Alta Fidelidade

Alta Fidelidade Nick Hornby




Resenhas - Alta Fidelidade


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Alebarros 28/11/2009

Depois dos trinta, como não notar, ao se olhar no espelho, as primeiras marcas do tempo e não sentir um leve desconforto com as ainda discretas rugas de expressão e o cansaço que começa a se mostrar no rosto? E o que não é a leitura desse livro senão uma olhada mais demorada nesse espelho? Um espelho que distraída, bem humorada e despretensiosamente revela a solidão, a busca e os desencontros de quem chega à metade da vida com muito mais perguntas do que respostas. Modestamente, - palavra de trintão - nunca me vi tão bem descrito e romanceado num livro como no Alta Fidelidade. Nunca me senti tão íntimo de personagens de livros como no Alta Fidelidade. Nunca fui tão amigo de um autor de livros como no Alta Fidelidade.

Nick, meu brother, muito obrigado por ver um pouco da minha história contada no seu romance. E quando vier ao Rio, pode deixar que o chopp é por minha conta.

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Srtª Kelly 20/01/2010minha estante
Este livro é demais... me amarrei!


Julyana 21/03/2010minha estante
Eu também gostei de Alta fidelidade, que li em janeiro. Livrinho bom, né? Depois eu li "Como ser legal" e não achei tão bom assim...


*Carina* 08/06/2010minha estante
Adorei sua resenha Alê, achei sincera, leve e bonita. :)

ps. Qdo for tomar chopp com o Nick me chama tá? rsrs




Daniel 08/10/2012

O melhor do Nick Hornby
Um livro aparentemente despretensioso e descartável, mas que esconde grandes trunfos: leitura fácil, agradável, cheia de sacadas geniais, que transita bem tanto nas partes engraçadas e patéticas quanto nas partes mais intimistas e emotivas.

Todo mundo na faixa dos 30 e poucos anos vai se identificar com o narrador que faz um balanço da vida após levar um fora, ou melhor, ser deixado pela companheira. A partir daí são apresentados ao leitor as experiências que formaram o que o personagem principal é nos dias atuais, não só nas questões amorosas, mas profissionais: tudo o que ele sonhava e que foi ficando para trás, as escolhas e principalmente as “ não-escolhas” que acabaram levando ao que ele é hoje.

As referências ao rock e à cultura pop fazem parte da narrativa como um personagem não menos importante que os amigos e as ex namoradas de Rob. A mistura bem dosada de momentos engraçadíssimos e outros que envolvem temas bem mais pesados como luto e solidão trazem boas reflexões sobre o que somos ou o que queremos. E as irresistíveis listas top 5, de músicas, filmes e situações memoráveis, que falam diretamente com a memória afetiva do leitor.

Ainda é o melhor livro do Nick Hornby.
David 02/08/2013minha estante
este livro está no meu top 5




Marina 20/06/2010

Quando terminei este livro fiquei em dúvida se dava 3 ou 4 estrelas. Vejam bem, eu não gostei do protagonista, o Rob. Sei lá, achei o cara deprimente de diversas maneiras, e sei que muitas vezes essa era a intenção (afinal ele era xingado de babaca constantemente), mas achei que ele ficou meio pedante. Mas por outro lado, o personagem é extremamente realista. O livro é narrado em primeira pessoa, e as coisas que ele diz e faz... bom, ele foi muito bem construído. Eu consigo visualizar um vizinho, por exemplo, com esse perfil.
Um amigo aqui do skoob me disse uma vez que ele leu o livro e achou que a interação narrador-leitor parecia um papo entre velhos amigos. E acho que é isso mesmo, mas parece um papo entre homens. Não estou dizendo que é desse jeito, ou que o livro foi feito para homens, mas foi o sentimento que o livro me transmitiu. Eu me pegava irritada com algumas opiniões e atitudes de Rob.
Mais para o final do livro eu me animei e acho que ele fechou de um jeito bem legal. Fora que Hornby é Hornby, então sempre temos trechos engraçados, sacadas geniais... fora a referência musical, né. Excelente. Além disso, ao que me parece, este é o livro mais cultuado dele, então obviamente eu recomendaria para todos.

