Dom Casmurro

Dom Casmurro Machado de Assis...




Resenhas - Dom Casmurro


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Rosa Santana 25/05/2011

Não é Capitu que trai. É Bentinho!!!

Só mesmo um escritor com toda a genialidade de Machado de Assis poderia ter criado esse que é um dos maiores enigmas da nossa literatura. Por traz do narrador casmurro ele manipula o leitor. O que Bentinho conta? A história de Capitu? É o que ele quer dar a parecer: a história de Capitu e sua traição. Mas o livro se chama "Dom Casmurro", referindo-se a ele próprio como sendo o desprezado e excluído da boa convivência, quando, na verdade, ele é que despreza as pessoas e delas se isola. Aí o perfeito jogo: ele, o fidalgo (Dom), é que se afasta das pessoas; que se dá a conhecer apenas superficialmente, pois não se aprofunda nas relações; o que se desliga de tudo; o que quer se fazer de coitado para ganhar a piedade dos leitor. Aí a traição de Bentinho. Ele trai o leitor.

Mas essa traição - como todas, é lógico - é escamoteada por seu jogo retórico: o reprimido, o recalcado Bentinho dá-nos a ver suas "desconfianças" (aparência) - que nem precisam de provas - acerca do comportamento de Capitu. Ora, o romântico e imaturo personagem, de índole sonhadora que é hábil em encobrir seus próprios sentimentos até mesmo da própria figura respeitada da mãe, inventa ardilosamente... E só lendo nas entrelinhas para descobrir os ardis do narrador (a essência).

Assim é Bentinho: um personagem romântico que contempla as estrelas (cap. CVI); um narrador "realista" que nos engana mostrando-nos uma Capitu habilidosa, sutil e prática, que calcula os objetivos a atingir, mas esconde essas características - que tb são as dele - ao traçar o próprio perfil. E mais: ele enfatiza a veracidade e objetividade do que está narrando. Mentira dele! Ele não pode ser imparcial, visto situar-se como protagonista do que conta, sendo subjetivo, claro; e parcial, evidente!

Assim é que Bento (a ironia do nome!) trai o leitor desavisado, aquele que se fia nele, que fica no raso (ah! os leitores do Coelho!) através do perfeito jogo retórico em que o engendra.

Mas há um outro leitor - aquele que o desmascara. Desse o narrador não obtém a solidariedade e ele fica cada vez mais solitário, mais casmurro, mais desprezado!

Esse o enigma maior! Penso que, armando-o, para implantar a dúvida no leitor, Machado, com toda a sua habilidade narrativa, mostra-nos que o mundo das aparências é uma máscara que encobre o da essência: o ser humano é frágil e contraditório. É esse o drama da condição humana: as verdades (?) são frágeis; a natureza humana, também.

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Luiza Machado 17/12/2009minha estante
Adorei sua resenha. :)


SrtaPlens 09/03/2011minha estante
Bem elaborada, ainda bem que li sua resenha antes de ler o livro. Ele é mesmo um CHATO o Bentinho. Merece ser desprezado ò.ó


Rosa Santana 25/05/2011minha estante
SrtaPlens, mas o livro vale a leitura. É muito bem construído e muito interessante. Não deixe de ler, por causa da resenha. Depois que terminar, me diz o que achou. Talvez vc nem concorde com o meu pensamento...


Taiana 29/05/2011minha estante
Que pensamento mais profundo! Já me deixo influenciar por estes conceitos antes mesmo de ler a obra.(=


Mari 25/07/2011minha estante
Essa obra mostra como Machado de Assis foi um gênio da literatura. Muito bem construído mesmo!


Scarllet 01/12/2011minha estante
Incrível sua resenha!


Matt 11/02/2012minha estante
Esse livro é ótimo! Os personagens tem muito carisma.


Katia 21/02/2012minha estante
Muita boa sua resenha!!! O livro é incrivel.


Júlia Emília 12/03/2012minha estante
livro incrível e perfeito! otima resenha


Eliana 31/03/2012minha estante
Rosa,amei sua resenha! Quão profunda e sensível sua análise a cerca desses personagens dessa história ao mewsmo tempo incrivel e tão real. São duas faces da mesma moeda. Todos nós temos nossos segredos escondidos n'alma e no palco da vida criamos vários personagens de acordo com as nossas necessidades momentâneas.
Só um gênio como Machado de Assis para nos levar nessa viagem da essência humana!


Karla 12/06/2012minha estante
Muito boa essa sua resenha,excelente analise a sua.Assim como o livro é de delirar,prende-nos a atenção.Enfim,o ser humano é frágil.Bela resenha!


Vittiez 30/06/2012minha estante
MUITO LEGAL VOCE COLOCAR NA PRIMEIRA LINHA O MAIOR SPOILER DO LIVRO.

AÍ O CARA QUE ENTRA SÓ PRA FALAR QUE TÁ LENDO O LIVRO JÁ BATE O OLHO E PERDE TODA A GRAÇA.


Lara 26/08/2012minha estante
verdade, eu estava lendo o livro, mas foi olhar a resenha pra tudo perder a graça '-'


Rosa Santana 26/08/2012minha estante
Lara, e porque alguém que está lendo um livro interrompe a leitura para ficar lendo resenha sobre ele? No mínimo esse comportamento me parece estranho...
Agora, se vocês, Lara e Vittiez, leram bem a resenha, a traição de que falo nela não se refere ao triângulo amoroso(?), de que desconfia o narrador, Bentinho. Ela se refere, sim, a uma traição em uma outra esfera: no plano da narrativa, não no da história, como vocês lamentam...
Pode ser que isso lhes tenha escapado.


Karina 28/08/2012minha estante
Sua resenha está perfeita. Concordo totalmente com o que escreveu acima. Esse livro é fascinante devido a genialidade do Machado de Assis, que foi e sempre será, na minha humilde opinião, o melhor escrito que já nasceu em terras brasileiras


Lari 02/10/2012minha estante
Concordo plenamnte!
Fica evidente no livro que Capitu traiu Bentinho, mas se o leitor prestar bem atenção em alguns detalhes perceberá que não houve traição.


Marcelo 22/11/2012minha estante
Concordo que a traição ou não de Capitu é a parte menos importante do livro. O que Machado busca realmente caracterizar (pelo próprio título da obra) é uma personalidade infeliz, ranheta, voltada para si mesmo e que, por ser incapaz de amar, torna-se acabrunhado. A dúvida do personagem em relação à traição de Capitu (questão sem resposta) busca pintar com cores lúgubres uma mente doentia.


Vismael 19/04/2013minha estante
Só uma pergunta:
"Ah, os leitores do Coelho".

Qual o problema? Porquê as pessoas "intelectuais" e os "entendedores" fazem questão de demonstrar ódio gratuito ao Paulo Coelho? Já li dois livros dele e são sim mais simples e diretos, mas e daí? Todo livro tem que ser difícil, cheios de metáforas e mensagens subentendidas?

Acho muito bom q leiam também "o Coelho" como você diz ironicamente. Dom Casmurro é legal, e tem a coisa da traição ou não (e é uma tremenda bobagem ficar discutindo isso, pq claramente não há uma resposta final) e só.
Sejamos realistas, NADA acontece em 85% do livro, só bla bla bla. Mas a maneira que o Machado conversa com o leitor é bem legal e diferente.


Rosa Santana 19/04/2013minha estante
Vismael, eu disse "os leitores do Coelho" ou seja, aqueles leitores que pararam nele. Como professora de literatura, sei que tem muitos e muitos que ficaram por aí, não amadureceram como leitores, entendeu? Eu me referi a esses, aos que, segundo pesquisa da UNB, não são capazes de ler uma página e entender o que leem. Não se sinta ofendido, não foi essa a minha intenção.
Você alude ao trecho: "Assim é que Bento (a ironia do nome!) trai o leitor desavisado, aquele que se fia nele, que fica no raso (ah! os leitores do Coelho!) através do perfeito jogo retórico em que o engendra." Veja bem, o verbo FICAR denota um estado de quem não o tinha, o atingiu e ali permaneceu. É desses leitores que eu falo!!!


Douglas 06/07/2013minha estante
Adorei a resenha. Só acho que sua descoberta prejudica quem não leu o livro, pra tentar descobrir sozinho quem é o traidor. Deveria ter sinalizado spoiler.


Marina 02/08/2013minha estante
Adorei sua resenha. Mas como uns disseram não se sabe ao certo o que de fato é o final. Mas mesmo assim gostei da sua hipótese sobre a traição. Parabéns! :)


Yasmine 10/08/2013minha estante
Francamente! Dom Casmurro é um livro para ser lido infinitas vezes.


