O Estrangeiro

O Estrangeiro Albert Camus




Resenhas - O Estrangeiro


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William Wagner 08/10/2010

O momento em que nos sentimos um estrangeiro
Surpreendente.Talvez esta obra possa ser resumida em apenas uma palavra. A indiferença, a angústia e a falta de sentido para viver esta existência absurda,que caracterizam o personagem principal, só podem ser compreendida em sua totalidade por aqueles que também se sentem um estrangeiro neste mundo.
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buzi 27/07/2017

O assassino ou o assassinado?
A primeira associação quem me vem à cabeça, ao escrever essa resenha, é a obra de Franz Kafka, em especial seu Processo. O laço se dá talvez porque a parte 2 de “O estrangeiro” é muito próxima ao universo burocrático massivo e ferrenho de Kafka: um homem se submete a um julgamento cujas motivações não são claras e cujos princípios lhe escapam. O que difere essencialmente uma obra da outra, entretanto, é a culpa da personagem.
O problema é: que culpa?
Neste livro, conhecemos, através da narração do personagem Meursault, como ele vem a matar um homem e seu julgamento por tal ação. É um resumo sucinto e tomar o assassinato como spoiler é, desde já, perder a linha do que se trata o romance. Meursault é a síntese do que o pensamento existencialista francês pensava da essência humana: sem motivações e paixões, sem posicionamentos morais ou políticos, sem sequer um julgamento coerente de gostos e desgostos sobre o mundo o homem se torna vazio e nenhum ato que produz tem significado. A isso se inclui um assassinato. Assim, da mesma forma que Meursault deliberadamente pressiona o gatilho, a aparente vingança ou o alegado sol forte que motiva o ato não o sustentam. Camus nos leva a ter pena da personagem e, ao mesmo tempo, a compartilhar de um repúdio social a esse homem vazio e sem sentido.
Logo se chega ao título da resenha: a vítima de Meursault é um árabe, mas seria o título uma referência a ele e à cadeia de eventos que se seguem à sua participação? Ou seria do próprio assassino? Uma vez desconectado de qualquer obrigação substancial de valores, o narrador funciona à semelhança de um Macunaíma existencial e francês: antes preocupa a ausência de qualquer caráter do que a corrupção de um (que não existe). Logo, assim como a personagem de Mário de Andrade vaga em estranhamento por uma São Paulo monstruosa, também o narrador de Camus vaga não por uma cidade, mas por toda uma construção social e cognitiva, como alguém vindo de outro lugar e outras leis.
Minha última comparação – inevitável - é com a obra de Sartre. Ambos os autores, apesar de terem se conhecido, posteriormente viriam a se separar pelo alinhamento comunista de Sartre e o ceticismo de Camus em relação ao lado esquerdo da política. As obras se alinham na preocupação existencialista, porém “O Estrangeiro” preserva um sentimento universal – mítico, até – em relação ao mundo. Logo, pode ser lido de qualquer perspectiva e encaminhado a inúmeras direções de sentido.
Eu daria nota 9/10 ao livro. A pontuação restante seria, talvez, pela ausência de uma maior duração narrativa que pudesse levantar e substanciar ainda mais questões que, se num relance aparecem, num relance somem. De resto, o livro faz jus à grande carga crítica e referencial que o acompanha e que ajuda a construir.
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Zé Accioly 06/01/2010

Falta de identidade com os laços familiares
Sabe aquele sentimento que, vez por outra, sentimos, como se nós não pertencessemos a lugar nenhum? E mais, que não se identificamos como nada ao nosso redor, por mais que nossa existência e escolhas sejam por livre e expontânea vontade? É por aí o que Albert Camus sugeri em "O Estrangeiro".

Nesta obra, Camus abordado profundamente a questão da falta de identidade, aliada a ausência de vontade e caprichos do personagem. É como se a vida "fosse" e Mersault não estivesse nem aí para as coisas do mundo, principalmente sobre a morte da própria mãe.

O livro dialoga com as verdadeiras dúvidas do homem moderno.
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Franco 30/01/2013

A trama é um atentado contra aqueles que só fazem da sua vida uma eterna busca pelo sentido e pela razão de viver. E o protagonista simplesmente encarna a apatia que nos cerca, e contra a qual lutamos - uns mais, outros menos - para não ver.