Enfim, acabei dando 3 estrelas pq sempre que avalio um livro dele eu comparo com os outros que li do autor e vejo qual me divertiu mais. Não está entre meus prefeirods, mas como podem ver, é cheio de qualidades. :)

ps- Não poderia imaginar alguém mais perfeito para desempenhar o papel de Barry do que Jack Black. É incrível!!! Quando eu lia o livro, dava a impressão de que Nick Hornby escreveu esse personagem pensando nele, haha!
Cláudia 21/06/2010minha estante
O Rob é um coitado rsss Eu não tinha pensado nisso, mas parece mesmo uma conversa entre homens.
Ótima resenha, eu sempre fico na dúvida sobre quantas estrelas dar, devia ter meia estrela também rsss.

Não vi esse filme ainda, deve ser legal.




Stefy 22/01/2010

TOP 5 motivos para gostar do livro:
1) Nick Hornby é engraçado na medida certa, sem apelar e com uma dose de ironia.
2) As referências de cultura pop recheiam o livro, pra quem gosta, é um atrativo e tanto.
3) Rob Fleming é um personagem carismático, que permite intimidade e as inseguranças e neuras são altamente identificáveis, haha :D
4) O livro tem fluxo, é impossível ficar entediado(a).
5) as listas TOP5 aparecem nos momentos mais inesperados, dando o gostinho a mais do livro.
Lari 06/08/2010minha estante
Adorei sua resenha!!! é a cara do livro, que por sinal, adorei =]




redeemed_luke. 13/10/2020

Somos todos Rob.
Neuróticos.
Ansiosos.
Egolatras.
E amamos música.
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Lari 06/08/2010

Alta Fidelidade é um livro apaixonante! Além de trazer um pouco do universo de uma geração que cresceu na cultura pop dos anos 80, trata com muito bom humor problemas pelos quais todos nós passamos.
Rob Fleming (protagonista do livro) é um personagem cheio de personalidade, é depressivo, vive fazendo merda e enfrentando conflitos psicológicos, crises profissional (é dono de uma loja falida de discos), existencial, financeira, problemas de relacionamento... enfim! Ele é tão humano, cheio de defeitos e sintomas de vida que é impossível não se apaixonar! Nick Hornby, com sua narrativa despretensiosa e bem temperada, nos faz rir, rir e rir, odiar e torcer por Rob, nos traz a cultura pop de forma muito divertida (com diversas referências musicais e cinematográficas) e nos apresenta o universo masculino num diálogo protagonista/leitor muito interessante!!
Pra quem gosta de música e de uma história muito bem contada, esse é um prato cheio! O filme também é muito bom (acho que Nick tinha Jack Black em mente quando criou o personagem por ele representado, ficou perfeito!! ).
Caduds 07/08/2010minha estante
Boa resenha lindoca. O filme eh realmente muito bom. o livro ainda nao sei, mas se vc diz ser eu acredito.. bjs


Nathy 10/01/2011minha estante
Me fez querer ler o ivro. :)




Blog MDL 07/02/2016

Robert Fleming está em crise. 35 anos completos e uma vida sem nenhum grande prodígio, o homem se vê no término de mais um relacionamento. Passamos então, já de inicio, a acompanhar ele em um mergulho a seu passado, nos relatando seu “Top 5” rompimentos traumáticos de sua vida, dando-nos base para conhecer esse solitário e amargurado sujeito e sua vida.

Narrado em primeira pessoa, acompanhamos esse homem, que é dono de uma loja de discos a beira da falência em meados dos anos 90, que nunca concluiu a faculdade e vive em um pequeno apartamento próximo de sua loja. Rob nos faz navegar com ele em seus pensamentos a respeito de sua vida, amizades, relacionamentos, carreira, entre diversos outros tópicos, enquanto narra sua vida cotidiana em sua loja, com seus dois funcionários e amigos que, como ele, não tem muita maturidade para assuntos que não são música.

De cara o livro tem uma premissa bem interessante, pois sim, meus caros, vocês não leram errado, esse romance entra fácil na categoria “Chick Lit”. Ele tem tudo àquilo que esse tipo de livro geralmente aborda, só que sob o prisma masculino! Então ele tem todas as diversas análises comportamentais e sentimentais do protagonista, mas com um tipo de humor mais sarcástico e, por que não, um tanto mais ácido em relação àqueles que nos trazem mulheres como protagonistas.

Dotado então desse humor mais peculiar para o gênero e com um núcleo também fora do usual, a narrativa é bem simples e cheia de citações bastante interessantes. Outro ponto que torna a leitura bem curiosa é o fato de ter dezenas de referências a músicas, filmes e livros que moldaram toda a cultura pop durante os anos 80 e 90. Para aqueles que viveram esse tempo, vão com certeza se deleitar em todas as listas que Rob e seus dois amigos, Barry e Dick, vivem fazendo. Para quem não, fica a dia para uma playlist do livro.

