O Rei de Havana

O Rei de Havana Pedro Juan Gutiérrez


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Resenhas - O Rei de Havana


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Vanessa 31/10/2009

Convenhamos, Pedro Juan mata a cobra e mostra o pau, com exibicionismo, claro.

A parte da história, digamos, fantástica de Ray, o que se vê é um vômito de críticas a sociedade socialista cubana, que bebe merengue embalada por rum e sexo. Desde a obrigatoriedade da escola, onde os professores são mostrados como "obrigados a ensinar de qualquer maneira" até a cultura de Havana, abandonada ás traças e aos vândalos, com prazer.



Claro, poderia ser apenas um livro xingando Fidel Castro e exibindo as entranhas de Cuba expostas numa mesa cirúrgica, se não fosse o tom maléfico, cruel e sarcástico da escrita de Gutierréz, que transforma tudo numa grande orgia.



Se no Brasil tudo acaba em pizza, Na Cuba de Gutierrez, tudo acaba em sexo, ou pelo menos, ele tenta.

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Carla Verçoza 18/01/2009

Ótimo!
Descobri Pedro Juan Gutiérrez em 2008 e achei incrivelmente bom "O Rei de Havana", muito crítico e com um tom sarcástico... gostei muito e pretendo ler os outros livros do autor em breve.
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Thiago 25/10/2011

Sexo, drogas & sujeira
Esse é um livro em que a tríade do rock'n roll se aplica muito bem.

Ele conta a história de Rey, O Rei de Havana, um adolescente cubano que é preso devido ao acaso de uma fatalidade e, depois de fugir da cadeia, passa a viver nas ruas de Havana.

Esse livro é uma pedrada na cabeça do leitor.

Cheio de sexo e mergulhado em sujeira.

O Pedro Juan Gutiérrez narra todos os detalhes da vida de Rey e de Havana. Tudo com uma naturalidade que serve para amenizar um pouco do choque que algumas partes poderiam causar no leitor. Mas não deixa de ser um livro forte, sujo, viceral, cruel, depravado.

Já ví o autor dizendo que seus livros não são politizados. Mas é notável o protesto destilado nessas páginas. Um protesto abafado, mas ainda protesto.

OBS: A frase final do livro é excelente.
Geovane 27/07/2012minha estante
Thiago, perfeita resenha, compartilho da sua visão.

Abs


Thiago 27/07/2012minha estante
Pois é Geovane. É uma viagem à Havana que só os cubanos conhecem, porque aquela que os turistas vêem é bem diferente.

Já tenho aqui o "Trilogia suja de Havana", que parece ser igualmente bom. Você já leu algum outro dele?

Obrigado pelo comentário.
Abraço.




Raquel Lima 01/02/2015

Angustiante
Rey é um natimorto. A sua experiência de vida é mínima , simplesmente passa os anos que não conta, tentando se alimentar, dormir e trepar ... Triste, angustiante. A degradação, a miséria permanente, a fome , a sujeira nos contamina... A sensação ao terminar de ler é de estar suja. Preciso de um banho ... E infelizmente, sabemos que podemos não estar muito longe do que lemos , talvez ali na esquina vivam Reys e Magdas, que acreditam que o que passam é normal , que o que têm é vida.
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Geovane 27/07/2012

Interessante
Adquiri o livro num sebo, a partir da troca por outros e me surpeendi positivamente com a leitura.

O livro é sujo, pornográfico e em alguns momentos até constrangedor, mas é uma crítica velada (assim me parece) muito bem feita da falta de esperança da vida em Cuba.

A miséria e a desgraça são os personagens principais do livro, mas ele não é sombrio e em boa parte é, na verdade, hilário.

