Ariel

Ariel Sylvia Plath


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Resenhas - Ariel


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Cheiro de Livro 14/09/2018

Ariel
“A notoriedade de Ariel advinha de ter sido o manuscrito deixado sobre sua escrivaninha quando ela morreu, em vez de ser simplesmente um manuscrito extraordinário” destaca Frieda Hughes, filha de Sylvia Plath, em sua introdução à edição restaurada de Ariel, publicada originalmente em 2004 e traduzida no Brasil por Rodrigo Garcia Lopes e Cristina Macedo para a editora Verus. Considerando toda a construção mítica que se fez ao redor de Plath e sua morte, não se pode dizer que Hughes esteja errada.
A coletânea de poemas Ariel foi publicada pela primeira vez em 1965, dois anos após o suicídio de Plath. Ela estava se separando do marido, o também poeta Ted Hughes, depois de descobrir um caso extraconjugal dele. Em seus poemas, ela traz a público diversas questões pessoais, como os problemas de seu casamento, sua constante luta contra o transtorno mental, seu ressentimento por Hughes e sua dificuldade em superar a morte prematura do pai. Após sua morte, foi alçada à categoria de ícone feminista, cujo brilhantismo foi aniquilado antes do tempo pela opressão patriarcal. Hughes, tido pelo público como seu algoz, foi publicamente criticado e midiaticamente perseguido pelos admiradores da autora até a morte deste. Na lápide da poeta, consta o nome “Sylvia Plath Hughes” porém não é incomum encontrar seu sobrenome de casada riscado.

O manuscrito contendo quarenta poemas cuidadosamente organizados foi encontrado em uma pasta preta sobre a escrivaninha da poeta no dia em que morreu. Ariel estava pronto para publicação, porém Hughes modificou consideravelmente a organização da coletânea, excluindo 13 poemas que considerou particularmente agressivos ou ofensivos para pessoas que ainda estavam vivas, e incluindo outros no lugar.

Na sequência de Hughes, os poemas de Ariel são marcados por um desgaste passional, por uma energia vital consumida no processo criativo levando à auto-aniquilação. Há um tom de resignação, sugerindo a inevitabilidade do suicídio de Plath, e um excessivo enfoque no término do relacionamento. A organização original da poeta, no entanto, lida com uma série de outras questões e sentimentos além da crise em seu casamento, trazendo uma mensagem de renovação e recomeço: inicia com a palavra “amor” no poema “Canção da manhã” e finaliza com “primavera” em “Hibernando”. A própria Plath declarou em entrevista à BBC que imaginava Ariel como um sintoma de seu renascimento.

Plath estava plenamente consciente da qualidade excepcional do que estava produzindo no que seriam seus últimos anos. Mesmo antes do fim de seu casamento, sua poesia já adquiria a voz potente carregada de urgência que marcaria os poemas de Ariel. Nesta coletânea estão alguns de seus trabalhos mais extraordinários, como o poema título que descreve o ritmo acelerado e a experiência quase transcendental de uma cavalgada montando a égua Ariel, a “leoa de Deus”. Ou o brutal “Papai” em que o eu lírico disseca seus conflitos mal-resolvidos com a figura paterna/masculina. Ou o quase profético Lady Lazarus, que parece descrever com perfeição o destino póstumo da própria poeta: uma mulher que renasce após a morte num espetáculo público, saída das cinzas e devorando homens como ar.

