Persépolis - Obra Completa

Persépolis - Obra Completa Marjane Satrapi




Resenhas - Persépolis


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Alinne.Pereira 07/02/2018

Leitura inovadora, muito aprendizado e diversas quebra de paradigmas
Adquiri despretensiosamente o livro numa Bienal do Livro. Nunca tinha lido quadrinhos e tinha um certo preconceito com esse estilo por achar infantil. Eu me surpreendi positivamente. Comecei e não consegui parar de ler. Devorei em poucos dias. O quanto aprendi sobre o Irã foi fantástico. E o que mais me chamou atenção foi a questão de que temos hábito de generalizar os povos e culturas, principalmente por influência da mídia. Jamais iria imaginar que por detrás de uma mulher ou menina de burca há alguém , um indivíduo, que nem sempre concorda com o regime a que está submetido e que tem uma visão bem progressista sobre a vida e o mundo.
É fantástico o poder que a leitura tem, nos transporta para o mundo que muitas vezes não teremos acesso.
Antes de começar a leitura tinha lido algumas críticas comparando com o MAUS. Do meu ponto de vista são propostas diferentes e me encantei muito mais por Persépolis.
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Blog MDL 04/02/2018

Marjane tinha apenas dez anos de idade quando foi obrigada a entender que para o seu país homens e mulheres não possuíam o mesmo valor. Separada de seus amigos e sendo levada para uma escola apenas de meninas, ela também teve que se acostumar ao uso do véu. Como a criança que era, não conseguia compreender o porquê daquelas mudanças bruscas, mas ao passo em que foi crescendo, os seus pais, cuja mentalidade era mais moderna do que a da maioria dos iranianos, foram explicando no que consistia a essência dessas mudanças e como elas iriam se refletir durante toda a sua vida. Observamos a menina ir se desenvolvendo e desde sempre notamos que a sua personalidade e a força do seu espírito se tornariam um empecilho para que ela continuasse no Irã haja vista que não é capaz de conter o que pensa e foi punida diversas vezes por isso.

Quando estava na adolescência e com uma compreensão de mundo maior, começou a protestar como podia, além de ir escondido de seus pais a manifestações, ela usava maquiagem, colocava o véu de maneira que pudesse mostrar um pouco de seus cabelos, ouvia punk rock e caminhava pela rua com seus tênis e jaqueta jeans. Mas o que parece pouco aos olhos dos ocidentais, para os habitantes daquele lugar era motivo para julgamentos por parte da polícia e da própria sociedade. Preocupados com a vida dela, os seus pais a mandam para a Áustria a fim de que ela pudesse ter uma chance de viver plenamente ainda que longe deles. A guerra contra o Iraque estava em seu ápice e os Estados Unidos forneciam armas para ambos os lados, o que estava causando mais destruição e mortes do que se poderia imaginar.

Ela esperava deixar sua família orgulhosa, mas não foi exatamente isso o que aconteceu, pois longe da sua cultura e daqueles que amava, ela era considerada uma pária social que não se encaixava em lugar nenhum. Tentando desesperadamente se conectar com alguém, ela passa a tomar atitudes que iam contra todos os ensinamentos dos seus pais e passa a não só usar drogas, como também, traficá-las no ambiente escolar. No entanto, nem mesmo seu comportamento "descolado" fez com que ela conquistasse seu espaço e após uma série de desventuras ela decide voltar para o seu país ainda que com muita tristeza e vergonha. Ela acreditava que estando em Teerã, teria uma chance de recomeçar, afinal, ela amava o Irã e toda a sua família e amigos estavam lá, porém, ao voltar acaba percebendo que mais difícil que ser uma estranha fora do seu país, era ser uma estranha em sua própria terra.

