poder em Westeros, cujo rei Robert Baratheon tomou o trono de um enlouquecido Aerys II Targaryen ao fim de uma violenta rebelião.

Fãs notam influências de Walter Scott (autor de "Ivanhoé"), Cervantes e Lovecraft, mas parece bem mais importante a de Shakespeare – embora Martin, ao contrário do grande dramaturgo inglês (súdito e adulador de Elizabeth I Tudor, herdeira do triunfo final dos Lancaster), faça dos Stark/York os heróis e dos Lannister/Lancaster os vilões. Outros arcos narrativos entram em jogo, mas o mais importante no primeiro volume é o de Eddard “Ned” Stark, chefe da sua casa, em torno do qual giram as histórias. A cada capítulo, muda o ponto de vista, passando pelo pai, pela esposa e por quatro dos seis filhos e filhas vivos, incluindo um bastardo. Há ainda capítulos narrados do ponto de vista de um dos Lannister e outros de Daenerys Targaryen, filha de Aerys II, aos quais voltaremos depois.

Eddard lembra de várias maneiras vários heróis de tragédias shakespearianas, a começar pela maneira como caminha inexoravelmente para a desgraça sob os olhos do leitor. Também como em Shakespeare, sua infelicidade se funda na decomposição dos valores feudais.

Um mundo perfeitamente feudal e medieval, esse tipo de tragédia não tem lugar: Cada um é chamado a cumprir sua tarefa atribuída pela ordem divina – orar, guerrear ou trabalhar. Só cabe o auto religioso, a representação imutável de papéis prescritos por toda a eternidade. O Senhor dos Anéis, por exemplo, é uma espécie de auto no qual Gandalf faz o papel de Cristo como pregador e líder dos apóstolos, Frodo, o Cristo sofredor que carrega a cruz e sobe o Gólgota e Aragorn, o Cristo-Rei que comanda os exércitos do bem no Apocalipse e todos aceitam seus papéis sem contestá-los. No mundo do capitalismo, também não cabe a tragédia shakespereana: as pessoas buscam seus direitos, lutam por seus interesses privados e acham isso justo. Cabe o drama, a luta do personagem por autoafirmação na concorrência com rivais.

O trágico está na inadequação dos valores à realidade durante a transição para a modernidade. A noção de contrato de direito natural ainda não compete com a de juramento feudal, nem a de fidelidade com a de interesse. Ainda não há uma solução moderna para o problema da soberania e sua disputa se torna um empreendimento cínico e sem sentido, no qual o herói não consegue acreditar: “A vida é uma história contada por um idiota, cheia de som e fúria, significando nada”: Macbeth age como um discípulo de Maquiavel, mas julga a si mesmo como um moralista medieval. As paixões e necessidades do protagonista o impelem a agir contra os ideais herdados do feudalismo (ou deixar de agir a favor, no caso de Hamlet), mas não há outros nos quais possa acreditar.

Eddard não tem, porém, a envergadura de um herói trágico shakespeariano. É apenas patético, porque não interioriza a contradição. Ela é externa, projetada como o conflito entre ele e a corte. O patriarca Stark não é uma vontade moderna com uma consciência medieval, mas um senhor feudal da Alta Idade Média perdido na Renascença como um viajante no tempo. Vem de um feudo tradicionalista onde os senhores executam pessoalmente os condenados, governam de um castelo auto-suficiente entre aldeias esparsas e se impõem aos vassalos pela coragem física. Um rei tolo, incompetente e ocioso o nomeia principal ministro numa grande capital portuária e mercantil onde reina o dinheiro, para uma corte cujas intrigas estão além de sua compreensão. Para os Stark, honra é lealdade incondicional; para a corte e seus rivais Lannister, é pagar as dívidas (o que é tanto uma promessa quanto uma ameaça).

Eddard não consegue entender, por mais que lhe expliquem. O leitor acompanha, consternado, como insiste nos mesmos erros óbvios, confia em quem não deve, desafia as pessoas erradas na hora errada e reivindica uma autoridade moral que ninguém lhe reconhece. Acaba por parecer bronco demais para merecer admiração ou mesmo comiseração do leitor: é a tragicomédia do caipira inexperiente na cidade grande, caindo em todo conto do vigário que se lhe apresenta. A impressão de estupidez é reforçada pelo fato de que o segredo que luta por desvendar ao longo da maior parte do livro não só é conhecido da corte como revelado ao leitor nos primeiros capítulos: a rainha Cersei é amante do próprio irmão gêmeo, o belo Jaime Lannister. O curioso é que Eddard acaba por encontrar a resposta por meio de uma genética mendeliana inacessível aos mais brilhantes medievais.

Os filhos, mais vítimas das circunstâncias do que protagonistas, oferecem ao leitor intrigas secundárias e personagens para amar e odiar. Bran é um garoto que é aleijado pelo inimigo e reduzido a espectador impotente dos acontecimentos desde o início da história. Jon Snow, o bastardo, nos apresenta a Patrulha da Noite à qual é enviado, um corpo de guardas votado à castidade e à guarda da muralha que demarca a fronteira norte do reino de vagas ameaças anunciadas no prólogo, mas que só começam a se concretizar perto do fim do livro.

Sansa consegue ser mais simplória que o pai, o que não é dizer pouco. Vaidosa que sonha com os luxos da corte, os romances da cavalaria e o prometido casamento com o príncipe herdeiro, deixa os inimigos manipularem seu ingênuo egoísmo para a ruína da família. Arya é uma menina rebelde, esperta – em comparação com o pai e a irmã, bem entendido – que gosta de se portar como moleque, aprende habilidades “masculinas” e graças a isso se safa, provisoriamente, do desastre.

A corajosa esposa Catelyn, nascida na casa Tully, tem um papel mais importante e uma estatura mais respeitável. Como muitas heroínas shakespearianas – pense-se em Lady Macbeth, Julieta ou a Pórcia de O Mercador de Veneza –, mostra mais ousadia, astúcia, bom-senso e energia que seu parceiro na defesa dos interesses comuns.

Tyrion Lannister, irmão mais jovem da rainha e anão (no sentido clínico e não no mitológico), é o protagonista mais ambivalente do livro. Pertence à família dos vilões, mas se relaciona com ela pelo desprezo mútuo. Busca seu apoio nos momentos difíceis, mas de resto é um individualista astuto, que procura tirar da vida o melhor que sua condição lhe permite sem causar males desnecessários, apesar de ser impiedoso na vingança. Inteligente, cínico e descarado, proporciona os raros momentos de humor (embora sombrio) e percepções agudas em um livro na maior parte do tempo sério e obtuso como Eddard Stark.

