Persépolis

Persépolis Marjane Satrapi




Resenhas - Persépolis


182 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Luiz 29/11/2009

Emocionante
Desde que descobri que quadrinhos não são necessariamente para crianças, volta e meia procuro dar uma olhada se foi lançado algo interessante no mercado, pois muitas histórias realmente boas surgem neste meio, e só depois é que são adaptadas para o cinema (onde ganham público de verdade), como é o caso de Persépolis.

Lançada em 2001 em quatro volumes, e agora reunida em um só, trata-se da autobiografia da iraniana Marjane Satrapi, que já na infância conheceu os horrores da guerra em seu país. Com 14 anos de idade foi enviada pela sua família à Áustria, para crescer com segurança, onde as diferenças culturais são alarmantes — para o bem e para o mal.

A adolescente se encanta com a liberdade que passa a ter em um país capitalista, onde pode finalmente usar a roupa que quer e ouvir as músicas que deseja. Porém, precisa se submeter ao preconceito dos europeus, enfrentar o afastamento dos pais (com quem possui forte ligação) e a consciência pesada por ter deixado todos seus amigos e parentes em um país dominado pela guerra. Assim, Marjane entrega-se a um processo de autodestruição, com ênfase no uso de drogas.

Toda em preto e branco, o que reforça o sentimento de opressão retratado pela autora, a história é maravilhosamente desenhada com bastante simplicidade e possui momentos magníficos de pura poesia, passando pelas fases da infância, adolescência até chegar ao amadurecimento de Marjane.

Logo nas primeiras páginas, quando retratada como uma menininha nada ingênua que conversa com Deus e sonha em ser profeta quando crescer, o leitor já é tomado pelo livro e não será mais solto até o final da obra. Os sentimentos que temos ao acompanhar a vida da garota são os mais profundos, pois ficamos apaixonados por ela no início, então sofremos com tudo o que ela passará, principalmente nos anos em que mora na Europa.

Na “segurança” do 1º Mundo, Marjane não precisa mais ter medo de bombas que podem cair a qualquer momento sobre sua casa, mas o mundo parece desabar sobre sua cabeça. Se no Irã ela precisava se esconder dos fundamentalistas para conseguir comprar um disco, na Áustria ela se arrisca para arrumar drogas. Drogas estas que usa devido ao niilismo gerado pela excessiva abertura política, e para suportar a dor de estar sozinha, em uma terra estranha, sem o carinho dos pais.

Nos perguntamos, então, se não seria melhor a garota ter permanecido na guerra, com sua família, a estar entregue à própria sorte em um lugar corrompido, onde os princípios morais são muito mais frouxos e não se pode confiar plenamente nem nas pessoas mais queridas...

Esta é uma das questões que Persépolis nos propõe, mas a obra é toda cheia de momentos profundamente tocantes, que não nos deixam tirar Marjane da cabeça. Um livro para ler e reler. Dark, mas ao mesmo tempo doce. Daqueles que nos fazem chorar e lembrar de que não devemos nunca nos esquecer quem somos.

Luiz Fernando Riesemberg
Keka 10/10/2010minha estante
Eu também fiquei com essa dúvida!
Na verdade, eu acho que ter se mudado foi incrivelmente pior para ela, mas esse é o preço das nossas escolhas, não há como saber.


Luciana.Jorge 21/08/2016minha estante
Excelente descrição!




Pandora 05/05/2011

História+bom humor+quadrinhos = Persépolis.
Persépolis é um trabalho lindo, com ele Marjane Satrape brincando de contar sua história, acaba contando uma face da história do seu povo, dos Iranianos descendentes dos antigos e poderosos Persas. E sim, quando os artistas decidem contar episódios da história de seu povo é sempre bom a gente se segurar, pq costuma sai dessa experiência coisas muito boas.

Ela coloca a gente pra fazer uma viagem que começa quando os árabes invadem a Pérsia em 642 d. C. e derrubam a dinastia dos Sassânidas, passa pelo século XII e os mongóis, caminha pelas idas e vindas dos mundo muçulmano, chega nas Guerras do século XX e cai em 1980, um ano após a Revolução islâmica e enfim chega a garotinha fofa que ela era aos 10 anos de idade.

