Buick 8

Buick 8 Stephen King




Resenhas - Buick 8


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Poleto 06/03/2010

Buick 8
Stephen King é conhecido mundialmente como o mestre do terror, e não sem motivo. Sua capacidade de criar histórias interessantes a partir de situações corriqueiras é espantosa. Assim como é espantosa a forma com que ele cria a rotina de seus personagens sem tornar-se enfadonho.

Buick 8 foi o segundo livro de King que li, ainda assim, 9 anos após ter lido o primeiro (que foi Cemitério). Cheguei na livraria procurando o livro “Saco de Ossos”, que, felizmente, não tinha. Digo felizmente pois, decidido a levar um livro de King, pus-me a escolher outro título; dentre os que lá estavam (e as opções não eram muitas), Buick 8 foi o livro cuja sinopse mais me chamou a atenção (embora não tenha despertado aquela vontade de comprá-lo).

A idéia do livro é aparentemente simples: Em 1979, Curtis Wilcox e Ennis Rafferty atendem a um chamado em um posto de gasolina; um cliente parou para abastecer, dirigiu-se ao banheiro e nunca mais foi visto. Os dois então levam o carro para a delegacia, aonde fica guardado no sombrio galpão B. Mas, aquilo não era um simples carro. Capaz de recuperar-se sozinho de avarias, um motor potente que não funciona, e algo que faz com que o cão mascote da delegacia divida-se entre fascínio e medo, aquele sinistro Buick desperta a curiosidade dos policiais do departamento, que durante anos tentam desvendar seus segredos. Curtis é o mais empenhado em estudar o carro, e, quando algum tempo depois um dos policiais some misteriosamente, eles percebem que aquele carro pode ser um enigma muito mais perigoso do que imaginavam.

Em 2001, pouco depois de Curtis morrer em um fatal acidente durante o trabalho, seu filho Ned, de 18 anos, passa a freqüentar o departamento, disposto a cortar a grama, limpar janelas, ou qualquer outra coisa que possa mantê-lo por ali. Sandy Dearborn, que fora o melhor amigo de Curtis, percebe que esta é a forma que o garoto encontrou para sentir-se próximo do pai, e acaba por admiti-lo na família. Até que um dia, Ned descobre, escondido no galpão B, o velho Buick. Vinte anos depois, o mesmo mistério que tomou conta de seu pai agora também toma conta dele, que também quer respostas. O segredo mais bem guardado da polícia da Pensilvânia começa a despertar não somente nos corações e mentes dos policiais veteranos, mas também dentro do galpão B.

Apesar de partir de uma premissa simples, King consegue contar a história de maneira espetacular, envolvente, e usando aquele tom narrativo que lhe é tão peculiar. Um detalhe bem interessante aqui é a alternância que ocorre entre a pessoa narradora: hora em primeira pessoa, hora em terceira pessoa, ainda assim incapaz de confundir o leitor. Foi a primeira vez que vi o uso de tal recurso, e achei simplesmente genial.

No decorrer da leitura pude perceber, de maneira bem sutil, uma pequena homenagem a H. P. Lovecraft. O final do livro foge um pouco do padrão de King (ao menos, do que dizem), e conseguiu dar o desfecho perfeito para a história.

Buick 8, no fundo, é um romance sobre o fascínio que todos temos pelo sobrenatural, e, indo além, da nossa eterna busca por respostas. Um romance que não assusta, mas que não deixa de causar fascínio.

(Publicada originalmente em: http://casadasalmas.blogspot.com/2008/06/buick-8.html)
Alan Ventura 02/09/2010minha estante
Uma ótima resenha,parabéns.