Diria que o livro como um todo é sim gostoso de ler por ser em primeira pessoa e confessional, um fluxo de consciência que não é enrolado nem fragmentado; porém é um tipo de livro que precisa, muito, de introdução - saber quem era o autor, o contexto, com que teorias dialoga.

Senão o perigo é entender da narrativa somente isso, uma narrativa, e não absorver o que está por detrás dela.
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Marcelle 02/01/2014

O Estrangeiro – Uma História do Absurdo
Para o post de hoje escolhi falar sobre O Estrangeiro, um dos livros mais marcantes da literatura mundial. Obra do escritor, filósofo, dramaturgo, ensaísta Albert Camus, pied-noir da Argélia (onde, aliás, a história se passa) cuja história de vida, marcada pela fome, pela guerra, pela desigualdade, pelas perdas, muito influenciou seus escritos, dentre os quais O Estrangeiro não é exceção. Esse livro trata do absurdo, com apenas 100 páginas, nenhuma palavra é desperdiçada e cada frase visa despertar algum sentimento, alguma reflexão no leitor.
Do francês L’étranger que também pode significar ‘o estranho’, é realmente um estranhamento, uma incompreensão a primeira sensação experimentada logo ao começar o livro e que nos acompanhará ao longo da história. Não é para menos, em sua primeira frase Meursault, narrador personagem e funcionário de escritório, fala da morte de sua mãe: “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem”. As palavras seguintes são totalmente indiferentes ao fato, ele vai ao enterro e recebe os pêsames como algo a ser feito. Descreve o ocorrido assim como descreve o café tomado no velório, ou o calor daquele dia. Não obstante isso em nenhum momento sugere-se que ele não gostava da mãe, não se trata disso. Ele é simplesmente neutro com relação aos acontecimentos da vida, como um estrangeiro, distante do mundo.
Já no dia seguinte, não fossem as perguntas dos conhecidos sobre como ele estava, seria como se nada tivesse acontecido. Ele vai tomar um banho de mar pela manhã, à noite vai ao cinema com uma antiga datilógrafa Marie Cardona assistir a uma comédia, dormem juntos. É interessante como apenas desejos primitivos como o cigarro, o sexo, o clima, parecem mover o protagonista.
Meursault por vezes parece enfadado, principalmente quando descreve detalhes cotidianos de sua vida, sempre com frases curtas que apenas parecem querer acentuar a indiferença do narrador. Não sabemos se é uma apatia generalizada ou uma lassidão aquilo que consome nosso herói, ou os dois talvez. Em certo momento admite a perda do hábito de interrogar-se e talvez essa falta de reflexão o faça agir de forma quase impulsiva. Por vezes nosso protagonista parece aceitar simplesmente tudo que a vida apresenta em seu caminho, sem pensar, sem refletir muito, de um jeito desinteressado, como quem responde com ‘tanto faz’ a uma pergunta. Aliás, essa é a resposta retribuída por ele quando Marie o pede em casamento e quando seu chefe oferece uma oportunidade de crescer no emprego.
Certo dia quando está caminhando na praia em um dia muito quente, “o mesmo sol do dia que enterrara mamãe”, Meursault encontra um árabe inimigo do seu vizinho e quando este empunha uma faca, como precaução, é morto por cinco tiros, sem compunção:

"Toquei o ventre polido da coronha e foi aí, no barulho ao mesmo tempo seco e ensurdecedor, que tudo começou. Sacudi o suor e o sol. Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Então atirei quatro vezes ainda num corpo inerte em que as balas se enterravam sem que se desse por isso. E era como se desse quatro batidas secas na porta da desgraça”.

