O Estrangeiro

O Estrangeiro Albert Camus




Resenhas - O Estrangeiro


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Alan Martins 26/11/2017

A filosofia do absurdo em forma de romance
Título: O estrangeiro
Autor: Albert Camus
Editora: Record/Altaya
Ano: 1995
Páginas: 122
Tradução: Valerie Rumjanek
Veja o livro no site da editora: http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=24974

“Perguntou-me, depois, se eu não estava interessado em uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida; que, em todo caso, todas se equivaliam, e que a minha, aqui, não me desagradava em absoluto”. (CAMUS, Albert. O estrangeiro. Record-Altaya, 1995, p. 46)

Um livro curto, mas que diz muito, pois nos faz pensar. Esse é ‘O estrangeiro’, um romance filosófico, a obra mais conhecida de Albert Camus, que também falou muito, apesar de uma vida consideravelmente curta aqui neste mundo.

DE UMA INFÂNCIA HUMILDE AO NOBEL
Albert Camus nasceu em 1913, na Argélia, então colônia francesa. Teve uma infância pobre, filho de um agricultor e de uma faxineira. Conseguiu mudar a direção de sua vida com os estudos. Estudou filosofia na Universidade de Argel, trabalhando para ajudar a custear os estudos. Uma de suas paixões era o futebol e chegou a atuar como goleiro, o que o ajudou com as despesas da faculdade. Teve que abandonar a carreira no esporte após contrair tuberculose.

Sua obra foi composta por romances, ensaios filosóficos, contos e peças teatrais, uma outra grande paixão. Muitos o consideravam um existencialista, o que Camus negava com veemência. Na verdade, seu pensamento poderia até ser parecido, mas de certa forma era contrário ao existencialismo e ao niilismo. Era adepto da filosofia do absurdo, pensamento que nasce da desarmonia entre a busca individual pelo sentido e a falta de sentido do universo. Para esse movimento filosófico, a vida não possui sentido.

Mudou-se para Paris e logo depois ‘O estrangeiro’ foi publicado, no ano de 1942, durante a Segunda Guerra Mundial. A partir desse livro, sua notoriedade cresceu, tornando-se um importante pensador na França. Porém, como grande parte dos pensadores franceses daquela época possuíam uma visão política de esquerda, Camus foi sendo excluído do meio intelectual, pelos próprios intelectuais, pois possuía concepções um pouco diferentes, e muitos eram contrários às ideias do absurdo. Foi contemplado com o prêmio Nobel de literatura, em 1957, três anos antes de sua morte, causada por um acidente automobilístico.

“O mar trouxe um sopro espesso e ardente. Pareceu-me que o céu se abria em toda a sua extensão, deixando chover fogo”. p. 63

MEURSAULT, O INDIFERENTE
Podemos usar a palavra ‘indiferente’ para definir este livro. Narrado em primeira pessoa pelo protagonista, conhecido como Meursault, o romance apresenta o pensamento de Camus sobre o absurdo de forma bem simples. Quando digo simples, quero dizer sem explicações, não é uma obra que detalha a vida de uma pessoa, seus motivos para ser como é; cabe ao leitor fazer suas interpretações. Até mesmo o final fica sem uma conclusão, sem um desfecho, o autor não nos conta o que aconteceu com o protagonista. Esse estilo de narrativa era inédito quando o livro foi publicado, fato que contribuiu para o seu sucesso e reconhecimento.

Logo no primeiro parágrafo somos surpreendidos pela indiferença de Meursault, ao dizer que sua mãe morreu, pela sua falta de sensibilidade com a notícia. Ao longo da leitura, vemos outros exemplos de sua indiferença. Ele é um sujeito que apenas vive a vida, sem ambições, sem se importar com o que dizem, com o que pensam, nem com os outros e até mesmo nem consigo. Pode-se interpretar esta questão pelo viés existencialista, como alguém que vive aproveitando o momento, vivendo a experiência do aqui e agora, sem se importar muito com o passado ou o futuro.

Entretanto, boa parte do pensamento de Camus sobre o absurdo está presente nesta obra. O mundo não faz sentido e nossa única certeza é a morte, de que importa se é agora, ou daqui trinta anos? De que importa as coisas ao nosso redor? Eu quero mais é aproveitar o momento da minha maneira, sem me preocupar com outras coisas. Sem aceitar a inutilidade da vida, que o que fazemos não tem um objetivo final, dificilmente seremos felizes, estando fadados a viver contra o inevitável (a morte), fazendo coisas das quais não gostamos (como realizar trabalhos fúteis).

