As Meninas

As Meninas Lygia Fagundes Telles




Resenhas - As Meninas


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Michelly 20/02/2021

A maioria dos leitores não gosta de ler As Meninas por causa da alternância de vozes provocada pelo fluxo da consciência. De início, o livro parece ser enfadonho, mas garanto que vale a pena! A autora foi ousada em lançar uma obra expondo os horrores das torturas em plena ditadura!
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Thales 20/02/2021

Eu não sei nem por onde começar
É muito difícil fazer uma resenha sobre "As meninas". Essa obra é quase uma entidade metafísica com vida própria que continua caminhando entre nós. Mas vamo tentar.

Embora seja considerado um livro muito difícil, entender o enredo é fácil. Acompanhamos os acontecimentos de um curto período de tempo, papo de dois dias, na vida de três jovens moradoras de um pensionato de freiras: Lorena, menina da burguesia paulistana, de família cheia de causos trágicos, extremamente mimada e culta, amante virgem de um pai de família que a gente mal sabe se liga pra ela; Lia, filha de uma baiana com um ex-nazista fugido, tão envolvida com a causa socialista que seu namorado estava preso pela repressão; Ana Clara, menina de beleza rara que se diz modelo, vive na encruzilhada entre um amante rico - que a gente mal sabe se realmente existe - e um traficante, profundamente afetada por uma infância de abusos psicológicos e sexuais, drogada a ponto de nunca estar realmente sóbria.

E é seguro dizer, entre todas as aspas, que quase nada acontece. Daria pra eu contar praticamente tudo, tirando o último capítulo, sem cair em spoiler. Realmente a gente meio que "só" acompanha a rotina das três nesse curto período de tempo.

"Uai Thales, qual a graça então?" Calma...

O que importa de fato é por onde a Lygia quer nos conduzir a partir do entendimento que as meninas tem da realidade, investigando seu íntimo, seus impulsos, pensamentos mais crus. E aí que o bicho pega.

"As meninas" é "só" um pano de fundo para a autora colocar em debate temas sensíveis como abuso, política, tortura, moral e hipocrisia, drogas, o papel da igreja e etc. num momento em que a ditadura anulava qualquer contraditório. Esses temas permeiam o enredo de cabo a rabo, ora de forma mais sutil, ora mais escancarada. Essa foi a forma da Lygia dialogar com a sociedade de seu tempo. Lembrando que o livro foi publicado pela primeira vez em 1973, momento em que o Brasil vivia os anos de chumbo dentro dos anos de chumbo. Era o auge do governo Médici.

"Nossa, mas então como ele passou pela censura?"

Amado, olha pra nossa situação. Olha pros nossos generais. Olha pra cara do Pazuello. Os cara não entendem pergunta de repórter em coletiva de imprensa, vão entender esse colosso??? Reza a lenda que quando o censor responsável pegou a obra para avaliar desistiu bem antes do famoso relato de tortura.

E quando a gente diz, corretamente, que esse livro é super duper difícil, rebuscado, enfadonho, a gente tem que pensar nisso. O fluxo de consciência de fato exige muito do leitor - eu juro que fiquei com dor de cabeça algumas vezes -, mas ele não serve somente à narrativa, para que possamos junto com a Lygia mergulhar no labiríntico psicológico da juventude dos anos 70 e perceber seus desejos e contradições mais profundas; era também uma forma de driblar atenção indesejada da intelligentsia reacionária da época. Uma pessoa que não tenha uma vontade gigantesca de saber onde esse "nada com nada" vai dar não passa da página 10. E essa era a intenção.

Por tudo isso, a história de "As meninas" é completamente secundária. E digo isso sem nenhum desejo de diminuir sua envergadura. Trata-se de um tapa na cara, a fina flor do brilhantismo narrativo. Mas a existência per se da obra supera qualquer coisa que possa ser dita sobre seu conteúdo geral.

Teria nem como se pensar em dar nota prum monumento desses. Ele tá fora de qualquer possibilidade de escala. Mas em termos de Skoob não tem como ser outra.

Viva Lygia Fagundes Telles! E foda-se a academia sueca que a preteriu em favor do Bob Dylan - que recusou o Nobel! Bem feito.
Débora 20/02/2021minha estante
Resenha show!!!


Thales 20/02/2021minha estante
Brigado, Débora!




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Marlon 16/02/2021

Minha relação com esse livro começou conturbada, a leitura dos três primeiros capítulos foi arrastada, lenta, e eu pensei em desistir várias vezes, mas decidi continuar à duras penas e nossa, como valeu a pena.

A escritora utiliza a técnica de fluxo da consciência na narração dos personagens, e foi isso, na minha opinião, que tornou a leitura bem desafiadora no começo. Estar na cabeça de alguém, e entender uma enxurrada de pensamentos (conexos e desconexos) não é tarefa fácil, mas depois que você se habitua as personagens e entende seus dramas e anseios, a leitura fica uma delícia, e você sabe exatamente quem está narrando pelo menor indício.

