A Hora da Estrela

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Resenhas - A Hora da Estrela


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Maria 19/07/2016

Rodrigo S. M.
"Tudo no mundo começou com um sim. Uma molécula disse sim a outra molécula e nasceu a vida. Mas antes da pré-história havia a pré-história da pré-história e havia o nunca e havia o sim. Sempre houve. Não sei o quê, mas sei que o universo jamais começou.
Que ninguém se engane, só consigo a simplicidade através de muito trabalho.
Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever. Como começar pelo início, se as coisas acontecem antes de acontecer?" (página 11)

E assim começa “A hora da estrela”, obra que certamente vocês já ouviram falar, e se não sabem da sua existência, provavelmente já viram o nome Clarice Lispector em algum lugar. Ganhei um exemplar de “A hora da estrela” há alguns anos e, mesmo curiosíssima para ler algo de uma autora tão renomada, ainda não tinha conseguido encaixar o livro na minha lista de leituras. Resolvi lê-lo durante a Maratona Literária de Inverno que estou participando, já que a primeira semana tinha como meta ler um livro encalhado na estante há mais de um ano. Escolhi “A hora da estrela” pensando que, por ter menos de 100 páginas, seria uma leitura rápida. Ledo engano!

“A hora da estrela” foi um livro totalmente diferente das minhas expectativas! Começando pela narração, que é feita por Rodrigo S. M., um cara que quer escrever um livro. Sabe aquela história de que “A hora da estrela” conta a história de uma personagem nordestina chamada Macabéa? Então, não é bem isso! “A hora da estrela” conta a história de Rodrigo que quer contar a história de Macabéa, mas parece não saber ao certo como fazer isso, parece estar um pouco inseguro sobre como e o que escrever.

"Tentarei tirar ouro de carvão. Sei que estou adiando a história e que brinco de bola sem a bola. O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta.
Mas desconfio que toda essa conversa é feita apenas para adiar a pobreza da história, pois estou com medo. Antes de ter surgido na minha vida essa datilógrafa, eu era um homem até mesmo um pouco contente, apesar do mau êxito na minha literatura. As coisas estavam de algum modo tão boas que podiam se tornar muito ruins porque o que amadurece plenamente pode apodrecer." (página 17)

Mas falando sobre o que Rodrigo conseguiu contar: Macabéa é uma moça que trabalha como datilógrafa (faz um péssimo trabalho, por sinal) e mora em um quarto que divide com outras moças. Ela não tem família, nem amigos, nem nada que torne a sua vida especial. Macabéa é uma moça simples em diversos sentidos, e parece achar que a vida é assim mesmo, e, na única vez em que pensa que viver pode ser algo mais, bem, aí acontece o que acontece no final do livro.

"Não chorava por causa da vida que levava: porque, não tendo conhecido outros modos de viver, aceitara que com ela era "assim". Mas também creio que chorava porque, através da música, adivinhava talvez que havia outros modos de sentir, havia existências mais delicadas e até com um certo luxo de alma. Muitas coisas sabia que não sabia entender." (página 51)

Eu não gosto muito de procurar outras opiniões sobre uma obra assim que termino de lê-la e estou resenhando, prefiro resenhar primeiro e depois ir pesquisar as interpretações de outras pessoas (para que a resenha não seja influenciada por algo a mais do que a minha experiência de leitura). E creio que seja isso o que irei fazer assim que terminar essa resenha, pois “A hora da estrela” para mim é um livro simples, com uma história simples, proporcionando uma leitura sem grandes encantos ou emoções, sem nenhum apelo a não ser o fato de ter sido escrito por Clarice Lispector. Talvez eu faça uma releitura da obra algum dia, e possa vê-la de outra forma.

"No fundo ela não passara de uma caixinha de música meio desafinada." (página 86)

Foi um livro que demorei bem mais para finalizar do que o esperado, e que, para mim, tanto na história quanto na escrita, teve seus altos e baixos. Mas, pelo menos, agora “A hora da estrela” saiu da minha lista de não lidos para a lista de lidos.

