Persuasão

Persuasão Jane Austen




Resenhas - Persuasão


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Giulipédia 02/07/2020

A antítese de Emma?
Não pude deixar de fazer certas comparações entre esse livro e o outro romance de Jane Austen chamado Emma, por que? Porque onde no livro Emma a protagonista desejava influenciar, em persuasão a protagonista Anne se deixou influenciar e isso interferiu negativamente no futuro dela. É claro que estou me precipitando, sem nem ao menos contar um pouco da sinopse do livro.
Bem, persuasão conta a história de Anne, uma moça de temperamento dócil e calmo, que sofre intimamente por uma escolha errada do passado, onde se deixou influenciar por opiniões mais fortes que a sua, mas que devido a intervenção do destino, talvez tenha oportunidade de mudar essa escolha precipitada.
Voltando aos comentários sobre persuasão, foi um livro muito agradável de se ler, de fato Anne se tornou uma das minhas protagonistas favoritas e gostei muito de observar a trajetória dela, seus sofrimentos, sua devoção a família e a reavaliação de suas antigas escolhas. Não pude deixar de comprar a Anne com a Emma, pra quem não leu Emma, ela é forte, obstinada, com opiniões próprias pra tudo, e se difere da Anne justamente por isso, Anne é aquela pessoa calma com temperamento mais brando, tem suas próprias opiniões, mas devido ao comportamento mais leve, acabou por se deixar levar por opiniões alheias que não favoreceram seus desejos internos.
E aqui eu chego a um ponto de reflexão que essa leitura me trouxe, até onde o conselho se torna influência, e até onde se deixar ser persuadido por tal conselho? É importante conhecer esses limites, principalmente observando as consequências das opções escolhidas, influenciar pode trazer consequências positivas e negativas, e se deixar persuadir também.
Mais uma vez venho enaltecer uma das obras de Jane Austen, e agradecer pela lição que esse livro trouxe, e de novo, não posso afirmar com exatidão que foi essa a intenção que a autora tinha ao escrever esse romance, mas foi essa mensagem que me foi passada.
E finalmente só quero ressaltar que é bom que prestemos bastante atenção nas nossas escolhas e tenhamos discernimento para saber o que são nossos desejos e o que são apenas influências alheias, em Persuasão, Anne teve uma segunda chance para se retratar consigo mesma, mas sabemos que na vida real, infelizmente não podemos contar com uma segunda chance assim!
Bart 02/07/2020minha estante
Eitaaaaaaaa!!! ?????




Sandra de Oliveira 20/12/2010

Não foi uma leitura das mais fáceis. Mas isso não significa que o livro não seja bom, muito pelo contrário: último romance escrito por Jane Austen (completo, vale lembrar e publicado em 1818), Persuasão reflete todos os estilos e marcas da época - a condição social sobressaindo-se ao amor, escolhas erradas, desentendimentos, separações, indiferença e saudade.

Um livro lindo! Veio à mim num momento bastante oportuno, pois faz uma reflexão romântica sobre a espera.

Anne Elliot é uma garota simples, meiga e apaixonada. Capitão Frederick Wentworth é toda a razão do afeto de Anne. Mas e toda boa história de amor tem sempre um mas, quis o momento, a vida, o destino ou a razão que ambos ficassem separados por 8 anos e meio. Nesse tempo, somos levados a entender as motivações que resultaram nisso.

E acompanhamos também toda a dor, sofrimento, sentimentos contraditórios e incertezas entre Anne e Wentworth e a espera de resgatar um tempo que passou, mas que insiste em voltar nas lembranças a todo momento. Romântico até o último fio de cabelo. Como deve ser. Sempre.

Quem lê muito ou mesmo assiste a muitos filmes sabe que acabamos muitas vezes nos identificando com os personagens. Aqui, mesmo que datado de 1818, é uma história atemporal. É muito possível que sempre haja alguém que mesmo numa frase encontrará algo a que se lembrar com sua própria história. E isso é mágico e faz toda a diferença.

No filme A Casa do Lago, a personagem de Sandra Bullock fala sobre Persuasão exatamente como mencionei aqui: um livro sobre a espera. Pessoas separadas pelo tempo, à espera de que o momento que se perdeu volte. Uma visão fascinante do amor que vemos em livros, filmes e por que não, na vida também!
Isis C. 20/12/2010minha estante
Adorei sua resenha, me motivou a ler o livro! Já coloquei na minha lista.


Iza 31/12/2010minha estante
Gostei mt da resenha, estou doida p ler esse livro ;]


Su 23/01/2011minha estante
Sua resenha é perfeita, até quando fala sobre a Casa do Lago. Ficou tão claro pra mim, a ligação entre o filme e o livro depois que li sua resenha. Parabéns...Ah! e o livro é realmente lindo.


Cris Flessak 20/04/2011minha estante
Essa tua linda resenha e analogia com o filme me convenceu a comprar o livro!! E sendo da Jane Austen, não tem como errar!
Bjo
Cris


Letícia Alves 25/02/2012minha estante
Sua resenha eh maravilhosa. Sou uma grande fã da Jane Austen, li e no inicio realmente achei um livro meio complicado de se ler, mas ao longo da historia, mesmo quem nunca passou realmente pelo q a Anne passou capta e sente na pele e no coraçao o que ela sentiu. Para mim foi o romance mais maduro de Jane. Um dos melhores.


Léia Viana 08/06/2012minha estante
Também tive a mesma impressão que você. É um livro que fala de espera e de fato, não é uma leitura das mais fáceis.


Laise 13/07/2012minha estante
Tinha parado de ler justamente por ser meio difícil.. Com esse costume de ler coisas fáceis e rápidas da internet acabei deixando os livros de lado, mas depois de ler essa resenha reacendeu a minha vontade de continuar.


Gi Marques 23/01/2013minha estante
Olha, eu estava prestes a largar este livro em qualquer canto do armário, mas, depois de ler sua resenha, vou reconsiderá-lo. Não consigo sequer olhar para ele sem querer entrar numa máquina do tempo e socar a cabeça da Jane Austen contra a parede por ter feito um livro tão bom e tão difícil de ler.
Obrigada pela resenha :)


Denise 26/02/2013minha estante
Ótima resenha...
Acabei de ler o livro.... ADOREI!!!


Yasmin Carneiro 14/10/2013minha estante
Realmente a sua resenha é incrível! Para quem leu O Morro dos Ventos Uivantes, Persuasão me parece suave, relaxante. Estou na metade do livro e não pretendo parar... Jane como sempre encantadora e detalhadora da época em que viveu. Uma pena não ter visto Persuasão ser publicado...


