Dom Casmurro

Dom Casmurro Machado de Assis...




Resenhas - Dom Casmurro


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Priscila 18/10/2018

Qual é a verdade?
Nesta obra prima da literatura brasileira do século XIX, Machado de Assis trata sobre questões que continuam a determinar o rumo dos acontecimentos na vida das pessoas na atualidade. Acompanhando a trajetória de Bentinho e Capitu, o leitor presencia as várias facetas do ciúmes e as consequências que provoca na vida dessas personagens. Mas o romance não se limita a apenas explorar esse sentimento e suas inconveniências. Machado de Assis oferece amplo material de análise psicológica dos seus protagonistas.
O desenvolvimento do enredo traz oportunidade de grande envolvimento do leitor se este se interessar em tentar descobrir os reais motivos para Bentinho suspeitar de Capitu, o que o autor não deixa claro, embora dê muitos dados para um estudo de caso. Apesar das dúvidas que vão surgindo, o leitor pode terminar a leitura desse livro com a sensação que sabe o que de fato aconteceu, o que se deve à maestria de Machado de Assis em fazer bem conhecidos os seus protagonistas e de ter sabido contar muito bem a sua história.
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FaellSales 15/10/2018

CAPITU NÃO FEZ NADA DE ERRADO!
O livro é muito bom, já tinha lido pedaços na escola, ouvido falar, mas nunca tinha parado pra ler ele completamente e posso dizer que me surpreendeu bastante, sem contar o modo de escrita que é muito bom.
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Anderson V 04/10/2018

Sinceramente?
Achei MUITO fraco. Sei que muitos idolatram a obra, porém na minha opinião, a história é EXTREMAMENTE cansativa e o final, aquém do que eu esperava.

Sei la, não recomendo pra quem vai com o hype de "uma das melhores obras nacionais ja criadas". Se eu lesse sem essa expectativa como se fosse um livro qualquer na estante, talvez a minha opinião pudesse ser diferente! Não me julguem rs sou um amante de clássicos, mas esse aqui não empolgou.
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Juninho 30/09/2018

Literatura Mundial
não gostou de livros de escritores antigos mas vou ver o filme do livro para saber a história desse clássico da literatura mundial
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lee 26/09/2018

Não vou fazer análise crítica porque tô bem aborrecida com o Bentinho do final do livro, onde tive a certeza do que já achava: que Capitu não traiu coisa nenhuma, Bentinho ficou paranóico e seu ciúme e comportamento chegam a ser absurdos, além de que ele amava o Escobar, porque só isso pra explicar certas coisas.
No mais, fiquei triste pelo Ezequiel que não tinha culpa de nada, mas sofreu mesmo assim, tadinho.
E claro, não posso negar que a história é realmente boa e de uma "complexidade". Uma das coisas que mais gostei foi da forma de narração do Dom casmurro, ao menos no início, da forma como se dirige ao leitor em vários momentos e a interação.
Há vários contextos, pontos e perspectivas a se analisar no livro, e só isso já vale a leitura que parece ser do tipo que sempre será diferente a cada releitura.
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Lê | @lelendolido 24/09/2018

Dom Casmurro
Eu tenho certeza que todo mundo conhece a história de Bentinho e Capitu. Ou leu o livro, ou assistiu ao filme, ou assistiu à mini série, ou até já escutou alguém falando sobre a suposta traição de Capitu. De uma maneira ou de outra, todos já tivemos contato com esse clássico da Literatura Brasileira.

Sobre o livro

Bento de Albuquerque Santiago (Dom Casmurro) tem 54 anos e decide escrever a história de sua vida. Assim, acompanhamos a narrativa que começa desde sua infância. Capitolina e Bentinho são vizinhos e amigos. Com o tempo, essa amizade vai se tornando uma paixão. Mas há um problema: Dona Glória, mãe de Bentinho, está decidida a fazer do filho um seminarista.

A tentativa de Bento e Capitu de mudar esse destino não dá certo e eles juram casamento, independente do que aconteça. No seminário, Bentinho faz amizade com Escobar. Tornam-se melhores amigos.