Ler "Persépolis" foi uma experiência da qual jamais esquecerei. Primeiro, porque meu contato com a cultura oriental é ínfimo e segundo, porque eu não estava habituada a ler quadrinhos. Passear por as páginas e não só ler, mas ver como foi a vida de Marjane Satrapi me abriu os olhos sobre inúmeras coisas e quero conversar com vocês sobre algumas delas. Imagine um país onde você deveria adotar uma vida dupla se quisesse ter um pouco de liberdade. Um lugar onde todos devem seguir rígidas regras que mais funcionam como uma desvio de foco do que realmente importa do que algo que valesse a pena ser implementado. Sim, esse é o Irã que se desenvolve a partir da década de 80 quando a tensão entre o país e o Iraque vai se tornando cada vez mais latente e o governo passa a tomar atitudes repressivas para conter a onda de protestos da população que partiam não só dos cidadãos comuns, como também, dos intelectuais da época.

O período que se seguiu foi piorando drasticamente até que uma situação insustentável se instalou lá. Homens e mulheres eram chicoteados, enforcados e fuzilados apenas por expressarem suas opiniões, não havia liberdade de ir e vir, tampouco, de expressão. Marjane como artista, pôde ver de perto colegas seus serem presos por ilustrações que eram julgadas inadequadas e projetos seus serem recusados apenas por dar enfâse ao papel da mulher na cultura oriental. Todavia, mais importante do que destacar isso, é dizer que em momento algum ela se deixa abater e continua tentando com todas as suas forças ser quem ela queria ser. O principal problema que se interpunha diante dela, era que as vozes ao seu redor passaram a se silenciar e que muitas pessoas que se julgavam melhores do que os fanáticos religiosos que viviam em Teerã, na verdade, possuíam uma essência mais tradicionalista do que se podia pensar a priori.

Essa questão se torna mais palpável justamente por Marjane ter passado uma temporada fora de casa. Talvez se ela tivesse ficado todo o tempo no Irã, vivendo e vendo o que àquelas pessoas viram, seu comportamento pudesse ser tão dúbio quanto o delas. Devo comentar com vocês que ainda que eu tenha ficado completamente apaixonada por essa história e por todos os sentimentos que ela despertou em mim, senti uma antipatia profunda por Satrapi em alguns momentos. Não é que eu não reconheça a sua força e a sua luta, porém, algumas de suas atitudes me deixaram com uma sensação de soco no estômago como, por exemplo, quando ela estava prestes a ser levada para a delegacia e faz um alarde dizendo aos policias que um homem estava lhe falando indecências e o pobre acaba indo preso sem ter culpa alguma (além disso, o que mais me doeu foi ela ter se gabado de sua "esperteza"). Foi horrível ver o quanto, para exercer o seu direito de andar por onde quiser e se vestir da maneira que queria, ela prejudicou um inocente.

E é em vista de tudo isso, que eu acredito veementemente que ler "Persépolis" é uma necessidade preemente para qualquer pessoa. Além de fornecer uma explosão de acontecimentos que devem ser divulgados sim, essa história mostra o quanto é preciso que se discuta as dificuldades vivenciadas por mulheres nas mais diversas partes do mundo de terem uma vida digna e livre. Então se você é alguém curioso e que não se importa em sair de sua zona de conforto (caso não seja um leitor contumaz desse tipo de leitura), precisa mergulhar na vida de Marjane Satrapi e com isso ter uma percepção ampliada do que foi a guerra entre Irã e Iraque, o peso da tradição xiita e tantos outros aspectos da história do Oriente que por vezes nos passam despercebidos ainda que estejamos atentos.

site: http://www.mundodoslivros.com/2017/01/comic-resenha-persepolis-por-marjane.html
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Mari 01/02/2018

Libertador!!
Até pouco tempo atrás, quando eu pensava em HQs (histórias em quadrinhos) me lembrava imediatamente das revistinhas da turma da Mônica, da Luana e também dos famosos super- heróis, e sem ter conhecimento sobre esse mercado eu não imaginava que pudesse existir outros tipos de quadrinhos que abordassem temas reflexivos e importantes.
Persépolis é um desses quadrinhos que exemplifica bem isso, a época conflituosa em que se passa a história é o período da revolução iraniana seguido da implementação de um regime político com base em ideais que os apoiadores afirmam ser corretos e conservadores, mas que na verdade demonstram intolerância, tirania e machismo.
A protagonista desse livro é a própria autora (Marjani Satrapi) que narra sua história de vida repleta de descobertas, obstáculos, aprendizado, e sobretudo coragem para conseguir vencer os momentos tristes e de preocupação e solidão longe de sua família que permanece no irã enquanto ela vai crescendo, amadurecendo e construindo a vida na França de forma independente.
É um livro libertador, encorajador e inspirador que nos mostra que há esperança e possibilidade de fazermos a diferença e não permanecermos no conformismo ou querendo que aconteça mudanças através de ações de outras pessoas.
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phannickel 15/01/2018

