Os Trabalhadores do Mar

Os Trabalhadores do Mar Victor Hugo




Resenhas - Os Trabalhadores do Mar


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Fábio 29/07/2011

"No momento em se afastava do escolho, alguém que lá estivesse tê-lo-ia entoar a meia voz a canção Bonny Dundee. "

Os Trabalhadores do Mar, livro dedicado à ilha de Guernsey, onde Victor Hugo cumpriu exílio, teve sua primeira tradução feita pelo famigerado Machado de Assis. Nesta obra o autor explora principalmente a superação, a perseverança, e a abrenúncia.

Victor Hugo é um exímio perscrutador da alma humana, consegue descrever de forma clara e comovente todos os aspectos emocionais de seus personagens. A força da natureza é uns dos elementos centrais deste livro, as descrições primorosas e seu poder de narração ilimitado é capaz de deixar o leitor molhado junto com Gilliatt depois de uma tempestade.

Gilliatt, protagonista, é um pescador rude que mora na ilha de Guernsey, desprezado pela cidade, leva a alcunha de feiticeiro, vive na solidão. Já no primeiro capítulo sua inércia é abalada pois seu nome é escrito na neve, por Déruchette, que virá ser a sua amada. Esse amor incondicional, que nasce em seu coração, terá consequências inacreditáveis durante o enredo.

Este livro agita os sentimentos do leitor, causa emoção, revolta, pena, indignação; ao terminar o último capítulo perguntamos: acabou? , e ficamos dias, semanas pensando sobre a história, sobre os personagens, imaginamos finais diferentes, imaginamos as causas, as atitudes, de cada personagem.

O nome Gilliatt pode ter apagado na neve, mas na mente do leitor é indelével. Victor Hugo é um escritor para pessoas sensíveis que gostam de se emocionar.


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Gláucia 19/04/2011minha estante
Vc tem razão, fiquei "passada" com o final do livro, não podia acreditar no que meus olhos tinham acabado de ler.


Jumpin J. Flash 24/05/2011minha estante
Ótima resenha! Parabéns!


Math 04/02/2012minha estante
E esse "pode ter apagado na neve"? Espero não ter sido spoiler..


Fábio 08/02/2012minha estante
"pode ter apagado na neve" pois o nome foi escrito em uma rua, não é spoiler


vanessamf 12/09/2012minha estante
Uma curiosidade, você não achou a tradução de Machado estranha? Quando li parte desse livro, não parecia uma obra de Hugo, por isso fiquei com a sensação que tinha a ver com a tradução...


Fábio 13/09/2012minha estante
Eu só li, até agora, traduções do Victor Hugo e confesso que há muita diferença de um livro para outro, no que se refere a estilo (pontuação principalmente), todavia, com certeza, tem um toque machadiano nesta tradução, que até certo ponto é normal, porém por falta de outro tradutor neste mesmo livro, não sei dizer até que ponto o Machado foi além.


JosA.Mixto 18/05/2015minha estante
Sim, sim. Vim aqui buscar comentários justamente por isso. Acabei de ler e a imagem final de Gilliat perdura em minha mente. Livro incrível! Fiquei com muita vontade visitar a ilha.


Jefferson.IsaAas 18/04/2019minha estante
Vou dizer como é que encontrei esse livro fantástico: tenho com muito prazer 60 anos de idade. Comecei a ler muito cedo. Primeiro os gibis, depois, vieram os livros de bolso, bang bang e espionagem, tive coleção com mais de 200 destes livros na minha adolescência que eu trocava com outros leitores. Quando inda era garoto meu pai comprou de um vendedor de livros uma coleção de literatura infanto juvenil com 13 livros do autor Francisco Marins - A Aldeia Sagrada, Viagem Aos Martírios, O Segredo De Taquarapoca, O Bugre Do Chapéu De Anta, não lembro agora dos outros títulos. O que mais me marcou nas leituras eram as figuras em preto e branco chamada de xilografia. Todas às vezes que vejo um livro com esse tipo de ilustração sinto-me quase obrigado a lê-lo. Foi assim que dei de cara com o emocionante e inesquecível - Os Trabalhadores Do Mar. O enredo marca qualquer um que tenha a honra da sua leitura.