Tudo dá certo. Bentinho e Capitu, Escobar e Sancha (melhor amiga de Capitu) se casam. Anos depois, Capitu engravida e nasce Ezequiel. Mas algum tempo depois, Escobar morre afogado. No enterro dele, Capitu olha tão fixamente para o defunto que chaga a abalar Bento. Ezequiel vai crescendo, e semelhanças com o Escobar vão se acentuando. Isso deixa Bento desconfiado. Ele começa a tratar mal a mulher e o filho até um dia confessar sua desconfiança à Capitu que, indignada, abandona o lar.

Capitu e Ezequiel partem para a Europa. Após a morte da mãe, Ezequiel volta e se encontra com o pai. Esse o vê a figura de Escobar. Ezequiel parte para o Oriente Médio para estudar e meses depois morre de febre tifoide. Sem família e sozinho, Dom Casmurro decide escrever um livro relatando sua vida.

Minha opinião

Fique muito surpresa por ter gostado tanto do livro. Me envolvi com a história e me encantei pelos personagens. Eu gostei muito do modo como a narrativa se desenvolve e como os acontecimentos vão sendo expostos ao leitor.

A narrativa é em primeira pessoa. Imaginei o próprio Bentinho me contanto a história! Teve muitas vezes que até ri com os acontecimentos narrados. Mas assim, só conhecemos um lado da historia, o lado de Bento, desconfiado e ciumento. A narrativa é lenta, devido a linguagem mais rebuscada. Algumas palavras tive que procurar no dicionário, porém achei que foi exatamente isso que deu um toque de clássico à obra.

Em nenhum momento temos a confirmação da traição de Capitu com Escobar. Com certeza, há dúvidas sobre isso, Machado brinca com o leitor ao trazer semelhanças entre Ezequiel e Escobar, mas não podemos esquecer de que a própria Capitu é muito parecida com a mãe de Sancha, e não há parentesco entre elas.

Só teve uma coisa que me incomodou, que foi quando as desconfianças de Bento surgiram. Ele começa a tratar mal Ezequiel e até pensa em matá-lo. A criança não tem culpa e não merecia ser tratada daquela maneira. Fiquei com pena.

A escrita do Machado é sensacional e torna o livro lindíssimo!!! Não é a toa que Dom Casmurro é considerada a melhor obra de Machado de Assis e um clássico da literatura Brasileira. Um livro que todo mundo deveria ler! E você já leu ? O que achou? Eu acho que Capitu traiu Bentinho!

site: http://www.lelendolido.com.br/2015/10/resenha-dom-casmurro-machado-de-assis.html#
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Julio.Argibay 21/09/2018

?olhos de cigana oblíqua e dissimulada.?
O autor inicia esse romance, comentando a origem do nome do personagem, Dom Casmurro, é uma anedota. Depois ele nos apresenta como foi a infância dele, a casa de seus pais e uma promessa de sua mãe. Detalhe, o autor é o personagem do livro. Mas, Bentinho não queria ser padre, de jeito nenhum, pois, em sua vida, mesmo ainda criança, já havia aparecido Capitu ... a de olhos de cigana ... a grande paixão da sua vida. Então, vamos em frente. Em sua casa também vivia Jose Dias, um agregado da família e grande amigo dele e do pai. Sua mãe, Gloria, já viúva e de grande presença em sua vida. Justina, sua tia, e também viúva. O tio Cosme ? advogado, viúvo e doente, (tirei a parte dele ser gordo, achei politicamente incorreto). Todos morando na Rua Mata-Cavalos, reproduzida em outro bairro pelo personagem, muito tempo depois. Voltamos a ela... Desde cedo, criou-se uma amizade com sua vizinha Capitu: confidencias, carinho, adolescência, promessa de um casamento futuro, amor eterno, essas coisas. Porém, chega o momento da partida para o Seminário. Nessa mesma época, surge o primeiro beijo. A partir daqui, algumas estórias da vida no seminário são contadas. Tais como: certas tristezas, saudades, ciúmes de Capitu, dentre outras. Vida que segue... Como característica do autor, há muito diálogo com o leitor, trocam-se confidências, contam-se segredos. No seminário Bentinho conhece seu melhor amigo, Escobar. A ideia de substituir Bentinho por um menino adotado é dada por ele. O tempo passa e Bentinho deixa o seminário e torna-se Bacharel em Direito. Algum tempo depois ele se casa com Capitu. Os laços de amizade continuam depois do casamento e sempre nos finais de semana os amigos, Escobar e sua esposa Sancha se encontram com o casal para conversarem e viverem momentos em comum. Tempos depois, nasce o filho do casal, tão aguardado, de nome Ezequiel... Com o passar do tempo o garoto acaba se parecendo cada vez mais com o seu melhor amigo.... e depois dessas reticências e de acompanharmos a vida de todos os personagens, fica com a gente a certeza de uma grande estória, contada pelo mestre Machado. Se permanecem as dúvidas, os mistérios, as estrelinhas, as reticências eh melhor dá uma olhada se faltou colocar aqui alguma coisa importante. E Quanto a Capitu, Escobar e Ezequiel? Eiiiiiiiiita .....