Juliana 15/01/2015minha estante
parabéns pela resenha! Me motivou a ler o livro :)
Ah, aproveitando.. criei um grupo para os clássicos Zahar. Dá uma olhada lá e fique à vontade para recomendar suas leituras. Link do grupo: http://www.skoob.com.br/grupo/4074
Abs! :)


Rafa 10/01/2018minha estante
A mensagem do livro realmente é linda! Sempre me pego relendo algumas passagens.


Samara 17/06/2018minha estante
Caramba !!! estou lendo justamente porque vi Sandra mencionar o livro "persuasão " no filme "A casa do lago".. E tenho que admitir que as duas obras são emocionantes , criativas e incríveis a ponto de arrancar suspiros .
Muita coincidência ler sua resenha !!!


Mxreesamws 25/02/2020minha estante
Comecei a ler o livro por causa de a casa do lago! Comecei hoje, espero que seja tão bom quanto orgulho e preconceito...




Bruna | @bmartinssss 29/09/2020

Nunca imaginei que estaria fazendo comentários a respeito de um livro da Jane Austen por que sempre falei que nunca leria os livros dela. Mas aqui estou eu. Nem de longe se tornou meu favorito, mas é um livro excelente que eu adorei a experiência de ter lido. Tenho mais dois livros da autora na minha estante que pretendo ler em breve.
lilie 29/09/2020minha estante
orgulho e preconceito é incrível, se for um desses livros da sua estante, leia JÁ hahahah


Bruna | @bmartinssss 29/09/2020minha estante
Hahaha não é, mas ele ta na lista pra comprar!!


Nicolly RS 29/09/2020minha estante
AAAAA esse foi meu primeiro contato com a escrita da Jane Austen tb! Quais são os outros dois que você tem?


Bruna | @bmartinssss 29/09/2020minha estante
Aeee!!! :) Tenho Mansfield Park e A abadia de Northanger. Eu comprei um box que vinha os três.


Nicolly RS 29/09/2020minha estante
Ah sei! Acho que eu tenho o outro box da msm linha, Persuasão comprei separado haha


Bruna | @bmartinssss 29/09/2020minha estante
Pois é, qdo eu comprei não tinha separado.. era o box ou nada hahahah




Patricia Lima 18/08/2020

Persuasão
Esse é o quinto livro que leio da Jane Austen e acabou sendo o meu segundo livro favorito da autora.

Eu gostei muito da personagem, gostei muito de como a história foi conduzida, a escrita da autora está mais delicada e madura, e o romance também me conquistou.

(Tem resenha completa do livro no canal)


site: https://www.youtube.com/watch?v=1Nb1IR6wnvI&t
Lord 18/08/2020minha estante
OI, eu vim pelo seu canal no YT. Não sei usar esse siteee kkk queria trocar alguns livros e estou tentando aprender no site. Um abraço. PS: não consegui te adicionar.


Lord 18/08/2020minha estante
OI, eu vim pelo seu canal no YT. Não sei usar esse siteee kkk queria trocar alguns livros e estou tentando aprender no site. Um abraço.


Geovana 19/08/2020minha estante
você já leu Razão e sensibilidade?


Patricia Lima 22/08/2020minha estante
Siim, eu só não li Mansfield Park das grandes obras dela


Geovana 22/08/2020minha estante
o que você achou?


Patricia Lima 22/08/2020minha estante
Gostei bastante, tem resenha no canal




|Cinara| @cinarasrv 13/10/2020

Lento...lento... lento!
"Não se ama menos um lugar pelo fato de nele se ter sofrido..."

Desde que vi o filme A casa do Lago onde a Sandra Bullock faz o Keanu Reeves ir na estação de trem atrás desse livro fiquei muito curiosa com a história do tal! Parece que entrei em um livro sem fim onde eu não conseguia terminar a leitura e nada acontecia! !O final claro eu já sabia desde o começo, foi uma das leituras mais sofridas desse ano ?? Entendo que ele foi escrito por volta de 1816, mas O morro dos ventos uivantes escrito em 1847 é o meu livro favorito da vida e fica longe dessa quietude da Jane. Não é nesta vida que meus crushs literários sairão dos livros da Jane Austen ??
duda 13/10/2020minha estante
aii sim, me dá um desânimo os livros da jane, a galera hypa demais e eu fiquei muito desapontada quando encontrei uma escrita lenta pra caralho e que nada de legal acontecia no livro, realmente não me agrada nenhum pouco continuar lendo algum livro dela, infelizmente


|Cinara| @cinarasrv 13/10/2020minha estante
Duda desanima mesmo! Eu tenho vontade de ler a Abadia de Northanger por causa do lance que a personagem tem com relação aos livros mas acho que só pro ano que vêm ?? o trauma já está grande!


bellareadings 13/10/2020minha estante
Estou lutando para não abandonar, tenho certeza que eu gostaria da história como um todo, mas essa narrativa lenta me mata. Ela foca em pontos que não são importantes, sabe? Af


Celli.Barros 13/10/2020minha estante
Concordo demais! Estou há mais de 1 mês tentando terminar e não consigo.


Suemi 13/10/2020minha estante
Persuasão é difícil mesmo. De todos os livros da autora, foi o que eu menos gostei. Vou até arriscar uma leitura para ver se tiro a impressão ruim que ele deixou


|Cinara| @cinarasrv 13/10/2020minha estante
Nossa meninas foi realmente muito lento, olha que amo Stephen King e seus detalhes mas páginas falando de alugar a casa ? eu só terminei pq não gosto de abandonar queria saber do final mas eu já sabia o tempo todo? a Sandra Bullock me enganou como esse livro podia ser o favorito de alguém? ?


|Cinara| @cinarasrv 13/10/2020minha estante
Mas quero muito ler a Abadia de Northanger, vou ler depois que ler os os Mistérios de Udolpho, quero nem ver a lentidão desse Udolpho??? já que o favorito da personagem do Abadia?


Yasmim 14/10/2020minha estante
Eu adoro Jane Austen, porém esse livro... Foi o que menos gostei dos que eu li. Mas vale novas tentativas com outras obras


|Cinara| @cinarasrv 14/10/2020minha estante
Yasmin tentarei? não desisto fácil ?