Fábio 16/05/2019minha estante
Que incrível Jefferson.IsaAas! Realmente é uma literatura de alta qualidade e uma história que é difícil não se emocionar.


Luciana.Rabelo 26/09/2019minha estante
Li-o três vezes e simplesmente a cada vez que releio esse livro consegue me emocionar de forma encantadora! ? claro que há algumas passagens meio enfadonhas nas quais acho que deveria ter algum compêndio de linguagem náutica para ajudar na compreensão de alguns termos técnicos! Outro dia, sem querer acessei o site do google no google livros tem um e-book de Os trabalhadores do Mar com ilustrações lindíssimas!


Fábio 03/10/2019minha estante
Realmente, Luciana.Rabelo, quando li vivia com um dicionário haha bom que aprendi várias palavras e expressões novas ligadas a área marítima.


Raquel 07/05/2020minha estante
Eu me emocionei. Emocionei tanto que não recomendo, na minha visão inclusive Gilliat morre com a ultima frase. Se entrega ao mar, não sei se estou errada sei que eu nunca chorei tanto com o final de um livro MDS chorei mais que com o Pequeno Príncipe eu nunca mais leio Vitor Hugo. Tenho emocional pra isso não...


Fábio 14/05/2020minha estante
Raquel Realmente final triste é com Victor Hugo mesmo. E olha que tem coisa pior viu!




Claire Scorzi 03/03/2009

Aventura, perigo, amor, sacrifício...
Como não se apaixonar por Gilliatt?
Um romance sobre amor devotado, sobre desprendimento, coragem, auto-sacrifício. Hugo começa a narrativa de um ponto de vista aparentemente distante, para só depois deixar claro onde quer chegar. Um romance à antiga, quando se escrevia sem ter pressa, com atmosfera e 'recheio' mais do que suficiente. Caudaloso, emocionante, com cenas de grande tensão, outras cheias de lirismo e mesmo tragédia, eu ainda não me conformo com seu final.
Será que alguém pode lê-lo sem se apaixonar por Gilliatt??
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Jumpin J. Flash 19/08/2009

O melhor!
Sem dúvida, o livro mais interessante que já li. Trata-se de uma verdadeira jóia da literatura, uma obra espetacular! Enquanto eu viver vou lembrar de Gilliat em sua luta contra a natureza por amor a Deruchette. Isso sem falar nos demais personagens memoráveis, como o capitão Clubin, mess Lethierry e o próprio "devil boat", que tanto trabalho deu a Gilliat!
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Adri 29/05/2012

Magnífico
Inacreditavelmente eu QUASE não o li....
Comecei a ler e o início detalha bastante o equipamento de um navio, nomes e funções de cada peça, e isso me deixou entediada, daí larguei a leitura. Mas depois pensei: Poxa, é Vitor Hugo, o cara não ia escrever algo assim tão chato... e pra mim livro é como gente, em geral merece uma segunda chance; então voltei a ler e foi a melhor coisa que fiz naquele ano...
Impressionante.... é de uma riqueza tão grande no mergulho da alma humana, tão poeticamente mostrando tanto o lado digno qto o ridículo, um tratado sobre as baixezas humanas, a hipocrisia então... palavras que nunca vi para descrever sentimentos humanos e que inesperadamente constroem a historia de maneira brilhante.
Depois de ler este, finalmente entendi a diferença entre um bom escritor e um escritor genial... E ainda por cima uma doce surpresa: a tradução do texto foi feita por ninguém menos que Machado de Assis!!! Simplesmente um dos meus autores favoritos, que eu amo de paixão!
É um livro pra reler ao longo da vida, com certeza...
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Lorien 20/11/2009

"O homem pode embriagar-se com a própria alma.Essa embriaguez chama-se heroísmo"
Apesar de eu ter curtido ler, principalmente em alguns pontos específicos, foi uma leitura bem arrastada. Adiada por anos, com o livro já na estante, e, quando começada, interrompida várias vezes.