Andrea 27/07/2012

"Por um segundo, eu vi a mim mesmo no meio da minha cabeça. Vi a nós todos em pé numa roda olhando para baixo, parecendo assassinos ao lado da sepultura de sua vítima, e vi quão estranhos e estrangeiros éramos. Quão horríveis éramos. Naquele momento, senti a terrível confusão do monstro. Não seu medo, porque medo ele não tinha. Não sua inocência, porque inocente não era. Nem culpado, aliás. O que estava era confuso. Sabia onde estava? Acho que não. Sabia por que Mister Dillon o atacara e por que o estávamos matando? Sim, isso sabia. Fazíamos isso porque éramos muito diferentes, tão diferentes e tão horríveis que seus muitos olhos mal conseguiam nos ver, mal conseguiam se concentrar em nossas imagens, enquanto o rodeávamos gritando e cortando. Então, finalmente, parou de se mexer."



Nem sei por onde começar a falar desse livro. É tão incrível que olha, só me pergunto por que demorei tanto tempo pra lê-lo. (Se bem que eu o consegui de troca esses dias e passei na frente como se não houvesse amanhã.)

Primeiro: esse livro é um típico King. Me lembrou bastante Jogo Perigoso, não pela história, óbvio, mas pelo ritmo. E também porque, pelo que andei vendo, é uma história meio "ame ou odeie".

Eu fui fisgada logo de cara. Na primeira lida, fui quase até a página 100 e só parei porque tinha que acordar cedo no outro dia. Mas nem queria parar. Apesar de alternar bastante entre o passado e o presente, não fica confuso. E a narrativa não é cansativa. Ao contrário, é bem instigante e eu ficava naquela de, "só mais um capítulo! Só mais essa parte! Quero ler mais!".

Uma das coisas que eu mais gosto no King é que ele lança spoilers no meio da história (como quem não quer nada) e você não fica chateado com isso. Pelo contrário, eu até fico animada, do tipo "OMG, vai acontecer isso"! Acho que ele é um dos poucos autores que domina essa técnica.

E claro, como é um livro de terror, tem bastante cenas tensas. Pra mim, o final foi o mais aterrorizante. E emocionante. A cena do monstro amarelo foi... maravilhosa. Mas a história toda tem cenas de suspense e terror. As criaturas... De arrepiar.

Pra terminar, tem como não falar da ligação com a Torre? Eu não sabia antes de ler, mas depois que apareceu o Buick e "as crias do Buick", só me veio à cabeça: escuridão todash. Vibrei.
Bruna 27/07/2012minha estante
Adoro spoiler!!!
afinal não o fim e sim como chegou-se lá q importa =D
tudo bem sou suspeita pra falar...
mas adoro suas resenhas!!! pronto falei. hehehe



Raphael 03/12/2015minha estante
vc fez citação do melhor parágrafo do livro! tb achei esse momento espetacular. "O monstro não tinha medo. Ele estava confuso!" ... não tenho palavras pra descrever o que senti com essa cena.




Gláucia 01/06/2011

Buick 8 - Stephen King
Mais um livro do mestre prova que não devemos comprar às cegas suas obras, sem pesquisa prévia. Julguei que a trama seria parecida com Christine, um livro fantástico, mas como me enganei.
Muito chato, praticamente nada acontece no livro todo. Medo? Apenas de não conseguir chegar logo ao fim. Os personagens são tão superficiais que ao final já não sabia distinguir quem era quem.
Fabrício Araujo 20/11/2012minha estante
Concordo plenamente. Se eu fosse fazer uma resenha seria idêntica a sua.




Luciano Luíz 09/08/2014

BUICK 8 à primeira vista pode lembrar facilmente à CHRISTINE. Que não passa de mais um livro de um carro demoníaco e tal...
Mas, longe disso.
King simplesmente constrói uma narrativa completamente diferente de seu amaldiçoado carro vermelho da distante década de 1980.
BUIK 8 é fenomenal. E possivelmente traz algumas "respostas" para a saga da TORRE NEGRA, mesmo que estas possam não passar apenas de hipóteses.
É um carro que foi abandonado em um posto de combustível. Não funciona. Mas não existe qualquer forma de gerar dano à sua lataria ou interior.
E mais obscuro: objetos e criaturas que saem de seu porta-malas...
Um portal que leva para outro lugar...
É um livro que pode ou não agradar.
Lento a maior parte do tempo.
Mas com certeza uma obra de respeito usando como base um veículo que marca com chave de ouro um título inigualável.
Tem um bom enredo de segundo plano para acompanhar não os personagens apenas, mas o carro em si.
Isso apenas mostra que King não tem fundo em sua imaginação e pode (quem sabe) nos surpreender no futuro com outro livro onde qualquer outro carro possa ser o alicerce de uma fantástica estória.

