O poço da solidão

O poço da solidão Radclyffe Hall




Resenhas - O Poço da Solidão


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Marina Hion 27/05/2013

O Poço da Solidão é, antes de tudo, um livro corajoso.
O primeiro que falou sobre o lesbianismo de maneira clara, com uma protagonista que abertamente fala sobre não se sentir mulher, e sobre seu amor e desejo por outras mulheres.
Um livro que infelizmente muitas vezes é esquecido pela crítica e pelo Cânone da literatura inglesa, mas que eu acredito que pelo seu valor, sim.
Não entrou para o meu grupo de livros favoritos e indispensáveis, ou que desejo reler, mais por causa das características estilísticas de Radclyffe Hall que não me agradaram do que qualquer outra coisa, contudo eu indico mesmo assim.
Leia esse livro que trouxe a tona as primeiras discussões dos direitos civis homossexuais, entretanto que também abordou a guerra e as dificuldades do amor na sua forma mais pura de ser.
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Didi 27/05/2018

Histórico e corajoso
Radclyffe Hall foi corajosa na época em que escreveu e lançou este livro, em 1928.

Este livro foi relançado algumas décadas depois nos idos da década de 1950 e 1960 (pré-Stonewall), que foi uma época onde houve um pequeno boom de livros LGBT nos Estados Unidos. Foi uma época onde acontecia uma perseguição descarada aos LGBTs devido ao Macartismo e a terrível "Lavender Scare". E naquele contexto, o livro foi extremamente importante para as lésbicas daqueles tempos onde muitas publicações independentes foram criadas e circulavam de forma meio clandestina no país.

Falando do livro e do estilo de Radclyffe Hall, ainda contextualizando com o passado, ao lê-lo dá para sentir e entender a importância que este livro teve. Dá até para sentir a emoção que muitas lésbicas da época relataram sentir em entrevistas, sobretudo nos documentários "Before Stonewall" e "After Stonewall". Radclyffe Hall nunca usa os termos "homossexuais" ou "lésbicas", o que nos situa ainda mais na história pelo fato de ambos termos serem ainda muito recentes naquela época do lançamento do livro: ela sempre adota o termo "invertidos".

No mais, a história se desenvolve lentamente. Tão lentamente que não é o tipo de livro que acabamos devorando em poucos dias: leva um tempo, sobretudo se pegarmos uma edição de época - a que tenho e li é de 1951. No entanto, o final da história é meio que repentino, como se a escritora estivesse se esgotado de escrever tudo aquilo ou como se alguém tivesse surgido lá dos editores e falado "hey, isso tudo está longo demais e você não pode ir muito mais além do que já foi".

É um livro que marco como essencial na literatura LGBT. No entanto, não é um livro que eu leria novamente justamente pelo desenvolvimento mais lento da história.
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Roberto Ramalho 26/08/2020

Infelizmente, muito atual.
Publicado em 1928 - a 8 anos de se tornar centenário - este livro, infelizmente ainda é muito atual. Não existem, ainda, as classificações de homossexual ou transexual, que claramente é o caso da protagonista Stephen Gordon: eles ainda eram conhecidos genericamente como "invertidos", mas todos os estigmas e sofrimentos continuam muito atuais. E isso é um grande motivo para nos lamentarmos: pensar que, 92 anos depois, a sociedade avançou tão pouco. O final do livro é de partir o coração, pois retrata com cruel realismo o sacrifício que pessoas como Stephen tinham que fazer por não poderem se encaixar no padrão social de família. Certo, hoje as coisas mudaram um pouco nessa área específica, e isso a custa de muita coragem e sofrimento dos transexuais e transgêneros, mas, em essência, a mentalidade ainda está lá. Existe padrão de comportamento de gênero e suas exclusividades? Existe padrão de família? Essas são apenas duas das questões levantadas por este incrível romance de Radclyffe Hall.
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Vit 21/02/2019

Breve resumo do livro e algumas reflexões
O Poço da Solidão é um marco indescutível na história da Literatura Lésbica. Hall, sua autora, coloca muito de si na protagonista do livro, Stephen Gordon. Tendo a ater-me mais à história do livro em si, já que sobre o contexto histórico e a autora existem rios de informações na internet.

Stephen Gordon é uma garota cujo nome foi dado como uma forma de expressar o desapontamento por parte dos pais, já que sua primogênita nascera mulher e não herdeiro. Desde criança, quando desenvolve uma paixonite pela empregada da família, Stephen nota que "algo não está certo". Aqui existe o primeiro resquício de compreensão que viera por parte do pai, que ao ser noticiado da paixonite pela garota, aconselha-a a não contar à mãe do ocorrido. Ambos sabem que haveria represália caso a mãe soubesse. Inclusive, o relacionamento espinhoso com a mãe - que queria que a protagonista fosse mais "feminina" - molda grande característica no livro. O pai, no entanto, lida com a garota de forma bastante tolerante, deixando-a exercer as atividades que realmente a apetecem, como esgrima - atividade predominantemente masculina para a época. Stephen cresce, vai para a guerra voluntariamente e lá se apaixona por uma enfermeira, Mary. Desenvolvem um relacionamento que acaba de forma trágica....

Muitas são as reflexões proporcionadas pel'O poço da solidão.
- Início do grandioso estigma de que as lésbicas têm final trágico, por n razões (Hall acreditava ter nascido "invertida" e inclusive utiliza este termo no livro para referir-se às lésbicas e é extremamente conservadora)
- Se o livro fosse escrito nos dias atuais, trataria do lesbianismo? Hall seria lésbica ou seria transexual?
- Quase cem anos depois, o apelo da autoria no livro segue sendo real. "Deixe-nos existir" é bradado por Hall na narrativa.
- A homossexualidade, na época, era comparada ao incesto e peversão. Até que ponto isso mudou hoje?
- Nas passagens de Stephen criança, zomba-se da garota pela mesma querer fazer "coisas de menino". Nada é tão atual.

O livro me proporcionou extrema reflexão e ligação da época vitoriana ao panorama social e político que vivemos hoje.

De fato, um livro MUITO denso, mas muito importante para nossa história - como lésbicas - e um inegável brado cansado que nos faz presentes. Nós existimos. Sempre existimos. Sempre iremos existir...

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Amabille.Peruch 24/05/2020

Muitas coisas a dizer sobre esse livro. Espero conseguir um tempinho e um tico de coragem pra escrever sobre em breve blz
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