Tanny 12/09/2013minha estante
esse livro realmente é uma obra prima perfeito! o melhor livro de todos os tempos!!!


Camila 09/11/2013minha estante
Excelente resenha!


Érick Ramos 20/11/2013minha estante
Estou lendo o livro e achando bastante interessante! Muito bom!


kellytchya 15/01/2014minha estante
Uau!!! garota, garota vc arrasou com essa resenha, é perfeita, parabéns!!!


Marcos Martins 12/04/2014minha estante
fantástico comentário, acho inclusive que por todo o livro compartilhei dele sem nunca tê-lo lido (o comentário). Ao amigo abaixo, Eduardo Azzolin ela não deu nenhum Spoiler, ela te deu um ponto de vista...


Gabi 18/04/2014minha estante
Não sei aonde esse Eduardo Azzolin encontrou spoiler nesse texto. E não sei aonde ele encontrou o direito pra chamar ela de idiota ;)


Dana 24/04/2014minha estante
Seu ponto de vista é fantástico, eu nunca tinha pensado nisso.... Se ponto de vista é sem palavras!!! AMEI, AMEI


Dana 24/04/2014minha estante
Seu ponto de vista é fantástico, eu nunca tinha pensado nisso.... Se ponto de vista é sem palavras!!! AMEI, AMEI
Mais é claro... Tudo faz sentido agora, o fato do filho dele se parecer com Escobar não muda nada, pois ele mesmo diz que eram muito parecidos quando criança


Rosa Santana 24/04/2014minha estante
Eduardo Azzolin, spoiler conta parte do texto; opinião de resenhista, é OPINIÃO DO RESENHISTA, é um ponto de vista que ele/a teve, ao ler o livro.
Agora, não é nada educado da sua parte chamar os outros de idiotas, né?


Fábio 29/04/2014minha estante
SPOILER
...
...
...
"Agora, por que é que nenhuma dessas caprichosas me fez esquecer a primeira amada do meu coração? Talvez porque nenhuma tinha os olhos de ressaca, nem os de cigana oblíqua e dissimulada. [...] Uma cousa fica, e é a suma das sumas, ou o resto dos restos, a saber, que a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me"

Pela visão de bentinho, você percebe que Capitu é sim dissimulada, e calculista sempre com segundas intenções. Escobar também não é tão amigo quanto aparenta ser.

Vamos aos fatos, Betinho é um personagem fraco, sem opinião própria, criado como filhinho da mamãe. Controlado na adolescência pelas vontades de Capitu. E já adulto, vive nas sombras de Escobar. É tão fraco de opinião que no começo do livro, ele só "percebe" que é apaixonado por Capitu quando escuta o agregado insinuar isso.

A meu ver, Capitu não traiu bentinho. Ele sim traiu ela e o amigo, eu explico. Antes da morte de Escobar, ele sente atração pela esposa do amigo, e logo em seguida vem a morto a morte do amigo, sentisse culpado pelos pensamentos impróprios. Como já disse, penso que ele vivia na sombra de Escobar, e não aguentou a perda do amigo, principalmente depois dos seus pensamentos. Acho eu, que ele surta com essa perca, e seu imaginário, projeta o amigo em seu filho (que quando pequeno gostava de imitar os jeitos dos outros). Para ele, é mais fácil pensar que os dois o traíram, do que ter a coragem de confessar sua própria traição.

Acho que Capitu não o traiu, ela é muito esperta é ardilosa (no ponto de vista do casmurro), mas também o amava. Não seria burra de trair o amor da infância (e sua melhor amiga) logo com o amigo dele.

Hoje, após terminar de ler, conversei com uma amiga sobre o livro, e escrevi minha opinião (essa acima pra ela) e agora ao entrar no skoob, deparei com essa resenha de que gostei muito.


Marcus 15/06/2014minha estante
Até que enfim alguém pra fugir dos clichês daqueles que só ouvem falar desse livro e percebe que a "traição de Capitu" não é o mistério a ser descoberto, como dizem. Muito boa a resenha!


Vanessa 29/06/2014minha estante
A melhor resenha já escrita sobre esse livro.


Limao 14/07/2014minha estante
Gostei muito da resenha, a li duas vezes: a primeira antes de ler o livro e a segunda após ler.
Assim me pareceu ter lido duas coisas diferentes, já que após a leitura do livro passei a ter minhas próprias ideias, e vim aqui conflitá-las com a resenha já lida.
Não costumo comentar, mas precisei, pois achei hilário os comentários abaixo reclamando ser um spoiler kkkkkkkkkk Não é preciso ler o livro para saber que é uma incógnita eterna se houve traição ou não, e que sempre haverão pessoas dizendo que sim, e outras contra. Portanto não importa a opinião do outro, quando é preciso ler para se tirar as próprias conclusões. Sem contar é claro que sua resenha não trata da traição entres os personagens...
Sempre me surpreendo, e repito o que já vem se tornando um clichê aqui: é impressionante, numa comunidade de leitura, a maioria das pessoas não ler as informações.


Edu 08/08/2014minha estante
Não acho que seja primeira necessidade dizer que Capitu traiu ou que não traiu Bento. Muito menos é possível dizer, de forma não literal como está na resenha acima, que Bento traiu o leitor. Todos contam sua história a partir do seu ponto de vista.
Pode-se questionar a honestidade do narrador, mas não exigir que este tenha outro ponto de vista que não o seu.

Sobre esta questão banal, acho que a traição ou não de Capitu foi uma graça de Machado de Assis. Em meio a uma obra marcada pela caracterização de Bento, ele inclui um capricho: uma dúvida eterna.
Não passa disso. E a vida é assim, sem certezas.

Quando terminei de ler o livro pensei: "Como seria bom ler a versão de Capitu". E só isso poderia, de fato, trazer luz a esta questão.

No mais, são suposições.

Rosa Santana fez boas observações, gostei bastante de sua análise. Só achei desnecessário cair no lugar comum de criticar quem lê Paulo Coelho. Não é um escritor brilhante, mas não deixa de ser digno por ter uma linguagem um pouco mais literal, menos dada aos simbolismos e longe de ser rebuscada. Se for o casso de compararmos com Machado de Assis, 90% da literatura mundial é medíocre. Não serve.


Gabriela 13/10/2014minha estante
SPOILER!

Sobre o comentário do "Fabin":

ABSOLUTAMENTE PERFEITA a sua fala!!!

Conseguiu transmitir exatamente a ideia que ainda não tinha conseguido expressar. Obrigada!

Desde o início já trazia em mente essa possibilidade. O fato de Ezequiel ter o hábito de imitar as pessoas próximas pode ter influenciado, nem que seja um pouco, nessa reação de Bentinho. E, por isso, o menino acabou sendo vítima desse "luto".

E, tanto faz sentido essa ideia que, se afirma pelo fato de que a todo momento ele cita a semelhança do menino com Escobar mas quase não cita a suposta traição (aliás, cita sim, mas não com a ênfase característica de um homem traído. E quanto finalmente toca nesse ponto com Capitu, a separação já é certa) e, quanto ao amigo, só é lembrado que ele também o "traiu" no finalzinho do livro ("...a minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me...").

Também acredito que Capitu não o traiu, até pq, em toda a narração da infância é explicitado o calculismo de Capitu, e se confrontarmos esse aspecto dela com algumas situações (em relação à semelhança entre Ezequiel e Escobar) anos depois veremos que a relação Capitu criança x Capitu adulta não se sustentaria. Se ela realmente tivesse traído Bentinho, jamais diria ao marido, em pleno jantar, que o filho lembra o outro homem (e meu lado boazinha grita dentro de mim que ela o amava).

Quanto a Escobar, acho sim que ele era um bom amigo.

(E uma pergunta: só eu tive a impressão de que, no início, Escobar tinha algum interesse na mãe de Bentinho? Rs)

Bom, é o que penso. Acho mesmo que Bentinho não conseguiu superar a morte do amigo, mas aceito opiniões opostas porque todas têm fortes argumentos para sustentá-las.

(E também pq ainda não consigo entender se a percepção de Bentinho em relação ao distanciamento que D. Glória toma de Ezequiel tem algum fundamento, ou se foi apenas um impressão equivocada, ou se a mãe realmente sabia de alguma coisa sobre Capitu e Escobar...)

De verdade, terminei o livro tem menos de 2 horas, ainda estou meio anestesiada com toda a história, mas meus primeiros pensamentos e conclusões foram compatíveis com as ideias do "Fabin" e com o que falei acima.


