A Hora da Estrela

A Hora da Estrela Clarice Lispector




Resenhas - A Hora da Estrela


426 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |


Michael Jordan 10/10/2017

Sim, Clarice! Eu digo sim, à vida!
"Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida". Tudo começou com um sim, aos 13 anos, meu primeiro contato com Clarice. Foi um tremendo susto, desses quando se está no escuro e de repente uma luz se acende. "Tudo começou com um sim", continuei a repetir dias à fio, catatônico, perplexo. Uma escrita que beira à loucura, que transpassa pelos poros e afetos. A cada leitura ficava mais difícil atingir uma compreensão, porque Clarice, se é que podemos afirmar isso, buscava justamente o oposto: queimar mapas, romper fronteiras entre a escrita e o pensamento, entre a língua e o corpo, era impossível não ser afetado por Maca, não sentir o peso intransponível de também ser Maca, ser quase - somos o que nos falta. Essa mulher pequena, mirrada, "tão tola que às vezes sorri para os outros na rua", "tão pobre que só comia cachorro-quente". O livro, quase tão ínfimo quanto a personagem, de 70 e poucas páginas, é um dos maiores livros do mundo. Completando 40 anos de publicação em 2017, numa edição maravilhosa com manuscritos da autora e textos de apoio, conta com 13 títulos possíveis pelos quais temos indícios de que as escolhas serão centrais e que podem ser privilégios para quem nunca possuiu nada. Com três eixos narrativos: as experiências do narrador (Rodrigo S.M.), a história de Maca e o próprio processo de escrita e produção da obra - ambos se mesclam em busca de identidades culturais, existenciais e sociais de quem "gasta pouco da vida para esta não acabar". A tessitura narrativa, não linear, voa em fragmentos pelo ar e ardem nossos olhos. Última obra publicada por Clarice ainda em vida, poucos meses antes de falecer vítima de um câncer nos ovários. Semelhanças à parte, com os ovários murchos de Maca, seu livro é um presságio, uma despedida de quem se entrega ao fogo e se eleva às estrelas. “Pergunto eu: conheceria ela algum dia do amor o seu adeus? Conheceria algum dia do amor os seus desmaios? Teria a seu modo o doce voo? De nada sei. Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo é um pouco triste e um pouco só?". Macabéa nos provoca raiva, indignação, compaixão, "a moça é uma verdade da qual eu não queria saber", nos coloca em posição de culpa, é desesperadora a vontade de amparar "as fracas tentativas de uma moça numa cidade toda feita contra ela". Felicidade pra ela é um conceito oco, inexiste passado e projeto de futuro, fracassa no trabalho, no amor, acentua seu lugar de vítima, vítima de si. Clarice cria a personagem pra morrer com ela. Impossível não morrer com Macabéa, é preciso que ela morra pra que ela exista, pra que vire estrela e tome consciência de si. A moça me matou. "E agora - agora só me resta acender um cigarro e ir para casa. Meu Deus, só agora me lembrei que a gente morre. Mas - mas eu também?! Não esquecer que por enquanto é tempo de morangos. Sim." "Tudo no mundo começou com um sim", agora entendo, as coisas nascem por um ato de vontade e afirmação, pelo qual algo passa a existir a partir de uma expressão de uma escolha, a partir da possibilidade de um não e um sim, para que então essa escolha se fizesse. Eu digo sim, Clarice. Eu digo sim, para continuar inventando a mim e o mundo.
Paulo Sérgio 11/10/2017minha estante
Ela escrevia com a alma. Eu amo esse livro. Sua resenha ficou sensacional. Cheguei a contar a biografia dela no meu canal. Tem o link no meu perfil, caso queira conhecer, Michael! Absss




Carol 08/10/2017

Adorei!
Resenha feita originalmente no blog Virando Amor

O livro é contado sob o ponto de vista do autor Rodrigo S. M. contando a vida de Macabéa, uma nordestina datilógrafa sofrida. Depois de ter perdido seus pais, ela vai morar com sua tia, uma beata nem um pouco carinhosa. Sua tia morre em seguida e ela se muda para o Rio de Janeiro.