Então a gente conhece uma menina iraniana "normal" que vive o inicio de uma revolução com toda as suas problematicas e é isso mesmo que ela mostra com seus traços vigorosos e seu bom humor, tanto que o primeiro "capitulo" diz respeito ao uso de véu, que em 1980 passou a ser obrigatória e como as crianças encaram isso de forma super descontraída na escola sem entender o porque daquela novidade, aliás, as questões referentes ao uso do véu vão ir e voltar nessa história todo o tempo e geram de boas piadas a boas reflexões.

No mais a família de Marjane não é uma família tão comum assim, eles eram, nas palavras de Marjane, até que modernos, possuem uma posição economica consideravelmente boa, então ela tem acesso a cultura e se percebe que na vida dela desde cedo fé, politica, economia e diferentes visões da História se misturam de um jeito tão louco que sonho de infância dela era ser profeta.

Ela pensava em ser a primeira Profeta mulher e ao mesmo tempo admirava os grandes heróis socialistas da década de 80 do século XX. Tipo, Che Guevara, Fidel e Trotsk, chegando até a achar semelhanças entre Deus e Marx. Aliás, é verdade que as representações comuns de Marx são muito parecidas com as representações clássicas de Deus como homem velho e barbudo.

E essa coisa de mostrar ângulos diferentes, pessoas diferentes e junções subjectivas meio estranhas como Marx e Deus dialogando e uma menina que quer ser profeta, mas admira Fidel Castro são coisa que me fizeram amar Persépolis de cara.

Logo de cara fiquei fascinada, achei que os quadrinhos eram um ótimo recurso didático, já que trata de história de uma forma descontraída e real, mostra o macro das grandes propaganda estatais e o micro das reações das pessoas a elas, as peculiaridades da cultura persa, a forma como as pessoas reagiam a revolução, ao menos as pessoas da classe média.

Satrapi se permite falar de tudo; da revolução que tirou o Rei do poder; das subtilezas do regime islâmico que impôs depois dele; das mulheres e dos homens em seu cotidiano; das estratégias que as pessoas tinham para conseguirem ter mais liberdade; de quando sua família assustada com bombardeios e perseguições durante a longa guerra Irã x Iraque envia ela com 14 anos para a Áustria e o que aconteceu por lá; da sua depressão pós-guerra; da bagunça que fica quando 1 milhão de pessoas são mortas, tantas outras são mutiladas e família ficam destruídas no espaço de oito anos; da vida nas universidades; da vida familiar: namoro, casamento; das relação regime x população; do processo de alienação cultural; do que choca e do que emociona.
Igor 04/03/2012minha estante
Putz, fiquei ate com vontade de ler o livro!


Irene Moreira 25/03/2012minha estante
Olá Pandora!
Que felicidade ler a resenha do Persépolis completo. Fiquei fascinada com o Persépolis nº1 (lembra?). A história de Marji me emocionou e quando cheguei na última página senti que estava indo junto com ela para o subsolo e como queria saber o que aconteceu depois. Esatava procurando os outros númros e achei o completo e foi quando bati em sua resenha. Amei , Adorei, emocionei!
Posso publicar depois na Saleta?Beijos


Karol Rodrigues 18/02/2016minha estante
resumiu tudo que eu achei dos quadrinhos, Pandora. Acho que também teríamos a acrescentar que ela ainda debate o machismo e o feminismo de uma maneira muito melhor que acontece hoje em dia, que acaba se resumindo em ataque de violência e mais preconceito. Eu consigo ver essas discussões em toda abra que tem como tema a mulher - mesmo que seja de uma forma sutil como em Persépolis - e acho incrível. Adorei a resenha!