Thatyana 14/12/2014minha estante
Concordo em gênero,número e grau!
Parabéns pela resenha :D


Lord Cachimbus 22/12/2014minha estante
caramba, adorei sua resenha, você aprofundou em um ponto imperceptível da historia, algo que é ocultado do leitor, parabéns mesmo, talvez tenha sido esse o jogo do Machado, ele vem como um ilusionista, atrai nossa atenção para um ponto distante para não percebermos seus truques, ele nos faz voltar os olhos à Capitú e esquecermos de Bentinho.


Nat ☆ 14/01/2015minha estante
Gostaria de dizer primeiramente que amei sua resenha.
E concordo totalmente com os comentários do Fabin e da Gabriela. Eles transmitiram exatamente os meus pensamentos sobre esse livro que acabei de terminar há cerca de 20 minutos e precisei vir aqui correndo ver as opiniões alheias.

Não acho que Capitu traiu Bentinho, tendo em vista que lemos apenas o ponto de vista do próprio Bentinho que deixa bem claro algumas vezes que é ciumento, e bem, o que os olhos não vêem, a mente ciumenta inventa, certo?

Essa é a minha opinião, mas quanto a traição, o grande Machado levou essa resposta junto com ele.

Abraço amigos Xx


Jordan 27/05/2015minha estante
Ótima resenha!


Iris 02/02/2016minha estante
Muito boa a resenha. Confesso que não gostei do personagem se isolar e deixar na inocência de suas suspeitas o menino, que verdadeiramente o tinha como pai. Dom Casmurro mereceu terminar sozinho e rabugento.


Leticia 16/03/2016minha estante
Muito pretenciosa essa "resenha." Você analisa Bentinho como se ele fosse um enganador, mas nas entrelinhas do texto, nota-se que vc mesmo se acha superior demais, uma pessoa inteligentíssima que conseguiu desvendar o mistério (a comparação que faz com os leitores do coelho, haha, isso era mesmo necessário?). Isso só me faz crer que esse mistério realmente não tem solução, e me faz gostar ainda mais do livro. Bentinho podia sim ser um narcisista, mas isso não o impede de estar contando a verdade. A vida raramente é tão preto no branco.


Alves.Ruthinha 22/03/2016minha estante
Este livro dá uma angústia, ele sempre está desconfiado da Capitu e com ciúme doentio pela personagem nos deixa pensar que Capitu é a vilã, esperto esse Bentinho. Adorei a sua resenha, parabéns! Eu li, adoro essa obra de Machado de Assis como outras, e vou ler de novo. Ele nunca esclarece direito quem é a vítima e quem é culpado, acho que depende da imaginação ou do ponto de vista do leitor, deixa um mistério no ar.


Rosa Santana 13/09/2016minha estante
Alves.Rutinha, a boa literatura sempre trabalha com os mistérios.
Quanto mais nos fazem pensar sobre o problema deixado, mas ela se firma como obra de arte!


kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk 11/01/2017minha estante
Desculpe-me mas, por mais que explique..Foi arrogante e preconceituosa. Eu não aprecio Paulo Coelho (meu gosto particular) e o fato nem foi por este autor somente- que fica no raso, segundo suas palavras - mas pelo fato de achar que leitores de Paulo Coelho não poderão entender um Machado de Assis (mesmo que fale dos leitores que "param" no Paulo Coelho, o que acho bem improvável encontrar na vida uma pessoa que nasça, cresça e morra lendo apenas Paulo Coelho). Não tem desculpas. Antes alguém que leia Paulo Coelho diante de nada ler. Nada sabemos da vida, somos muito pequenos. Pena ver preconceitos entre leitores. Objetivo é refletir e não criar confusão. Att.


Rosa Santana 15/02/2017minha estante
Mei, e assim vamos indo: eu criticando os leitores do Coelho, vc me recriminando por criticá-los...
Mas, o melhor de tudo, (sic!), é vc se eximir e me taxar de preconceituosa!!
Ora, ora...

E se vc prefere que deem glória a um charlatão como paulo coelho, isso é com vc...
E, para terminar, transcrevendo do seu comentário: "Não tem desculpas"! Eu as pedi?
Ora, ora...


Bruno.Defaveri 23/03/2017minha estante
Me prendi muito no intuito de saber sobre a traição, que me perdi no sentido de "olhar" no livro o aspecto do Bentinho.
Mas, se do ponto de vista dele, ele próprio se denomina Casmurro, imagina se fosse contado por outro personagem do livro, exemplo ezequiel, o quão Bentinho seria mais carrancudo e triste.


Gabriel 09/04/2017minha estante
Não é Capitu quem trai. Não é Bentinho. É Machado. Esse sim, escreveu cada linha com o objetivo de dissimular. Assim como Bentinho, julgamos. Apontamos o dedo, ora para Capitu, ora para o casmurro. Mal percebemos que assim como ele não somos imparciais. Machado nos ganhou, mais uma vez. Somos bentinho. Apontamos, sempre.


Maria 24/05/2017minha estante
Excelente resenha!


Figueira de Meireles 09/06/2017minha estante
Cara, essa discussão é intrigante e controversa. Só o Assis poderia nos deixar com cem por cento de certeza. Mas, eu estou com você. Creio que o Bentinho é um personagem paranoico e inseguro, e se estivermos certos, a personagem Capitú passou por maus bocados. Porém, é certo que, levando-se em conta que é mencionado que o Ezequiel era cópia exata de Escobar(esse fato é no mínimo estranho), a discussão ganha vida e voltamos para a dúvida inicial. Eu não me arriscaria a afirmar com tanta certeza um ou outro ponto de vista!




Gláucia 06/12/2010

Dúvida eterna.
Li, reli e treli com o intuito de achar uma pista, um indício da traição de Capitu e conclui que talvez nem o próprio Machado de Assis tenha essa resposta.
A genialidade dessa obra reside justamente aí. O autor consegue satisfazer quem acredita e quem não acredita na traição, dando fortes argumentos e indícios para as duas conclusões. Impossível ter certeza.
Eu, particulamente, creio que Bentinho imaginou tudo. Quem pode saber?...
U.F. 24601 14/01/2011minha estante
Pensei que só eu tinha lido várias vezes tentando achar algo desapercebido, mas vejo que estamos no mesmo barco :p


Paulo Silas 12/02/2011minha estante
É verdade! Concordo plenamente:"A genialidade dessa obra reside justamente aí. O autor consegue satisfazer quem acredita e quem não acredita na traição" Tenho pra mim que este era o objetivo de Machado de Assis:provocar dúvida insanável! E até que é legal! Eufórico!


May 13/02/2011minha estante
Gláucia, era exatamente isso que M. de Assis queria. Por se tratar de uma obra pós-romancista, criticava toda aquela paixão avassaladora e todos os finais ou totalmente trágicos, ou totalmente felizes. A realidade (como é uma obra do realismo) é exatamente essa, Nada é totalmente trágico, e nada é totalmente feliz. A E com isso, continuaremos da dúvida eterna se Capitu traiu ou não Bentinho.


Alexandre 02/03/2011minha estante
Além disso, se não houvesse essa intriga, o livro terminaria com um ?felizes para sempre? antes do Capitulo ?A mão de Sancha?. Teria que acontecer alguma coisa.


Juliana 31/03/2011minha estante
Também acredito nessa hipótese do Bento ter criado tudo, pois o livro deixa bem claro como ele ciumento, mas o fato do Ezequiel, seu suposto filho, ser bem parecido com seu amigo Escobar era um fato que não era somente ele que via.


Matt 13/08/2011minha estante
Eu acho que ela traiou, por conta dos "Olhos de resaca" que ela joga em cima do defunto!! Na hora do velório, mas vai saber né?


Thaty Furtado 22/08/2011minha estante
Se traiu eu não sei, mas acho que o menino não era filho do Escobar, já que ele pensava casar a filha com o menino. Naquela época, (e hj também) não se via pecado tão grande quanto incesto; ele não falaria isso sabendo que os dois são filhos dele. A não ser q não soubesse, o que acho improvável


Karla 12/06/2012minha estante
Ah!Muito boa essa sua analise.De fato é de se deixar pensando,estou lendo e vou reler,quero tirar tudinho dele,cada detalhinho.Eis a pergunta que eu também fiquei,será que até o próprio Machado tinha a resposta?Em um dado capítulo o próprio Bentinho diz que sua imaginação é muito fértil,isso deixa a questionar.Bem,enfim,gostei do seu ponto de vista!


