Morro da Favela

Morro da Favela André Diniz




Resenhas - Morro da Favela


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Suzana.Basilio 14/09/2020

Ganhei essa HQ recentemente e não esperava muito dela, mas gostei bastante. Maurício Hora conta como foi sua vida desde a infância nos morros e como sua paixão pela fotografia mudou sua vida e a de muitos jovens até hoje.
E essa edição é lindíssima.
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Cinthia N. Oliveira 16/02/2020

Incrível
Esta é uma HQ biografica do fotógrafo Maurício Hora, no qual nasceu no morro da providência (antigo morro da favela), primeiro morro do Rio de Janeiro.⁣
Aqui vamos acompanhar sua infância, os dilemas morais e sociais que o cercam, até o descobrimento da fotografia nao somente como meio de trabalho, mas como meio de expressão, refúgio, denuncia e apelo social.⁣

Esse é um trabalho belíssimo que não é tão fácil de ler pois trata de temas pesados e muito reais, não somente no Rio de Janeiro mas também no Brasil inteiro. A violência e a opressão que obriga jovens a seguirem por um caminho perigoso e sem volta está numa crescente assustadora. ⁣

Seus quadrinhos possuem desenhos de traço forte e expressivo assim como cada morador de uma favela que, apesar de simples, são pessoas que têm sua beleza e sua força para enfrentar a violência e o preconceito das ruas.⁣

Vejo aqui nao somente uma biografia mas também uma forte crítica ao sistema de segurança que pomete proteger o cidadão mas quebram com a palavra e oprimem e descriminam uma pessoa por sua aparência. Aos policiais que (infelizmente existem) exploram, maltratam e matam (o corpo e a honra ao forjar um flagrante), ao empregador que nao oferece oportunidade de trabalho a ex-detentos e até mesmo a pessoas julgam seu caráter pelo lugar onde vive.⁣

Na favela não existe só bandido, assassino, fora da lei. Na favela existem pessoas que, independente da sua moradia, possuem carisma, cultura e fé que um dia haverá segurança e igualdade. ⁣
A favela tem a sua beleza e nessa HQ, André Diniz através das fotos de Maurício Hora conseguiram mostrar.⁣
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DaniBooks 27/07/2019

Morro da Favela
Nessa HQ, acompanhamos a história do fotógrafo Maurício Hora, nascido no Morro da Providência. Através dos quadrinhos totalmente em preto e branco, conhecemos a história do primeiro Morro do RJ, o início do tráfico e como Maurício descobriu a fotografia e a entendeu como forma de denúncia e intervenção social. Aqui, temos a visão de um morador da Providência sobre as mazelas de uma comunidade carente, sobre a atuação policial e sobre o tráfico. É também uma declaração de amor à sua comunidade e às pessoas que moram lá; também é uma forma de tentar mudar a visão preconceituosa que se tem da favela. O traço e o fato de ser tudo em preto e branco me confundia às vezes no tocante a reconhecimento de personagens, mas, no todo, apesar de ter críticas pessoais a demonizações e amenizações sobre a atuação da polícia e do tráfico, a HQ me surpreendeu positivamente e gostei bastante.
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Ana Letícia Brunelli 03/10/2017

Uma história em quadrinhos biográfica do fotógrafo Maurício Hora, nascido e crescido no Morro da Providência, que descobriu na fotografia não só seu meio de vida, mas também um forte instrumento social, com o qual ele busca expressar a beleza que sempre viu no lugar onde vive.
Este livro ilustra o início do tráfico no Morro da Providência, a vida na favela, a interferência e o envolvimento da polícia, os caminhos que muitos jovens da comunidade acabam seguindo, e a descoberta da arte como arma de transformação social.
Maurício Hora, apesar das dificuldades, miséria e violência que presenciou ao longo de sua vida como morador do morro, nunca deixou de ter um olhar sensível para a beleza que ali também existe. Beleza essa, aliás, que existe em qualquer lugar, só depende de sabermos olhar pelo ângulo certo e ajustarmos o foco.