Incrível.
É uma autobiografia da Iraniana Marjane Satrapi, em forma de HQ e é uma verdadeira obra de arte tanto contextualmente (história e narrativa), quanto graficamente (já que ela também é responsável pela parte gráfica e ilustrações em preto e branco impecáveis).

A HQ se inicia com uma explicação histórica sobre a Pérsia/Irã para nos deixar situados sobre tudo que ela nos contará nos capítulos seguintes. A história é narrada partir dos seus 10 anos de idade e como sua vida mudou de uma hora pra outra.

Ela nos conta como passou pela infância, puberdade, escola, religião, adolescência, distância familiar, entrada na faculdade, relacionamentos, vida adulta, como qualquer outra pessoa de sua idade, porém aliados ao fato de morar no Irã, ou seja, passando pela Revolução e pela guerra com o Iraque ao mesmo tempo que enfrentava seus dilemas pessoais.

A família de Marjane foi uma família extremamente privilegiada, tanto financeiramente, quanto na questão de informação. Eles discutiam sobre o Regime, sobre a Revolução, sobre o Fundamentalismo Islâmico, sobre Comunismo, sobre a Guerra, desde que ela se percebeu no meio disso tudo e por isso, ela foi crescendo uma pessoa questionadora e “rebelde”.

Marjane é extremamente opositora ao fato de só poder estudar com meninas, de apenas mulheres terem que usar o véu, de não poder escolher sua vestimenta como bem entender, etc. Quando Marjane se muda para a Áustria sem sua família para fugir da guerra e estudar, ela se depara com situações que ela não esperava e acaba se esquecendo de suas “raízes” por muito tempo, até se dar conta da mentira que vivia.

Entendo que algumas pessoas se apoiem no discurso de Marjane ser mal educada ou até mesmo arrogante, mas olhando pelo lado da autora e observando o contexto é entendível que ela se revolte com os interesses de seus “amigos” e pessoas ao seu redor, tornando-se um pouco amargurada com a vida.

Outra coisa que é extremamente importante é como a ótica dela em relação a determinados assuntos muda: no Irã, usar maquiagem, calças justas demais ou largas demais, curtir punk, usar tênis, eram atos revolucionários de rebeldia. Fazer as mesmas coisas em um país como a Áustria era uma futilidade sem tamanho e até banal já que seu país estava em guerra e pessoas estavam morrendo.

Marjane enfrenta diversas dificuldades em sua estadia na Áustria e decide voltar ao Irã, onde todos os seus dilemas pessoas voltam à tona. Vale muito a pena ler essa HQ com uma história rica em detalhes (de todos os tipos) e o fato de o governo do Irã ter tentado impedir a publicação dessa história nos diz muito sobre o conteúdo.

Destaque para a avó de Marjane que se mostrou uma pessoa coerente a seus ideais do começo ao fim da história.
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Monique 14/01/2018

Aula de história...
Persépolis é uma HQ perfeita para desconstruir qualquer preconceito em relação a este gênero literário, rica em conteúdo e muito agradável de ler.
Com uma formação moderna e politizada, Marjane nos apresenta à revolução que transformou o Irã num República Islâmica, lançando-o aos poderes do regime xiita, nos colocando em contato direto com a cultura e os sentimentos de um povo cuja vida, de um modo geral, desconhecemos para aquém do noticiário, oferecendo uma aula de história e empatia em pouco mais de 300 páginas. Finalizando a leitura, o sentimento que fica é que Persépolis é uma obra bastante relevante, principalmente nos dias de hoje, quando vivemos essa onda de pensamento extremista... Adorei conhecer um pouco mais sobre o Irã. Recomendo!!
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Três Leitoras 07/01/2018

Confira resenha completa no blog
ma das coisas que mais me fazer amar participar do projeto de livros viajantes é ter a oportunidade de ler livros que talvez nunca fosse me propor a comprar e ler.



