Espíritos de Gelo

Espíritos de Gelo Raphael Draccon




Resenhas - Espíritos de Gelo


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Lodir 20/11/2011


Esqueça “Dragões de Éter”. Se você já leu a saga, não espere algo parecido aqui. O Raphael Draccon que se apresenta em “Espíritos de Gelo”, o seu primeiro fora da série, é quase outro Draccon. O novo livro, lançado em maio em Portugal e que chega só agora ao Brasil, é quase o oposto da série que tornou o escritor um sucesso de público. Enquanto “Dragões” é doce, inocente e infantil, este novo livro é pânico, sexo e violência. É bem mais sujo, no bom sentido do termo. Enquanto “Dragões” é fantasia narrada em terceira pessoa, “Espíritos” se aproxima mais da realidade, mostrando em primeira pessoa o drama de um cara comum, com sua namorada, o pai e a herança deixada após sua morte.

Na trama, um homem acorda acorrentado em uma banheira. Ele está sem um rim. Três homens mal encarados, com pinta de roqueiros, querem saber o que aconteceu e como ele foi parar ali. O problema é que ele não sabe, já que não se lembra de nada. Eles passam a espancá-lo até que ele conte algo e, de fato, aos poucos o sujeito começa a reviver os seus últimos dias e a recordar. Assim, o leitor acompanha suas tragédias a partir de uma frustrada tentativa de suicídio até aquele ponto. Os capítulos, curtos, se alternam entre a conversa do homem com seus torturadores e os flashbacks das lembranças.

O livro é muitas coisas ao mesmo tempo. Há um pouco de romance, mas quase nada. O protagonista se evolve com uma seita secreta, que pratica rituais sexuais com objetivo espiritual. Essa parte proporciona um dos momentos mais “animados” do livro, com relatos chocantes de tão fiéis e detalhados das cenas de sexo (principalmente para quem estava acostumado com “Dragões”). Draccon consegue expressar bem as dúvidas do personagem sobre o significado daquilo e todo o preconceito que cerca a seita, algo que certamente está se passando na cabeça do leitor. Dessa forma, além das referencias óbvias ao terror, é possível perceber uma pitada de Dan Brown e até Paulo Coelho, principalmente de “O Aleph”, último do mago, ainda que possa ser apenas uma coincidência.

Assim como em “Dragões”, o ponto alto de Draccon, acima de tudo, continua sendo a sua excelente narrativa, ainda que em parâmetros diferentes. Claro, há algumas semelhanças aqui: as descrições leves e recheadas de metáforas, que aparecem em quase todos os parágrafos. Raphael as utiliza para descrever tudo. Dessa vez, ele emprega a primeira pessoa e torna a narração mais próxima do leitor, descrevendo belamente todas as passagens e sentimentos que elas causam ao protagonista, assim como a relação dele com os outros personagens e seus conflitos. O personagem conta sua vida em poucas páginas, e é possível sentir a mesma empatia que se experimenta ao conhecer uma pessoa e ouvir sua história pela primeira vez.

Uma das melhores coisas são as referências à cultura pop. Atuais, estas citações nos levam a filmes, livros, álbuns e outras coisas do tipo. Mesmo diante de uma tortura, os personagens conseguem provocar diálogos interessantes, dignos de nota, como a influência cultural nos Beatles ou o significado diabólico de algumas capas de discos de rock. O excelente final do livro me pegou de surpresa, pois é daqueles inesperados que, quando acontece, deixa o leitor embasbacado. Isso, claro, é sempre muito bom, já que surpreender é algo difícil, mas bem-vindo.

O ponto baixo, no entanto, não é o livro em si. O lançamento de “Espíritos de Gelo” no Brasil deixou muito a desejar. Tratando-se de um romance que já estava circulando lá fora, e de um autor que já tem um considerável sucesso, merecia mais. Por incrível que pareça, no momento em que eu já estava com o exemplar em mãos, não havia nenhuma referência sequer a ele no site oficial da editora, a Leya. É como se ele não existisse. O site do autor trazia poucas informações, quase nada. A venda está acontecendo antecipadamente no site Submarino, mas isso não está sendo muito divulgado, e quem está fazendo a maior parte é a própria loja. Ao entrar para realizar a compra, o livro aparece com uma capa, mas o exemplar recebido veio com outra. Não há na internet imagem dessa capa, o que me levou a utilizar a capa misteriosa do site para ilustrar essa resenha. Desorganização. Enquanto isso, a Leya está empolgadíssima divulgando a série Guerra dos Tronos, e já anunciou até mesmo os próximos dois volumes, incluindo a capa de um deles. Parece ter se esquecido do livro que já está na praça, e que deveria ter preferência. Isso explica porque há tão poucos autores nacionais da lista dos mais vendidos, principalmente do gênero fantasia. Até as editoras parecem fazer pouco caso deles, favorecendo sempre os estrangeiros, uma atitude lamentável que não ajuda a mudar esse cenário. Tratando-se do autor brasileiro que já esteve várias vezes no topo da lista dos mais vendidos do Submarino, a maior livraria virtual do país, esse possível novo best-seller acaba tornando-se uma oportunidade desperdiçada por mero desleixo.