Dirce 09/07/2013

"DESASSOSSEGO"
Admito que posso estar sendo injusta ao avaliar Persépolis com 3 estrelas, pois o problema não está no livro e sim em mim. Por saber que se tratava de um romance gráfico com um tema que me é apaixonante – O Irã -, criei muita expectativa acerca do livro. Meu prazer pelos quadrinhos deve ter se perdido na sinuosidade do tempo e, quanto à história do Irã: A Revolução que instaurou a República Islâmica e suas implicações,percebi que a leitura nada estava acrescentando aos conhecimentos que adquiri quando li "Lendo Lolita em Teerã".
Dessa forma, como se trata de uma narrativa autobiográfica, me limiteia focar a leitura nas visão,indagações e angustias intimas da escritora (Marjane Satrapi) desde a sua infância até a idade adulta.
Achei muito divertida a visão da menina Marjane. Com certeza,se Pedro Bloch fosse vivo, diria: "criança diz cada uma...". Quanto a Marjane adolescente, fui eu quem disse: adolescentes são todas iguais, só mudam de endereço. Não é fácil ser adolescente. Quando se trata de uma adolescente que se vê obrigada a deixar de lado as convicções assimiladas da sua família frente a um Regime castrador, então...? E quando se trata de uma jovem um tanto quanto rebelde? Difícil e preocupante. Preocupante ao ponto de seus pais tomarem uma atitude, que a mim, que sou mãe, me pareceu inconsequente. As consequências do exílio de uma jovem ( menina ainda ) enquanto na formação da sua identidade não me causaram surpresa alguma.
Acredito Satrapi quis prestar uma homenagem ao povo Persa ao escolher o título Persépolis , porém um outro título que cairia bem a obra seria " DESASSOSSEGO". Haja desassossego...Tanto para jovem, como para os pais.
Carola 23/09/2015minha estante
Também dei tres estrelas e concordo plenamente com você, a leitura não acrescentou nada aos conhecimentos que já tinha sobre o país. Achei que a autora tratou de forma superficial o período histórico, apesar disso, acho que a leitura é válida.


Karol Rodrigues 18/02/2016minha estante
acho que a intenção dela nem era retratar a guerra, como acontece em Maus, de Art Spiegelman, mas sim retratar o que ela passou durante esse período e o que o regime a "obrigou" a passar quando saiu do país aos 14 anos. Para quem tem vasto conhecimento sobre o tema tratado, realmente não deve acrescentar nada, mas para quem, como eu, não sabia de absolutamente nada a respeito, foi uma leitura que acrescentou muito. Acredito que o público da autora seja esse mesmo - os que conhecem pouco sobre o tema -, então ela obteve muito sucesso sim. Não é a toa que o li pela segunda vez :)




Lori 14/04/2011

Quadrinhos são desvalorizados . Isso não é um ponto em discussão, sendo vistos normalmente com histórias bobas e feitas para crianças. Os defensores dessa idéia não percebem que perdem grande potencial, já que quadrinhos é uma forma diferente de contar histórias, não sendo pior nem melhor. É uma forma mais rápida, visual e, muitas vezes, mais emocional – ver o desenho de um ato de violência é mais forte do que ler brevemente. Não que eu ache que livros não sejam emocionais, por Deus, eu seria a ultima pessoa a dizer isso, mas quadrinhos podem ter um impacto maior nesse sentido. E é um erro crer que não se pode contas histórias adultas através de quadrinhos, quando se crê na premissa que é uma forma diferente de arte se vê isso claramente.

Persépolis é um ótimo caso para provar isso. Tem passagens engraçadas? Claro, são hilárias na verdade. O livro é para “gente grande”? É o principal grupo. O livro conta a história de Marjane e sua relação com a família, seu país, seus amigos e principalmente consigo mesma. Estamos falando de uma pessoa que teve que se afastar de tudo que conhecia para ir para um país diferente onde sua cultura é considerada ‘estranha’ e muitas vezes rejeitada. Onde está a grande história para criança dormir? É um instrumento importante para ensinar a crianças a terem respeito por características diferentes, mas não é focado nisso. Principalmente por que a vida de ninguém é uma lição de moral, como qualquer um Marjane sofreu injustiças e cometeu erros. O que a difere de outras pessoas é sua capacidade de contas histórias e coragem de expor sua vida privada.

Ah, por que Satrapi não esconde nada. Ela conta sua história desde o início, sua fé em Deus e como a revolução atingiu sua família e vai até o dia que muda para a Europa definitivamente. É uma ótima forma de conhecer um país que temos pouco conhecimento, e o que temos é de uma mídia ocidental. É bom conhecer os costumes de uma pessoa de dentro, que obviamente tem sua parcialidade, contudo uma que é baseada na experiência vivida. Culturas diferentes me fascinam, logo ter oportunidade de ver como é a vida de um grupo social em uma sociedade tão diferente é importante. O interessante que no fim tenho aquele velho sentimento de que todos procuram a mesma coisa, o velho clichê de felicidade, amor e paz interior. Clichê se transforma em um por que é usado diversas vezes e acontece por ser verdade.