Persépolis é uma HQ (história em quadrinhos) é a autobiografia de Marjare Satrapi que nos contará, vinte e cinco anos depois, como foi viver em um período de guerra. Ela é a responsável não só por contar a história, mas por toda ilustração e parte gráfica do livro.



A história começa quando ela tem 10 anos e passou a usar, de forma obrigatória, o véu islâmico. E assim, ela nos conta como foi viver no Irã durante sua infância e adolescência, tendo que enfrentar todo os dilema político tão autoritário e repressor. Paralelo a isso, também acompanhamos o seu amadurecimento, vivências e dilemas típicos da transformação de menina para mulher.



Por ser de uma família moderna e politizada, Marjare nos traz uma visão diferenciada de todo esse período da revolução xiita que mudou drasticamente a vida de todos os iranianos.



Uma história real, contada por quem sofria com todo esse movimento, que nos faz questionar milhões de coisas a cada quadrinho e nos faz sentir o mesmo medo, insegurança, dor e instabilidade que ela sente.





A Marjare tem uma personalidade incrível, ela é objetiva e quer participar da revolução, ela sempre quis e fez questão de fazer a sua parte, de ser ativa em todo esse processo. E o melhor é você mesmo realizar a sua leitura e se encantar com essa menina-mulher.



Nunca havia lido nenhum livro ambientado nesse período de guerra no Islã, então tive uma aula gigante sobre história, conhecendo muito sobre a revolução, as regras religiosas, a cultura da região. E isso só me instigou a ler mais e mais e mais.



Com o passar das páginas, a minha emoção aumentava mais e mais, passei a sentir a dor que a Marjare sentia. Um livro que por muitas vezes me deu a sensação de impotência,um livro que nos faz refletir, nos tirando da nossa redoma, nos confrontando, nos dando tapas e choques de realidade.



site: http://www.tresleitoras.com.br/2017/09/resenha-persepolis.html Concluído
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Evy 03/01/2018

"Quando vier uma onda grande, abaixa a cabeça e deixa ela passar."
Não há muito que fala sobre o livro, basicamente é uma autobiografia divertida, em que a autora retrata através dos quadrinhos os acontecimentos de sua infância à fase adulta, há relatos dos momentos conturbados vividos no Irã durante a revolução cultural de 1979 e como a autora lidava com as mudanças no seu país. O livro tem um conteúdo rico e a leitura é agradável e nem um pouco cansativa, afinal, enquanto o leitor aprende um pouco mais sobre a história do Irã, ainda nos divertimos acompanhando o crescimento da autora.
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Ádria 01/01/2018

Este livro é bem diferente do que eu imaginava. E foi surpreendente de uma forma boa. Não tenho muito costume de ler graphic novels e tampouco algo que se distancie do padrão ocidental. A leitura dessa obra foi um aprendizado em muitos sentidos. É interessante e inspirador o quanto Satrapi foi forte.
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Ery 28/12/2017

Obra prima dos quadrinhos
Persépolis é uma autobiografia sincera e profunda na visão de uma iraniana durante a revolução cultural que aconteceu no país em 1979. A autora nos conta sua infância até o início da fase adulta e mostra como foi crescer em um ambiente opressor durante conflitos e guerras. A narrativa é fluida, chegando a ser divertida em alguns momentos, conduzindo o leitor a ter um conhecimento profundo da cultura iraniana, assim nos dando uma visão diferente e mais compreensiva daquele povo. Os desenhos são simples e dão um toque de leveza pra obra, ela trabalha muito bem o preto no branco e a arte sequencial é muito boa. Persépolis é emocionante e representa a luz e o brilho de uma civilização riquíssima em meio ao caos.
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Duda 22/12/2017

AMO
Acredito que esse foi o melhor quadrinho que eu já li até hoje! Conta a história real de uma mulher badasss pra caramba e eu só posso aplaudir e venerar ela. Amo, amo, amo e amo.
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Bruna 21/12/2017

Baseado em fatos reais, esta é uma obra em quadrinhos que retrata a revolução popular que levou ao Regime Xiita no Irã, do ponto de vista de uma testemunha de todo o processo, que era apenas uma criança de dez anos quando tudo começou. Com ilustrações e texto da própria Marjane Satrapi, Persépolis nos traz o olhar de um nativo iraniano, e demonstra como esse regime extremista mudou toda a realidade de um país, sem os esteriótipos da visão ocidental.