Gláucia 19/04/2013minha estante
Oi Vismael, tudo bem com vc?
Que tal acha sobre respeitar o espaço alheio? Em que passagem de minha resenha de Dom Casmurro vc viu me referir ao Paulo Coelho? Devo estar cega pois não achei essa passagem a qual vc se refere e vem armado de agressividade numa página que não é sua.


Dana 24/04/2014minha estante
Nossa eu amei, se for isso mesmo, acabou minha dor de cabeça!!!!!!, nossa seu ponto de vista é fantástico!


Deivi.Lucio 08/09/2019minha estante
Terminei de ler hoje e acredito que houve traição .....ele menciona que poderia ter tido outros filhos e pq não teve?(esterilidade).Capitu resolveu o problema da infertilidade dele com o amigo Escobar já que era o sonho de ambos....Com o passar dos anos ele começou a reparar em Ezequiel o jeito de comer,sorriso o jeito de virar os olhos e me parece que até a mãe dele percebeu porem nada comentou....agia de uma forma fria com a Capitu.




Inugami 23/07/2009

Eu levei esse daí pro lado pessoal.

ODIEI.

Li, reli, tresli, quadrili... Ouvi até o audiobook.
Vestibulando faz de tudo pra passar, né?

Machado de Assis tem o meu mérito porque esse livro é perfeitamente construido pra ninguém saber o que REALMENTE aconteceu. Por isso levou uma estrelinha a mais.

Só que pra mim, que decorei essa merda e não caiu NADA na prova de literatura, BENTINHO É UM CORNO E CAPITU É UMA PUTA
Camila 10/01/2012minha estante
Lendo comentários assim percebe-se quão bem você iria se tivesse caído a obra.


Danielle 17/06/2012minha estante
Concordo, Camila. Se isso é tudo o que você conseguiu tirar dessa obra que chega a ser um mito por sua perfeição, é porque não sabe realmente perceber a essência de palavras bem escritas, frases filosoficamente criadas e um mistério genial, o qual ninguém conseguiu decifrar depois de mais de um século.


Cinthia 17/06/2012minha estante
Por isso que eu não li na minha época de vestibulanda, só depois quando tive vontade. Não me arrependo. :)


andre 24/03/2013minha estante
O livro é monotono e superestimado pra quem nao gosta do genero, verdadeiro absurdo tentarem forçar as pessoas a lerem um livro pq é considerado um classico da literatura brasileira, tentando enfiar goela abaixo literatura como se isso fosse despertar o interesse do leitor. sou totalmente contra isso, somos obrigados a ler dom casmurro por ¨livre e espontanea pressão dos vestibulares¨ e acabamos traumatizados com literatura brasileira achando que todas sao tão monotonas quanto dom casmurro, triste isso,um verdadeiro repelente de jovens leitores que estao iniciando no mundo dos livros, se uma pessoa nao gosta do genero pode ser o melhor livro do mundo que ela nao vai gostar, sera que nao percebem isso? o mais engraçado sao os pseudointelectuais
(sem generalizar) que por gostarem do genero e por este ser um classico acham que todos tem a obrigação de gostar tbm, caso contrario é um ignorante/analfabeto/burro como citados em alguns comentarios...pra finalizar, nao quero tirar os meritos de machado de assis, mas Dom Casmurro É CHATO, MUITO CHATO!!


Natalia 02/10/2013minha estante
Mas como tem gente que não tem senso de humor mesmo kkkk
Meu caro, eu te entendo, fui forçada a engolir guela abaixo esse livro pela escola, e o povo fica tentando desvendar um "enigma" que sinceramente, aposto como nem Machado esta aí para isso, mas ok.



Yasmine 17/10/2013minha estante
kkkkkkkkkkk


kellytchya 15/01/2014minha estante
haha, pra quem leu tanto e chegou a essa conclusão, vc teve mesmo muita sorte de não ter caído nada na prova, rsrsrsrsrs


Limao 14/07/2014minha estante
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Te entendo perfeitamente!
É muito chato quando somos forçados a ler algo!
Ninguém é obrigado a gostar do livro, eu achei monótono.
Como aluna eu entendo como é ruim ler os livros impostos, mas como futura professora eu sei da importância de se "obrigar" a leitura. Se a vida me permitir jamais iniciarei meus alunos com obras clássicas, elas são chatas e exigem experiência do leitor. Mas meus alunos terão de ler, nem que eu invente níveis de dificuldade literária rsrsrs


Dean Tarik 27/02/2015minha estante
KKKKKKKKKKKKKKKKKK


Eduardo Ramos 26/07/2017minha estante
Acabei de ler e acho o mesmo. Tomou uma bola nas costas linda. O moleque era a cara do Escobar! rs




Renata CCS 02/02/2013

Ciúmes, traição e muitas leituras possíveis
DOM CASMURRO é um clássico da literatura brasileira, conhecido mesmo por aqueles que não leram o livro. Com uma trama envolvente e misteriosa, o livro é considerado a obra mais reverenciada de Machado de Assis e um dos mais aclamados da literatura nacional. A complexidade de sua narração e de sua história o tornam um grande mistério até hoje. Afinal, Capitu traia ou não Bentinho? A história se baseia no romance entre Bento e Capitu e num possível romance entre Capitu e Escobar, melhor amigo de Bentinho. Tudo o que sabemos deste suposto triângulo amoroso é através da visão de Bento, que é o narrador da história, e esse fato faz com que não seja possível saber se a traição ocorreu ou não. O enredo começa no ano de 1857, na rua de Mata-Cavalos, quando Bentinho, com 15 anos, se apaixona por sua vizinha adolescente e grande amiga Capitu. Devido a uma promessa feita por Dona Glória, a mãe de Bento, os dois acabam separando-se. Ao perder o primeiro filho, a mãe prometeu que se tivesse outro filho homem, ele seguiria carreira religiosa. Bento, mesmo contrariado, foi mandado para um seminário. Lá ele conhece Escobar, também seminarista e que vem a tornar-se seu melhor amigo e futuro marido de Sacha, a melhor amiga de Capitu. A desconfiança de Bentinho se inicia quando Escobar morre devido à reação de Capitu no velório do amigo. A partir desse momento começa a paranoia: ele nota que seu filho se parece muito com Escobar e que já havia encontrado o amigo e a esposa algumas vezes sozinhos em sua casa. Deste momento em diante o ciúme e as suspeitas de traição só crescem. A narração feita por Bentinho pode ser considerada questionável: ele tenta convencer a si mesmo e ao leitor de que suas suspeitas são válidas. Mas o livro também nos fornece material para duvidar do narrador. Quando li o livro pela primeira vez, na adolescência, cheguei à conclusão de que Capitu tinha traído Bentinho. Entretanto, ao ler novamente anos depois, já tive uma visão completamente diferente de Capitu. Apesar de achá-la dissimulada e muito mais inteligente do que aparenta, agora acho que ela não traiu Bentinho. Trata-se de um romance sobre o ciúme, não sobre traição. O interessante da obra é sua capacidade de enganar: a possível inocência de Capitu permaneceu despercebida durante tanto tempo porque se acreditava que o que estava escrito era o real e esqueciam que era apenas a visão de um dos personagens. DOM CASMURRO É envolvente, misterioso, único e brilhante! É uma obra que deve ser lida por todos.
Aline 08/05/2013minha estante
Quando você é ciumento e ler um livro como esse, você de questiona se todas as vezes em que você sentiu ciúmes foi real ou loucura.


Renata CCS 13/05/2013minha estante
Aline, interessante a sua observação. Muitos leitores criticam a atitude de Bentinho, mas não sabemos se agiríamos da mesma forma se estivéssemos na mesma situação.


Limao 14/07/2014minha estante
Concordo com você Aline. Ou a pessoa ciumenta passa a concordar com Bentinho e dar razão aos questionamentos dele


Mariana Cardoso 15/01/2016minha estante
Dom Casmurro é um dos livros na minha estante que eu conhecia "de cabo a rabo" sem jamais ter lido. Mesmo sabendo dos encontros e desencontros que me esperavam, era incapaz de imaginar o sabor das minúcias da narrativa de Machadão nesta fase (estava mais acostumada ao escritor de Helena, que insiste em morar no meu coração).
E uma pergunta agora me atormenta mais do que a dúvida da traição de Capitu: por que não li Dom Casmurro antes? :) Ótima resenha, Renata!
(E olha, minha vontade é que dona Capitolina tenha metido um par de chifres bem bonitos na cabeça do doutor Santiago. Ô, entojo!)