Persépolis não é um livro sobre uma iraniana e pronto, é sobre uma mulher que nasceu no Irã, por que ela não fica presa as fronteiras. É sobre a busca dela por um futuro diferente, os contrastes ocidentais e orientais, a sua relação com os pais e com homens. É sobre família, solidão, amor. É sobre lutas, quedas e reerguidas. É sobre mulheres e tudo que é ser uma, seja no Ocidente ou no Oriente. E ainda há pessoas que acham que é simplesmente quadrinhos bobos.

- - - - - - - - - - - - - -

http://depoisdaultimapagina.wordpress.com
comentários(0)comente



Coruja 18/10/2012

Não conheço muito da história contemporânea do Oriente Médio, exceto, talvez pelo fato de que eles parecem viver em constante pé de guerra uns com os outros. A questão é que boa parte do nosso conhecimento histórico vem da escola e fora uma breve menção à criação do Estado de Israel, o Oriente só veio aparecer nas nossas vidas após os atentados de 11 de setembro nas aulas de redação para o vestibular.

Quero crer que hoje a história e geopolítica da região sejam tratadas com um pouco mais de atenção nas salas de aula, considerando o quanto ela tem estado nos noticiários. Melhor ainda seria descobrir que existem trabalhos envolvendo História e Literatura usando livros como Persépolis.

A esperança é a última que morre...

Diariamente vemos notícias daquele recanto do mundo – a Primavera Árabe, a guerra civil na Síria e os protestos por causa de um filme que ataca e ridiculariza a figura do profeta Maomé têm sido algo constante. E aí balançamos a cabeça, estreitamos os olhos e começamos as platitudes: ‘tempestade em copo d’água’; ‘cada povo tem o governo que merece’, ou ingenuamente partindo do princípio que liberdades fundamentais podem ser relativas dentro de termos culturais (e logo estaremos justificando caçadas humanas e canibalismo como relatividades culturais).

Polariza-se Ocidente e Oriente e o Oriente nos parece tão diferente em seus costumes, princípios, moral, que é quase como estarmos diante de um alien.

Eu acredito em uma única palavra: tolerância. Mas deixemos essa polêmica para outro dia.

Porque estou dizendo tudo isso? O que tem a ver com a resenha de hoje? Ora, tudo, eu respondo. Persépolis - que é uma narrativa autobiográfica da autora nos tempos da Revolução Islâmica de 1979 – me fez enxergar o mundo por trás do véu, por trás do peso da religião e das tradições.

Ela fala sobre sua cultura, sobre o Irã, sobre sua (riquíssima) história, dos Persas aos aiatolás, da brutal revolução, das perdas e experiências trazidas por ela. Ela fala sobre como é ser vista como uma estrangeira – primeiro na Europa, depois em sua própria terra. Fala do que é ser mulher em uma cultura essencialmente machista e repressora. Isso com humor, de forma direta, sem dramatizar ou açucarar demais.

Satrapi nos aproxima desse mundo que, por vezes, nos parece tão distante. Leva a nos identificarmos – são os mesmos anseios, as mesmas dúvidas, os mesmos sonhos. E também a entender um pouco mais em vez de apenas julgar do conforto de seu sofá, engessado por anos de uma cultura onde o preconceito é uma regra, não exceção.

Aliás, após terminar Persépolis, tirei da estante Orientalismo, de Edward Said (o próximo da lista agora vai ser o História dos Povos Árabes) e muitos dos conceitos que ele trabalha no livro me fizeram lembrar da obra de Satrapi. Vemos o Oriente através de um véu de noções pré-concebidas herdadas do período colonialista. Entre o exótico das Mil e Uma Noites, interpretações fundamentalistas do Alcorão e o trauma das invasões otomanas até o fim do século XVII, esquecemos que boa parte de nossa cultura clássica (grego-romana) só sobreviveu por causa de orientais como Avicena e Averróis.

Excelente leitura e uma boa porta de entrada para pararmos de olhar apenas para nossos eurocêntricos umbigos e entender um pouco mais - de forma bastante humana - o mundo para além de nosso quintal.