Marjane, ou apenas Marji, era uma criança de 10 anos quando a revolução popular derrubou o Xá iraniano. Vinda de uma família politizada, com relações passadas com o governo do país, ela teve uma criação bem moderna. Por isso seu estranhamento e surpresa ao se ver obrigada a usar o véu, quando os Xiitas começam a assumir o poder. Acompanhamos a vida de Marji por aproximadamente 15 anos, nos quais vemos o endurecimento do regime, a guerra civil que acometeu o Irã, a guerra externa com o Iraque e a influência dos Estados Unidos nisso tudo, além dos atos de rebeldia de parte da população contrária as novas políticas.

Desde pequena Marji acompanha e participa de discussões políticas em sua casa, e conhece figuras interessantes relacionadas aos rebeldes e também aos comunistas. Tendo esse nível de liberdade familiar não é de estranhar que ela acabasse se manifestando na escola, onde não aceitava o discurso dos professores, alinhado aos pensamentos dos novos governantes. Por esse motivo, ela foi enviada para estudar na Áustria aos 14 anos de idade, onde passou por várias casas, pensionatos e chegou até a viver na rua, antes de retornar ao Irã, e posteriormente se mudar para a França.

Toda essa história é contada com diálogos inteligentes e um tom de humor irônico. A narração é bem dinâmica, e cada capítulo traz um tema que retrata uma situação que marcou a época. Eu demorei um pouco a finalizar a leitura porque o tema é bem pesado, além do fato de parar em vários momentos para pesquisar alguma situação mencionada no livro, que me deixaram curiosa. É interessante observar a mudança de percepção e comportamento da sociedade, o quanto muitos homens acharam conveniente essa subjugação feminina, a manipulação da mídia e o o pouco valor que se dá a vida em momentos de crise.

Persépolis é uma obra absolutamente fascinante, mas também bastante pesada. A autora soube retratar bem sua visão e percepção de acordo com a idade a cada momento. Desde a forma um tanto descontextualizada e romântica de uma criança até a adulta de coração livre e mente aberta que não aceitava o nível de repressão que passou a existir em seu país. É sem dúvida um livro de grande cunho feminista, que retrata bem a vida de uma mulher que vivia nas piores condições marginalizáveis para suas companheiras de gênero, mas que mesmo assim não se submeteu nem deixou seu espírito e pensamentos serem subjugados.

Os desenhos são incríveis, e repassam bem toda a dramaticidade da história contada, mas sempre com um tom de ironia e até mesmo um certo humor em vários momentos. O trabalho gráfico da Cia das Letras foi muito bem feito, com a adoção de folas brancas e mais grossas, uma vez que todas as ilustrações são em preto e branco, e num tom bem forte que poderia ser visível no verso, no caso de um papel mais fino. A tradução foi muito bem feita, e há breves notas no momentos necessários. Porém, creio que esse seja um livro que não apenas merecia, mas também precisava de uma edição capa grossa.

Recomendo muito.

site: http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br/2017/05/resenha-persepolis-marjane-satrapi.html
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Karen Pimenta 21/12/2017

Aquela vontade de abraçar a Marjane
Ahhh, que quadrinho maravilhoso. Que beleza é a condução de Marjane Satrapi em sua história. Que personagens vivos, cheios de erros, de personalidades. Vários momentos chorei como se não houvesse amanhã. O que devo falar daquela avó, que MARAVILHOSAAAA! Mais do que isso, Persépolis é uma história de resistência, de esperança, de motivações, de desafios, de sangrias, de renovação e a busca do seu lugar nesse mundão.
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Gabe Rocha 27/10/2017

Persépolis é surpreendente
Se você está procurando estética, esse é o quadrinho errado, mas o certo, se isso vier carregado de um simbolismo histórico, ético e espetacular de um povo que viramos as costas.