Nesta edição restaurada e bilíngue vemos pela primeira vez a coletânea Ariel tal qual foi idealizada por sua autora. A edição traz também o fac-símile do manuscrito original, que permitem acompanhar o processo criativo de Plath. Traduzir poemas não é tarefa fácil e inevitavelmente o ritmo, as rimas, aliterações e jogos de palavra muitas vezes se perdem. Mas Rodrigo Garcia Lopes e Cristina Macedo fazem um trabalho excepcional mantendo a essência da poesia de Plath e transmitindo com maestria o turbilhão de emoções que transborda de cada verso.

site: http://cheirodelivro.com/ariel-sylvia-plath/
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Gaby 29/08/2018

Arrasador
Vamos iniciar esse texto com uma frase famosa do escritor Ernest Hemingway (1899-1961) sobre a escrita: “There is nothing to writing. All you do is sit down at a typewriter and bleed.” Tudo o que lhe resta fazer, quando você senta frente a uma máquina de escrever, é sangrar. E Sylvia Plath sangra em sua escrita; sangra porque não há nada em seus textos que não carregue nem que seja um pouco de tristeza, desalento, enfermidade e tragédia, tudo o que a levou a última decisão que tomaria, e pela qual se tornaria conhecida, mais ainda que pelos seus melancólicos escritos: seu suicídio aos 30 anos de idade.

A relação conturbada com o marido infiel, o aborto que sofreu (e que é um tema recorrente em vários de seus poemas), a depressão, os conflitos na família, a morte do pai... Como não sangrar no papel todo tormento pelo qual passou? Sylvia escreveria também, em um de seus diários “let me live, love, and say it well in good sentences”. Não há dúvidas, conhecendo um pouco de sua biografia, de que ela viveu intensamente; não deveria ser uma surpresa, então, encontrar em sua poesia essa intensidade, essa vivacidade e essa inquietude presente em todos os poemas que compõem "Ariel".

Desejei esse livro por muito tempo! O título ficou um bom tempo esgotado e só agora, com uma nova edição da Verus Editora, finalmente tive a oportunidade de realizar a leitura, e da melhor forma possível quando o assunto é uma coleção de poemas: em edição bilíngue, com o texto original de um lado e a tradução (de Rodrigo Garcia Lopes e Cristina Macedo) no outro. Sempre que encontro um poema cujo texto original é em outra língua, faço uma pesquisa e questão de ler as duas versões, mesmo que não entenda aquele idioma. A forma, a cadência... Muito é perdido na tradução de poemas, como bem sabemos. Acabamos lendo a interpretação dos tradutores sobre aquele texto. E isso torna a leitura menos válida? A resposta é não, não torna a leitura menos válida, de forma alguma. É preciso entender que a tradução e a revisão de um livro, independente do gênero, enfrenta certas dificuldades, e que o poema, por possuir a forma de versos e harmonia que manifestam sentimentos e tendem a emocionar o leitor, muitas vezes não só pelas palavras, mas a forma como foram derramadas naqueles versos, o som da união entre uma e outra... é uma dificuldade ainda maior. Eu, pessoalmente, prefiro quando a tradução se mantém o mais fiel possível ao texto original, quando é possível mantendo o ritmo etc, e os tradutores de Ariel fizeram um trabalho realmente muito bom.

Não há nada como a leitura de um bom poema em certos momentos da vida.


"Ariel" teve um começo difícil, sendo publicado por Ted Hughes com algumas alterações do manuscrito original deixado por Plath em cima de sua escrivaninha no dia de sua morte, na ordem que ela queria que fosse publicada. Muitos poemas ficaram de fora dessa primeira publicação; poemas que falam da infidelidade de Ted, sobre alguns amigos e sua família e que Hughes, para "se preservar", colocou-os de lado até que, depois de sua morte, os direitos sobre as obras de Plath passaram para sua filha, Frieda Hughes, que estava mais do que disposta a reunir novamente os textos de sua mãe da forma como a mesma tinha desejado antes, respeitando a ordem dos poemas e a vontade de Sylvia.