ce ne sont pas mes gestes que j?escris, c?est moi, c?est mon essence.
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victor lopes 29/08/2018

Alguns pontos sobre o livro:

1 - Bentinho e Escobar não são héteros;
2 - Quero uma história entre Bentinho e Escobar no seminário;
3 - Apesar de não ser hétero, Bentinho tem atitudes de homem hétero, portanto é o famoso boy lixo;
4 - Capitu não traiu Bentinho.

Fim.
Arthur 29/08/2018minha estante
Melhor resenha que já li na minha vida


victor lopes 29/08/2018minha estante
kkkkkk Veio do fundo da minha alma


Arcan 01/09/2018minha estante
Lembrando que isso é somente sua interpretação.


victor lopes 01/09/2018minha estante
Eu escrevi a resenha, portanto é a minha interpretação, é claro.


LílianRoberta 01/09/2018minha estante
BERROOOOO
Agora quero ler mais ainda ahsuahuahs


Lana 02/09/2018minha estante
TOTAL!!!!!!!


Ana Gabriela 03/09/2018minha estante
Hahahahah sensacional


Tamires.Isis 10/09/2018minha estante
Não traiu mesmo. Ele é que era um louco.


lee 26/09/2018minha estante
Resolvi ler pq vi essa teoria e claramente concordo com ela agora.


Derby 18/10/2018minha estante
É o melhor entendimento da história até agora kkkk




NegrALANE 27/08/2018

O Bento é um paranoico ciumento
Eu amo esse livro.
Quando era mais novinha vivia pensando se a Capitu traiu ou não e essa parecia ser a grande questão do livro. Mas não acho que não é dessa forma que devemos discutir Dom Casmurro.
É a história de um burguesinho que nunca passou necessidade, que sempre teve tudo em mãos, mesmo tendo que ia ao seminário, ainda assim tudo, absolutamente tudo o que o Bento teve na vida foi por ter nascido e família rica.

Então ele cresceu junto com a Capitu, que justamente por não ter as mesmas condições já é mais ciente do mundo ao redor. Eu acho que talvez a Capitu possa ter planejado esse casamento, acho que ela possa ter visto ele como uma chance de mudar de vida sim. Só que ela vivia em um tempo que um bom casamento era até onde poderiam chegar as ambições de uma mulher.
E a partir dessa premissa é cruel pintá-la como alguém que só queria o Bento por interesse, ou como uma espécie de figura ardilosa. Creio que quem em muito ajuda a construir essa imagem dela é o José Dias, que tinha seus interesses em relação à herança.