Boa leitura para quem tem interesse em saber mais sobre a vida na ilha ou apenas se divertir (de uma forma meio pervertida...).
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Yorg Buendia 13/01/2010

Para quem gosta do estilo acredito ser uma grande obra. Violento e sexualizado ao extremo (as parafilias seriam dos personagens ou do proprio autor?). Leitura desagradável e por vezes constrangedora. Talvez o mérito fique por conta da capacidade do autor de fornecer cheiro às cenas e aos personagens e produzir asco e náuseas em quem lê.
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jota 09/01/2017

Barra pesada e suja, muito suja...
Depois de Trilogia Suja de Havana e Animal Tropical com este O Rei de Havana penso que agora conheço muito melhor aquilo que alguns críticos chamaram de "realismo sujo", a literatura de PJG. Dela participam não apenas os cubanos; ratos, baratas, piolhos, cães sarnentos, urina, fezes, sêmen e outros fluidos e odores corporais são igualmente parte importante das histórias que ele escreve.

O rei de Havana não é Fidel (o dono de toda a ilha e seus habitantes, até mesmo de várias pessoas residindo no Brasil); El Rey de La Habana (título original) é sobre Rey, ou Reynaldo, um garoto órfão e desajustado, com capacidade para transformar num inferno qualquer instituição destinada a recuperar menores infratores. Não que fosse dono de um intelecto invejável, muito pelo contrário: aprendeu tudo nas ruas, detestava escola, mal sabia ler e escrever aos treze anos.

Fugitivo de um estabelecimento correcional, Rey perambula por alguns sítios antes de voltar definitivamente para a capital: vivia em Havana até a tragédia que acabou com sua família. Ele não tem futuro nem busca um; vive por viver: premido pela necessidade faz de tudo um pouco, se vira, como faziam quase todos os cubanos no auge da crise por que passou o país na década de 1990 com o esfacelamento da antiga URSS, que mantinha Cuba como ponto estratégico de sua política anti-EUA.

Rey rouba, recolhe restos do lixo para comer, pede esmolas, trabalha alguns dias aqui e ali para poder se sustentar, faz sexo por prazer e também por comida, bebida e drogas, zanza pela cidade sem destino, dorme nas ruas, em prédios arruinados, defeca em qualquer lugar e transa como um animal, inclusive com um travesti e mulheres bem mais velhas do que ele. Encara a miséria como um fardo insuportável, a vida como uma inutilidade, e mais de uma vez pensa em acabar com a sua, totalmente sem sentido como a de muitos que cruzam seu caminho.

Se o livro é ou não um retrato de Cuba e dos cubanos daqueles anos de penúria não importa. Ainda que não seja um personagem com quem se possa identificar ou simpatizar, Rey é humano a seu modo - ao modo de Gutiérrez, seria melhor escrever -, mas poderia ser encontrado em muitas ruas de grandes cidades mundo afora. Se é um personagem exagerado (outros igualmente são, como Magda e Sandra) ou vive situações extremadas, convém lembrar que a literatura não tem compromissos com a realidade, não tem de fazer um retrato fiel da sociedade ou de seus indivíduos feito uma obra de sociologia. No entanto O Rei de Havana não se passa em Marte, mas aqui mesmo na América Latina.

(Engraçado é que houve momentos em que os tormentos por que passava Rey evocaram em mim os de outro personagem, de outro livro, de uma sociedade e de um tempo completamente diversos, o vagabundo famélico da obra do norueguês Knut Hamsun escrita em 1890, Fome. Enquanto lemos nossa mente viaja...)

Mesmo com seu realismo sujo, PJG parece ter mais credibilidade para falar de seu país do que as autoridades cubanas, expoentes de uma das ditaduras mais longas da História e responsáveis pelo lastimável estado que o país atingiu então - porém sempre colocando a culpa de tudo no bloqueio comercial imposto a Cuba pelos EUA. Nesse sentido, Rey e os outros são também vítimas do desgoverno cubano e não apenas vagabundos ou putos que pensam o tempo todo em sexo, rum, charutos ou drogas, o que efetivamente fazem. Pedro Juan Gutiérrez faz literatura e através dela também escreve a crônica amarga e suja da sociedade de seu tempo.