Um dos poemas excluídos por Ted da coleção foi Mulher estéril (Barren Woman), entre muitos outros. Com a apresentação intitulada O Caso Ariel, escrita pelo Rodrigo Garcia Lopes e o prefácio de Frieda Hughes, é possível compreender mais a fundo a importância dessa publicação e, mais além, a recuperação de um documento que teve tantas alterações ao longo do tempo e que por muitos anos foi contra o que a própria escritora queria. Mesmo após sua morte, Sylvia foi calada; teve seus gritos de vingança e dor abafados em uma gaveta fechada por muito tempo. Essa leitura, tanto dos textos de apoio quanto dos poemas em si, são essenciais para um entendimento maior dessa personalidade arrasadora que foi a Sylvia Plath.

Esse é um livro muito bonito, com fac-símile dos escritos originais e, no final, a presença de diversos rascunhos do poema-título, Ariel, em diversas fases de sua "preparação" para o que conhecemos hoje.

Leitura recomendadíssima!

(Post completo com fotos da edição no link abaixo)

site: http://umaleitoravoraz.blogspot.com/2018/08/resenha-ariel-de-sylvia-plath.html
Sun's daughter 29/08/2018minha estante
Depois dessa resenha, vou ter que ler com certeza! Obrigado.


Gaby 30/08/2018minha estante
Espero que goste da leitura!!! ^^




evandroarte 01/06/2018

Ariel, de Sylvia Plath
“Dissolve-se no muro. | E eu | Sou a flecha, | Orvalho que voa | Suicida, e de uma vez avança | Contra o olho | Vermelho, caldeirão da manhã”. Assim termina o poema Ariel que dá título ao livro de Sylvia Plath (1932-1963). A autora escreveu romances, contos e poemas em sua breve vida, mas foi na poesia que mostrou a força e as dores da palavra escrita. Ariel, originalmente publicado por seu ex-marido logo após o suicídio da autora, foi, então, substancialmente alterado. Ted Hughes, o ex-marido e também poeta, acrescentara poesias de Plath não originalmente pensadas para o livro e eliminara 13 outros poemas que considerou pessoalmente agressivos – Plath sabia da infidelidade de Hughes, possivelmente a principal inspiração dramática por trás de Ariel. Nesta edição bilíngue e fac-similar publicada pela Verus Editora em 2007, o texto original da autora é mantido no que era para ter sido um renascimento, mas se transformou num poderoso testamento literário para o triste desfecho da vida de Sylvia Plath. Ariel também é uma personagem de William Shakespeare na peça A Tempestade, bem como o nome do cavalo que Sylvia costumava cavalgar.

site: https://cronicasdoevandro.wordpress.com/
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Manuela 11/04/2014

Um livro à desejo da autora
Antes do suicídio, Sylvia Plath havia organizado, cuidadosamente, seu próximo livro de poesias - os poemas, escritos entre 62 e 63, estariam, segundo a própria autora, entre os seus melhores. A vida tem dessas fatalidades e, após sua morte, a primeira publicação de Ariel não atendeu ao pedido de sua criadora. Seu marido, o então viúvo Ted Hughe, alterou os originais, tanto com a inclusão de outros poemas, escritos um pouco antes, quanto com a exclusão de outros que, ao seu ver, possuíam teor extremamente íntimos. Assim, Ariel acabou recebendo um outro caráter - segundo os críticos, e sua própria filha, que desfez o infortúnio anos depois, quase uma carta de suicídio.

Diferente do que se imaginava à princípio, Ariel possui, antes de tudo, a esperançosa vontade da volta por cima - ultrapassando as questões pessoais, o extremo ciúmes, a insatisfação com o matrimônio, a traição, a separação, entre outras situações que percorreram seus dias. Não sei os motivos que a levaram ao suicídio, mas sei que eles não se encontram expostos em Ariel.

A edição publicada pela Verus é belíssima. Principalmente por ser bilíngue. De pronto, enamorei-me pela capa. O tom sóbrio, sem firulas, trouxeram uma ideia de proximidade. Os fac-similes dos poemas digitados por ela, com correções a caneta e que demonstram a sua caligrafia, são de uma beleza tão singular, que, por vezes, me vi apenas os admirando.