Apesar desses problemas, Draccon se mostra um escritor com talento que ultrapassa os gêneros, seja ele terror ou fantasia. É algo que nem todos conseguem. Muitos escritores, ao tentar experimentar novos ares, acabam tropeçando em seus próprios vícios. É o que acontece com André Vianco em “O Caso Laura”, que tenta abandonar os vampiros para escrever um policial, e com Paulo Coelho em “O Vencedor Está Só”. Draccon, dessa forma, mostra que, independente disso, tem futuro – mesmo após o último “Dragões de Éter” chegar às prateleiras.
Karol 27/01/2012minha estante
Ahh, Lodir, o nosso gosto literário diverge totalmente quando o assunto é Raphael Draccon.. hahaha Ganhei esse no natal e terminei de ler hoje. Odiei.. rs

Paciência, né? =)


Saulo 05/08/2014minha estante
Na verdade ele não acordou acorrentado na banheira com gelo. Ele foi encontrado na banheira com gelo. Quando acorda já está acorrentado, fora da banheira e sem o rim.


Elvis 17/08/2014minha estante
Você pode me explicar o final do livro? Não consegui compreender muito bem!




Raphael 13/07/2014

Livro ruim como o episódio tal da série "Referência Nerd Gratuita"
Truman Capote costumava separar autores entre os que escreviam e os que digitavam - ou seria datilografavam? -, pra separar aqueles que se esforçavam pra desenvolver um estilo e moldar frases cuidadosamente e aqueles que só batiam palavras em sequência pra de alguma maneira inventar uma história. Verdade que, quando disse isso, Capote se referia a Jack Kerouac, o que foi injusto, visto que Kerouac, embora usasse vírgulas e adjetivos excessivamente, tinha uma poética e ritmo próprios. Em Espíritos de Gelo, Raphael Draccon - um dos autores da minha lista de leituras em busca de compreender a literatura brasileira contemporânea -, não escreve, digita; creio eu que com os pés.

Começa com o protagonista sem nome, mas que apelidarei de Narciso, acorrentado em uma sala suja, escura e misteriosa. Ele está sendo interrogado por um baixinho vestido com uma camiseta do Black Sabbath - sem nenhum motivo aparente, só uma das milhões de referências gratuitas do livro - que comanda dois torturadores vestidos com trajes sadomasoquistas - sem motivo também, só mais uma referência, dessa vez ao Gimp, de Pulp Fiction, provavelmente. Eles encontram Narciso em uma banheira de gelo, com um rasgo no abdômen, e o levam pra ser torturado porque eles precisavam saber o motivo de ele estar naquela situação. O problema é que ele não se lembra. Os três patetas decidem que a amnésia foi causada por trauma e só outro trauma maior pode reativar essas memórias tão importantes. Gostaria, então, de dramatizar aqui como o baixinho descobre a primeira informação:

Baixinho: acho que você não gosta de mulher.
Narciso: gosto sim!
B: não sei, tô achando que tu é viado.
N: não sou.
B: é sim
N: sou não!
B: é sim.
N: sou nããão!!!
B: é sim.
N: sou não! Eu tenho namorada e o nome dela é Mariana e ela é mais bonita que todas as mulheres que você já conheceu, tá?, seu arrombado!!!

Tá certo, eu inventei esse diálogo - exceto pelo arrombado -, mas a ideia é a mesma. E o pior, o protagonista tem 27 anos - eu acho, minhas memórias desse livro estão sumindo iguais as de Narciso, deve ter sido trauma da leitura.