Macabéa leva uma vida insignificante; não é boa em seu trabalho, quando arranja um namorado, o Olímpico, ele a troca por sua colega, Glória. Logo em seguida, ela vai a uma cartomante e lá descobre que sua vida, daqui pra frente, irá melhorar. Ela que, coitada, acha que é feliz, vai ter tudo aquilo que ela nem imaginava querer.

É um livro feito pra gente refletir sobre a solidão, o desamparo que todos nós sentimos em algum ponto de nossas vidas. Macabéa é uma personagem simples, e bem no início nos sentimos próximos a ela, nos faz sentir pena de todo o sofrimento que passa. Inocente que só ela, acredita em tudo que lhe dizem, embora não entenda nada sobre o que é dito.

O livro tem apenas 88 páginas e não tem divisão de capítulos, até porque com a escrita fluída você lê o livro em apenas um dia. A escrita de Clarice é única, e não acredito que demorei tanto pra ler um livro dela.

A Hora da Estrela te fará refletir, e ficará por isso mesmo, pois traz perguntas, mas não respostas – assim como a vida. Mas você deve ler assim mesmo, pois é um livro que, seja por pena ou raiva, todos nós podemos nos identificar.

site: http://www.virandoamor.com/2017/10/resenha-hora-da-estrela.html
Paulo Sérgio 11/10/2017minha estante
Já li umas três vezes e sempre encontro algo novo pra refletir. Um livro que mexe muito comigo. A resenha ficou muito legal, Carol. Se tiver interesse, contei a biografia da Lispector no meu canal. Tem o link no perfil. Aparece por lá pra gente debater um pouco mais sobre ela. Bjsss




Nina 30/09/2017

"a vida é um soco no estômago"
Um amigo do trabalho me indicou, logo dizendo que se tratava de uma história triste. E põe tristeza nisso. A vida da alagoana Macabéa nunca foi fácil, presa em seu mundo particular, ela simplesmente "existe" sem que as pessoas ao seu redor se deem conta de sua miserável existência. Narrativa agradável e de fácil compreensão, onde o alter-ego de Clarice apresenta para o leitor uma personagem sofrida, singela, porém, sonhadora!
Impossível não se deixar envolver pela história e também se identificar com esta personagem, que nos ensina muito sobre o sentido de nossa existência.
comentários(0)comente



spoiler visualizar
comentários(0)comente



ROBERTA 26/09/2017

Minha primeira reação ao ler o livro foi de raiva. Não conseguia me confirmar com o fato de a história não começar! Não gosto de Clarice, sempre afirmo, mas o livro foi me conquistando... E me conquistou! A história de Macabéa me fez rever meus conceitos. Acho que preciso ler mais Clarice!
comentários(0)comente



Bya @paixoesliterarias_ 26/09/2017

Livro bom
A história da nordestina Macabéa é contada passo a passo por seu autor, o escritor Rodrigo S.M. (um alter-ego de Clarice Lispector), de um modo que os leitores acompanhem o seu processo de criação. À medida que mostra esta alagoana, órfã de pai e mãe, criada por uma tia, desprovida de qualquer encanto, incapaz de comunicar-se com os outros, ele conhece um pouco mais sua própria identidade. A descrição do dia-a-dia de Macabéa na cidade do Rio de Janeiro como datilógrafa, o namoro com Olímpico de Jesus, seu relacionamento com o patrão e com a colega Glória e o encontro final com a cartomante estão sempre acompanhados por convites constantes ao leitor para ver com o autor de que matéria é feita a vida de um ser humano.
⏰⭐
No início da leitura, estranhei a falta de divisão de capítulos, o que nunca tinha visto antes. Depois, desconfiei seriamente que a Clarice Lispector não estava normal quando escrevia esse livro, porque ele me trouxe uma sensação de maluquice. Mas, ele melhora uns 50% depois das primeiras 40 páginas, mas mesmo assim achei que faltou alguma coisa pra se tornar um livro espetacular como já tinha ouvido várias pessoas falarem.
É uma história sem grandes acontecimentos, mas que o essencial encontra-se nas coisas mais simples, coisas tão simples que a maioria das pessoas não conseguem notar, e por causa disso a beleza de Macabéa passa despercebia, mas Rodrigo atento aos detalhes não deixa passar.
Um ponto negativo do livro é a enrolação no começo da narrativa, coisa que me deixou um pouco entediada. Mas depois a leitura fluiu e terminei rapidinho. A história em si é legal e reflexiva. Quero ler outros livros da autora, já que alguns deles são contos, crônicas e romances. Acredito que esses irei gostar mais.
Por conta da enrolação no início, indico para quem tem paciência de ler um livro com esse conteúdo. ⏰⭐