O resto da acusações é somente fruto da mente ciumenta obssessiva do Bentinho.
Afinal, o próprio tinha pensado em trair a Capitu com a amiga dela, insinuando que a moça(esposa do melhor amigo de Bento) poderia estar demonstrando interesse, o que o próprio Bento admite posteriormente que pode ter imaginado.
Em uma ocasião ele saí e Capitu descide não ir junto, ao chegar ao teatro ele decide voltar mais cedo, e quando chega o seu amigo está chegando lá também. Mas ainda, assim eu não creio que seja um motivo pra desconfiança, já que eles são melhores amigos. Pode ser que sim havia algo, mas é completamente plausível acreditar também que foi uma casualidade.
O ciúme se torna paranóico após Capitu observar o amigo, que também era dela, morto em um caixão e chorar. Olha o absurdo!
A paranóia chega a ponto do Bento pensar em matar o próprio filho por acreditar não ser biologicamente seu.
Vemos aí uma Capitu que chega ao limite e decide pela separação. Como a história é contada pelo ponto de vista do Bento, só ficamos sabendo o que é relevante pra ele. Isso me leva a crer que a Capitu deve ter aguentado muito, pra naquele ponto decidir se separar. Enfim...

A história é contada por Bento, ao final de sua miserável vida de burguês, que parecia odiar Capitu por ela ter sido talvez à única pessoa que decidiu não o mimar. Pois sim, tenho essa sensação que ele sempre foi mimado e ficou desse jeito por que ela era uma personagem forte.
Lana 02/09/2018minha estante
com certeza!!!!


lee 26/09/2018minha estante
Concordo. Ótimo ponto de vista apontado o seu




Tami 25/08/2018

Dom Casmurro
A história é narrada por Bento Santiago (Dom Casmurro) por volta de seus 60 anos, com a finalidade de lembrar e reviver seu passado.
Bentinho e Capitu ainda crianças se descobrem apaixonados, e temem a separação por uma promessa feita por Dona Glória ao nascimento de seu filho, de que o transformaria em um padre.
As duas crianças passam a elaborar planos para que Bentinho não tenha que ir ao seminário, entretanto, todos vão por água abaixo.
Antes de ir, os dois fazem a promessa de esperar um ao outro para se casar.
Amei essa história, ao contrário do que muitos pensam a narrativa nem é tão difícil, a história é envolvente e os personagens também.
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tray 18/08/2018

Dissimulados
Machado é escritor de camadas, e não é diferente com Dom Casmurro, a construção que ele faz de Capitu é apaixonante, intrigante e faz sim o leitor ficar com as mesmas pulgas de Bentinho, a forma como Escobar dança entre os dois é fascinante, a foma como Betinho olha pra Escobar diz nas entrelinhas uma possível paixão, e da margem para mais uma camada, será que não era Bentinho que tinha ciúmes de Escobar ? o livro tem tramas e mais tramas, tem questão de classe, questão matriarcal, o que é extremamente interessante, sabendo que o patriarcal era algo latenta na sociedade que Machado vivia e escrevia, aqui quem da as linhas da trama são as mulheres, os homens falam,falam e pouco determinam ações. Bentinho é mentiroso, dissimulado, mas o leitor de encanta com sua narração, pois ele sempre afirma que ama muito Capitu, oras, o amor não tem dúvida, Capitu é mulher de si, Escobar é homem de si já Bentinho era homem alheio! Machado traz provas, que depois viram cinzas e que viram provas de novo, o romance é aberto, Bentinho é covarde, Capitu era firme e Escobar livre. Um romance que deixa esses contemporâneos no CHINELO!
A pergunta não é se Capitu traiu, mas se Bentinho amou mais Capitu ou Escobar!"
Raposo 20/08/2018minha estante
Fotos mentem?! E advogados!? Não li o livro, ouvi falar, vou ler pra tirar minhas próprias conclusões.


tray 21/08/2018minha estante
oie, então Bentinho é que narra os fatos, e ele vai levando a gente as provas que ele quer que vejamos, então não tem como de fato saber se houve ou não traição, qualquer coisa que eu falar vai ser spoilers / e tenha em mente que a única pessoa que fala por todos é Bentinho, e toda história precisa de outras vozes, mas é ai que mora a genialidade de Machado, boa leitura