Lívia @leriandolivros 26/05/2020

Maravilhoso
Meu livro favorito da vida é orgulho e preconceito e depois de ter relido essa história várias e várias vezes senti que deveria continuar a ler as obras de jane austen e assim fui para persuasão e que surpresa. Persuasão é diferente, é mais maduro começando pela sua protagonista, Anne Elliot tem 27 anos e não é a personagem comum de livros de romance de época que normalmente está nos 20 e poucos anos e que tenha a vida em função de achar um marido. Gostei muito de acompanhar seu desenvolvimento e me senti no final com saudade de acompanhar a vida em Uppercross Cottage e todo aquele grupo no qual em poucas páginas me afeiçoei tanto. Mas, o ponto forte desse livro é definitivamente Anne e todos os seus pensamentos, julgamentos, falas; sua personalidade que é admirada por todos (menos sua família) tão diferente das heroínas comuns e ao mesmo tempo também tão pertecente a esse mundo. Até mesmo seu romance com o Capitão Wentworth apesar de importante e central na história, fica de lado se comparado com a figura da srta Eliot. Uma leitura incrível a todos que quiserem passar algumas horas nas Inglaterra do século 19 por todas as descrições incríveis da época que Jane Austen nos proporciona em seus escritos.
Tamires 26/05/2020minha estante
E olha que muita gente fala que esse livro é o mais fraquinho dela... Eu achei incrivelmente maravilhosooo. Os próximos já tão na lista tb




Coruja 06/07/2010

Uma análise mais que aprofundada...
Persuasão foi o último romance completo que Austen escreveu ela começou pouco depois de ter terminado Emma, por volta de agosto de 1815, terminando a primeira versão um ano depois, já doente. Considerando que ela escreveu Orgulho e Preconceito em 1796, no mesmo espaço de um ano, para depois revisá-lo e revisar de novo até 1811, é compreensível que por vezes Persuasão pareça uma obra... não digo inacabada... mas sem o devido polimento.

Pois é, eu também fiquei meio besta quando descobri que Tia Jane passou quase quinze anos revisando um livro...

Apesar disso, é meu livro favorito da Austen. Há um amadurecimento tanto no tema quanto na forma com que ela escreve. Para começo de conversa, a protagonista é quase uma balzaquiana, à beira dos trinta anos o que, para os padrões da época, era já a meia-idade ao contrário de todas as suas outras heroínas: Jane Bennet tem 22 anos e Lizzy, 21 ao começo de Orgulho e Preconceito; Elinor Dashwood tem 19 em Razão e Sensibilidade.

Nenhuma delas tem grande experiência podem até ter um bom senso natural, mas não experiência e todas elas estão ali se apaixonando pela primeira vez.

Essa é a primeira grande diferença de Anne Elliot para todas as suas outras colegas de estante. Ela tem vinte e sete anos e não se casou o que a qualifica para se sentar com as matronas e solteironas em qualquer salão. Ela não é material para casamentos ou mesmo para felizes para sempre. Além disso, ela tem a experiência do primeiro amor e também de um coração partido.

É engraçado, mas Persuasão foi criticada duramente por sua falta de moral: em 1818, quando primeiro publicada, criticou-se porque não parecia muito sábio que aos jovens fosse permitido escolherem com quem queriam se casar a conduta de Anne era subversiva, quase escandalosa. Duzentos anos depois, os críticos reclamam que Anne é quase perfeita, tediosamente desprovida de faltas.

Vá se entender os críticos...

A verdade ao menos na minha opinião de leitora é que Persuasão é sim uma obra meio subversiva, especialmente a se considerar os padrões da época. De todos os casais de Austen, Anne e Wentworth são os mais passionais, os únicos que realmente desafiam convenções (e não apenas as convenções de classe).

Não era o Sr. Wentworth, o antigo cura de Monkford como as aparências poderiam levar a supor, mas sim um capitão Frederick Wentworth, seu irmão, que, tendo sido promovido a comandante em sequência de uma batalha ao largo de São Domingos e não tendo sido imediatamente destacado, viera para Somersetshire no Verão de 1806; e, como já não tinha os pais vivos hospedara-se, durante meio ano, em Monkford. Ele era, nessa altura, um jovem esplêndido, muito inteligente, ativo e brilhante; e Anne era uma menina extremamente bonita, meiga, modesta e com bom gosto e bons sentimentos. Metade da atração sentida por cada uma das partes teria bastado, pois ele não tinha nada que fazer e ela não tinha praticamente ninguém para amar, mas a confluência de tão abundantes qualidades não podia falhar. Foram-se conhecendo gradualmente e, depois de se conhecerem, apaixonaram-se rápida e profundamente.

A natureza da relação de Anne e Wentworth pode perfeitamente ter sido um dos motivos para que Lady Russell tenha aconselhado sua protegida a desmanchar o noivado. Não era apenas uma diferença de classes, uma questão econômica, mas existia um componente quase incendiário na equação. Lady Russell podia ver ali uma semente para um Romeu & Julieta da vida: muito rápido, muito intenso e pouquíssimo aconselhável.

Claro, em nada facilitava que Wentworth estivesse para partir de novo e quisesse apressar as coisas o máximo possível. Vamos concordar que além de impulsivo, o cara era bastante cabeça-dura e teimoso.

Mas eu o desculpo porque ao final das contas, Wentworth é um pirata institucionalizado ainda que ele divida o botim com o Estado, não deixa de ser um pirata, pilhando navios franceses e espanhóis e há poucas figuras mais charmosas que um bom e velho pirata.

Ok, esse foi um comentário cretino. Voltemos ao que interessa...

Aliás, nos primeiros estágios do reencontro e reconhecimento de Anne e Frederick, podemos ver esse elemento passional com bastante clareza.

A emoção que sentiu ao descobri-lo deixou-a completamente sem fala. Ela nem sequer conseguiu agradecer-lhe. Só conseguiu ficar junto do pequeno Charles, sentindo-se muito perturbada. A amabilidade dele ao vir socorrê-la, a sua atitude, o silêncio em que tudo se passou, os pequenos pormenores, juntamente com a convicção que logo lhe ocorreu, pelo barulho que ele estava a fazer propositadamente com a criança, de que ele tencionava evitar ouvir os seus agradecimentos e procurava mostrar que o que menos queria era conversar com ela, produziram um turbilhão de sensações confusas e dolorosas de que só conseguiu recompor-se quando Mary e as Meninas Musgrove entraram, e ela pôde entregar a criança aos seus cuidados e sair da sala. Ela não podia ficar. Talvez fosse uma oportunidade para observar os amores e os ciúmes dos quatro; eles estavam agora todos juntos, mas ela não podia mesmo ficar.

E não esqueçamos das palavras do próprio Frederick, que falando sobre James Benwick, está obviamente dando vazão aos próprios sentimentos:

Parece, pelo contrário, ter sido um sentimento perfeitamente espontâneo da parte dele, e isso surpreende-me. Um homem como ele, na sua situação! Com o coração ferido, quase destroçado! Fanny Harville era uma criatura superior; e o seu amor por ela era verdadeiramente amor. Um homem não se refaz facilmente de uma tal dedicação por uma mulher assim! Ele não deve, não pode, fazê-lo.

Ok, agora vamos considerar o seguinte... nessa época, se uma garota se encontrasse sozinha na presença de um rapaz por uma certa quantidade de tempo, isso era motivo suficiente para que ela tivesse sua reputação manchada, bem como para que a família exigisse reparação em outras palavras, casamento.