Falando em Narciso, vamos tentar definir esse cara. Ele teve um pai distante, mas isso não abalou sua criação, muito embora o fato dele ter tocado umas na adolescência ouvindo os gemidos das mulheres com quem seu pai transava seja um caso freudiano - essa possibilidade de distúrbio nunca é aprofundada pelo autor, mas por si só já é uma premissa melhor que a do livro. Conforme ele foi crescendo, foi se tornando um playboy padrão, indo pra academia, gastando dinheiro do papai, fodendo todas as mulheres do mundo etc. Aí o pai morre, os negócios não especificados do pai - sabe como é esse mundo dos negócios genérico feito exclusivamente pra criar personagens ricos sem nunca ter que explicar a fonte da riqueza - são passados pra ele, mas ele é moleque e não consegue aguentar a pressão. Até aí tá mais pra uma premonição do futuro do Thor Batista, menos o atropelamento/assassinato.

Se você ler o livro, vai ver que Narciso é possessivo, por vezes machista, infantil, sem graça - apesar de tentar e muito ser engraçado, voltarei nesse ponto mais tarde - e um babaca completo; o pior disso tudo, não acho que intencionalmente. Talvez o protagonista tenha sido moldado pra incomodar um pouco, mas acho difícil que o objetivo fosse "intragavelmente desagradável", sem falar que o apelido que dei a ele não foi sem motivo. Apesar de se amar, no entanto, é extremamente inseguro, seja ficando irritadinho sempre que insinuam que ele é gay ou deixando bem claro que não reparou nos homens ao descrever determinada cena, seja quanto a sua relação com Mariana.

Raphael Draccon simplesmente não consegue criar uma voz pro seu personagem que seja condizente com seu estilo de vida. O narrador é ocupado, vive em balada, academia - se gaba da sua própria aparência mais vezes do que recomendado pra um livro em primeira pessoa -, parece se achar um cara genial e vivido, embora nunca demonstre nada de genial em suas ações ou falas. Ele tem um conhecimento enciclopédico de referências nerds, mesmo que, em determinados momentos, tire sarro desses mesmos nerds. Fica claro que o narrador, por mais que seja em primeira pessoa, é apenas o Draccon falando pelo personagem. Narciso não só não tem nome como também não tem voz própria, pobre Narciso.

O que me leva a outro problema, o número obsceno de referências à cultura pop. Contei umas três por página, todas extremamente variadas pra saírem de uma mente não-nerd, indo de X-Men a Crepuscúlo, passando por Supernatural, Senhor dos Anéis, e essas são só as diretas. O que torna tudo muito repetitivo já que pra 90% das descrições ele usa o comparativo "como" e geralmente a coisa descrita é comparada a uma referência pop.

Existe uma função pra referência à cultura pop na literatura e em todas as outras formas de arte. A mais comum é aprofundar um personagem, dá-lo gostos, preferências, conhecimento de mundo. Outras vezes pode servir pra auxiliar na criação de mundo, desenvolver uma atmosfera bacana. Espíritos de Gelo não as usa em nenhuma dessas maneiras. A referência à cultura pop nesse livro é pra, pura e simplesmente, forçar uma relação com o leitor. O desavisado lendo o livro esbarra por uma referência que ele conhece ou gosta e, pronto, está feita a identificação. Como o narrador desse livro atira pra todos os lados, obviamente acerta alguém, mas nunca de maneira profunda. Esse é outro problema do uso excessivo de um artifício, com o passar das páginas e toda a repetição, fica batido, previsível e perde a força, até mesmo de identificação.

Esse não é o único artificio do qual Draccon, como qualquer escritor amador, abusa. Ele também gosta de separar frases em parágrafos de sentença única pra enfatizar certas coisas. O problema é que ele nunca enfatiza nada de relevante.

Nunca.

Mesmo.

Desse jeito, assim, sem exagero.

Muitas vezes por capítulo.

E.

Os.

Capítulos.

São curtos.

P.

R.

A.

Caralho.

Irrita, não é? Eu sei, também quis jogar a porra do livro pela janela antes de chegar na página 60. Mas eu gastei dinheiro com ele. Pouco, se o livro custasse muito mais de 10 contos eu não comprava. Se pelo menos fosse só isso, mas não, a revisão também é abaixo da média pra uma editora de porte respeitável como a Leya. Erros de vírgula, concordância, ortografia. Todos perfeitamente evitáveis, se o livro tivesse sido lido mais de uma vez pelo editor. Isso sem falar das coisas que não estão erradas, mas estão mal-escritas. Muitas vezes me vi perguntando que porra o editor estava fumando pra deixar certos trechos passarem.