Giuliane.Rodrigues 03/08/2018

Dom Casmurro
A história se inicia com Bentinho, já de idade, escrevendo um livros sobre a vida dele. Ele conta de sua amizade, que tinha, com Capitu quando meninos, a ida ao seminário, a amizade com Escobar, a saída do seminário, o casamento com Capitu, e vários outros acontecimentos que lhe sucederam. E também de porque que ele acha que Capitu o traiu.
Esse é o grande dilema do livro: Capitu traiu ou não Bentinho?
A principio dá se a entender que sim, afinal o filho deles se parecia demais com Escobar, até as manias que este tinha o menino tinha. Quando o menino cresce ele é igual Escobar. Porém a contrapontos, Bentinho é advogado, pode muito bem contar situações que não há como negar. Ele é ciumento demais. Sempre foi. O livro mostra a perspectiva dele. Só tem como conhecer a história sob o ponto de vista dele. Então ele tentará provar que está certo. O próprio Machado de Assis insere de forma sutil que Bento criava fantasias em sua cabeça, sempre criou. O próprio narrador conta que livros podem ser alterados, histórias podem ser alteradas. Será que a suposta traição de Capitu não era apenas mais uma das fantasias de Dom Casmurro?
"[...] a imaginação foi a companheira de toda a minha existência, viva rápida, inquieta, alguma vez tímida e amiga de empacar, as mais delas capaz de engolir campanhas e campanhas,correndo [...]" (p.77, cap. 40)

site: https://estacaodoslivros737181187.wordpress.com/
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Andreia Mozert 26/07/2018

Team Capitu traiu Bentinho
Machado de Assis é o meu escritor favorito, e me conquistou mais ainda depois que li Dom Casmurro. Romance polêmico e cheio de paranóias rs
só pra deixar registrado: Capitu traiu Bentinho, sim!!
Jefferson 27/07/2018minha estante
Pra mim a traição está clara!
Mesmo pq eu acho que o Bentinho nem podia fazer filho




Marcos 17/07/2018

As flores também abrem-se
Uma das obras-primas da literatura mundial. O Romance que narra a trajetória do amor de Bentinho e Capitu talvez não seja dos tema de maior originalidade, mas a pena, a forma como se narra um evento, uma história, um romance, tem por originalidade o próprio gênio do autor, a imortalidade do olhar de um dos maiores escritores da história, Machado de Assis. Bentinho sofre o que muitos homens ainda por hoje sofrem, do amor não correspondido por inteiro. O inteiro não está na fidelidade de sua esposa, Capitu para com Bentinho, a fidelidade mais banal, que é o castro, de um amor que só tem uma forma, uma visão das coisas, condenando o mundo a sua inglória trajetória sobre amor, justiça e fidelidade, quando tudo não está mais do que no sentido das coisas, dos fatos, das narrativas, dos resultados, e não nas ideias vagas e abstratas do que seja amor, justiça e fidelidade onde as vãs filosofias não alcança, e quando chegam perto cegam a si próprio. Ao olhar de Bentinho Capitu sempre foi a mesma, desde de menina com seu olhar de cigana, oblíquo, cismada. O Castro das ideias puras de uma instituição que nasceu de sangue e agonia e entendida com exorto, o ex-seminarista Bentinho via apenas o possível as ocasiões. O impossível que o amor de alguém é capaz de fazer por outrem só é possível aos olhos de quem ama verdadeiramente. Ezequiel era tão filho de Betinho que este não entendeu que a criação é dádiva e não herança. A infertilidade de Bentinho, em suas ideias e de gerar vida tanto as que nascem como aos que crescem, julga-se em seus últimas palavras antes de ir ao subúrbio e da cabo ao romance. Capitu era a mesma como dantes, uma fruta dentro da casca, no entanto, as flores também abrem e dão frutos. Só nos damos contas que somos herdeiro de algo quando tudo está por deixar. Envelhecer lendo Machado de Assis é uma experiência tão grandiosa quanto as vãs ideias que vamos abandonado pelo caminho da juventude por crer valer mais a fidelidade à vida. Brilhante romance!!!!
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leila.goncalves 15/07/2018

Obra-Prima
De autoria de Machado de Assis, nosso maior escritor, ?Dom Casmurro? é um dos grandes clássicos da literatura brasileira. Frequentemente escolhido como leitura obrigatória nos vestibulares, é praticamente impossível ultrapassar o ensino médio sem conhecê-lo.