O início do livro é muito interessante. Hugo usa vários capítulos e páginas descrevendo um mosaico de personagens, e,a princípio, é meio difícil de imaginar onde a história vai desembocar. Mais para o meio, o livro parece infinito, interminável. A impressão que se tem, pelo menos na versão que eu li, edição de bolso com letras miúdas e margem pequena, é que por mais que se leia, o marcador de livro não se move, a leitura permanece no mesmo lugar. E, talvez, o livro acabe, nesse ponto, irritando as pessoas que não gostam de descrições longas e minuciosas.
De minha parte, li marcando trechos e pensando em leituras prévias. Lembrei-me muito do Gaston Bachelard, no "A Água e os sonhos", sobre a imaginação da matéria. E um relato dos perigos do mar, sempre lembra os outros: Foi impossível não lembrar do Crusoé de Defoe, do Ulisses de Homero. Sem dúvida, a figura de Gilliat espelha essas e outras, pois a boa literatura, é, mesmo, a intertextual.
Mais para o fim, o livro é agoniante: Quando você pensa que está tudo bem e tudo vai dar certo, aparece outro imprevisto, e outro, e outro, e outro. O final, não é o de um conto de fadas, mas não deixa de ter sua beleza. E, como diz o Willian Goldman, no "O noivo da princesa", é um daqueles livros para ler sabendo que a vida não é justa.
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Bell 04/12/2009minha estante
Exatamente a mesma sensação que tive, um ótimo começo e depois uma parte descritiva arrastada que parece que o livro não termina




Dhyan Shanasa 02/12/2009

A Obra-prima!
Os Trabalhadores do Mar, na minha opinião, é a obra-prima de Hugo. Vejam que - e falo isso por ser escritor -, é mais trabalhoso escrever sobre coisas simples do que sobre coisas complexas. Nossa mente é preparada para lidar com quebra-cabeças sejam eles de qualquer forma. Quando nos deparamos com algo simples, a mente tende a travar. Em os Trabalhadores do Mar, Hugo usa toda a maestria que lhe é característica inerente, todo seu poder de observação quanto ao simples, ao cotidiano, ao simplório, ao belo mas pequeno, ao grande, porém limitado. A genialidade simples desta obra guerreia contra a complexidade épica dos Miseráveis, por exemplo. E, ao meu ver, ganha. E ganha com louvor, pois não há no mundo literário obra que diga mais sobre a junção homem/Todo, sobre a delicadesa da beleza, sobre a engenhosidade do homem simples, sobre a sabedoria do homem velho, sobre a velhacaria dos desconfiados, sobre a gatunice dos desavisados, sobre as direções dos ventos, das ondas, da mecânica do oceano, do hediondo poder da tempestade, da sombra obscura da criatura marinha...
Em suma, Os Trabalhadores do Mar é a obra perfeita.
Quem não o leu, ainda não leu nada.
Jumpin J. Flash 12/01/2010minha estante
Como fã número 1 dessa obra, só posso cumprimentá-lo pela resenha. Parabéns! Concordei com tudo.


Jumpin J. Flash 25/05/2010minha estante
Só por dizer que "é a obra perfeita" sua resenha já merece minha total aprovação!


Jefferson.IsaAas 18/04/2019minha estante
Sobre o navio a vapor ser rejeitado pela igreja católica que o chamou de a Máquina Do Diabo - porque o homem não pode unir o fogo e a água... é fantástico. Era essa a mentalidade daqueles tempos.




Edna.Galindo 07/08/2020

Natureza
É esse o efeito das existências esvaziadas. A vida é a viagem, a idéia é o itinerário. Sem itinerário, para-se. Perdido o Alvo, morre a força."