Mas, as coisas boas acabam aí pra mim...

Se o tema do livro me instigou a lê-lo, o material usado me fez querer atirar o mesmo pela janela. Rob Fleming pode até ter seus momentos profundos, mas ele é, totalmente, um babaca de marca maior. Chick Lit’s não são muito meu forte de leitura, pois eu dificilmente consigo me sintonizar com os personagens, mas esse em questão me criou total repulsa. A sua tal lista de rompimentos mais traumáticos é quase digna de pena, sem falar que ele adora transferir a culpa do fracasso de sua vida a eles. Ele usa sua ex-namorada da maneira que bem quer e seu “sofrimento” pós-término é muito mais orgulho ferido que qualquer outra coisa. Ele é egoísta, tosco, grosseiro, infantil e em alguns momentos beira a misoginia. Sempre que achamos que ele aprendeu a lição, ele comete uma nova babaquice. Claro, tudo isso é a minha análise pessoal em relação ao personagem.

Quanto aos demais, seus colegas de trabalho são totalmente secundários, mas se tem outro personagem que me fez revirar os olhos toda vez que aparecia era o Barry. Laura, a ex-namorada, é uma advogada bem sucedida com seus próprios problemas a resolver, mas fica presa a esse relacionamento durante todo o livro. Outros personagens que merecem destaque são os pais do Rob, que são um bom alívio durante alguns momentos da narrativa.

A narrativa não tem nada de extraordinário. É um romance que traz o ponto de vista de um homem que está numa fase da vida que quer descobrir a causa das escolhas erradas de sua vida. Para aqueles que gostam desse tipo de narrativa, encontrarão um livro bem rico tanto em referências, quanto na temática abordada.

site: http://www.mundodoslivros.com/2015/12/resenha-alta-fidelidade-por-nick-hornby.html
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Larissa 12/05/2020

Babaca, bem babaca esse personagem principal. O livro entretanto, consegue passar algumas mensagens importantes.

Faz uma crítica a pessoas que permanecem atadas ao passado, não perdoam, se recusam a amadurecer e tem uma enorme dificuldade de enxergar o sentimento do outro. Mostra como podemos ser egoístas, mesquinhos e irresponsáveis. Culpamos os outros por nossas próprias decisões e por inaptidão em lidar com a dor.
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Joao 14/01/2021

Importante para a sua época
Taí, um livro que tem basicamente todos os elementos que eu gosto porém a narrativa não me agradou tanto. Não se enganem, é um bom livro com uma leitura fluída e tenho certeza que foi bem marcante para a época em que foi lançado. Revela as ansiedades, angústias e dúvidas com uma franqueza assustadora e por mais que o personagem principal tenha algumas atitudes reprováveis, consegui sentir alguma empatia por ele e odia-lo ao mesmo tempo.
Um livro sincero, regado com ótimas referências musicais e as vezes até cinematográficas. Senti uma certa semelhança, salvo as devidas proporções, com o Apanhador no campo de centeio. São obras importantes para as suas respectivas gerações e uma boa pedida em termos de entretenimento, nada além disso.
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Márcia Regina 23/04/2010

"Alta fidelidade"

Recomendo, principalmente para quem curte música. Passei um feriado divertido procurando vídeos no youtube.

O livro relata a história do dono de uma loja de discos em um momento de transição. Um homem no fundo do poço, mas sem melodramas exagerados. Ri muito e em alguns momentos me senti numa verdadeira aula sobre pensamento masculino. O final é meiguinho, busca dar uma impressão tipo "pensei, mudei, agi" (me engana que eu gosto). No fundo, confesso que aprendi também sobre minhas reações, talvez até mais do que sobre eles, afinal, não existe um nós/eles tão claramente separado assim.

Fiquei curiosa com relação a outros escritos do autor. Essas obras que assumem de tal forma a personalidade do personagem que parecem não ter um autor, mas serem relatos de vivências particulares (não, calma, não se preocupem, sei que o texto é texto, autor é autor, narrador é narrador, tenho isso muito claro), sempre me encantam, mas ao mesmo tempo criam uma espécie de medo. Como aqueles atores que fazem tão bem um personagem que acabam trazendo essa interpretação, consciente ou inconscientemente, para outros papéis. Fico com a impressão de que nos próximos textos verei o personagem novamente, o que criaria repetições e destruiria o encanto do primeiro. Não queria destruir esse gostinho bom, vou pesquisar com os amigos antes de ler os outros livros dele.
E não sei se quero ver o filme (ainda que saiba que vou acabar vendo). O que encanta não é tanto a história quanto a forma como a história é apresentada.