(resenha originalmente publicada em www.owlsroof.blogspot.com)
comentários(0)comente



gustavo 02/07/2012

Um livro que vai lavar sua alma
Recomendo a leitura de Persépolis a qualquer pessoa que uma vez na vida já se sentiu solitário, deprimido e abandonado. Muitas pessoas leem o livro e dão mais atenção à questão política do Irã, quando na verdade o livro é uma biografia da Marjane Satrapi, e as guerras são importantíssimas, óbvio, mas são apenas coadjuvantes na vida dela. Assim, creio que a sua vida na Europa foi de igual importância na história (e é a parte do livro que mais me encanta), assim como sua volta para o Irã mais tarde. A maneira como ela cresce, apesar de todos os problemas que enfrenta, apesar de ter ido parar no fundo do poço, é de lavar a alma. E o que torna o livro genial é o fato de ela conseguir contar a história do Irã, vista por alguém com consciência política e livre das alienações que boa parte da sociedade iraniana sofreu, relacionando com a sua própria história. Me sinto mais em paz comigo mesmo depois de ter lido esse livro. O filme também é recomendadíssimo.
comentários(0)comente



Passarinho 30/04/2013

A revolução é que nem bicicleta, se as rodas não giram, ela caí.
"É horrível. Todo dia eu vejo ônibus lotados de garotos que chegam como reforços.
Eles vêm dos meios desfavorecidos dá pra ver... Depois de ouvir promessas de mundos e fundos no além, são forçados a cantar para entra em transe... É um absurdo! Transformados em fanáticos, eles se atiram na batalha, uma carnificina...
A chave do paraíso era para os pobres. Com a promessa de uma vida melhor, milhares de jovens com a chave pendurada no pescoço, explodiram nos campos minados."

Marjane Satrapi uma mulher iraniana nos relata em um emocionante graphic novel desde de sua infância (aonde através de influência dos pais e da avó sob a literatura/conhecimento fazia pequena revoluções no quintal de casa com dois amigos contra o governo imperial da época, enquanto os pais protestavam nas ruas) passando por sua adolescência (aonde viveu uma grande parte da adolescência na Áustria e como foi a adaptação ao modo ocidental de viver) e sua vida adulta cheia de incertezas. Marjane viu a guerra desde de cedo uma guerra diplomática que dura centenas de anos, e incontáveis mortos, viu amigos/familiares morrerem como verdadeiros heróis mas julgados como traidores e vândalos da lei pelo poder tirano do governo, e pessoas pobres de alma morrerem sendo manipuladas com promessas de um futuro melhor. Marjane viveu em uma sociedade extremamente machista, aonde mulheres não tinha opinião, e eram submissas aos homens entre tantas outras coisas, de uma cultura de tradicionalismo machista doentio tanto desse "tradicionalismo" quanto na religião.
Marjane desde de pequena se tornou uma revolucionária em seu meio, uma revolucionária incrível.
Uma história real, de medos, sonhos, confrontos, lágrimas, risos, pequenas revoluções internas e externamente, simplesmente encantador, aonde explica-se melhor sobre a história e a guerra que pouco se sabe do Oriente Médio de uma madeira mais lívida, de uma pessoa que viveu de perto boa parte disso.

"Quando a gente passou na frente da casa dos Baba-Levy, toda destruída, percebi que ela me puxava discretamente. Algo me dizia que os Baba-Levy estavam lá.
Então eu vi um bracelete de turquesa, o que a Neda ganhou da tia, de presente de 14 anos... O bracelete ainda estava preso no... não sei...
Grito nenhum poderia aplacar meu sofrimento e minha raiva."

comentários(0)comente



Tábata Kotowiski 12/06/2013

Que livro maravilhoso! Nem sei porque demorei tanto a ler! Se tornou com certeza, meu quadrinho favorito. Uma autobiografia para se deleitar, tamanha a sensibilidade diante de uma história tão impactante quanto a de Marjane. Sua inocência e a beleza de brigar por seus ideais de uma forma tão ingênua, tão pura, tão ela mesma. Tô apaixonada. Pela obra e pela artista. Livro lindo di duê! Recomendo recomendadíssimo!

site: randomicidades.wordpress.com/
comentários(0)comente



PaulaMorrison 24/09/2009

Um sério divertido
Sem sombra de dúvida, recomendo Persepólis de olhos fechados pra qualquer pessoa, de qualquer idade. De uma forma, simples, real, cômica e leve, Marjane conta a história de sua propria vida, levantando sua infância revolucionária e imaginativa em que dialogava com Deus e Marx; sua fase de adolescente mergulhada em um regime fundamentalista em que contrabandeava cds de metal para fugir de sua própria realidade; sua fase de jovem estrangeira em um país europeu, que termina enfrentando toda a dificuldade de ser uma estranha no ninho daquela realidade e ainda toda a dificuldade de ingressar na própria juventude e todos os perigos que a rodeiam e ainda a sua relação familar com pais, avó, tios, todos personagens maravilhosos que ganham a nossa simpatia desde o primeiro momento que aparecem e sao tao importantes na hq, quanto a propria Marjane.