A mulher era educada para ser uma dama perfeita, de sensibilidade e modéstia, romântica, frágil Austen, aliás, faz constante graça com essa imagem moldada em muitos romances seus contemporâneos; no inacabado Catherine or The Bower, Mrs. Percival sente-se tão absoltamente confusa com o enorme número de regras existentes para criar uma moça que acaba decidindo-se a reduzir todo aquele imenso código moral em uma única regra a ser aplicada a sua protegida, Catherine: não deixe sua filha conhecer um homem e você estará segura.

Sob essa compreensão do período, o comportamento de Anne que puxa conversa com Wentworth no concerto em Bath, buscando seu olhar, tentando desesperadamente, por todas as formas possíveis, comunicar-lhe seus sentimentos ora, isso era realmente subversivo, escandaloso, uma imoralidade!

Antes, contudo, que cheguemos a essa parte da história, há muito chão e muitas observações a fazer.

Embora, realmente, a persuasão esteja constantemente presente, constantemente alguém esteja sendo persuadido, influenciado, mas esse não é o único grande tema da história.

Existe aqui realmente um conflito moral. Por um lado está tudo aquilo que Anne aprendeu durante sua vida, todas as convenções sociais, tudo aquilo que é certo pelo julgamento dos outros... e tudo aquilo que é certo pelo seu julgamento.

Durante a primeira parte da história, Anne é com o perdão da palavra um capacho, uma verdadeira mosca-morta. De todas as heroínas de Austen, ela é a mais solitária: diferentemente das Dashwood ou das Bennet, Anne não tem em nenhuma das irmãs um apoio, uma confidente.

A única pessoa no mundo que se importava com ela era Lady Russell e, após a amargura de sua despedida de Wentworth, mesmo ela, Anne afastou.

O engraçado é que Anne, figurativamente, a garota perfeita. Ela tem boas maneiras, é gentil, delicada, gosta de livros, toca bem, fala italiano com fluência, é capaz de administrar uma casa apesar dos mandos e desmandos da irmã e do pai, é inteligente, tem senso de humor ela é, enfim, o modelo daquela moça prendada que Lizzy, os Bingley e Darcy discutem em Netherfield.

Mas Anne é, também, uma pessoa vazia. Tendo escolhido viver por princípios e pelo julgamento da sociedade uma decisão completamente racional ela sacrificou sua felicidade. E o que ganhou com isso? Vivendo à sombra da família, uma sombra ela mesma, permitindo que todos usem e abusem de si: ao início do livro, Anne perdeu toda a energia, toda a vontade de viver. Ela passa pelas horas e dias de forma mecânica.

Em outras palavras, Anne é um zumbi.

Não há nenhuma ação positiva da parte de nenhum dos protagonistas para precipitar o reencontro. Anne e Frederick terminam a história juntos por um golpe de sorte: em quase oito anos, nenhum deles fez qualquer tentativa de contatar o outro; não tivessem eles se reencontrado, independente do quanto tenham sido obviamente feitos um para o outro, independente de nenhum dos dois ter encontrado felicidade nos braços de outra pessoa (e ambos obviamente tiveram a chance de tentar), não fosse o acidente de percurso dos Croft terem ido parar em Kellynch Hall, eles nunca teriam agido em seus sentimentos.

Obviamente que se isso tivesse acontecido, não haveria muita graça em ler a história, não é verdade?

Ok, o que eu tenho para dizer sobre Frederick... bem, primeiro, que, embora Mr. Darcy seja uma quase unanimidade, meu protagonista favorito das novelas de Austen é o capitão. Afinal, ele usa uniforme (kkkkkkkkkkkkkkk), e além de tudo, ele é um pirata, e eu tenho uma certa queda por piratas não os de verdade, é claro, aqueles que passavam meses no mar sem tomar banho e cheiravam ao "delicioso" perfume de rum e suor e sujeira.

Não, eu prefiro os piratas ficcionais, muito obrigada. Aqueles que não cheiram. Ou, se cheiram, pelo menos é só na descrição literária.

Segundo... por mais apaixonante que Wentworth seja, eu não vou negar que ele é, ao menos no princípio da história, um bastardo egoísta que não sabe o que quer e é deliberadamente cruel.

Se fosse uma história passada no dias de hoje, eu realmente guardaria um imenso rancor da Anne por ter desmanchado o noivado deles. Eu diria que ela se deixava influenciar muito facilmente e que ela tinha a escolha de ficar com ele. À luz da época em que a história se passa, contudo, as coisas não são tão simples.

Eu já disse antes que Anne e Wentworth são dos casais mais passionais de Austen e que essa irracionalidade que é um componente da paixão talvez tenha sido um dos motivos pelos quais Lady Russell aconselhou Anne a deixar Frederick partir. Mas, além disso, temos a questão de classe e de dinheiro também.

É muito fácil se deixar levar por noções românticas, de que não importam quais os obstáculos que se estabeleçam, o amor supera tudo.

Há vários cenários como resultado do que aconteceria se Anne tivesse continuado com o compromisso. Considerando que ela mesma não tinha uma herança ou um dote; e que Frederick muito menos tinha onde cair morto, não havia como eles se casarem de imediato.

Se ainda assim eles tivessem decidido que iam sobreviver de beijos e abraços, o que aconteceria quando Anne se visse sozinha, em terra, enquanto Frederick ia para a guerra? Considere ainda que não existiam carros, o sistema de correios era precário, às vezes os navios passavam meses estacionados no mar e incomunicáveis por causa de uma calmaria...

Alguém pode talvez argumentar que Sofia Croft, a irmã de Frederick, seguiu seu marido à bordo. Mas aí está: o próprio Wentworth diz que nunca admitiria, de bom grado, senhoras a bordo de um navio seu, exceto para um baile ou uma visita de algumas horas. E uma coisa é levar a esposa a bordo quando se está viajando em negócios da Companhia das Índias Ocidentais; outra bem diferente é carregar a esposa no meio de uma guerra declarada para um dos principais campos de combate.

Então, Frederick não levaria Anne para viver com ele num navio. Tudo bem, eles poderiam então postergar o casamento até que ele tivesse juntado dinheiro suficiente para poder comprar uma casa e instalar a esposa com um mínimo de conforto.

Já ouviram o ditado longe dos olhos, longe do coração? Se já, vocês provavelmente são capazes de entender porque um noivado longo, longuíssimo, sem formas de comunicação entre os dois amantes, dois jovens e bastante inexperientes amantes; sem perspectivas certas além de uma vaga esperança, seria um ponto negativo no livro de Lady Russell.

Dessa forma, pensando dentro das características da época, a cautela da decisão de Anne talvez tenha sido sua salvação. Bem verdade que Frederick teve uma imensa sorte e quase que em sua primeira missão comissionada, já começou a fazer dinheiro... mas e se ele não tivesse conseguido? Ou se ele tivesse morrido no mar enquanto Anne esperava por ele? Ou se Anne, como Fanny Harville, tivesse morrido enquanto Frederick estava longe?