Essa é uma das frases literárias mais copiadas da Literatura Francesa.

Em outubro de 1855, Victor Hugo chegou a Guernsey, em busca de refúgio. Opositor do Segundo Império de Napoleão III, foi primeiro banido de sua terra natal, a França, depois da Bélgica e da ilha de Jersey. Buscou exílio na minúscula ilha, também no Canal da Mancha, o escritor precisava desesperadamente de asilo.

E ali o encontrou, esse cenário que seria seu lar durante mais de quinze anos, como escreveu na dedicatória:

"Dedico este livro ao rochedo de hospitalidade e de liberdade, a este canto da velha Normandia onde vive o nobre e pequeno povo do Mar, à ilha de Guernesey, severa e branda, meu atual asilo, meu provável túmulo."

"O exílio não me afastou só da França, mas sim do mundo", ele escreveu numa carta. Nesse retiro isolado e selvagem, uma dependência britânica a pouco mais de 40 quilômetros da Normandia, no litoral da França, Hugo passou o período mais produtivo de sua vida.

Guernesey o Cenário do livro é ? um lugar de contemplação silenciosa, caminhadas vigorosas à beira dos penhascos e baías sedutoras ? ainda está presente, como estão também os elementos da vida do Autor.

"Ser impotente é uma força. Diante das nossas duas grandes cegueira, o destino e a natureza, é na sua impotência que o homem acha o ponto de apoio, a oração."

Victor Hugo escreveu que são três as lutas do homem e as suas necessidades:

A RELIGIÃO como Ele descreve a hipocrisia e a deturpação por trás da mesma, equivalendo ao tempo e o que cada um faz com o seu na terra ? na sua grande obra O Corcunda de Notre-dame.

A SOCIEDADE e o como o homem pode contaminar e destruir em sua Obra mais conhecida ? Os Miseráveis

A NATUREZA Do ponto de vista humano a luta pela sobrevivência tanto do ponto de vista físico e espiritual, qual busca de cada um e o que ele empenha em busca de suas realizações, lembrando que cada ser é único mas que cada um compreenda que independe de sua vontade, sempre à uma força que os rege, o mistério natural.

Neste romance que Ele diferentemente romantizou quando criou um Personagem no estilo herói tanto em força física como extremamente invejável em suas atitudes como humano e ainda com um espírito livre e aventureiro.

Gilliatt um órfão que habita um casarão um tanto sombrio e que os moradores da Ilha atribuem o fato dele pertencer a uma gerações de bruxos, não é muito sociável,
vive no seu mundo isolado entre a casa e o Mar.

Deuruchette a garota que escreveu o nome de Gilliat na neve e que o despertou de sua solidão, e ela é tão infantil que no calor das emoções pela tristeza e o choque do Tio Mess Lethierry um homem dominador e torturado pelas rasteiras que a vida deu, e ter perdido a Durande a Chalupa, que ficou encalhada em um lugar quase impossível de resgate, promete se casar com quem o resgatasse e entra o nosso herói.

E o miolo do livro, vamos acompanhar a Luta homem e natureza que em uma linguagem marítima vamos desvendando os segredos e mistérios do Mar, eu gosto muito e vi comentários que isso deixou o livro cansativo, sim é descritivo mas me encantou saber sobre o murmúrio, sobre a as cores que compõe uma majestade crepuscular até os espectros que dela emana, realmente amei mergulhar nessa grandeza misteriosa, das esferas solares, do vento de sua força, da tempestade até os ventos invisíveis no fundo dos oceanos. São fenômenos inexplicáveis.

Em todo o tempo que durou o resgate da Chalupa um momento escruciante foi a luta com o Polvo, Gilliatt tinha um pensamento em Deruchette, apostou todas as fichas em um ser humano que como a maioria pela manhã pensa algo e à noite já não mais o avalia, a natureza humana a mais incompeendida no mundo e temos um final poético, doloroso mas tão humano que fará o leitor retornar e reler as últimas páginas.