Brutal 11/05/2010

Critica (ao skoob)
Para Dom Casmurro não tenho comentários.
Mas fico indignado quando olho para suas avaliações.
São quase 200 avaliações em ruim (1 estrela).
xD
Eláia... "Brazil" que não sabe prestigiar seus próprios mestres.
Aline Gomes 27/05/2010minha estante
Concordo plenamente com vc! Para esse povo só Meg Cabot e Stephenie Meyer são boas escritoras(eu adoro os livros delas, mas não são os melhores do mundo!)

Pra mim que estudo Letras isso é lamentável...Tem duas pessoas que votaram no tag "Chato"!



Dom Casmurro é a obra-prima de Machado de Assis! Nem tem palavras pra descrever


Aline R. 06/06/2010minha estante
A crítica não seria ao Skoob, e sim aos "skoobers".


camila 06/07/2010minha estante
O fato me indigna mas não me impressiona. Não é de se esperar que uma maioria nacional analfabeta funcional aprecie um livro que pode ser de entendimento mais complexo.


maevsi 11/05/2012minha estante
Não apenas aos skoobers, mas aos brasileiros em si que ignoram uma obra tão linda como Dom Casmurro. Que leiam Stephenie Meyer, J. K. Rowling, Rick Riordan, mas não esqueçam de ler as obras primas, os escritores que se tornaram lendas.

Machado de Assis é comparado a Shakespeare e Camões, e é brasileiro!! E o pior de tudo isso é q o ignoramos!! Hj muitos preferem ficar lendo resumos para o vestibular ao invés de se dignar algumas poucas horas da sua vida para ler um livro q considero muito pequeno e uma obra prima brasileira.

Somos uma sociedade de idiotas.

Concordo com todos os comentários abaixo...


Cinthia 17/06/2012minha estante
Ah gente, pelo amor de Deus, gosto é gosto. Eu leio todos esses autores que foram considerados ruins aí embaixo, e adoro Dom Casmurro do mesmo jeito. A diferença tá no gosto pela leitura, uns tem, outros não. Simplesmente leem algo só porque tá na moda ou porque são obrigados (vide vestibulandos), aí é complicado mesmo conseguir apreciar um clássico. Acho inclusive que as pessoas deviam tirar seu próprio tempo pra ler um livro desse, alcançar a maturidade necessária primeiro. A educação primária e secundária no Brasil também peca muito na iniciação de seus alunos na leitura. Enfim, fazer o quê... Pior seria se a maioria das avaliações não fosse de 5 estrelas (como de fato é).


Ju ALivreira 28/06/2013minha estante
Brasileiro é além de hipócrita, um mal educado que não sabe e nem teve o costume de ler. Daí querer ler somente os livros de fora e mal pegar numa obra-prima brasileira.
Se soubessem as raridades que temos!
Nenhum escritor já inventou um mistério de mais de séculos que até hoje nenhum mestre conseguiu desvendar! Mais uma das genialidades de Machado. ;)


Natalia 02/10/2013minha estante
Então quer dizer, que para sermos considerados de bom gosto literário, temos todos que apreciar as mesmas obras? Ou ainda, que somos obrigados a admirar as obras brasileiras apenas pelo fato de serem brasileiras? Não concordo. Eu particularmente, gostei de Dom Casmurro, e apesar de ter gerado um "enigma" que nenhum "mestre" conseguiu desvendar, o resto é pura encheção de linguiça, o tem de genial em 90% do livro? Acho Machado de Assis um bom escritor, gostei dessa obra, o que não me faz apontar o dedo para quem não gostou e criticar. Sou contra quem lê por modinha, mas não generalize, gostos literários não se discutem.


Tamiris 19/11/2016minha estante
me poupe! não é pq o livro é um clássico que deve agradar a todos
gostos são singulares




almeida 25/07/2012

Viva Machado!
Dom Casmurro é meu livro favorito. E sempre que eu digo isso algum pseudo-cult me pergunta “ah, então qual a sua opinião sobre Capitu? Traiu ou não?”. Invariavelmente gera-se uma discussão, pois acho que sou a única pessoa na face da Terra que acredita que Capitu era uma sem vergonha.

Invariavelmente eu apresento argumentos que desmontam completamente qualquer teoria da pessoa, e invariavelmente a discussão termina-se com a pessoa me ignorando. Pois bem, visto que hoje é dia do Escritor, homenagearei o maior escritor de todos os tempos com um texto sobre sua maior obra.

Capitu traiu Bentinho.

I mean, é o que o narrador diz, e eu acho inconcebível você negar o que um narrador diz.

Pra mim, é a mesma coisa de dizer que não, o Harry Potter nunca foi pra Hogwarts, na real o Harry Potter é um esquizofrênico que ficava tendo ilusões embaixo da escada dos tios. Se o narrador tá dizendo e você se propôs a entrar no universo de um livro, porra, aquela é a verdade! Capitu é safada por que Bentinho assim disse! Qual o sentido de contestar o que é dito com todas as palavras pelo narrador que te acompanha desde o princípio? Narrador esse que te mostra passo a passo todos os ocorridos que o fizeram chegar nessa constatação?

O Machado explorava os personagens profundamente. Lembro muito de Memórias Póstumas, quando o Brás Cubas diz “eu gostava dela, mas ela era coxa, então nada podíamos ter”. Isso, pra mim, fala bastante sobre o estilo Machadiano. Não por causa de ser direto – muito pelo contrário, o Machado era sempre subjetivo e raramente direto assim -, mas pelo fato de que o Machado sempre criava personagens profundos. São pessoas comuns, que poderiam ser eu ou tu, mas que o autor dá tamanha profundidade aos sentimentos e pensamentos que fazem com que cada um torne-se único. E o Machado, no decorrer do livro, faz você conhecer até o mais profundo e obscuro sentimento dessa pessoa, aquela opinião que tu guarda tão escondida que tu mal percebe que a tem, e aí entra a questão do “eu gostava dela, mas ela era coxa”.

Nós conhecemos os personagens do Machado tão profundamente quanto eles mesmos. E, conhecendo Bentinho, pela minha interpretação, por ter lido Dom Casmurro 3 vezes, eu chego às minhas conclusões.

Eu as baseio na história inteira, mas tenho dois pontos que acho primordiais:

a) Bentinho não era ESQUIZOFRÊNICO, ele apenas tinha uns devaneios. I mean, ele por vezes ouvia vozes, como “tu serás feliz, Bentinho”, mas não significa que ele vai destruir um casamento por causa de um devaneio de insanidade. Até por que ele não chegou à conclusão de que Capitu o traíra de um dia pro outro. Foram vários anos, vendo a proximidade dela com Escobar, vendo o filho dele crescer e se parecer com o amigo e tal. Foram diversos fatores que somaram a um denominador comum. Não creio que ele tenha conseguido viver em um mundo completamente imaginário por tanto tempo, afinal, ele era uma pessoa comum, um advogado respeitado, plenamente aceito em sociedade. Não dá pra ser completamente insano e ter uma vida assim!

b) A resignação de Capitu.

“Capitu, tu me traíste!” “Ok, Bentinho, não vou discutir contigo” “Mas, mas…” “Ok, ó, vou ali na igreja, quando eu voltar a gente se separa, blz? Fmz então, abs é nóix”

É tudo uma forma de interpretação. Até por que o Bentinho raramente dizia que Capitu o traiu com todas as palavras. Deve ter dito umas duas vezes, apenas. Mas durante toda a história ele dá sinais de que Capitu era meio assanhada. Não só Bentinho, mas o próprio agregado já dizia isso. Inclusive, o primeiro diálogo do livro é justamente o agregado falando mal dos costumes de Capitu e “daquela gente do Pádua”.

E Machado fazia muito isso – pelas entrelinhas, pelas minúcias, pelas coisas subentendidas, passar a ideia.

Por fim, creio que ela ter traído não era NEM DE LONGE o que Machado queria que nós estivéssemos discutindo aqui. Em fato, acho uma grande falta de profundidade literária discutir se ela traiu ou não. Até por que Capitu foi apenas mais uma perda na vida de Bentinho. O Machado, em Dom Casmurro, queria mesmo é ilustrar o sentimento mais mórbido e nauseante que alguém pode sentir em vida – a solidão. A melancolia. O desapego.

Na vida dele houve pessoas muito importantes e Capitu foi apenas mais uma delas. Houve sua mãe, houve Escobar, houve o agregado, houve diversos. E cada um vai sumindo, um a um.

A grande ironia é que ninguém para pra se perguntar “Ué, Escobar realmente se afogou? Ué, a mãe dele morreu de doença ou de velhice?”. E ninguém pergunta isso por que é CLARAMENTE OBSOLETO. Saber isso não muda a ideia principal – era uma parte da vida de Bentinho o deixando.