O quão justo é você pedir que uma pessoa o espere por anos a fim, ainda que quase todas as apostas estejam contra você? E o quão justo é você pedir que a pessoa que você supostamente ama escolha entre você e a única outra criatura em todo mundo que parece se importar com ela?

Então, como eu disse, Frederick foi um bastardo egoísta, incapaz de realmente pensar em Anne na verdade, o tempo todo, ele estava pensando apenas em si mesmo.

É muito fácil para Louisa dizer que seguiria até o fim e uma vez tendo feito uma decisão, ela não arredaria pé. Muito fácil dizer que fazemos isso ou aquilo enquanto o isso e aquilo são apenas hipóteses.

Eu acho que Anne perdoou Frederick muito fácil depois de tudo o que ele aprontou mais uma vez, a paixão falou mais alto. Todas as vezes em que ele falava besteira sobre o que queria numa esposa, o que queria numa mulher ou ainda, quando flertava (ou ao menos aceitava o flerte) com as duas irmãs Musgrove, era sempre quando Anne estava por perto.

Se isso não era uma aberta provocação, eu não sei mais o que poderia ser.

O interessante é que Frederick não se decide sobre o que quer. Ele ama Anne, e ama nela suas maneiras, sua gentileza, pela modesta virtude, mas deseja que ela se revolte contra as mesmas tradições que fazem dela ser quem ela é e deseja que ela se revolte apenas quando lhe é conveniente, lembrando que ele não deseja uma esposa que o siga para o mar.

Após oito anos, Frederick continua um homem zangado, emocionalmente confuso e que se recusa a ver a razão.

Nenhum dos dois protagonistas é perfeito e, a considerar todas essas qualidades de ambos, eu diria que, se tivessem ficado juntos oito anos antes, eles provavelmente não teriam sido tão felizes quanto o foram quando se reencontraram oito anos depois.

Isso porque, ao longo da história, Frederick começa finalmente a enxergar os erros de seus próprios atos e isso o faz particularmente irresistível, ao menos, para mim: por mais rígido em seus princípios e orgulhoso que seja nosso caro capitão, ele sabe reconhecer quando errou; ele sabe pedir perdão e, mesmo depois de oito anos de solidão e amargura pela suposta traição de Anne, ele ainda é capaz de ter esperança e coragem para se arriscar de novo.

E, se até então eu tivesse conseguido me manter inconquistável, depois da carta que ele escreve para Anne, o que mais me restava além de cair de amores por esse personagem?

"Já não consigo mais ouvir em silêncio. Tenho de lhe falar pelos meios ao meu alcance. Tu transpassa-me a alma. Sou parte agonia e parte esperança. Não me diga que é demasiado tarde, que sentimentos tão preciosos morreram para sempre. Eu volto a me oferecer a ti, com um coração que é ainda mais teu do que quando o despedaçaste oito anos e meio atrás. Não diga que o homem esquece mais depressa que a mulher, que o amor dele morre mais cedo. Eu não amei ninguém, se não a ti. Posso ter sido injusto, posso ter sido fraco e rancoroso, mas nunca inconstante. Vim a Bath unicamente por tua causa. Os meus pensamentos e planos são todos para ti. Não reparaste nisso? Não percebeste dos meus desejos? Se eu tivesse conseguido ler os teus sentimentos, como creio que deve ter decifrado os meus, não teria esperado estes dez dias. Mal consigo escrever. Estou a cada instante ouvindo coisas que me emocionam. Tu abaixas a voz, mas posso distinguir tons nessa voz que aos outros passariam despercebidos. Criatura demasiada boa, demasiada pura! Faz-nos, de fato, justiça, ao acreditar que os homens são capazes de um verdadeiro afeto e uma verdadeira constância. Creia que tal afeto é mais do que fervoroso e mais do que constante em

F. W.

Tenho de ir, incerto de meu futuro; mas voltarei, ou seguirei o teu grupo, logo que possível. Uma palavra, um olhar será o suficiente para decidir se entrarei na casa de teu pai esta noite, ou nunca.


Ambos os personagens se redimem de suas faltas, oito anos atrás ao serem capazes de se perdoarem e perdoarem também aqueles envolvidos em sua separação ainda que eu duvide muito que Wentworth tivesse muita paciência para com o sogro e as cunhadas encontrando-se assim no meio do caminho: Anne, a doce, gentil, obediente Anne, desafiando convenções e buscando deliberadamente seu capitão em qualquer oportunidade que o destino lhe ofereça e Frederick, o firme, orgulhoso, o convicto lutando e aceitando uma segunda chance, estendendo a mão.

Ambos assumem riscos, mas, dessa vez, ambos têm exata noção do que estarão perdendo se deixarem a oportunidade escapar mais uma vez. E apesar de todo o tempo, da decepção e da amargura, os sentimentos que nutriam um pelo outro jamais esmoreceram mesmo quando parecia tarde demais, ambos permaneceram fiéis àquilo que sentiam.

Depois de falarmos de Anne e Frederick; só para arrematar essa análise, vamos tratar um pouco de outros personagens e temas da obra hoje.

Persuasão escancara na crítica - inclusive social -, que, em outros livros, era mais sutil - o preconceito de Orgulho e Preconceito não interfere tanto na relação de Darcy e Elizabeth quanto na de Anne e Frederick.

Aqui nós temos dois personagens em espectros sociais completamente diferentes (e não um cavalheiro rico e a filha de um cavalheiro; ainda que pobre): Anne é filha de um baronete, membro da aristocracia; Frederick... bem, considerando que Frederick e o irmão trabalham (um como oficial naval e outro como clérigo), não acho que eles tenham herdado nada de família: cresceram por seus méritos; fazem parte de uma classe que começava a despontar na época.

Lembrem-se, afinal, que o trabalho não era exatamente uma ocupação de gentis-homens à época.

Eles são separados não por suas próprias opiniões e preconceitos, mas por uma sociedade arcaica, tradicionalista - representada, especialmente, nas figuras de Sir Walter e Lady Russell.

Aliás, se formos pensar direitinho, os membros da aristocracia que aparecem nas histórias de Austen - entre os quais podemos citar Lady Catherine, Sir Walter e Mr. Elliot - aparecem como caricaturas, seres mesquinhos, cheios de si, preocupados apenas consigo mesmos.

Eu tenho uma particular teoria que desenvolvi enquanto comentava este livro com algumas pessoas. Não sei se vocês sabem, mas Austen foi meio que "convencida" a dedicar o romance anterior dela, Emma ao príncipe regente, que ficou conhecido exatamente por gostar de lançar moda e se preocupar demasiado com a aparência - diz a História que ele foi nosso primeiro "dândi", ou o "primeiro cavalheiro da Europa" (nas palavras do próprio).