Admito que a coisa começa a ficar interessante quando a história do templo do sexo tântrico começa a se desenvolver. Muitos conceitos poderiam ter sido trabalhados ali, desde o ciume até a relação entre espiritualidade e repressão sexual. Mas o narrador é um idiota, então nada disso é falado e todo o potencial vai pela descarga, sendo somente arranhado na superfície, e o sexo é narrado numa prosa digna de E. L. James; só várias releituras de Trópico de Câncer pra me exorcizar dessa desgraça.

Não consegui superar a estupidez de Narciso. Ele não só atrapalha o andamento da história com seu vocabulário simplório (cheio de "maldito"s e "desgraçado"s, como um filme dublado; leva umas 40 páginas pro autor perceber que ele pode escrever um palavrão sem problema), ele atrapalha toda atmosfera que o livro poderia querer passar ao leitor. Até agora não sei se o objetivo era fazer uma história de terror, porque não dá medo, principalmente quando o narrador passa a maior parte das cenas de tortura tirando sarro dos torturadores ou fazendo referências nerds durante seu próprio sofrimento; se era comédia, porque, a não ser que sua idade mental seja de 13 anos, não tem graça; se era suspense, porque é previsível.

Não vou dar spoilers. Eu queria. Faria de tudo pra impedir as pessoas de lerem esse livro, inclusive estragar o final. Mas parte do meu código de ética de crítico exige que eu sempre deixe uma brecha pra que o leitor procure o livro e tome suas próprias conclusões, afinal, por mais objetivo que eu ache que estou sendo, o livro não foi feito pra mim, não sou o público-alvo. Talvez você seja, talvez você me ache um filho da puta por estar escrevendo tudo isso, seu direito. Eu estou pouco me fodendo pra você. Mas a primeira parte do final (o culpado pelo caso da banheira), eu descobri logo no início. Só não previ o twist à M. Night Shyamalan que ele tirou do cu nas últimas páginas, mas foi uma merda, então não fazia questão nenhuma de ter adivinhado mesmo.

Espíritos de Gelo é um livro amador. Se eu não tivesse feito o dever de casa e pesquisado um pouco sobre o autor antes de fazer a resenha, teria achado que era seu primeiro livro. Na verdade é o quarto, o que só piora as coisas. Faria mais sentido se o livro fosse um primeiro rascunho escrito por um moleque de 15 anos que acabou de ler Stephen King e acreditou que também podia escrever um romance. Pra finalizar, Draccon, não é porque você escreve pra pré-adolescentes, que você precisa escrever como um. Tome nota disso e parta pro seu próximo livro, já que, se Paulo Coelho não parou, parar você não vai.

Nota: 1/5 - pra fazer caridade e porque eu gostei de ler o Narciso sendo torturado, achei até pouco.

site: http://delirandoeescrevendo.blogspot.com.br/2014/02/espiritos-de-gelo-raphael-draccon-2011.html
fabianelima 08/12/2014minha estante
MELHOR RESENHA


Thai Tavares 13/09/2015minha estante
Amador. É essa a palavra.


Sara Muniz 06/11/2015minha estante
KKKKKKKKKKK SEU DIÁLOGO FOI MUITO BOM! é mais ou menos assim mesmo ://




Lit.em Pauta 17/10/2014

LITERATURA EM PAUTA: seu primeiro site de críticas e notícias literárias.
"É complicado encontrar algo em Espíritos de Gelo que se salve. Raphael Draccon escreveu um livro protagonizado por um sujeito repugnante e idiota, sob a perspectiva do mesmo, contado por meio de uma estrutura narrativa extremamente repetitiva que falha miseravelmente em construir o suspense de uma história povoada por personagens aleatórios e unidimensionais, embora faça questão de arranjar espaço, em meio a inúmeras cenas de tortura e sexo, para encher o leitor com frases de autoajuda. Espíritos de Gelo é aquele típico livro que faz o leitor agradecer por seu pequeno número de páginas e lamentar por ele não ter sido ainda menor."