site: https://www.instagram.com/p/BZeAp_QARFT/?hl=pt-br&taken-by=paixoesliterarias_
comentários(0)comente



Fabíola 22/09/2017

A hora da estrela
Por diversas vezes larguei a leitura... não porque seja ruim, de forma alguma...mas uma melancolia inundava meu ser.
.
Essa edição é referente ao aniversário de 40 anos de sua publicação. Possui manuscritos originais e textos de ensaios de estudiosos brasileiros e estrangeiros.
Parei por um instante para procurar um pouco mais sobre quem foi esta mulher e em um dos vídeos, fiquei consternada com sua sensibilidade, com a forma de sentir , seu olhar sobre a vida. Seria inocente de minha parte achar que é possível entender a personalidade de quem quer que seja, mas eu precisava tentar sentir um pouco de Clarice. Li outras resenhas, li esses ensaios...e ainda penso que aquilo que escrevemos vem de nós...de algum ponto que podemos encarar como desconhecido, mas sim, nos representa.
Nesse primeiro contato meu com Clarice, sim leio pouco literatura brasileira, mas aos poucos estou dedicando mais tempo para esse segmento. Voltando... a sensação de ler sobre Macabéa, escrito por uma mão, mas a sombra de Clarice constante, através do narrador, mostra um processo duo impressionante. Passei a sentir a pobreza infinita da personagem, a olhar com carinho, com humanidade para grande mensagem por trás de cada linha. A tentar entender os coadjuvantes da história, como a frivolidade de Glória, o machismo de Olímpico e ao mesmo tempo sua imensa carência de aceitação...todos personagens mostram nossa humanidade...nossos vícios e virtudes.
Macabéa me conquistou, sua miséria era tão profunda que doeu em mim...
E como é citado por Paloma Vidal: Clarice que se embebe de sua Maca, copiando-a nestas páginas, pois todos nós somos um, produzindo uma unidade a ser depois fragmentada, através da montagem. E nós por diversas vezes não nos sentimos como Macabéa? Não somos fragmentos de tantos eus? Fica a reflexão...
.
.
Gostei muito de ler os ensaios de estudiosos acerca das obras de Clarice, trouxe-me visões que provavelmente não enxergaria sozinha.
.
Recomendo a leitura.
.
comentários(0)comente



Ariadne.Esqueisaro 18/09/2017

A hora da estrela
É chato daqui até depois de amanhã
comentários(0)comente



Anne 06/09/2017

Um dos melhores livros que já li
O narrador fictício, Rodrigo S.M, narra a vida da personagem Macabéa, uma história sem grandes acontecimentos, mas que o essencial encontra-se nas coisas mais simples, coisas tão simples que a maioria das pessoas não conseguem notar, e por causa disso a beleza de Macabéa passa despercebia, mas Rodrigo atento aos detalhes não deixa passar. Enquanto fala sobre a vida da personagem, ele deixa transparecer relapsos de sua própria melancolia, tornando o livro uma narração riquíssima.
comentários(0)comente