O livro é um retrato de sua época, marcado pela repressão da ditadura, e a busca de jovens meninas por sua identidade política, sexual e pessoal.
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Lucas.Batista 11/02/2021

Uma Aula De Narrativa.
Melhor livro do ano até agora. É até difícil escrever algo sobre ele, uma vez que meu cérebro e coração ainda estão digerindo a pancada que essa narrativa me deu. Digo narrativa, pois a história é, em um entendimento geral, bastante simples. 3 amigas que vivem em um pensionato de freiras. Cada qual com suas angústias e paixões distintas. Cada uma narrando partes distintas no próprio livro. E, ainda assim, Lygia entrelaça essas três linhas narrativas e as fecha com maestria, mostrando um domínio raríssimo da narrativa.
Indo da 1 para a 3 pessoa, a narrativa nos faz conhecer com profundidade as aspirações dessas 3 jovens, deixando-nos, ao término da leitura, com aquela sensação de que nos despedimos de 3 amigas muito queridas, mas que já não iremos mais ver.
É um daqueles livros para carregar durante a vida.
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Elane.Medeiross 11/02/2021

Esperava mais
Quando li a sinopse desse livro e conheci a historia da autora, fiquei extremamente interessada em realizar a leitura. Porém, esperava bem mais, me senti muito incomodada com a mistura de primeira e terceira pessoa da obra sem a separação dos capítulos, achei desorganizado o fluxo da narrativa, e não sei se vou ler mais coisas da escritora.
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Elinara 11/02/2021

As meninas, pra onde elas vão?
Lião, Lena e Aninha, as meninas, que num curto espaço de tempo narrativo, tomam conta do leitor de forma abundante. #EuLi "As meninas", de Lygia Fagundes Telles e estou completamente absorvida por esse texto.

Poderia falar sobre a uma história e seus 4 ou 5 narradores, que se misturam e levam o leitor a pular de um pensamento para outro. Fluxo de pensamento? Temos e muito. Um narrador, onisciente-onipresente, mas nem tanto, funciona como um apresentador de programa, conduzindo cada uma das meninas em suas narrativas e pensamentos. Quem já viu (ou jogou) uma partida de pingue-pongue? Um jogo para o outro, que bate para o outro e, assim, o texto (a bolinha) vai crescendo e se intensificando. Qual jogada virá? Cada narrador sabe somente da sua.

Poderia falar sobre o livro ser um retrato de seu tempo: 1973. Ditadura militar, profundas mudanças sociais, uso de drogas, liberdade sexual, militância, tudo está ali transformando o ser e o estar de cada um, como a filosofia de Lena.

Poderia falar sobre mulheres e suas questões: sexo, amor, solidão, medo, violência, padrões de beleza, envelhecimento? A mulheres são a maioria das personagens. Além de Lorena (Lena), Lia (Lião) e Ana Clara (Aninha), temos as freiras do pensionato, a mãezinha de Lorena, a mãe de Ana, Madre Alix e, até, uma gata perto de parir. Todas trazem suas dores, realidades e histórias de forma pulsante, causando, dessa forma, alguma identificação na(o) leitora(or). Mas, não se enganem, não é um livro de "mulherzinhas".

Como uma colcha de retalhos, após ler "As Meninas", o leitor pode escolher quais pedaços usar e montar seu desenho. Um coisa é certa, a (re)leitura deste livro de Lygia Fagundes permite a tecedura de colchas diversas.
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Ramon.Izidoro 05/02/2021

Um livro muito interessante, principalmente do meio pro fim, pois é quando nos acostumamos com a forma de escrita da autora e conseguimos entender melhor cada uma das 3 protagonistas e seus dramas pessoais
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Alicia Gither 04/02/2021

uma leitura real-intimista
As Meninas foi meu primeiro contato com a escrita da Lygia, sendo ele o terceiro romance publicado pela autora. Confesso que não sabia que me depararia com um estilo de escrita próprio que a Lygia desenvolve nessa narrativa: o fluxo de consciência. É por meio desse fluxo que a autora irá costurar uma narrativa, na qual apresenta quatro pontos de vista, os quais vão mudando sem nenhum aviso prévio, fazendo, assim, a construção de um enredo real-intimista. 


O livro traz três protagonistas distintas, as quais fazem referência ao título do livro. Lorena Vaz Leme, estudante de direito, mantém um romance hesitante com um homem casado e nutre um grande ar artístico e literário; Lia de Melo Schultz, estudante de Ciências Sociais e militante de esquerda; e, por fim, Ana Clara, a qual oscila entre o desejo e a ascensão social e vive entre um passado e um presente conturbado, perpassando no mundo das drogas.


São com três personagens distintas que Lygia cria sua história. Na verdade, sua intenção aqui é fazer uma quebra de expectativas e apresentar personagens que vão além dos estereótipos femininos, levando em consideração a realidade das personagens e o contexto da história. Sendo assim, Lygia vai perpassando, através de pensamentos e percepções de mundo das meninas, vários assuntos como abuso, abandono, instabilidade emocional, além, é claro, da própria crítica ao regime imposto da época.