Sua história relata as memórias pouco confiáveis de um advogado cinquentão, Bento Santiago, que apresenta bons motivos para crer que foi traído pela esposa Capitolina ou Capitu com o melhor amigo, o comerciante Ezequiel Escobar. Aliás, até a paternidade do único filho ele coloca em dúvida.

Tendo como cenário o Rio de Janeiro durante o Segundo Império, um dos temas abordados no romance é a moral da época, contudo também centralizam a atenção a ambiguidade de Capitu, o ciúme e, sobretudo, o caráter de Bentinho que já mereceu até estudos psicanalíticos. Aliás, é assídua a menção da rica intertextualidade do texto que vai de Schopenhauer a Goethe, merecendo destaque a tragédia ?Otelo, o Mouro de Veneza?, de Shakespeare que é três vezes citada ao longo do texto, respectivamente nos capítulos LXII, LXXII e CXXXV.

De acordo com John Gledson, um dos mais reputados estudiosos da obra machadiana, ?Dom Casmurro? é um ?romance realista voltado para a análise psicológica que critica ironicamente a elite carioca a partir do comportamento de determinadas personagens?. Exibindo traços românticos, como a fixação pelo olhar de Capitu, o professor de literatura Ian Watt também o considera próximo do impressionismo, ao recriar o passado através da memória de Bentinho. No entanto, alguns críticos contemporâneos, como Roberto Schwarz, afirmam que se trata da ?primeira obra modernista brasileira, graças aos capítulos curtos, a estrutura fragmentária não-linear, o gosto pelo elíptico e alusivo, a postura metalinguística de quem escreve e se vê escrevendo, as intromissões na narrativa e a possibilidade de várias interpretações?.

Quanto ao texto, o leitor pode encará-lo como um romance policial, investigando cada ação e desconfiando das declarações do narrador tal qual um detetive, a fim de crer ou não no adultério, pois são inúmeras as incongruências, atitudes incompreensíveis e enigmas. A bem da verdade, ?Dom Casmurro? permite distintos entendimentos e cabe a cada um tirar suas conclusões quanto as personagens e o enredo. Por sinal, este é um aspecto recorrente na obra machadiana, todavia nem sempre o romance foi encarado desta forma.

Durante décadas, houve certo consenso a respeito da infidelidade de Capitu, mas a ascensão do feminismo favoreceu um novo olhar para o livro e a brasilianista Helen Caldwell foi quem primeiro colocou Bentinho publicamente no banco dos réus. Em ?The Brazilian Othello of Machado de Assis?, lançado em 196O, ela afirma que Capitu jamais o traiu, foi vítima de um marido tresloucado que induz o leitor a crer em suas palavras que não condizem com a verdade.

Vinte e quatro anos depois, foi a vez de ?The Deceptive Realism of Machado de Assis: A Dissenting Interpretation of Dom Casmurro? trazer outro entendimento. No livro, de autoria de John Gledson, Bentinho não é um novo Otelo que por ciúme destrói e difama a amada. ?Mimado pela mãe, ele faz parte de uma família abastada e conservadora, logo a liberdade de opinião de uma mocinha moderna, filha de um vizinho pobre, prova ser intolerável. Neste sentido, os ciúmes condensam uma problemática social mais ampla, historicamente específica, e funcionam como convulsões de uma sociedade patriarcal em crise.?

Quando o assunto parecia esgotado, uma matéria de Millôr Fernandes para a revista ?Veja?, publicada em 26/01/2005, revelou uma leitura mais picante além de polêmica, causando até indignação por parte dos leitores. O escritor defende a ideia que tanto Capitu quanto Bentinho foram amantes de Escobar, inclusive, cita trechos do romance que indicariam a paixão do narrador pelo amigo.

Segundo o historiador Marc Bloch: ?o passado muda de acordo com o presente que o lê??. Em pouco mais de um século, ?Dom Casmurro? comprovou esta máxima, ao abarcar novas leituras conforme a sociedade foi se transformando, notadamente em relação a sexualidade e a condição feminina. Enfim, Capitu traiu, não traiu ou foi traída, qual é sua opinião?
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