O Estrangeiro

O Estrangeiro Albert Camus




Resenhas - O Estrangeiro


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Léia Viana 28/06/2012

Reflexivo
O que eu posso escrever desse livro? Ele é tão simples, nostálgico e perturbador, que, não pode ser recomendado a todos, porque não é uma leitura para todos. Seu texto é muito subjetivo, cada leitor extrairá dessa narrativa o tudo ou o nada, e, por isso ele agradará muito a alguns, e, a outros será desprezado.

Albert Camus desenvolveu uma história incomum e dela tenho muito pouco para contar, já que Camus, com este livro, mexeu demais com os meus sentimentos e com tudo aquilo que eu sinto e penso da vida, e, como a mesma história pode ser interpretada de maneiras diferentes para quem a lê, principalmente uma obra como esta, prefiro não contar nada, nenhum resumo do que de fato se trata esta história.

A leitura é propícia para a reflexão profunda e a valorização do simples, daquilo que vivemos e que pertence a nossa rotina e achamos que é sempre mais do mesmo, no entanto não é. Principalmente quando perdemos.
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Rogéria 08/09/2012

Gostei!!
Gostei do muito do livro. Demorei a ler por estar no tablet, ainda prefiro o papel.
Achei interessante demais toda a sensação que o livro passa de se tornar um estrangeiro quando não temos as mesmas opiniões, sensações e sentimentos de todos. De como somos julgados por não sermos "normais" e igual a todo mundo.
Acabei por perceber que posso ser considerada estrangeira em algum momento de minha vida.
Recomendo a leitura!!!!
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Allan 01/06/2010

O Estrangeiro me pareceu mais filosofia do que literatura - Camus usa a história para realçar uma visão de mundo e levar a reflexão - mas é uma boa leitura de qualquer modo.
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Breno Melo 29/10/2011

O Estrangeiro - Camus

Meursault recebe a notícia do falecimento de sua mãe, que vivia num asilo. Meursault pede autorização a seu chefe para ir ao velório, não sabe se expressar muito bem e, ao mesmo tempo, não vê boa vontade por parte de seu superior. Estamos na Argélia, na época em que o país era colônia francesa.

Essa primeira parte da história é antológica, por mais simples que pareça. Meursault recebe a notícia, não tem a data do falecimento muito clara em sua mente e vai ao asilo.

As cenas que se passam no asilo também são excelentes. Ele não chora durante o velório, prefere não ver o corpo de sua mãe e há o enterro dela. Essas cenas, aparentemente banais, serão muito importantes para o desenrolar da trama, mais adiante. Durante o enterro, o fator "calor" rende a melhor parte.

Sobre o assassinato do árabe, a cena também é excelente. Não imaginemos que Meursault simplesmente mata o árabe por algum motivo definido, muito menos por xenofobia. Meursault não tinha absolutamente nada contra árabe que ele assassinou, isto é, não foi algo planejado ou previamente desejado. Meursault estava com amigos, havia um grupo de árabes que lhes oferecia algum perigo e causava certo receio. Meursault, vendo-se sozinho diante de um dos árabes que dispunha de uma navalha, atira. O calor, o suor que desce pelo rosto de Meursault e lhe cega a visão por alguns segundos, o momento, o receio ou algo que o valha e um dedo que vacila respondem pelos disparos que custam a vida de ambos: primero a do árabe; depois a de Meursault. Na verdade, é a morte da mãe que verdadeiramente custará a vida de Meursault, como veremos mais adiante. Não há, portanto, muio que dizer a favor da xenofobia nessa cena. Poderíamos, antes de tudo, falar em indiferença por parte do protagonista em relação aos árabes.

Se o livro realmente apoiasse a xenofobia, Meursault provavelmente teria sido absolvido facilmente, isto é, o julgamento seria o ponto alto da bandeira xenofóbica na obra, mostrando que se pode justificar facilmente o assassinato de um estrangeiro, mas o que acontece é o contrário. Não deixa de ser curioso, além do mais, que um francês tenha sido condenado pela morte de um árabe na Argélia francesa, especialmente quando se poderia caracterizar legítima defesa.

Durante o julgamento, entretanto, não se julga exatamente o homicídio cometido por Meursault, mas a sua pessoa, deixado de lado o homicídio. O que é ricamente explorado, por exemplo, é o fato de ele não ter chorado durante o velório de sua mãe.