“Mas, por um lado, não é culpa minha se enterraram mamãe ontem, em vez de hoje, e, por outro lado, teria tido, de qualquer maneira, o sábado e o domingo livres. Isto não me impede, é claro, de compreender o meu patrão”. p.24

FILOSOFIA DO ABSURDO E OUTRAS INTERPRETAÇÕES
O título do livro faz muito sentido. De um lado temos o autor, um estrangeiro na França, com uma população que se sentia superior aos nascidos na Argélia. Do outro, temos Meursault, um homem que não vive de acordo com as regras sociais, um estrangeiro em sua sociedade. Durante o funeral de sua mãe, a personagem demonstra indiferença aos olhos de quem o observa, pois não chora, aceita um café com leite que lhe é oferecido e fuma. Há uma ideal de luto que é tido como “o correto” socialmente (chorar, se mostrar abalado, etc.), quando alguém foge desse padrão, é visto como um estranho, uma pessoa sem sentimentos. Há diferentes maneiras de demonstrar sentimentos e de se viver as experiências da vida. Cada pessoa é diferente, essa é uma interpretação obtida com esta leitura.

Ao ler as ideias do absurdo, até parece que o mundo sem sentido deve ser um mundo sem moral, porém não é bem assim, pois Camus explica que, por exemplo, no caso de um assassinato, sua imoralidade seria justificada pela simples lógica. E a vida é sempre preferível à morte, mesmo que ela não possua um sentido.

São temas presentes no decorrer da narrativa, principalmente na segunda parte (o livro é dividido em duas partes). Meursault passa a ter noção do ato que cometeu e se questiona sobre a vida, já que nutri um sentimento de querer viver, de ver o mar outra vez, algo que gosta tanto. Mesmo parecendo um pouco sem sentido e pessimista, a filosofia do absurdo é muito bonita e pode contribuir bastante, em diversas áreas do conhecimento.

“Compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia, poderia sem dificuldade passar 100 anos numa prisão. Teria recordações suficientes para não se entediar. De certo modo, isto era uma vantagem”. p.82-83

SOBRE A EDIÇÃO
Comprei minha edição em um sebo online. Na década de 90 a editora Record (quem publica os livros de Camus no Brasil há um bom tempo) fez uma parceria com a Altaya, o que resultou na publicação da coleção Mestres da Literatura Contemporânea, uma coleção formada por cem volumes, contando com grandes autores como Mario Vargas Llosa, F. Scott Fitzgerald e Gabriel García Márquez. ‘O estrangeiro’ é o volume 16 dessa coleção.

São livros em capa dura, seguindo um padrão estético. O tipo de papel utilizado não saberei especificar, mas eram livros produzidos com material de qualidade, com uma boa diagramação. A tradução é de Valerie Rumjanek, que traduziu muito bem, mesmo sendo uma narrativa que utiliza tempos verbais difíceis de serem transpostos para o português, como o passé composé (passado composto).

Atualmente, ‘O estrangeiro’ pode ser encontrado nas livrarias em uma edição de bolso, publicada pela BestBolso, empresa do Grupo Editorial Record. A tradução dessa edição é a mesma, por Valerie Rumjanek.

“Como se os caminhos familiares traçados nos céus de verão pudessem conduzir tanto às prisões, como aos sonos inocentes”. p. 99

CONCLUSÃO
Para quem não conhece a obra do autor, assim como eu ainda não conhecia, este livro é uma boa introdução, pois expressa boa parte de seus pensamentos e do absurdo, de maneira simples. Mesmo sendo um romance filosófico, não é difícil de ser lido, na verdade é fácil, rápido e prazeroso. Porém, Camus deixa muitas questões em aberto, sem dar muitas explicações, o grande diferencial da obra, que estimula o pensamento do leitor. Apesar de não ser uma escrita repleta de frases bonitas ou de efeito, ainda assim consegue dizer muito com sua simplicidade, levantando o debate sobre diversas questões, principalmente sobre as diferentes formas de se viver a vida, considerando que cada pessoa é de um jeito, e quem é diferente vive como um estrangeiro.

“Esperança, é claro, era ser abatido numa esquina, em plena corrida, por uma bala perdida”. p. 110

Minha nota (de 0 a 5): 4,5

Alan Martins

PARA SABER MAIS
Encontrei alguns links interessantes sobre Camus, que vão ajudar a compreender um pouco melhor a sua obra e a filosofia do absurdo.