Eu amei Persepólis e coloco no topo das melhores coisas que tenho lido, nesses tempos.

Admirável alguem que passou por tanta violencia e revoluções, conseguir achar humor em tudo isso. E escrever esse lindo livro.
comentários(0)comente



Saleitura 19/04/2012

História+bom humor+quadrinhos = Persépolis.
Persépolis é um trabalho lindo, com ele Marjane Satrape brincando de contar sua história, acaba contando uma face da história do seu povo, dos Iranianos descendentes dos antigos e poderosos Persas. E sim, quando os artistas decidem contar episódios da história de seu povo é sempre bom a gente se segurar, porque costuma sai dessa experiência coisas muito boas.

Ela coloca a gente pra fazer uma viagem que começa quando os árabes invadem a Pérsia em 642 d. C. e derruba a dinastia dos Sassânidas, passa pelo século XII e os mongóis, caminha pelas idas e vindas dos mundos muçulmano, chega às Guerras do século XX e cai em 1980, um ano após a Revolução islâmica e enfim chega a garotinha fofa que ela era aos 10 anos de idade.

Então a gente conhece uma menina iraniana "normal" que vive o inicio de uma revolução com todas as suas problemáticas e é isso mesmo que ela mostra com seus traços vigorosos e seu bom humor, tanto que o primeiro "capitulo" diz respeito ao uso de véu, que em 1980 passou a ser obrigatória e como as crianças encaram isso de forma super descontraída na escola sem entender o porquê daquela novidade, aliás, as questões referentes ao uso do véu vão ir e voltar nessa história todo o tempo e geram de boas piadas a boas reflexões.

No mais a família de Marjane não é uma família tão comum assim, eles eram, nas palavras de Marjane, até que modernos, possuem uma posição econômica consideravelmente boa, então ela tem acesso a cultura e se percebe que na vida dela desde cedo fé, política, economia e diferentes visões da História se misturam de um jeito tão louco que sonho de infância dela era ser profeta.

Ela pensava em ser a primeira Profetisa mulher e ao mesmo tempo admirava os grandes heróis socialistas da década de 80 do século XX. Tipo, Che Guevara, Fidel e Trotsk, chegando até a achar semelhanças entre Deus e Marx. Aliás, é verdade que as representações comuns de Marx são muito parecidas com as representações clássicas de Deus como homem velho e barbudo.

E essa coisa de mostrar ângulos diferentes, pessoas diferentes e junções subjetivas meio estranhas como Marx e Deus dialogando e uma menina que quer ser profeta, mas admira Fidel Castro é coisa que me fizeram amar Persépolis de cara.

Logo de cara fiquei fascinada, achei que os quadrinhos eram um ótimo recurso didático, já que trata de história de uma forma descontraída e real, mostra o macro das grandes propagandas estatais e o micro das reações das pessoas a elas, as peculiaridades da cultura persa, a forma como as pessoas reagiam a revolução, ao menos as pessoas da classe média.

Satrapi se permite falar de tudo; da revolução que tirou o Rei do poder; das subtilezas do regime islâmico que impôs depois dele; das mulheres e dos homens em seu cotidiano; das estratégias que as pessoas tinham para conseguirem ter mais liberdade; de quando sua família assustada com bombardeios e perseguições durante a longa guerra Irã x Iraque envia ela com 14 anos para a Áustria e o que aconteceu por lá; da sua depressão pós-guerra; da bagunça que fica quando um milhão de pessoas são mortas, tantas outras são mutiladas e famílias ficam destruídas no espaço de oito anos; da vida nas universidades; da vida familiar: namoro, casamento; das relação regime x população; do processo de alienação cultural; do que choca e do que emociona.

Leitura e Resenha de Pandora
Skoob

Postado na Saleta de Leitura
http://saletadeleitura.blogspot.com.br/2012/03/resenha-de-persepolis-completo-de.html
A menina das id 08/09/2012minha estante
Não sei o livro, mas o filme foi ótimo!