''Eu não estou na favela pela vista maravilhosa que a gente tem daqui. Estou porque tá cheio de gente legal. Quando você conhece as pessoas, é diferente''.
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neris 01/09/2014

Em meio ao caos da violência, Maurício Hora se encontrou na fotografia
Eu morei na Brasilândia até meus 11 anos. E mesmo criança já via muita gente mentir dizendo que era da Freguesia do Ó pra não sofrer preconceito por morar num bairro periférico. É muito mais fácil mentir do que defender.

Também vi meu irmão sendo algemado e levado na viatura com a minha mãe. O que eles fizeram? Pararam à noite em frente a casa da minha vó pra me buscar. Os policiais só ficaram menos agressivos quando me viram no portão soluçando de tanto chorar. Alguns anos depois, minha mãe me contou que bateram muito no meu irmão naquela madrugada, e teriam batido mais se ela não tivesse ido junto.

Uma vez, durante a festa de aniversário da minha tia, ouvimos um tiro. Todo mundo saiu correndo, abaixou. Logo depois alguém veio com a notícia. O Ney – cara gente boa e meu vizinho – tinha levado um tiro, bala perdida. O aniversário se transformou num pré-velório. Foi a noite mais triste da minha vida.

Morro da Favela, publicada em 2011 pela extinta Barba Negra/Leya, trata exatamente desses assuntos: preconceito de quem só vê de fora, abuso de poder e violência. Maurício Hora, fotógrafo autodidata, cresceu nesse ciclo e nem por isso deixou de acreditar em algo maior e melhor, sem precisar sair ou renegar as raízes.

“O Morro da Providência, localizado próximo a Central do Brasil, no Rio de Janeiro, era conhecido como Morro da Favela. Durante a Guerra de Canudos, os soldados do governo usavam um morro, popularmente conhecido como Morro da Favela, para atacar o vilarejo de Antônio Conselheiro. A favela era um arbusto comum na caatinga baiana. Como recompensa pelo sucesso contra canudos, os soldados veteranos chegaram ao Rio de Janeiro para receber as casas prometidas pelo governo. Mas, devido a atrasos burocráticos, as moradias não eram entregues. Então, em 1897, os soldados ocuparam o morro e o apelidaram de Morro da Favela. Com o passar dos anos, o termo favela ganhou um novo significado, passou a designar todos os agrupamentos desordenados do Rio de Janeiro, depois os do Brasil, e já começa a ser conhecido em todo mundo.”

Na graphic novel, a história de Maurício e do Morro da Favela se completam. Através da fotografia, ele se incumbiu de mostrar um lado dificilmente retratado nos noticiários e mídias de praxe: o lado humano, o lado “aqui tem gente de verdade”. E tudo isso teve que acontecer justo na primeira favela brasileira.

Munido de curiosidade, Maurício teve muitas oportunidades de traficar ou praticar qualquer outra ilegalidade. Um dos exemplos morava com ele, seu pai foi pioneiro no tráfico de drogas nos anos 1950. Entretanto, ele resolveu seguir pela vertente contrária de seu herói após esbarrar numa Pentax enquanto trabalhava como ourives na adolescência. Sem técnica alguma, ele mal sabia que seus registros se tornariam históricos posteriormente.

Nos traços preto e branco do quadrinista André Diniz, responsável pelo roteiro também, acompanhar os passos de um favelado – ele passou a se orgulhar da definição – desde a infância com uma família desestruturada, até seu reconhecimento com direito a exposição até na França é efetivo na desconstrução do possível preconceito de uma pessoa que pega Morro da Favela pra ler.

“Quem mora aqui não corre o risco de ser assaltado pelo traficante. O risco é quando a polícia chega pra revistar. Sempre de forma intimidadora, até mesmo violenta. Agindo dessa forma, a polícia vira o inimigo. E é assim a trajetória da polícia. Sobe e mata um trabalhador desarmado. Aí diz que ele é bandido pra justificar. Mata duas vezes: mata o corpo e mata a honra.”