Na delegacia, quando perguntado por que fez isso, respondeu: por causa do sol. Justificativa compatível com uma característica descrita pelo próprio protagonista cujos impulsos físicos perturbavam os sentimentos. Nesse sentido, o calor o impediu de chorar no enterro da mãe, o sol incandescente o fez atirar contra o árabe.
A partir daí, em uma crítica ao sistema judicial, seu crime se torna secundário. Durante seu julgamento não sabemos se a questão central é o acusado ou o seu crime, e seu comportamento no enterro da mãe, taxado de insensível, é trazido à tona e discutido à exaustão. Perscrutar a personalidade do protagonista se torna essencial para o veredicto. Infelizmente, a impressão transmitida por Meursault, descrito como “um coração cego”, “um homem sem alma” aliada à sua incapacidade de se arrepender de qualquer coisa irão condená-lo à morte por decapitação.
Os dias de Meursault preso, antes de seu trágico fim, são marcados no começo por sua indiferença habitual, por seu modo de pensar marcadamente descritivo e não reflexivo. Depois, todavia, surgem momentos de esclarecimento, com reflexões quase poéticas acerca de si ou do tempo como nos trechos:

"Compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia poderia sem dificuldade passar cem anos em uma prisão. Teria recordações suficientes para não se entediar. De certo modo, isso era uma vantagem."

"Não compreendera ainda até que ponto os dias podiam ser, ao mesmo tempo, curtos e longos. Longos para viver, sem dúvida, mas de tal modo distendidos que acabavam por se sobrepor uns aos outros. E nisso perdiam o nome. As palavras ontem ou amanha eram as únicas que conservavam um sentido para mim."

Até mostras de sentimentos aparecem, como a alegria eufórica apresentada quando imaginara seu recurso sendo aceito. Ou como quando tem um ataque de fúria e tenta atacar o padre quando este diz que rezará por ele.
Seu fim é como um golpe colérico contra o mundo tão indiferente quanto Meursault, o qual conclui que aquele não se importa com quem morre, afinal, a humanidade ainda habita-o, e continua girando inexoravelmente no seu ritmo.
Como podemos ver o enredo é simples, nos faz perceber que a primazia de um livro está menos na sua história do que na mensagem remanescente após sua leitura. Livro denso, cheio de nuances, um poço cuja água se bebe, mas sempre haverá mais para ser sorvida.

Nota: 10/10

site: Conheça mais sobre esse e outros livros no Sagaranando: http://sagaranando.blogspot.com.br/2012/09/o-estrangeiro-uma-historia-do-absurdo.html
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Júlia 06/02/2013

Dolce far niente
DOLCE FAR NIENTE (exp.);
do italiano: lit. "a doçura de não fazer nada".

Baixando 13/04/2013minha estante
Baixar o Filme - O Estrangeiro - Baseado na obra homônima de Albert Camus - http://mcaf.ee/pumqx




Cris 28/12/2012

Da Primeira Parte
“Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames.” Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem.” P. 7.
Ao contar a história de um rapaz muito tranquilo, que passa por um momento que, no senso comum, seria difícil (a morte da mãe), o estrangeiro desfaz a ideia de laços muito próximos e destroça a importância de “nós”, o que impacta bastante inicialmente, mas logo em seguida se deixa entender pelo enredo e pelas formas que a vida vai tomando. Existem sempre outras coisas, não?
“Perguntou-me, depois, se eu não estava interessado em uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida; que, em todo caso, todas se equivaliam, e que a minha aqui não me desagrava em absoluto.” P. 45
Uma leitura muito fácil, porém reflexiva. À primeira vista, parece que o livro é muito simples, com uma descrição singela de cores, tons e cotidiano, mas ao observar um pouco mais minuciosamente, percebe-se um caráter poético tão intenso e tão gostoso, que é praticamente impossível não se apaixonar pelo jeito apático de Meursault.
A forma como tudo é escrito, apesar de sem muitos diálogos diretos, te envolve na história, é como se pudesse entrar na paisagem que os rodeia e os observasse de uma forma bem próxima.
“Caminhamos entre fileiras de pequenas casas de praia com cercas verdes ou brancas, algumas com as suas varandas escondidas por arbustos, e outras, nuas, no meio das pedras. Antes de chegar à beira do planalto, já se podia ver o mar imóvel e, mais adiante, uma faixa de terra, maciça e sonolenta na água clara.” P. 53
Pra falar a verdade, em alguns instantes o enxerguei no meu pai, me deixando ainda mais próxima do personagem e com mais vontade de conhecê-lo.
“E era como se desse quatro batidas secas na porta da desgraça.” P. 63
Acabo de terminar a primeira parte e estou ansiosa para iniciar a segunda.
Paulinho 12/01/2013minha estante
Adorei sua resenha Lane!