A personagem mais impressionante é, porém, Daenerys, a herdeira dos Targaryen, que vive uma história independente da trama principal, embora destinada a cruzar-se com ela em futuros volumes. Aos treze anos, o irmão, exilado com ela no continente para além do Mar Estreito, a dá em casamento a Drogo, um grande chefe nômade à imagem e semelhança de Átila ou Gengis Khan, com a esperança de que este o ajude a reconquistar o trono usurpado a Aerys II. Numa série de improváveis peripécias, a garota tímida, medrosa e submissa se assume como dona do seu destino, se torna uma amante fogosa, uma rainha respeitada e por fim a líder temível de um povo feroz. Soma dois clichês algo racistas da literatura de aventura colonial – a mocinha branca submetida à lascívia de selvagens brutais e o solitário aventureiro europeu que mostra sua superioridade sobre os nativos e torna-se seu rei-deus –, mas a combinação e suas vias heterodoxas resultam numa inovação interessante.

Os capítulos de Daenerys foram publicados também como a novela independente "Blood of the Dragon" (O Sangue do Dragão), primeiro na Isaac Asimov Magazine e depois na antologia "Quartet: Four Tales from the Crossroads". Ganhou em 1997 o prêmio Hugo, o mais importante da fantasia e ficção científica estadunidense. Deve soar mais provocante que o livro completo, ao qual seus capítulos acrescentam pitadas bem-vindas de exotismo, sensualidade e fantasia mágica a um livro na maior parte do tempo puritano, monótono e “realista”.

Pode parecer um paradoxo que um épico de fantasia medieval se faça notar pelo realismo, mas essa é a característica mais apontada pelos admiradores, que o contrastam com o idealismo de autores como J. R. R. Tolkien e seus imitadores. A trama não é governada pelo enfrentamento entre o Bem e o Mal, mas por interesses materiais de famílias poderosas. Astúcia e força bruta usualmente prevalecem, seja qual for o lado que esteja com a razão ou represente o bom, o belo e o verdadeiro. Ao menos neste volume, não está em jogo a salvação do mundo ou a perdição da humanidade, mas um “mero” trono, a magia não tem papel importante (salvo na história de Daenerys) e os conflitos são meramente humanos. As ameaças sobrenaturais do gelo (os “zumbis” do norte) e do fogo (dragões) estão presentes, mas só no final do livro começam a insinuar que terão um papel importante nas sequências.

O realismo é também ressaltado pela rudeza e concretude aparente do cenário. A aparência física dos personagens é dada de maneira minuciosa e frequentemente impiedosa, com ênfase em defeitos físicos e cicatrizes horrorosas. Idem quanto a seu comportamento, incluindo a exata maneira como se embebedam, escarram, copulam, adoecem, sangram e morrem. Árvores, construções, paisagens e armas são descritos com pormenores que parecem querer proporcionar a sensação de se assistir a um filme em alta resolução.

Como geralmente se dá em Hollywood, este é um realismo ilusionista. Embora recorra aos diferentes pontos de vista de diferentes personagens, a narrativa (em terceira pessoa) quer mostrar o real “como é” e não como uma construção. O campo de visão é sempre parcial, mas dá impressão de objetividade, de acesso direto ao que cada personagem de fato vê, supõe ou sabe em determinado momento, sem mediação ou contradição. E o que mostra é quase sempre tradução de clichês do cinema e da literatura “realistas” atuais. O senso comum e as crenças do leitor – exceto, talvez, do mais inexperiente – raramente são desafiados.

Pode passar despercebido ao leitor, por exemplo, o quanto a história é maniqueísta, ainda que não da mesma forma que um "Nárnia" ou "O Senhor dos Anéis". Não há uma guerra explícita entre o Bem e o Mal, os bons não são em geral premiados nem os maus punidos e mesmo os melhores são imperfeitos e cometem erros morais, mas não há como se enganar sobre quais são os mocinhos e os bandidos. Não se mostra visões diferentes de futuro ou de moral, mas heróis leais e honrados contra antagonistas cínicos e perversos.

É fácil deixar de notar que todos os pontos de vista, sem exceção, pertencem a uma fração ínfima da sociedade, a aristocracia. A pequena nobreza e os sacerdotes não recebem muito mais atenção que os animais, as ferramentas e o mobiliário. Os plebeus, menos ainda.

Pode-se também não perceber que, apesar de muitas cenas de sexo, frequentemente com conotações de pedofilia (do ponto de vista moderno, bem entendido – meninas se casarem aos 12 ou 13 anos era rotina na Idade Média), trata-se de uma obra puritana. Como já foi notado por outros, o único casal sinceramente apaixonado e sem fim trágico à vista é o dos arquivilões, o chefe da guarda real Jaime Lannister e sua irmã gêmea Cersei, a rainha. Os outros aristocratas espalham filhos ilegítimos pelo mundo com indiferença ou orgulho, mas o herói Ned Stark se tortura (e é condenado pela família) por ter gerado um único bastardo.

Os “bons”, sempre tensos e angustiados a respeito de seus deveres, são contidos em seus apetites, mostram pouco afeto sincero (salvo por seus lobos de estimação), raramente se divertem e nunca são mostrados fazendo sexo, apesar de fazerem muitos filhos. Já a gentalha diverte-se com paixão grosseira e violenta e os vilões aristocratas, de maneira refinadamente perversa, com ênfase em adultério e no incesto. Calvino manda lembranças: a obra deixa sempre a sensação de que sexo, prazer e diversão são vis e pecaminosos.

A geografia do “gelo” e do “fogo” reforça os clichês. O extremo norte de Westeros é uma terra gélida e misteriosa, habitada por selvagens e criaturas legendárias. Uma muralha a separa do norte austero, frio, diligente e austero, de fazendas e cidades pequenas, ligada por um istmo a uma babilônia preguiçosa, luxuriosa e cálida. E a leste há um continente povoado por exóticos bárbaros orientais de costumes indecentes e apetites desenfreados. De lá vieram os dragões que talvez voltem, pois lá se exilaram os últimos descendentes dos Targaryen, reis que no passado conquistaram Westeros domando os monstros cuspidores de fogo, agora supostamente extintos.