Nota: 10

L. L. Santos

site: https://www.facebook.com/pages/L-L-Santos/254579094626804
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Voorhees 26/12/2010

A princípio, Buick 8 pode ser confundido com Christine,mas logo se percebe que a comparação é injusta. Mesmo que as duas obras falem sobre carros, Buick 8 tem um pé na ficção cientifica, com as possibilidades de mundos paralelos e tal.
Quando iniciei a leitura, confesso, não fiquei muito animado. Mas como sempre, King conseguiu me surpreender, e o começo um tanto quanto arrastado serviu como um prelúdio, um modo de conhecermos melhor os personagens e assim nos interessarmos por eles no restante do livro.
Buick 8 também ganha pontos pelo modo como a história é conduzida, mostrando pontos de vistas diferentes ao longo da narrativa.
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binhobluesboy 29/03/2011minha estante
não terminei de ler, mas o problema desse livro é o quão inferior é em relação aos clássicos... é meio arrastado. Não é ruim. Mas King normalmente é muito superior a isso




Rittes 18/02/2015

Carrinho chatinho
Sou fã incondicional do mestre Stephen King mas, sinceramente, às vezes não entendo como alguns de seus livros podem ser classificados. É o caso deste "Buick 8". Eta livrozinho chato! Nem parece que foi escrito por ele. Lembra outra chatice dele "O talismã", que eu sempre achei que fosse ruim por ter sido escrito em parceria com Peter Straub (apesar de eu achar o seu "Ghost story" um dos livros mais fantásticos de suspense e terror que já li). Mais da metade do livro são lembranças de como o carro faz os seus "truques",que diga-se de passagem são sempre iguais. Não há clima, quase não há história e os personagens não são empolgantes. Mesmo para os fãs de King, é um verdadeiro desafio chegar ao final da obra. Só para masoquistas.
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Alberto 08/09/2015

Cadê o Stephen King que estava aqui? O Buick 8 comeu.
- Logo de cara o estilo escolhido por King é completamente diferente do que eu estava acostumado até então ao ler os livro dele, ainda mais depois de ler 6 volumes da saga "Torre Negra". Foi uma mudança positiva, somando com o início bem construído que sabe envolver o leitor no mistério da história.

- Infelizmente depois da apresentação, começam os problemas de "Buick 8": vários acontecimentos extraordinários, porém na verdade muito enfadonhos vão acontecendo, e o leitor acaba perdendo qualquer interesse nos aparentes personagens interessantes, mas que carregam um conformismo extremo. Até os personagens que poderiam ter, digamos, uma curiosidade científica sobre o misterioso carro, acabam desistindo de ir mais a fundo, e em consequência tornar a história mais interessante. O personagem mais atraente é o Buick 8, um carro que passa a maior parte parado em um galpão!

- O final tenta entregar um pouco mais de conflito, mas não acaba funcionando, pois como já citado, os personagens e acontecimentos do meio do livro são muito chatos. O livro parece ser uma história boba para vender conformismo aos conformados: uma venda que não precisa de marketing para ser realizado. Os conformados a fazem de bom grado.

- Escrito por um escritor reconhecido, fã de histórias de horror e ficção científica, o livro parece ter sido escrito por alguém amador na área, e não por King. Talvez fosse mais interessante se a história fosse contada em formato de conto, pois é certo que não justifica um livro, ainda mais um com quase 400 exaustivas páginas.
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Luigi R. 19/08/2011

Livro
A história é mais ou menos assim: Um carro - um Buick Roadmaster 58 - é deixado num posto por um homem de capa preta. A PEP (Polícia Estadual da Pensilvânia) o confisca, e logo ele demonstra que não é o que parece...