#Bagagemliteraria
#Ostrabalhadoresdomar
#VictorHugo
#Bookstagram
#Clássico
#Amoler
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Bell 09/12/2009

Um livro que certamente merece uma nota maior, Victor Hugo cumpre o prometido no prólogo do livro, essa é a história de um só homem contra a natureza.

Mas, embora o livro comece muito bem e cheio de ironias muito bem colocadas, logo cai numa série de descrições, metáforas e todo aquele jeitão da escola romântica. Para quem gosta do estilo, o livro é ótimo, mas para quem não gosta, como eu, a leitura torna-se arrastada e as mais de 400 páginas tendem ao infinito.

Dei 3 estrelas justamente porque um livro que, para mim, prometia tanto no início tornou-se uma obrigação de terminar. Mesmo assim eu recomendo a leitura, mas só se você tiver muita paciência ou gostar do estilo romântico. Victor Hugo consegue tirar das coisas pequenas do cotidiano uma dimensão que você não imaginava, o começo do livro é absolutamente fantástico, crítico, irônico e observador, se o livro seguisse esse ritmo 5 estrelas não seriam suficientes.
Jumpin J. Flash 22/12/2009minha estante
A pessoa dá três estrelas para essa jóia da literatura universal, mas se acha no direito de criticar a opinião alheia... não me faltava mais nada! Peço água!


Guilherme 08/01/2010minha estante
Sinceramente, não lembro do livro se tornar essa eternidade toda... Lembro de uma trama envolvente, acontecimentos que nos tornam parte da história, receosos pelo destino de Gilliat. Vou reler e voltar aqui para esclarecer que preferências de estilo não fazem de um livro pior ou melhor!


Tiago 16/01/2010minha estante
Ta difícil expressar a opinião aqui no Skoob.


Anne 07/12/2016minha estante
Concordo plenamente com você




André 24/02/2020

Victor Hugo dizia que essa obra compõe "a terceira luta que pesa sobre a humanidade" - a natureza. A primeira - a religião, presente em "O Corcunda de Notre Dame" e a segunda - a sociedade, presente em "Os Miseráveis". O livro tem início com descrições do local e dos personagens isoladamente e a medida que se vai desenvolvendo a história a vida dos personagens vão se encontrando entre as relações humanas, relação criador-criação e humano-natureza, especificamente o mar que circunda a Ilha de Guersney, onde o autor passou parte de sua vida exilado. O personagem Gilliatt enfrenta os desafios do mar motivado por um propósito que assim como na sociedade e na religião, tornam cada etapa de perdas e ganhos uma contribuição para a evolução humana.
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Esther 24/01/2012