Westeros é separada de um grande continente por um “Mar Estreito”, seus habitantes têm nomes ingleses ligeiramente modificados e sua história evoca vagamente a Grã-Bretanha, mas suas dimensões são as de um pequeno continente. É grande o suficiente para que o norte semisselvagem onde está Winterfell, lar dos rudes e puros Stark, tenha um clima muito frio e seja tropicalmente quente o sul mais povoado e civilizado, sede dos luxuriosos Lannister e do antro de perdição que é Porto Real, a capital do reino. O sul cultua uma religião “pagã” de velas, templos, sacerdotes, imagens e hierarquias que evoca o catolicismo tradicional, enquanto o norte segue uma “Antiga Religião” baseada em um orações em bosques sagrados sem mediação de sacerdotes, que faz pensar nas formas mais radicais do protestantismo.

Uma peculiaridade desse mundo é que as “estações” duram vários anos, de maneira não muito previsível. Não se tenta encontrar nenhuma justificativa astronômica ou meteorológica, nem explicar como a vegetação, os animais e a agricultura se adaptam a isso. É antes uma metáfora: “O inverno está chegando” é o lema dos Stark e uma indicação do clima ambivalente do primeiro livro: parece indicar tanto o receio do fim da abundância quanto a esperança de que os valores puros da austeridade, do trabalho duro (para os camponeses) e do inverno voltem a prevalecer sobre as forças corruptoras do luxo, do prazer e do verão.

Vale notar que Westeros é formada por duas massas de terra, norte e sul, ligadas por um istmo, o “Gargalo”, o que vagamente a configuração das Américas. Em certo nível de interpretação, seria Winterfell a América do Norte e o sul a América Latina? No norte há neve e lobos e no sul abundam frutas sumarentas e se mencionam árvores de pau-brasil e pau-ferro. Estes nomes podem ser escolhas discutíveis do tradutor para os originais redwood e ironwood, que podem se referir também a espécies de climas temperados, mas Porto Real é uma grande cidade à beira-mar onde há morros, favelas e, nas palavras entusiasmadas do rei que tanto consternam Ned Stark, “as mulheres perdem toda a modéstia ao calor. Nadam nuas no rio, mesmo por baixo do castelo. Até nas ruas está calor demais para lã ou peles e elas andam por aí com aqueles vestidos curtos (…) quando começam a suar e o tecido lhes adere à pele, é como se andassem nuas”. Não soa como um clichê sobre o Rio de Janeiro?

Alguns admiradores brasileiros se queixam na internet da tradução: em vez de procurar um tradutor brasileiro, a portuguesa Leya comprou da editora Saída de Emergência os direitos para o Brasil da tradução portuguesa de Jorge Candeias (transação sem remuneração ou aviso ao tradutor, que se disse “estupefato”) e a adaptou superficialmente para o português brasileiro, substituindo mecanicamente construções em infinitivo por gerúndios, a segunda pessoa pela terceira e certos acentos e ditongos – por exemplo, de “o Inverno está a chegar” para “o inverno está chegando”, de “os mortos assustam-te” para “os mortos o assustam”, de de “crónicas” para “crônicas” e de “papoilas” para “papoulas”.

O tradutor original foi perfeitamente competente para o público português que tinha em vista. Do ponto de vista da compreensão das intenções do original, bem como da correção gramatical, o resultado é melhor do que muitas traduções de livros de fantasia feitas por brasileiros. Mas parece ter prejudicado a legibilidade da obra para o público-alvo de adolescentes e jovens adultos pouco acostumados ao português europeu. Não seria grande problema num conto ou romance curto, mas pode ser desencorajador em um livro de 592 páginas que seria o primeiro de uma série de sete. Para um brasileiro, a narrativa e os diálogos, mesmo “adaptados”, soam demasiado formais, além de carregados de termos pouco familiares, o que não está de acordo com o espírito do original.

Considerando tudo, vale a leitura? O leitor deve ser prevenido que a leitura é longa e inconclusiva, sem um fechamento satisfatório neste ou em qualquer dos volumes já publicados e a série, como muitos folhetins e telenovelas, corre o risco de ser encerrada pelo desinteresse do público ou do autor antes de chegar a uma conclusão lógica.

Tem algo de Shakespeare, mas sem suas percepções originais, voos de retórica, momentos de humor e desfechos grandiosos. É como um coquetel homogeneizado do Bardo de Avon com chavões da fantasia medieval, filtrado pelas lentes de um realismo psicológico e ilusionista moderno. À parte a rudeza e o clima peculiar, o mundo em que se passa a história é bastante convencional, salvo, talvez, por seus bárbaros nômades do Oriente. Os seres sobrenaturais citados – dragões, zumbis e outros – seguem clichês tradicionais.

O que tem de mais atraente, compartilha com as telenovelas e séries dramáticas: permite envolver-se com um grupo variado de personagens e com seu crescimento, suas aflições e suas intrigas intermináveis e esmiuçar sua psicologia à exaustão. Não faltam personagens sofredores e indefesos para se sentir compaixão, bem como malvadas e malvados, cínicos e arrogantes, para odiar com todas as forças. Só nos anexos do primeiro volume são listados cerca de 150 personagens vivos e 50 mortos – e isso inclui apenas as grandes casas aristocráticas e seus agregados, ignorando plebeus avulsos. O número de “tropos” ou chavões também é surpreendente: o site tvtropes.org lista mais de 500 para os livros já publicados!

O leitor que busca na literatura o que a tevê não sabe ou não quer dizer talvez investisse melhor seu tempo lendo algumas obras mais curtas, mas capazes de render mais em termos de surpresa, provocação ou diversão. Como, digamos, as peças de Shakespeare.
Nalí 15/03/2012minha estante
Não acho que sugerir Shakespeare pro público-padrão de Guerra dos Tronos seja muito eficaz. Gostei de sua resenha, tem apontamentos interessantes! Particularmente, gostei dessa tradução feita por um português, cheguei até a ler umas 200 páginas da edição da Saída de Emergência. Acho charmoso que se fale meio pomposo quando se trata de um plano de fundo medieval, com reis etc, soa mais adequado e não tenho problema de fluidez na leitura, por eu ter alguma experiência na literatura. O que não invalida seu argumento: não deve ser muito bom para o público adolescente/geração DDA.


Felipe 15/03/2012minha estante
Eu sou adolescente, pelo menos até onde eu sei 14 anos é ser adolescente. E em relação a tradução, eu gostei muito, foi uma literatura que ao mesmo tempo parecia charmosa, bonita, e ao mesmo tempo misturada com uma realidade feudal antiga, que me deu uma leitura leve e agradável, eu consegui terminar de ler esse livro em dois dias, por que eu lia, lia, lia e não conseguia parar. Eu poderia dizer que essas Cronicas são as minhas favoritas, pois não são tão clichê, assim como você diz, e em relação ao bom e mal, que você disse que praticamente estão definidos, eu não vejo assim, desde o primeiro livro não vejo Cersei ou Jaime como vilões, Cersei é apenas uma mulher frustrada com o casamento e Jaime é um soldado, e ao meu ver um bom soldado.