Prestigie o site, conferindo a análise completa em:

site: http://literaturaempauta.com.br/Livro-detail/espiritos-de-gelo-critica/
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Camila 18/12/2011

Espíritos de Gelo
Acostumada com o mundo criado por Draccon em Dragões do Éter, me surpreendi com a narrativa nua e crua desse livro! Mas a surpresa foi boa, posso garantir!! Acho que a melhor definição para esse livro seria: cheio de testosterona!! Sério mesmo... O livro tem violência, sexo, rock'n'roll, sarcasmo e palavrões, mas tudo com muito propósito! Uma pena que a imagem da capa aqui no Skoob não mostre o principal - a mão ensanguentada!! É de arrepiar!!

www.leitoracompulsiva.com.br
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Maria Joana. 27/01/2012

Conclusões de quem não sabe fazer resenha, irra.
Um livro que prendeu minha atenção de primeira. Mesmo que eu tivesse largado um livro erótico, alegando que "não gosto de histórias com muito sexo", acabei lendo esse, que também tem sexo. Só que esse não é explícito, creio eu. Ou é?

De qualquer forma, gosto da maneira como as personagens são construídas, e as cenas de tortura são tão bonitas (ou eu que sou estranha) que isso me fez ler até o final em algumas horas.

A verdade é que o protagonista só precisava lembrar do que tinha acontecido nas últimas horas, mas ele acaba por lembrar desde quando conheceu Mariana, sua namorada, até o momento presente.

E o que vem depois disso acaba sendo um pouco desanimador, mas não muda o fato de que amei o livro.

É pesado e sujo, mas não é encardido.
É quase que perfeito.
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Marcos Pinto 12/09/2014

Um livro regular
Se você espera encontrar nesse livro uma fantasia bem construída, você está errando de livro. Nesta obra, Draccon expõe outra faceta de sua escrita, onde sexo, violência e rock se misturam de uma maneira hegemônica. Esse não é um livro leve e bonitinho e, provavelmente, pode não agradar algumas pessoas.

Tudo começa quando um rapaz acorda preso em um ambiente insalubre, sendo torturado por pessoas um tanto quanto excêntricas. Os torturadores querem respostas; os métodos para consegui-las pouco importam. Socos, chutes, xingamentos, perfurações... Todas as torturas possíveis e imagináveis são utilizadas para que nosso protagonista fale. Porém, há um grande problema: ele não se lembra de seu passado.

O balde de água gelada bateu forte como um soco. E, quando digo forte, não me refiro como o soco de um pugilista na cara de outro treinado para receber golpes, mas forte como o impacto do soco que um pai bêbado dá no filho que se coloca no caminho para proteger a mãe (p. 9).

Depois de muito apanhar, suas memórias parecem tentar voltar ao eixo. O protagonista começa a lembrar-se de alguns momentos, mesmo que desconexos. Porém, os torturadores acreditam que agressões fazem bem para a memória; então, a tortura se intensifica para que as lembranças se encaixem.

O livro é muito pequeno, então não me alongarei no enredo, evitando que spoilers sejam proferidos. Quando eu digo que o livro é pequeno, é muito mesmo. Ele tem apenas 176 páginas e a letra é enorme. Aparentemente, a fonte utilizada foi tamanho dezesseis. Ficou claro que a Leya deixou a letra enorme para ocupar mais espaço, a fim de que o livro não parecesse apenas um conto.

A escrita da obra é bem rápida e fluída, mas nada leve. As falas são repletas de agressões verbais e palavrões para todos os gostos. Até porque, querer um torturador pedindo por favor e usando por gentileza é, no mínimo, incompreensível. Logo, quem não gosta de cenas fortes e um linguajar mais vulgar pode não gostar da obra.

Existem três coisas capazes de virar a cabeça de uma pessoa: amor, dinheiro e poder. Dê ou retire qualquer um desses itens, e ela enlouquece (p. 30).

Quanto aos personagens, conseguimos aprofundar bastante na personalidade do protagonista. A narração em primeira pessoa possibilita isso muito bem. Vemos seus defeitos, suas poucas qualidades e seus muitos erros. Através dele também conhecemos outros personagens, como sua namorada. Todos os personagens têm características bem peculiares, o que enrique a obra.

Para quem gosta de rock, vai encontrar, nessa obra, diversas referencias às bandas clássicas desse gênero, como o Rolling Stones e o Black Sabbath. Além disso, o autor também demonstra conhecer bastante do cenário nerd, fazendo referências a essa comunidade e suas características.

Eu me virei assustado, pensando se já era o anjo da morte falando comigo. Olhei para baixo com o intuito metafísico de perceber se o corpo já tinha disparado na frente e deixado o espírito para trás. Sabe como é; a gente se influencia muito com o que vê em filmes, por aí (pag. 46).