Artigo ‘O absurdo e a revolta em Camus’: http://www.revistatrias.pro.br/artigos/ed-3/o-absurdo-e-a-revolta-em-camus.pdf

Artigo ‘3 ideias que vão te introduzir a Albert Camus e a filosofia do absurdo’: http://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2017/09/3-ideias-que-vao-te-introduzir-albert-camus-e-filosofia-do-absurdo.html

‘Passado composto (passé composé)’: https://www.infoescola.com/frances/passado-composto-passe-compose/

Livro ‘O mito de Sísifo’ importante obra de Camus, disponibilizado pelo governo português, uma indicação de Ana Isabel Fernandes, do blog Delfos: http://www.planonacionaldeleitura.gov.pt/clubedeleituras/upload/e_livros/clle000131.pdf

Visite o blog para outras resenhas, poesia e artigos sobre psicologia!

site: https://anatomiadapalavra.wordpress.com/2017/11/26/minhas-leituras-44-o-estrangeiro-albert-camus/
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Gisele.Maravieski 26/10/2017

Livro muito interessante
Embora o autor não gostasse dessa definição, o estilo do livro é existencialista, e trata da vida e da morte de uma forma muito peculiar, por meio do olhar ateu do protagonista. Narrativa de fácil leitura. Recomendo!
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Eduardo 16/10/2017

Deslumbrante
Um livro rápido, sincero e agradável.
Mersault sou eu.
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Ana Beatriz.Alcantara 09/10/2017

Guerra entre países e pessoas
Uma leitura breve e envolvente.
Em uma Argélia sofrida em tempos de invasão francesa, o autor navega pelas percepções do Estrangeiro nesse cenário, e apresenta uma auto analise desse ator que transgride sentimentos maternais e confronta comportamentos, elevando por vezes sua individualidade.
Mostra os sofreres que a guerra pode causar e também a visão de um alguém que não é o perseguido e nem o perseguidor nessa história, a princípio, mas que pode se tornar um caçador diante da uma suposta desilusão.
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Geison 07/09/2017

A inércia e a indiferença de Mersault são marcantes na obra. Mas ao decorrer da trama o seu destino é justamente selado pelas suas indecisões. E de maneira absoluta.
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buzi 27/07/2017

O assassino ou o assassinado?
A primeira associação quem me vem à cabeça, ao escrever essa resenha, é a obra de Franz Kafka, em especial seu Processo. O laço se dá talvez porque a parte 2 de “O estrangeiro” é muito próxima ao universo burocrático massivo e ferrenho de Kafka: um homem se submete a um julgamento cujas motivações não são claras e cujos princípios lhe escapam. O que difere essencialmente uma obra da outra, entretanto, é a culpa da personagem.
O problema é: que culpa?
Neste livro, conhecemos, através da narração do personagem Meursault, como ele vem a matar um homem e seu julgamento por tal ação. É um resumo sucinto e tomar o assassinato como spoiler é, desde já, perder a linha do que se trata o romance. Meursault é a síntese do que o pensamento existencialista francês pensava da essência humana: sem motivações e paixões, sem posicionamentos morais ou políticos, sem sequer um julgamento coerente de gostos e desgostos sobre o mundo o homem se torna vazio e nenhum ato que produz tem significado. A isso se inclui um assassinato. Assim, da mesma forma que Meursault deliberadamente pressiona o gatilho, a aparente vingança ou o alegado sol forte que motiva o ato não o sustentam. Camus nos leva a ter pena da personagem e, ao mesmo tempo, a compartilhar de um repúdio social a esse homem vazio e sem sentido.
Logo se chega ao título da resenha: a vítima de Meursault é um árabe, mas seria o título uma referência a ele e à cadeia de eventos que se seguem à sua participação? Ou seria do próprio assassino? Uma vez desconectado de qualquer obrigação substancial de valores, o narrador funciona à semelhança de um Macunaíma existencial e francês: antes preocupa a ausência de qualquer caráter do que a corrupção de um (que não existe). Logo, assim como a personagem de Mário de Andrade vaga em estranhamento por uma São Paulo monstruosa, também o narrador de Camus vaga não por uma cidade, mas por toda uma construção social e cognitiva, como alguém vindo de outro lugar e outras leis.
Minha última comparação – inevitável - é com a obra de Sartre. Ambos os autores, apesar de terem se conhecido, posteriormente viriam a se separar pelo alinhamento comunista de Sartre e o ceticismo de Camus em relação ao lado esquerdo da política. As obras se alinham na preocupação existencialista, porém “O Estrangeiro” preserva um sentimento universal – mítico, até – em relação ao mundo. Logo, pode ser lido de qualquer perspectiva e encaminhado a inúmeras direções de sentido.
Eu daria nota 9/10 ao livro. A pontuação restante seria, talvez, pela ausência de uma maior duração narrativa que pudesse levantar e substanciar ainda mais questões que, se num relance aparecem, num relance somem. De resto, o livro faz jus à grande carga crítica e referencial que o acompanha e que ajuda a construir.
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Emanuel.Silva 25/07/2017