Considerando que Austen escreveu Persuasão logo após terminar Emma, pergunto-me se sir Walter não seria uma cutucada no Príncipe George (futuro George IV, à época).

Teorias da conspiração...

Enfim... Já tratei aqui antes do fato de que temos de enxergar a história sob o prisma da época em que ela foi escrita. Estes preconceitos são fruto de uma geração, de uma compreensão de mundo - compreensão esta que estava passando por uma mudança que podemos acompanhar no livro.

A Revolução Francesa abrira as feridas da divisão de classes - primeiro, segundo e terceiro estado (nobreza, clero e a plebe 'rude e ignara'...) -, situação esta que somada ao início da Revolução Industrial e nascimento da burguesia, força outros Estados Europeus a fazerem mudanças em seus sistemas.

São essas mudanças, no espírito da meritocracia - que permitem tanto Frederick quanto seu cunhado e outros oficiais, subirem suas posições - são eles o que chamamos hoje de novos ricos.

Isto se reflete na obra porque, até então, a maior parte das heroínas de Austen tinham encontrado seus finais felizes em homens de sua mesma classe social - ou superiores - senhores de propriedades e bens, representando assim um elemento de segurança; ao contrário de Anne, que, constante em seu afeto, quase se arruina (pelos padrões de seu tempo, lembrem-se): se ela não tivesse reecontrado o capitão, eu acredito que, no final das contas, terminaria seus dias solteira (eu não acho que ela teria se casado com Mr. Elliot, mesmo na circunstância de não ter reencontrado Wentworth) e, muito provavelmente, sem recursos, tendo de trabalhar, talvez até como governanta.

Oh, o horror...

Há aqui também a questão da família. Acho que já observei em alguma passagem anterior o quanto Anne é solitária. Sua família, como um todo, é um poço de egoísmos, egos e contradições. Ela é por todos preterida, considerada praticamente insignificante.

Eu sou a única que sente vontade de quebrar o nariz da Elizabeth toda vez que ela entra em cena? A Mary ainda é mais ou menos engraçada com sua tendência à hipocondria - embora seja tão egocêntrica e preconceituosa quanto o resto da família - mas a mais velha das meninas Elliot é simplesmente insuportável.

Todas as pessoas que admiram o valor de Anne são de fora da família - a família Musgrove é mil vezes mais atenciosa que qualquer das irmãs; bem como a própria Lady Russell e os Croft.

Família, para os outros Elliot, é aquela que pode lhes trazer vantagens.. como a viscondessa, Lady Dalrymple e o grande vilão, o escorregadio Mr. Elliot - outro imagem não muito lisonjeira dessa "grande sociedade" capturada pela obra de Jane Austen.
Paloma 03/09/2010minha estante
Interessante essa sua análise. Na verdade, não tinha dado tanto mérito à Anne por ter sido persuadida a não ficar com ele. De qualquer forma, não sei se você chegou a ver o filme, mas é curioso notar que apesar de fiel, ele peca por algumas incongruências para a época. :)


Samia 11/11/2010minha estante
Muito boa sua análise, Coruja. Profunda e bem humorada.
Também adoro piratas. rs.


Ju Morganti 26/07/2012minha estante
Adorei a sua resenha! Senti o mesmo todas as vezes que a Elizabeth e a Mary entravam em cena. Muitas vezes senti uma raivinha absurda da Mary por todo o jeito mimado e egoísta, mas ela ainda tinha um jeito bom, ao contrário da Elizabeth na qual eu não achei nenhuma qualidade.


Lary 18/09/2013minha estante
Adorei a sua análise ;)
Achei muito pertinente sua forma de entender Anne, que sempre é dura e, a meu ver, injustamente criticada por ter "cedido" à vontade da parenta não vivendo o seu grande amor no momento em que lhe foi apresentado.
Na posição dela, não seriam muitas as mulheres sensatas que teriam agido diferente e Anne, sem deixar de ser uma pessoa responsável, ao longo do livro também aprende a pensar por si mesma como fica claro na questão do Sr. Elliot.
Além disso, também acredito que o casamento naquela época poderia e certamente teria comprometido a felicidade dos dois, e possivelmente a prosperidade do capitão, a meu ver. É muito mais fácil a um jovem solteiro se comprometer totalmente ao trabalho do que um jovem noivo ou até casado que tivesse filhos e esposa com que se preocupar. Sem contar que, orgulhoso como é, acho que reagiria mal ao fato de não poder manter a esposa nas mesmas condições de vida que ela tinha em casa podendo se tornar amargo e irritável, sendo a natureza humana o que é.
Gostei principalmente de sua opinião sobre o capitão que também me é muito atraente, confesso, mas cuja forma orgulhosa de lidar com o reencontro deles muito me irritou em vários momentos do livro. Noto que isso é algo que poucos se lembram de destacar após o final da obra e a redenção do capitão e do amor dos dois.


Diandra 13/09/2016minha estante
Nossa, amei! Análise muito bem feita.


Lucas 29/05/2020minha estante
Uma década após sua resenha,mas mesmo assim venho dizer,Obrigado!




Jozy.Cristiani 26/08/2020

Persuasão
Com toda a certeza esse clássico se tornou meu favorito da Jane, com uma das cartas de amor mais lindas que já li. ? Não posso mais ouvir em silêncio. Devo lhe falar pelos meios que estão ao meu alcance. Você perfura minha alma. Sou metade agonia, metade esperança. Não me diga que é tarde demais, que esses sentimentos preciosos se foram para sempre. Ofereço-me de novo com o coração ainda mais seu do que quando você o partiu...? ?????
Joane 27/08/2020minha estante
???


Jozy.Cristiani 27/08/2020minha estante
??