Por fim, só gostaria de destacar duas partes curiosas: a cena em que a Macabéa vai numa cartomante e, ao invés de a cartomante falar da vida da Macabéa, a mulher resolve contar a própria vida! Como uma cartomante dessas pode conseguir clientes? E o fato de Macabéa ouvir uma rádio que, em vez de música ou noticiários, diz as horas e dá pequenas doses de conhecimento que dificilmente seriam relevantes numa dosagem tão homeopática.

"É que ela sentia falta de encontrar-se consigo mesma e sofrer um pouco é um encontro." (página 35)

Sobre a edição da Rocco: capa bonita, com título e nome da autora em alto-relevo, páginas brancas, margens, espaçamento e letras de bom tamanho. Quanto aos erros de revisão, não posso comentar, pois pode ser que a ausência de alguns sinais de pontuação seja apenas uma escolha da autora.

"a gente aceita tudo porque já beijou a parede." (página 86)

Por hoje é só, me contem: já leram o livro ou algum outro da autora? Eu estava desejando o volume único lançado recentemente com todos os contos da autora, mas depois de ler “A hora da estrela”, acabei desanimando um pouco.

site: http://petalasdeliberdade.blogspot.com.br/2016/07/resenha-livro-hora-da-estrela-clarice.html
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Niquee 12/07/2016

Recomendo!
O livro conta a história sofrida de Macabéa, uma jovem que não tinha beleza, visão de futuro e nem metas a serem concretizadas na vida. Ela vivia pelo simples fato de viver e nada mais!
Apesar de não possuir tanta beleza, consegue arrumar um namorado chamado Olímpico, que não lhe compreende e não lhe ama verdadeiramente. O romance não deu certo, pois ele trocou-a por sua amiga Glória.
Foi então que Macabéa decidiu ir a uma cartomante, que a fez pela primeira vez em sua vida se sentir esperançosa com relação ao seu futuro. As cartas revelaram-lhe sucesso, riqueza e amor, mas a pobre moça não sabia que o que lhe aguardava era apenas um destino triste já traçado e acabou morrendo atropelada por um carro amarelo de luxo em meio a cidade grande.
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Tatiana 02/07/2016

A hora da estrela, de Clarice Lispector
A hora da estrela, de Clarice Lispector, da Editora Rocco, é, sem nenhuma dúvida, um dos livros mais comoventes que já li. A obra narra a história de Macabéa, mulher nordestina, feia e alienada, que vive há algum tempo no Rio de Janeiro. Após a morte da tia, a moça se vê sozinha no mundo. Trabalha como datilógrafa para se sustentar e o seu único lazer nas horas de folga é ouvir rádio. A história de Macabéa é, em certo sentido, igual a de muitas outras mulheres. Ela se apaixona por um metalúrgico chamado Olímpio de Jesus, nordestino como ela, que começa a traí-la com sua colega de trabalho.

O livro é narrado pelo personagem Rodrigo S.M., escritor. Por exercer o ofício da escrita, Rodrigo faz inúmeros questionamentos sobre o ato de escrever. A percepção que o narrador tem de Macabéa é muito conflituosa, ora ele demonstra afeto pela protagonista, ora demonstra desprezo. Segundo Rodrigo, Macabéa é incompetente para vida. A moça mudou-se de Alagoas para o Rio assim que a tia morreu. Na Cidade Maravilhosa, Macabéa foi morar com as quatro Marias em uma pensão, levando uma vida de pobreza e de muitas restrições. Embora pobre, Macabéa orgulhava-se profundamente da profissão de datilógrafa, cujo aprendizado havia sido financiado por sua falecida tia. Além de ouvir rádio, as distrações da moça eram ir ao cinema e tomar Coca-cola, o que só ocorria quando ela recebia o seu salário.

