O Estrangeiro

O Estrangeiro Albert Camus




Resenhas - O Estrangeiro


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Roberto Ramalho 06/09/2019

Apenas para os bem-resolvidos
O estrangeiro não é um livro para os fracos de espírito. Ele não traz nenhuma cena difícil de ser digerida, nada chocante, nada que fuja do ordinário. É apenas a história de um cidadão comum que vive como qualquer outro. E começa perdendo a mãe para a morte e precisando comparecer ao seu enterro. A partir daí, uma série de acontecimentos corriqueiros se desdobram, como na vida de qualquer pessoa, até que ele é levado a ser julgado por um ato, dentro de uma corrente de vários atos, que comete. É a partir de então que a veia existencialista do livro se apresenta com mais força; qual a razão de tudo o que vivemos? Como devemos reagir às tragédias que nos acometem, da maneira que as sentimos (ou não sentimos) e experienciamos, ou do modo como acreditam que devemos viver? O que é ser bom ou mau? Qual o sentido da vida que levamos? Estamos caminhando para algum objetivo? Faz diferença vivermos para morrer hoje ou daqui a cinquenta anos? Deus e uma vida após a morte existem (ou fazem algum sentido)? Um livro de simples leitura, rápido, mas que suscita muitas questões que podem abalar os menos preparados.
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Guibson Dantas 01/09/2019

Personagem perturbador
Meursault é, sem dúvida, um dos personagens mais perturbadores da literatura mundial. Sua apatia perante a vida inquieta o leitor, ao mesmo tempo que nos faz refletir sobre nossa própria apatia. Livro excelente e leitura obrigatória para jovens e adultos em tempos de 'niilismo consumista'. Excelente.
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Tys 22/08/2019

O ESTRANGEIRO - ALBERT CAMUS
Mersault é um homem comum e pacato, que não tem nada a acrescentar na vida. A partir desse pretexto, Camus nos mostra o absurdo de uma vida pacata. Livro narrado em primeira pessoa, em que o protagonista externa toda a irrelevância do mundo. Livro profundo e reflexivo.
NOTA: 8.5
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Thales 02/08/2019

Magnífico
Há muito tempo que quero ler o "o estrangeiro", e não fiquei decepcionado quando o li.
É bastante notório o nome de Albert Camus entre nós niilistas (pelo menos, até o presente momento, porque acredito que o niilismo na maioria das vezes seja uma fase) então não poderia deixar de lê-lo.
A história é narrada a partir da ótica do protagonista Mersault, descrevendo seu cotidiano. Mersault é relativamente uma pessoa simples e com personalidade singular (o que mais me atraiu), vive de forma aleatória e sem grandes objetivos materiais, parecendo-me como se fosse apenas um espectador na sociedade, onde fica observando a conduta das pessoas.
Uma peculiaridade minha, é que sempre quando leio algum livro, e acabo apreciando a leitura, deixo muitas vezes algum personagem exercer influência em mim, portanto vou adquirindo algumas características de algum personagem ou um pouco de cada um, nessa leitura não foi diferente, em vários momentos que vivenciei externamemte ao longo da leitura, me vi despreocupado, taciturno e com aversão á tradições.
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Gui 11/07/2019

Um mal-estar moderno
Camus, assim como outros pensadores da sua época, traz consigo uma visão pessimista do mundo, pois sendo ele vazio de significado, caberia ao ser humano o esforço hercúleo de dar-lhe um. Não vemos essa filosofia de forma explicita durante a leitura do livro, no entanto, o enredo está impregnado dela. O personagem principal, Mersault, é completamente apático e indiferente aos acontecimentos da sua vida. Alheio a tudo e a todos, ele segue seu rumo aleatório como um "carrinho bate-bate", batendo nas intempéries da vida esperando que elas o levem para algum lugar. Ele é exemplo de um certo "mal-estar moderno", onde aqueles que falham na busca por um significado duradouro para suas vidas se encontram. Privados de um significado sólido para a sua existência, aqueles acometidos pelo mal-estar, perdem a sensibilidade para aproveitar verdadeiramente os momentos da sua vida, e mesmo que continuem a existir, deixam (metaforicamente) de viver.
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Gabriel.Tesser 05/07/2019