A favela tem múltiplas facetas, a maioria invisível perante a sociedade. E com sua lente, o carioca Maurício Hora contribuiu significantemente para a desconstrução do preconceito com os “agrupamentos irregulares”. Se não fosse o talento e a vontade de um lugar melhor sem abandonar suas raízes, ele não teria dado conta dos desdobramentos que sua vida deu até chegar onde chegou.

site: http://vieramente.com.br/morro-da-favela-andre-diniz-resenha/
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Bruno 05/10/2012

Morro da Favela
Morro da Favela é uma história parecida com muitas já contadas na ficção contemporânea brasileira: a história de um menino pobre da periferia que vence na vida, em meio às agruras de se viver em um local marcado pela violência e falta de infraestrutura. De fato, há também algumas semelhanças com o enredo de Cidade de Deus, o que chega a ser engraçado, pois não se trata de plágio - afinal, tanto Cidade de Deus quanto Morro da Favela, álbum em quadrinhos lançado pelas editoras Leya/Barba Negra, são inspirados em histórias reais. Isso mostra que, no Brasil, certos padrões se repetem, sejam nas coisas boas quanto nas ruins. Estes quadrinhos são a biografia do fotógrafo Maurício Hora, conhecido pelas suas fotos da Favela do Morro da Providência, no Rio de Janeiro.

Não apenas uma biografia, mas na primeira parte chega a ser um documento da formação do tráfico nas favelas, ao relatar o fim da predominância do jogo do bicho e o início do contrabando de drogas através da história do pai do Maurício, um dos "últimos malandros à moda antiga" da periferia do Rio. O Morro da Providência foi a primeira favela do país: durante a Guerra de Canudos, os soldados que cercaram o povoado rebelde se utilizaram de um local chamado Morro da Favela - favela é o nome de uma planta bem comum no local. Depois que o conflito acabou, o governo federal prometeu construir habitações para os soldados no Rio de Janeiro. O tempo foi passando, o governo não cumpriu sua promessa (sim, este tipo de coisa acontece desde o século 19...), e os soldados ocuparam um morro que passou a ser conhecido como Morro da Favela. Com o surgimentos de outras comunidades semelhantes no Rio (e no resto do país), o Morro da Favela passou a ser chamado de Morro da Providência, seu nome atual.

O "biógrafo" em questão é André Diniz, quadrinista veterano, especialista em temas brasileiros e autor de obras como Fawcett, Quilombo Orum Aiê e Subversivos. Não dá para imaginar autor melhor do que ele para contar esta história: Diniz a relata de forma cativante, com desenhos extremamente icônicos que, para minha surpresa, se encaixaram perfeitamente à proposta. O traço de Diniz é bem expressionista, com cenários entortados que retratam a favela de forma caricata e realista ao mesmo tempo! Fora a técnica do alto contraste, que não vejo tão bem utilizada desde que Frank Miller deixou de fazer Sin City. Para quem ainda torce o nariz para a arte de Diniz, saibam que a narrativa dele é muito mais do que apenas eficiente, é espetacular, com cenas que dificilmente teriam o mesmo impacto se fossem feitas por outro desenhista. O momento da chuva, quando o então garoto Maurício faz um barquinho de papel para flutuar na água, e este barco é pego pelo seu pai, é de grande emoção e beleza. As três páginas finais, com o seu único quadrinho colorido, também emociona.

A história de Maurício Hora, como não podia deixar de ser, é repleta de tragédias e alegrias. Não deixa de ser uma ode à perseverança em seguir um caminho correto na vida, e demonstrar que as pessoas são mais que a imagem feita delas pela sociedade. E no fim do álbum, há algumas belas fotos da comunidade feitas por Maurício - além de outras do Morro da Providência tiradas lá no início do século 20.

Recomendado!

Originalmente escrito para o Almanaque Virtual: http://almanaquevirtual.com.br/ler.php?id=27157&tipo=&ANALISE:+MORRO+DA+FAVELA
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Leo Ged 19/02/2012

Me falaram muito bem dessa graphic novel, logo fui ansioso pra ler.
Apesar da história autobiográfica ser interessante e do traço do André Diniz capturar bem o espírito da história achei que o produto final ficou apenas mais uma história brasileira sobre favelas.
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