Absurdamente Cativante
Obra do autor que a tanto tempo eu queria conhecer, em "O Estrangeiro" me deparei com uma história de certa maneira rápida, um protagonista que observa o mundo de uma maneira demasiadamente existencialista para alguns. Um livro em que fiz questão de antes de ler não procurar por sinopse algum, tanto é que não tinha conhecimento do "Plot Twist " que ele tem em sua metade.

É fascinante as reflexões que o livro proporciona de maneira sutil, tempo depois de terminar sua leitura, isso grande parte a sua escrita pouco descritiva, personagens com pouco potencial de identificação com o leitor e uma historia que aparentemente conta de maneira nua e crua o que tem contado. Mas, durante sua leitura e após o termino dela as reflexões tomaram conta de meus pensamentos. Gosto especialmente do dialogo que é possível se adentrar a respeito das minuciosidades a cerca do julgamento do protagonista:
" Estão me julgando por um assassinato ou pela morte de minha mãe? "
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Rodrigo Pamplona 08/07/2017

Espectador da própria vida (Sem Spoiler)
Respiro fundo antes de escrever as próximas linhas... Mersault, com certeza, foi o personagem mais alheio e mais distante com quem já me deparei. Ele não encontra nenhuma explicação e nem consolo para o que ocorre na sua vida. Tudo acontece à sua revelia e nada faz o menor sentido. É como se ele vivesse fora do seu próprio corpo, como se fosse um coadjuvante. Nos poucos momentos em que Mersault analisa o que ocorre na sua vida, surge o absurdo. O tanto faz. Aliás, ?tanto faz? é a sua primeira reação a tudo o que ocorre.

Se posso dizer algo, me parece que Camus introduz uma espécie singular de escrita transparente, neutra, tão distante das coisas que descreve quanto o personagem que habita suas páginas. Este é um grande feito, sem dúvida. Mersault é, no fundo, um permanente insatisfeito, tanto com a sua própria vida, como com a sociedade, não conseguindo, por isso, identificar-se com nada, ficando a pairar e a questionar tudo e todos, um "estrangeiro" da sua própria existência.

O fato mais insano é que os sentimentos de Mersault me soaram como absurdo, mas, ao mesmo tempo, extremamente concretos - incoerente, eu sei! Outro elemento que consegui identificar foi a questão do julgamento que nós como sociedade comumente fazemos de forma automática e aleatória quando nos deparamos com alguém que se afasta do comportamento que é esperado, das convenções.

Na verdade, no meu ponto de vista, o problema de Mersault e o motivo de toda a sua desgraça não era sua maneira diferente de sentir a vida e seu desprezo pelos sentimentos mais exaltados pela sociedade; seu problema era não esconder isso!

Enfim, O Estrangeiro é um livro complexo, consistente e brilhantemente escrito, o qual ? pela primeira vez ? não ouso classificar. Apesar de ser um livro pequeno, é uma obra que não deixa de ser grande pela narrativa que apresenta e por sua singular estética do absurdo.
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Márcio 18/06/2017

Um corpo estranho no todo.
Se não há uma razão na existência, tudo passa a ser estranho e o mínimo que podemos fazer para apaziguar a chatice da vivencia é buscar o mínimo de conforto,o mínimo de importância. Foi isto que senti ao ler a história de Meursault. Uma narrativa que busca fazer sentir a desimportante moral perante os percalços da existência. Livro íntimo. Palavras que me fizeram revelar um sentimento tão presente em mim.
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Ádilla Pereira 31/05/2017