Macabéa é uma mulher insignificante, sem nenhum talento, que leva uma vida medíocre e que acaba conhecendo e apaixonando-se por Olímpio, metalúrgico, homem que não a supera em nada em termos de inteligência, mas fingia ser muito sabido e muito esperto. Macabéa tinha uma enorme dificuldade em lidar com as palavras, mas em alguns momentos da obra, podemos perceber que, ao contrário de Olímpio, ela tinha vida interior. Na verdade, por vezes, o narrador deixa transparecer até mesmo uma certa riqueza interior, que não pode ser expressa devido ao uso precário da linguagem por parte da protagonista. E a felicidade de Macabéa dura pouco, em virtude de duas descobertas: uma sobre a traição de seu amor com a colega de trabalho, a outra sobre a sua saúde. Triste, em uma tentativa de entender a si mesma e à vida, a moça resolve ir à cartomante recomendada pela colega. A vidente prevê maravilhas para a protagonista, fazendo-a sentir esperanças quanto ao futuro pela primeira vez em sua vida. Sai da consulta com a cartomante bastante esperançosa, sem saber que está muito próxima a sua hora da estrela. Macabéa é uma personagem que nos toca profundamente, que nos comove. A hora da estrela é uma obra que diz muito mais nas entrelinhas do que no texto expresso. Recomendo aos leitores sensíveis e atentos aos significados que se escondem por trás do que é dito.

site: http://leituras-compartilhadas.blogspot.com.br/2016/05/a-hora-da-estrela-de-clarice-lispector.html
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Brnoliver 27/06/2016

A hora da Estrela Macabea
A Clarisse tem um dom para escrever sobre uma história da vida cotidiana, nos causa empatia com uma personagem que ela descreve como não tendo beleza, nem riqueza e nem grandes conhecimentos, só vive. Porém eu tenho um sentimento de ambivalência com o livro, pois tem diversas vezes uma quebra no ritmo da narração, mistérios desnecessários e a narração me confunde às vezes, mas é perdoável por causa da narrativa bastante poética.

Citação: "Que se há de fazer com a verdade de que todo mundo é um pouco triste e um pouco só."
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CocoaGamer 20/06/2016

O triste reflexo
" E quando acordava? Quando acordava não sabia mais quem era. Só depois é que pensava com satisfação: sou datilógrafa e virgem, e gosto de coca-cola "

Macabéa é um reflexo de nós mesmos, pessoas cheias de rótulos que não significam nada. Macabéa, por ser reflexo, é justamente o contrário. É alguém que existe. Por que existe? Não sabemos.
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Wilton 07/06/2016

Destino ingrato
A Hora da Estrela tem um apelo psicológico extraordinário. Prende a atenção apesar do enredo lento. O narrador é onisciente e surge na história como um escritor que tenta interferir no destino de Macabéa, a protagonista. Deseja um final feliz para pobre moça nordestina. Logo percebe que a personagem é independente, já está pronta, e que ele não poderia fazer nada além de registrar a sua triste sina. Macabéa é uma figura despretensiosa, sem brilho, sem vontade, amorfa. Clarice Lispector faz o escritor Rodrigo S. M. interagir com Macabéa a tal ponto que a infeliz se torna seu alterego. Ele também se considera um ser esquisito, despretensioso, sem brilho e sem vontade. Os destinos do escritor e da personagem seguem paralelos todo o tempo. Sob os aspectos de cultura, de instrução e de poder aquisitivo, havia um abismo entre eles. Mesmo assim, eram criaturas semelhantes e Clarice Lispector, competente como sempre, soube explorar o lado psicológico das personagens do jeito que somente ela sabe fazer.
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Renata Molina 06/06/2016

Chata
Primeiro livro que li da autora e já nem quero ler outros. Ela é uma espécie de João Kleber da literatura brasileira, quando a história está entrando nos eixos ela chega e fala: "Pára! Pára! Pára! Vou contar minha história."
Sem contar que a história começa na página 24. Muita enrolação. Achei-a uma chata. Me julguem! :P
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Drin 09/06/2016minha estante
"João Kleber da literatura brasileira" kkkkkkkk essa foi boa!


Gabriel.Deus 13/07/2016minha estante
ufa, achei que eu era o unico que tinha pensado isso... com exceção, claro, ao João Kleber da literatura rsrsrs.