Mas já estou divagando, desculpem. O livro é bom, interessante, divertido, rápido de ler. Não é cult nem best seller, não esperem demais, não subestimem, apenas curtam, vale a pena.
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Aninha 15/12/2013

De: Journal de Sorrisos | Alta fidelidade
“Enfim. Dicas de como não planejar sua carreira profissional: a. terminar com a namorada; b. largar a faculdade; c. ir trabalhar numa loja de discos; d. continuar trabalhando em lojas de discos pelo resto da vida.” (HORNBY, N. Alta fidelidade. São Paulo: Companhia das Letras, p. 31, 2013).

O livro é repleto disso aí. Isso o quê?! Listas? Sim. Humor autodepreciativo? Sim. Discos, namoradas e música? Sim, sim e sim, música pop dos anos 80/90. É sério.

Conheci esse livro porque uma vez, não lembro porquê, meu professor de antropologia disse que esse livro era muito bom. Fui atrás (virtualmente, claro) de Hornby e percebi que ele me interessava muito mais do que imaginava. Quis todos os seus livros, isso há uns 4 anos. Desde então, venho reescrevendo seu nome nas wishlists literárias. Até que uns dias atrás, passeando alegremente pela livraria (livraria = alegria) vi o que a Companhia das Letras fez com as edições novas e bonitas de seus livros. Aí já era tentação demais, não me aguentei. Assim como não aguentei esperar para lê-lo, no mesmo dia que ele chegou, já o comecei – há muito tempo não fazia isso.

Foi então que percebi que a citação da capa tem razão, ele é de fato um “clássico imediato”. Não tem como não gostar. Rob é um solteiro de 35 anos que reavalia toda sua vida amorosa após ser deixado pela namorada. E é através de uma revisão incessante e obsessiva do seu passado que ele busca uma reconciliação consigo mesmo, afinal, por que se deixou chegar a esse estado?

Não se iludam, a coisa toda é bem engraçada. É como uma comédia romântica, com uma grande moral no final e uma trilha sonora marcante. E bem marcante. Quer dizer, para mim não foi fácil acompanhar tantas músicas, artistas e afins – não eram exatamente “da minha época”. Claro que fiz uma playlist especial do livro (aqui!), mas ainda assim muitas cenas seriam melhor vivenciadas se eu conhecesse a música X da qual ele falava com tanta paixão.

Moral da história? Repensei tudo. Quis me ver com 35 anos; quis saber se estaria feliz, satisfeita ou gorda; quis me vestir melhor e analisei as músicas que ouvia. Vi que fazer listas é uma coisa completamente normal e que talvez essa minha mania esteja ainda em um nível muito precoce para chamar de loucura. Percebi que não estou sozinha no barco das pessoas que pensam demais, criam teorias e vivem histórias paralelas em seu próprio mundo. Uau, Rob, quem diria que era você quem me ensinaria certas coisas sobre eu mesma, não?

Com carinho,

A.

site: http://journaldesorrisos.wordpress.com/
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Suiany 03/10/2013

Rob é dono de uma loja – um tanto quanto falida – de discos. Ele é aquele tipo de cara que analisa o caráter das pessoas através de sua estante de fitas ou vinis¹. Além de ser totalmente acomodado e fechado.

O livro começa com nosso protagonista listando seus cinco piores términos de namoro. Ele a faz para Laura, sua última namorada. Ela acaba de terminar com Rob e ele quer se vingar um pouco, não incluindo-a no Top5. (Apesar de não entregar a dita lista em momento algum.)


Esta história tinha tudo para ser interessante, a vi listada em vários favoritos, recebeu adaptação pro cinema e tudo o mais, mas revelou-se uma grande decepção.

O ponto positivo, talvez único, é que Rob faz vários destes Top5′s, e sua grande maioria é sobre clássicos da música pop. Podemos dizer, então, que o livro possui uma ótima “trilha sonora”.