Um psicopata, no lugar de Meursault, teria sido capaz de fingir (e fingir muito bem, diga-se de passagem) choros, sentimentos de humanidade, arrependimentos; e faria isso de tal maneira que comoveria os presentes a seu favor. É o que acontece na prática. Mas Meursault não era um psicopata, isento de sentimentos e, ao mesmo tempo, capaz de fingi-los.

Meursault, ao que tudo indica, era um esquizofrênico, isto é, tinha os sentimentos embotados. Seus sentimentos não eram intensos ou exagerados, nem ele era capaz de grandes ou exageradas demonstrações de afeto. Daí podemos voltar a dizer que não faz sentido ressaltar o ódio ou a xenofobia através dos sentimentos de Meursault, porque, neste, nenhum sentimento poderia ser exagerado, muito menos levado a extremos.

Agora, vem a parte mais fabulosa dO Estrangeiro, que é a filosofia por detrás da obra. Estamos falando dO Existencialismo, não o de Sartre e cia., mas o de Camus, que é diferente.

O Estrangeiro foi escrito como um exemplo concreto dO Existencialismo de Camus. Em vez de no-lo explicar didaticamente, ele no-lo mostrou através de um exemplo, de uma história. Eis a que veio O Estrangeiro. A condenação de Meursault está explicada por um conjunto de fatores que, curiosamente, não justificariam sua condenação. Em poucas palavras, nada fez sentido e, ao mesmo tempo, pareceu fazer.

Muitas pessoas leem o livro e não entendem os sentimentos embotados do protagonista, dizendo que ele não tem graça. Mas, se ele se comportasse como uma pessoa normal, O Estrangeiro deixaria de ser O Estrangeiro. Tenha em mente que O Estrangeiro é Meursault. Se você acreditava que era o árabe, significa que você não entendeu a história. Meursault foi tratado como um estrangeiro entre seus iguais, porque seus iguais não se reconheceram nele.

E o mundo de Meursault é o nosso, aparentemente lógico ou racional, mas, na verdade, ilógico ou absurdo. Não pense que é uma história francesa, para franceses, muito menos para pessoas do período pós-Primeira Guerra, já que sua concepção é bastante anterior à publicação. A história de Camus é universal e atual.

Lembre-se de que, ao que tudo indica, Meursault teria sido absolvido se tivesse sido capaz de demonstrar sentimentos exagerados de arrependimento, de ter chorado copiosamente ou se humilhado diante dos presentes no tribunal, mesmo que tudo isso fosse fingimento. Mas ele não era capaz de experimentar tais sentimentos ou de simulá-los, isto é, não podia expressar tais sentimentos exagerados por ser esquizofrênico.

Não se preocupe, entretanto, com a parte da condenação. É exatamente a parte que não importa. O que realmente importa é observar como o julgamento acontece e por quais motivos se chegou a um veredito. Os fatos anteriores ao julgamento também são importantes na medida em que contribuem para o veredito.

Agora, veja como a Filosofia e a Psicologia são superiores à Advocacia. As primeiras são pacientes e se valem apenas da razão; entendem e explicam o caso de Meursault. A última foi obtusa e autoritária; não entendeu Meursault e o condenou à morte. Os advogados mais cultos e instruídos que me perdoem, mas a Advocacia não ganhou melhor fama depois de Meursault. É uma pena.

Se por um lado a Filosofia poderia dar algum sentido ao mundo absurdo em que vivemos, por outro lado o Direito regeu o absurdo deste mundo em que vivemos, ao menos no caso de Meursault.

Tenhamos em mente, ainda, a tentativa de Marie de falar a favor de Meursault durante o julgamento e sua desistência diante de uma espécie de insensibilidade, surdez ou má vontade da parte dos representantes da Justiça. Lembra-nos a tentativa e desistência de Olga quando pretendeu interceder a favor de Policarpo, em Triste Fim de Policarpo Quaresma.

Em ambos os romances, temos um homem que não foi visto exatamente como era pela Justica ou pelas autoridades. Policarpo, sendo patriota, foi considerado traidor da Pátria e condenado à morte. Meursault, tendo um mínimo de humanidade, mas sem exageros, sem demonstrações públicas de afeto, foi considerado desumano e indigno de perdão. Outro, em seu lugar, teria sido absolvido apesar do absurdo da situação. Uma pessoa normal teria tido mais chances. Um psicopata, muito mais.

Sobre o estilo dO Estrangeiro, o que temos de mais parecido na Literatura Nacional é o estilo de Graciliano Ramos. Não é à toa que este fez uma tradução de A Peste, outra obra de Camus.