Poesias possuem sonoridade própria, o que torna a tradução muito difícil - me parece que Rodrigo Garcia Lopes e Maria Cristina Lenz de Macedo as fizeram muito bem. Mas não houve como não me render à escrita da própria autora e deixar de lado aquilo que poderia ser. Originais me fascinam. Mesmo que me forcem a usar o meu vacilante inglês.

"[...]
I shall unloose --
From the small jeweled
Doll he guards like a heart --

The lioness,
The shriek in the bath,
The cloak of holes."
Catarinnah 25/05/2014minha estante
Aguardo ansiosa pelo empréstimo desse livro e depois dessa resenha tenho certeza que ficarei admirando também essa obra.


Manuela 18/06/2014minha estante
Prometo o empréstimo na volta do recesso, rs.




Aguinaldo 05/02/2011

ariel
Este belo livro reune 40 poemas de Sylvia Plath. A edição é bilingue, bem cuidada, com fac-símiles das páginas datilografadas originais e com fac-símiles dos vários manuscritos do poema que dá nome ao livro, através dos quais podemos acompanhar a gênese mesma do poema. A primeira edição deste livro é de 1965, mas recentemente, em 2004, o livro foi publicado na forma que se acredita a autora tenha definido como a ideal. A tradução foi feita por Rodrigo Garcia, escritor, acadêmico e poeta ele também, e Maria Lenz de Macedo que graduou-se aqui em nossa gloriosa "universidade federal em santa maria". Ariel e Sylvia Plath sempre geraram controvérsia por conta de uma pretensa adulteração dos originais promovida pelo marida dela, o também poeta Ted Hughes. Como ela suicidou-se pouco depois de terminar de organizar os originais de Ariel, não foram poucos que acusaram o marido de censurar poemas inteiros. Aliás é mais comum ouvir falar de Sylvia Plath em rodas de dicussão feminista ou em debates sobre os direitos das mulheres que em congressos e encontros acadêmicos de literatura. Paciência. O livro inclui um prefácio da filha da autora, a também poeta Frieda Hughes. Pois lendo-o percebe-se que a versão melodramática "mulher frágil e a frente do seu tempo" versus "marido infiel e mutilador de poemas", não corresponde a realidade. Frieda Hughes é muito generosa à memória do pai, tanto como escritor cioso de sua obra e daquela de sua companheira morta, como figura paterna modelar. Não são poemas fáceis, que se prestem a serem recitados em convescotes de poetas tolos, a autora exige concentração e imaginação do leitor. Alguns são curtos e sintéticos, outros bem mais longos e reflexivos. Gostei da série de poemas onde há uma metáfora envolvendo abelhas e balas. Noutro, a menção sofrida ao rio Letes, o rio do esquecimento, é mesmo um repasto para qualquer analista. É bom deixar-se encantar por este belo livro. [início 31/01/2009 - fim 03/02/2009]
"Ariel", Sylvia Plath, tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maria Cristina Lenz de Macedo, editora Verus (1a. edição) 2007, brochura 12,5x18, 209 págs. ISBN: 978-85-7686-026-6
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Aribra 19/05/2009


Traduzir Sylvia Plath não é fácil, e este livro foi traduzido por Rodrigo Garcia Lopes em parceria com Maria Cristina Lenz de Macedo com louvor.
Os poemas são emocionantes, fazem rir, chorar, desesperar... Não tem como não gostar.
Esta edição tem um adendo com notas que fornecem a data em que os poemas foram escritos (“O Enxame”, por exemplo, é de 7 de outubro de 1962), revelam os bastidores de cada um (como indicar que “Canção da Manhã” foi dedicado à filha, Frieda) e trazem explicações de algumas opções estilísticas de Sylvia (como usar a onomatopéia de um tiro de canhão – pou, pou!).
É um bom exemplo do universo poético de Sylvia Plath.
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