Agora vamos aos pontos negativos. Primeiro, nosso protagonista relata alguns relacionamentos passados e seus términos (como já citado) e, desde seu primeiro namoro o que vemos é um menino acomodado, turrão e milhões de outros maus adjetivos. O problema é que esse tipo de atitude perdura até o fim do livro, quando ele já passou dos 30 anos. Segundo, sua insensibilidade é levada ao extremo na morte de seu ex-sogro, quando ele age como se nada ruim estivesse acontecendo, e pior, quase se recusa a ir ao velório pois diz não se sentir bem nestes locais². Terceiro, Rob consegue ser o pior protagonista de todos os tempos, simplesmente não há como gostar dele ou sentir o mínimo de compreensão.

Só tenho a concluir que Nick Hornby levará muito tempo para ter mais uma chance de me cativar. Alta fidelidade entrou pra lista das más leituras do ano de 2013. Só lamento pelo filme, pois desisto de vê-lo e correr o risco de me decepcionar duplamente.

¹ Importante lembrar que o livro foi escrito nos anos 1990, o que justifica os termos fitas e vinis

² Como se alguém adorasse frequentar velórios!

site: http://divinaleitura.wordpress.com/
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Maurício Gomyde 18/12/2010

Legal demais!
Este livro é um dos mais legais que já li. Acho que este pode ser o melhor elogio que um livro pode receber. Livros podem ser apaixonantes, podem ser instigantes, podem te fazer pensar, te fazer chorar, rir, qualquer coisa. Cada um traz um tipo de reação (que pode até ser o tipo de reação "esse eu não termino de ler nem a pau"). Ser um dos livros mais legais já diz tudo. Gostoso de ler, rápido, inteligente, leve. Pra quem gosta de música, um prato cheio.
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alineaimee 25/04/2014

Li inúmeras resenhas que elogiavam muito o Alta Fidelidade, mas acho que fiquei com a impressão errada sobre ele. Em geral, os resenhistas destacavam o fato de o protagonista ser apaixonado por música e ter mania de fazer listas dos cinco melhores acerca de tudo. Só por isso, já fiquei muito interessada. Também eram comuns elogios ao humor do personagem, então fiquei com essa ideia de que o romance era divertido e escolhi lê-lo pensando que teria uma experiência desopilante. Não foi o que aconteceu.

Rob Fleming está na casa dos trinta e poucos, tem uma loja de discos quase falida e acaba de ser deixado pela namorada, Laura. Ele começa a enumerar os cinco piores rompimentos de sua vida, inicia uma autoanálise, e começamos a ter noção de com quem estamos lidando. Ele finge que vai demonstrar que o abandono de Laura não foi nada de tão grave, mas vai ficando claro, ao longo do romance, que isso não é verdade. Rob é uma pessoa frustrada, egoísta, mal-humorada. Mais do que isso, ele é imaturo e um verdadeiro cretino. É infiel com as namoradas, impaciente com os amigos, preconceituoso, usa as pessoas. Sua capacidade de fazer as escolhas mais equivocadas era tão grande que tive ímpetos de jogar o livro na parede, na impossibilidade de encher o personagem de tabefes.

Então, vocês indagarão: é ruim assim, Aline? Não, gente. O livro é ótimo! Um romance que consegue despertar sentimentos tão fortes no leitor em relação ao personagem só pode ser muito bom. Minha raiva não era com uma escrita ruim, problema de estilo ou de construção do personagem. Pelo contrário. Se me roí de raiva, é porque o personagem era convincente demais. Essa talvez seja a maior qualidade do romance: a capacidade de Hornby de criar personagens e situações críveis.

Percebam: terminei o livro muito mal, emputecida de verdade com o Rob, que me pareceu um dos personagens mais obtusos de que tive conhecimento. Revoltava-me o fato de que ele chegasse tão perto das melhores conclusões, das percepções mais cristalinas, e em seguida agisse como um completo babaca egocêntrico. Longe de ser desopilante, a leitura foi uma experiência deprimente. Precisei de tempo, de certo distanciamento para reconhecer a eficiência do texto de Hornby. Rob é um personagem humano demais, a ponto de causar vergonha alheia. Porque tudo por que ele passa é possível, tudo soa real demais e é narrado com uma sinceridade desconcertante.

É curioso que num livro sobre uma crise existencial, a capa seja tão descontraída e com cores tão fortes. Ela sugere uma ideia um tanto equivocada do romance, porque destaca apenas um dos seus aspectos. O drama de Rob e a indignação que o personagem me causou não estão retratados aí.