M. Lelis 02/06/2016

Este livro começa com existencialismo pobre, pois já prenuncia o derradeiro abraço de uma existência pobre.
Fui Macabéa. Mas também já morri.
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Renato 05/05/2016

Minha primeira vez com Clarice
Foi minha primeira experiência de leitura de Clarice.
Confesso que na primeira tentativa, achei o livro um saco, cansativo. Deveria ter por volta de 17, 18 anos.
Cinco anos mais tarde resolvi experimentar novamente. As coisas foram diferentes. Tinha outra cabeça.
Macabea me encantou. Ela e seus dramas povoaram o meu pensamento durante e após a leitura. E diria que ainda hoje vez em quando ela aparece.
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Nat 02/04/2016

O livro fala de Macabéa, uma moça nordestina descrita como feia e azarada, mas ela nem sabe disso. Algumas coisas acontecem até que ela vai parar em uma cartomante que a deixa muito feliz, apesar de errar na previsão. Confesso que achei algumas coisas estereotipadas demais e até racistas, mas nada que atrapalhasse a leitura (aliás, acredito que é tudo proposital).
Sabe aquele autor que todo mundo gosta, que todo mundo cita, menos você? Então, Clarice Lispector é a minha. Tenho A Hora da Estrela há anos na biblioteca e resolvi dar uma chance. Ok, gostei mais que outros. Mas ainda não amo (rs).
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Jacqueline.Beatriz 30/03/2016

Um Sopro de vida.
Clarice se esconde para contar a história de uma nordestina que é o rosto da inocência e aceitação do que tem, no caso, nada. Macabéa é pura e simplesmente feliz com sua vida, que aos olhos do "autor" é miserável e invisível. A nordestina é o símbolo da tristeza que se disfarça de felicidade, ela é boa porque não sabe o que é ser ruim e é feliz com o que tem porque não conhece coisa melhor do que sua vida.
Diandra 01/04/2016minha estante
??




Lilian Lima 30/03/2016

A busca pela essência humana
Foi a primeira vez que tive contato com a autora, e não me arrependo de ter começado por esta obra. Sua tentativa de transcender o cotidiano revela-se em personagens na iminência de um milagre, uma explosão ou uma singela descoberta.
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Dany 20/03/2016

Resenha: A Hora da Estrela
Clarice tem o dom de me deixar sem palavras com seus livros. Ela melhor do ninguém, sabe escrever de tal forma que não se tem comparação. Sempre que termino um livro seu, fico agradecida por ter tido a oportunidade ler, de conhecer e porque não se identificar com o que está ali exposto em cada frase.

Por mais que fique uma sensação de pertencimento, ela consegue me deixar desconfortável. Às vezes eu me vejo em alguma passagem, algum detalhe do personagem, alguma frase, ato, pensamento. É isso assusta. Mais isso também ensina. E acho que é isso que Clarice sempre procurou entender, é pela necessidade de se conhecer verdadeiramente que ela escreve, pelo fato de não se entender que ela procura ser entendida.

Por mais que uma obra seja de ficção, por mais que um texto não seja baseado na própria vida do escritor é impossível não achar traços seus. Acabamos deixando marcas em tudo, e em se tratando de literatura, isso não seria diferente.

Rodrigo S. M. é nosso narrador. É ele que vai contar sobre a personagem principal da história, sobre a nordestina Macabéa. Sua história nem de longe é cheia de surpresas e acontecimentos, porém sua própria existência ou falta dela é que permeia a história.

Macabéa é datilógrafa, não tem ambição na vida, nem muito menos tem consciência de si nem reclamava de absolutamente nada. Não pensa sobre seu futuro, não fazia planos nem tinha ambição na vida ela apenas só se permite ser feliz.

Rodrigo ao mesmo tempo em que discorre sobre a vida de Macabéa também fala um pouco sobre si. Às vezes faz comparações ou mostra seu ponto de vista sobre determinadas coisas. Considero Rodrigo uma peça fundamente, pois sem ele não saberíamos da história de Macabéa.
A leitura me deixou desconfortável. Até porque mesmo sem querer admitir eu me identifiquei em certos pontos com Macabéa. Aliás, não tem como não se identificar com uma coisa ou outra. Como também às vezes fiquei indignada com as comparações que Rodrigo faz como, por exemplo:

“Ninguém olhava para ela na rua, ela era café frio”. Pág. 27

Ninguém gosta ou aprecia um café frio. E pelo fato dela não ser notada e nem fazer com que isso mude me deixa consternada. Macabéa arruma um namorado, Olímpico que acabou trocando ela pela sua amiga de trabalho, Glória. Ele também dava pouca ou quase nenhuma importância para Macabéa, falava bastante de si, de seus sonhos e suas ambições.