Eder 18/05/2012minha estante
Apesar de gostar da resenha, posso afirmar que boa parte do que foi apontado cai por terra nos próximos volumes. Foi feita uma análise muito profunda em cima de uma obra incopleta, gerando conclusões precipitadas.




Felipe Soares 19/08/2012

Do cult ao pop - www.sincopedigital.com.br
Faz mais de três anos que ouvi falar pela primeira vez de A Guerra dos Tronos. O livro vinha causando um burburinho no meio literário em razão das inovações que trazia. A literatura, principalmente a fantástica, sofre do mesmo mal que assola outros meios de entretenimento: a falta de novas histórias e temáticas. Costuma-se pensar que a Fantasia é um gênero voltado principalmente para o público infantil, na maioria das vezes considerado pouco exigente . Mas até as crianças crescem e cansam das mesmas coisas.
A literatura fantástica parece se resumir a dois tipos de livros: aquele que redefinem o gênero, mas são fadados ao esquecimento, e milhões de cópias baratas dos clássicos que fizeram sucesso. Acontece que dento da primeira categoria A Guerra dos Tronos foi exceção, a ponto de agradar aos produtores da HBO, que logo se encarregaram de produzir uma série televisiva.

No Brasil, não havia previsão de publicação dos livros. Mas Rapahel Draccon, hoje um dos maiores autores do gênero no país, convenceu a Editora Leya, que já publicara com sucesso sua série Dragões de Éter, a trazer As Crônicas de Gelo e Fogo para nós. Tudo ocorreu no momento oportuno. O livro chegou em 2010 como uma readaptação para o português do Brasil da tradução feita por Jorge Candeias em Portugal. Foi sucesso instantâneo. E de literatura cult, A Guerra dos Tronos passou a ser livro pop.
O enredo fala de Westeros, uma espécie de Europa Medieval, habitada por diversas famílias que vivem em constante guerra por aquele que parece ser o bem mais precioso do reino: o Trono de Ferro, ocupado por Robert Baratheon, que, após a morte de Jon Arryn, a Mão do Rei, homem de sua maior confiança, segue em direção ao Norte, para oferecer a seu velho amigo Eddard Stark, patriarca da família Stark e protetor do Norte, o cargo temporariamente vazio.
As estações tem duração diferente em Westeros, onde o verão foi o mais longo dos últimos anos, mas o inverno está chegando e com ele vem as estranhas criaturas que vivem além da Muralha. Construída há muitos anos pela Patrulha da Noite, um grupo de homens formado em sua maioria por ex-criminosos a quem é dada uma nova chance para continuar vivendo, a construção hoje está enfraquecida, assim como seus patrulheiros, que diminuíram consideravelmente em número e em eficiência . O mundo parece não mais precisar deles.

É por meio dos Stark que acompanhamos a maior parte da história. Lord Eddard é um homem preocupado com seu povo e que preza, sobretudo, a honra. Casou-se com Cataleyn, da família Tully, com quem teve cinco filhos: Robb, Sansa, Arya, Bran e Rickon. Ned, como também é conhecido, ainda é pai do bastardo Jon Snow. E diante da proposta do rei, vê-se obrigado a deixar o castelo de Winterfell e seguir para a capital do reino, Porto Real. A partir daí torna-se Mão do Rei e assume as responsabilidades de Robert Baratheon, que vive entregue à bebida e às mulheres, sem saber da existência da rede de intrigas ao seu redor.

Paralelamente a esses acontecimentos, para além do mar estreio, na Cidade Livre de Pentos, encontramos Viserys e Daenerys, últimos descendentes de Aeryn II, rei morto por Jaime Lannister e substituído por Robert Baratheon. Viserys, em sua loucura pela reconquista do trono de ferro, vende sua irmã para Kahl Drogo, chefe dos dothraki, com o intuito de obter em troca um exército forte o bastante para invadir Westeros e retomar o trono de ferro para si.
No princípio, e talvez até a metade da história, o livro não é fácil de acompanhar. Praticamente inexistem cenas realmente grandiosas de ação, o que pode frustrar os leitores que procuram o livro ávidos por muita aventura e pouco diálogo. Os longos diálogos, aliás, que na maioria das vezes ocupam a maior parte dos capítulos, são os verdadeiros responsáveis por contar a história do começo ao fim, representando o maior diferencial do livro. Todos são recheados de mensagens escondidas nas estrelinhas e frases de efeito. É impossível não se deliciar com as tiradas de Tyrion, Varys ou mesmo Mindinho, sempre com as línguas bem afiadas.

Cada capítulo leva no título o nome de um personagem, dentre Eddard Stark, Bran, Catelyn, Tyrion, Jon, Sansa, Arya e Daenerys, e mostra o seu ponto de vista dos acontecimentos, com as peculiaridades de cada um muito bem traçadas pelo autor.

A escrita é fácil, enxuta, mas a forma como as informações são lançadas não é das mais didáticas, por isso apaixonar-se por Guerra dos Tronos requer também paciência e perseverança. São muitos acontecimentos, tanto do presente quanto de um passado remoto, às vezes nem tão importantes para o enredo principal, ainda que relevantes para acrescentar realismo a Westeros. Além disso, há diversos personagens, com nomes muito complicados, que facilmente serão esquecidos ou confundidos até que se acostume com eles. Chega um momento em que, mesmo tendo lido várias páginas, você sentirá que não sabe de nada. Apesar disso, o fato de Martin não lançar tudo de uma vez para o leitor pode ser considerada uma estratégia muito inteligente, porque gera mais mistério e não deixa a história mais lenta.

Os personagens são outro grande destaque. Todos são muito bem construídos, com características muito peculiares. Nenhum deles é perfeito. Ao contrário, possuem falhas, medos, limitações e são capazes de qualquer coisa, principalmente de surpreender e lutar pelo melhor para si. A maioria começa estereotipado, mas à medida que vão crescendo, tornando-se singulares e isso acaba passando despercebido diante da forma como tudo é bem trabalhado.