Quebrando todo e qualquer paradigma, Persépolis é um quadrinho fantástico, a começar pela introdução. Ele começa um um apanhado histórico minúsculo da construção religiosa do territóriodo Irã, as guerras religiosas e ideológicas de um povo que tem muita cultura e muita repreensão. Essa introdução é importante para que nós do ocidente, que não temos muita noção do que acontece naquele território. Essa parte é importante para que o leitor deixe seus pré-conceitos de lado um pouquinho para conhecer o mundo a volta de nossa personagem, Marjane.

Pra quem não sabe, essa é uma auto biografia de uma consagrada romancista, ilustradora, cineasta franco-iraniana que ganhou diversos prêmios com essa obra, que também pode ser apreciada em uma animação cinematográfica. Ela conta uma trajetória desde sua infância em um lar militante e de esquerda, durante a revolução islâmica e a independência de uma garota que desde muito nova teve que lidar com as consequências dessa guerra religiosa.

No começo, é tudo muito confuso. A cronologia da história não é muito clara, você se perde um pouco nós fatos históricos, mas faz sentido porque quando se é criança, não temos noção de tempo.Mas isso vai mudando conforme ela vai crescendo, saindo da infância e entrando na pré-adolescência, juventude e idade adulta, onde ela passa alguns anos sozinha na Europa e a volta ao Irã.

Particularmente, é muito interessante que apesar de ser uma biografia, a personagem cresce e vai criando sua própria ideia de vida, de política e deslizes, onde nós travamos lutas pessoais e entramos em uma jornada de auto conhecimento.

Se pudesse ficaria o dia todo falando sobre esse livro, mas no final cada um ganha uma percepção única da história. Meu concelho: embarque de mente aberta, tudo o que você sabe sobre o oriente pode mudar. Vale muito a pena ??
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Magdiel 14/10/2017

A ultima profeta
Na infância, Marjane Satrapi sonhava em ser profeta. Acabou sendo muito mais que isso. Ela mostrou ao mundo sua história junto com a realidade de seu país.

Satrapi é uma iraniana nascida em 69 que acompanhou várias transições na política, repressões, revoltas e guerras em seu país. Após estudar belas-artes e mudar-se para a França, fez algo que jamais seria permitido no Irã (ela seria presa ou até executada por isso), biografou sua história em quadrinhos revelando tudo o que os iranianos sofreram e o quanto a republica islâmica era radical, fanática e repressora.

Persépolis é um drama real e emocionante que dá voz, não só a autora, mas a todos os iranianos que não tem voz. E não só eles, também a vários outros habitantes de países que sofrem algum tipo de ditadura, mostrando o que passam e como são privados de todo tipo de liberdade.

Falar mais sobre a HQ sem dar alguns spoilers é bem difícil, vários pontos da história tem uma ampla porta para discussões, debates e reflexões. Sobre muitas coisas, não apenas política, guerra e religião, mas temas como feminismo e homossexualidade também são abordados Portanto prefiro que vocês se deparem com estas questões quando lerem a obra.

Arrisco dizer que Marjane, ao não se tornar uma profeta, realizou seu sonho de infância da melhor forma possível. Leia, indique, espalhe essa palavra.

site: codigo137.blogspot.com.br
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Mamy 20/08/2017

Somos todos iguais
Comecei a ler porque gostaria de entender um pouco mais da história do país, religião e cultura, mas o que mais me marcou foi perceber que nós, seres humanos, independentes da religião, cultura etc, somos... não queria dizer que "somos todos iguais", mas basicamente é isso. Independentemente da luta, e se há luta, parece-me que há alguns moldes em que nos encaixamos e elas aparecem em todos os lugares (não gosto de dizer isso, pq parece "pré-conceito", ou parece que eliminamos o individualismo). A história de Marjane não é muito diferente de outras pessoas que viveram um regime opressivo e que vinham de famílias com bom poder aquisitivo e que estimulavam o pensamento livre. E isso só reforça o meu conceito de que, se de alguma forma somos todos iguais, não há porque não nos respeitarmos a nós mesmos e tb uns aos outros.
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