Aisha Andris @AishandoBooks 14/01/2021

Superou “Orgulho e Preconceito” no meu coração
“Persuasão” se tornou meu segundo romance favorito da Jane Austen, superando “Orgulho e Preconceito”, devido às emoções intensas que me fez sentir ao longo da leitura. O começo, confesso, foi um pouquinho cansativo, mas, desde que o capitão Wentworth entrou na jogada, me vi completamente presa à história.
Sofri muito com a Anne, que a todo momento precisava conviver com a dificuldade de estar na presença do homem a quem claramente continuava a amar, quando ele deixou de ser dela por culpa de uma decisão equivocava que tomou no passado; a melancolia que emanava dela me comoveu bastante. E pequenas atitudes tomadas pelo capitão (“salvá-la” do sobrinho malcriado, por exemplo) mostravam que ele retribuía o sentimento da Anne.
Lizzie Bennet é mais cheia de atitude e tem uma personalidade mais marcante do que a Anne, mas eu amei demais a mocinha de “Persuasão” também. Não conseguia conter os suspiros com as interações dela com o capitão. Era tão nítido o quanto eles se amavam, que vibrava a cada vez que eles ficavam no mesmo cômodo, de uma forma que geralmente acontece nos romances de época, já que os clássicos costumam ser mais “parados”.
Este romance foi lindo demais. Eu já comecei a leitura ansiando pela bendita carta que, admito, já tinha lido antes de forma avulsa, mas, cara, ver as circunstâncias em que foi escrita me emocionou e despertou a manteiga derretida em mim. Chorei mesmo e terminei a leitura com o coração quentinho e apaixonada por tudo que a Jane Austen construiu aqui.
A única coisa que me irritou no livro foi a família da Anne. Jane Austen realmente sabia criar uns parentes carne de pescoço. Ô povo chato! Eu sofri demais com a Anne, ao ver como ela se sentia oprimida entre o pai e a irmã, como ela brilhava longe deles, e como esse brilho se apagava assim que entravam no mesmo cômodo que ela. E a irmã casada é uma mulher esnobe e folgada, que me fazia revirar os olhos a cada vez que abria a boca. Por incrível que pareça, o “menos pior” da família é o cunhado. Eu ria cada vez que ele dava uma patada na esposa, porque pensem nuns coices merecidos! Além de estar com o homem que amava, o maior benefício do casamento para Anne sem dúvida foi se livrar dessas pessoas tóxicas.
Lady Russel é outra que faz jus ao status de quase membro da família, é de longe a personagem que eu mais detestei no livro (ao menos até conhecer melhor alguns outros personagens). Orgulhosa demais e presa aos níveis sociais, foi a principal responsável pela separação entre a Anne e o capitão, usando da influência dela para convencer uma jovem Anne a pôr fim ao relacionamento. Sei que ela tinha suas razões, mas não conseguiu me convencer, não, e o ranço dela permaneceu muito depois de eu virar a última página.
Não recomendo “Persuasão” como primeira leitura da autora, porque realmente é um livro mais lento, mas para quem já está acostumado à escrita da Jane Austen, tenho certeza que essa história é garantia de muitas emoções e ainda mais amor por essa autora que sem dúvida merece cada um dos fãs que conquistou nos últimos dois séculos.

site: https://aishando.home.blog/
Lari Gomes 20/01/2021minha estante
Ahhhhh no meu tbm! Melhor livro da Jane.


Aisha Andris @AishandoBooks 23/01/2021minha estante
Eu ainda prefiro Mansfield Park, mas este é muito queridinho tbm!




rayssagrocha 30/07/2020

Ótimo para iniciar em Jane Austen
Meu primeiro contato com os livros da Austen não foi muito positivo, abandonei ?Orgulho e Preconceito? e não quis mais conhecer as obras da autora, até esse livro. ?Persuasão? traz o cotidiano das classes altas do século XIX e expõe todas as fraquezas de uma sociedade na qual título e aparência, frequentemente, são mais importantes que valores. Porém, Jane nos apresenta Anne Elliot, uma personagem adorável, que com delicadeza vai se opor à essa inversão de valores e com bondade vai nos mostrar o verdadeiro significado de amor e amizade. ?O motor da sua felicidade estava na sua (Anne) exuberância espiritual, como o da amiga (Sra. Smith) estava no calor do coração.?
Assim, essa leitura foi uma experiência incrível, ótima introdução para Jane Austen, pois, apesar de intenso, é um livro curto de fácil leitura. Minha única crítica é que o final acontece em uma velocidade muito maior que o restante da narrativa, contudo, encerra com chave de ouro!
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Renata CCS 12/12/2013

O poder de persuasão de Jane Austen em nos envolver e emocionar.

PERSUASÃO foi o último livro escrito de Jane Austen, tendo sido publicado postumamente. A obra narra história de Anne Elliot e do Capitão Frederick Wentworth. Anne é filha de um baronete fútil em delicada situação financeira e Frederick um jovem humilde sem muito a oferecer, além de sua paixão por Anne. Aos 19 anos, Anne se apaixona por Frederick e recebe seu pedido de casamento, porém rejeita-o. A jovem é persuadida por sua grande amiga, Lady Russell, e também por seus familiares, que ele não seria uma boa escolha, principalmente por questões financeiras. Oito anos depois, Anne vê Frederick de volta em sua vida - e com ótimas finanças - tendo que suportar as tensões que essa situação provoca. Eles se reaproximam, mas nenhum sabe o quanto o outro está curado ou se já se perdoaram.

Anne possui uma personalidade doce e amável, muito tímida, porém perspicaz em seu silêncio. Com sua alma caridosa, raramente faz prevalecer suas vontades e acaba sempre priorizando as necessidades e desejos daqueles que estão a sua volta. São muitas as qualidades que sua família nunca reconhece e é frequentemente ofuscada pela figura imponente da irmã mais velha, Elizabeth, ou pela hilária irmã caçula Mary. Já Frederick é um perfeito cavalheiro. Embora magoado, ele tenta ser cordial em sua distância e aparente indiferença. Em certo ponto da narrativa, ele usa de sua nova condição para chamar a atenção de Anne, para mostrar o quanto ela perdeu, mas mesmo nesses momentos ele não deixa de demonstrar em seu olhar a confusão de sentimentos que o cerca.

Em um primeiro momento, a história pode soar desinteressante e até beirar o lugar-comum, mas obra é permeada por questões dignas de nota: a elitização e discrepância social, o conflito entre obrigações sociais e desejos internos, as diferenças nas questões do amor entre homens e mulheres, a persuasão em si, a vaidade, a hipocrisia e o jogo de aparências. A narrativa de PERSUASÃO é rica em detalhes e repleta de bom humor, e Jane Austen mais uma vez descreve com uma leve dose de ironia a sociedade inglesa do século XIX.

A carga de emoções presente em PERSUASÃO foi o suficiente para me encantar! A trama é uma avalanche de sentimentos, seja na descrição de uma simples troca de olhares ou de um diálogo breve, cada detalhe é rico em amor, puro, verdadeiro. Novamente fiquei maravilhada com a forma ágil e direta da autora narrar os fatos. A simplicidade e paixão em sua escrita são incríveis, e nos faz perceber o motivo pelo qual a autora é aclamada ainda hoje. Não é a toa que Austen é considerada a versão feminina de Shakespeare! E eu simplesmente adoro o modo como os relacionamentos aconteciam naquela época, o cavalheirismo, a troca de correspondência, o jogo de sedução. E este livro teve tudo isso para me agradar.

Embora ORGULHO E PRECONCEITO ainda permaneça como meu preferido, a carta de amor de Frederick para Anne, encontrada no capítulo 23, é a correspondência mais linda que já tive a oportunidade de ler e, sem dúvida, está entre as mais belas declarações de amor da literatura mundial! Não resisti e a transcrevo aqui, no original, porque ainda não encontrei nenhuma tradução que consiga fazer justiça as palavras de devoção do Capitão na sua redescoberta do amor que ainda sentia por Anne.