Eddard Stark representa o homem bom por natureza. É o único que se mantem incorruptível, mesmo diante de todas as pressões e tentações que é obrigado a suportar ao assumir sua posição de Mão do Rei. Mostra-se sempre cansado e arrependido da escolha que fez, mas seu senso de responsabilidade e o compromisso assumido com seu amigo Robert, e mesmo com o povo, parecem mais fortes do que as pressões feitas por Cersei Lannister, Varys, Mindinho e outros membros da corte. Não é inebriado pelo poder. Este, ao inverso, parece lhe causar aversão. Sua tarefa se torna ainda mais difícil quando tem que cuidar dos seus próprios deveres de pai sozinho, pois precisa ensinar a suas filhas tão diferentes a lidarem uma com a outra, mesmo que nem sempre se saia tão bem.

O bastardo Jon Snow vive atormentado com seu passado, principalmente por não saber quem é sua mãe. Apesar de ser tratado igualmente por seu pai e pelos irmãos, é odiado pela madrasta Catelyn e logo compreende que nunca haverá lugar para ele em Winterfell , por isso decide ir para a Patrulha da Noite. E lá, diante de sua ingenuidade e ainda preso aos seus valores essencialmente aristocráticos, acaba por cair nas armadilhas de outros patrulheiros, dos quais é muito diferente. Nesse momento precisa se desligar definitivamente de sua família e de seu passado, além de a aceitar as críticas e imposições de seus companheiros e lutar consigo mesmo.

Não há como não sentir pena de Bran e odiar de imediato os irmãos gêmeos Lannister por jogarem-no da janela. Assim como Jon, ele precisa aprender a lidar com sua nova condição, com sua deficiência, com o povo de Winterfell, com o conflito existente em sua mente causados pelo confronto das histórias que a Velha Ama lhe conta e os ensinamentos que Meistre Luwin lhe passa. Além disso, tem que assumir o papel de pai do próprio irmão mais novo, Rickon, e tentar controlar seu espírito intempestivo.

Já Catelyn é mãe, protetora por excelência. Faz tudo no intuito de tentar ter a família novamente ao seu redor. Suas preocupações são sempre voltadas para os filhos, principalmente com Bran, com quem fica a maior parte do tempo, só deixando-o quando parte em uma busca desenfreada para tentar descobrir quem o deixou aleijado a partir das pistas deixadas por sua irmã Lisa Arryn, que parece ter enlouquecido de vez.

Sansa é vaidosa, sonhadora e fútil. É a dama perfeita. O produto do que todos querem para as mulheres bem nascidas de Westeros. Adora as histórias de cavalarias, sonha em casar com um príncipe e preocupa-se somente com seus vestidos, sua beleza e as boas-maneiras. Além de odiar intensamente sua irmão Arya, que é seu exato oposto. Esta mais parece um menino. Abomina tudo aquilo que Sansa enaltece. Gosta de espadas, de guerra, de luta e não sonha em ser uma dama. Prefere as aulas de esgrima às lições da Corte passadas por Septã Mordane. Arya é violenta, vingativa e faz apenas aquilo que deseja. É fácil odiar Sansa e difícil não amar Arya, porque Sansa é superficial, enquanto Arya não cansa de nos surpreender e fazer tudo o que mais desejamos. Mas uma das maiores reviravoltas da história separa as duas definitivamente e transforma suas vidas de maneira drástica e irreversível. Nesse momento é que damos uma chance a Sansa.
Daenarys é a personagem que mais evolui ao longo do livro. De uma marionete nas mãos do irmão louco Viserys , ela se transforma em uma mulher forte, obrigada a abandonar a inocência infantil diante de um casamento forçado com o chefe dos dothraki e assumir o compromisso de rainha desse povo tão culturalmente diferente para ela. Com Khal Drogo, ela aprende sobre o mundo, descobre o amor e precisa lutar para mantê-lo vivo. As cenas do livro que protagoniza são algumas das mais épicas e emocionantes. Absolutamente memoráveis.

Tyrion Lannister é a personificação do anti-herói. Sua ironia foi a melhor forma que encontrou de lidar com os constantes decepções por que já passou. Caçula dos Lannister, é culpado pelo pai e os irmãos mais velhos pela morte de sua mãe, quando lhe deu a luz. Ninguém parece amá-lo ou ao menos simpatizar com ele. Até mesmo o leitor se sente inseguro com suas atitudes durante boa parte do tempo, até compreender que ele é totalmente diferente do resto da família. Embora pareça mau, é provavelmente um dos melhores personagens. Tyrion é apenas incompreendido, mas também é corajoso e, no fundo, só busca alguém que realmente o ame, que o aceite como é, embora nem ele mesmo goste de si, por isso parece sempre buscar pessoas que são consideradas tão baixas quanto ele, selvagens, prostitutas, ladrões. É impossível não torcer por ele, porque é o único personagem corajoso o bastante para enfrentar todos aqueles que mais odiamos, principalmente sua irmã Cersei.

Leva um tempo até que o leitor descubra que se está lendo algo realmente novo. Há críticas aos valores, à moral e à religião por todo lugar, mas tudo feito com muita sutileza. Não se trata de uma guerra entre o bem e o mal. É apenas a luta pelo poder e pelo que cada um acha melhor para si. É fantasia, mas não é para crianças. Há sangue, há sexo, há violência, há estupros e palavrões. Tudo nu e cru. Impera o realismo, o sofrimento, o interesse. Não há histórias de amor, mas somente de dor, recheadas de infidelidade e traição. É o passo a frente que precisam dar aqueles que cresceram com Harry Potter. É o terreno não explorado por J. R. R. Tolkien em o Senhor dos Anéis, porque os personagens, inclusive os mais secundários, são de carne e osso. Não há como não se identificar com algum deles, porque parecem existir no mundo real.

A magia abandonou Westeros e os dragões ficaram no passado. Essas são apenas histórias que as amas contam para as crianças dormirem, dizem os mais sábios. Mas isso é o que os personagens contam. E nada nem ninguém é o que parece quando se joga o jogo dos tronos.
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Douglas 11/12/2013

A Guerra dos Tronos
Quando Eddard Stark, lorde do castelo de Winterfell, aceita a prestigiada posição de Mão do Rei oferecida pelo velho amigo, o rei Robert Baratheon, não desconfia que sua vida está prestes a ruir em sucessivas tragédias. Sabe-se que Lorde Stark aceitou a proposta porque desconfia que o dono anterior do título fora envenenado pela manipuladora rainha - uma cruel mulher do clã Lannister - e sua intenção é proteger o rei. Mas ter como inimigo os Lannister pode ser fatal: a ambição dessa família pelo poder parece não ter limites e o rei corre grande perigo. Agora, sozinho na corte, Eddard percebe que não só o rei está em apuros, mas também ele e toda sua família.