Se você ler O Estrangeiro e não perceber o absurdo da realidade em que vivemos, significa que você está acostumado ao absurdo de nossa existência mais do que deveria. Ou só deveria ler os romances mais superficiais e ingênuos. O Estrangeiro é uma obra de revolta e para fazer com que outros se revoltem.

Note, antes de terminarmos, a ideia de Perfeição transmitida pelas três mortes, ou melhor, pelo número três. Sabemos de três mortes ao longo da história, e é a morte de Meursault que fecha o triângulo e a história.

A história, em si, é banal.
Matheus 13/02/2012minha estante
Mas só uma dúvida: se Meursault não expressava sentimentos exacerbados, ao contrário do que você escreveu, ele seria um psicopata, certo?

Psicopatas tem ausência de emoções. Mesmo não fingindo durante o julgamento.

No mais, ótima resenha Breno!


Nathallia 29/04/2012minha estante
gostei do que você escreveu. Na hora que disse "Se você ler O Estrangeiro e não perceber o absurdo da realidade em que vivemos, significa que você está acostumado ao absurdo de nossa existência mais do que deveria." eu pensei: Ufaaa, não entendi tudo, mas pelo menos eu me revoltei!

^^

Agora me diga, o que você usa para defender a ideia da esquizofrenia? Em "um homem que viveu um dia poderia facilmente passar 100 anos na prisão"? Na habilidade que ele tem com a imaginação?




toninho 17/07/2013

Hoje mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei. Recebi um telegrama do asilo: "Mãe morta. Enterro amanhã. Sinceros sentimentos." Isso não quer dizer nada. Talvez tenha sido ontem. — Parágrafo inicial
O romance conta a história de um narrador personagem, Meursault, um homem vivente que então comete um assassinato e é julgado por esse ato. A ação desenrola-se na Argélia na época em que ainda era colônia francesa, país onde Camus viveu grande parte da sua vida.
A narrativa começa com o recebimento de um telegrama por Mersault, o protagonista, comunicando o falecimento de sua mãe, que seria enterrada no dia seguinte. Ele viaja então ao asilo onde ela morava e comparece à cerimônia fúnebre, sem, no entanto, expressar quaisquer emoções, não sendo praticamente afetado pelo acontecimento. O romance prossegue, documentando os acontecimentos seguintes na vida de Meursault que forma uma amizade com um dos seus vizinhos, Raymond Sintès, um conhecido proxeneta. Ele ajuda Raymond a livrar-se de uma de suas amantes árabes. Mais tarde, os dois se confrontam com o irmão da mulher ("o árabe") em uma praia e Raymond sai ferido depois de uma briga com facas. Depois disso, Meursault volta à praia e, em um delírio induzido pelo calor e pela luz forte do sol, atira uma vez no árabe causando sua morte e depois dá mais quatro tiros no corpo já morto.
Durante o julgamento a acusação concentra-se no fato de Meursault não conseguir ou não ter vontade de chorar no funeral da sua mãe. O homicídio do árabe é aparentemente menos importante do que o fato de Meursault ser ou não capaz de sentir remorsos; o argumento é que, se Meursault é incapaz de sentir remorsos, deve ser considerado um misantropo perigoso e consequentemente executado para prevenir que repita os seus crimes, tornando-o também num exemplo.
Quando o romance chega ao final, Meursault encontra o capelão da prisão e fica irritado com sua insistência para que ele se volte a Deus. A história chega ao fim com Meursault reconhecendo a indiferença do universo em relação à humanidade. As linhas finais ecoam essa ideia que ele agora toma como verdadeira:
"Como se essa grande cólera tivesse lavado de mim o mal, esvaziado de esperança, diante dessa noite carregada de signos e estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo. Ao percebê-la tão parecida a mim mesmo, tão fraternal, enfim, eu senti que havia sido feliz e que eu era feliz mais uma vez. Para que tudo fosse consumado, para que eu me sentisse menos só, restava-me apenas desejar que houvesse muitos espectadores no dia de minha execução e que eles me recebessem com gritos de ódio."
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Simone.GAndrade 06/04/2019