Apesar da premissa da obra ser bem interessante, o desenrolar da obra não me agradou muito. Achei alguns aspectos muito exagerados e excêntricos. Por exemplo: muitos palavrões foram bem colocados, devido à construção dos personagens. Porém, outros parecem ter sido jogados despropositalmente no papel. Da mesma forma, foram colocados detalhes muito aprofundados sobre as bandas de Rock no livro. Não é o meu caso, pois gosto de quase todas as bandas mencionadas, mas, quem não é fã do gênero ficará literalmente sem saber do que os personagens falam.

Em geral, confesso que esperava mais da obra e achei o livro apenas mediano. Porém, continua sendo uma obra bastante recomendada para quem gosta da mistura de sexo, rock e violência em um só livro.

site: http://desbravadoresdelivros.blogspot.com.br/2014/09/resenha-espiritos-de-gelo.html
Thiago 13/09/2014minha estante
Esse livro é um dos que tenho urgência em ler.... fico tenso apenas com a sinopse e com as resenhas que vejo...


Line 19/09/2014minha estante
Esse era um livro que não tinha me conquistado ao ler a premissa e agora lendo sua resenha, vejo que não vou gostar da história... Realmente não me agradou... Mas, parabéns pela resenha, ela ficou muito bem contruída..bjs e fique com Deus.




Kel Arteira 07/10/2020

Interessante.
Gostei. Mas tinha potencial de ser melhor . Leitura pesada cheia de sensualidade e mistério.
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Clio 23/07/2015

Se essa é a sua primeira leitura de Raphael Draccon, parabéns! Se você já leu alguma coisa dele antes, não desanime, esse livro vai te compensar a prévia experiência!

Espíritos de Gelo é uma história com um tema simples: você pode fazer tudo o que quiser, mas vai responder por tudo o que fez. Interessou? A mim também.

A história trata sobre um jovem que sem saber como foi parar numa câmara de tortura, é cruelmente (e explicitamente) interrogado a cerca dos últimos acontecimentos de sua vida. Parece com algum filme de Guy Ritchie ou de Quentin Tarantino? Sim, parece. E é bom igual.

Não há muito que eu possa falar sem entregar o plot, então vou tratar de outras coisas...

Draccon faz centenas de citações de cultura pop e os menos avisados podem se sentir ressentidos, mas acreditem em mim, não há necessidade. É perfeitamente possível acompanhar a história sem saber de tudo, mas o editor poderia ter dado uma mãozinha e posto mais algumas notas de rodapé.

A escrita foi cuidadosamente balanceada e em nenhum momento tem-se aquela impressão que o autor se perdeu entre o formal acadêmico e o informal "de mano".

Enfim, a produção brasileira sempre foi pobre na quantidade e qualidade de escritores do gênero fantasia, mas aparentemente Draccon veio mesmo para chutar o pau da barraca e corrigir essa situação. Que bom!
Bruno 30/07/2015minha estante
Eu também gostei muito desse livro. Mas pelo que andei vendo sobre o autor, trata-se de uma exceção.




eduardadferraz 22/03/2020

Se for atravessar o limite, necessita ter fôlego.
Desde o princípio, o livro demonstra que vai mexer com o seu psicológico de cabo a rabo. Demora um pouco para engatar na história, porém é um livro muito fácil de desenvolver a leitura. Apenas indicaria para os que gostam de livros com cenas quentes e que estejam preparados para uma super reviravolta.
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Thiago de Andrade 21/06/2020

Problemático.
Em "Espíritos de Gelo", conhecemos a história de um homem que ao acordar acorrentado em um cativeiro é interrogado por 3 capangas, na intenção de extrair a confissão do que lhe aconteceu para que fosse achado desacordado em uma banheira com gelo. Dentre eles, quem toma a frente nessa investigação é um baixinho com camiseta do Black Sabbath, que tenta arrancar a informação de como ele foi parar nessa situação por meio de torturas, já que o homem diz não se lembrar de como tudo aconteceu.

Antes de debater sobre alguns aspectos, vale lembrar que Espíritos de Gelo faz parte de uma coleção luso-brasileira que explora alguns mitos urbanos em histórias mais curtas (média de 160 páginas em formato de livro juvenil e letras maiores do que o normal). Tendo isso em vista, não se pode esperar personagens e ambientações tão bem desenvolvidas e aprofundadas. É preciso compreensão de que os assuntos abordados, inclusive os mais interessantes, sirvam apenas como condutores complementares que ligam a jornada a resolução de seu caso central. Entretanto, apenas isso não isenta o autor e sua obra de críticas.