Ao mesmo tempo em que Macabéa é nada ela se mostra sendo tudo. Por ser exatamente como é, por ter suas pequenas peculiaridades ela é gigantesca e avassaladora. Nem começo da história nem o final é a parte fundamental, mas sim o meio. Saber de sua trajetória até ali é essencial para que se tenha uma visão completa de sua vida, porém o fato principal não é esse e si o que ela se tornou ali, no meio. O final apesar de nefasto não é o desfecho, o desfecho é o meio. O enlace que te pega de jeito está ali, no centro.

Eu queria falar mais sobre a história, porém tenho receio de acabar com todo o encanto. Porque a sensação que senti enquanto lia, espero e desejo que quem o ler também sinta. Por isso, saber tão pouco da história é fundamental, o choque é bruto o que faz com que a história que não tem nada de encantador te fascine.

Macabéa aparentava saber tão pouco da vida, só que ao mesmo tempo ela sabia muito. Sabia o que era fundamental.

Mais ai você se pergunta: sendo essa uma história tão comum e banal porque tem esse encanto todo?

De fato, não saberia lhe responder.

Porém tenho um palpite. Talvez – só talvez – pelo fato da história ser tão ínfima que ela se mostra tão grandiosa. É digo mais, se ela fosse tão pomposa não seria bela, não teria tanto valor.

Clarice sempre se mostra grandiosa quando não tem pretensão de o ser. É isso você encontra facilmente em qualquer livro seu. Ela até tenta passar despercebida, mais nem se fosse um grão de areia conseguiria.

Ouso parafrasear o narrador Rodrigo quando diz: “A vida é um soco no estômago.” Pág. 83

A Hora da Estrela, ou melhor, Macabéa é que é um soco no estômago (explosão).


site: http://recolhendopalavras.blogspot.com.br/2016/03/resenha-hora-da-estrela.html
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suellem 20/03/2016

A hora da estrela
Narrado por Rodrigo S. M o livro nos conta a história de Macabéa, uma moça cujo os pais morreu e é criada por uma Tia que a castiga o tempo todo, mesmo sem motivo. Quando essa tia morre Macabéa aluga um quarto no Rio de Janeiro onde mora com mais 4 Maria e trabalha como datilografa, mesmo sabendo tão pouco lidar com as palavras. um tempo depois ela conhece Olímpico um homem nordestino como ela, ambicioso ele só pensa em crescer, e usa Macabéa apenas como passatempo, tratando-a mal e traindo com a primeira mulher que aparece. Ela era uma mulher que aceitava a vida que lhe era imposta, achava que era aquilo que merecia. por isso não reclama, não esperava nada do futuro. seu passatempo era ouvir a rádio relógio. sua comida era cachorro quente com coca ou café frio. Longe de ser uma mulher bonita Macabéa tinha todos os defeitos, feia, magra, conformada, sem inteligência ou ambição alguma. vivia passando mal do estômago. Até que um dia aconselhada por uma amiga ela procura uma cartomante que lhe joga na cara um passado deprimente e um futuro esplêndido. Quando Macabéa sai dali, ela parece renascer, parece acordar, parece que tudo vai ser diferente e so ai ela descobre como a cartomante também pode errar...

Quantas Macabéas ecistem por aí?? mulheres que aceitam tudo que lhe é imposto, mulheres que se culpam por coisas que não convém. Clarice brinca com as palavras de uma forma incrível, usando Rodrigo o narrador para dar vida ao personagem e trazer vida ao livro. um livro curto e tocante.