Para me reconciliar com o personagem, listarei as cinco melhores características do romance (originalidade, cadê você?):

1. Estilo narrativo. Nick Hornby escreve muito bem!

2. Os amigos, Barry e Dick, viciados em música, desajustados e incapazes de terem uma conversa séria. As passagens com eles são as mais engraçadas.

3. As listas que Rob, Barry e Dick fazem. São muito divertidas e interessantes para quem gosta de música e cultura pop.

4. Humor. Rob é irônico, autocrítico, ácido. Sua sinceridade extrema nos convida à identificação, que comigo não rolou, de fato (porque sou chata).

5. Ótima caracterização dos personagens, lugares e situações, que torna a história muito crível.


Enquanto a alta fidelidade de Rob é destinada somente a si mesmo e à música, o romance, por sua vez, funciona como um espelho, buscando ser fidedigno ao refletir um aspecto que não queremos reconhecer em nós mesmos. E se a gente ainda reage mal a esse reflexo, é porque estamos no caminho certo. Alta Fidelidade é tocante, cool, envolvente e sacana, como um bom e bem afinado blues.


site: http://www.little-doll-house.com/2014/04/alta-fidelidade.html
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Anna 04/04/2010

Não escolher, também significa escolher algo!
O livro conta a história de Rob Fleming, um cara de 36 anos, dono de uma loja de discos de vinil que está próxima da falência. Rob não é casado, não tem filhos, não cursou faculdade, seus pais moram no interior. Sua vida pacata, simples e sem muito sucesso parece ter sido ocasionada por todo o desastre de sua vida amorosa desde a adolescência e a história começa justamente com o TOP 5 das separações mais memoráveis do rapaz.

Ao fazer esta primeira lista, Rob acaba de se separar da namorada Laura. Ele está com raiva e tenta atingí-la ao enfatizar que ela não aparece na lista. No início, esta atitude parece infantil. Parece que ele não a incluiu na lista simplesmente para se mostrar superior, que ela nem significava tanto assim para ele. Mas ao decorrer da história, descobrimos que não é isso. As experiências nos ensinam, nos amadurece e percebemos que nem tudo é o fim do mundo. A dor pode até ser mais intensa do que o 5o. lugar da lista, mas temos mais força para enfrentá-la.

A linguagem da história é simples, direta. Sem altas pretensões, Nick Hornby te envolve, te atrai, te prende. O texto é recheado de referências culturais pop, cinematográficas e musicais, além de muitas listas e listas. Com vida sendo guiada pelo cultura pop das últimas décadas, Rob expõe muitos dos medos, neuras e dúvidas comuns das pessoas próximas dos 30 anos. É impossível não torcer por ele, pois apesar de agir como um completo idiota em algumas passagens, você vai se identificar com ele em algum ponto.

Nick Hornby me supreende com seu talento. Consegue fazer uma história fácil de ler, leve, engraçada em alguns pontos, reflexiva em outros, com boas doses de ironia(ponto!!) mas sem deixá-la chata, entediante ou confusa. É muito difícil misturar todos estes aspectos em um livro e ele conseguiu. Acho fantástica a forma de narração de Nick, quando nos damos conta estamos na própria pelo de Rob ou até mesmo batendo um papo com ele.

Eu confesso que achei que seria uma história boba na qual um cara coloca toda a culpa de seu fracasso amoroso nas mulheres, mas me surpreendi. Acho que aprendi algumas coisas sobre homens com o Rob, sobre como homens pensam, agem e até alguns de seus possíveis medos. Não tenho a pretensão de dizer que todos os homens são como Rob, mas há lições para se aprender com ele.

Acredito que a lição mais importante que aprendi foi a que Rob e eu aprendemos juntos! Laura é terrivelmente consciente e inteligente, colocou em palavras algo tão simples e fácil de constatar, porém difícil de ver: as consequências de manter as opções em aberto. Quando você insiste em manter as opções em aberto, na verdade você está fechando-as também. O tempo passa e nos tira as opções que achávamos ter. Acho que eu já sabia disso, mas nunca havia parado para encarar isso! Um trechinho que exemplifica isso:

"Algo além de manter suas opções em aberto e esperar que a vida mude. Você manteria suas opções em aberto pelo resto da vida, se pudesse. Vai estar no seu leito de morte, morrendo e vai estar pensando, bem, pelo menos mantive minhas opções em aberto. Pelo menos não acabei fazendo algo do qual não pudesse recuar. Só que enquanto você está mantendo suas opções em aberto, você está fechando-as também."

Palavras de Laura para Rob

Nick Hornby
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