Lido entre 27 e 31/12/2016. Minha avaliação: 4,3.
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Carlo 11/05/2017

PORRA! Simplesmente sinistro O Rei de Havana. Sombrio. Devasso. Fedido. Um estudo sociológico do indigente cubano. Um desfecho de um romance de terror! Nunca vir. Quer dizer, li, um autor descrever tão bem a sujeira! É de sofrer vê exemplares humanos terminarem assim, daquele jeito. Punk! Um livro que escorre toda secreção que o corpo pode produzir. Mesmo durante o sexo!
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Leandro 13/10/2014

Rey de Havana
Peguei este livro em uma feira de troca e não esperava muita coisa, mas fui positivamente surpreendido, pois "O Rei de Havana" é um livro ótimo e que vai te levar ao território cubano sem nenhum preconceito. Livre-se dos pudores, pois a leitura é pesada e contem linguagem obscena, mas você vai se ver diversas vezes na pele de Rey e sentir o cotidiano e as mazelas de Havana.
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pardons 26/02/2010

Foi como eu disse por aí: "eu preciso acreditar que um país possui intelectuais melhores que esse Pedro Juan Gutierrez..."



Sério, lembro de ter lido na contra-capa do livro uma declaração parecida com... "Ao lerem meu livro dizem que é erótico, numa segunda leitura dizem ser político."



O Rei de Havana conta a história de Reynaldo, um jovem que vivia com a família de dificuldades financeiras, até que de forma trágica, sua mãe, seu irmão e sua avó morrem praticamente ao mesmo tempo.



Como só estavam os quatro na casa, é preso injustamente acusado da morte dos três e vai pro reformatório, lá, como era de se esperar, vive momentos difíceis como tentativas de estupro, e maus-tratos, e foge. A partir daí a história realmente empaca entre sexo promíscuo, fome, roubos, mulheres diversas, travestis, falta de abrigo, enfim, miséria generalizada.











Eu prefiro partir de três pontos básicos pra desvendar esse livro:



1) Livro erótico: Meu Deus, até a Syang deve escrever erotismos melhores.

Não, certeza absoluta que ele não quis escrever um livro erótico.

Livros eróticos não citam o azedume do corpo dos personagens, e os chatos, e os piolhos, e a falta de banho, e a imundície generalizada.

Eu até entendo que muitos devem ter esse tipo de fantasia, mas não acredito que o livro tenha sido escrito pra esse público-alvo.



2) Livro-Livro: Disso subentende-se uma escrita culta, rebuscada, com bons jogos de palavras, enfim... subentende-se literatura, arte de escrever. CERTEZA que também não era a intenção, pois ele deve ter um pingo de auto-crítica e reconhecer que ele não sabe escrever para tanto.



3) Livro político: Agora eu até dou o braço a torcer. Realmente, na verdade, tomara Deus que essa tenha sido a intenção deste autor.

É a única chance de salvá-lo da guilhotina.

Mostrar a miséria de Havana num romance, sem citar nomes e formas de governo. Palmas. Bacana. E aproveitar todo o clima fétido do livro pra denunciar o que há de errado em Cuba, reduzir tudo a "sexo, rum e música cubana" de maneira a te fazer enxergar mais além, te fazer enxergar o âmbito político, meu louvor, mas por favor... Não escreva mais nada.



Aproveite a fama (ao meu ver exagerada) que o livro leva pra viver dele pelo resto da vida.
Herick 04/10/2013minha estante
Você é ridículo. Uma florzinha enrustida que venera classicismo e seleciona o que é literário pela quantidade de "erudição" e "pompa" que a escrita de um autor carrega. Não é só retrógrada, como também reduz o valor literário à uma estética caída. Eu não li o livro. Pretendo ler e posso odiar. Mas nunca pelos seus motivos. Já chega da paixão, do amor e do sexo idealizado pela moral cristã-cri-cri.