Fabio Shiva 16/06/2012

Um livro que convida o leitor a experimentar vividamente o Absurdo
Fiquei anos com uma penca de livros do Camus esperando pacientemente que chegasse a hora de serem lidos. Mas por um motivo ou por outro sempre acabava outro livro passando à frente na fila. Olhando em retrospecto, entendo porque adiei tanto abrir um livro do Albert Camus:

1) Tinha medo de que o livro fosse chato.
2) Tinha medo de que o livro fosse triste e pessimista.

Agora sei que o meu PRECONCEITO é que era chato, triste e pessimista. Pois Camus não é nada disso. Não se ganha um prêmio Nobel de Literatura à toa.

A prosa de Camus é descomplicada, simples e direta, livre de subterfúgios. Essa foi a primeira e agradável surpresa. Sobre a história, prefiro não comentar nada, para não macular a experiência de quem ainda não leu. Só adianto que, à semelhança de “Crime e Castigo” de Dostoievski, “O Estrangeiro” também pode ser considerado um tipo muito peculiar de romance policial.

Outro preconceito que eu tinha a respeito de Camus é pensar que seu texto era parecido com o de Sartre (li “A Náusea” há muitos anos, mas confesso que gostei bem pouquinho). E outra surpresa: ao menos neste livro, Camus está muito mais irmanado com Kafka, principalmente em seu “O Processo”.

Um livro que convida o leitor a experimentar vividamente o Absurdo.

Achei muito interessante a experiência!




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Comunidade Resenhas Literárias

Aproveito para convidar todos a conhecerem a comunidade Resenhas Literárias, um espaço agradável para troca de ideias e experiências sobre livros:
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http://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com.br/
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http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=36063717
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Rafael Sperling 08/06/2010

Pois é.
É o melhor livro que existe. No mínimmo.
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jonatas.brito 12/07/2016

Leitura necessária!
“Tanto faz, tanto faz…”. É com essa expressão que Meursault, protagonista do incrível O Estrangeiro, responde às indagações da vida. O livro possui pouco mais de cem páginas, mas detém a capacidade de envolver o leitor em um universo paralelo vivido pelo personagem principal. Escrito em 1942 – às sombras da 2ª Guerra Mundial – pelo escritor e filósofo argelino Albert Camus (1913 – 1960), a obra é considerada um verdadeiro clássico da literatura mundial e um dos principais representantes do existencialismo francês. Tal legado rendeu a Camus o Prêmio Nobel de Literatura em 1957.

Meursault é um pacato funcionário de um escritório na cidade de Argel. Sem nenhuma perspectiva ou objetivos na vida, ele facilmente conduz o leitor à antipatia diante de tamanha passividade. Já nas primeiras linhas da novela Meursault recebe a notícia que sua mãe, outrora abandonada pelo mesmo em um asilo qualquer, havia falecido (fato este que configura o primeiro parágrafo da novela e que, com certeza, é uma das mais marcantes introduções da literatura mundial). Durante o enterro, sua indiferença diante do corpo da mãe é notória e o que ele mais deseja é que tudo aquilo acabe o mais rápido possível. Ele é um homem alheio a qualquer espécie de sentimento. Para os padrões morais e éticos da sociedade ele é um cidadão incomum, estranho, um total “estrangeiro” neste mundo. Totalmente desapegado à vida, às pessoas e ao seu próprio destino, nosso protagonista envolve-se em sérios problemas ao ajudar um vizinho que está sendo perseguido pelo seu cunhado. Meursault acaba por cometer um assassinato banal, porém hediondo. É preso e levado a julgamento.

Embora muitos leitores creditam o ápice da história à cena que cerca o crime cometido pelo protagonista; para mim, nada se compara aos episódios que compõem o seu julgamento: a perspicácia e os argumentos utilizados pelo promotor para convencer o júri da sua culpabilidade, não tanto pelo crime em si, mas, principalmente, por não ter chorado na morte de sua mãe e por ter se envolvido com uma ex-colega de trabalho um dia após ao enterro como se nada tivesse acontecido. A percepção de Meursault ao constatar que o futuro de sua vida está agora nas mãos de pessoas que nem o conhece o aflige. Após a sentença Meursault mergulha em profundas reflexões, avalia os rumos que sua vida levou e chega a conclusões que causarão um grande impacto psicológico ao leitor.