O protagonista é um dos maiores defeitos. Por mais que a literatura não seja feita apenas de personagens corretos, o machismo, as imaturidades e preconceitos pontuais e a petulância frente a sua situação torna-o intragável em vários momentos, ainda que isso dependa dos olhos de cada leitor.

Mas é na escrita de Draccon que está o ponto mais problemático. Ao decorrer das páginas somos soterrados de referências da cultura contemporânea, em sua maiorias rasas, sendo que algumas até se repetem. Em determinado ponto da leitura temos a impressão que algo só será descrito se nela tiver a oportunidade de fazer menção a alguma música, filme ou personagem, na tentativa de cativar pela memória afetiva do leitor. O estranho é que, ao mesmo tempo que nosso personagem-narrador desdenha e se mostra completamente oposto a qualquer coisa "nerd", usa um vasto conhecimento sobre o assunto para essas referências, deixando, no mínimo, em dúvida se quem da a voz ativa da narração é seu protagonista ou o próprio autor. Contudo, quando o homem acorrentado e o torturador traçam um paralelo sobre o ocultismo entre a história contada e os simbolismos de bandas de rock, temos alguns dos diálogos mais interessantes.

O livro é dividido entre capítulos curtos que intercalam o presente/cativeiro, onde encontramos a maioria das críticas citadas, e as lembranças dos acontecimentos anteriores narradas pelo personagem principal conforme ele vai se lembrando, onde a história é mais fluída e interessante, principalmente a partir da inserção da personagem Mariana, onde nos surpreendemos com a mudança de rumo dos acontecimentos. Nesse ponto o mistério prometido na contracapa enfim se faz realmente presente e interessante, a ponto de me fazer parar a leitura para pesquisar um pouco mais a respeito sobre o tema abordado, antes mesmo da breve explicação dada páginas depois.

O final faz jus ao que foi construído do meio para o fim da tragetória. Dificilmente decepcionará ou surpreenderá, mas encerra bem o enredo que é crescentemente interessante e fluído, embora sofra com conturbados personagens e escrita.

A nota mais condizente seria 2,5 pra ser exatamente na média.
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AndyinhA 14/11/2011

Trecho de resenha do blog MON PETIT POISON

Este livro não foi publicado no Brasil e um dos motivos de ficar receosa em ler foi em relação à duvida com a língua portuguesa, porque ele é português de Portugal. Afinal, apesar de muitos termos serem parecidos, sempre tem uma ou outra palavrinha que nem sempre é o que parece ser e muda tudo. Mas a leitura foi bem tranquila, li com bastante rapidez. Então agora podemos todos comprar livros de Portugal ;)

Conhecemos Raphael Draccon de Dragões de Éter que já foi resenhado pelo blog (clique aqui), mas neste livro – que faz parte de uma coletânea – praticamente posso dizer que é outro autor. Esqueçam as belas palavras e os contos de fadas. Aqui a verdade é nua e crua.

Este livro conta sobre uma lenda urbana que todos já ouviram falar, acho inclusive, que ela já circulou em e-mails sempre dizendo que um amigo de um amigo teve o ‘problema’ e claro que não contarei sobre qual é, pois nós também só descobrimos de qual delas se trata quase no meio do livro, não posso dar assim de bandeja o nome.

Para saber mais> http://bit.ly/qMfhQJ
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Rascunho com Café 29/01/2015