A teoria do absurdo de Camus
O Estrangeiro é um livro curioso, uma reflexão do quão absurdo a vida pode ser, e de como somos responsáveis pelas escolhas que fazemos, ou pior, o modo como agimos na sociedade, pode desencadear uma série de consequências por não atuarmos da forma como a sociedade espera de nós. Quando você age de forma “estranha” você é tido como um ser de outro mundo, ou seja, um “estrangeiro” por não seguir as convenções sociais estabelecidas. Por si só a vida já é desprovida de sentido, mas quando observamos a nossa volta, essa rotina que é a vida e que somo “obrigados” a seguir - acordar, café, trânsito, trabalho, passar horas confinado num espaço, almoçar, voltar para o trabalho, trânsito, casa, janta, e dormir e sucessivamente, você se pergunta que vida é essa. Para alguns isso é satisfatório e tem um certo prazer, uma vida sem expectativas pois é bem mais cômodo, mas para outros isso não faz nenhum sentido. E nesse contexto nos deparamos com o personagem principal o Sr. Meursault, uma pessoa estranha para os padrões sociais, um indivíduo desprovido de sentimentos, “aparentemente”, e já no início do livro o trecho: “Mamãe morreu hoje. Ou, talvez ontem; Eu não tenho certeza (...) Agora, é como se Mamãe não estivesse realmente morta. O funeral irá me convencer melhor, colocando um selo oficial nisso, assim por dizer.” Num primeiro momento tudo bem a reação dele, a vida segue seu rumo, “não é minha culpa”, mas a forma como ele lida com isso desperta nos outros um certo estranhamento, pois no funeral ele não demonstra seus sentimentos, não derrama uma lágrima sequer, não sabe por exemplo a idade da própria mãe, eram como dois estranhos, mas isso não importa, a vida segue, e ele volta para sua rotina como se nada tivesse acontecido, mas esse evento irá lhe causar problemas futuros, tudo tem um porque nessa história, todos os eventos são muito bem amarrados por Camus, e nisso um dia após o funeral de sua mãe, ele vai à praia e reencontra uma antiga colega do trabalho e começam um “namoro” vão ao cinema ver uma comédia e por aí vai, tudo muito sem importância, você percebe que nada tem muita importância, um exemplo disso é quando Marie pergunta se ele gostaria de se casar com ela: “Eu disse que não me importaria; se ela estivesse interessada, nos casaríamos. Então ela me perguntou de novo se eu a amava. Eu respondi, tanto quanto antes, que a pergunta dela não fazia sentido ou quase nenhum – mas eu supus que não.” O livro é dividido em duas partes e no desenrolar da história com várias passagens interessantes ele acaba sendo preso, e nessa segunda parte o julgamento. Mas o que mais chama atenção nem é o fato de ele ter cometido o crime em si, mas a forma como o julgamento se desenrola, e você percebe que o agravante foi o fato de ele não ter demonstrado seus sentimentos no funeral de sua mãe, e isso lhe custará caro, se ele tivesse derramado uma lágrima qualquer ou mentido, as coisas teriam sido bem diferentes, e no seu julgamento ele toma consciência do absurdo do mundo, de como nos como indivíduos acabamos por darmos sentido e importância para aquilo que queremos. Para Camus, o absurdo é a própria vida, que desprovida de sentido, faz com que o homem movido por esse vazio existencial busque encontrar algum sentido para viver. Sendo sua vida uma busca contínua de sentido. O personagem é condenado não por matar um homem, mas por não seguir o padrão imposto pela sociedade, o padrão de comportamento que tenta dar ordem e sentido para a vida.

A teoria do absurdo de Camus, "trilogia do absurdo", são compostas de um romance (O Estrangeiro), um ensaio (Le mythe de Sisyphe - O mito de Sísifo) e de uma peça de teatro (Calígula) que descrevem o aspecto fundamental de sua filosofia: o absurdo. Uma dica interessante é a leitura em conjunto da HQ – O Estrangeiro de Jacques Ferrandez, baseado na obra de Albert Camus, sendo uma ótima experiência de leitura.
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Ju 05/01/2010

Camus cala fundo nessa obra.
O livro me despertou amor e ódio, o que sem dúvida o tornou muito mais interessante.
O protagonista é alguém alheio ao mundo, às emoções, e a leitura se inicia dessa forma, não há uma explicação para a ausência de feedback, entrei nesse mundo feito de vazio já na primeira página.
E isso me deixou envolvida e pensativa.
É o tipo de livro pra se lido e relido.
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Luciana Lís 27/02/2015