OS TRABALHADORES DO MAR

Um livro que suscita emoções e reações novas? Tive a felicidade de vivenciar esse sentimento na leitura de “Os Trabalhadores do Mar”, de Victor Hugo,uma obra reveladora, do tipo em que o leitor jamais sai incólume, da qual jamais se esquece, jamais se lembra sem emoção e prazer. Sim, é um texto de prazer, pois, como bem define Roland Barthes, texto de prazer é aquele que contenta, enche, dá euforia, típico do “escritor que tem na letra seu prazer”. Prazer que vem da beleza, da filosofia viva e da presença da poesia na prosa,claro, já que provém de um dos maiores poetas de língua francesa. Nessa obra, Victor Hugo mantém os elementos característicos da narrativa romântica, como a mulher idealizada, a tragédia, o herói pleno de virtudes,as descrições detalhadas... Porém, não é por meio desse universo idílico que cria empatia com seu leitor, mas, sim, pela abordagem das necessidades inerentes a todo ser humano, ilustradas na vida de um povo que vive na Ilha de Guernesay, na Normandia, no início do século XIX. Junta a essas necessidades as fatalidades que permeiam a vida, diante das quais sempre se pode sucumbir: a religião, a sociedade e a natureza; e enfatiza, ainda, uma fatalidade interior, a do coração humano. O autor demonstra que, ante esta última, até mesmo um forte homem do mar se vê à deriva, como é o caso do personagem principal, Gilliatt. Contudo, Gilliatt jamais sucumbe verdadeiramente, pois encontra o seu melhor em suas dificuldades e derrotas,trazendo para o leitor a presença da vida na morte, com seu amor que tanto lhe afoga quanto lhe dá ar e sentido à existência. Ele é dono de um espírito livre e capaz desse amor que o liberta ao mesmo tempo em que o condena. Embora quase selvagem, Gilliatt tem a delicadeza de sentir essas dicotomias do espírito e de deixar-se tocar por elas, apesar de não conseguir pensá-las. É Victor Hugo quem com elas nos presenteia, em palavras plenas em imagens e sentimentos. O primeiro capítulo já traz à tona o personagem de Gilliatt, quando seu nome é escrito na neve por Déruchette, aquela que será a sua amada. Pelos caminhos que esse amor o conduz, Gilliatt enfrenta as adversidades da natureza e da sociedade. Enfrenta-as com coragem e sabedoria, mas será que sobreviverá a seu amor? Só o que há de certo é que Gilliatt viverá por seu amor. Quanto ao desenlace dessa trama, seria inadequado que eu revelasse mais nestas linhas, mas o que posso adiantar é que o nome Gilliatt jamais será apagado, haja o que houver, embora escrito na neve.
Jefferson.IsaAas 18/04/2019minha estante
Não me parece que o Gilliatt tenha sucumbido. O livro é fantástico e seu comentário é de uma sensibilidade particular.




tadeufm 09/02/2011

Sensações e reações
Excelente livro, perfeito, apesar da leitura para mim dificil. Mas em uma segunda tentativa a leitura vai ficando agradabílissima. Tudo sobre o mar, o homem e a vida.
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Asbel 28/04/2016

Tudo acabou; só restava o mar.
Confesso que fiquei com um certo medo em avaliar esse livro ao final da leitura.

Reconheço a genialidade de Victor Hugo e sua contribuição para a literatura, não só francesa, como mundial.

A história te faz pensar em tantas coisas ao longo da leitura, que apesar de querer saber o final, toda a trajetória dos personagem já se constitui uma grande lição de vida.

Porém, em alguns momentos, o nível de detalhamento e a linguagem rebuscada (talvez familiar para navegantes do século XIX) tornou a leitura cansativa.

Para quem gosta do tema MAR, essa obra é um oceano! (O que não é o meu caso).

Por esses motivos, ouso dar 3 estrelas apenas, sentindo um certo remorso, talvez por estar sendo injusto com a obra, mas justo comigo mesmo.
Thiago Valença 28/04/2016minha estante
Eu já li algumas coisas do Victor Hugo, ele escreve com muito sentimento, sempre muito detalhe, isso me faz dispersar rsrsrs. Mas eu gosto da histórias dele, um dia lerei Os Miseráveis.... mas meta muito pra frente, rs


Anne 07/07/2016minha estante
Concordo plenamente com você, estou lendo mas é uma leitura tão arrastada pelos detalhes, honestamente não está me agradando.


Thaianne 04/07/2019minha estante
Mesma hesitação que eu tive dando 3.5 estrelas kk! O final me emocionou, mesmo eu imaginando de antemão o que ia acontecer, mas houve momentos em que quase me afoguei na leitura kk... Achei que seria injusto valorizar mais a conclusão que o processo


Raquel 07/05/2020minha estante
Achei o final desesperador. Ele morreu, é isso? Eu nunca chorei tanto com o final de um livro, tenho emocional não...