Para concluir, só posso dizer que gostei muitíssimo da obra, e está mais que claro o poder de persuasão de Jane Austen em nos envolver e emocionar.


Carta do Capitão Frederick Wentworth para Anne Elliot:
“I can listen no longer in silence. I must speak to you by such means as are within my reach. You pierce my soul. I am half agony, half hope. Tell me not that I am too late, that such precious feelings are gone forever. I offer myself to you again with a heart even more your own than when you almost broke it, eight years and a half ago. Dare not say that man forgets sooner than woman, that his love has an earlier death. I have loved none but you. Unjust I may have been, weak and resentful I have been, but never inconstant. You alone have brought me to Bath. For you alone, I think and plan. Have you not seen this? Can you fail to have understood my wishes? I had not waited even these ten days, could I have read your feelings, as I think you must have penetrated mine. I can hardly write. I am every instant hearing something which overpowers me. You sink your voice, but I can distinguish the tones of that voice when they would be lost on others. Too good, too excellent creature! You do us justice, indeed. You do believe that there is true attachment and constancy among men. Believe it to be most fervent, most undeviating, in F. W. I must go, uncertain of my fate; but I shall return hither, or follow your party, as soon as possible. A word, a look, will be enough to decide whether I enter your father’s house this evening or never.”
[email protected] 12/12/2013minha estante
É isso que Jane Austen nos faz sentir, Renata.
Saímos completamente de nós mesmas para nos encontrar tantas e tantas vezes nas dores e alegrias de seus personagens!


VICKY 13/12/2013minha estante
Uma belíssima obra sobre segundas oportunidades, sobre o perdão e o amor verdadeiro.
Ótima resenha!


sonia 15/12/2013minha estante
Este é, em minha opinião, o melhor livro dela. Este capitão Frederick faz-nos recuperar a fé nos homens.
E nem podemos culpar muito a Anne, devia ser muito dificil, naquela época, sendo mulher, viver com uma família que contrariamos, já que mulher não tinha como ser independente.


Renata CCS 16/12/2013minha estante
Queridas Janine, Vicky e Sonia,
Jane Austen me conquistou definitivamente com esta obra.




Vitória 24/08/2020

Citações favoritas
Como encontramos rápido razões para aprovar o que nos agrada! (Pág. 24)

Ser solicitada como um bem, embora de forma imprópria, é pelo menos melhor do que ser rejeitada como totalmente imprestável. (Pág. 40)

Mas, apesar de toda a sua experiência, julgava que devia se submeter ao sentimento de que uma outra lição lhe era necessária - a arte de reconhecer nossa própria insignificância fora de nosso próprio círculo. (Pág. 48)

Os hábitos de uma pessoa podem ser tão boms quanto os de outra, mas sempre preferimos os nossos. - Almirante Croft (Pág. 122)

É sempre proveitoso preservar os laços de família e procurar as boas amizades. (Pág. 142)

De vez em quando a natureza humana pode ser grandiosa em tempos de provação, mas, de um modo geral, é fraca, e ouve-se mais falar de impaciência e egoísmo que de perseverança e generosidade. - sra. Smith (Pág. 149)

Mas quando a dor acaba, frequentemente a sua lembrança transforma-se em prazer. Não se gosta menos de um lugar por ter-se sofrido nele, a menos que tudo tenha sido sofrimento, só sofrimento. - Anne Elliot (Pág. 174)
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Emilly Ferrareis 24/07/2020

"Conheceram-se gradualmente e, quando já se conheciam, se apaixonaram rápida e profundamente."
Confesso que Orgulho e preconceito é meu livro preferido da vida, desde muito tempo, e sempre tentei ler Persuasão por ser muito recomendado e pela escrita da Jane ser maravilhosa, mas não me sentia muito cativada com os primeiros capítulos não, mas resolvi insistir dessa vez e que agradável surpresa foi ser extremamente cativada ao longo das páginas, e quando percebi, já estava no fim e completamente apaixonada por essa história.
A escrita retrata muito bem, hábitos e preconceitos da época, e a se você ainda não tiver se encantado pelo romance desses dois, com toda certeza do mundo, vai ter seu coração roubado por uma certa e linda carta.
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Ester 10/08/2020

Maravilhosoooo!
Bryan.Caratti 10/08/2020minha estante
Tenho uma dúvida! Algumas pessoas curtem umas resenhas e marcações de páginas que faço. Você foi uma delas. Como você encontrou? Foi no livro ou o site tem um tipo de timeline? Sou novo por aqui.


Ester 10/08/2020minha estante
Tem tipo uma timeline


Ester 10/08/2020minha estante
As pessoas quando lêem fazem um histórico e outras coisas, aí aparece na linha do tempo.


Bryan.Caratti 10/08/2020minha estante
Sério? Uau! Sabia que tinha uma! Mas não achei. Como faço pra acessar?


Bryan.Caratti 10/08/2020minha estante
Conheço a timeline dos amigos, mas a de pessoas desconhecidas eu não encontro


Ester 10/08/2020minha estante
Tem os livros q vc está lendo, é só você vê lá às pessoas que estão lendo ele aí vc pede pra ser amigo e assim vai


Bryan.Caratti 10/08/2020minha estante
Entendi. Então foi assim que vc encontrou meu post? Entrou no livro e encontrou meu perfil


Ester 10/08/2020minha estante
Não, já apareceu na minha linha do tempo


Bryan.Caratti 11/08/2020minha estante
:o
Antes de sermos amigos?


Ester 11/08/2020minha estante
Isso


Ester 11/08/2020minha estante
Acho q com o tempo vai aparecendo o de várias pessoas


Ester 11/08/2020minha estante
Acho q no seu aparece


Ester 11/08/2020minha estante
Aperta na casinha na parte de baixo


Bryan.Caratti 11/08/2020minha estante
Não encontrei hahaha :/// Mas deixa hahahaha obg por ajudar! :)


Ester 11/08/2020minha estante
Tudo bem :D


Bryan.Caratti 13/08/2020minha estante
Descobri q não conseguia. Eu estava pelo note, não pelo celular. A versão pra PC não tem isso hahaha Só descobri hoje pq comprei um celular :v




Brena Lima 31/05/2020

Autobiografia
Jane Austen deixou o seu adeus neste livro. Colocou o que tinha de mais profundo em sua vida e nos presenteou com uma história simples e gigante ao mesmo tempo. Sempre que leio, penso que por trás de Anne Elliot ha uma Jane jovem e apaixonada.
Leitura e . 31/05/2020minha estante
Oii.. bom diaa, tudo bem? Desculpa interromper sua leitura, mas gostaria de te convidar para seguir meu instagram literário e me acompanhar em minhas leituras... E vai rolar sorteio de um livro hoje!! Te espero la! Obrigado ?

@leituraeponto




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