Eu curti a leitura, embora com uma ressalva: fiquei incomodada demais com alguns pensamentos e falas racistas presentes no livro, os quais me deixaram um pouco desconfortável. Apesar disso, senti que foi interessante a experiência, pois eu sempre tive bloqueio e receio em narrativas que trazem o fluxo de consciência. Até comentei aqui em outros momentos. E senti que pude explorar um pouco mais da minha própria leitura.


Lygia traz uma obra interessante, a partir do ponto que nos desafia na estilística, mas ao mesmo tempo nos traz o retrato de um país marcado pelo poder ditatorial da época. 
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jamine 31/01/2021

Muito bom
O conta sobre a vida de três meninas que vivem no mesmo pensionato. Ao decorrer da história, o vamos conhecendo-as mais a fundo, de forma que a primeira impressão que temos de um personagem é completamente diferente da impressão final. O início do livro é um tanto enrolado, mas do meio pro fim o ritmo melhora bastante, e o final é surpreendente.
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Claudia.Melo 29/01/2021

3 Meninas, 3 escolhas...
3 Meninas, 3 escolhas...
Li As Meninas no início do ano e achei o confuso pois os capítulos não tem nome, dificultando saber quem estava narrando.
Assisti a adaptação de 1995, com Adriana Esteves(Lorena), Drica Moraes (Lia) e Claudia Liz (Ana Clara) e, embora com algumas diferenças, gostei muito!
Resolvi fazer uma releitura e foi bem mais fácil identificar cada uma das protagonistas.
Mesmo a história se passando no início da década de 1970, serve como alerta para Meninas da nossa década!
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Natalya 19/01/2021

As meninas
Estou até agora processando essa história e o modo como Lygia à passa. A forma que a narração passa de pessoa pra pessoa, o jeito que os pensamentos das meninas são descritos e o que dizer do final!? Fiquei sem fôlego, comecei a ler tão depressa com ânsia de ter certeza do que estava acontecendo. A história pode até ser considerada comum, o cotidiano de três amigas, cada uma com suas características e individualidades. Porém, o que prende é a escrita de Lygia e a forma que ela une a história de cada uma das meninas naturalmente. Estou apaixonada por esse livro e quero ler muito mais de Lygia Fagundes!
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Felipe 13/01/2021

Acredito que a expectativa sobre esse livro tenha prejudicado a minha leitura.

As Meninas da Lygia Fagundes Telles não é um livro ruim ou mal escrito. Longe disso. Ele só não me apeteceu da forma que eu imaginei que poderia ser.

O livro conta narra momentos de três amigas: Lorena, Lia e Ana Clara. Lorena, rica e intelectualizada; Lia, militante contra a ditadura e Ana Clara, drogada, pobre e sofrida. Eu, particularmente, não curti a história. Aliás, não há uma história com início, meio e fim. É uma narração de fatos cotidianos com voltas ao passado.

A história não foi um destaque para mim como a forma de narrar da Lygia foi. É um espetáculo a forma como ela conta. A técnica. Usar o presente e o passado, dois ou três narradores em um espaço tão curto. É meio difícil de se acostumar com a forma que ela narra. O texto em fluxo de consciência é pesado e muitas vezes parece não fazer sentido. E ela trabalhou muito bem isso na hora que cada menina narrava o seu momento. A voz que ela deu para Ana Clara é espetacular e ao mesmo tempo estranha. Difícil de compreender.

Eu cheguei acreditar que teria uma grande reviravolta no livro, mas não tem apesar da toda ação e loucura do último capítulo. São fatos simples que acontecem e a gente passa mais tempo dentro da mente das meninas.

Recomendo o livro pela parte da escrita e do estilo de narração.
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Erica 13/01/2021

Três vozes da juventude dos anos 70.
"As meninas" é um romance sobre a juventude durante a ditadura militar. Para isso, a autora se utiliza do recurso de fluxo de consciência, alternando as vozes narrativas sem aviso prévio e de forma abrupta. Confesso que essa alternância me cansou bastante e não foi um leitura prazerosa.
Reconheço o estilo único e inovador de Lygia e a importância do romance como marco de uma época, mas definitivamente o livro não me encantou...
O destaque fica por conta da amizade improvável de Lorena, Lia e Ana Clara, três meninas de personalidades bastantes distintas que se unem para compartilhar as agruras da juventudade dos anos de 1970 no Brasil.

Segue o trecho que mais gostei do livro:
"(...) nós, as criaturas humanas, vivemos muito (ou deixamos de viver) em função das imaginações geradas pelo nosso medo. Imaginamos consequências, censuras, sofrimentos que talvez não venham nunca e assim fugimos ao que é mais vital, mais profundo, mais vivo. A verdade, meu querido, é que a vida, o mundo dobra-se sempre às nossas decisões. Não nos esqueçamos das cicatrizes feitas pela morte. Nossa completude, eis o que importa. Elaboremos em nós as forças que nos farão plenos e verdadeiros."
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