E é assim que começa UMA DAS sagas mais comentadas e famigeradas dos últimos tempos.
Começamos, então, pelo primeiro livro: A GUERRA DOS TRONOS.
Um livro bom, mas que têm seus pontos positivos e negativos.
Eu não conseguiria expressar-me por completo, sem citar esses pontos individualmente, separando os comentários entre bons e ruins. Portanto:

PARTES RUINS:

[Sim, ser chato é um dom e eu vou começar pelas partes ruins. Fãs da série, sem chateação, é apenas a minha opinião.]

1) A primeira crítica não é para o livro, mas sim para a editora.
O meu livro, que NÃO é a versão econômica conhecida como Pocket, ou de bolso, se você preferir, tem uma letra bastante pequena. Eu comprei todos os livros em uma promoção no "submarino" e percebi que os livros 1 e 2 tem uma fonte bem pequena. Nos outros livros isto foi corrigido, ficando o problema restrito aos 2 primeiros livros.
Como este comentário é para o primeiro livro, obviamente, o problema precisa ser citado.
Além disso, a folha é um pouco transparente e muitas vezes as letras transpassam de uma folha para outra, dificultando a leitura.
Por último, em algumas (poucas) folhas, as letras são um pouco tremidas, ou seja, temos um pequeno problema na impressão.
Pode ser que seja somente no meu livro, mas como a resenha é minha, cabe mencionar este problema para que, caso o pessoal da editora veja isso (eu duvido), possam evitar o problema para as próximas impressões.
Porque, poxa, uma editora como a Leya, que se orgulha de ser uma referência em muitos países não pode fazer um trabalho como este.
Fonte pequena. Folha fina. Pessoal da Leya, o que é isso? Contenção de custos? Por favor, né.
Fica a dica para a editora.

2) Agora sim vamos falar do livro.
Me incomodou no começo da leitura o excesso de personagens que o autor usa. São vários nomes, todos sendo apresentados logo e isso me deixou um pouco confuso. Precisei ler duas a três vezes algumas páginas para entender "quem é quem" na história. E alguns personagens nem se quer ganharam destaque.
É claro que isto é escolha do autor, o livro é dele e ele faz o que bem entende com a história, estou apenas dando um "pitaco".

3) O George R.R. Martin muitas vezes exagera nas descrições. Muitas vezes ele fica descrevendo, descrevendo, e eu pensei "anda, cara, agiliza esta história!".
Não que a descrição seja ruim, mas muitas vezes ela "arrasta" a história. Eu estava lendo e querendo saber o que ia acontecer e o autor parava e começa a descrever, descrever, isso acabou me deixando um pouco nervoso. Novamente: isto é escolha do autor, o livro é dele e ele faz o que bem entende com a história, estou apenas dando um "pitaco".

4) Capítulos com personagens diferentes.
Não que isto seja ruim. Eu gostei. Só que nas primeiras páginas, quando o POV muda, eu precisei de um tempo para me adaptar. É claro que eu já li outros livros contados por várias pessoas, mas demorei um pouco para me adaptar neste aqui. Parecia que as histórias não teriam ligações entre si. Depois, quando você estiver familiarizado com os personagens a história flui bem, mas no começo essa mudança de POV é estranha.

5) Eu costumo comentar com meus amigos que chegar até a página 100 foi difícil. Não que a história seja ruim, mas excluindo o "prólogo" que é legal, eu achei as primeiras páginas meio paradas. Eu acredito que muita gente gostou, mas eu confesso que achei as primeiras 100 páginas um pouco chatas, o que também é absolutamente normal para uma série deste tamanho. Mas resolvi citar para os leitores deste comentário para que eles tenham paciência com as primeiras 100 páginas, caso achem elas chatas, assim como eu achei.

6) O livro é muito bom, mas a história em muitas partes me cansou. Eu fiz, inclusive, uma pausa de alguns dias quando cheguei à página 280. Não sei exatamente o motivo, mas neste ponto perdi a vontade de continuar a leitura. Fiz uma pausa de alguns dias, li outro livro e depois voltei à leitura, ai não parei mais.

7) O George R.R. Martins dá uma sacaneada no leitor com estes nomes.
Alguns são extremamente parecidos e outros são iguais. Têm vários, mas vou destacar somente alguns:

Eddard Stark (casa Stark)
Eddard Karstark (casa Karstark)

Baratheon
Barristan

Mallister
Lannister

Mormont (Protetor Daenerys)
Mormont (Patrulha da noite)
Mormont (vassalo Stark)

Haggo
Aggo

Drogo
Ogo
Jhogo
Qotto

Caramba, R.R. Martins, você podia ter dado uma facilitada, né!

8) Eu esperava que o livro tivesse as batalhas mais bem detalhadas. Mas o autor, simplesmente, deu uma pincelada nelas. Não houve muitas descrições dos confrontos, a história fica restrita as intrigas e maquinações. O autor poderia ter dado uma atenção melhor para os confrontos. Uma pena.

PARTE BOAS

[Pronto fás da série, vamos para as partes boas]

1) Justiça seja feita.
Eu falei que até a história até a página 100 é chata. Sim, eu achei.
Mas depois até que ela flui bem.
Algum que outro POV de alguns personagens é chato, mas não vou citar aqui para não atrair a ira dos "fanáticos-malas", mas a história como um todo flui muito bem.

2) Temos que reconhecer a criatividade de George R.R. Martin.
Criar um mundo tão fantástico, como ele criou, é para poucos. Difícil imaginar quanto tempo ele precisou para pensar tudo isso.

3) A forma como os personagens estão humanizados é bem interessante. A história das crianças com os lobos (que você vai saber quando ler) foi uma sacada genial.

4) Blockbuster da HBO!
Caramba, como é bom ler um livro e acompanhar a história na TV.
Enquanto eu lia este livro, assisti alguns capítulos da série. Fantástico!
Você imagina as cenas no livro e depois as assiste na TV.
É uma pena que não podemos fazer isso com todos os livros.

5) Justiça seja feita (de novo)
Eu falei que a mudança de POV era ruim... mas é só no começo.
Quando você está familiarizado com os personagens você nem percebe quando muda o POV.
Quer dizer, percebe, mas o autor sempre deixa um gostinho de quero mais no final de cada POV e aí você fica ansioso para chegar o POV daquele personagem novamente para ver o desfecho de alguma situação que o autor deixa em aberto no POV anterior.