O romance faz parte da trilogia “Ciclo do Absurdo”, da qual é também composta por um ensaio (O Mito de Sísifo) e uma peça teatral (Calígula). “O Estrangeiro” é narrado em primeira pessoa pelo próprio Meursault. Isso possibilita ao leitor entrar no universo particular do personagem, compreendendo (ou não!) seus questionamentos. Fato esse que seria impossível caso fosse narrado por terceiros. Ao longo da leitura podemos observar vários elementos do pensamento existencialista; o mundo sem sentido, injusto e dominado pelo absurdo (segundo a cosmovisão do protagonista) é um dos principais. Meursault não conquista a simpatia do leitor. Ao mesmo tempo em que é defendido por uns sob a justificativa de ele ser um personagem comum, porém liberto dos padrões morais exigidos pela sociedade, outros leitores o acusam de possuir fortes tendências psicopatas. De qualquer modo, ele é tudo aquilo que não desejamos ser… mas podemos ser… ou talvez já sejamos.

“O Estrangeiro” é, com certeza, um pequeno livro com poder de causar grandes sensações ao leitor. Camus, genialmente, nos leva à angústia várias vezes diante da apatia sufocante de seu personagem. Queremos chacoalhar fortemente Meursault, gritar com ele e forçá-lo a reagir.

site: http://garimpoliterario.wordpress.com/2016/06/19/resenha-o-estrangeiro-albert-camus/
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João Pereira Filho 08/01/2018

Me identifiquei demais com o protagonista, a leitura te prende do início ao fim. Breve irei lê-lo novamente, para observar mais detalhes que, talvez não tenha percebido.
Recomendo demais.
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Erica 24/11/2012

Terra estranha
Primeiro livro de Camus.

Sr. Meursault não é um homem, ele é o mundo. Não é cruel, mas indiferente. O mundo em que um vai ao cinema assistir a uma comédia no mesmo dia em que outro morre ou sofre. O mundo da tela de Brueghel em que o pastor complacente cuida de suas ovelhas enquanto Ícaro cai dos céus para morrer.
Ele é um estranho. Acusam-no de estranho. Mas não. Ele não o é. É indiferente, regido pelo acaso. Estranho é que ninguém reconheça em seus próprios atos a maldade e hipocrisia, e que apenas se limitem a culpá-lo. Não é culpado o amigo que espanca a namorada, não é culpada Marie que quer casar com ele mesmo sabendo que ele não a ama. Todos são culpados. Ele é estranho por saber-se e reconhecer-se culpado em uma sociedade hipócrita, falsa e fútil. Um crime nos abala quando é por demais grande, mas, a vida não é permeada por todos os pequenos crimes de nosso dia a dia? E não vivemos, todos nós, bem e saudáveis enquanto o Sol derrete a cera entre as penas das asas de Ícaro?

"Tinha razão. Não havia saída. Conservei, ainda, algumas imagens deste dia:por exemplo, o rosto de Pérez quando, pela última vez, juntou-se a nós próximo da aldeia. Grandes lágrimas de abatimento e de dor corriam-lhe pela face. Mas, por causa das rugas, não fluiam. Espalhavam-se, juntavam-se e formavam um espelho-d'água naquele rosto destruído". p. 24

"Perguntou-me depois se não estaria interessado em uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida" p.45-46.

"Mas todos sabem que a vida não vale a pena ser vivida." p. 103.

"Como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que tinha sido feliz e que ainda o era." p. 110.

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André Prado 25/01/2012

Albert Camus é genial com seu livro, sucinto, perfeito. Exprime um pouco de todos nós, estranhos no ninho.
Já bati, e ainda bato na tecla de que não há destino, seja guiado por um ser Onisciente, ou apenas a inevitabilidade da vida social, tal qual estivéssemos numa rodinha da gaiola de um rato. Mas essa mesma inevitabilidade, e ironicamente pra quem acredita nisso, é sentida todos os dias. É fácil nos pegarmos perguntando: "poderia ter evitado isso", mas a questão é: "é o que costumamos fazer?". Muitos diriam que é fácil, é apenas mudar as atitudes, muitas delas radicalmente. Porém outra pergunta nos vêm a mente: "isso é realmente necessário?". É fácil estarmos "desplugados" e sentirmos alheios a algum controle sobre a realidade que nos cerca.