Camila 30/05/2010

Leve e profundo
Marjane passeia por boa parte da história contemporânea do Irã com uma leveza que é de espantar, pela gravidade dos acontecimentos referidos. O livro é empolgante, sendo uma auto-biografia sem cair no egoísmo, já que, muito mais do que em si, a história é centrada nos fatos. Recomendada para leitores de todas as idades, desde que estejam dispostos a conhecer - e tentar compreender um pouco mais - esse mundo louco em que vivemos.
Rafael Moss 10/07/2010minha estante
"sem cair no egoísmo"

Não concordo muito com essa parte. Em alguns momentos a Marje escreve sobre fatos irrelevantes, centradas em opinião pessoal. Claro que devemos levar em consideração que ele fez essa obra para os amigos conhecerem ela. Mas ainda assim não é um livro isento.




Fabiola 26/11/2011

Persépolis – uma história em quadrinhos para adultos
Engana-se quem pensa que os quadrinhos são necessariamente voltados para crianças. Não é de hoje essas histórias de teor adulto e politizado fazem sucesso entre os que já passaram da puberdade. Já na década de 60, Quino falava de assuntos sérios de maneira bem-humorada com sua simpática Mafalda. Diversas graphic novels se popularizaram por tratar de temas mais pesados, como é o caso de V de Vingança. Para a coluna de hoje, porém, decidi falar de um livro muito legal e inovador: Persépolis, de Marjane Sartrapi (Cia. Das Letras)! Aí você vai me perguntar: ok, Fabiola, mas por que raios Persépolis é um livro tão revolucionário? Pois bem, acontece que este livro nada mais é do que a biografia da autora… em formato de quadrinhos!

Marjane Sartrapi é iraniana e, neste livro, narra suas memórias, desde quando era apenas uma menina de dez anos oprimida em um país onde as mulheres praticamente não tinham direitos, até crescer e se tornar uma mulher inteligente e engajada. Há momentos bem-humorados no livro mas as partes marcantes, sem dúvida, são as que envolvem as atribulações da vida de Marjane. Juro, há umas passagens tão emocionantes que nem o fato de serem narradas em formato de quadrinhos ameniza a tensão.

Continue lendo em: http://7em1.wordpress.com/2011/10/20/literatura-persepolis-uma-historia-em-quadrinhos-para-adultos/
comentários(0)comente



Paula 30/08/2014

Persépolis pode ser considerado um romance de formação em quadrinhos no qual a ilustradora iraniana Marjane Satrapi conta a sua própria história e também um pouco da história de seu país. Radicada na França, a ilustradora criou Persépolis para contar a sua história e a história de seu povo para seus amigos europeus que, assim como nós, desconhecemos a complexidade da história iraniana, seus costumes e tradições. Durante a leitura vamos nos dando conta de que muito do pouco que sabemos é uma grande simplificação, estereótipos que reduzem as pessoas e suas histórias a muito pouco.

O livro começa com Marjane ainda pequena, aos dez anos, na escola em Teerã, narrando em primeira pessoa como foi que com a Revolução Islâmica houve uma retomada bastante conservadora aos costumes antigos, por exemplo, tornando-se obrigatório novamente o uso do véu pelas mulheres, a separação entre meninas e meninos na escola, entre outros.

Marjane, filha de pais modernos e intelectuais, teve a chance de ter acesso a muitos livros, e a ter uma visão contrária ao regime extremista em vigor, por conta do respaldo que tinha da família e da boa situação financeira de que dispunham. Por conta disso, Marjane teve a chance de manifestar sua rebeldia dentro dos limites possíveis em Teerã. A leitura aparece como ponto de apoio e possibilidade de crescimento no decorrer de toda a história.

As figuras femininas como a mãe a avó de Marjane tem grande importância na narrativa e é através da perspectiva social das mulheres que podemos refletir sobre a condição social da mulher não apenas nos países islâmicos. Por trás dos véus, passamos a conhecer essas mulheres reais, suas histórias, seus sonhos, suas crenças e questionamentos, e também seu sofrimento diante da opressão, em suas variadas formas.