Albert Camus sabe mesmo como prender alguém, eu mesmo não tendo entendido muito a história e tendo me perdido em algumas partes - provavelmente por causa dos vários erros na escrita um tanto quanto rebuscada - ainda li o livro até o final, e até que valeu a pena, porque o final realmente me surpreendeu um pouco. Se eu não me engano, há um filme com mesmo nome inspirado neste livro, mas não assisti e, sinceramente, não sei se quero assistir.
O livro começa com Meursault a caminho do enterro da própria mãe que morava em um asilo, que segundo a concepção dele, era melhor pra ela pois os dois já não mais se suportavam e também ele não tinha dinheiro suficiente para sustentá-la. O que você percebe de estranho é que ao invés de ele ficar de luto após o enterro, ele vai a praia, e ainda encontra uma mulher com quem vai ao cinema assistir uma comédia e depois passa a noite com ela.
Mas eu realmente comecei a me interessar pela história lá pela trigésima página ou antes um pouco, quando somos apresentados ao personagem Raimundo, um homem de caráter duvidoso, que se diz amigo de Meursault. Como era de se esperar a partir do momento que ele apareceu, coisas aconteceram e deixaram o livro razoavelmente interessante.
Como o livro fala sobre um homem que vive a sua vida do seu próprio jeito, sem ligar para o que os outros pensam, sem se importar com o que foi imposto pela sociedade, eu acredito que este é um livro que posso recomendar, apesar de não ser tão cativante, ler a história de alguém guiado pela razão e não pelas emoções, ou mesmo pela ética e moral, acaba sendo algo interessante, trazendo talvez uma perspectiva de mundo diferente da que temos.

site: http://umaviajantedasletras.blogspot.com/2017/05/o-estrangeiro-albert-camus.html
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Gustavo.Campello 24/05/2017

Um Personagem que é o Espelho do Mundo
Livro simplesmente maravilhoso, o personagem é o reflexo de nossa própria sociedade, onde tudo é encarado sem sentimento, onde as pessoas são distantes, onde os sentimentos são esquecidos. O personagem já está morto no começo do livro, uma morte em vida assim como tantas pessoas.

Vejo muita gente criticando pq o personagem não trás uma identificação, mas acho que é o medo de se identificar que gera a crítica a ele. O medo de se tornar ele, mas fazendo parte dessa sociedade você já se transformou nele, não há fuga. Livro Genial!
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Natália 02/05/2017

Part of review of Ryan R.: "it raises the question of whether much of our emotion is created by ourselves or the expectations of others to exhibit certain emotions in a given sitatuion. The book is also an indictment on people's efforts to dictate other people's lives. We are constantly told what is right and as a means to justify our own sense of "what it means to be human". We often impose these characteristics upon others, expecting them to fulfill similar traits and characteristics, as they have been already imposed on us. It is in a way, a self-justification of our actions as right or "humanly". Constantly, Meursault is being told he must live and/or act a certain way, whether it be by the judge, his lawyer, or the priest. Once he doesn't conform to these measures, he is marginalized and called "inhuman"; this is an attempt on the part of the others to rationalize their own ways of life and understandings. If they manage to declare him "inhuman", it allows them to call themselves human and justify their own means of living."
Gustavo.Campello 24/05/2017minha estante
Qual a necessidade de fazer uma resenha em inglês em uma rede social nacional?


Natália 06/06/2017minha estante
bicho, pq eu usava goodreads até então




GH 28/04/2017

O Estrangeiro

Farei uma resenha mais humana, propriamente dita. Especialmente pra contrapor a indiferença do personagem principal, Meursault, autor de um assassinato que muda (será mesmo?) sua vida após tal momento. Li não faz 20 minutos e falarei os tópicos que organizei mentalmente.

É notório a todo o momento a indiferença e falta de vontade do personagem com questões que os cercam, sejam elas imorais ou não. Um homem impulsivo que vive para satisfazer suas próprias necessidades e ponto final. Não parece tão idiota assim... Mas é. Ao esquecer o mundo a seu redor, incluindo suas principais influencias, raízes, sua essência e focar unica e exclusivamente no suprimento de necessidades pessoais, o mundo e sua vida deixa de ter um propósito, se é que há um, para transformar-se numa corrida em que não existem regras, mas um conselho: ganhe custe o que custar.

De fato até parece com o atual sistema global, o capitalismo. Mas é papo pra outro dia. No entanto torna-se interessante notar isso, já que é claro o posicionamento do autor contra o Individualismo, que no papel parecia algo grandioso oriundo do Renascimento (século XIV). Mearsault é tão sem graça, tão ''blé'', que ao ler você se depara com um morto vivo, uma espécie de zumbi, talvez ele não seja nem maldoso. Alias esse é meu pensamento sobre ele, ele não é maldoso, ele foi moldado a agir de um modo e sucumbiu dentro deste.