jpbattisti 07/10/2015

Amo e odeio Victor Hugo
Uma leitura hora técnica, hora narrativa. Quando técnica, prolixa, quando narrativa, imersiva. Essa variante de na escrita torna o livro mais amado e odiado, torna a leitura de cada capítulo indispensável, torna cada linha de texto mais emocionante.
Hora parado, hora agitado. Em cada ação somos levados pra dentro da mente de cada personagem, temos conhecimento de todos os seus pensamentos e entendemos cada uma de suas ações. A ação é suportada pelas Coisas, há a explicação natural e física de tudo, há a ciência em cada ato de fé, há a fé em cada demonstração de ciência.
Não há o implausível.
Não prende o leitor como Dan Brown, JK Rowling, CS Lewis, RR Martin ou outros autores que inserem elementos de suporte ou terminam cada capítulo como se fosse o final de um seriado televisivo. Tem que querer continuar, tem que querer ler mais, a leitura é massiva mas ao mesmo tempo apaixonante, monótona mas imersiva, prolixa mas necessária.
Por fim, considero, dentro da gama de livros que já li, um dos mais imersivos, tão detalhado quanto Os Sertões, tão grandioso quanto O Inferno de Dante, tão apaixonante quanto O Senhor dos Anéis. O local descrito existe, os personagens não existiram, a imersão temporal é real, a história não. O Canal da Mancha passa a ser mais que uma ligação entre França e Inglaterra, o Século XIX é mais do que apenas histórias. Guernsey é um lugar foda e quero ainda visitá-lo, Gilliatt não existiu , mas é, hoje, o melhor personagem que um autor já colocou na minha cabeça.
Passo a amar Victor Hugo, mas odiá-lo mais.
Isso é Os Trabalhadores do Mar
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Daniel Fessler 24/01/2018

O sonho é o aquário da noite
Meu livro favorito em todos os tempos. Não há uma linha sobrando, faltando ou fora de lugar. Victor Hugo domina as palavras de uma maneira que nunca vi igual. Creio que a tradução de Machado de Assis, outro gigante, só torna a experiência ainda mais impressionante.
O livro tem passagens que me comovem só de lembrá-las e que jamais sairão da minha memória, não apenas por seu significado, mas pela maneira como o autor as escreveu. A cena final do livro está gravada na minha mente de maneira quase cinematográfica.

Paro por aqui. Sinceramente, não vale a pena fazer uma sinopse da trama: isso já foi feito em diversas resenhas, de maneira muito mais competente do que eu seria capaz. Minha resenha, na verdade, é quase um agradecimento público ao maior dos escritores franceses, por ter, sem nenhum exagero, causado um impacto definitivo na minha vida.
schmidt 26/02/2018minha estante
"Os Trabalhadores do Mar" tambem é meu livro preferido, voce disse tudo no seu 1o paragrafo. Parabens pelo poder de sintese.


Daniel Fessler 28/02/2018minha estante
Agradeço pelas palavras, Schmidt. Um abraço.




Albuquerque 06/07/2010

Victor Hugo!
O livro é muito bom, o personagem principal é o cara, a única coisa que não me agradou muito foi o final, mesmo, mas o desenrolar da história compensa muito! Victor Hugo é um "monstro"!
Têco 01/08/2010minha estante
O final é deslumbrante e o revelar de toda a obra (a vontade superior da alma maior e "espírito santo" "descompromissada" ou apenas tímida - força x timidez), na minha opinião! Chega até a ser absurdo, mas de uma beleza incomensurável. Lembra o jovem personagem dos Os Miseráveis que "não conseguia chegar" na jovem moça no parque, no período em que estava Jean escondido na capela.


Albuquerque 02/08/2010minha estante
Olha, Têco, por mais bonito e surreal que o final possa ser, eu esperava um fim melhor para o Gilliatt... o cara sofreu demais, enfrentou nada mais nada menos que o mar, sozinho, e realizou o impossível pela amada. Eu costumo ficar chateado quando o final ocorre como no "Trabalhadores do Mar". Fico frustrado, ainda mais quando gosto da personagem! Mas o livro é um primor assim mesmo. "Os Miseráveis" é outra obra prima!




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