O livro é rápido, simples. Não é introspectivo além da própria introspecção do narrador, protagonista da história. Sem muito a dizer, apenas um desabafo vislumbrado no final do livro. Um convite a pensar sobre a liberdade. Meursault poderia ser considerado alguém que vive no ideal de liberdade, sem preconceitos, sem ideologias, religião ou, até mesmo, sentimentos que o prendam ao comum. É justamente por isso que foi condenado à morte. Ele cometeu um crime e foi considerado hediondo. Matar alguém deve ser considerado hediondo, mas querem matar Meursault pelo crime de não ter ideologia, sentimentos, religião ou arrependimentos que o transformem a um qualquer, fraco e ignorante às suas escolhas. Ele não deseja escolher nada, apenas viver e sentir o que está ao redor, ao alcance das sensações do corpo e dos olhos. Um ideal de liberdade, que o condena como um pária. Este livro é um convite ao pensamento aberto, sobre ironia, sobre liberdade e a obrigatoriedade de fazer parte de algo, constrangendo seus próprios ideais.
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Vanessa 29/06/2019

Um livro bem curto, mas existencialmente impactante
Albert Camus traz um personagem (Mersault) extremamente indiferente. Nunca li nada como O Estrangeiro, nesse aspecto.

Achei-o, em certas atitudes, chocante, mas também me peguei pensando durante a leitura “já fui Mersault, já fui ‘tanto faz’ diversas vezes em variadas ocasiões”, o que me fez ficar mais curiosa para saber qual seria o rumo do personagem (tão imprevisível que me assustava quando as situações aconteciam).

Acredito que Camus quis transmitir uma mensagem existencialista, nesse livro, de que a nossa existência não tem nenhuma razão de ser e que não há nenhuma lógica ou sentido/motivo para fazermos algumas coisas, apenas nos acostumamos a fazer por convenções (sendo assim, um tema de Absurdo e da Gratuidade).

É interessantíssimo como o Autor, pelo que já pesquisei, utiliza certas frases, situações ou até personagens em outros livros seus, criando várias autorreferências (nessa obra, ele cita uma leitura que Mersault faz de um caso descrito num jornal e que, este mesmo caso, é narrado em outra obra dele. Camus também utilizou elementos de O Estrangeiro em outras obras suas).

O Estrangeiro, no geral, é bem interessante para se ler porque apresenta uma linguagem acessível, bruta e com um toque filosófico que nos faz refletir sobre as nossas próprias existências ou atitudes.
Olguinha 29/06/2019minha estante
Quero ler agora hahah ?


Vanessa 29/06/2019minha estante
Hahhaha olga, tu vai gostar!
e dá pra ler numa tarde ou numa noite, tem só 100 págs




Vanessa 29/06/2019

Um livro bem curto, mas existencialmente impactante
Albert Camus traz um personagem (Mersault) extremamente indiferente. Nunca li nada como O Estrangeiro, nesse aspecto.

Achei-o, em certas atitudes, chocante, mas também me peguei pensando durante a leitura “já fui Mersault, já fui ‘tanto faz’ diversas vezes em variadas ocasiões”, o que me fez ficar mais curiosa para saber qual seria o rumo do personagem (tão imprevisível que me assustava quando as situações aconteciam).

Acredito que Camus quis transmitir uma mensagem existencialista, nesse livro, de que a nossa existência não tem nenhuma razão de ser e que não há nenhuma lógica ou sentido/motivo para fazermos algumas coisas, apenas nos acostumamos a fazer por convenções (sendo assim, um tema de Absurdo e da Gratuidade).

É interessantíssimo como o Autor, pelo que já pesquisei, utiliza certas frases, situações ou até personagens em outros livros seus, criando várias autorreferências (nessa obra, ele cita uma leitura que Mersault faz de um caso descrito num jornal e que, este mesmo caso, é narrado em outra obra dele. Camus também utilizou elementos de O Estrangeiro em outras obras suas).

O Estrangeiro, no geral, é bem interessante para se ler porque apresenta uma linguagem acessível, bruta e com um toque filosófico que nos faz refletir sobre as nossas próprias existências ou atitudes.
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Olguinha 29/06/2019minha estante
Quero ler agora hahah ?