O misto ousado de violência, sexo e cultura pop que deu certo
“Espíritos de Gelo” é um livro fino, daqueles que se lê na fila de espera do consultório médico (tá, nem tanto, mas ainda é uma leitura rápida), com letras grandes e capítulos curtos e fluidos. Os capítulos são divididos em uma espécie de POVs (Point of View = Ponto de Vista), mas que, ao invés de serem voltados às personagens, é alternado em ambientes, dependendo de onde a narrativa do personagem está.
O texto é narrado em primeira pessoa em que o personagem, que não tem seu nome divulgado, relata aos seus algozes toda a sua vida até sua chegada ali, ao cárcere. Contudo, o personagem não se lembra dos detalhes, devido ao choque traumático que os eventos lhe proporcionaram, e como forma de fazê-lo trazer à tona suas memórias, seus raptores o induzem a torturas extremas, tais como eletrochoque, quebras de ossos e espancamentos com bastões de baseball, a fim de fazê-lo revelar suas memórias reprimidas, ao criar novos traumas.
Já no início do livro, Draccon dedica o livro a Stephen King, algo que já é o suficiente para por minhas expectativas no alto, e, acreditem ou não, a decepção não veio. Pelo contrário, Draccon me surpreendeu com um livro inusitado, que mescla sexo explícito com religião, violência e amor incondicional. Parece loucura, mas eu achei que a mistura deu super certo, e inclusive lembra bastante a linha lógica (parcialmente ilógica) dos contos de King.
Esse não é um livro para pessoas com mente condicionada, especialmente por religião e conservadorismo. De conservador, Espíritos de Gelo não tem nada. É preciso estar aberto ao que esse livro traz.
Apesar do clima “pesado” que envolve a trama, a narrativa é descontraída e engraçada, Draccon diversas vezes usa símbolos da cultura pop como parâmetros comparativos que o personagem faz, seja com as tragédias que o envolvem, ou até mesmo tirando sarro de seus algozes. No decorrer da leitura é possível se deparar como o Sandman, de Neil Gaiman, com os irmãos Winchester, da série televisiva Supernatural, além de inúmeras discussões sobre rock, metalcore e satanismo, envolvendo os Beatles, a banda Kiss e até Alice Cooper.
Espíritos de Gelo é um prato cheio, e ganha pontos especialmente por ser curto e sucinto. A história é contada sem a necessidade de mergulhos muito profundos, e, como disse, é perfeita para uma leitura rápida e pouco complexa. O estilo não lembra muito ao do Stephen King, a qual Draccon dedica o livro, até que chega ao final, mas o desfecho do livro não podia ser mais surreal e o mais “King” possível. Sabe aquele final meio maluco, sem ser bem fechado, mas que não decepciona? Esse é o final de Espíritos de Gelo.
Outro ponto em que levei um pouco de tempo refletindo, foi sobre a relação do título do livro com a narrativa. A princípio eu não vi nenhuma ligação, mas então percebi que os “Espíritos de gelo” tratam das pessoas que forçam o suficiente para serem frias e cruéis, tais como os algozes do personagem.
Em determinado momento, as comparações que Draccon utiliza entre a trama e a cultura pop deixam de ser novidades e passam a ser um tanto forçadas, além de outras coisinhas relacionadas a narrativa, mas são apenas artifícios, que eu, que também escrevo, não curto muito usar. Mas preciso dizer que a fórmula de Espíritos de Gelo funciona, e funciona muito bem.
É como um bate papo casual entre você e o personagem, tão rápida e informal quanto deve ser, além de ser íntima, e em muitos momentos divertidíssima.

site: www.rascunhocomcafe.com
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Nat 25/12/2014

Não entendi o título (a parte do gelo). A história está mas pra hot, pois conta a iniciação do personagem principal (e que está sendo torturado) em uma “religião” que pratica sexo tântrico. Foi uma tentativa de misturar hot e religião e tal, que não funcionou muito bem. Não sei se não foi bem explorado ou explicado. Não curti muito não.
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Ana.Santos 02/03/2015

Diferente
Um livro rápido e diferente, posso classificar como Bom e me surpreendeu no final.
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Bruno 04/11/2014

Um golpe certeiro...
Este livro do Raphael Draccon é meu primeiro contato com o autor. Talvez isso não tenha me "contaminado" com o estilo de fantasia e tenha me desprovido de impressões e expectativas sobre o autor.
Trata-se de uma história rápida, é o tipo de livro que pode ser lido em 2 a 3 horas. É como um grito, forte, alto e curto. Mas de maneira nenhuma suas 176 páginas são poucas, eu diria que são suficientes e nos traz a um mundo sombrio onde não existem pessoas boas... A escrita é muito fácil e flui rapidamente, e aborda temas atuais, bem como dá pra perceber que o autor é um fã de rock, vide as diversas citações ao longo do livro.
Pra quem quer uma história rápida, sombria e com temática adulta, este é o seu livro.
Clio 31/07/2015minha estante
Putz, eu não vi que você já tinha lido esse livro. Sabe... é uma pena que aparentemente o Draccon não segue mais esse estilo... Comparado com aquela porcaria de Reconstruindo Sandman e sabe-se-lá-o-que-é-isso que foi Dragões de Éter... bem, eu estava com esperanças...




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