Posso dizer que esse é um dos melhores livros de Stephen King. Sua narração é simples, mas centrada. Uma das características de seus livros não é dar uma solução para o mistério, mas sim aproveitá-lo, empregando sua pior forma - o medo - nos personagens, fazendo-os quebrar a cabeça, mas procurando teorizar o que - no caso do livro - era o Buick.

Ele tinha um motor estranho, um volante maior que um de ônibus, e faziam coisas que desafiaram a mente dos pobres dos policiais. O que também é muito bom é a forma de narrador que ele emprega. Já usei em um dos meus contos, e posso dizer que é extremamente útil. Ele utiliza o narrador-personagem e narrador-observador no mesmo livro, e os entrelaça de modo a ficar bastante interessante.

A única coisa, talvez, que fique ruim no contexto é a forma como é usado.

Em um livro que li, por exemplo, esse recurso era mal usado. O que acarretou um má leitura.

Mas, esse livro, a única coisa que me desagradou foi o fato de ele não dar a solução do mistério. A característica dele, mas é, eu não gostei.

FIIIM! :)
Samantha 12/09/2013minha estante
Anda não terminei, mas por incrivel que pareça, é primeiro livro do Stephen King que eu não gostei. Até uma parte estava bom, mas depois que entrou na história do Buick, ficou um saco. A hora que ele começou a dar a luz às criaturas, que coisa mais sem noção. Sou fã de carteirinha do Stephen King, mas ele me decepcionou demais.


Roberto.Junior 13/01/2017minha estante
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Si 12/05/2018

Ponto forte: curiosidade despertada pelo tema da narrativa fazendo com que o leitor queira descobrir qual o mistério que envolve o Buick.
Ponto fraco: narrativa arrastada, demorada, sem reviravoltas, sem ações das personagens.
Personagens: observadores embasbacados dos fenômenos que ocorrem com o Buick, não causam empatia, não se movimentam, não agem, apenas contam uma história que parece não ter fim.
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Rafael 11/08/2014

Buick 8 - Link entre mundos?
Até o término deste livro, eu só havia lido um livro de Stephen King (Os Olhos do Dragão) e confesso que não me empolgou muito.
A História se passa de maneira muito morna.
Talvez eu estivesse esperando algo mais por ser um livro de um autor tão consagrado e, por essa razão, tenha me decepcionado um pouco.
King escreve muito bem. Narra a história com um a linguagem simples, mas acredito que a história em si não seja tão boa...
David 05/12/2014minha estante
Concordo contigo




Morcego 28/03/2014

BUICK 8
Stephen King, o mestre do terror, nos presenteia com mais uma obra assustadora.
Um relato surpreendente de um segredo guardado durante anos. Um segredo mortal, que trouxe consequências terríveis para todos os envolvidos.
Uma trama de suspense cheia de tensão.
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Lily 01/02/2016

King das comparações! *Okay~Parei*
Eu sempre quis ler algum livro do Stephen, então, certo dia encontro este na estante de onde eu faço estágio e, bem, ele não é como eu achava que seria... É muito melhor! A narrativa é apaixonante e descontraída, tudo bem que no meio do livro ele deu tantas voltas nos mistérios do Buick que eu já estava ficando cheia! Mas, juro, meu coração quase saiu pela boca quando estava perto do final. Enfim, Buick 8 nos deixa, - além de paranoicos com objetos e carros,- uma grande lição, que nos faz refletir que não vamos ter nem metade das respostas que desejamos da vida/pessoas/coisas e, às vezes, as coisas simplesmente são e tudo continua e você é obrigado a nadar ou ser levado junto, sendo melhor até não saber o porquê.
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Dhiego Morais | @liemderry_ 05/03/2019

Buick 8
Sentado em um banco ao ar livre, já é final de tarde. O céu, manchado de matizes quentes; o silêncio reconfortante, cujas sirenes de polícia já haviam emudecido. Ali, bem em frente do banco dos fumantes se ergue um galpão fechado, raiado de frestas que não deveriam emitir qualquer brilho, não com as luzes apagadas e sem vivalma em seu interior. Um termômetro registra a acentuada queda de temperatura; o ar parece ainda mais gelado na escuridão aterradora do galpão B. Mas há um brilho. E por entre as frestas é possível enxergar a frente de um carro antigo, um Buick, e a lataria ostenta uma espécie de sorriso, uma expressão que não deveria aparentar ser tão humana... e real.
Buick 8 faz parte de um grupo de livros menos conhecidos ou comentados, isso, claro, entre a extensa e diversificada bibliografia do autor. Talvez isso se deva – em parte – pela eventual comparação da temática abordada na narrativa com Christine, já que nesse último, um clássico datado de 1983, King também situa a trama em torno de um carro sobrenatural. Ainda aproveitando-se a deixa, é bastante interessante relembrar aos leitores que em Milha 81, conto presente na antologia O Bazar dos Sonhos Ruins, existe a personificação de outro automóvel bizarro, uma espécie de van maligna.
“Chega uma hora em que a maioria das pessoas vê o contexto geral e se dá conta de estar fazendo bico não para beijar o destino sorridente na boca, mas sim porque a vida acaba de lhe enfiar uma pílula na boca, e ela é amarga.”
“Então não há nada de novo nesse tal de Buick 8? Por que me aventurar nessa história se são todas tão parecidas?”. E aqui chegamos a um ponto bastante relevante dessa resenha: excetuando-se a presença de um carro que foge dos padrões de normalidade, o Buick 8 não é uma nova Christine, assim como em Milha 81 nós não tivemos um novo Buick ou Christine. E eu te explico o porquê! Vamos lá!
Devo dizer que eu me aventurei pela leitura de Buick 8 sem saber muita coisa, apenas decidi que estava na hora e essa hora era o mês de setembro, em comemoração ao aniversário do mestre. Dessa vez, King nos estende a mão e nos guia diretamente à Pensilvânia, mais especificamente para o cotidiano da polícia estatual. É lá que a trama girará, e, por consequência, são pelos seus personagens que conheceremos o passado do regimento D.
Ned Wilcox é um jovem de dezoitos anos que perdera o seu pai, Curtis, enquanto trabalhava servindo à polícia, em um acidente terrível. Em busca de investigar quem fora realmente Curtis Wilcox, enquanto tenta processar essa ausência paterna e sua vida, que passava por intensas transformações, Ned se dirige ao regimento, por meio de uma série de visitas que não somente se tornaram frequentes, mas fizeram dele uma espécie de membro honorário, uma sombra do pai, porém não menos querida por todos dali.
Antes do nascimento de Ned, Curtis passou por uma experiência bastante peculiar: em um posto de gasolina, um Buick surge para abastecer. O aparente dono, o Homem de Capa Preta, sai de seu assento, soltando um “o óleo está bom” para o frentista e se dirige até o banheiro. De lá, nunca mais foi visto. Dessa maneira, a polícia é acionada e o veículo é apreendido. Entretanto, logo os policiais percebem que há algo de estranho, algo de sinistro no objeto de quatro rodas, que com o seu painel de enfeite e um motor que não funciona, zomba da realidade.
Como se não fosse o bastante, o Buick aparenta ser indestrutível: riscos e pneus furados se consertam sem muita demora. Bem, quando um policial desaparece, e quando a temperatura no galpão em que fora escondido cai, seguido por um show de luzes arroxeadas e pela abertura do porta-malas, somente então a corporação do regimento D compreende que há algo de muito errado com o carro abandonado.
“Vejo um mundo onde só existe causa e efeito, parecem dizer. Um mundo onde cada objeto é um avatar e não há deuses movimentando-se nos bastidores.”
O Buick não é uma Christine. Embora exerça algum tipo de pressão, de presença, feito mormaço maligno, visível e sabidamente agressivo, o Buick de nossa história não se comunica, muito menos se personifica sozinho. As personagens sabem que existe uma força aquém de seu alcance, de algo que não deveria estar ali, todavia, o carro parece confortável com a situação, uma figurinha colada na página errada do álbum, mas que se adaptou àquele espaço, ao mesmo tempo em que parece esperar. Esperar exatamente o quê?
Constituindo uma espécie de enigma insolúvel e suspeitando de que houvesse alguma ligação entre o Buick e a morte do pai, que vivera parte de seu tempo obcecado pelo carro, Ned embarcará em uma viagem ao passado pelas memórias de Sandy Dearborn, Shirley, Arky e demais policiais, que, aceitando-o como parte da família, abrirão seus corações e suas mentes na busca por aproximar o que foi Curtis de seu jovem filho.
Buick 8 é narrado estrategicamente, alternando entre o passado (o Então) e o presente (o Agora). Não satisfeito, não há um ponto de vista único, ainda que Sandy, Eddie e Shirley apareçam com mais frequência. É possível que esse ponto em especial não agrade a todos os leitores, mas é inegável que proporcione mais diversidade e uma visão mais ampla do que ocorreu entre a descoberta do carro esquisito e a chegada de Ned no regimento.
A própria história por trás da criação de Buick 8 chama atenção: quando retornava da Flórida, de carro (já que King não curte avião), Stephen parou para abastecer em um posto. Depois de usar o banheiro, um caminho que levava a um riacho lhe saltou aos olhos, e, ao acessá-lo, quase caiu nas águas, fato que poderia ter terminado bem mal. Matutando sobre isso e outras coisas, depois de terminar a novela The girl who loved Tom Gordon, ainda em 1999, em cerca de dois meses já tinha um rascunho do que seria Buick 8, mas, por fato do destino, naquele verão King sofreu o acidente de carro que quase tirou a sua vida. Somente em 2002, depois de realizar algumas pesquisas de campo – inclusive de muletas –, o livro finalmente foi concluído. Aqui, portanto, há uma carga emocional entremeada na história, não nos moldes de angústia e raiva e dores impregnadas em O Apanhador de Sonhos, mas ainda assim uma carga sentimental.
“Naturalmente quando há desejo, qualquer idiota pode ser professor.”
Para aqueles que aproveitaram a jornada em Revival, Buick 8 com certeza agradará o público fã da mente criativa do autor.
Buick 8 é sobre a fascinação do ser humano pelo sobrenatural, uma forma de meditação, como Stephen mesmo diz, sobre os acontecimentos da vida e a impossibilidade de encontrar neles um significado coerente. A vida é dura, muitas vezes cruel; costumamos perder muito, e cada perda leva um pedaço de nós, mas qual o sentido disso tudo? Nem sempre teremos todas as respostas e tudo bem se não tivermos, contanto que vivamos.


site: http://skullgeek.com.br/resenhas/resenha-buick-8-stephen-king/
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Michel 12/03/2012

Fraco...
O livro mais fraco e sem graça que já li do Stephen... É claro que muita gente pode descordar, mas, para mim não chega aos pés de nenhuma outra obra escrita por ele...
Samantha 12/09/2013minha estante
Decepcionante mesmo. Nem parece que foi ele quem escreveu.


Rodrigo Cardoso 13/01/2014minha estante
Já abandonei duas vezes to lendo como um desafio, é horrível dei nota 1


carol 29/01/2014minha estante
foi o único que eu li do SK que eu não gostei :/




Valéria 08/02/2018

Obras e obras né ????
Já li alguns livros do mestre que acabei em 1, 2 dias, tamanha a sua magnitude, mas confesso que com Buick foi bem diferente e a leitura ficou um tanto quanto arrastada!!

Esse lance de ser escrito em flashback, de os capítulos pararem na metade da frase para outro personagem concluir a história me deixou um pouco confusa, fazendo com que eu precisasse voltar a história algumas vezes!!

O carro é incrível sim, as coisas que ele faz e os bichos que ele "expele" ao longo dos livros criam um climão de mistério, mas mesmo assim faltou alguma coisa!! Fica para o próximo livro King!
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