6) A complexidade do mundo criado é interessante.
E saber que depois de 592 páginas o autor ainda tem muito mais história pela frente.
Devemos parabenizar George R.R. Martins pela criatividade!

CONCLUSÃO.
Puxa, você teve paciência de ler até aqui!
Sim, vamos terminar..

Concluindo, o livro é bom, tem partes positivas e negativas, mas como um todo é bacana.

Para fechar, eu comprei todos os livros da série (os 5 lançados até aqui). Conclui apenas o primeiro. Enquanto escrevo dei uma olhada para os demais livros na minha estante. Mas não vou ler o 2º livro de imediato. Farei uma longa pausa até o segundo. Motivo: Sei lá, não tenho vontade de ler. O 1º livro até deixa um gostinho de "quero mais" no final, mas não estou com pressa. Até porque a série só deve terminar em 2019 mesmo. Então, tenho tempo.
Vou ler outros livros até que um dia tenha vontade de ler "A Fúrias dos Reis", 2º volume da série.

A você que teve paciência de chegar até aqui e que não é um Lannister, desejo a você uma vida longa e próspera! hehehe..

Um abraço e meu respeito a todos.
Tainá 16/12/2013minha estante
Estava com esse pensamento sobre o POV, valeu vou continuar lendo agora. Estou na página 28 e vou falar, com exceção da família STARK, George deixou as outras apagadas e me perdi diversas vezes e dormi tantas outras rs


Douglas 16/12/2013minha estante
Olá Tainá.
Na página 28 eu estava exatamente como você agora.
Eu te confesso que até a página 100 (excluindo o prólogo), eu também fiquei perdido.
Mas eu acho que isso é normal para uma série deste tamanho. Demora-se um pouco para que o leitor fique familiarizado com todos os personagens.
A partir da página 100 (pelo menos comigo), eu consegui entender "quem-era-quem" na história e ai o livro fluiu.
Também fiquei com sono até a página 100 e fiz uma pausa, de alguns dias, para descanso na página 280.
Mas você pode ficar tranquila, o livro é bom, só o leitor precisa de um período de adaptação.
Um abraço.




Saulo Flor 17/09/2012

Resenha - A guerra dos tronos - por Saulo R. Flor
Nesse livro que corresponde ao primeiro de uma serie de 7, escrita por George R. R. Martin, temos a historia de um reino (Westeros) habitado por grandes famílias que servem a um rei. A trama se desenrola principalmente em torno da família Stark e do Rei Robert, da casa Baratheon, o qual vem a Winterfill (castelo dos Stark, localizado ao norte de Westeros ) nomear Eddardd Stark sua mão.
E um livro muito bem escrito, uma leitura que realmente prende quem gosta do mundo fantástico. Se passa em um tempo de cavaleiros, castelos e donzelas. Foge do tradicional, bem contra o mal, no momento em que todos tem ódios, segredos e traições. Nesse mundo tudo pode acontecer e nada é o que parece, reviravoltas e surpresas aparecem sempre que menos esperamos…
Espero ter ajudado e boa leitura.
comentários(0)comente



Marlon Teske 17/11/2011

Um caminhão de páginas está chegando
Quando a versão de A Guerra dos Tronos de G.R.R. Martin chegou ao Brasil pela editora Leya, muita gente reclamou tanto da qualidade da tradução do livro que confesso que tive medo de investir quase quarenta reais nele. Havia inclusive neste mesmo dia a opção de adquirir um pacote com os até então dois volumes lançados, mas evitei tamanha aventura monetária por ter ficado com um pé atrás em relação ao texto.

Hoje amargo o fato de não ter o próximo livro em mãos e precisar interromper a leitura até que a encomenda com os outros dois chegue até aqui

A Guerra dos Tronos é o primeiro livro das Crônicas de Fogo e Gelo, que contam as histórias das casas nobres dos sete reinos de Westeros lutando pelo Trono de Ferro, o símbolo do poder e do domínio de um único rei sobre todos os demais líderes do continente. São as maquinações destas casas que movem a história, com seus membros jogando com poder, influência e vez ou outra contando com o acaso, na minha opinião, o maior astro do texto de Martin: você começa um capítulo e não tem a menor idéia de como ele vai terminar.

Nada é garantido, nenhum personagem é intocável. E isso as vezes te irrita, noutras te deixa com aquela sensação de que é absolutamente necessário continuar o livro. Cada capítulo narrado em terceira pessoa conta a situação de um determinado personagem sob o ponto de vista do próprio em relação ao que está acontecendo naquele momento nos reinos. E acontece muita coisa. Boa parte do que nos é apresentado nas primeiras páginas muda completamente em meados do tomo, e muda novamente conforme o final se aproxima. E que final foi aquele! Se a intensão do autor era deixar todo mundo maluco para comprar o segundo livro, ele conseguiu tal feito com folga. Após quase 500 páginas é que as coisas realmente explodem na sua frente!

Os tão falados problemas na tradução resumem-se a meia dúzia de palavras num contexto de milhares. A mais gritante é o uso de campainha para os guizos (que também não é a melhor palavra do mundo) no cabelo de Khal Drogo, o bárbaro líder de quarenta mil guerreiros nômades e que, inadvertidamente, também será uma peça importante para a Guerra que se avizinha. Uma escolha talvez baseada pela versão base para o livro ter sido escrita em português de Portugal e depois adaptado para pt.br. Ainda assim, não há nada ali que atrapalhe a leitura o suficiente para justificar o abandono da versão traduzida.

Alguns capítulos são naturalmente mais arrastados, em geral por que o próprio personagem trabalhado naquele momento é a Sansa sacal. Noutros, ao contrário, as páginas parecem terminar cedo demais. As vezes especialmente no começo com a chuva de nomes, títulos e casas o leitor fica um tanto quanto perdido sobre o que diabos está acontecendo ou sobre quem estamos falando. Mas, conforme afinidades vão surgindo entre nós e a trama com seus personagens muito bem trabalhados, essa dificuldade desaparece e torna-se muito difícil largar o livro.

Outro ponto alto da história é que a magia e as criaturas fantásticas estão ali, só que são tratadas de maneira misteriosa, quase como as nossas próprias lendas antigas. Muitos já não dão os mesmos créditos as criaturas mágicas que povoaram um mundo onde verões duram décadas e o inverno se estende por uma vida inteira. O desencontro de informações, a precariedade da vida sem uma tecnologia ou medicina digna de nota e as guerras feitas por garotos, cuja expectativa de vida é tão curta quanto o alcance de suas espadas. Tudo isso faz parte do tempero da Guerra dos Tronos que tanto a disputa na trama quanto o próprio livro só permite dois resultados: ou você vence, ou você morre (de curiosidade).