Vanessa 29/06/2019minha estante
Hahhaha olga, tu vai gostar!
e dá pra ler numa tarde ou numa noite, tem só 100 págs




Toni 25/06/2019

Tanto faz
Albert Camus é autor do Absurdismo, teoria que se resume a não enxergar sentido algum na vida. Sem nenhum propósito, tudo passa a ser absurdo.

Em O Estrangeiro, Camus conta a história de Mersault - um homem simples, ?sem sentimentos? e que, de uma hora para outra, comete um assassinato.

O personagem não tem motivações, planos e nenhum tipo de ideologia. Sua vida é pautada no presente, de forma totalmente reativa. Ao ser indagado sobre algo, ele diz: tanto faz.

Um livro excelente, que nos faz pensar sobre a vida. Será que no fundo nossa existência tem algum sentido? Até que ponto somos condicionados pela sociedade a pensar diferente? Tudo isso é colocado neste livro, através de uma história simples e cativante.
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Guilherme 09/06/2019

''Pensei que passara mais um domingo, que mamãe agora já estava enterrada, que ia retomar o trabalho e que, afinal, nada mudara''.
Nessa obra acompanhamos Meursault, um homem indiferente à vida: à morte de sua mãe, ao afeto da namorada e à violência de seu vizinho. Segundo ele, tanto faz uma coisa ou outra, pois nada importa no final. O protagonista está totalmente sem sentido e moral, sendo carregado passivamente por uma maré de acasos, logo, sem nenhum código de conduta para guiar seu comportamento, de forma que nada o impediu de envolver-se em um assassinato que nada lhe tinha a ver. Meursault age sem princípios, sem sonhos, sem querer e sem se importar.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
Com isso, Albert Camus, seu autor, teceu uma linha filosófica muito distinta que é o Absurdismo, ou seja, por meio de um personagem exagerado em seu vazio de significados, tenta incomodar-nos com questões como ''há sentido na existência humana?'' e ''se tudo é ao acaso e nada rege a vida, vale a pena viver?''.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
O grau de estranheza que a leitura me gerou é proporcional ao seu potencial reflexivo, ao passo que pouca coisa é explicada na obra, cabendo ao leitor abstrair suas reflexões. Segundo Sartre, ler O Estrangeiro é como observar alguém conversando ao telefone por detrás de um vidro... você entende a ação do telefonema, mas não compreende o conteúdo da fala, cabendo a você esforçar-se par ler os lábios do falante. Descordo de grande parte da base filosófica aqui proposta, mas me intriguei ao pensar que, afinal de contas, talvez existam pessoas tão desesperadamente perdidas em significado próprio como o Meursault.

NOTA:9/10

site: Insta: @livrissimu
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raphahass 04/06/2019

O absurdo do estrangeiro
Quem é o estrangeiro? O que é esse ser estrangeiro? Não seríamos todos nós estrangeiros pelo menos em algum momento da vida? Será Meursault um personagem-tipo, isto é, um quadro nós mesmo quando começamos a questionar o sentido da nossa condição humana e a flexibilizar a essência humana na máxima Sartriana "a existência precede a essência"?

Recorrendo à semântica, "estrangeiro", para além de significar aquele que vem de fora de algum lugar, um forasteiro, significa também estranho, alheio, que, na obra, é o protagonista que se sente à parte do mundo onde ele se encontra e da sociedade que o cerca.

Claro que com "o Estrangeiro" Camus igualmente levanta incipientes questões de descolonialidade, sobretudo no caso de representação dos árabes e dos franceses. No entanto, acima de tudo, essa obra faz parte da 'trilogia do absurdo' juntamente com o ensaio "O Mito de Sísifo" (1942) e a peça teatral "Calígula" (1945). O absurdismo é, portanto, a corrente filosófica à qual o Camus nos introduz e que expõe, grosso modo, o conflito existente entre a propensão humana de querer buscar um significado intrínseco à vida e à existência. Para Camus, a vida e a existência humana de fato possuem um significado; porém, este é inacessível aos homens: eis aqui o Absurdo! Aceitando isso ou não, o absurdo vai continuar a haver do mesmo modo, por isso

O protagonista Meursault está longe de ser um ser desprezível, ele apenas não consegue enxergar esse sentido e significado ilusórios que dizem ser inerentes à vida. Ele está mais para um homem apático que flerta com a indiferença, um "estrangeiro" ou um "alheio" à existência que é levado por essa correnteza - uma bom retrato do cidadão do século XX.