Da mesma forma é Capitu. Trair ou não, não muda o fato de que contribuiu para uma vida plenamente destruída de Bentinho, e é a isso que Machado se referia. Imagino que ele ficasse indignado das pessoas não perceberem isso. Tanto que, assistindo à série, na última cena, não fica-se triste por vê-lo chorando. Fica-se triste por ver as pessoas indo embora, uma a uma, e restando apenas Bentinho em uma sala grande e vazia.

Enfim, esse livro é uma obra de arte. Da mesma forma como não se pode dizer que Mona Lisa está sorrindo, não se pode tomar uma conclusão sobre Dom Casmurro. São tudo hipóteses, opiniões, interpretações. Nos resta apenas prestigiar a maior história, feita pelo maior escritor do mundo.
Luane 30/10/2012minha estante























"Pra mim, é a mesma coisa de dizer que não, o Harry Potter nunca foi pra Hogwarts, na real o Harry Potter é um esquizofrênico que ficava tendo ilusões embaixo da escada dos tios. Se o narrador tá dizendo e você se propôs a entrar no universo de um livro, porra, aquela é a verdade!" Sinto muito, mas J.K. mesmo disse que havia a possibilidade de Harry ser um louco que imaginou tudo aquilo enquanto estava no armário debaixo da escada.








203,3


Marta 08/10/2013minha estante
Aquele momento em que você é obrigada a ler Dom casmurro de novo ! Muito bom cara mudou completamente minha visão




Mayra 05/05/2010

Capitu NÃO traiu Bentinho
Em um livro onde só sabemos da história pelos olhos de um único personagem é difícil tirar conclusões concretas, historias narradas em primeira pessoa podem ser tanto verídicas como inventadas. Porem Machado de Assis é um verdadeiro mestre é preciso acreditar que este gênio não fez uma história como tantas outras de sua época onde a mulher é sempre o pecado e a ruína do homem. Não podemos acreditar que Machado de Assis pensasse como os demais. Se pensava talvez não fosse a pessoa em que acreditamos que era.

Bento Santiago é considerado por alguns autores o personagem mais complexo do romance “Dom Casmurro”. Pois é analisado com vários traços psicológicos no decorrer da obra. Muitos leitores enxergam o romance pelos olhos do narrador mais para acreditar nos argumentos apresentados pela defesa precisaram ir alem dessa visão machista e preconceituosa expressa por Bentinho. Vale lembrar que ele era advogado e qualquer advogado pode facilmente defender uma causa e quando fazem isso jogam todos os pontos a seu favor para que todos acreditem facilmente. Em sua infância vive um grande dilema com a promessa feita por sua mãe de colocá-lo no seminário. O personagem possui uma grande insegurança psicológica e entre elas podemos citar o comportamento exagerado ao bem próprio, o egoísmo invade sua mente, obcecado para sair do seminário e ficar com Capitu, chega a desejar a morte de sua própria mãe, pois assim ficaria livre da promessa.
“... O terror me segredou ao coração, não estas palavras, pois nada articulou parecido com palavras, mais uma idéia que poderia ser traduzida por elas:”mamãe defunta, acaba o seminário...”

Outra grande característica de Bentinho que é fundamental pra a defesa de Capitu é o ciúme exagerado que ele sente por tal, o que lhe trazia insegurança e desconfiança. Como qualquer pessoa ciumenta, imagina situações que muitas vezes não são verdadeiras. Podemos citar ainda um estudo sobre o sobrenome de Bentinho, Santiago = Santo Iago, aludindo ao Iago de Otelo que é o símbolo de ciúme.
“...cheguei a ter ciúmes de tudo e de todos. Um vizinho, um par de valsa, qualquer homem moço ou maduro me enchia de terror ou de desconfiança...”

Apontamos dois episódios que são usados contra Capitu para comprovar o temperamento delirante de Bentinho. O primeiro é o capítulo CXIII – Embargo de terceiro. Aqui, Bentinho chega mais cedo de uma apresentação teatral, “voltei no fim do primeiro ato”, e encontra Escobar em sua casa. Está embaraçado, o que pode ser observado no diálogo titubeante. Capitu, que não acompanhou o marido por dizer-se indisposta, está fora da cama (e se estivesse na cama?) e bem de saúde. O outro capítulo é o de número CXXIII – Olhos de ressaca. Nele, durante o enterro de Escobar, Capitu “olhou alguns instantes para o cadáver tão fixa, tão apaixonadamente fixa”, que deu para o marido a certeza de que algo não estava certo. Situações suspeitas, sem dúvida mais afinal, por que um amigo íntimo não pode visitar a casa de seu confrade em um horário pretensamente impróprio? O que impede uma mulher de bom coração chorar a morte de um amigo da família? Todos estavam chorando e sofrendo e apenas as lágrimas de Capitu é que são repreensíveis? Ela também era amiga do Escobar e da viúva, assim como Bento. Nada. Ademais, não me parece plausível que os supostos adúlteros se encontrassem na casa de Bentinho. Os empregados falam demais. Os vizinhos são atentos. Haveria de ter hora e lugar mais apropriado.

Alguns leitores, e adeptos a traição de Capitu afirmam que tal personagem é boa com desculpas e podia enganar a qualquer um facilmente. Embora seja comprovada a facilidade de Capitu na hora de despistar atenções como presenciamos em sua atuação com relação ao pai nos capítulos de introdutórios não podemos acusá-la de enganar a Bentinho, pois ela mesma afirma em trechos do livro que odeia segredos entre os dois. Alem de que em momento algum se mostrou atraída por Escobar ou encurralada a ponto de precisar inventar desculpas para Bentinho.

Um ponto marcante e talvez o principal indicio de acusação contra Capitu é o fato de Ezequiel parecer-se com Escobar. Antes de tudo fica uma pergunta pra a acusação: Que outro personagem do livro, além do alucinado e louco de ciúmes Bentinho vê a aparência ‘física’ entre tais personagens? Pode ser apenas uma impressão de um velho amargo corroído pelo ciúme há anos. Em dado momento da obra, Bento perante a um retrato da mãe de Sancha fala da semelhança daquela com Capitu, mesmo não havendo nenhum parentesco entre elas o que mostra que mesmo que Ezequiel fosse parecido com Escobar isso não seria necessariamente a prova de uma traição.

Vendo as semelhanças comportamentais citadas pela própria Capitu no capitulo 131 é mais claro ainda ver que ela não cometeu um adultério, agindo com tanta inocência que chega a citar para bentinho as imitações do filho. Qual a mulher que trai e expõe de tal maneira essa traição? Alem do mais se baseando em pesquisas psicológicas podemos afirmar que no desenvolvimento da criança a imitação dos mais velhos desempenha um papel de primordial importância. E a aproximação que as famílias tinham pode ter gerado em Ezequiel tais imitações que foram inclusive aprovadas pelo próprio Bentinho no inicio do capitulo 112, pois ele aceita tais imitações enquanto Capitu adverte e reclama do vicio do filho.

Alem do mais todos aqui sabemos que para haver traição não é necessária que ela seja física, então como Bentinho explica o fato de ter traído Capitu em pensamentos com Sancha?
“...não havia jeito de esquecer a mãe de Sancha nem os olhares que trocamos...”
“...Uma sensação me correu todo o corpo...”

Outro ponto interessante e talvez imperceptível em uma primeira leitura é uma possível relação afetiva entre Bentinho e Escobar. Uma vez que trocam expressões e gestos ternos e afetuosos, por vezes demoradamente, reparem:
“...não fitava de rosto, não falava claro nem seguido: as mãos não apertavam as outra, nem se deixavam apertar deles, porque os dedos, eram delgados e curtos, quando a gente cultiva tê-los entre os seus...”
“...Quando ele entrou na minha intimidade pedia-me freqüentemente explicações e repetições miúdas[...]Eu, seduzidos pelas palavras dele, estive quase a contar-lhe logo, logo, a minha história. A principio fui tímido mais ele fez-se entretanto na minha confiança...”
“Os padres gostavam de mim, os rapazes também, e Escobar mais que os rapazes e os padres”
“... quando voltei ao seminário, na quarta-feira, achei-o inquieto; Disse-me que era a sua intenção ir ver-me, se eu demorasse mais um dia em casa”.