O ponto principal nesta obra e que pouco se é comentado é a OMISSÃO pura e descarada do personagem. OMISSÃO e INDIFERENÇA. Um ser sem posicionamento, sem propósito, quase que um Niilista. E é difícil saber qual que é mais imbecil em sua respectiva característica. É também de extrema dificuldade calcular qual causa mais impacto negativo, pois vimos no desenrolar dessa pequena obra que diz muita coisa as consequências de ser e agir como um inconsequente e pior, não ligar ou saber o que é ser um.

Há um bom tempo o indivíduo da sociedade vem sendo desenraizado incentivados por movimentos, músicas, autores e mídias que vendem o discurso de ''desconstrução'' ou um alguém livre. Estamos vendo o que acontece e não é difícil prever as consequências.

''[..] Sacudi o suor e o sol. Compreendi que destruíra o equilíbrio do dia, o silêncio excepcional de uma praia onde havia sido feliz. Então atirei quatro vezes ainda num corpo inerte em que as balas se enterravam sem que se desse por isso. E era como se desse quatro batidas secas na porta da desgraça. '' (Pág. 64)
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Lia 26/04/2017

O estrangeiro L'Etranger
Lendo pela segunda vez, agora em francês, me levou a reler em portugues tb. As dúvidas de compreensão em francês precisavam ser sanadas. Mas a compreensão estava bem correta até. O personagem é que é surreal para os padrões sociais comuns. Ele é muito mais aquilo que somos um pouco qdo tentamos dar de ombros aos valores sociais e de afeto. Ele vai fundo. É tudo tão profundo que baixa até uma tristeza. Narrativa seca e muito boa, mas isso é dos muito bons escritores.
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JJ 13/04/2017

O Estrangeiro ***
A frieza e o anti-heroísmo do protagonista me remontou aos meus tempos de pré-adolescente, quando o jovem Holden Caufield de O Apanhador no Campo de Centeio despertou o prazer pela literatura. O vencedor do Nobel Albert Camus se utiliza de frases curtas, descrições diretas e narração em primeira pessoa para aprender a atenção do leito logo nos primeiros parágrafos. O trato da morte como uma banalidade, sem necessariamente tratar desta condição como um defeito, é assunto cada vez mais atual e encravado em nossa sociedade. O cansaço do mundo moderno vai nos tornando menos preocupados e mais irônicos e debochados, assim como Meursault. Talvez o ciclo dos absurdos do francês soe cada vez menos absurdo. Quando concluímos que a implacável justiça dos homens fatalmente será imperfeita por ser seu aplicador recheado de defeitos, entendemos a realização de quem decide pela indiferença. Claro, sem esquecer da crítica às religiões, quase condição sine qua non dos grandes modernos.

A Peste ***1/2
Na segunda obra do livro, Camus apresenta uma trama menos palpável para as novas gerações, se valendo da intimidação que toda boa obra de ficção possui, que é nos transportar para a situação desesperadora que seria tudo aquilo se tornar realidade. A descrição da cidade de Orã pode ser, por vezes, inverosímel. Porém, quando se concentra nas reações da coletividade, passamos a entender porque o ser humano tem sua parcela de previsibilidade. Quando a falta de crença de que uma epidemia poderia se alastrar é mostrada, podemos traçar um paralelo com o surgimento da gripe H1N1 em 2009. Vale destacar a procuração por uma explicação nas religiões (bem interessante a figura do Padre Paneleoux), a incansável burocracia governamental e a tentativa de manipulação dos números pela imprensa.

Dialoga com a contemporaneidade ao simular uma situação de tragédia, que era tão comum há alguns séculos. Propõe as formas de adaptação do ser humano a qualquer realidade na curta Parte 3. Este segmento, quase um conto avulso, é uma pérola lírica que merece ser lida. Camus rompa com narrativa mais crua a partir deste ponto e A Peste atinge seu ápice no capítulo 22, quando uma nova interpretação de Deus é feita por Paneleoux. Quando traz a visão de quem "gostou" do período de peste, o francês mostra seu brilhantismo ao tratar da incrível natureza humana e sentencia: "Tudo o que o homem podia ganhar no jogo da peste e da vida era o conhecimento e a memória" (pg. 263 da edição lida).
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