Embora trabalhe com complexas e profundas temáticas ligadas à condição humana, à sua existência e aos significados que são atribuídos ao ato de viver, Camus consegue abordar esse tema através de uma linguagem seca, simples, fluida, objetiva e de fácil compreensão.
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Ana Beatriz Rosa Alves 01/06/2019

O livro leva aquela estilo que eu acho maravilhoso em uma obra de arte: o absurdo.
Fiquei sabendo que há ainda mais duas obras que completam a filosofia do autor e isso me deixou bem feliz.
Mersault, a personagem principal, comete um assassinato sem nenhuma explicação, vai preso e à julgamento. Enquanto tudo vai acontecendo o protagonista tem a característica de filosofar sobre cada ação e cada pensamento que lhe ocorre.
Achei parecidíssimo com Dostô, tanto o tipo de narrativa, escrita e até mesmo a história. Adorei! A fama do livro não é de modo algum em vão.
Simone.GAndrade 02/06/2019minha estante
A "trilogia do absurdo", são compostas de um romance (O Estrangeiro), um ensaio (Le mythe de Sisyphe - O mito de Sísifo) e de uma peça de teatro (Calígula), só não sei qual é a ordem ideal de leitura, depois que li O Estrangeiro que fiquei sabendo, vou procurar os outros para ler. Também tem uma HQ que adaptada a obra.




Arthur Pacheco 15/05/2019

Mano do céu
Eu não sei o que dizer, só sentir mesmo - uma obra de arte. Toda essa jornada do personagem consegue cativar quem for. Leitura não é pesada, transmite bem o seu objetivo.
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Bruna 04/05/2019

A estranheza de ser quem somos
Este é um daqueles livros que engana o leitor: livro pequeno, mas leitura densa.
Logo na primeira página, o personagem principal,Mersault, nos entrega o que encontraremos ao longo da leitura, um personagem aparentemente vazio de sentimento, o famoso "apático", mas cheio de significados que nos fogem a uma "vista superficial".
O enredo gira em torno da vida rotineira de Mersault e todos aqueles que orbitam a sua volta, seja sua namorada, seu novo amigo, seu vizinho,um pobre cachorro maltratado ou suas observações climáticas e da vida cotidiana alheia. E, a sua falta de emoção ao lidar com acontecimento julgados socialmente como graves/penosos, ou melhor, a sua forma "fora do padrão" socialmente aceito, para lidar com elas.
Não vou dizer que foi-me uma leitura fácil e ágil, mas de certa forma eu fiquei presa ao desenrolar dos fatos e, também, a minha estranheza ao lidar com o personagem principal. Por faltar um embasamento maior para construir sua personalidade,propositalmente feita pelo autor ao não nos falar do passado do Mersault, para assim ao meu ver, criar uma atmosfera de mistério sobre a personalidade dele e, forçar a nós leitores, a construirmos a partir de nossas crenças quem seria este homem. Eu, "pobre leitora", queria a cada página virada, tentar descobrir as razões do Mersault ser da forma que era.
Espere,enfim,acontecimentos que mudam todo um "destino" sendo cometidos pelo calor do momento, melhor, pelas circunstâncias meteorológicas. "Romances" que nascem pela falta de posicionamento.E, sofrimento provocado no "outro" quando na verdade não se tem esta real intenção. Estes são alguns dos ingredientes desta história que a faz ser o que é:fascinante...depois disso é tudo spoiler.
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Gilstéfany 03/05/2019

O absurdismo de Camus em O Estrangeiro
O Estrangeiro, escrito por Albert Camus, foi lançado em 1942 e configura-se como um dos livros que traça a ‘tríade do absurdo’, além de seu outro romance O mito de Sísifo (1941) e a peça de teatro Calígula (1944).

O absurdismo é uma filosofia fundamentada por Albert Camus que vê na vida a impossibilidade de um sentido. Assim, o mundo é absurdo uma vez que o significado das coisas é humanamente inacessível. Quando admitimos esse vazio, reconhecemos a liberdade que nos é dada por não estarmos presos a um sentido (ARAÚJO; SOUZA; RUFINO, 2018).