" ninguém ensina a morrer: na certa morreria um dia como se antes tivesse estudado de cor a representação do papel de estrela. pois na hora da morte a pessoa se torna brilhante estrela de cinema, é o instante de glória de cada um e é quando como no canto Coral se ouvem agudos símbolos. " pág 29
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Jéss 15/03/2016

Resenha:A Hora da Estrela (Noite de Outono)
"O fato é um ato? Juro que este livro é feito sem palavras. É uma fotografia muda. Este livro é um silêncio. Este livro é uma pergunta." (pág 17)

Devo confessar que já li A Hora da Estrela diversas vezes e em todas essas vezes não me recordo de uma em que não tenha chorado. Ele é um livro bem pequeno, com certeza o menor dentro os que possuo, porém é o meu favorito.

O livro é narrado por Rodrigo S.M e conta a história da jovem Macabéa de 19 anos, que sai de Alagoas para o Rio de Janeiro depois de perder sua tia, com quem vivia até então. Macabéa é retratada como uma mulher alienada e feia (afinal o que é ser feia?), trabalha como datilografa e passa seu tempo livre ouvindo ao Rádio Relógio em sua casa onde mora com mais 4 moças ou as 4 Marias.
No decorrer da história ela se apaixona por Olímpico de Jesus, um metalúrgico também nordestino que a trata muito mal durante todo o breve relacionamento deles, talvez porque diferente de Macabéa ele gostava de fingir que sabia das coisas e o jeito escasso de Macabéa acaba por cansá-lo, e ele acaba ficando com sua colega de trabalho Glória. A vida de Macabéa muda completamente quando ela decide visitar uma cartomante depois de um conselho de Glória.

O narrador-personagem, Rodrigo S.M é bem interessante, pois no decorrer do livro ele vai contanto toda a história de Macabéa e até se identifica um pouco com ela, você vai percebendo, que no decorrer da leitura, assim como Rodrigo vai amando e odiando Macabéa você também vai. E isso acaba por deixar transparecer algumas características da própria Clarice.

O livro retrata bem a levianidade humana, Macabéa não tinha nada e a única coisa que ela “tinha”fora roubado dela por sua 'colega', mas ela não conseguiu nem se posicionar sobre isso tudo, mesmo com toda a humilhação da situação.

"Já que sou, o jeito é ser." (pág 34)

Essa situação de Macabéa é evidente desde o seu nascimento. Perdeu os pais aos 2 anos de idade e foi criada pela tia beata que a maltratava bastante.

Esse livro me fez refletir muito sobre a insignificância humana e ao mesmo tempo me fez notar como a insignificância de Macabéa era significativa pra mim, quero dizer, eu realmente me identifiquei com a vida daquela garota, com seus pensamentos e angustias. Muito do que Clarice escreve ali, eu encarei como metáforas para coisas da minha vida, como por exemplo a espera de Macabéa pelo seu salário todos os meses para que ela pudesse finalmente ir ao cinema e beber coca cola, é óbvio que essa não é minha única ambição, mas todo mundo espera pelo momento que vai poder realizar um desejo a muito aprisionado e Clarice retrata isso com uma impressionante fidelidade a vida real.
Clarice esboça também os anseios e a complexidade por trás da vida, do medo da morte e do sentido das coisas. O final desse livro é tão surpreendente que você vai sentir como se sem esperar tivesse levado um tiro ou um chute no estomago, o decorrer da história não te prepara (nem da forma mais sutil possível) para esse final, você nem desconfia do que vai acontecer até que acontece, e quando acontece você permanece sem acreditar (ao menos foi assim comigo).

COISAS IMPOSSÍVEIS DE NÃO FAZER COM ESSE LIVRO:

Chorar;
Sentir uma vontade inexplicável de grifar cada frase maravilhosa que Clarice escreveu;


Termino essa resenha dizendo que indico esse livro maravilhoso pra cada um dos meus leitores, pra cada pessoa do mundo, leia para o seu cachorro, seu passarinho, suas plantas (sério) todo ser vivo deveria ouvir a historia de Macabéa.

site: http://noite-de-outono.blogspot.com.br/2016/03/resenha-hora-da-estrela.html
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