“Hoje a mãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem”. O Estrangeiro (1942), a mais famosa obra do argelino Albert Camus, é a história de Mersault, um escriturário que vive em Argel, homem que nada exige da humanidade, que vive entre a irracionalidade da vida e a práxis de equilibrar-se em sua rotina – não chorou no velório de sua mãe, a quem havia deixado num asilo tempos antes após entrarem em acordo mútuo: nada mais esperavam um do outro. No dia seguinte ao enterro dela, foi à praia, ao cinema, e iniciou um romance com a mesma mulher a quem disse que não amava, mas a desposaria se ela assim quisesse. As reflexões mais imponentes do livro são provocadas a partir do julgamento de Mersault, que assassinou um árabe na praia. As razões que culminam com a imputação da culpa não são o verbo do crime do qual era acusado, matar, mas toda a observância de sua frieza e racionalidade frente à vida – para o juiz, a falta de sensibilidade diante do defunto da mãe ou a inércia diante da agressão física a uma mulher oprimida se tornam razões mais relevantes diante do assassinato que cometera. Questionado sobre as razões do crime, alega que o calor e o sol o fizeram chegar à situação limítrofe de disparar quatro tiros contra o homem que matara. E para ele essa era a única e verdadeira razão coerente, já que a busca por falsas alegações emocionais seria firmar um pacto com um sistema social com o qual ele não é condescendente. E por não agir com a sensibilidade a que a humanidade tornou convencional, Mersault recebe uma condenação irreversível. Ao recolher-se a prisão, emerge num lúcido e cruel monólogo em que afirma o desejo de continuar a existir do mesmo modo com que construiu tudo aquilo que chamava de sua vida, tendo apenas o que é verdadeiro, negando a Deus, e que mesmo diante da sentença proferida pelo juiz e endossada por toda a sociedade, ele afirma que foi um homem feliz.
Por: @lucianalis

site: Para mais resenhas: instagram.com/coletivoleituras
Antonio 12/04/2015minha estante
Parabéns, linda resenha de um livro espetacular, cheio de metáforas, escrito de maneira fluida, fácil de ler, porém, difícil de compreender em todas as suas nuances.




Vanessa 29/06/2019

Um livro bem curto, mas existencialmente impactante
Albert Camus traz um personagem (Mersault) extremamente indiferente. Nunca li nada como O Estrangeiro, nesse aspecto.

Achei-o, em certas atitudes, chocante, mas também me peguei pensando durante a leitura “já fui Mersault, já fui ‘tanto faz’ diversas vezes em variadas ocasiões”, o que me fez ficar mais curiosa para saber qual seria o rumo do personagem (tão imprevisível que me assustava quando as situações aconteciam).

Acredito que Camus quis transmitir uma mensagem existencialista, nesse livro, de que a nossa existência não tem nenhuma razão de ser e que não há nenhuma lógica ou sentido/motivo para fazermos algumas coisas, apenas nos acostumamos a fazer por convenções (sendo assim, um tema de Absurdo e da Gratuidade).

É interessantíssimo como o Autor, pelo que já pesquisei, utiliza certas frases, situações ou até personagens em outros livros seus, criando várias autorreferências (nessa obra, ele cita uma leitura que Mersault faz de um caso descrito num jornal e que, este mesmo caso, é narrado em outra obra dele. Camus também utilizou elementos de O Estrangeiro em outras obras suas).

O Estrangeiro, no geral, é bem interessante para se ler porque apresenta uma linguagem acessível, bruta e com um toque filosófico que nos faz refletir sobre as nossas próprias existências ou atitudes.
Olguinha 29/06/2019minha estante
Quero ler agora hahah ?


Vanessa 29/06/2019minha estante
Hahhaha olga, tu vai gostar!
e dá pra ler numa tarde ou numa noite, tem só 100 págs




Gustavo.Campello 24/05/2017

Um Personagem que é o Espelho do Mundo
Livro simplesmente maravilhoso, o personagem é o reflexo de nossa própria sociedade, onde tudo é encarado sem sentimento, onde as pessoas são distantes, onde os sentimentos são esquecidos. O personagem já está morto no começo do livro, uma morte em vida assim como tantas pessoas.

Vejo muita gente criticando pq o personagem não trás uma identificação, mas acho que é o medo de se identificar que gera a crítica a ele. O medo de se tornar ele, mas fazendo parte dessa sociedade você já se transformou nele, não há fuga. Livro Genial!
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Paulinho 24/03/2011

Crítica Sobre O Estrangeiro

Título: O Estrangeiro
Autor: Albert Camus
Tradutor : Valerie Rumjanek
Editora: Record
Nº de Paginas: 126
Período de Leitura: 23/03 a 24/03
Avaliação: 4 ESTRELAS.