Bentinho durante todo o livro dá muito enfoque ao olhar de Capitu:
“são olhos que puxam, que carregam o homem, é mesmo como a onda do mar. É uma força semelhante a do mar, são olhos em que você se perde, se afoga, te sufocam.”
E talvez essa seja uma das grandes paranóias dele que se perdeu nos olhos de Capitu e provavelmente pensava que todos iam se perder como ele. Talvez ele pensasse que ela produzia esse efeito sobre os homens, de propósito. Mais esse é um dos maiores enigmas da história da literatura do Brasil: Capitu traiu ou não Bentinho?
Para nós esta claro que não, mais vai saber. E como já disse Maitê Proença: “Isso é ficção! Estamos há 100 anos, discutindo ficção. Esse é o poder de Machado. Ou serão dos olhos de ressaca?”
Cristiane 18/06/2012minha estante
Adorei sua análise. Brilhante! Mas eu tive uma dúvida a favor de Bentinho: Se Capitu não conseguia engravidar, por que, do nada, ela apareceu grávida? Será que Bentinho era estéril e Escobar, por amor ao amigo, resolveu dar um filho para ele através de Capitu?
Essa questão da homossexualidade também me deixou confusa. Bentinho e Escobar pareciam ter intimidade demais! Mistério eterno!




Rafa.! 14/01/2009

É incrivel o que machado faz nesse livro. Toda a analise psicologica do autor, com as paranoias, o ciume obsessivo de Bento e sua incrivel imaginacao nao sao capazes de provar a inocencia de Capitu. Machado para mim eh primeiro um psicologo depois um escritor.
Lezinha 16/01/2009minha estante
EU SOU SUSPEITA PRA FALAR DESSA OBRA, FOI BASEADA NELA QUE ESCREVI MINHA PRIMEIRA MONOGRAFIA... É EMPOLGANTE, ENVOLVENTE, FAZ O LEITOR PENSAR... IMAGINAR... JULGAR... MESMO POSSUINDO APENAS O PONTO DE VISTA DO NARRADOR... MARAVILHOSO!!!




Daniel 04/07/2012

O melhor
Publicado pela primeira vez há mais de um século, permanece como a obra prima da literatura brasileira.
Simples assim.
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Humberto 14/02/2010

O desenrolar da trama proca sono, o protagonista não é dos mais carismáticos. Na minha opinião um dos livros mais superestimados da literatura brasileira.
Larissa Pinto 18/01/2011minha estante
Resenha simples e descreve tudo que se precisa saber do livro!!!




Andreia Santana 15/10/2011

Capitu revisitada
Sempre é tempo de rever Capitu, a heroína do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. Menina de “olhos de cigana oblíqua e dissimulada” que habita em cada mulher. Eis a beleza e o segredo da eterna juventude de Capitu.

Independente do juízo de valor que alguns possam fazer – Capitu foi parar até nos tribunais e nem assim chegaram ao veredicto da sua culpa ou inocência -a verdade é que Machado de Assis, apesar da misoginia típica de um homem do século XIX, avançou no tempo e descreveu uma mulher que viveria confortavelmente no nosso mundo.

Para os homens que leem Dom Casmurro ainda com ecos do século XIX no pensamento, Capitu será eternamente a adúltera. Para nós, mulheres, ela sempre foi inocente, tanto quanto Desdemona. O ciúme corrompeu o pouco de juízo que ainda restava em Bentinho, que desde a meninice revelava um certo desatino.

Capitu é um espírito livre, uma mulher que, apesar da dúvida que paira sobre sua reputação, não perde a dignidade. Quantas agruras as mulheres enfrentam no dia-a-dia sem descer do salto? Quantas vezes lançamos mão da sagacidade do pensamento de Capitu?

Machado de Assis foi incapaz de tecer para ela um destino sólido. Preferiu a obra aberta, o final em suspenso, uma história que é um verdadeiro exemplo de hipertextualidade, para usar um termo bem na moda.

O leitor de Dom Casmurro escolhe o final, escolhe que caminhos percorrer ao longo do texto. Se através dos olhos passionais de Bentinho ou do encanto da personagem principal, sim, porque ninguém duvida que Capitu é a personagem principal desta história de amor e ciúmes.

Machado de Assis, como todo visionário, nos deu um presente que talvez só seja compreendido em importância e delicadeza muitos séculos depois da sua morte.

Capitu, seja na brejeirice da infância ou no equilíbrio da vida adulta, é o espelho por onde nós nos miramos ao menos em algum momento de nossas existências.
comentários(0)comente



Ren@t@ 23/01/2014

Dom Casmurro é bastante verossímil, já que apresenta a sociedade brasileira do século XIX e seus costumes. Mostra o amor, através dos olhos de um adolescente, mostra o jogo de interesses no cumprimento de promessas, os interesses sociais que cercam a vida eclesiástica. Dom Casmurro, um excelente livro, elegante e ao mesmo tempo de prazerosa leitura, que nos envolve do começo ao fim, incumbindo o leitor de tirar suas próprias conclusões, no melhor estilo machadiano.

Se houve ou não adultério, pouco importa ou acrescentará ao livro. Ele se basta pelo que diz da trágica experiência amorosa de um homem. Pelo sofrimento que faz sofrer. Por esta razão, publicado na virada do século XIX, permanece vivo e continua a despertar o interesse e a paixão de tanta gente!
Aline 24/01/2014minha estante
Amo Machado, para mim uma das melhores obras dele.




victor lopes 29/08/2018

Alguns pontos sobre o livro:

1 - Bentinho e Escobar não são héteros;
2 - Quero uma história entre Bentinho e Escobar no seminário;
3 - Apesar de não ser hétero, Bentinho tem atitudes de homem hétero, portanto é o famoso boy lixo;
4 - Capitu não traiu Bentinho.

Fim.
Arthur 29/08/2018minha estante
Melhor resenha que já li na minha vida


victor lopes 29/08/2018minha estante
kkkkkk Veio do fundo da minha alma


Arcan 01/09/2018minha estante
Lembrando que isso é somente sua interpretação.


victor lopes 01/09/2018minha estante
Eu escrevi a resenha, portanto é a minha interpretação, é claro.


LílianRoberta 01/09/2018minha estante
BERROOOOO
Agora quero ler mais ainda ahsuahuahs


Lana 02/09/2018minha estante
TOTAL!!!!!!!


Ana Gabriela 03/09/2018minha estante
Hahahahah sensacional


Tamires.Isis 10/09/2018minha estante
Não traiu mesmo. Ele é que era um louco.


lee 26/09/2018minha estante
Resolvi ler pq vi essa teoria e claramente concordo com ela agora.


Derby 18/10/2018minha estante
É o melhor entendimento da história até agora kkkk




Nathy B.W. 03/08/2009

Dom Casmurro?! Não, não dá!
Odeio abandonar livros, mas esse é simplesmente horrível demais para ser lido.
Eu juro que tentei... comecei umas 4 ou 5 vezes, mas nunca consegui passar do terceiro capítulo.
Amo ler, mas esse nem o fato de ser "super importante para o vestibular" me deu coragem suficiente.
OBS: Não foi nem um pouco necessário, passei no vestibular mesmo sem ter lido! =P
-Shadowcat- 09/08/2010minha estante
Bem, esse é o típico livro que a maioria das pessoas odeiam quando são adolescentes e amam quando adultas. Comigo não foi diferente, odiei ao 17, amei aos 25. Quem sabe algum dia você aprecie a densidade psicológica e o cinismo típico de Machado.


Larissa Pinto 18/01/2011minha estante
Esse é o tipo de livro que qualquer um abandona, não importa a idade...


May 13/02/2011minha estante
a questão não é ler somente pra vestibular. Você tem que estar na história, tenho 16 anos, li o livro pensando no vestibular do ano que vem, ams também por que pode vir a ser uma leitura interessante. A leitura é um pouco cansativa devido ao uso das palavras, e por ser uma obra realista, mas é ótima quando você continua a ler!


Débora 13/09/2012minha estante
Amei aos 18, amarei aos 50.


Jacy 08/03/2013minha estante
Amei aos 18, amarei aos 50. [2]




Breno Melo 18/09/2011

Dom Casmurro e o transtorno de personalidade paranoide

A maioria das resenhas deste romance de Machado nos fala de um Bentinho jovem que se apaixona por sua amiga Capitu, com a qual vem a casar e a ter um filho. O ciúme de Bentinho por Capitu nasce depois.

A maioria das cenas do romance, além do mais, nos mostra um Bentinho criança (Cap. VI, § 4°) ou jovem (quase todas), de modo que a maioria dos leitores fica com essa imagem do protagonista. Tenhamos em mente, entretanto, que é um Bentinho já velho e solitário quem narra todo o romance, ou seja, o narrador é um velho que rememora sua vida desde a infância. Se vemos a criança e o jovem que Bentinho foi, não é senão através da visão desse Bentinho já idoso.