Lindsey 26/08/2017

Atemporal
Não é só de frases motivacionais no Facebook que vive Clarice Lispector. Na verdade vivia, já que ela faleceu em 1977, um dia antes de completar 57 anos. Mas suas obras a imortalizou e seu talento tornou alguns de seus escritos atemporais, como é o caso do clássico da literatura brasileira 'A Hora da Estrela'. Essa história, contada pelo escritor Rodrigo S. M. (alter-ego de Clarice), fala de Macabéa, uma nordestina órfã, criada pela tia, que vive no Rio de Janeiro e se sente presa a sua 'insignificância'. Uma mulher sem encantos que 'não tinha consciência do que é existir'. Através de sua rotina, de seus sonhos e suas angústias o leitor vai tentando decifrar quem é essa mulher, ao mesmo tempo que vai se identificando com algumas de suas características. Para alguns pode até mesmo ser um 'choque' de realidade. Mas não prometo que vá conseguir decifra-la completamente, já que como Rodrigo mesmo diz no início, 'trata-se de livro inacabado porque lhe falta a resposta. [...] É uma história em tecnicolor para ter algum luxo, por Deus, que eu também preciso. Amém para nós todos'.
* Confira minhas outras resenhas no Instagram @livro100spoiler

site: https://www.instagram.com/livro100spoiler
comentários(0)comente



Sammy 14/08/2017

Uma análise filosófica
Quem tiver interesse em uma nova perspectiva sobre essa obra,no blog A Hora de Juno (criado por algumas alunas do curso de Filosofia da FAFICA) temos um texto escrito por nossa professora, a poeta e filósofa drª Fátima Costa sobre a questão do amor.

site: https://ahoradejuno.wordpress.com/2017/07/01/macabea-e-o-amor-sem-amor-parte-i/
comentários(0)comente



Aurora 01/08/2017

Chato no começo, melhora um pouco...
No começo da leitura, estranhei com a falta de divisão de capítulos, o que nunca tinha visto antes. Depois, desconfiei seriamente que a Clarisse Lispector não estava normal quando escrevia esse livro, porque ele me trouxe uma sensação de maluquice. Mas, ele melhora uns 50% depois das primeiras 40 páginas, mas não achei tãooo bom.
comentários(0)comente



Maetamong 31/07/2017

Sensacional
Eu nunca tinha se quer tida a vontade de ler esse clássico da literatura brasileira, e como estudante sempre ouvi dos professores sobre o livro e do quão importante ele representava, após terminar o Ensino Médio e partir para realidade da vida, percebi que estava perdendo muito, e umas das perdas era a leitura, e então decidi ler esse livro, e decidi comprar uma versão mais ampla para saber mais sobre a Clarice, e, no entanto esse livro é perfeito, logo na página 42 começa a hora da estrela e termina tão curtamente e emocionante que parece um conto e não um livro. Mais é incrível a escrita flui como se eu quisesse ter pegado esse livro pra ler a muito tempo, e ao decorrer da história você ri, quase chora, e se emociona ao perceber quão inocente e sem vida a Macabéa é, uma questão social e vivida por muitos, é na verdade uma realidade do brasileiro, e de todos que acabam vivendo o criacionismo.
Após ler esse livro e ter lido alguns contos da Clarice, vejo que ainda perco muito por não dar tanta atenção aos autores brasileiros, e principalmente por outras obras dela, espero continuar nesse caminho em busca e obter mais interesse pela literatura brasileira porque sinceramente estamos perdendo muito.
comentários(0)comente



Carolina 26/07/2017

Insignificantes
A escrita que insiste em ressaltar a insignificância de Macabéa me faz pensar sobre minha própria insignificância... narrativa simples, dura, direta e mesmo assim muito linda.
comentários(0)comente



Isa 24/07/2017

A hora da estrela
Li, pela primeira vez, em uma aula de literatura, somente porque valia nota. Quando comecei a ler não vi a hora de acabar, pois odeio livros que enrolam pra começar a história e nesse livro, Clarice Lispector, enrola bastante para dar inicio a história.
Embora seja um livro super fino, de leitura rápida, fiquei impaciente e nem consegui entender a história de Macabéa, pois só conseguia pensar "meu deus, quando esse livro acaba?"
Após convencer a mim mesma dar uma segunda chance a obra, li do começo ao fim com muita vontade de entender Macabéa e a narração toda, e assim acabei gostando do livro. Ainda acho desnecessária a enrolação no inicio, pois como já expliquei, não gosto desse tipo de material, mas a história em si, sobre a personagem, é bem bacana e reflexiva. Indico apenas para aqueles que tem paciência de ler esse tipo de conteúdo.
comentários(0)comente



426 encontrados | exibindo 1 a 15
1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 |