O indivíduo que se revolta, tendo para si a noção do absurdo da vida, pode então reconhecer que não existe uma resposta verdadeira (CAMUS, 2017) e seguir um caminho de liberdade sem procurar respostas em algo transcendental. A revolta, nesse sentido, corresponde ao agir frente à indiferença do mundo, num sentimento que “nasce do espetáculo da desrazão diante de uma condição injusta e incompreensível” (CAMUS, 1999, p. 21). Já que apenas o sentimento do absurdo, “esse divórcio entre o homem e sua vida, o ator e o cenário” (CAMUS, 2017, p. 21), não promove transformações, é necessário que o indivíduo revolte-se e aja. Seu sofrimento pelo absurdo que antes era individual passa a ser coletivo, pela consciência de que o distanciamento de si mesmo e do mundo é um sentimento partilhado por todos (CAMUS, 1999).

É do sentimento de absurdo e da revolta que trata o livro O Estrangeiro, que conta a história de Meursault, um funcionário que leva uma vida sem ambições e que, certo dia, recebe um telegrama informando sobre a morte de sua mãe. Desde o primeiro momento, o narrador-personagem parece estar indiferente à tudo, observando os fatos se desenrolarem como se dele nada tivesse que ver. Além do distanciamento afetivo de tudo ao seu redor, parece estar confuso, sem poder dizer ao menos em que dia sua mãe morreu e que idade tinha ela até então.

Meursault vai até o asilo que sua mãe residia e passa o funeral e o enterro sem muito dialogar com quem lhe dirigia a palavra, conduzindo todo o momento com uma indiferença ímpar que parece incomodar quem lhe observa. Voltando à Argélia, descansa por horas e ao se levantar observa as pessoas na rua buscando suas motivações e destinos sem deles nada opinar, quando o crepúsculo o relembra que no dia seguinte a rotina voltará. Para isso, apenas aponta que “passara mais um domingo, que mamãe agora já estava enterrada, que ia retomar o trabalho e que, afinal, nada mudara.” (CAMUS, 2001, p. 27).

Meursault trata os assuntos da própria vida e das pessoas ao seu redor como coisas sem importância, ao que tudo responde que não espera absolutamente nada, que tudo tanto faz e que nada tem importância alguma. Tem, além disso, a ideia de que nunca se muda de vida e desde que não haja infelicidade, não existem motivos para que se almeje mudança. O sentir estagnado de Meursault aparenta que ele observa sua vida de fora, como se fosse um estrangeiro para si mesmo. Sua tentativa de reverter a opinião das pessoas a seu respeito logo é minada pela preguiça, o que mais uma vez demonstra sua apatia. Nesse sentido, é elogiável a narrativa escrita por Camus, nos fazendo adentrar tanto na realidade do personagem que também sentimos sua apatia.

Certa vez, seu vizinho Raymond o convida para passar um domingo na casa de praia de um amigo, ao que Meursault aceita e leva também sua companheira, Marie. O casal os recebem e tudo parece correr bem, até que em uma caminhada pela beira da praia, Raymond reconhece um homem do qual tem desavenças acompanhado de outro indivíduo, que parecem ter seguido eles até lá. O combinado era de que se houvesse briga, Meursault ficasse responsável para o caso de surgir outro, mas não contavam com o fato de um dos árabes estar munido de faca, que acerta Raymond antes que ele pudesse se defender. Depois do socorro prestado, Raymond insiste em voltar à praia e lá encontra novamente os árabes. Por dissuasão de Meursault, Raymond nada faz e os dois retornam à casa.

Durante todo esse período e o momento seguinte que mudaria a vida de Meursault, a presença impetuosa do sol e o vento que corria quente o deixava inquieto.

"Todo este calor me apertava, opondo-se a meus passos. E cada vez que sentia o seu grande sopro quente no meu rosto, trincava os dentes, fechava os punhos nos bolsos das calças, retesava-me todo para triunfar sobre o sol e essa embriaguez opaca que ele despejava sobre mim. A cada espada de luz que jorrava da areia, de uma concha esbranquiçada ou de um caco de vidro, meus maxilares se crispavam. Andei durante muito tempo." (CAMUS, 2001, p. 61)

Surge-lhe o desejo de ir ao encontro da fonte onde há pouco estivera com Raymond e estando lá reencontra o árabe.

Leia mais no link abaixo.

site: https://encenasaudemental.com/post-destaque/o-absurdismo-de-camus-em-o-estrangeiro/
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