Jaque 05/09/2017

O Rei de Havana
Um livro de leitura rápida,chega a ser tão inapropriado a linguagem que faz q a leitura seja tão rápida mesma, ao modo de querer acabar logo, repetitivo, confesso que ao ler fiquei completamente enojada e até com certa ânsia de vômito de tão chulo, inescrupuloso que é não só o personagem principal quanto todos os outros personagens. Ambiente sórdido, sujo, podre no qual o sexo é tratado de forma totalmente chula e banal. Parece que os personagens são apenas um pedaço de carne e fedida ainda. O Sexo é um alento a pobreza.
A pobreza e situações mais inóspitas acontecem no livro. Tragédias(desde mortes, assédio, atentado ao pudor(masturbações), furtos, agressões, xingamentos... que são tratadas como coisas comuns.
A falta de perspectiva de vida faz que Rei o personagem principal viva minuto a minuto em busca de sobrevivência em meio a tanta miséria e descaso com o ser humano.
Acaba de uma maneira tão nojenta como todo o livro é!
Mas de toda maneira foi uma boa leitura, na qual pude abrir a mente e verificar que existe um mundo tão sujo e miserável, onde pessoas vivem instintivamente como animais e certificar o descaso do próprio estado em meio a essas situações descritas no livro.
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Patty 06/02/2009

Sinceramente, tive que abandoná-lo. Extremamente enfadonho. Minha impressão no começo, era de que ele narra parecendo que está fugindo da polícia, nas carreiras. Depois, nada muda, nada progride, até quando eu não consegui mais ler e parei. Talvez um dia, quem sabe?!!
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Uilians 07/06/2017

Critica social pura
Existe duas maneiras de ler esse livro. Uma é enxergar apenas o que está escrito e se prender na história, que com certeza fará com que deteste e fique se perguntando porque o autor se prestou a escrever essas coisas obscenas, sujas e descabidas.
Já a outra forma é olhar com uma visão critica e vê o que a falta de valores essenciais para vida como a família, a educação, a religião e o trabalho é capaz de produzir pessoas que não pensam em nada além de satisfazer necessidades básicas como a comida e o sexo. A repetição disso nas páginas é um tapa na cara das autoridades cubanas, que apesar da revolução, foi capaz de gerar um exercito de pessoas iguais a Rey, que vivem como animais e passam sem que ninguém os vejam. Dessa forma, com certeza é um grande livro. Critico, acido, contundente e impressionante leitura obrigatória. Bem parecido com "Na Pior e Londres e Paris, do George Orwell.

site: livraco, critica social, cuba
Cid Espínola 12/08/2017minha estante
Achei um obra indigesta. É meu primeiro contato com Gutiérrez.

Já leu a Trilogia Suja de Havana? Francamente, se for como este, vou mandá-lo para o final da fila.

Sua resenha tá maneira! As desventuras de Rey são imundas e funestas!




mardem michael 31/10/2016

A verdade nua e crua
“[...] ao cubano, só resta o rum, a salsa e o sexo”. Nesse romance, Pedro Juan Gutiérrez desvela com maestria o modo de vida da população negra e miserável na sociedade cubana do século XX. O protagonista e anti-herói é Rey. Sua família morreu em único episódio um tanto catastrófico e ele se vê então, sozinho no mundo e entregue a miséria e a falta de coragem de encarar o mundo. Rey possui um grande e admirado órgão sexual e...somente isto. O autor, em uma narrativa fluida e realista nos conta a trajetória de Rey rumo à decadência física e moral. De uma forma simples somos colocados diante da situação miserável em que o protagonista se encontra e por vezes me peguei concordando com atos antiéticos cometidos por ele por entender o que ele estava passando. No entanto, o fim da história me deixou com um pouco de aversão ao personagem, mas foi extremamente coerente com o caminho que o mesmo vinha percorrendo. Muitos dizem que os textos de Gutiérrez são eróticos, eu diria que são sinceros e, acima de tudo, políticos.
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