O Silêncio da Chuva

O Silêncio da Chuva Luiz Alfredo Garcia-Roza




Resenhas - O Silêncio da Chuva


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Claire Scorzi 25/06/2009

Boa trama com um detetive apaixonante
Um suicídio que devido a imprevistos parece crime aos olhos da polícia (mas o leitor sabe a verdade desde o início). Um inspetor honesto que ama livros e vive percorrendo os sebos do Rio de Janeiro. Um caso que vai se tornando cada vez mais confuso, porque a natureza humana é passível de ganância. E então trata-se de assassinato. Mais de um.
Um romance policial brasileiro que me surpreendeu. Nunca lera Garcia-Roza, embora ouvisse falar do seu detetive Espinosa. Fui ler: merece os elogios. "O Silêncio da Chuva" recebeu prêmios a meu ver merecidos (o que, sabemos, nem sempre ocorre). A escrita de Garcia-Roza é simples, direta, sem pretensões contudo de alta qualidade: difícil encontrar frases feitas no seu texto, e alguns recursos funcionam bem (como por exemplo alternar a narrativa entre a primeira e terceira pessoa). Outra coisa que agrada é que o autor vai mostrando os raciocínios do seu policial, a maneira como a mente dele fica levantando e descartando as possibilidades; é curioso, porque desta vez o leitor sabe mais do que o detetive. Pelo menos, no começo.
E há o inspetor Espinosa. A criação de um protagonista carismático é coisa que poucos conseguem; um bom escritor pode escrever uma boa trama, mas "criar" um herói que impressione o leitor não é fácil.
Estou ansiosa para ler outras aventuras de Espinosa. E quem sabe encontrá-lo passeando pelos sebos do Rio... Ah, meu tipo de homem...
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Lia Gabriele 13/07/2014

Pode um autor brasileiro escrever um clássico policial?
Para quem gosta do gênero policial, a atmosfera já está quase solidificada em ambientes estrangeiros. A música, as roupas, os chavões. Especialmente os norte-americanos.

Aí nos deparamos com um romance escrito por um brasileiro. A desconfiança natural cede à curiosidade despertada por uma informação: o cara ganhou o prêmio Jabuti. Então, ele já quebrou um tabu. Um livro policial pode, sim, ser mais que entretenimento.

Mas isso não basta para tornar o livro bom, claro. Se premiações contassem para tornar um livro inesquecível, ET não seria o clássico que é.

Luiz Alfredo Garcia-Roza equilibra muitos elementos que, alguns diriam, nem são combináveis. Faz uma mágica admirável com suspense, bons diálogos, escrita enxuta e sensibilidade. E o leitor acaba amando o fato de se passar no Brasil. As reflexões passam a ser nossas, as dores, idem. Não se trata de bairrismo: se trata de ver o Brasil ali, exposto, peito aberto, feridas latentes e poder tecer, a partir disso, uma opinião embasada de quem vive.

A trama é um show à parte. O que parece trivial e impossível de ser desenvolvido vai ganhando mais peso, adquirindo contornos mais sombrios. As reflexões do detetive Espinosa nos fazem companhia durante todas as páginas.

Quando a gente lê a última, impossível não sair correndo para buscar mais. E tem, felizmente. Mas para ser sincera, o desejo de buscar mais daquele texto se instala ali pelo meio da obra.

Garcia-Roza é um escritor para seguir bem de perto. E ler com prazer.
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Luan Sperandio 02/01/2011

Um Romance policial que foge os estereótipos tradicionais.
Ambientado no Rio de Janeiro, o romance policial foge do estereótipo do gênero ao apresentar no livro fragmentos relacionados a dramas pessoais em paralelo ao tema central que é um caso policial.
Nota-se que Luiz Alfredo Garcia Roza detalha especificamente o perfil dos personagens.
O Silêncio da Chuva foge de clichês em que ocorre um caso no início do livro e que o mistério sobre o que ocorreu é desvendado somente nas ultimas páginas. Esse fato aliado a escrita simples e elegante do autor chama muito a atenção; bem como uma crítica implícita aos trabalhos da perícia e da polícia carioca, uma vez que por incompetência de ambas um caso teoricamente fácil se complicou.
O livro peca em não detalhar os motivos que levaram ao fato inicial e ao forçar um desenrolar improvável da história, contudo é válido lê-lo pela originalidade que é apresentada na obra.
Marcelo 03/01/2011minha estante
O interessante do Luiz Alfredo Garcia-Roza é ele esmiuçar o que está sentido cada pessoa ligada à trama. Às vezes, você parece estar lendo um romance existencial e não uma trama policial. O crime virou um detalhe. Enfim, você soube enxergar essa característica dele. O autor aproxima essas pessoas da gente. Não é aquela coisa inatingível de um Sherlock Holmes. O investigador Espinosa está no mesmo patamar que os leitores. Parece possível convidá-lo para tomar um chope numa daquelas biroscas da Zona Sul carioca.




Aguinaldo 08/02/2011

o silêncio da chuva
A capa é muito bonita, as indicações da contracapa generosas, os selos discretos do Jabuti e do prêmio Nestlé de literatura reluzindo como excelentes abre alas, mas eu não gostei deste livro. É um romance policial clássico: há um crime e um sujeito ambíguo demais para parecer um bom detetive se apresenta para resolver o problema após uma sucessão de sustos. Este formato funciona com Poirot, com Maigret, com Sherlock Holmes, com Miss Marple, com San Spade (principalmente quando Humphrey Bogart o interpreta) e, é claro neste ano espanhol, com o detetive, gastrônomo e catalão Pepe Carvalho. Claro que este "O Silêncio da Chuva" é bem escrito e tem passagens boas de se ler, mas não há como comparar a irônia e modacidade do Carvalho, por exemplo, com o Espinosa de Garcia-Roza. Os contrastes do Rio de Janeiro que todos conhecemos são bem descritos no livro, ficamos curiosos com os possíveis desfechos, mas eu, bem antes do meio do livro, já havia pensado que o assassino natural do livro seria o sujeito que ao fim é revelado pelo detetive. Isto não é exatamente um problema, mas deixa um travo na boca. As tramas dos romances policiais são sempre rocambolescas e repetitivas mas muito neste livro pareceu-me artificial demais para eu me tornar um viciado em Garcia-Roza como tornei-me do Vazquez Montalbán. Claro que vou dar outras chances ao Garcia-Roza (não sou tão definitivo assim). Há ao menos uma outra meia dúzia de títulos onde o detetive Espinosa se apresenta diretamente do 1o. DP (na praça Mauá) para levantar o tapete das sujeiras cariocas. Vamos acompanhá-lo pois neste que também é o ano dos romances policiais.
O Silêncio da Chuva, Luiz Alfredo Garcia-Roza, editora Companhia das Letras, 3a. edição (2005) ISBN: 85-7164-612-0
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Bru 22/07/2020

Estava bom até chegar no final
O silêncio da chuva é um suspense policial com uma boa trama , bons personagens e bom protagonista.
Daqueles em que vc cria várias hipóteses sobre quem é o culpado e fica duvidando de si mesmo.
O livro demorou um pouco para engatar pra mim, mas quando aconteceu , cada capítulo trazia novos acontecimentos e me deixava cada vez mais ansiosa para o final.
Sobre o final... me deixou curiosa por dias e quando aconteceu foi simplesmente frustrante, não houve embate final e na verdade foi um final sem pé nem cabeça.
Me sinto decepcionada, estava me preparando para o clímax da história e este não aconteceu .
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Marlo R. R. López 21/02/2010

Divertido, mas inverossímel
Não sei o que escrever nesta resenha essa é a verdade. Se por um lado o livro prendeu a minha atenção o tempo todo (ou pelo menos durante uma grande parte do tempo que usei para lê-lo), por outro lado eu constatei uma série de defeitos técnicos que, a meu ver, colocam a obra em um nível abaixo do normal.

Vou falar primeiro dos pontos positivos do livro.

'O Silêncio da Chuva' não é um romance policial que segue o roteiro dos outros milhões de livros do mesmo gênero, em que temos tudo sempre bem definido: o detetive empenhado no caso e ludibriado pelas testemunhas; os intermináveis interrogatórios que parecem não acabar nunca e não levam a nada; a narrativa desprovida de humanismo e que só discorre sobre o básico, não desperdiçando nada em palavras; e, depois disso tudo, a grande revelação do sujeito obscuro que jamais seria taxado de assassino.

No romance de Garcia-Roza, não temos nada disso, pelo menos não em larga medida. Os personagens parecem ter mais vida do que os personagens dos romances policiais convencionais, a trama não é inteiramente voltada para um caso principal e isolado, o detetive não é o mais inteligente do mundo e a narrativa se usa de técnicas e palavras que fogem às técnicas e palavras usadas convencionalmente em romances noir. Em se tratando de originalidade, pode-se dizer que O Silêncio da Chuva ganha pontos.

Depois que a Primeira Parte (relativamente enfadonha) é lida e chegamos à Segunda Parte, não paramos mais de ler o livro. Isso é fato. Findo o romance, fazemos o balanço da leitura e chegamos à conclusão de que valeu a pena lê-lo.

No entanto (agora vêm os pontos negativos)

Analisando a obra sob um ponto de vista técnico (o que não deixa de ser necessário), encontramos vários defeitos bobos que nos mostram que o livro foi escrito por um iniciante. Um deles é o defeito de o narrador (em 3ª pessoa) não manter um padrão no modo como narra a história. Em determinados momentos, usa-se de certas palavras e expressões, e, em outros momentos, usa-se de palavras e expressões completamente opostos, como se Garcia-Roza escrevesse seu livro de acordo com o humor com que acordasse de manhã.

Sei quando essa variação no modo de narrar é fruto de um trabalho bem feito e previamente pensado, o que não é o caso do livro em questão. E esse defeito mostra-se mais pungente ainda nas palavras que o autor usa no final do livro, que, por razões óbvias, não vou comentar aqui, muito embora gostaria de fazê-lo.

Bem, mesmo assim mesmo depois de citar esses defeitos digo que 'O Silêncio da Chuva' é um entretenimento normal e que salvou o tédio do meu feriado passado em casa.

~~

Resenha completa em: www.artigosefemeros.blogspot.com
MindFields 22/11/2013minha estante
Boa observação. Às vezes, é fácil notar a mudança no estilo de escrita, muitas vezes até mesmo de um parágrafo para outro.

O final foi um tanto estranho mesmo, nada condizente com o estilo anterior do livro.


Marlo R. R. López 23/11/2013minha estante
Obrigado pelo comentário, Walter!




André Luiz 04/06/2020

Final inesperado
A trama é interessante e vai melhorando à partir do meio do livro. O desfecho surpreende, embora minha expectativa fosse maior.
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Vinícius 02/09/2020

Livro bom, final fraquíssimo.
Gostei da escrita. Vou experimentar outros livros do autor. Lembra Rubem Fonseca (ainda que não chegue aos pés).

Mas não posso deixar de destacar (NEGATIVAMENTE) esse final. Decepcionante...
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RafaCarta 28/05/2020

Ok
Um livro bom, porém previsível. Descreve a cidade do Rio de Janeiro muito bem.
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Edson Camara 05/09/2020

Levou um tiro, único e definitivo, mas não há outros sinais de violência: É um morto de indiscutível compostura
Livro comprado e lido em setembro de 2007. o autor Luiz Alfredo Garcia-Roza, psicologo carioca escreveu diversos livros desta área, este é o seu primeiro romance policial, O silêncio da chuva recebeu os prêmios Jabuti e Nestlé e foi publicado em nove países. É também estreia de Espinosa, personagem de outros quatro livros do autor. Neste seu caso inicial, um executivo é encontrado morto no volante de seu próprio carro em um edifício garagem no centro do Rio.Levou um tiro, único e definitivo, mas não há outros sinais de violência: É um morto de indiscutível compostura. O que só atrapalha as coisas, nesse crime sem testemunhas e aparentemente sem pistas. Excelente leitura.
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Ladyce 02/05/2010

Meu primeiro Espinosa: primeiro de uma série, caí de amores!
Gostei imensamente deste livro que foi a minha primeira aventura do Inspetor Espinosa. Gostei de seu ritmo rápido, da localização perfeita no Rio de Janeiro, e do nosso herói, um detetive culto, com alguma sofisticação filosófica. Mas o que mais me surpreendeu e o que REALMENTE adorei sobre essa história foram os personagens femininos. Não há uma loura burra, uma prostituta, ou uma mulher qualquer que não tenha virtudes. Todas as mulheres têm profissões, sabem o que querem e – SURPRESA! – todas pensam. Nenhuma precisa da proteção de um policial de peso. Isso é tão especial! Imediatamente desandei a ler o resto dos livros de Garcia-Roza de quem me tornei ima fã de carteirinha. Esse é um livro padrão de mistério. Não há necessidade aqui de tentarmos ver ma solução para os males do mundo, nem para encontrarmos aqui uma filosofia de vida que nos coloque de bem com a vida. Esse não é o objetivo do livro. Mas é gostoso de se ler, uma tarde iu duas – dependendo do seu fôlego – serão suficientes para uma agradável viagem ao Rio de Janeiro. È uma leitura perfeita para um fim de semana de descanso. Recomendadíssimo!
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Luana Ludmila 10/06/2013

Enfim, entreguei-me ao famoso Espinosa.
A narrativa é incrível! Sabe aquelas histórias que não te deixam ir ao banheiro, essa é uma. O autor amarrou muito bem a história. Um romance policial de primeira. Fiquei muito orgulhosa do autor ser brasileiro.
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Silvio 21/12/2012

Garcia-Roza domina a tradição do bom romante policial, temperado com a realidade bem brasileira (carioca). Mas o maior mérito é mesmo o carismático personagem Espinosa, no qual nutrimos uma empatia imediata desde a primeira página. Neste aspecto, tem muito mais de Maigret do que Philip Marlowe.
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Mariana 12/12/2010

Gostei da história, a maior parte do tempo me prendeu a atenção. Achei que a parte final ficou meio forçada...
allanpatrick 12/04/2015minha estante
Concordo com você, o desfecho é inverossímil e decepcionante. Mas gostei da história como um todo, suas idas e vindas, o fato de num momento nós sabemos mais que o detetive e no seguinte estamos tão perdidos quanto ele, o desenrolar irregular da investigação, tudo isso muito bem montado pelo autor. No geral, melhor que o segundo livro da série Espinosa, Achados e Perdidos.





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Vinícius 02/09/2020minha estante
Bela resenha. Concordo em tudo! Essa morte não tem nem o que falar mesmo...


Diogo Hilário 04/09/2020minha estante
Vinícius, agradeço a sua interação com meu texto.




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