Decerto, acabamos nos entregando a esse mecanismo infernal que se chama vida. Somos cidadãos comuns, trabalhamos, estudamos, pagamos impostos, temos amigo(s), saímos com pretensões amorosas, conhecemos pessoas e coisas novas... Tudo faz parte de uma inevitabilidade de nós mesmos. São coisas que nos satisfazem, sendo a curto ou a longo prazo, mesmo se não gostamos realmente. Mas chega uma hora e nos perguntamos: Há mesmo como mudar aquilo que fazemos? Nossa vontade? A primeira resposta que deve vir agora na sua cabeça é: Não. Logo depois vem a negação. Após o desespero. E por seguinte o conformismo.

É certo que, a nossa vida comum, é mais comum do que qualquer outra que imaginemos. Em suma, acabamos sendo comandados por ela, e o sistema nos prende a ela de forma inevitável.

Mersault trabalha como escriturário e é um jovem Parisiense como outro qualquer, é no fundo cada um de nós. Trabalha, paga seus impostos, se relaciona com mulheres, tendo amigos como um vizinho, aquele cara que é companheiro de trabalho, ou mesmo aquela garota que trabalha na loja da esquina. É normal por fora, mas vazio por dentro. Sem ambições, espera a vida apenas acontecer pois ela irá acontecer, e acontece em satisfações imediatas como dormir com uma mulher ou comer um biscoito. Tanto faz casar com Maria, tanto faz se sua mãe morre. Oras, mais cedo ou mais tarde essas coisas irão acontecer não é? De um lado a maior certeza da vida que é a morte, de outro a certeza estatística de que cada um, por mais horrível que seja, tem alguém que nos irá amar. Uma hora, aliás 90% das horas, com certeza dentro de nós bate o conformismo, aquela sensação de tanto faz. Vivemos e morremos, ficaremos tristes por alguém morrer, podem milhões morrer. Mas inevitavelmente, você terá a mesma vida - a não ser que haja um cataclisma apocalíptico, então o descartemos. E nesse cenário de ruínas, e de tristeza, continuaremos nossa vida. Aquela em que sendo julgados estando alheios a tal, e descobrindo o valor das coisas quando perdemos. A vida de Mersault é assim. Me sinto assim muitas vezes.

É um retrato de uma sociedade e um retrato de Camus, retrato de um cenário da época. Com uma infância extremamente pobre, e crescido, vislumbrando várias mudanças sociais e de pensamento, como: Marx e Engels lançando O Manifesto Comunista, Darwin e sua A Origem das Espécies, a explosão da Primeira Guerra, a Grande Depressão e outros acontecimentos que mudariam a visão de uma sociedade, e trariam o vislumbre de que o progresso... não é lá tão bom assim. Até hoje aliás, permeia em nossas mentes esse questionamento.

E inevitável, esquisito como a vida, Albert Camus morreu em um acidente de carro em 1960. Morreu em uma viagem para Paris com amigos, tendo as passagens compradas para ir de trem. Entretanto, por insistência deles, resolveu ir de carro. O carro se espatifou contra uma árvore, ele morreu na hora, apenas ele. É a inevitabilidade da vida aplicada. Nela não há o destino, mas quem disse que controlamos a nossa vida? A nossa satisfação move o mundo, ou o para.

Um grande mérito de "O Estrangeiro" é sua narração em primeira pessoa tal qual um diário, é ser tão curto, e ser suficientemente sucinto para não mais uma página. Albert Camus é genial com seu livro, sucinto, perfeito. Exprime um pouco de todos nós, estranhos no ninho.
Nathallia 29/04/2012minha estante
Quem nunca se sentiu assim. Gostei de sua resenha, me fez ver algumas facetas a mais no livro. Concordo: genial!




Lis 13/08/2009

Um personagem que não se encaixa em si mesmo. Estrangeiro à todas as situações possíveis por sua frieza incontestável. Mas será sua frieza irrepreensível somente ao personagem ou estará ele correto em seu desapego à vida?
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