A dualidade espaço público x espaço privado pode ser pensada ao longo da narrativa, pois vemos que as limitações e a opressão religiosa existente predominava nos espaços públicos, ao passo que havia uma liberdade maior entre as personagens nos espaços privados. Em suas casas, os iranianos faziam festas frequentemente, consumiam bebidas alcoólicas e tinham mais liberdade para falar e agir, algo oposto à repressão exterior, o que certamente os ajudou a sobreviver em circunstâncias tão difíceis.

Com a guerra, os pais de Marjane decidem que, para protegê-la, é melhor que ela se mude para a França, para poder continuar estudando. É assim que Marjane, uma adolescente de 14 anos, passa a conhecer uma outra realidade, muito diferente do seu país de origem. Na França, a liberdade que ela encontra nos espaços públicos ela perde nos espaços privados. Longe da família e de sua cultura, Marjane enfrenta uma nova realidade: a de ser estrangeira, muitas vezes sofrendo o preconceito e a discriminação que a simplificação resultante de estereótipos e do acesso a uma história única provocam, algo que constantemente é compartilhado pela mídia e tomado como verdade.

Nesse período na França, Marjane está em busca de si mesma, tentando não se perder diante do novo e aprendendo a lidar com as transformações de seu corpo adolescente. O desenvolvimento do corpo das mulheres no decorrer da história nos ajuda a pensar nas diferentes exigências em relação ao corpo, principalmente o corpo feminino, pela sociedade. Nos quadrinhos de Marjane vemos que esse corpo não se reduz ao corpo biológico, mas ao corpo cultural, definido por sua situação social.

Marjane passa por muitas dificuldades durante os anos em que mora na França e, no final, sem ter onde morar, fica vagando pelas ruas em pleno inverno e acaba por adoecer. Depois de ser tratada em um hospital francês, decide voltar para casa, mas esse período traumático que passa nas ruas é silenciado pela dificuldade que sente em o narrar, principalmente para os pais. De volta à Teerã, Marjane não consegue contar muito sobre a sua vida na França, mesmo com a recepção calorosa da família, e acaba por ficar deprimida. Agora ela também se sente uma estrangeira em seu próprio país, pois as experiências que a transformaram e as vivências que teve no exterior são muito diferentes da realidade da guerra daqueles que ficaram no Irã.

Todo o processo de readaptação dessa adolescente, agora uma mulher, ao voltar para casa e se confrontar novamente com as tradições nos possibilita novas reflexões. As discussões sobre o casamento, por exemplo, retomam a dualidade espaço público x espaço privado, pois os casais não podiam andar juntos pelas ruas se não fossem casados, e mesmo os casados tinham que apresentar sua certidão de casamento para isso. É a impossibilidade de viver publicamente seu namoro com o jovem Reza que leva Marjane a aceitar o casamento, para tempo depois se divorciar. Apesar do apoio da família, que aceita sem problemas o divórcio, uma mulher divorciada não é vista com bons olhos pela sociedade iraniana, pois já não são mais virgens e passam a ser abordadas constantemente, pois são consideradas disponíveis para qualquer homem. Após o divórcio, e por orientação dos pais, Marjane retorna à França em definitivo, onde reside até hoje.

Persépolis é um romance em quadrinhos que traz ótimas reflexões e aprendizado sobre um outro universo, que a maioria de nós desconhece, nos faz pensar sobre os perigos de se acreditar em uma história única e simplificada sobre os outros e que, além de tudo, é uma leitura deliciosa.

SATRAPI, Marjane. Persépolis. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 352 páginas.

site: http://www.pipanaosabevoar.blogspot.com.br/2014/08/persepolis.html
comentários(0)comente



sonia 13/12/2012

uma história do mundo atual
interessante, as mudanças politicas do meio oriente vista do ponto de vista de uma garota persa - principalmente porque deste lado do mundo a gente tende a pensar no meio oriente como um bloco de árabes, esquecidos de que o Iran de hoje é a antiga Pérsia.
Triste, muito real, instrutivo.
comentários(0)comente



Vivii 02/01/2012

Uma excelente maneira de conhecer um pouco mais sobre um país e uma cultura tão diferentes da nossa, já que a história toda se passa em quadrinhos. O texto conta a vida da autora, uma iraniana cheia de pensamentos conflitantes. o livro mostra que por mais diversos que sejam os povos, somos todos pessoas tentando viver, cheias de sentimentos.
comentários(0)comente



182 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |