Persuasão

Persuasão Jane Austen




Resenhas - Persuasão


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Sandra de Oliveira 20/12/2010

Não foi uma leitura das mais fáceis. Mas isso não significa que o livro não seja bom, muito pelo contrário: último romance escrito por Jane Austen (completo, vale lembrar e publicado em 1818), Persuasão reflete todos os estilos e marcas da época - a condição social sobressaindo-se ao amor, escolhas erradas, desentendimentos, separações, indiferença e saudade.

Um livro lindo! Veio à mim num momento bastante oportuno, pois faz uma reflexão romântica sobre a espera.

Anne Elliot é uma garota simples, meiga e apaixonada. Capitão Frederick Wentworth é toda a razão do afeto de Anne. Mas e toda boa história de amor tem sempre um mas, quis o momento, a vida, o destino ou a razão que ambos ficassem separados por 8 anos e meio. Nesse tempo, somos levados a entender as motivações que resultaram nisso.

E acompanhamos também toda a dor, sofrimento, sentimentos contraditórios e incertezas entre Anne e Wentworth e a espera de resgatar um tempo que passou, mas que insiste em voltar nas lembranças a todo momento. Romântico até o último fio de cabelo. Como deve ser. Sempre.

Quem lê muito ou mesmo assiste a muitos filmes sabe que acabamos muitas vezes nos identificando com os personagens. Aqui, mesmo que datado de 1818, é uma história atemporal. É muito possível que sempre haja alguém que mesmo numa frase encontrará algo a que se lembrar com sua própria história. E isso é mágico e faz toda a diferença.

No filme A Casa do Lago, a personagem de Sandra Bullock fala sobre Persuasão exatamente como mencionei aqui: um livro sobre a espera. Pessoas separadas pelo tempo, à espera de que o momento que se perdeu volte. Uma visão fascinante do amor que vemos em livros, filmes e por que não, na vida também!
Isis C. 20/12/2010minha estante
Adorei sua resenha, me motivou a ler o livro! Já coloquei na minha lista.


Iza 31/12/2010minha estante
Gostei mt da resenha, estou doida p ler esse livro ;]


Su 23/01/2011minha estante
Sua resenha é perfeita, até quando fala sobre a Casa do Lago. Ficou tão claro pra mim, a ligação entre o filme e o livro depois que li sua resenha. Parabéns...Ah! e o livro é realmente lindo.


Cris Flessak 20/04/2011minha estante
Essa tua linda resenha e analogia com o filme me convenceu a comprar o livro!! E sendo da Jane Austen, não tem como errar!
Bjo
Cris


Letícia Alves 25/02/2012minha estante
Sua resenha eh maravilhosa. Sou uma grande fã da Jane Austen, li e no inicio realmente achei um livro meio complicado de se ler, mas ao longo da historia, mesmo quem nunca passou realmente pelo q a Anne passou capta e sente na pele e no coraçao o que ela sentiu. Para mim foi o romance mais maduro de Jane. Um dos melhores.


Léia Viana 08/06/2012minha estante
Também tive a mesma impressão que você. É um livro que fala de espera e de fato, não é uma leitura das mais fáceis.


Laise 13/07/2012minha estante
Tinha parado de ler justamente por ser meio difícil.. Com esse costume de ler coisas fáceis e rápidas da internet acabei deixando os livros de lado, mas depois de ler essa resenha reacendeu a minha vontade de continuar.


Gi Marques 23/01/2013minha estante
Olha, eu estava prestes a largar este livro em qualquer canto do armário, mas, depois de ler sua resenha, vou reconsiderá-lo. Não consigo sequer olhar para ele sem querer entrar numa máquina do tempo e socar a cabeça da Jane Austen contra a parede por ter feito um livro tão bom e tão difícil de ler.
Obrigada pela resenha :)


Denise 26/02/2013minha estante
Ótima resenha...
Acabei de ler o livro.... ADOREI!!!


Yasmin Carneiro 14/10/2013minha estante
Realmente a sua resenha é incrível! Para quem leu O Morro dos Ventos Uivantes, Persuasão me parece suave, relaxante. Estou na metade do livro e não pretendo parar... Jane como sempre encantadora e detalhadora da época em que viveu. Uma pena não ter visto Persuasão ser publicado...


Juliana 15/01/2015minha estante
parabéns pela resenha! Me motivou a ler o livro :)
Ah, aproveitando.. criei um grupo para os clássicos Zahar. Dá uma olhada lá e fique à vontade para recomendar suas leituras. Link do grupo: http://www.skoob.com.br/grupo/4074
Abs! :)


Rafaela 10/01/2018minha estante
A mensagem do livro realmente é linda! Sempre me pego relendo algumas passagens.


Samara 17/06/2018minha estante
Caramba !!! estou lendo justamente porque vi Sandra mencionar o livro "persuasão " no filme "A casa do lago".. E tenho que admitir que as duas obras são emocionantes , criativas e incríveis a ponto de arrancar suspiros .
Muita coincidência ler sua resenha !!!




Coruja 06/07/2010

Uma análise mais que aprofundada...
Persuasão foi o último romance completo que Austen escreveu ela começou pouco depois de ter terminado Emma, por volta de agosto de 1815, terminando a primeira versão um ano depois, já doente. Considerando que ela escreveu Orgulho e Preconceito em 1796, no mesmo espaço de um ano, para depois revisá-lo e revisar de novo até 1811, é compreensível que por vezes Persuasão pareça uma obra... não digo inacabada... mas sem o devido polimento.

Pois é, eu também fiquei meio besta quando descobri que Tia Jane passou quase quinze anos revisando um livro...

Apesar disso, é meu livro favorito da Austen. Há um amadurecimento tanto no tema quanto na forma com que ela escreve. Para começo de conversa, a protagonista é quase uma balzaquiana, à beira dos trinta anos o que, para os padrões da época, era já a meia-idade ao contrário de todas as suas outras heroínas: Jane Bennet tem 22 anos e Lizzy, 21 ao começo de Orgulho e Preconceito; Elinor Dashwood tem 19 em Razão e Sensibilidade.

Nenhuma delas tem grande experiência podem até ter um bom senso natural, mas não experiência e todas elas estão ali se apaixonando pela primeira vez.

Essa é a primeira grande diferença de Anne Elliot para todas as suas outras colegas de estante. Ela tem vinte e sete anos e não se casou o que a qualifica para se sentar com as matronas e solteironas em qualquer salão. Ela não é material para casamentos ou mesmo para felizes para sempre. Além disso, ela tem a experiência do primeiro amor e também de um coração partido.

É engraçado, mas Persuasão foi criticada duramente por sua falta de moral: em 1818, quando primeiro publicada, criticou-se porque não parecia muito sábio que aos jovens fosse permitido escolherem com quem queriam se casar a conduta de Anne era subversiva, quase escandalosa. Duzentos anos depois, os críticos reclamam que Anne é quase perfeita, tediosamente desprovida de faltas.

Vá se entender os críticos...

A verdade ao menos na minha opinião de leitora é que Persuasão é sim uma obra meio subversiva, especialmente a se considerar os padrões da época. De todos os casais de Austen, Anne e Wentworth são os mais passionais, os únicos que realmente desafiam convenções (e não apenas as convenções de classe).

Não era o Sr. Wentworth, o antigo cura de Monkford como as aparências poderiam levar a supor, mas sim um capitão Frederick Wentworth, seu irmão, que, tendo sido promovido a comandante em sequência de uma batalha ao largo de São Domingos e não tendo sido imediatamente destacado, viera para Somersetshire no Verão de 1806; e, como já não tinha os pais vivos hospedara-se, durante meio ano, em Monkford. Ele era, nessa altura, um jovem esplêndido, muito inteligente, ativo e brilhante; e Anne era uma menina extremamente bonita, meiga, modesta e com bom gosto e bons sentimentos. Metade da atração sentida por cada uma das partes teria bastado, pois ele não tinha nada que fazer e ela não tinha praticamente ninguém para amar, mas a confluência de tão abundantes qualidades não podia falhar. Foram-se conhecendo gradualmente e, depois de se conhecerem, apaixonaram-se rápida e profundamente.

A natureza da relação de Anne e Wentworth pode perfeitamente ter sido um dos motivos para que Lady Russell tenha aconselhado sua protegida a desmanchar o noivado. Não era apenas uma diferença de classes, uma questão econômica, mas existia um componente quase incendiário na equação. Lady Russell podia ver ali uma semente para um Romeu & Julieta da vida: muito rápido, muito intenso e pouquíssimo aconselhável.

Claro, em nada facilitava que Wentworth estivesse para partir de novo e quisesse apressar as coisas o máximo possível. Vamos concordar que além de impulsivo, o cara era bastante cabeça-dura e teimoso.

Mas eu o desculpo porque ao final das contas, Wentworth é um pirata institucionalizado ainda que ele divida o botim com o Estado, não deixa de ser um pirata, pilhando navios franceses e espanhóis e há poucas figuras mais charmosas que um bom e velho pirata.

Ok, esse foi um comentário cretino. Voltemos ao que interessa...

Aliás, nos primeiros estágios do reencontro e reconhecimento de Anne e Frederick, podemos ver esse elemento passional com bastante clareza.

A emoção que sentiu ao descobri-lo deixou-a completamente sem fala. Ela nem sequer conseguiu agradecer-lhe. Só conseguiu ficar junto do pequeno Charles, sentindo-se muito perturbada. A amabilidade dele ao vir socorrê-la, a sua atitude, o silêncio em que tudo se passou, os pequenos pormenores, juntamente com a convicção que logo lhe ocorreu, pelo barulho que ele estava a fazer propositadamente com a criança, de que ele tencionava evitar ouvir os seus agradecimentos e procurava mostrar que o que menos queria era conversar com ela, produziram um turbilhão de sensações confusas e dolorosas de que só conseguiu recompor-se quando Mary e as Meninas Musgrove entraram, e ela pôde entregar a criança aos seus cuidados e sair da sala. Ela não podia ficar. Talvez fosse uma oportunidade para observar os amores e os ciúmes dos quatro; eles estavam agora todos juntos, mas ela não podia mesmo ficar.

E não esqueçamos das palavras do próprio Frederick, que falando sobre James Benwick, está obviamente dando vazão aos próprios sentimentos:

Parece, pelo contrário, ter sido um sentimento perfeitamente espontâneo da parte dele, e isso surpreende-me. Um homem como ele, na sua situação! Com o coração ferido, quase destroçado! Fanny Harville era uma criatura superior; e o seu amor por ela era verdadeiramente amor. Um homem não se refaz facilmente de uma tal dedicação por uma mulher assim! Ele não deve, não pode, fazê-lo.

Ok, agora vamos considerar o seguinte... nessa época, se uma garota se encontrasse sozinha na presença de um rapaz por uma certa quantidade de tempo, isso era motivo suficiente para que ela tivesse sua reputação manchada, bem como para que a família exigisse reparação em outras palavras, casamento.

A mulher era educada para ser uma dama perfeita, de sensibilidade e modéstia, romântica, frágil Austen, aliás, faz constante graça com essa imagem moldada em muitos romances seus contemporâneos; no inacabado Catherine or The Bower, Mrs. Percival sente-se tão absoltamente confusa com o enorme número de regras existentes para criar uma moça que acaba decidindo-se a reduzir todo aquele imenso código moral em uma única regra a ser aplicada a sua protegida, Catherine: não deixe sua filha conhecer um homem e você estará segura.

Sob essa compreensão do período, o comportamento de Anne que puxa conversa com Wentworth no concerto em Bath, buscando seu olhar, tentando desesperadamente, por todas as formas possíveis, comunicar-lhe seus sentimentos ora, isso era realmente subversivo, escandaloso, uma imoralidade!

Antes, contudo, que cheguemos a essa parte da história, há muito chão e muitas observações a fazer.

Embora, realmente, a persuasão esteja constantemente presente, constantemente alguém esteja sendo persuadido, influenciado, mas esse não é o único grande tema da história.

Existe aqui realmente um conflito moral. Por um lado está tudo aquilo que Anne aprendeu durante sua vida, todas as convenções sociais, tudo aquilo que é certo pelo julgamento dos outros... e tudo aquilo que é certo pelo seu julgamento.

Durante a primeira parte da história, Anne é com o perdão da palavra um capacho, uma verdadeira mosca-morta. De todas as heroínas de Austen, ela é a mais solitária: diferentemente das Dashwood ou das Bennet, Anne não tem em nenhuma das irmãs um apoio, uma confidente.

A única pessoa no mundo que se importava com ela era Lady Russell e, após a amargura de sua despedida de Wentworth, mesmo ela, Anne afastou.

O engraçado é que Anne, figurativamente, a garota perfeita. Ela tem boas maneiras, é gentil, delicada, gosta de livros, toca bem, fala italiano com fluência, é capaz de administrar uma casa apesar dos mandos e desmandos da irmã e do pai, é inteligente, tem senso de humor ela é, enfim, o modelo daquela moça prendada que Lizzy, os Bingley e Darcy discutem em Netherfield.

Mas Anne é, também, uma pessoa vazia. Tendo escolhido viver por princípios e pelo julgamento da sociedade uma decisão completamente racional ela sacrificou sua felicidade. E o que ganhou com isso? Vivendo à sombra da família, uma sombra ela mesma, permitindo que todos usem e abusem de si: ao início do livro, Anne perdeu toda a energia, toda a vontade de viver. Ela passa pelas horas e dias de forma mecânica.

Em outras palavras, Anne é um zumbi.

Não há nenhuma ação positiva da parte de nenhum dos protagonistas para precipitar o reencontro. Anne e Frederick terminam a história juntos por um golpe de sorte: em quase oito anos, nenhum deles fez qualquer tentativa de contatar o outro; não tivessem eles se reencontrado, independente do quanto tenham sido obviamente feitos um para o outro, independente de nenhum dos dois ter encontrado felicidade nos braços de outra pessoa (e ambos obviamente tiveram a chance de tentar), não fosse o acidente de percurso dos Croft terem ido parar em Kellynch Hall, eles nunca teriam agido em seus sentimentos.

Obviamente que se isso tivesse acontecido, não haveria muita graça em ler a história, não é verdade?

Ok, o que eu tenho para dizer sobre Frederick... bem, primeiro, que, embora Mr. Darcy seja uma quase unanimidade, meu protagonista favorito das novelas de Austen é o capitão. Afinal, ele usa uniforme (kkkkkkkkkkkkkkk), e além de tudo, ele é um pirata, e eu tenho uma certa queda por piratas não os de verdade, é claro, aqueles que passavam meses no mar sem tomar banho e cheiravam ao "delicioso" perfume de rum e suor e sujeira.

Não, eu prefiro os piratas ficcionais, muito obrigada. Aqueles que não cheiram. Ou, se cheiram, pelo menos é só na descrição literária.

Segundo... por mais apaixonante que Wentworth seja, eu não vou negar que ele é, ao menos no princípio da história, um bastardo egoísta que não sabe o que quer e é deliberadamente cruel.

Se fosse uma história passada no dias de hoje, eu realmente guardaria um imenso rancor da Anne por ter desmanchado o noivado deles. Eu diria que ela se deixava influenciar muito facilmente e que ela tinha a escolha de ficar com ele. À luz da época em que a história se passa, contudo, as coisas não são tão simples.

Eu já disse antes que Anne e Wentworth são dos casais mais passionais de Austen e que essa irracionalidade que é um componente da paixão talvez tenha sido um dos motivos pelos quais Lady Russell aconselhou Anne a deixar Frederick partir. Mas, além disso, temos a questão de classe e de dinheiro também.

É muito fácil se deixar levar por noções românticas, de que não importam quais os obstáculos que se estabeleçam, o amor supera tudo.

Há vários cenários como resultado do que aconteceria se Anne tivesse continuado com o compromisso. Considerando que ela mesma não tinha uma herança ou um dote; e que Frederick muito menos tinha onde cair morto, não havia como eles se casarem de imediato.

Se ainda assim eles tivessem decidido que iam sobreviver de beijos e abraços, o que aconteceria quando Anne se visse sozinha, em terra, enquanto Frederick ia para a guerra? Considere ainda que não existiam carros, o sistema de correios era precário, às vezes os navios passavam meses estacionados no mar e incomunicáveis por causa de uma calmaria...

Alguém pode talvez argumentar que Sofia Croft, a irmã de Frederick, seguiu seu marido à bordo. Mas aí está: o próprio Wentworth diz que nunca admitiria, de bom grado, senhoras a bordo de um navio seu, exceto para um baile ou uma visita de algumas horas. E uma coisa é levar a esposa a bordo quando se está viajando em negócios da Companhia das Índias Ocidentais; outra bem diferente é carregar a esposa no meio de uma guerra declarada para um dos principais campos de combate.

Então, Frederick não levaria Anne para viver com ele num navio. Tudo bem, eles poderiam então postergar o casamento até que ele tivesse juntado dinheiro suficiente para poder comprar uma casa e instalar a esposa com um mínimo de conforto.

Já ouviram o ditado longe dos olhos, longe do coração? Se já, vocês provavelmente são capazes de entender porque um noivado longo, longuíssimo, sem formas de comunicação entre os dois amantes, dois jovens e bastante inexperientes amantes; sem perspectivas certas além de uma vaga esperança, seria um ponto negativo no livro de Lady Russell.

Dessa forma, pensando dentro das características da época, a cautela da decisão de Anne talvez tenha sido sua salvação. Bem verdade que Frederick teve uma imensa sorte e quase que em sua primeira missão comissionada, já começou a fazer dinheiro... mas e se ele não tivesse conseguido? Ou se ele tivesse morrido no mar enquanto Anne esperava por ele? Ou se Anne, como Fanny Harville, tivesse morrido enquanto Frederick estava longe?

O quão justo é você pedir que uma pessoa o espere por anos a fim, ainda que quase todas as apostas estejam contra você? E o quão justo é você pedir que a pessoa que você supostamente ama escolha entre você e a única outra criatura em todo mundo que parece se importar com ela?

Então, como eu disse, Frederick foi um bastardo egoísta, incapaz de realmente pensar em Anne na verdade, o tempo todo, ele estava pensando apenas em si mesmo.

É muito fácil para Louisa dizer que seguiria até o fim e uma vez tendo feito uma decisão, ela não arredaria pé. Muito fácil dizer que fazemos isso ou aquilo enquanto o isso e aquilo são apenas hipóteses.

Eu acho que Anne perdoou Frederick muito fácil depois de tudo o que ele aprontou mais uma vez, a paixão falou mais alto. Todas as vezes em que ele falava besteira sobre o que queria numa esposa, o que queria numa mulher ou ainda, quando flertava (ou ao menos aceitava o flerte) com as duas irmãs Musgrove, era sempre quando Anne estava por perto.

Se isso não era uma aberta provocação, eu não sei mais o que poderia ser.

O interessante é que Frederick não se decide sobre o que quer. Ele ama Anne, e ama nela suas maneiras, sua gentileza, pela modesta virtude, mas deseja que ela se revolte contra as mesmas tradições que fazem dela ser quem ela é e deseja que ela se revolte apenas quando lhe é conveniente, lembrando que ele não deseja uma esposa que o siga para o mar.

Após oito anos, Frederick continua um homem zangado, emocionalmente confuso e que se recusa a ver a razão.

Nenhum dos dois protagonistas é perfeito e, a considerar todas essas qualidades de ambos, eu diria que, se tivessem ficado juntos oito anos antes, eles provavelmente não teriam sido tão felizes quanto o foram quando se reencontraram oito anos depois.

Isso porque, ao longo da história, Frederick começa finalmente a enxergar os erros de seus próprios atos e isso o faz particularmente irresistível, ao menos, para mim: por mais rígido em seus princípios e orgulhoso que seja nosso caro capitão, ele sabe reconhecer quando errou; ele sabe pedir perdão e, mesmo depois de oito anos de solidão e amargura pela suposta traição de Anne, ele ainda é capaz de ter esperança e coragem para se arriscar de novo.

E, se até então eu tivesse conseguido me manter inconquistável, depois da carta que ele escreve para Anne, o que mais me restava além de cair de amores por esse personagem?

"Já não consigo mais ouvir em silêncio. Tenho de lhe falar pelos meios ao meu alcance. Tu transpassa-me a alma. Sou parte agonia e parte esperança. Não me diga que é demasiado tarde, que sentimentos tão preciosos morreram para sempre. Eu volto a me oferecer a ti, com um coração que é ainda mais teu do que quando o despedaçaste oito anos e meio atrás. Não diga que o homem esquece mais depressa que a mulher, que o amor dele morre mais cedo. Eu não amei ninguém, se não a ti. Posso ter sido injusto, posso ter sido fraco e rancoroso, mas nunca inconstante. Vim a Bath unicamente por tua causa. Os meus pensamentos e planos são todos para ti. Não reparaste nisso? Não percebeste dos meus desejos? Se eu tivesse conseguido ler os teus sentimentos, como creio que deve ter decifrado os meus, não teria esperado estes dez dias. Mal consigo escrever. Estou a cada instante ouvindo coisas que me emocionam. Tu abaixas a voz, mas posso distinguir tons nessa voz que aos outros passariam despercebidos. Criatura demasiada boa, demasiada pura! Faz-nos, de fato, justiça, ao acreditar que os homens são capazes de um verdadeiro afeto e uma verdadeira constância. Creia que tal afeto é mais do que fervoroso e mais do que constante em

F. W.

Tenho de ir, incerto de meu futuro; mas voltarei, ou seguirei o teu grupo, logo que possível. Uma palavra, um olhar será o suficiente para decidir se entrarei na casa de teu pai esta noite, ou nunca.


Ambos os personagens se redimem de suas faltas, oito anos atrás ao serem capazes de se perdoarem e perdoarem também aqueles envolvidos em sua separação ainda que eu duvide muito que Wentworth tivesse muita paciência para com o sogro e as cunhadas encontrando-se assim no meio do caminho: Anne, a doce, gentil, obediente Anne, desafiando convenções e buscando deliberadamente seu capitão em qualquer oportunidade que o destino lhe ofereça e Frederick, o firme, orgulhoso, o convicto lutando e aceitando uma segunda chance, estendendo a mão.

Ambos assumem riscos, mas, dessa vez, ambos têm exata noção do que estarão perdendo se deixarem a oportunidade escapar mais uma vez. E apesar de todo o tempo, da decepção e da amargura, os sentimentos que nutriam um pelo outro jamais esmoreceram mesmo quando parecia tarde demais, ambos permaneceram fiéis àquilo que sentiam.

Depois de falarmos de Anne e Frederick; só para arrematar essa análise, vamos tratar um pouco de outros personagens e temas da obra hoje.

Persuasão escancara na crítica - inclusive social -, que, em outros livros, era mais sutil - o preconceito de Orgulho e Preconceito não interfere tanto na relação de Darcy e Elizabeth quanto na de Anne e Frederick.

Aqui nós temos dois personagens em espectros sociais completamente diferentes (e não um cavalheiro rico e a filha de um cavalheiro; ainda que pobre): Anne é filha de um baronete, membro da aristocracia; Frederick... bem, considerando que Frederick e o irmão trabalham (um como oficial naval e outro como clérigo), não acho que eles tenham herdado nada de família: cresceram por seus méritos; fazem parte de uma classe que começava a despontar na época.

Lembrem-se, afinal, que o trabalho não era exatamente uma ocupação de gentis-homens à época.

Eles são separados não por suas próprias opiniões e preconceitos, mas por uma sociedade arcaica, tradicionalista - representada, especialmente, nas figuras de Sir Walter e Lady Russell.

Aliás, se formos pensar direitinho, os membros da aristocracia que aparecem nas histórias de Austen - entre os quais podemos citar Lady Catherine, Sir Walter e Mr. Elliot - aparecem como caricaturas, seres mesquinhos, cheios de si, preocupados apenas consigo mesmos.

Eu tenho uma particular teoria que desenvolvi enquanto comentava este livro com algumas pessoas. Não sei se vocês sabem, mas Austen foi meio que "convencida" a dedicar o romance anterior dela, Emma ao príncipe regente, que ficou conhecido exatamente por gostar de lançar moda e se preocupar demasiado com a aparência - diz a História que ele foi nosso primeiro "dândi", ou o "primeiro cavalheiro da Europa" (nas palavras do próprio).

Considerando que Austen escreveu Persuasão logo após terminar Emma, pergunto-me se sir Walter não seria uma cutucada no Príncipe George (futuro George IV, à época).

Teorias da conspiração...

Enfim... Já tratei aqui antes do fato de que temos de enxergar a história sob o prisma da época em que ela foi escrita. Estes preconceitos são fruto de uma geração, de uma compreensão de mundo - compreensão esta que estava passando por uma mudança que podemos acompanhar no livro.

A Revolução Francesa abrira as feridas da divisão de classes - primeiro, segundo e terceiro estado (nobreza, clero e a plebe 'rude e ignara'...) -, situação esta que somada ao início da Revolução Industrial e nascimento da burguesia, força outros Estados Europeus a fazerem mudanças em seus sistemas.

São essas mudanças, no espírito da meritocracia - que permitem tanto Frederick quanto seu cunhado e outros oficiais, subirem suas posições - são eles o que chamamos hoje de novos ricos.

Isto se reflete na obra porque, até então, a maior parte das heroínas de Austen tinham encontrado seus finais felizes em homens de sua mesma classe social - ou superiores - senhores de propriedades e bens, representando assim um elemento de segurança; ao contrário de Anne, que, constante em seu afeto, quase se arruina (pelos padrões de seu tempo, lembrem-se): se ela não tivesse reecontrado o capitão, eu acredito que, no final das contas, terminaria seus dias solteira (eu não acho que ela teria se casado com Mr. Elliot, mesmo na circunstância de não ter reencontrado Wentworth) e, muito provavelmente, sem recursos, tendo de trabalhar, talvez até como governanta.

Oh, o horror...

Há aqui também a questão da família. Acho que já observei em alguma passagem anterior o quanto Anne é solitária. Sua família, como um todo, é um poço de egoísmos, egos e contradições. Ela é por todos preterida, considerada praticamente insignificante.

Eu sou a única que sente vontade de quebrar o nariz da Elizabeth toda vez que ela entra em cena? A Mary ainda é mais ou menos engraçada com sua tendência à hipocondria - embora seja tão egocêntrica e preconceituosa quanto o resto da família - mas a mais velha das meninas Elliot é simplesmente insuportável.

Todas as pessoas que admiram o valor de Anne são de fora da família - a família Musgrove é mil vezes mais atenciosa que qualquer das irmãs; bem como a própria Lady Russell e os Croft.

Família, para os outros Elliot, é aquela que pode lhes trazer vantagens.. como a viscondessa, Lady Dalrymple e o grande vilão, o escorregadio Mr. Elliot - outro imagem não muito lisonjeira dessa "grande sociedade" capturada pela obra de Jane Austen.
Paloma 03/09/2010minha estante
Interessante essa sua análise. Na verdade, não tinha dado tanto mérito à Anne por ter sido persuadida a não ficar com ele. De qualquer forma, não sei se você chegou a ver o filme, mas é curioso notar que apesar de fiel, ele peca por algumas incongruências para a época. :)


Samia 11/11/2010minha estante
Muito boa sua análise, Coruja. Profunda e bem humorada.
Também adoro piratas. rs.


Ju Morganti 26/07/2012minha estante
Adorei a sua resenha! Senti o mesmo todas as vezes que a Elizabeth e a Mary entravam em cena. Muitas vezes senti uma raivinha absurda da Mary por todo o jeito mimado e egoísta, mas ela ainda tinha um jeito bom, ao contrário da Elizabeth na qual eu não achei nenhuma qualidade.


Lary 18/09/2013minha estante
Adorei a sua análise ;)
Achei muito pertinente sua forma de entender Anne, que sempre é dura e, a meu ver, injustamente criticada por ter "cedido" à vontade da parenta não vivendo o seu grande amor no momento em que lhe foi apresentado.
Na posição dela, não seriam muitas as mulheres sensatas que teriam agido diferente e Anne, sem deixar de ser uma pessoa responsável, ao longo do livro também aprende a pensar por si mesma como fica claro na questão do Sr. Elliot.
Além disso, também acredito que o casamento naquela época poderia e certamente teria comprometido a felicidade dos dois, e possivelmente a prosperidade do capitão, a meu ver. É muito mais fácil a um jovem solteiro se comprometer totalmente ao trabalho do que um jovem noivo ou até casado que tivesse filhos e esposa com que se preocupar. Sem contar que, orgulhoso como é, acho que reagiria mal ao fato de não poder manter a esposa nas mesmas condições de vida que ela tinha em casa podendo se tornar amargo e irritável, sendo a natureza humana o que é.
Gostei principalmente de sua opinião sobre o capitão que também me é muito atraente, confesso, mas cuja forma orgulhosa de lidar com o reencontro deles muito me irritou em vários momentos do livro. Noto que isso é algo que poucos se lembram de destacar após o final da obra e a redenção do capitão e do amor dos dois.


Diandra 13/09/2016minha estante
Nossa, amei! Análise muito bem feita.




Renata CCS 12/12/2013

O poder de persuasão de Jane Austen em nos envolver e emocionar.

PERSUASÃO foi o último livro escrito de Jane Austen, tendo sido publicado postumamente. A obra narra história de Anne Elliot e do Capitão Frederick Wentworth. Anne é filha de um baronete fútil em delicada situação financeira e Frederick um jovem humilde sem muito a oferecer, além de sua paixão por Anne. Aos 19 anos, Anne se apaixona por Frederick e recebe seu pedido de casamento, porém rejeita-o. A jovem é persuadida por sua grande amiga, Lady Russell, e também por seus familiares, que ele não seria uma boa escolha, principalmente por questões financeiras. Oito anos depois, Anne vê Frederick de volta em sua vida - e com ótimas finanças - tendo que suportar as tensões que essa situação provoca. Eles se reaproximam, mas nenhum sabe o quanto o outro está curado ou se já se perdoaram.

Anne possui uma personalidade doce e amável, muito tímida, porém perspicaz em seu silêncio. Com sua alma caridosa, raramente faz prevalecer suas vontades e acaba sempre priorizando as necessidades e desejos daqueles que estão a sua volta. São muitas as qualidades que sua família nunca reconhece e é frequentemente ofuscada pela figura imponente da irmã mais velha, Elizabeth, ou pela hilária irmã caçula Mary. Já Frederick é um perfeito cavalheiro. Embora magoado, ele tenta ser cordial em sua distância e aparente indiferença. Em certo ponto da narrativa, ele usa de sua nova condição para chamar a atenção de Anne, para mostrar o quanto ela perdeu, mas mesmo nesses momentos ele não deixa de demonstrar em seu olhar a confusão de sentimentos que o cerca.

Em um primeiro momento, a história pode soar desinteressante e até beirar o lugar-comum, mas obra é permeada por questões dignas de nota: a elitização e discrepância social, o conflito entre obrigações sociais e desejos internos, as diferenças nas questões do amor entre homens e mulheres, a persuasão em si, a vaidade, a hipocrisia e o jogo de aparências. A narrativa de PERSUASÃO é rica em detalhes e repleta de bom humor, e Jane Austen mais uma vez descreve com uma leve dose de ironia a sociedade inglesa do século XIX.

A carga de emoções presente em PERSUASÃO foi o suficiente para me encantar! A trama é uma avalanche de sentimentos, seja na descrição de uma simples troca de olhares ou de um diálogo breve, cada detalhe é rico em amor, puro, verdadeiro. Novamente fiquei maravilhada com a forma ágil e direta da autora narrar os fatos. A simplicidade e paixão em sua escrita são incríveis, e nos faz perceber o motivo pelo qual a autora é aclamada ainda hoje. Não é a toa que Austen é considerada a versão feminina de Shakespeare! E eu simplesmente adoro o modo como os relacionamentos aconteciam naquela época, o cavalheirismo, a troca de correspondência, o jogo de sedução. E este livro teve tudo isso para me agradar.

Embora ORGULHO E PRECONCEITO ainda permaneça como meu preferido, a carta de amor de Frederick para Anne, encontrada no capítulo 23, é a correspondência mais linda que já tive a oportunidade de ler e, sem dúvida, está entre as mais belas declarações de amor da literatura mundial! Não resisti e a transcrevo aqui, no original, porque ainda não encontrei nenhuma tradução que consiga fazer justiça as palavras de devoção do Capitão na sua redescoberta do amor que ainda sentia por Anne.

Para concluir, só posso dizer que gostei muitíssimo da obra, e está mais que claro o poder de persuasão de Jane Austen em nos envolver e emocionar.


Carta do Capitão Frederick Wentworth para Anne Elliot:
“I can listen no longer in silence. I must speak to you by such means as are within my reach. You pierce my soul. I am half agony, half hope. Tell me not that I am too late, that such precious feelings are gone forever. I offer myself to you again with a heart even more your own than when you almost broke it, eight years and a half ago. Dare not say that man forgets sooner than woman, that his love has an earlier death. I have loved none but you. Unjust I may have been, weak and resentful I have been, but never inconstant. You alone have brought me to Bath. For you alone, I think and plan. Have you not seen this? Can you fail to have understood my wishes? I had not waited even these ten days, could I have read your feelings, as I think you must have penetrated mine. I can hardly write. I am every instant hearing something which overpowers me. You sink your voice, but I can distinguish the tones of that voice when they would be lost on others. Too good, too excellent creature! You do us justice, indeed. You do believe that there is true attachment and constancy among men. Believe it to be most fervent, most undeviating, in F. W. I must go, uncertain of my fate; but I shall return hither, or follow your party, as soon as possible. A word, a look, will be enough to decide whether I enter your father’s house this evening or never.”
J@n 12/12/2013minha estante
É isso que Jane Austen nos faz sentir, Renata.
Saímos completamente de nós mesmas para nos encontrar tantas e tantas vezes nas dores e alegrias de seus personagens!


VICKY 13/12/2013minha estante
Uma belíssima obra sobre segundas oportunidades, sobre o perdão e o amor verdadeiro.
Ótima resenha!


sonia 15/12/2013minha estante
Este é, em minha opinião, o melhor livro dela. Este capitão Frederick faz-nos recuperar a fé nos homens.
E nem podemos culpar muito a Anne, devia ser muito dificil, naquela época, sendo mulher, viver com uma família que contrariamos, já que mulher não tinha como ser independente.


Renata CCS 16/12/2013minha estante
Queridas Janine, Vicky e Sonia,
Jane Austen me conquistou definitivamente com esta obra.




Mona 27/03/2013

A narrativa de Persuasão é rica em detalhes e repleta de bom humor, como é característico em obras de Jane Austen. Com uma leve dose de ironia a autora descreve de forma minuciosa a sociedade inglesa do século XIX, discutindo pontos comuns a época, como o preconceito, a elitização e discrepância social.

Contudo, o ponto chave da obra em questão não é a crítica social realizada pela autora, mas sim, o demasiado leque de sentimentos presentes na trama. Logo de início nos deparamos com uma avalanche de emoções – saudade, medo, perda, preconceito e principalmente, ressentimento, fato que me surpreendeu, tendo em vista que os sentimentos não são narrados com tanta intensidade pela autora em Orgulho e Preconceito, obra que tb já li e gostei tanto quando esta.

Recomendo muito! Imperdível para amantes de clássicos!
Lucia M. Segaty 20/04/2013minha estante
Amei sua resenha. Para mim, resenha é isto. O que achou de um livro e incentivar as pessoas a lê-lo ou não... (muitas pessoas fazem um pequeno resumo da obra nas resenhas e eu particularmente não gosto).


J@n 11/10/2013minha estante
Boa resenha!




Mariana Cardoso 15/08/2012

Amor que amadurece
A primeira imagem que me vem à mente quando tento definir Persuasão é a de um daqueles livros que guardamos com especial zelo por sonharmos em viver uma história tal qual a lida. Uma das obras que nos colocam no lugar da heroína, enquanto sofremos todas as suas dores. Por tudo o que há de sagrado, como meu coração doía a cada nova reflexão de Anne, a cada gesto de Wentworth, a cada momento em que se encontravam na mesma sala! Austen apresenta contato físico mínimo em seus romances, mas a história magistralmente escrita do amor inacabado de Anne Elliot e Cap. Frederick Wentworth praticamente desenha o que acontece - como se faíscas voassem.
Pode-se sentir toda a agonia da protagonista durante cada vírgula; me lembro que prendia a respiração ao sinal de um mínimo diálogo entre o casal precocemente separado. A trama ronda a relação de dois jovens (já não tão jovens assim - a heroína é a mais madura de Jane Austen, com vinte e sete primaveras) que tiveram sua união impedida por orgulho vindo da família da moça. Criada por um pai vaidoso e negligente e por uma madrinha que muito amava, Anne se apaixona pelo pobre Wentworth, então começando carreira e ainda sem riquezas ou quaisquer expectativas. Oito anos após o rompimento, já sem esperanças de um bom casamento, Miss Elliot assiste ao retorno de seu antigo amado, com fortuna feita e muito bem apessoado, que dá a entender interesse nas irmãs de seu cunhado, esposo da filha mais nova da família Elliot, Mary Musgrove. Em tal ínterim Anne sente-se confusa quanto às próprias emoções e, pouco a pouco, redescobre a intensidade de um sentimento que os anos apenas acalmaram. A forma como o encontro de seus olhares e a semelhança de seus corações são descritos em meio à multidão de familiares constituem alguns dos mais primorosos trechos de toda a obra de Austen. “Não podia ter havido dois corações tão sinceros, nem gostos tão semelhantes , nem sentimentos tão em uníssono, nem rostos tão amados.”
O desenrolar dos fatos felizmente auxilia os amantes. Os momentos finais da obra, famosos pelo contexto em que Wentworth escreve sua carta, são por demais singulares para se adequarem a uma simples resenha. E basta uma menção às clássicas linhas iniciais "Não consigo mais ouvir em silêncio. Tenho de falar com você pelos meios que estão ao meu alcance. Você trespassa a minha alma. Sou agonia e esperança." para alívio e deleite do leitor: os sentimentos da heroína são retribuídos.
Renata CCS 23/10/2013minha estante
Que resenha sedutora Mari!
Este livro é o meu próximo de Jane Austen, está na fila.


Mariana Cardoso 11/02/2014minha estante
Obrigada, Renata! Persuasão é uma obra mais madura do que Orgulho e Preconceito. Não é difícil apaixonar-se por ela, você vai ver.


Tamiris 03/10/2015minha estante
Linda resenha! Já tenho este livro há algum tempo e será o terceiro que lerei da autora, a qual gosto muito!
Adoro as suas resenhas e esta me despertou ainda mais a vontade de ler Persuasão. :)




Maria Luísa 24/01/2014

O que falar sobre a escritora que leva o romance ao seu ápice? Simplesmente devo dizer que, sem sombra de dúvidas, não é nenhum exagero. Ler Persuasão me deu aquele gás para a leitura: redescobrir um romance, em tempos que leio mais textos acadêmicos do que qualquer outra coisa, é como respirar livremente depois de tempos sufocada.

Com Persuasão a autora demonstra mais uma vez sua habilidade em se destacar da época em que vivia, de demonstrar sua identidade em cada parágrafo de seu texto, fazendo com que os leitores fascinados por sua escrita e narração consigam enxergar a identidade da autora.

Sem dúvidas o livro da autora que foi mais fácil de ser lido, uma narração intensa que demonstra com tanta clareza as emoções dos personagens que nós acabamos por sentir parte deles, presos por um sentimento assim como Anne e Wentworth, acabamos também por nos apaixonar pelo próprio personagem e conseqüentemente pelo livro.
Catharina 27/01/2014minha estante
Este livro é o meu preferido de Austen. Intenso e inesquecível.


Ren@t@ 29/01/2014minha estante
Uma obra atemporal, sem dúvida.


Lua 29/01/2014minha estante
Amo Jane Austen! Adorei a sua resenha!




Ana Paula 05/08/2009

Esse livro vai te persuadir a acreditar no amor
Meu primeiro contato com Miss Jane Austen não foi com esse livro. Já havia lido “Orgulho e Preconceito” há uns dois anos. Assim como em Persuasão, Miss Jane surpreende pela ótima trama que envolve os jovens de sua época, sempre com pitadas de romances que fazem suspirar até a mais incrédula das mulheres.

O amor não é o mote principal desse livro, no entanto. Assim, como nos demais livros de Jane Austen, ela retrata a sociedade inglesa do final do século dezoito e começo do século dezenove, demonstrando os hábitos e costumes de cidades (próximas a Londres), e seus habitantes. Principalmente retrata como era o namoro e o relacionamento entre os jovens dessa época.

Dentre os jovens estão a senhorita Anne Elliot e o capitão Frederick Wentworth que se apaixonaram muito jovens, mas não se casaram, uma vez que Anne foi persuadida pela sua amiga Lady Russel (que era mais velha e como uma mãe para Anne, uma vez que a sua própria havia falecido quando ela era ainda muito jovem), bem como pela sua família, seu pai Sir Walter Elliot e sua irmã Elizabeth. O capitão Frederick não tinha riqueza ou mesmo um bom título à época e segundo a escritora, isso poderia ser decisivo na união (ou não) de duas famílias.

Apesar de toda essa preocupação com dotes, brasões, títulos e libras, o que mais atrai nos livros de Jane Austen são os romances em que suas protagonistas se envolvem e a linguagem da Srta. Austen é muito descritiva, suave e interessante. Faz com que você se transporte para uma época onde o mais excitante era conseguir conversar a sós com o seu amor (algo inimaginável atualmente).

Depois de ser desprezado pela sua amada, o capitão Frederick Wentworth promete a si mesmo que fará fama e fortuna na Marinha, e que os Elliot se arrependerão em não tê-lo como parente.

Quase oito anos depois, ele retorna à Inglaterra e cumpre o prometido: rico, com títulos e ainda mantendo uma boa aparência, reencontra Anne Elliot ainda solteira. Ela ruboriza ao vê-lo e percebe que todo o amor que sentia por ele estava apenas adormecido e que nesse mesmo momento volta à tona tudo o que sempre sentiu por ele.

Mas estaria o capitão Wentworth disposto a esquecer o passado e a humilhação pela qual passou e reviver um grande amor, ou o seu orgulho seria muito maior?

Persuasão foi pano de fundo do filme “A casa do Lago” e já tem filme adaptando a obra.

: : TRECHO : :
“(...) Anne sorriu e não disse nada. Era um erro muito agradável para o poder censurar. Significa alguma coisa para uma mulher assegurarem-lhe que, aos vinte e oito anos, não perdeu o encanto da juventude; mas o valor desse elogio aumentou imenso para Anne ao compará-lo com palavras anteriores e sentindo que este era o resultado e não a causa do renascimento do seu caloroso afeto .” (p.198)

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J@n 15/10/2013

"Não podia ter havido dois corações tão sinceros, nem gostos tão semelhantes, nem sentimentos tão em uníssono, ou rostos tão amados. Agora era como se fossem estranhos, não, pior do que estranhos, porque nunca se conheceriam. Seriam estranhos para sempre."


Ren@t@ 23/01/2014minha estante
Adoro Jane Austen! Adoro este livro!


Rafa P. 02/04/2014minha estante
Jane Austen é maravilhosa! Eu preciso muito ler esse livro, até agora só li Orgulho e preconceito,e achei perfeito ! Esse será o próximo que vou ler.




DEBORA JAEL 16/01/2012

Sobre a versão bilíngue da Landmark
Sobre a versão bilíngue da Landmark

O texto em português é ruim: há erros de ortografia, de concordância, há frases sem sentido e pontuação incorreta. Fica evidente a tradução automática, sem qualquer cuidado com a revisão. Uma lástima!
Rafaella 15/02/2012minha estante
Vários erros que me incomodaram bastante. Dava vontade de consertar com caneta, hahaha!


Livia 18/09/2012minha estante
Que pena, uma tradução ruim estraga completamente o prazer de ler um livro.
Estava de olho nesse lançamento, pela possibilidade de consultar o texto original sempre que desse vontade, mas agora vou reconsiderar a compra de outras edições


Lii 22/11/2013minha estante
Também fiquei chateada quando comecei a ler nessa versão que, apesar de linda e ter capa dura, precisa passar por uma boa revisão de texto. Além disso, a fonte do texto em inglês é pequena demais.




Rafaele 07/06/2013

' Preciso aprender a suportar ser mais feliz do que mereço ' < 3
Um dos livros mais lindos do mundo!

É impossível não partilhar os sentimentos de Anne, tão perspicaz e sensata. Não tem como não torcer por ela, nem como não acabar o livro apaixonada por Frederick.

Muito bom, excelente, maravilhoso!
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Raquel Lima 25/02/2010

Ah, o amor!
"Ver" o amor que vence, que consegue sobreviver o tempo, as mudanças, deixa um gostinho de esperança. Um belo romance, tem o poder de nos deixar leve, nos faz dar aqueles sorrisos de adolescentes, sentirmos mais jovens e alegres. Os romances desta autora, apesar de ambientado em uma época que a futilidade, a riqueza era o que se era almejado com os matrimônios, mesmo assim consegue burlar esta regra é dar valor ao amor, ao compromisso, a esperança da felicidade, pelo simples e maravilhoso: se apaixonar.

Um livro para ler e esquecer de tudo, com certeza.

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Ana Karla 14/11/2013

Simplesmente adorável, um livro para guardar no coração!
Com protagonistas muito bem construídos e dotado de um romantismo que tem sido difícil encontrar nos romances atuais, Persuasão é um livro de desencontros e reencontros. Um livro que fala de segundas chances e que deixa claro que um amor, quando forte e verdadeiro, pode vencer as barreiras do tempo.

"Eu volto a me oferecer a você, com um coração ainda mais seu do que quando você o partiu há oito anos e meio. Não ouse dizer que os homens se esquecem mais rápido do que as mulheres, que o amor deles morre mais cedo. Posso ter sido injusto, fui fraco e ressentido, mas nunca inconstante".

(Trecho da carta do Capitão Wentworth).
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John 12/10/2012

Há um tempo certo para tudo...
Anne Elliot tem um caráter maleável e persuasivo, seus familiares e amigos apesar de a amarem não a deixam decidir o que é melhor para ela. Levada pela influência do pai e da melhor amiga, Anne se vê persuadida a renunciar ao seu grande amor, mas oque ela não contava era que o destino a colocaria oito anos depois frente aquele que ela um dia recusara provando que as vezes a vida nos dá uma segunda chance...
Jane Austen nos mostra em Persuasão que o tempo nem sempre é o vilão de grandes histórias, mas pode ser apenas necessário para que tudo ocorra corretamente, amadurecendo as pessoas para o momento adequado.
Anne Elliot durante o livro vai moldando seu caráter e sendo preparada para que a nova oportunidade de ser feliz seja plena. E o final que Jane nos prepara não é o que se diria Feliz nem Triste, mas é apenas o que tinha que ser.
Trecho Preferido:
"A agitação que apenas um instante provocou em Anne foi quase inexprimível. A carta,endereçada, numa letra quase ilegível, a “Menina A. E." era obviamente a que ele dobrara comtanta pressa. Enquanto estava, supostamente, a escrever ao comandante Benwick, ele escrevera-lhe também a ela. Tudo o que o mundo podia fazer por ela, dependia do conteúdo daquela carta!Tudo era possível, e era preferível desafiar tudo a continuar na expectativa.A Sra. Musgrove tinha algumas coisas a preparar na sua mesa; ela devia confiar na suaproteção e, deixando-se cair na cadeira que ele ocupara, sucedeu-lhe no mesmo lugar onde sedebruçara a escrever, e os seus olhos devoraram as seguintes palavras:
"Já não consigo escutar em silêncio. Tenho de lhe falar pelos meios ao meu alcance. Anne transpassa-me a alma. Sinto-me entre a agonia e a esperança. Não me diga que é demasiado tarde, que sentimentos tão preciosos morreram para sempre.Declaro-me novamente a si com um coração que é ainda mais seu do que quando o despedaçou há oitoanos e meio."
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Chris Ribeiro 03/01/2010

"...não podia ter havido dois corações tão sinceros, nem gostos tão semelhantes, nem sentimentos tão em uníssono, nem rostos tão amados..."

Bom, a princípio meu interesse por este livro surgiu após assistir o filme " A casa do lago" , mas me surpreendi, embora q sob um ponto de vista feminino, o livro fala sobre jogos de interesses tanto nas relações sociais quanto nas amorosas da época.

Sou apaixonado por livros épicos, e Persuasão por sua vez me dxa fascinado pela forma q a Jane Austen descreve o ambiente.

Recomendo!!!



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Blog MDL 24/02/2014

Anne Elliot há muito perdeu o viço da beleza e juventude. Filha de Sir Elliot, cuja vaidade é o norte do seu caráter, ela sente a todo o instante a frieza com a qual o seu pai a trata em detrimento a sua irmã Elizabeth – que possui todas as características que seu pai admira e valoriza. No entanto, mesmo se sentindo subestimada ela não consegue deixar de se preocupar com as dívidas da família que estavam se tornando maiores a cada dia. Por isso quando Lady Russel – amiga de longa data da família – expõe todos os problemas pelos quais a família Elliot passará se não economizar, Anne dá o seu melhor para encontrar uma solução viável para todos. Contudo, por saber que sua ajuda não será estimada por seu pai e por sua irmã, ela permite que sua amiga fale por ela – já que todos consideram Lady Russel uma dama de perfeito discernimento cujos conselhos poderiam ser seguidos sem temor – e em poucas horas se vê envolta de todos os preparativos para uma mudança.

Para Anne era difícil se imaginar tão longe da sua vida pacata em Kellynch Hall, por isso decide não seguir de imediato a sua família e prefere ficar algum tempo com sua irmã Mary em Uppercross – a residência dos Musgrove que estava localizada a poucos quilômetros de sua casa. Mas para sua profunda infelicidade, logo depois ela toma conhecimento de que os inquilinos de seu antigo lar não eram nada menos do que parentes do capitão Wentworth – o homem a quem ela amou de modo profundo no passado, mas que por causa de uma escolha errada de sua parte havia saído de sua vida sem pretensões de voltar. Diante da perspectiva de encontrá-lo a qualquer instante, Anne tenta negar para si mesma todo e qualquer sentimento que ainda possa ter por ele. Porém quando ela é obrigada a estar frente a frente com Frederick novamente, tudo o que ela pensou não existir mais volta com força total e ela tem que encarar as decisões que tomou no passado sendo sincera sobre o que de fato sente.

Ao lermos um livro de Austen é importante termos em mente que cada detalhe da sociedade e dos pensamentos que ela nos apresenta foi um reflexo real daquilo que ela mesma vivenciou no seu cotidiano. Cada olhar, cada dança, cada convite, cada observação, tudo era de tamanha importância para o sucesso ou fracasso de uma relação que o leitor pode facilmente perceber essas nuances em seu texto. Em “Persuasão”, vemos que Anne Elliot se arrepende da decisão que tomou no passado, mas que não vê saída a não ser lidar com todos os sentimentos que a afligem quando ela é obrigada a conviver com o capitão Frederick. Está tão claro que ela é vítima das convenções sociais que por mais que ela tente adiar o momento em que terá que encará-lo, ela sabe que não poderá fugir para sempre do ressentimento que ele nutre por ela, pois a educação e a aparente cordialidade da época exigem que os seus sentimentos sejam colocados em segundo plano em detrimento as aparências.

Nesse sentido, Jane trabalha a dualidade de modo muito notório – apesar da aparente delicadeza. Por isso é necessário que o leitor se atente aos detalhes de sua narrativa para não deixar passar despercebidas as importantes sutilezas de sua escrita. A heroína dessa história, por exemplo, transmite a sensação de que não se ressente da sua decisão de não aceitar o pedido de casamento de Wentworth ao mesmo tempo em que a maior parte dos seus pensamentos são dedicados a refletir a respeito da vida que poderia ter tido com ele e a felicidade que isso traria para ela. Na verdade, a direção de suas reflexões e de suas ações demonstra de modo claro que ela acredita piamente que sua chance de ser feliz foi perdida, já que ela só poderia ser conquistada com o capitão. Essa ideia é reforçada com a sua negativa ao pedido de casamento de Charles Musgrove – que acaba se casando com sua irmã Mary –, pois ela não só mostra um posicionamento paralelo ao que as mulheres da época acreditavam, como também, reforça o amor que ela continua sentindo por Frederick mesmo sabendo que nunca poderá tê-lo novamente em sua vida.

Entretanto, mesmo estando diante de um amor tão sólido e forte, eu não poderia dizer que a história mexeu com os meus sentimentos como outras obras da autora mexeram. Pois apesar da inegável habilidade que Austen tinha de construir uma história rica em trama, personagens e romance, senti durante toda a leitura que faltou mais emoção de ambas as partes nos contatos estabelecidos entre Anne e Frederick. Isso fica ainda mais evidente quando comparamos esse casal a outros que ela criou. Não sei se a culpada disso fui eu ao esperar um amor tão arrebatador quanto o de Elizabeth e de Mr. Darcy ou se nós leitores fomos realmente prejudicados pela debilidade na saúde da autora que a impossibilitou de fazer modificações que fossem além das transformações feitas no final do livro. Ainda assim, tenho que reforçar que mesmo tendo contato com a versão que se tornou definitiva por causa da sua morte, o modo magistral com o qual Jane Austen sempre construiu suas narrativas prevalece em “Persuasão”. Neste caso, somos arrebatados para a sua história através de personagens que mostram muito conscientemente os principais traços de suas personalidades e que não tem medo dos julgamentos alheios por fazerem isso – principalmente os Elliots.

Por fim, mesmo correndo o risco de ser mal interpretada, tenho que dizer que essa obra não pode ser equiparada a outras obras de Jane. Há claramente alguns detalhes que tornam a história repetitiva no decorrer das páginas e que cansa o leitor pela tranquilidade com a qual ela é executada, pois fora alguns momentos de clímax, a narrativa permanece sempre linear nos sentimentos dos envolvidos causando certa frustração em quem deseja maiores conflitos. Todavia, esse ponto também deixa evidente uma maior maturidade por parte da autora na construção dessa história, já que ela não só tem certeza de quais caminhos irá percorrer até concluir a jornada rumo ao perdão de Anne e Frederick, como também, mostra a todo o momento que determinadas características pessoais podem ser extremamente positivas (apesar de parecerem negativas) se não forem levadas ao extremo – tudo depende da ocasião a ser aplicada. Em suma, esta é uma obra que mais do que ser lida, deve ser refletida, pois ela requer também do leitor ponderação, maturidade e compreensão. Três características básicas dessa história admirável.

site: http://www.mundodoslivros.com/2014/02/resenha-especial-persuasao-por-jane.html
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