O Estrangeiro é um livro muito interessante, um relato curto sobre a vida de um homem que segue sua vida sem grandes reflexões como se não soubesse o por que do que faz e do que sente. Um livro que deve ser lido para que possamos nos voltar para nossas escolhas, nossos sentimentos para que possamos efetuar questionamentos mais profundos a cerca da vida.
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Tiago.Muringa 12/09/2016

Uma obra muito interessante!
Meursault vive a filosofia do “foda-se”. Identifiquei-me! As peculiares situações, transcritas por toda a obra, levou-me a certas críticas culturais e morais, como, p. ex., o funeral da sua mãe, a amizade com Raimund, o relacionamento com Marie, ou, até, sua passagem pela cadeia. Meursault, aos poucos, nota que o juízo não é exatamente sobre o delito que cometera: “(...) se falou muito de mim e talvez até mais de mim, que do meu crime”, mas sobre aquilo que fizera desde a ciência da morte de sua mãe até o referido tribunal. Logo, ciente da sua condenação à morte – decapitação por guilhotina –, surge, brevemente, um estado de autoquestionamento. Raro. Destarte, alheio a tudo, segue seu caminho até o fim e não debanda covardemente. Ora, que importava se, acusado de um crime, era executado por não ter chorado no enterro da própria mãe? Dani-se, né?
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Shirlei 24/05/2013

O Estrangeiro
Escolhi O Estrangeiro na lista: Os 100 livros essenciais da literatura mundial (http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/100-livros-essenciais-literatura-mundial-644846.shtml).

O livro apresenta o personagem principal como uma pessoa que não tem grandes ambições na vida, apático e pode-se dizer acomodado.

É incrível seu comportamento sem sentimentos com relação à morte, ao amor e a própria vida.

No início pensei tratar-se de uma pessoa que devido aos seus sofrimentos anteriores ficara acostumado em esconder seus pensamentos e vontades, porém com o desenrolar da história pude associar sua forma de pensar e agir com a personalidade de um psicopata, sem sentimentos, emoções, sem remorsos por seus feitos.

Ficou a dúvida entre o herói não compreendido e o vilão disfarçado de bom moço. Se sua identidade era ingênua ao ponto de não entender os fatos ou estava tudo tão bem entendido que não fazia a menor diferença para sua satisfação ou insatisfação com relação à vida.
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Bete Lima 18/12/2010

Meursault é um homem sensível que desfruta da rotina de sua vida. A morte de sua mãe muda de alguma forma essa rotina. Também, começa uma relação com uma garota e trava amizade com um dos seus vizinhos. Esta amizade lhe trará vários problemas, entre eles um assassinato. Meursault irá para a prisão e terá que ser julgado. O objetivo de Albert Camus nesta obra é mostrar, através da vida de um homem transparente, os valores mundanos da sociedade de sua época. Meursault, o personagem principal desta obra, é um homem sensível cuja vida e felicidade se baseam essencialmente na rotina. Mas a primeira frase do livro já altera essa tranqüilidade: Hoje mamãe morreu. Ainda que nem este acontecimento parece alterá-lo demasiadamente, a morte de sua mãe simplesmente lhe parece algo que o afronta porque altera essa rotina que tanto lhe apraz e busca voltar a ela o quanto antes. Isso faz que Meursault pareça um homem sem sentimentos, insensível, ao que a morte de sua mãe não parece importar-lhe demasiadamente. Logo depois algo mais alterará a rotina da vida de Meursault. Este comete um assassinato e enquanto espera ao julgamento na prisão, reflexiona sobre seus atos. No momento em que comete este assassinato, Meursault já se dá conta de que este ato lhe trará muitos problemas. Porém, mesmo que seja consciente de seu ato, não se sente moralmente culpado nem lhe importa ter matado a um homem. Uma vez mais, o que mais importa é que sua vida cotidiana se alterou. Incluindo estar na prisão, no se sente mal porque há encontrado uma nova rotina. Positivo: A crítica a toda a sociedade mediante a vida de um indivíduo. Negativo: Algumas partes são pouco críveis.



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Lacerda 05/12/2010

Os sentimentos de Mersault são bastante intensos e sua falta de sentimentos também. Homem sensato, frio, calado que é julgado por um crime através do sentimento e indiferença que sentiu com a morte de sua mãe.
Somos de fato estrangeiros nesse mundo e Mersault já não tem vontade de viver nesse mundo sem lógica, injusto e caótico. Prende-se em seu mundo, cria sua realidade e cai nos braços da morte como um alívio.
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