Muito recomendado.
Giulia Schmidt 19/11/2011minha estante
Se o livro for tão bom quanto a resenha, estou dentro...


Trinity 12/07/2012minha estante
Uma amiga já havia dito que o o livro era ótimo, mas sua resenha, me deixou mais empolgada para iniciar a leitura. Já falei mas volto a repetir , suas resenhas são ótimas, incentivadoras para os bons livros, e na medida certa para os livros que não são lá aquelas coisas, como temos mundo a fora. Parabéns.




Mandark 30/06/2011

Viciante!
Depois de um bom tempo sem encontrar uma história verdadeiramente envolvente, que me mantivesse acordado até altas horas da madrugada, virando verozmente as páginas... Finalmente me deparei com "A Guerra dos Tronos", o primeiro volume da série "As Crônicas de Gelo e Fogo" de George R. R. Martin.
Eu tinha muita relutância em comprá-lo, com medo de que ele não fosse tudo o que as pessoas tanto alardeavam... Mas, graças ao meu amigo Erick, que o emprestou para mim, pude finalmente comprovar a qualidade da história, da narrativa e principalmente pude me identificar com personagens tão incríveis como Jon, Arya, Daenerys e até mesmo o anão Tyrion.
"Quando se joga o jogo dos tronos, ganha-se ou morre!"
Terminei o livro há alguns minutos, mas já estou desesperado pelo próximo volume.
Não posso deixar de expressar minha angustia diante de alguns fatos relacionados a série e em como a história pode de encaminhar daqui para frente: um dos grandes pontos fortes da história é o desenrolar ágil dos acontecimentos, e considerando que a sérié é composta por sete volumes e que o terceiro volume tem quase 1000 págimas, temo que a tendência da história seja ficar mais atravancada, perdendo essa característica tão positiva. Outro ponto muito pessoal, é o fato de que o terceiro livro da série só será lançado em Setembro, o que significa que ficarei algum bom tempo sem ler o terceiro volume (considerando que compre o segundo hoje... rs) e muito mais tempo ainda sem acesso ao quarto volume da série.
Mas, limitando-se ao primeiro livro apenas, é uma leitura fascinante, cheia de suspense e que te prende do início ao fim. O estilo de narrativa utilizando de multipla perspectivas (coisa que o Tolkien fez tão com "O Senhor dos Anéis", só quem em proporções bem maiores, considerando a diferença do tamanho dos capítulos) é outro ponto forte do livro, tornando-o bastante agradável de ler, com aquela constante espectativa sobre quando teremos notícias sobre este ou aquele personagem que tanto gostamos.
Enfim, para os fãs inveterados de grandes séries, não preciso nem dizer que está mais que recomendado, né?
ErickFernandes 30/06/2011minha estante
Era de se esperar que vc amasse o livro. Em todos os históricos de leitura vc deu 5 estrelas.... que bom que gostou.. ;)


letícia 19/07/2011minha estante
Vi a série todinha e depois fui começar a ler o livro, só que não passei do início, com todos aqueles nomes etc. Creio que não dei continuidade porque a história estava fresquinha na minha cabeça (por causa da série), então irei esperar uns meses, até eu esquecer um pouco e poder voltar a ler.




leticia 24/06/2011

Explicação pelas três estrelas.
Se vc quer ler elogios leia as outras resenhas que estão lotadas deles, vim aqui falar somente de alguns defeitos dessa grande obra, muitos deles envolvem o autor.
Li os quatro livros lançados e posso dizer que Martin perdeu a chance de fazer uma série inesquecível quando resolveu encher linguiça.
Não bastasse isso, ainda aumenta o periodo de publicação de livros. Que falta de respeito.

Acho que está faltando um pouco mais de compromisso do autor, agora que ele casou vAi tirar seis meses de lua de mel, francamente, será que o peru ainda está vivo para acão de graças?

Deixe para viajar depois Martin, As vezes, depois do 4 livro, eu penso que ele nem sabe mais para onde ir e está adiando o inevitável, ninguém que terminar nesse maldito trono de ferro vai agradar. O certo seria que ele pegasse fogo e eles fossem correr todos atrás de um espada ou pinico.

Já mandei um e-mail para ele dizendo que se o mundo acabar estamos todos f*******, ou vamos ouvir estórias no além. Isso se não acontecer o pior e ele ir sozinho, pois já entrou na area de risco.

Por favor Martin, termine essa série antes de bater as botas! Ou pode acontecer o mesmo que houve com Stieg Larsson, cagaram em sua obra no último livro.

De resto posso que o Inverno já chegou, mas, será que vai acabar?


Hebson 25/06/2011minha estante
Eu não entendo o que a vida do autor tem a ver com a resenha sobre a estória contada no livro.


leticia 25/06/2011minha estante
Claro que tem tudo a ver Hebson, se vc ñ entende, lamento.
Ou vc quer que eu culpe Deus pelo texto que Martin escreve?
Se os livros estão cada vez mais ruins, fora de foco, a culpa é Martin. Sem dizer que ele parece nem querer mais evoluir, suas cenas de batalhas são sempre as mesmas como se dissesse até aqui está bom. Até Tolkien evoluiu de livro em livro, enquanto Martin parece estar interessado só nas descriçoes de coisas desimportantes que só parecem encher páginas.


Eric M. Souza 01/07/2011minha estante
A demora da continuidade não é motivo pra desmerecer, mas numa coisa a resenha tem razão: é muita encheção de linguiça.


Rodrigo 29/01/2012minha estante
Resenha bem mal feita, desculpe dizer. A vida pessoal do autor não interfere em nada na qualidade do livro, o que importa é oque está lá. Seus argumento foram bem risíveis.


Lindëndil 30/04/2013minha estante
1° "será que o peru ainda está vivo para ação de graças" kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk ri muito!!
2° também estou preocupada se ele vai viver pra conseguir concluir os livros...e também concordo que ele demora muito pra lançar volumes novos, do jeito que vai, alguém vai ter que psicografar o ultimo volume...


Hoxton 29/04/2016minha estante
Uma resenha deve ser somente e unicamente sobre a obra que está sendo criticada. Não fale da vida pessoal do autor ou de qualquer outro fator externo ou história, a resenha deve ser focada pura e simplesmente na obra em questão que está sendo analisada.




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