"O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência." (Cap. II, § 3°.)

Como se trata de um romance psicológico, a trama fica em segundo plano. Seja como for, em um primeiro momento, ela se resume a este conflito: De um lado temos a mãe de Bentinho que havia prometido ordená-lo padre, e de outro lado temos o amor de Bentinho que ia crescendo por sua amiga de infância e vizinha Capitu. No fim das contas, esse conflito chega ao fim com o abandono do seminário por Bentinho, sua formatura como advogado e seu casamento com a amiga e vizinha.

Escobar, amigo de Bentinho, também abandona o seminário e se casa com Sancha, amiga, "quase irmã" de Capitu. Eis aí o belo e simples artifício de Machado para pô-los todos juntos ou próximos: Escobar, Bentinho, Capitu e Sancha. Dos quatro, Sancha é a que menos aparece na narrativa, ainda que sua função, na trama, seja muito importante.

A partir de certo momento, como eu havia dito, nasce o ciúme de Bentinho e começa o segundo conflito da trama. De um lado, temos um Bentinho que acredita na infidelidade de Capitu, e de outro lado temos seu esforço em buscar elementos que lhe permitam chegar à conclusão de que Capitu lhe foi infiel pelo menos uma vez, mas ele não reúne elementos suficientes e a história chega ao fim. Alguns (os mais ingênuos) dirão que a história chega ao fim sem que tenha sido devidamente concluída, porque ficamos sem saber se houve adultério. O que alguns não percebem é que a história chega ao fim justamente quando Machado alcança seu objetivo. É o que explicarei mais adiante.

Especialistas no assunto dizem (ou costumavam dizer) que Bentinho, por ser advogado, teria atributos intelectuais suficientes para convencer o leitor de que Capitu era infiel. Custa-me crer que por muito tempo os especialistas no assunto acreditaram nessa hipótese. Se Bentinho realmente fosse o excelente advogado que pensamos, ele teria convencido o leitor e não haveria dúvidas sobre Capitu. Mas o que aconteceu foi justamente o contrário: ficou a dúvida, e a dúvida beneficia o acusado. In dubbio pro reo (em caso de dúvida, absolve-se o réu); os bons e até os maus advogados sabem disso. Desse modo, se vemos a narrativa feita por Bentinho como as palavras de um advogado que quer vencer uma causa, poderíamos dizer que Bentinho nem foi padre nem chegou a ser um bom advogado...

O que poucas pessoas talvez entendam é isto: Dom Casmurro é um romance psicológico, um gênero em que o objetivo do autor é retratar a personalidade do protagonista. E aqui deveríamos fazer distinção entre o conceito de narrador e o de autor.

O bjetivo de Bentinho, narrador, era reunir elementos suficientes para concluir que sua amiga de infância o traiu com seu amigo de seminário, Escobar. Mas e o objetivo de Machado, autor? Este, como já disse, era retratar a personalidade do protagonista. Lembremos, além do mais, que um romance psicológico no XIX era, via de regra, uma soma de Literatura, Psicologia e Poesia. A publicação de Dom data de 1900.

Antes de passarmos adiante, para que entendamos melhor o que é retratrar uma personalidade, tenhamos em mente a cena em que Bentinho oferece bolas de carne a um cachorro e desiste. É exatamente a mesma ação que vemos naquela cena em que ele oferece café ao filho e desiste. As situações são semelhantes, as atitudes ao fim e ao cabo são iguais (há o planejamento, a preparação, a tentativa e a desistência), e ambas as cenas têm o mesmo objetivo.

Os retratos analisados por Bentinho (o da mulher de Gurgel e o de Escobar) também querem nos dizer algo; eles não entram na história a passeio... mas o importante, diferentemente do que muitos pensam, é a maneira como Bentinho os analisa e, não, a questão da semelhança... Ele reconhece que a mulher de Gurgel e Capitu se parecem no físico e especialmente no gênio, e ele não pensará coisa muito diferente ao comparar Escobar e Ezequiel... Agora, sim, passemos adiante.

Para os que conhecem o transtorno de personalidade paranoide, temos um Bentinho paranoico ou possivelmente paranoico quando ele rememora sua vida em busca de provas da infidelidade de Capitu. Seu ciúme ou desconfiança nasce a partir de certo momento de sua vida, mas, relembrando-a, ele busca sinais da infidelidade a partir de um momento anterior ao do nascimento da desconfiança.

"Mas eu creio que não, e tu concordarás comigo; se lembras bem da Capitu menina, hás de reconhecer que uma estava dentro da outra, como a fruta dentro da casca." (Cap. CXLVIII, § 1°.)

Se Bentinho sofria de tal transtorno e se sua paranoia era a infidelidade de Capitu, significa que ele nunca se contentaria em concluir que a esposa era fiel. Ele continuaria buscando elementos para concluir que houve traição e nunca admitiria, nunca aceitaria a fidelidade da esposa. Mas não é exatamente isso o que acontece? O romance chega ao fim, Bentinho não é capaz de reunir elementos em suas memórias que comprovem a traição e, em vez de se alegrar, continua insatisfeito. Veja, portanto, que a certeza da traição independe de provas.

"(...) qualquer que seja a solução, uma coisa fica (...), a saber, que minha primeira amiga e o meu maior amigo, tão extremosos ambos e tão queridos também, quis o destino que acabassem juntando-se e enganando-me..." (Cap. CXLVIII, § 2°.)

Outro detelhe importantíssimo, que ainda não vi ninguém comentar (perdoem-me se ignoro outros textos), é o título da obra e a explicação dada pelo primeiro capítulo para justificá-lo. Uma das características de um paranoico, isto é, de quem sofre de transtorno de personalidade paranoide, é justamente ser "casmurro", com o significado que nos é explicado no capítulo primeiro do romance. Mais irônico do que isso, para quem era dado a ironias como Machado, impossível.

"Não consultes dicionários. 'Casmurro' não está aqui no sentido que eles lhe dão, mas no que lhe pôs o vulgo de homem calado e metido consigo." (Cap. I, § 6°.)

Se voltarmos ao retrato de Escobar e à semelhança deste com Ezequiel, deveríamos lembrar que os paranoicos "desconfiam" de pessoas próximas ou nas quais poderiam confiar. Desconfianças geralmente infundadas sobre a fidelidade dos cônjuges ou o ciúme não deixam de ser um clichê nesses casos. Interpretar com desconfiança as ações de amigos ou cônjuges faz parte do clichê e é o que provavelmente vemos ao longo de todas as recordações do protagonista.

Outras características que podem ser atribuídas a um paranoico e que aparecem resumidas num único trecho de Dom Casmurro, são a falta de prazer em atividades sociais, o isolamento, a falta de confidentes íntimos, a preferência por atividades solitárias, a frieza ou a distância emocional. Além do mais, para entendermos isto melhor, lembremos que a desconfiança ou a cisma de Bentinho nem sempre existiu, de modo que ela será melhor observada no Bentinho já velho.

"Em verdade, pouco apareço e menos falo. Distrações raras. O mais do tempo é gasto em hortar, jardinar e ler; como bem e não durmo mal." (Cap. II, § 4°.)

(...)

Sobre personagens secundários, falemos algo de José Dias, ou melhor, dos superlativos de José Dias. "Lindíssimo" talvez tenha sido o seu superlativo mais belo devido às circunstâncias em que ele foi proferido.

Por fim, ao ler Dom Casmurro, tenha em mente que: 1) É um velho solitário quem narra a história; 2) Talvez ele sofra de personalidade paranoide; e 3) O objetivo de Machado era retratar a personalidade de Bentinho e, não, falar da fidelidade de Capitu. Ela foi um meio para alcançar esse fim e, não, o objetivo da obra. Ponhamos os olhos onde o autor queria que puséssemos, mas só se quisermos entender a obra, é claro!
Mylla 28/05/2017minha estante
Adorei sua resenha, ficou excelente!
Logo após eu ler o livro debati sobre com algumas amigas e criamos uma hipótese: há na psicologia um termo chamado de Projeção. Este é um dos mecanismos de defesa que nossa mente utiliza, e se baseia em projetar defeitos seus em outras pessoas.
Chegamos a essa hipótese, pelo fato de que foi Bentinho quem chegou muito perto de trair Capitu, com a própria Sancha. E esta situação teria levado a todo o desenrolo envolvendo a infidelidade de Capitu (na visão de Bentinho, claro).




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